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segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Endometriose: conheça os fatores de risco para a doença

Histórico familiar e menstruação precoce são sinais de atenção
 
A endometriose atinge de 10 a 15% das mulheres em idade reprodutiva, segundo dados da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia. Isso significa que mais de seis milhões de mulheres no Brasil sofrem com esse problema.
 
A endometriose é uma condição na qual o tecido que reveste a parede interna do útero (endométrio) cresce em outras regiões do corpo, causando dor, sangramento irregular e possível infertilidade. Essa formação de tecido normalmente ocorre na região pélvica, nos ovários, no intestino, no reto, na bexiga e na pélvis.
 
"Os sintomas principais da endometriose são as cólicas menstruais que não melhoram com medicação habitual, dores na relação sexual e sintomas urinários e intestinais como dor ao evacuar e sangramento", explica a ginecologista Sueli Raposo, do Laboratório Pasteur, em Brasília.
 
Segundo a especialista, o diagnóstico da doença costuma ser muito tardio, uma vez que ela tem uma evolução lenta e muitas mulheres ignoram esses sintomas. Por isso é importante fazer o acompanhamento com o ginecologista e ficar atento aos fatores que podem favorecer a doença.
 
Conheça-os:
 
Histórico familiar
Ainda não se sabe a causa exata da endometriose, mas sabe-se que o histórico familiar é um fator importante para se observar. "Mulheres com mãe ou irmã com endometriose apresentam maior risco de ter a doença e podem apresentar formas mais graves", explica a ginecologista Sueli Raposo, do Laboratório Pasteur, em Brasília. Por isso, se você tem algum caso da doença na família, converse com seu ginecologista e fique atento para o acompanhamento.                    
 
Número de menstruações
"Mulheres com ciclos menstruais mais curtos, fluxo menstrual intenso e primeira menstruação precoce parecem apresentar maior risco de endometriose", explica a ginecologista Sueli. Além disso, explica a especialista, alguns estudos mostraram que um menor número de gestações também pode estar associado a um risco para endometriose, pelo fato de a gravidez diminuir o número de gestações - mas ainda não há dados suficientes que comprovem essa tese. "Com a mudança na vida das mulheres, que hoje adiam a maternidade, isso leva a um maior número de ciclos menstruais durante a vida, aumentando as chances de ter a doença", afirma Sueli. Se compararmos com as mulheres do século passado, que tinham a primeira menstruação mais tardia e filhos mais cedo, além de passar longos períodos amamentando, o número de menstruações era bem menor do que agora - e a quantidade de menstruações está diretamente ligada com o risco de endometriose, sendo que quanto mais ciclos, maior as chances. Menos menstruações significam menos endométrio.
 
Tabagismo
Uma das teorias mais aceitas para a causa da endometriose é a Teoria Imunológica, e pode explicar por que só algumas mulheres desenvolvem a doença. "O que ocorre é uma falha no sistema imunológico, situação no qual as células do endométrio não são eliminadas corretamente devido a uma falha nesse sistema, e acabam migrando para a pelve, levando à endometriose", declara a ginecologista Sueli. Nesse cenário, o cigarro tem uma atuação importante no sistema imunológico, e como tal pode contribuir para o aparecimento da doença. "Importante lembrar também que o cigarro diminui em três vezes a chance de engravidar, pois a nicotina altera o funcionamento dos ovários, afeta a qualidade dos óvulos e diminui a regularidade das ovulações", ressalta a especialista. Em uma mulher com endometriose, que já tem o risco aumentado de infertilidade, o cigarro poderá só agravar a condição - portanto, se o tabagismo não contribuir para o aparecimento da endometriose, pode agravar as complicações da doença.
 
Sedentarismo
A alta produção de estrogênio também é um fator importante por trás da endometriose, uma vez que esse hormônio produzido pelos ovários faz parte do ciclo menstrual ? e quanto maior a produção de estrogênio, mais intenso o ciclo. "A atividade física regular irá regular esse hormônio, contribuindo para a prevenção da endometriose", explica a ginecologista Rosa. A recomendação é fazer atividades aeróbicas de três a quatro vezes por semana. De acordo com a ginecologista Sueli, a atividade física também vai melhorar a imunidade da mulher.
 
Estresse
Assim como o cigarro, o estresse também causa alterações no sistema imunológico, contribuindo para o aparecimento da endometriose. "Existem estudos que mostram o perfil da mulher com endometriose, e no geral elas são mais ansiosas e estressadas, exigentes, detalhistas e com dificuldade em dizer não, por isso muitas vezes um trabalho com psicoterapia também é necessário", aponta a ginecologista Sueli.
 
Usar ou não anticoncepcionais?
De acordo com as especialistas, o uso de anticoncepcionais pode diminuir o risco, uma vez que eles diminuem o fluxo menstrual. Inclusive, os anticoncepcionais são recomendados para mulheres que já tem endometriose. "O anticoncepcional oral combinado tem sido usado como tratamento com bons resultados na redução dos sintomas", explica a ginecologista Sueli Raposo. Dessa forma, se você usa anticoncepcionais hormonais, pode ser que suas chances de endometriose sejam diminuídas.
 
Idade
Segundo a ginecologia Rosa Maria Neme, do Centro de Endometriose São Paulo, a doença raramente aparece antes da primeira menstruação e tende a reduzir após a menopausa. "Mas não há relação entre a idade do diagnóstico e a severidade da doença", completa Sueli Raposo. A endometriose pode aparecer a partir da primeira menstruação até a última com média de diagnóstico aos 30 anos. Dessa forma, é importante ficar atento aos sintomas: menstruações dolorosas, dor durante ou após a relação sexual e cólicas que duram semanas no período anterior ou após a menstruação são suspeitos para endometriose.
 
Minha Vida

Conheça os outros distúrbios alimentares que podem ameaçar sua saúde

Os portadores podem comer terra, substituir refeições por álcool, ingerir grandes quantidades de comida, entre outros problemas
 
Por Dr. Hewdy Lobo
 
Os Transtornos Alimentares também chamados distúrbios da alimentação mais conhecidos pela sociedade são anorexia nervosa e a bulimia nervosa. Infelizmente, existem outros tipos graves de perturbação do comportamento alimentar que causam sofrimento, como os transtornos da compulsão alimentar periódica (TCAP), o picacismo, a ortorexia, a vigorexia, a drunkorexia e o transtorno de ruminação. 
 
Uma pessoa passa apresentar um destes adoecimentos mentais através da combinação de muitos fatores. Alguns destes podem ser questões sociais como a dinâmica familiar, cultura magreza, mídia que hipervaloriza a beleza, pressões sociais para o sucesso. Outras causas são efetivamente mais psicológicas como dificuldades em lidar com problemas pessoais e alterações doentias dos pensamentos.  
 
Sempre deve-se lembrar das causas biológicas como a presença de outros transtornos mentais, pois é comum que alguns portadores de depressão, transtorno bipolar e dependência química apresentem doenças alimentares ao mesmo tempo. 
 
Além disso, em todos estes transtornos podem estar presentes sintomas como redução do sono, diminuição da capacidade de trabalho, falta de disposição para atividades rotineiras e estes sintomas desaparecem com o tratamento adequado. Outro fator comum é a presença do uso de substâncias psicoativas, como a cocaína, álcool e anfetaminas. 
 
O tratamento, assim como no caso da anorexia nervosa e da bulimia nervosa, é complexo, sendo necessário o acompanhamento por equipe multidisciplinar, sendo essencial a participação do médico psiquiatra para a avaliação médica e solicitação de exames; do psicólogo para avaliação psicológica e psicoterapia individual ou em grupo; do nutricionista para a reeducação alimentar e adequação do peso; do assistente social para o amparo social e familiar; e o terapeuta ocupacional para a reabilitação do indivíduo em suas atividades cotidianas. 
 
Infelizmente não existem medicações específicas para o tratamento destes adoecimentos ao mesmo tempo psíquico e nutricional. Apesar dos transtornos alimentares serem graves, complexos e causarem grande sofrimento para o portador, é possível a pessoa ter uma vida normal e com qualidade, principalmente se puder contar com a ajuda da família e de amigos. 
 
A seguir você poderá conhecer um pouco sobre cada um destes chamados transtornos alimentares:        

Transtorno da compulsão alimentar periódica - TCAP
Os sintomas do TCAP estão relacionados a padrões de alimentação alterados e doentios causadores de enorme sofrimento para o portador e para os familiares. A ingestão de alimentos neste transtorno é exagerada em comparação às pessoas próximas, alguns chegam dizer ??como muito mais que todos??, e sem contexto comemorativo. 
 
Este adoecimento gera grande sofrimento para o portador que geralmente demora a reconhecer ou ter o diagnóstico devidamente encontrado, repercute com grande desconforto físico e psicológico e por consequência leva ao aumento do peso e a obesidade.  
 
Muitos portadores relatam constrangimento diante de seu comportamento de comer de forma exagerada, sendo que preferem comer de forma solitária, para evitar críticas e desgastes com pessoas do relacionamento mais próximo. 
 
Vale ressaltar que diferentemente da bulimia nervosa, no TCAP não há o comportamento de purgar e atividades físicas excessivas. Isto é importante compreender, porque muitos comportamentos do TCAP são comuns com os sintomas da bulimia nervosa. 
 
Picacismo
Pica ou picacismo é nome que representa a ingestão de substâncias que não apresentam nenhum valor nutritivo e o portador continua ingerindo de forma persistente e desassociada a qualquer prática cultural. 
 
Segundo os psiquiatras brasileiros, Appolinário e Claudino (2000), nestes quadros é comum observar o consumo de terra, barro, cabelo, alimentos crus, cinzas de cigarro e fezes de animais. 
 
As principais complicações desta doença acontecem no sistema digestivo e podem ocorrer intoxicações.  
 
Nestes casos é necessário o médico avaliar se o comportamento de pica não se trata de um sintoma de outro adoecimento, como, por exemplo, no caso da esquizofrenia em que a pessoa acaba comendo substâncias sem valor nutritivo pela incapacidade de diferenciar o certo do errado. 
 
Outra informação que merece destaque é a necessidade de investigação do pica no pré-natal, uma vez que é alta a prevalência de pica entre gestantes, como observou Saunders e colaboradores (2009) em um estudo que revelou que 14,4% entre 227 gestantes apresentavam pica em uma maternidade escola do Rio de Janeiro. 
 
Ortorexia
A ortorexia nervosa, ainda é um quadro muito discutido nos meios científicos, não sendo contemplado nos manuais de diagnósticos das doenças mentais. Este adoecimento é caracterizado pelo comportamento exagerado, repetido e doentio pela busca da saúde alimentar, qualidade e pureza dos alimentos. Uma das consequências deste hábito alimentar radical e doentio é a restrição, ou até exclusão, de alguns alimentos necessários para a saúde física, o que pode levar à carência de nutrientes e gerando prejuízos para a saúde. 
 
O tempo produtivo e os comportamentos do indivíduo portador deste adoecimento se voltam quase exclusivamente para o ritual de comer, desde o planejamento, compra e preparo dos alimentos até o ato de ingerir.  
 
Estes comportamentos somados ao fato do portador sentir necessidade de convencer pessoas próximas a adotarem a mesma dieta, acaba sendo comum o desgaste e dificuldades de relacionamentos, conflitos e finalmente o isolamento social. 
 
Vigorexia
A vigorexia também é discutida no meio acadêmico dos estudiosos destes assuntos e não foi reconhecida nos manuais de diagnósticos médicos. 
 
O portador de vigorexia apresenta uma preocupação extrema e contínua em ser forte e musculoso. Devido a sua distorção da imagem corporal, ou seja, não enxergam seus próprios corpos de maneira real, estes indivíduos percebem-se como fracos e pequenos, mesmo quando já possuem um corpo com musculatura acima da média do local onde vivem. 
 
Assim os portadores realizam atividades excessivas e repetidas para aliviarem seus desconfortos como: exercícios físicos de forma exacerbada, menos atividades aeróbicas pelo medo de perderem a aparência de musculoso; e dietas restritivas e ingestão de suplementos alimentares, que podem gerar diversas complicações à saúde pelo uso de forma inapropriada e sem preocupação com segurança da sua saúde. 
 
Infelizmente, entre a população de pessoas com esta perturbação da saúde, também é frequente o uso de esteroides e anabolizantes, que são drogas e podem causar dependência, além de complicações físicas, mentais e até morte.  
 
Drunkorexia
A drunkorexia ainda estar em discussão entre a comunidade médica. Este é o nome proposto para esta associação simultânea dos adoecimentos da dependência de álcool com a anorexia nervosa que traz danos tanto decorrentes do consumo do álcool como pela redução alimentar extrema. O relato das pessoas portadoras da drunkorexia é de que o álcool tira apetite, e de que preferem substituir as calorias dos alimentos pela do álcool, além destas bebidas diminuírem a ansiedade diante do medo da alimentação aumentar o peso e tornar o corpo feio. Ainda hoje não é possível determinar qual doença ocorre primeiro, se o alcoolismo ou a anorexia nervosa.
 
Transtorno de ruminação
O transtorno de ruminação é caracterizado por episódios de regurgitação, ou seja remastigação, frequentes. Segundo Appolinário e Claudino (2000): "As principais complicações médicas podem ser desnutrição, perda de peso, alterações do equilíbrio hidroeletrolítico, desidratação e morte".

Artigo elaborado com a colaboração da psicóloga Ana Carolina Schmidt, da Vida Mental Serviços Médicos. 
 
Minha Vida

Novo relatório alerta para risco de bactérias super-resistentes

Bactérias que se tornaram cada vez mais resistentes devido ao uso desenfreado de antibióticos representam grave ameaça à saúde mundial, segundo novo relatório de especialistas.
 
O estudo, que reuniu autoridades, pesquisadores e indústria farmacêutica, foi divulgado durante a Cúpula Global para Inovação em Saúde, evento patrocinado pelo Qatar que terminou ontem em Doha.
 
Segundo o documento, ao menos 20 bactérias desenvolveram, graças a mutações genéticas, capacidade de sobreviver a agentes destinados a eliminá-las, tanto em tratamentos para humanos como para uso industrial em animais.
 
A resistência bacteriana dificulta desde tratamentos de rotina até iniciativas de combate a epidemias e pandemias.
 
Entre as bactérias mais resistentes encontram-se pneumonias e variações da E.coli, que causa diarreia e é capaz de levar crianças à morte em países pobres.
 
O estudo calcula que ao menos 500 mil pessoas morrem a cada ano em virtude de tratamentos anti-infecciosos que se tornaram inócuos.
 
O problema é agravado, ainda de acordo com o estudo, pela facilidade com que essas bactérias circulam entre países. Uma delas surgiu na Índia em 2008 e acabou sendo diagnosticada como resistente a antimicrobianos dois anos depois por cientistas europeus e canadenses.
 
"Pioramos a situação sempre que tomamos antibióticos sem necessidade. E todos nós já fizemos isso", disse a coordenadora do estudo Dame Sally Davis, do Departamento de Saúde do governo britânico.
 
Durante debate sobre o tema, Davis condenou tanto o hábito dos médicos de receitar antibióticos para satisfazer rapidamente sues pacientes quanto a propensão da população à automedicação.
 
Em 2011, levantamento da revista especializada Lancet feito em 33 países apontou o Brasil como quinto maior consumidor de antibióticos sem receita.
 
"Nos últimos 50 anos, demos um salto enorme nas nossas vidas graças a antibióticos, mas a resistência das bactéria ameaça nos empurrar de volta para o passado. Como seria o mundo se antibióticos não fizessem mais efeito?", questionou Davis.
 
Para evitar o agravamento do problema, o estudo recomenda que governos priorizem campanhas educativas e, no caso dos países pobres, condições básicas de higiene.
 
Já para combater bactérias resistentes, o documento traz recomendações polêmicas, como aumentar o preço dos antibióticos para incentivar laboratórios farmacêuticos a investir novamente em pesquisa num setor pouco rentável devido à produção em larga escala num mercado competitivo.
 
Outras sugestões controversas incluem usar dinheiro público para incentivar pesquisa farmacêutica privada e reforçar patentes de novos medicamentos para "retribuir" soluções inovadoras.

 O conjunto das propostas ameaça reforçar o abismo que prevalece em boa parte do mundo entre ricos e pobres em matéria de acesso a tratamentos mais eficientes.
 
Pesquisa contestada
Alguns participantes do evento questionaram o documento e atribuíram boa parte da resistência bacteriana aos incentivos financeiros que médicos recebem dos laboratórios para receitar remédios em larga escala, inclusive antibióticos.
 
Também houve críticas de especialistas contra o suposto alarmismo exagerado da publicação. Eles alegaram que quadros infecciosos podem piorar rapidamente sem uso de antibióticos.
 
Folhaonline

Estratégias da indústria do tabaco limitam leis antifumo em países pobres

As empresas de tabaco estão resistindo à ascensão mundial das leis contra o fumo, usando uma estratégia legal pouco notada para adiar ou bloquear a regulamentação. O setor está avisando a esses países que suas leis sobre o tabaco violam uma rede crescente de tratados comerciais e de investimentos, levantando a perspectiva de batalhas legais prolongadas e caras. A informação é de autoridades e ativistas da saúde.
 
A estratégia vem ganhando força nos últimos anos, à medida que o tabagismo diminui nos países ricos e as empresas de tabaco procuram conservar seu acesso aos mercados rapidamente crescentes dos países em desenvolvimento. Representantes da indústria do cigarro dizem que há apenas alguns poucos casos de litígio ativo e que dar um parecer legal a governos é algo de rotina no caso de grandes atores cujos interesses serão afetados.
 
Mas, para os adversários do setor do tabaco, a estratégia intimida países de baixa e média renda, desencorajando-os de combater uma de suas maiores ameaças à saúde: o fumo. Eles dizem que a tática legal está enfraquecendo o maior tratado global de saúde pública, a Convenção da OMS para o Controle do Tabaco, que visa reduzir o tabagismo, incentivando as restrições à publicidade, embalagens e vendas de produtos de tabaco. Desde que a convenção entrou em vigor, em 2005, já foi firmada por mais de 170 países.
 
Mais de 5 milhões de pessoas morrem anualmente de causas relacionadas ao tabagismo, um número maior que as vítimas da Aids, malária e tuberculose juntas, segundo a Organização Mundial de Saúde.
 
Alarmada com o aumento do tabagismo entre mulheres jovens, em 2010 a Namíbia, no sul da África, aprovou uma lei de controle do cigarro, mas em pouco tempo se viu bombardeada de avisos da indústria do tabaco de que o novo estatuto viola as obrigações do país no quadro dos tratados comerciais.
 
"Temos inúmeras cartas recebidas dela [a indústria do tabaco]", disse o ministro da Saúde do país, Richard Kamwi.
 
Três anos depois o governo, com receio de encarar uma batalha legal de custo alto, ainda não implementou nenhuma medida da lei, como a limitação dos anúncios ou a inclusão de avisos grandes de saúde nas embalagens de cigarros.
 
A questão ganha urgência especial agora, no momento em que os Estados Unidos concluem negociações com 11 países do Pacífico sobre um novo e importante tratado comercial que se pretende que seja um modelo para as regras do comércio internacional. Funcionários do governo americano dizem que a ideia é que o novo tratado eleve os padrões de saúde pública. Eles apontam para o tabaco como ameaça à saúde. A linguagem usada desagradou à Câmara de Comércio dos EUA, para a qual a inclusão do tabaco deixará aberta a porta para que outros produtos, como refrigerantes ou açúcar, sejam fortemente regulamentados em outros países.
 
"Nossa meta com este pacto é proteger as normas legítimas de saúde que os países signatários do pacto desejam --protegê-las contra os esforços das empresas de cigarros para enfraquecê-las", disse o representante comercial dos EUA, Michael Froman, em entrevista telefônica. Segundo ele, o texto do acordo ainda não foi finalizado.
 
Mas defensores da saúde pública dizem que o texto atual não impede países de serem processados quando adotam medidas fortes de controle do tabaco. Para alguns especialistas comerciais, contudo, o pacto pode reduzir as chances das empresas de tabaco vencerem as ações judiciais. No outono [do hemisfério norte] deste ano, mais de 50 deputados e 12 senadores mandaram cartas à administração americana expressando preocupação.
 
O consumo de tabaco mais que dobrou no mundo em desenvolvimento entre 1970 e 2000, segundo as Nações Unidas. Boa parte do aumento se deu na China, mas o consumo vem crescendo substancialmente na África, onde o índice de tabagismo era tradicionalmente baixo. Hoje mais de três quartos dos fumantes do mundo vivem no mundo em desenvolvimento.

 A diretora geral da OMS, Margaret Chan, disse em discurso no ano passado que as ações legais movidas contra o Uruguai, Noruega e Austrália "tiveram o objetivo proposital de meter medo" nos países que tentam reduzir o tabagismo.
 
"O lobo não está mais disfarçado em pele de cordeiro, e está arreganhando os dentes", ela afirmou.
 
As empresas de tabaco estão fazendo objeção às leis vigentes em países desenvolvidos e em desenvolvimento. Elas dizem que respeitam os esforços dos países para proteger a saúde pública, mas enfrentam dificuldades para promover suas marcas, à medida que mais países proíbem os comerciais de cigarros. Com frequência o único espaço que resta é a própria embalagem dos cigarros, e mesmo esse espaço está encolhendo, na medida em que alguns países exigem que as embalagens sejam cobertas de imagens chocantes de pessoas com câncer. Na Austrália, os nomes de marca dos cigarros foram reduzidos a letras uniformes sobre um fundo verde-oliva simples.
 
"A remoção de nossas marcas registradas remove nossas garantias ao consumidor quanto à origem e qualidade de nossos produtos legalmente disponíveis, tornando impossível distinguir nossos produtos daqueles de nossos concorrentes", queixou-se Gareth Cooper, diretor de regulamentação da British American Tobacco.
 
No início dos anos 1990, o governo americano pressionava países a abrir seus mercados às empresas de tabaco americanas. Enquanto subiam os índices de tabagismo em alguns desses países, crescia o ultraje. Em 2001 o presidente Bill Clinton emitiu uma ordem executiva proibindo o governo americano de fazer lobby em prol da indústria de tabaco.

 Mas surgiram outros tipos de acordos comerciais que dão direitos às empresas.
 
O objetivo desses tratados é promover a prosperidade, ao reduzir as barreiras comerciais e proteger investidores contra desapropriações por governos estrangeiros. Os tratados permitem que empresas movam ações judiciais diretamente, em vez de terem que persuadir um governo a engajar-se com sua causa. Desde a década de 1990 eles proliferaram e hoje chegam a cerca de 3.000, contra algumas centenas no final da década de 1980, segundo o professor de direito Robert Stumberg, do Instituto Harrison de Direito Público, da Universidade Georgetown. Entre seus clientes estão grupos de combate ao tabagismo.
 
Patricia Lambert, diretora do consórcio legal internacional da Campanha por Crianças Livres de Tabaco, disse que pelo menos quatro países africanos --Namíbia, Gabão, Togo e Uganda-- já receberam avisos da indústria do tabaco de que suas leis violam os tratados internacionais.
 
"Estão tentando intimidar todo o mundo", disse Jonathan Liberman, diretor do Centro McCabe de Direito e Câncer, na Austrália, que dá apoio jurídico a países processados por empresas de tabaco. Na Namíbia, o setor do tabaco diz que a exigência de inclusão de grandes avisos sobre as embalagens de cigarros viola seus direitos de propriedade intelectual e pode alimentar a produção falsificada.
 
Gareth Cooper, da British American Tobacco, cuja afiliada local enviou um parecer legal ao governo, disse em e-mail que os países deveriam "considerar o contexto mais amplo da implementação de normas que possam impactar o comércio".
 
O advogado comercial Thomas Bollyky, membro do Conselho de Relações Exteriores, disse que muitos países em desenvolvimento estão em desvantagem em casos de investimento, por não possuírem a perícia legal especializada ou os recursos necessários para se defender.
 
O Uruguai já admitiu que, se o prefeito em final de mandato de Nova York, Michael R. Bloomberg, não tivesse pago pela defesa da lei, o país teria sido obrigado a desistir de sua lei de controle do tabaco e fechar um acordo com a Philip Morris International. (A receita bruta da Philip Morris no ano passado foi de US$77 bilhões, valor que supera consideravelmente o produto interno bruto do Uruguai.) Mesmo países desenvolvidos como Canadá e Nova Zelândia recuaram das leis antitabagismo que previam implementar, disse Bollyky, diante das alegações sobre o tratado de investimentos.
 
A batalha legal que está sendo observada com mais atenção está sendo travada na Austrália, onde o setor do tabaco perdeu uma ação nos tribunais domésticos no ano passado. A Philip Morris International moveu uma ação invocando um tratado de investimento entre a Austrália e Hong Kong, onde a firma tem uma filial. O julgamento, que não será aberto ao público, terá lugar em Cingapura e será decidido não por juízes, mas por árbitros externos.
 
A Philip Morris International possui dezenas de subsidiárias, disse Stumberg, fato que lhe permite "jogar o jogo do tratado com muito mais destreza".
 
As empresas estão até pagando a países para que apresentem seus argumentos contra outros países na OMC. A Ucrânia registrou uma queixa junto à OMC contra a lei de embalagem de cigarros da Austrália, apesar de os dois países praticamente não terem laços comerciais. Cooper admitiu que sua empresa está ajudando a Ucrânia a pagar a conta legal, mas disse que essa é uma prática padrão em disputas levadas à OMC.
 
Bashupi Maloboka, um funcionário do Ministério da Saúde que conduziu a lei de controle de tabaco até ser aprovada na Namíbia, disse que a tática usada pelo setor dos cigarros tornou mais lento um processo que já era extremamente vagaroso.
 
"O receio é que eles [os fabricantes de cigarros] têm dinheiro e recursos. Podem pagar por qualquer coisa", disse Maloboka, que se aposentou no ano passado.

 Mas Richard Kamwi, o ministro da Saúde, espera que as normas para a implementação da lei de 2010 sejam concluídas em 2014. "Decidimos dar um basta", ele disse. "Se quiserem nos processar, os veremos no tribunal."
 
Folhaonline

Médicos divergem sobre necessidade de uso de remédio para combater colesterol

Único consenso são os fatores de risco: tabagismo e vida
sedentária contribuem para a doença
Cardiologistas defendem uso de estatinas para manter nível de colesterol mais baixo, outros especialistas acreditam que índice não deve ser o foco da preocupação
 
A polêmica em relação aos riscos do colesterol no sangue tem gerado debate entre médicos. De um lado, a Sociedade Brasileira de Cardiologia decidiu, recentemente, tratar a doença com mais rigor, baixando de 100 para 70 o total aceitável de miligramas de LDL (o chamado colesterol ruim) por decilitro de sangue para pacientes com alto risco de doenças cardiovasculares.
 
Por outro lado, numa atitude completamente oposta, há médicos que questionam a necessidade de se preocupar com o índice, o que realmente seria uma dieta saudável para o coração e até mesmo efeitos colaterais das estatinas, remédio usado para reduzir o índice de colesterol ruim.
 
A querela começou quando a associação americana publicou novas diretrizes que indicavam a necessidade de reduzir em 50% o LDL de pacientes de risco. A preocupação se dá, pois de acordo com as associações, o colesterol é uma gordura (tese lipídica) que quando acumulada ocasiona a doença cardiovascular. "Por isso, ninguém pode desestimular o uso de remédios para pacientes de risco”, afirma Hermes Xavier, presidente do Departamento de Aterosclerose da Sociedade Brasileira de Cardiologia e autor da nova diretriz.
 
Não é o que pensa o clínico geral Eduardo Almeida, PhD em Saúde Coletiva pelo Instituto de Medicina Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Para ele, o colesterol é uma fraude. “O colesterol não é uma gordura, é um esterol (álcool), com estrutura semelhante a de um hormônio, e está na membrana celular, está na carne e não na gordura. Criou-se uma falsa ciência para a venda de alimentos e posteriormente a venda de remédios”, diz.
 
Não sendo gordura, explica, não cria placas e, consequentemente, não entope as artérias. "O colesterol não é um caso e saúde, é uma campanha de marketing", diz ele em referência à indústria alimentar - que criou produtos como a margarina, de gordura vegetal - e a farmacêutica, responsável pelas estatinas, o remédio de controle do colesterol.
 
Almeida afirma, ainda, que as estatinas bloqueiam a enzima hepática, inibindo o colesterol, mas também bloqueia outras enzimas como o doricol, responsável pela replicação do DNA e a coenzima Q-10, que faz parte da mitocôndria e estaria ligada a produção de energia. "A pessoa começa a ter dores musculares e aumenta a chance de ter insuficiência do miocardio. O remédio ocasiona danos ao fígado, parkinson, aceleração de doenças neurodegenerativas", disse.
 
Sem risco
O cardiologista Raul Dias dos Santos Filho, diretor da Unidade Clínica de Lípides do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas, em São Paulo, defende que não existe nenhum estudo que comprove relação entre as estatinas com o mal de Parkinson ou doenças neurodegenerativas. “Há estudos realizados com idosos que não mostraram esta relação. Sobre as dores musculares, isto acontece em apenas 10% dos pacientes”, disse.
 
Para ele, não faltam evidencias de que há relação entre o alto colesterol e as doenças coronarianas. "Se alguém fala que colesterol alto não é fator de risco, está desinformado", diz, enfático. "O que ocorre são pessoas de outras especialidades querendo interferir na questão do colesterol", alfineta Hermes Xavier. 
 
Para os defensores das estatinas, dois grandes estudos, um feito pela Universidade de Oxford, na Inglaterra, e outro da Associação Americana de Cardiologia (AHA) indicam a necessidade de baixar o índice considerado bom do colesterol ruim. O estudo britânico analisou mais de 270 mil pacientes e comparou LDL com doença cardíaca. O americano mostrou que o uso de estatinas resultadou em 44% menos mortes por causas cardiovasculares.
 
Consenso
Mas, se os médicos discordam em muitos pontos, muitos deles “elementares” sobre o colesterol, em uma coisa eles concordam: os fatores de risco. Maus hábitos como tabagismo e vida sedentária devem ser combatidos para evitar novos casos de doenças coronarianas.
 
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a inatividade física é o quarto principal fator de risco para a mortalidade global, estimando-se que cause 3,2 milhões de mortes anualmente em todo o mundo.
 
iG