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segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Terapias genéticas conseguem avanço contra cânceres do sangue

Emily Whitehead, 8, após tratamento com células T que lhe fez vencer o câncer
Ed Cunicelli - 18.nov.2013/Hospital do Câncer da Filadélfia/Associated Press
Emily Whitehead, 8, após tratamento com células T que lhe fez vencer o câncer
 
Em um dos maiores avanços contra a leucemia e outros tipos de câncer de sangue em muitos anos, médicos estão relatando um sucesso sem precedentes no uso de terapia genética para transformar células do sangue dos pacientes em soldados que procuram e destroem o câncer.
 
Alguns pacientes com um tipo de leucemia receberam por uma vez a terapia experimental vários anos atrás e alguns permanecem livre do câncer hoje. Agora, pelo menos seis grupos de pesquisa já trataram mais de 120 pacientes com vários tipos de cânceres do sangue e da medula óssea, com resultados impressionantes.
 
"É muito emocionante ", disse Janis Abkowitz , chefe doenças do sangue da Universidade de Washington em Seattle e presidente da Sociedade Americana de Hematologia . "Você pode pegar uma célula que pertence a um paciente e modificá-la para ser uma célula de ataque."
 
Em um estudo, todos os cinco adultos e 19 entre 22 crianças com leucemia linfocítica aguda, ou ALL, tiveram uma remissão completa. Ou seja, nenhum caso de câncer poderia ser encontrado após o tratamento, embora alguns tenham tido uma recaída desde então .
 
Esses pacientes estavam gravemente doentes e já não tinham mais opções . Alguns haviam tentado vários transplantes de medula óssea e até dez tipos de quimioterapia ou outros tratamentos.
 
O câncer estava tão avançado em Emily Whitehead,8, de Philipsburg, na Pensilvânia, que os médicos disseram que seus principais órgãos iriam falhar em questão de dias. Ela foi a primeira criança a receber a terapia genética e hoje, quase dois anos depois, não mostra nenhum sinal do câncer.
 
Os resultados em outros pacientes com mieloma , linfoma e leucemia linfocítica crônica , ou LLC, serão relatados na conferência da sociedade de hematologia, que começou no sábado, em Nova Orleans (EUA).
 
Os médicos dizem que isso tem o potencial para se transformar na primeira terapia genética aprovada nos Estados Unidos e a primeiro para o tratamento do câncer em todo o mundo. Apenas uma terapia genética é aprovado na Europa, para uma doença metabólica rara .
 
O tratamento envolve filtrar o sangue dos pacientes para remover milhões de células brancas do sangue, as chamadas células-T, alterá-las em laboratório para conter um gene que tem como o câncer como alvo, e devolvê-las ao paciente em infusões ao longo de três dias.
 
"O que estamos dando é essencialmente uma droga viva" - células permanentemente alteradas que, no corpo, se multiplicam em um exército para lutar contra o câncer, disse o David Porter, cientista da Universidade da Pensilvânia que liderou um estudo.
 
Várias empresas farmacêuticas e de biotecnologia estão desenvolvendo essas terapias . A Universidade da Pensilvânica patenteou seu método e licenciou para a farmacêutica suíça Novartis AG. A empresa está construindo um centro de pesquisa no campus da universidade, na Filadélfia, e planeja um ensaio clínico no próximo ano, que poderia levar à aprovação federal do tratamento, já em 2016.
 
Conversando com os pesquisadores , "há um sentido de fazer história ... uma sensação de fazer algo muito especial", disse Hervé Hoppenot, presidente da Novartis Oncology, a divisão principal do trabalho.
 
Lee Greenberger, diretor científico da Sociedade de Leucemia e Linfoma, concorda.
 
"Do nosso ponto de vista, esta parece ser um grande avanço", disse ele . "Estamos vendo respostas poderosas (...) o tempo vai dizer o quão duradouras essas remissões virão a ser ."
 
O grupo doou US $ 15 milhões para vários pesquisadores testando essa abordagem. Esperam-se cerca de 49 mil novos casos de leucemia, 70.000 casos de linfoma não Hodgkin e 22 mil casos de mieloma diagnosticados nos Estados Unidos em 2013.
 
Muitos pacientes são tratados com sucesso com quimioterapia, transplante de medula óssea ou de células-tronco, mas os transplantes são arriscados e nem sempre consegue encontrar doadores. Até agora , a terapia genética foi testada em pessoas que estavam em perigo de morte , porque outros tratamentos fracassaram.
 
A terapia genética deve ser feita individualmente para cada paciente, e os custos de laboratório são agora cerca de US $ 25.000, sem margem de lucro . Isso ainda é menos do que os custos de muitos medicamentos para tratar essas doenças, além de muito menos do que um transplante.
 
O tratamento pode causar sintomas semelhantes aos da gripe graves, além de outros efeitos colaterais, mas eles foram reversíveis e temporários, dizem os médicos.
 
Os médicos da Pensilvânia têm tratado a maioria dos casos até agora: 59. Dos primeiros 14 pacientes com leucemia linfocítica crônica, quatro tiveram remissão completa, quatro tiveram parciais e o restante não respondeu. No entanto, alguns respondedores parciais continuaram a ver seu câncer encolher um ano após o tratamento .
 
"Isso é muito especial para esse tipo de terapia" e dá esperança de que tratamento ainda pode destruir o câncer, disse Porter. Outros 18 pacientes com leucemia linfocítica crônica foram tratados, e metade respondeu até o momento.
 
Médicos da universidade também trataram 27 pacientes com ALL (leucemia linfocítica aguda). Todos os cinco adultos e 19 entre as 22 crianças tiveram remissão completa. Uma taxa de sucesso "extraordinariamente alta", disse o Stephan Grupp, do Hospital Infantil da Filadélfia.
 
Desde então, seis tiveram uma recaída, mas os médicos estão ponderando se fazem uma segunda tentativa de terapia genética.
 
No Instituto Nacional do Câncer dos EUA, James Kochenderfer e colegas trataram 11 pacientes com linfoma e quatro com CLL, começando cerca de dois anos atrás. Seis tiveram remissão completa, seis tiveram parcial, uma está com a doença estável. Para os outros, ainda é muito cedo para dizer.
 
Dez outros pacientes receberam a terapia genética para tentar matar leucemia ou linfoma remanescente após transplantes de medula óssea . Esses pacientes receberam infusões de células sanguíneas tratadas com genes feitas com material de seus doadores, em vez de usar as suas próprias células sanguíneas . Um deles teve uma remissão completa, e outros três apresentaram redução significativa de sua doença.
 
"Eles receberam todo tratamento conhecido pelo homem. Conseguir obter algumas respostas é muito encorajador", disse Kochenderfer . O instituto do câncer está trabalhando com uma empresa de biotecnologia de Los Angeles, a Kite Pharma Inc., em sua abordagem de terapia genética.
 
Pesquisadores do Memorial Sloan-Kettering Cancer Center, apresentarão um relatório sobre 13 pacientes com LLA. Médicos da Universidade do Texas Anderson Cancer Center, apresentará um relatório sobre cerca de duas dezenas de pacientes com LLA ou linfoma e a Universidade Baylor apresentará resultados em 10 pacientes com linfoma ou mieloma .
 
Doug Olson (à dir.), que se livrou de um tumor de cerca de 2 kg em um mês, e seu filho após correm juntos uma meia-maratona em Orlando
Margit Olson - 12.jan.2013/Associated Press
Doug Olson (à dir.), que se se curou de tumor de cerca de 2 kg
em um mês, e seu filho após correm juntos uma meia-maratona
Os pacientes são encorajados porque relativamente poucos tiveram uma recaída.
 
"Ainda estamos nervosos todos os dias, porque eles não podem nos dizer o que vai acontecer amanhã", disse Tom Whitehead, o pai de Emily, de 8 anos.
 
Doug Olson , 67, um cientista de uma fabricante de dispositivos médicos, não mostra nenhum sinal de câncer desde a terapia genética em setembro de 2010. Ele tinha CLL desde 1996.
 
"Dentro de um mês, ele estava em remissão completa. Isso foi completamente inesperado", disse Porter, médico da Universidade da Pensilvânia .
 
Olson correu sua primeira meia-maratona em janeiro e já não se preocupa com quanto tempo sua remissão irá durar.
 
"Eu decidi que eu estou curado . Eu não vou deixar que isso paire sobre minha cabeça nunca mais", disse ele.

Folhaonline

Reduzir níveis de gordura no sangue continua fundamental, dizem médicos

Novas orientações das sociedades americanas de cardiologia estão deixando muita gente em dúvida: pessoas que não tiveram infarto ou derrame e têm colesterol alto devem ou não tomar remédios para baixar esses níveis?
 
Ao eliminar as chamadas metas de colesterol --o número máximo de LDL, o colesterol "ruim", que cada grupo de pessoas deve ter de acordo com seu perfil de risco para derrame e infarto-, o documento publicado em novembro deixou a impressão de que já não importa qual o nível de gorduras no sangue.
 
Assim, não seria mais necessário tomar remédios contra colesterol, as estatinas, nem fazer exames para ver o progresso do tratamento.
 
Editoria de Arte/Folhapress
 
No sábado retrasado, o oncologista Drauzio Varella, colunista da Folha, escreveu, ao citar as novas diretrizes da American Heart Association e do American College of Cardiology: "Segundo elas, os níveis de colesterol não interessam mais. Se seu LDL é alto, não fique aflito para reduzi-lo: o risco de sofrer ataque cardíaco ou derrame cerebral não será modificado".
 
Cardiologistas brasileiros envolvidos na elaboração das diretrizes nacionais de controle do colesterol, publicadas também neste ano, discordam do colunista.
 
Raul Santos Filho, da Faculdade de Medicina da USP, diz que a nova diretriz dos EUA é clara ao recomendar redução de 30% a 50% ou mais dos níveis de colesterol a depender do perfil de risco do paciente como ato eficaz para evitar infarto e derrame.
 
"Se o nível de colesterol não fosse importante, por que mandariam baixar tanto?"
 
O cardiologista Hermes Toros Xavier, editor da atual diretriz brasileira sobre o tema, diz que as metas não foram suspensas pela irrelevância dos níveis de colesterol, e sim porque os estudos nos quais as orientações se basearam viam só o efeito da redução das taxas, e não o desempenho em cada nível.
 
De fato, o texto americano classifica a redução de 50% do colesterol "ruim" como um "fator crítico" para evitar eventos cardiovasculares.
 
Remédio para quem?
 Tendo como base estudos nos quais a resposta de grupos equivalentes de pacientes a um tratamento ou a um placebo são comparados, a diretriz americana conclui que há quatro tipos de pessoas para as quais o uso de remédios anticolesterol tem mais benefícios do que riscos.
 
O primeiro grupo é são os que já têm doenças cardíacas, como os infartados. Aqui não há controvérsia. Depois vêm as pessoas com LDL bem alto, maior do que 190 mg/dl. Os diabéticos com LDL entre 70 e 189 mg/dl constituem o terceiro grupo.
 
O último e mais controverso grupo é tem potencial de incluir o maior número de pessoas: adultos sem doenças cardíacas, com LDL entre 70 e 189 mg/dl e com risco igual ou maior a 7,5% de ter um evento cardiovascular nos próximos dez anos.
 
Esse risco é calculado por meio de uma fórmula já bem conhecida dos cardiologistas mas que foi atualizada para a nova diretriz --e muito criticada, por superestimar o risco em certos grupos e por subestimá-lo em outros.
 
A tabela leva em conta os seguintes itens: sexo, idade, raça (afroamericana ou branca e outras), níveis de colesterol, pressão arterial, se a pessoa faz tratamento para baixar a pressão, se tem diabetes e se fuma.
 
Evidências
A última pesquisa grande sobre estatinas em pessoas sem doenças cardiovasculares foi publicada neste ano pela Cochrane, entidade de renome que realiza grandes revisões de estudos. Ela concluiu que o tratamento com estatinas é benéfico mesmo para quem nunca teve problemas cardíacos e que não traz efeitos colaterais graves.
 
John Abramson, da Escola Médica de Harvard, publicou uma análise no "British Medical Journal" questionando conclusões dessa revisão e de outra de 2012, a CTT, uma colaboração internacional.
 
O problema principal é o número de pessoas que precisam tomar as estatinas para que um evento cardiovascular ou uma morte sejam evitados. Esse número deve ser comparado com o de pessoas que precisam tomar o remédio para que uma tenha um efeito colateral grave. Pesando o benefício e o risco, chega-se a uma indicação.
 
Mas esses números são controversos. O estudo da CTT mostra que, entre pessoas com risco de 20% ou menor de problemas cardíacos em dez anos, são evitados 11 eventos cardiovasculares por mil pessoas tratadas a cada 39 mg/dl de redução de LDL. As conclusões da CTT classificam esse benefício como mais importante do que o risco trazido pelo tratamento.
 
Nesse estudo, era preciso tratar 2.000 pessoas para haver um caso de problema nos músculos, um dos efeitos colaterais mais comuns do tratamento. No entanto, Abramson, no "BMJ", cita outros estudos que mostram um número muito maior de casos de dores musculares causados por estatina.
 
Segundo esses estudos, é preciso tratar só 19 pessoas para que uma sofra de miopatia. O diabetes também aumenta entre os tratados,em especial entre mulheres.
 
Segundo Xavier, da Sociedade Brasileira de Cardiologia, o risco de diabetes sobe cerca de 9% entre usuários de estatina, risco menor do que o benefício do remédio.
 
Para Drauzio Varella, o importante é trazer à tona a discussão sobre esse tema. "Quis mostrar [com o artigo] que a questão não é tão simples assim. É preciso discutir."
 
Tentativa de evitar infartos
Por que, afinal, existe um esforço tão grande para saber quem deve tomar um remédio para evitar uma doença que pode nem se manifestar?
 
As estatinas são classificadas como "blockbusters", drogas responsáveis por grande fatia do faturamento das maiores farmacêuticas. Enquanto as patentes e os preços desses remédios vêm caindo, novas substâncias têm sido testadas para serem usadas como estatinas ou por pessoas que não toleram o tratamento com elas.
 
Para críticos da indústria farmacêutica, existe um esforço grande em demonstrar benefício desses remédios simplesmente para fazer gente saudável comprar remédio.
 
Mas a questão não pode ser resumida a uma "teoria da conspiração", segundo Raul Santos Filho, da USP. Cerca de metade das pessoas que infartam nunca teve sintomas de doenças cardíacas antes de sofrer o evento ou até morrer por causa dele.
 
A esperança dos médicos é identificar pessoas com maior risco de infartar ou ter derrame e evitar que isso aconteça. Daí surgem as escalas de risco futuro e as receitas de estatinas e anti-hipertensivos.
 
Além das mudanças de estilo de vida, que dependem muito da força de vontade do paciente, o colesterol é um fator no qual os médicos conseguem interferir, principalmente com remédios.
 
Folhaonline

Projeto em creche da UFRGS desenvolve atividade física com bebês

Projeto em creche da UFRGS desenvolve atividade física com bebês Lauro Alves/Agencia RBS
Foto: Lauro Alves / Agencia RBS
Trabalho conscientiza professores sobre exercícios com os pequenos
Exercícios buscam tirar os pequenos da inatividade e, com isso, impulsionar o desenvolvimento físico e cognitivo
 
Eles mal conseguem ficar de pé, mas já têm hora marcada para se exercitar. Diferente de muitos bebês, que permanecem quase o dia inteiro entre berço, colo e cadeirinha, as crianças da creche Francesca Zacaro Faraco, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), exploram os movimentos do corpo pelo menos três vezes por semana.

Elas fazem parte de um projeto elaborado por alunos, fisioterapeutas e educadores físicos que busca tirar os pequenos da inatividade e, com isso, impulsionar o desenvolvimento físico e cognitivo.

A ideia de estimular e experimentar a movimentação dos bebês surgiu da observação da fisioterapeuta e professora da Escola Superior de Educação Física (Esef) da UFRGS Carla Skilhan de Almeida.

Ao percorrer diversas instituições de Educação Infantil da Capital, a especialista notou que as crianças estavam passando grande parte do dia inativas e, após avaliar o desenvolvimento delas conforme a idade, viu que muitas estavam ficando para trás.

— As avaliações que fizemos seguem um padrão de "normalidade" ou "desenvolvimento típico" para bebês de até 18 meses. Se o bebê está afastado dos marcos da tabela, ele pode ser considerado atrasado. Esse atraso não precisa ser patológico, pode ser apenas falta de experimentação de movimentos e posturas. E isso estava acontecendo com muitas crianças que avaliamos — explica.

A partir daí, Carla começou um trabalho para conscientizar pais e professores sobre a importância de estimular as crianças a experimentar com mais tempo e liberdade os movimentos do corpo. Desde 2003, com um grupo de especialistas — entre eles educadores físicos e fisioterapeutas —, ela realiza intervenções em instituições de ensino para colocar os pequenos em ação.

Os resultados são cada vez mais positivos. As avaliações realizadas nos bebês antes e depois de alguns meses de intervenções já mostraram que, com um pouco de estímulo, eles podem rapidamente recuperar o grau de desenvolvimento adequado para suas idades.

— Esse tipo de atividade ajuda também na detecção precoce de alguma alteração motora, além de estimular os pequenos a interagir com os colegas, dividir o espaço e os brinquedos, tomar decisões e se divertir durante as brincadeiras — comenta.

Estimulando os sentidos
Os exercícios, é claro, nada tem a ver com aqueles praticados por adultos. São atividades simples que, com a ajuda de objetos, sons e cheiros, estimulam os sentidos dos bebês de diversas formas.

Os três principais focos das atividades são as "perseguições" visuais, que é quando o bebê procura o brinquedo com os olhos, o que o estimula a pegá-lo; a manipulação, que é uma exploração manual do brinquedo, interagindo com o objeto; e o controle postural, quando eles são colocados em determinadas posições para fortificar a musculatura enquanto exploram o meio em que estão.

Por serem atividades simples e divertidas, pais e parentes podem e devem realizá-las com os pequenos diariamente. Mas sempre com muito cuidado, alerta Carla.

Entre os exercícios mais recomendados estão colocar a criança de barriga para baixo, com brinquedos coloridos a alguns centímetros de distância, sentar os mais grandinhos com diversas distrações ao redor e posicioná-los em frente ao espelho para observar seus movimentos.

— Só por meio das experiências é que a criança conhecerá seu próprio corpo. Atualmente, a tecnologia tomou conta deles, mas é fundamental, dentro do desenvolvimento motor, que os bebês possam vivenciar todas as etapas — justifica a fisioterapeuta Laís Gerzson, que participa do projeto na creche da UFRGS.

Para os pais praticarem
- Colocar o bebê no chão, em cima de colchonete, edredom ou tapete. O ideal é nas posturas de barriga para cima ou para baixo

- Estimular a criança a rolar, ficar de barriga para baixo e depois sair desta posição

- Quando a criança se aproximar de cinco meses, colocá-la sentada no chão, com apoio de almofadas, se necessário

- Não deixar os pequenos por muito tempo em cadeirinhas e berços e no colo

- Evitar o uso de andador, pois pode estimular uma caminhada inadequada e provocar encurtamentos musculares

- Reservar um tempo livre para ir ao chão com o bebê, com brinquedos adequados para a idade

- Cantar ou colocar música para os pequenos ouvirem, estimulando a audição

- Contar histórias e deixar que os filhos manuseiem livro infantis com muitas cores e figuras
 
Zero Hora

Grupo estuda novo método contraceptivo masculino

Universidade australiana propõe frear a ejaculação sem prejudicar o orgasmo
 
Há anos fracassando na tentativa de desenvolver um método contraceptivo masculino eficaz e com efeitos reversíveis, os cientistas podem ter encontrado um caminho.

A esperança vem do trabalho de um grupo da universidade australiana Monash, que foi tema de uma reportagem do jornal espanhol El País.

O método, testado em ratos, ataca a produção de espermatozóides por meio de coquetéis hormonais que bloqueiam o sistema nervoso que ativa a ejaculação. Desta forma, a ejaculação é freada, mas não o orgasmo.

Mas o método, que está em fase de testes, ainda ocasiona efeitos colaterais importantes, como aumento do colesterol.

Por enquanto, os únicos métodos contraceptivos masculinos que demonstraram eficácia são a camisinha e a vasectomia.
 
A Notícia

Tecnologia é aliada dos atletas para melhor aproveitamento dos exercícios

Tecnologia é aliada dos atletas para melhor aproveitamento dos exercícios Bruno Alencastro/Agencia RBS
Foto: Bruno Alencastro / Agencia RBS
Atletas usam a tecnologia para melhor seus desempenhos
Sensores para medir gordura queimada e tatuagens que alertam para o risco de exaustão física são alguns exemplos
 
Malhação é para quem tem paciência. O resultado do sacrifício físico só costuma aparecer algum tempo, depois de muito esforço e de horas de suor. Mas não é necessário esperar a calça ficar folgada ou o músculo crescer para ver a transformação. Modernos sensores podem ser incorporados ao corpo e fornecer informações em tempo real sobre a queima de gordura, os sinais vitais ou mesmo as transformações químicas durante o exercício. A tecnologia wearable para atletas já é uma realidade, e vem em forma de pulseiras, sensores, presilhas para tênis e até mesmo tatuagens eletrônicas.
 
No ar
Pesquisadores japoneses desenvolveram um sensor que mede a quantidade de gordura queimada depois de um exercício. Em vez de recorrer a complicados exames médicos e a cálculos de massa corporal, a pessoa sopra numa espécie de bafômetro por seis segundos e espera pelo resultado. Em instantes, um aplicativo de smartphone informa a quantidade de massa eliminada durante o treinamento. Quando o usuário deposita o ar na máquina, dois sensores estimam a quantidade de acetona presente no hálito. O elemento serve como referência para o rendimento físico, pois é liberado no sangue e nos pulmões com a queima de gordura.
 
O aparelho, que pesa apenas 125 gramas, detecta a acetona em concentrações entre 0,2 e 50 partes por milhão, e funciona com baterias. Pode ser usado na pista de corrida ou na academia.
 
— Os resultados são automaticamente enviados para um smartphone com sistema Android por conexão bluetooth ou um cabo e são exibidos com dicas de dieta na forma de um indicador de queima de gordura — explica Satoshi Hiyama, do laboratório NNT Docomo e principal autor do estudo.
 
No entanto, alerta Hiyama, o método costuma exigir uma máscara de respiração para medir a proporção de dióxido de carbono e de oxigênio consumido. Não seria adequado para uso diário por pessoas em dieta.
 
Na pele
Para alguns atletas, o mais importante é quebrar recordes. Contanto que o corpo aguente, não importa quantas calorias ficarão para trás. Nesse caso, outro tipo de sensor é necessário: um que avise quando o organismo chega ao limite, evitando que o exercício excessivo tire mais dos músculos do que eles possam dar. O alarme de segurança contra exaustão, de acordo com especialistas em nanoengenharia da Universidade da Califórnia, pode ficar na própria pele, em forma de tatuagem. O adesivo flexível desenvolvido pela equipe norte-americana conta com um biossensor que avisa quando o usuário atingiu o ponto de exaustão física, e precisa dar uma pausa no exercício. O dispositivo faz isso com base no nível de ácido láctico presente no suor do atleta, substância produzida pelo corpo quando o esforço supera a capacidade respiratória.
 
— Vários sensores de lactato, que dependem de amostras de sangue retiradas do dedo, estão disponíveis no mercado. No entanto, as desvantagens são a invasividade e a inconveniência, especialmente durante a atividade física — ressalta o pesquisador Joseph Wang, em artigo publicado na revista especializada Analytical Chemistry, no qual ele descreve o biossensor.
 
De acordo com o engenheiro, o método exige várias coletas de sangue, separadas por intervalos, que podem atrapalhar o treinamento. Além da praticidade que dispensa exames laboratoriais, o sensor tatuado também é flexível e continua colado à pele durante séries constantes de exercício. Os componentes eletrônicos resistem a movimentos repetitivos. O próprio suor do atleta age como condutor elétrico para o dispositivo, que envia os resultados da medição para o computador, sem necessidade de fios. O sistema foi testado com pessoas de diferentes níveis de condicionamento e pôde prever quando eles atingiam o limite da exaustão física.
 
Desempenho
Já existem acessórios usados para cronometrar uma corrida e para contar passos e metros gastos no percurso. No entanto, o valor tende a ser incerto, pois as passadas de cada usuário são diferentes, e elas não podem ser comparadas com pedaladas, por exemplo. O desafio de proporcionar a desejada exatidão para todos os tipos de atletas foi aceito por uma equipe do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), que criou um conjunto de pulseira e presilha para tênis sensível a todo o tipo de movimentos.
 
O produto, batizado de Amiigo, não apenas consegue diferenciar quando a pessoa está correndo, nadando ou levantando pesos como também cria uma avaliação detalhada de cada exercício. A inteligência do acessório está em um algoritmo de diferenciação, que muda a forma de contagem assim que o atleta alterna o esporte ou o treinamento.
 
Com os resultados dos exercícios em mãos, só resta saber como melhorar o desempenho. Essa é a proposta de Brooks Kindle, um aluno da Universidade de Washington que trabalha na criação de um bracelete que faz o papel de treinador. Preso ao braço do usuário, o sensor mede a aceleração e a orientação do exercício, e compara os dados com os modelos usados em um computador. A máquina, por sua vez, emite um aviso sonoro que explica ao atleta quando corrigir a série, e como fazê-lo. A invenção, inicialmente para exercícios de fisioterapia, está em fase de desenvolvimento e só consegue corrigir quatro tipos de movimentos.
 
Correio Braziliense