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sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Pesquisa mostra que falta de sono causa neurodegeneração

Entre os que não dormiram, os cientistas constataram um aumento de cerca de 20% de duas moléculas, a enolase específica dos neurônios e a proteína S-100B
 
Cientistas suecos apresentaram nesta terça-feira (31/12) um estudo que esclarece um pouco melhor os danos cerebrais de uma noite sem dormir, o que poderia incentivar as pessoas mais festeiras a ir para cama mais cedo.

Esses pesquisadores em neurologia da Universidade de Uppsala analisaram amostras de sangue colhidas de 15 homens jovens e de boa saúde divididos em dois grupos: entre aqueles que dormiram oito horas e os que não dormiram.

Entre os que não dormiram, os cientistas constataram um aumento de cerca de 20% de duas moléculas, a enolase específica dos neurônios e a proteína S-100B.

"O número de moléculas do cérebro normalmente aumenta no sangue quando ocorrem lesões cerebrais", indicou em um comunicado o coordenador do estudo, Christian Benedict.

"A falta de sono pode promover processos de neurodegeneração", enquanto que, pelo contrário, "uma boa noite de sono poderia ter uma grande importância para a manutenção da saúde do cérebro", acrescentou.

O estudo, que será publicado na revista Sleep, segue a linha de outro estudo publicado em outubro na revista Science, que concluiu que o sono acelera a limpeza de toxinas do cérebro.

Entre essas toxinas estão a beta-amilóide que, cumulativamente, promove a doença de Alzheimer, de acordo com pesquisadores da Universidade de Rochester (EUA), que trabalharam com ratos.

Correio Braziliense

Entenda os efeitos do uso da maconha no organismo humano

Maconha - GNews (Foto: Reprodução GloboNews)
Foto: Reprodução Globonews
Folha de Maconha
Droga pode afetar atividade locomotora, humor, memória e pulmões. Substância pode ser usada com fins terapêuticos para tratar câncer e HIV
 
Os efeitos do uso da maconha no organismo podem variar de acordo com as características do usuário, com seu estado de espírito, com o ambiente em que ocorre o consumo e também com as características da droga, segundo o biólogo Lucas Maia, doutorando em Saúde Coletiva pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e pesquisador do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid).

O especialista é coordenador do grupo multidisciplinar "Maconhabras", que, sob a supervisão do médico Elisaldo Carlini, professor da Unifesp, reúne pesquisadores de várias instituições interessados principalmente no uso medicinal da Cannabis sativa. Maia conversou com o G1 sobre os efeitos fisiológicos e psicológicos da droga, que teve sua venda e cultivo regulamentados por lei aprovada  no Uruguai.
 
Veja, abaixo, algumas das ações da maconha no organismo humano:

Atividade locomotora
A maconha promove, de maneira geral, uma diminuição da atividade motora, fazendo com que a pessoa se movimente menos e possa chegar a um estado de sonolência. Porém, dependendo da dose de tetrahidrocanabinol (THC) – princípio ativo com efeitos mais pronunciados da maconha –, a reação também pode ser oposta, levando a uma sensação de euforia e intensificação dos movimentos.

“Tudo o que envolve os efeitos da cannabis pode parecer ambíguo. Existem análises que mostram que esses efeitos são bidirecionais, dependendo da dose, do indivíduo e do ambiente”, diz Maia.

Frequência cardíaca
Principalmente em pessoas que usam a droga pela primeira vez, pode haver um aumento da frequência cardíaca. “Não chega a ser um efeito que pode levar a um infarto, por exemplo, mas é um aumento muito evidente. A pessoa pode se sentir incomodada e ansiosa, e isso pode ser um risco no caso de indivíduos que tenham histórico pessoal ou familiar de transtorno de ansiedade ou pânico”, explica o biólogo.

Diminuição da temperatura e aumento do apetite
Assim como a maconha provoca a diminuição da atividade motora, também leva a uma diminuição da temperatura corporal, que configura um quadro de hipotermia. Ela pode ainda estimular o sistema digestivo e aumentar o apetite. Boca seca e olhos avermelhados também são alguns dos efeitos observados após o uso.

Humor
Quanto aos efeitos no humor do usuário, a droga tanto pode provocar relaxamento e calma quanto uma sensação de ansiedade e angústia. Novamente, isso depende das características do usuário e da substância. “Maconha com maior concentração de THC tende a induzir reações de ansiedade com maior frequência, em comparação com a maconha com menor concentração de THC, segundo estudos”, compara Maia. Quando o usuário tem histórico médico de ansiedade, os riscos de a droga despertar emoções negativas são maiores.

Pulmões
O cigarro de maconha contém muitos dos componentes também presentes no cigarro de tabaco comum. Para comparar os efeitos do tabaco e da maconha na função pulmonar, Maia cita um estudo publicado na revista científica “The Journal of the American Medical Association” (Jama) em 2012.

Os pesquisadores investigaram a associação entre o uso de maconha e possíveis efeitos adversos sobre a função pulmonar em mais de 5 mil pessoas. Os resultados mostraram que o uso intenso por longos períodos (mais de 10 anos) esteve associado a um declínio da capacidade pulmonar. Porém, o uso moderado, por até 7 anos, não causou grandes prejuízos aos pulmões, diferentemente do que foi constatado em fumantes comuns que, com a mesma frequência de uso, já apresentavam fortes efeitos adversos.

Memória
A maconha prejudica principalmente a memória de curto prazo e também a chamada memória de trabalho. “São efeitos transitórios, principalmente durante o uso. Mas, se pensarmos que uma pessoa usa a droga todos os dias, vai estar o tempo todo sob esse efeito prejudicial e não vai reter informações”, diz o pesquisador. Maia afirma que, depois de 28 dias sem usar a substância, as funções de memória e cognição voltam a ficar estabilizadas.

Dependência
Maia afirma que, apesar de existirem casos de dependência de maconha, ainda não foram feitos estudos clínicos que demonstrem, de forma clara, quais são os mecanismos desse tipo de dependência. “É um estudo difícil de ser conduzido. O que se sabe é que de 5% a 8% dos usuários da droga ficam dependentes. A porcentagem é baixa se comparada a outras substâncias, como nicotina, cocaína ou heroína”, diz.

A dependência, no caso da maconha, pode se caracterizar pela necessidade de aumentar a dose para obter os mesmos efeitos e também pelos sintomas de abstinência, como irritabilidade, falta de apetite e insônia.

Uso terapêutico
A eficácia do uso terapêutico da maconha está comprovada para reduzir os efeitos colaterais da quimioterapia contra o câncer, amenizando náuseas e vômitos. Para pacientes com Aids em estágio terminal, que apresentem falta de apetite, a droga também pode estimular a fome e proporcionar uma melhor qualidade de vida à pessoa.
 
Estudos mostram, ainda, a eficácia da droga para reduzir dores neuropáticas em várias doenças, como esclerose múltipla. Os efeitos analgésicos da maconha podem, inclusive, substituir medicamentos como a morfina em casos em que o paciente desenvolve intolerância ao fármaco.
 
Em caso de glaucoma (lesão do nervo óptico), a Cannabis pode ter efeito redutor da pressão intraocular. Para quem tem epilepsia, estudos mostram que medicamentos à base de canabidiol podem ter efeitos anticonvulsivantes.
 
G1

Cientistas descobrem hormônio que reduz os efeitos da maconha

Maconha - GNews (Foto: Reprodução GloboNews)Esteroide natural pregnenolona reduz a euforia causada pelo THC. Descoberta pode levar a novos tratamentos contra a dependência
 
Uma equipe internacional de cientistas descobriu que um hormônio esteroide natural reduz a euforia causada pela substância psicoativa da maconha, em um trabalho publicado nesta quinta-feira (2) pela revista "Science".
 
Os pesquisadores descobriram que o hormônio pregnenolona diminui a atividade no cérebro do receptor tipo 1 de canabinoide, o que elimina o "barato" causado pelo tetrahidrocanabinol (THC), a principal substância psicoativa da maconha.
 
Esta descoberta pode levar a novos métodos de tratamento da intoxicação e da dependência de maconha e, segundo o artigo, "também permitiria que os pesquisadores isolassem as propriedades medicinais da erva, bloqueando seus efeitos sobre o comportamento".
 
Os hormônios esteroides são moduladores importantes da atividade do cérebro e do comportamento, e desempenham papéis cruciais na regulação de atividades fisiológicas como o comer, o despertar, a reprodução e o comportamento sexual, e participam da regulação da memória e dos estados de ânimo.
 
A pregnenolona é considerada como a precursora inativa de todos os hormônios esteroides e, segundo os autores, seus efeitos funcionais não foram investigados o suficiente.
 
"A administração de THC aumenta substancialmente a síntese da pregnenolona no cérebro pela ativação do receptor Tipo 1 de canabinoide", acrescentou o estudo. "A pregnenolona, então, atua como inibidor específico de sinal do receptor e reduz vários efeitos do THC".
 
"Esta reação negativa mediada pela pregnenolona revela um ciclo, que antes era desconhecido, que protege o cérebro da ativação excessiva do receptor, o que poderia abrir o caminho para o tratamento da intoxicação e da dependência de maconha", sustentou o artigo.

G1

Paciente com depressão tem risco maior de sofrer um infarto ou AVC

Transtorno é mais comum em mulheres e pode oferecer riscos ao coração
 
A depressão é um problema mais comum em mulheres e, se não tratada, pode aumentar o risco de complicações para o coração, como infarto ou AVC, como explicaram o psiquiatra Daniel Barros e o cardiologista Roberto Kalil no Bem Estar.
 
Isso acontece porque o paciente com depressão tem um desgaste de todo o organismo e tem reações inflamatórias por causa do aumento dos níveis de cortisol, hormônio do estresse.
 
Por causa dessa inflamação, os vasos sanguíneos sofrem uma lesão e há uma formação de placa, o que pode contribuir para o infarto ou AVC - por isso, a depressão deve ser tratada como um fator de risco para doenças coronárias. Estudos mostram ainda que o transtorno pode reduzir também o calibre dos vasos sanguíneos e causar hipertensão e, em alguns casos, trombose.
 
Fora isso, outros fatores associados, como ansiedade e estresse, aumentam a produção de substâncias inflamatórias relacionadas a aterosclerose. De acordo com os médicos, vale ressaltar que as pessoas com depressão costumam beber mais, fumar, usar drogas, além de serem sedentárias, hábitos que também contribuem para os males do coração.
 
Para diagnosticar a depressão, é importante saber os sintomas. De acordo com o psiquiatra Daniel Barros, uma tristeza que não passa, insônia e falta de apetite são os sinais de alerta mais comuns e, ao primeiro indício de um deles, é importante procurar um médico. No caso da engenheira Bernadete de Araújo, a depressão começou com uma tristeza tão profunda que chegava a doer. Por causa disso, ela evitava socializar e até largou o emprego.
 
Depois de diagnosticada com a doença, ela procurou a Abrata, uma associação que dá apoio a familiares, amigos e portadores de transtornos afetivos. Com atividades e encenações em grupo, ela conseguiu se recuperar e até passou a atender aos telefones da associação como voluntária.
 
Segundo o psiquiatra Daniel Barros, além dessas dinâmicas em grupo, a depressão deve ser acompanhada por um psicólogo ou psiquiatra. Fora isso, o suporte familiar, o uso de medicamentos e até mesmo a atividade física, que libera endorfina, hormônio do prazer e bem-estar, podem ajudar no tratamento.
 
Arte Bem Estar AVC (Foto: Arte/G1)
 
Se o transtorno não for tratado e evoluir para um AVC, por exemplo, a identificação dos sintomas também é importante.
 
Nas mulheres, pode ocorrer enxaqueca, dor no pescoço, tontura e formigamento de um dos lados do corpo – o risco é maior em quem usa anticoncepcional, tem excesso de peso, tem hipertensão arterial, fuma ou teve gravidez de parto normal, como alertou o cardiologista Roberto Kalil.
 
Outro teste fácil para reconhecer a pessoa está sofrendo um AVC é pedir para ela sorrir – se um lado ficar um pouco torto, é sinal de problema como mostrou a reportagem da Marina Araújo. Depois, é só pedir para ela levantar os braços por 10 segundos – se um começar a cair, significa que um dos lados está mais fraco e isso também é um sinal de alerta.
 
Por último, a dica é pedir para a pessoa repetir uma frase simples, como “o dia está lindo lá fora” – se ela não conseguir, leve-a imediatamente ao hospital.
 
Arte Infarto Bem Estar (Foto: Arte/G1)
 
No caso de infarto, os sintomas mais comuns são cansaço na mandíbula, falta de ar, indigestão, náuseas e vômito, dor nas costas e uma pressão na barriga que pode ser confundida com dor de estômago. Entre os fatores, além da depressão, que podem aumentar o risco, estão a genética, obesidade, colesterol alto, diabetes, tabagismo, estresse e também a menopausa, por causa do desequilíbrio hormonal.

G1

Entendimento entre médico e paciente facilita o tratamento

Diálogo faz com que os remédios sejam tomados com mais regularidade. Doenças silenciosas como diabetes e hipertensão exigem controle diário
 
Se muita gente já tem problemas para tomar remédios quando está passando mal, a dificuldade é ainda maior quando se tratam das chamadas doenças “silenciosas”. Doenças crônicas como diabetes, hipertensão ou depressão exigem disciplina do paciente, para que ele siga à risca as instruções do médico mesmo que não consiga perceber o efeito imediato dos medicamentos.
 
Estudos mostram que menos de 30% dos pacientes que sofrem com esses tipos de males conseguem aderir corretamente ao tratamento. Do ponto de vista médico, esse é um problema grave, já que essas doenças não tem cura, e a única forma de mantê-las sob controle é tomar os medicamentos regularmente.
 
No Bem Estar, o cardiologista Roberto Kalil e o psiquiatra Daniel Barros explicaram que há quatro formas diferentes de se motivar para seguir o tratamento.
 
A chamada motivação “externa” é quando a pessoa só faz aquilo porque alguém mandou; é a forma mais fraca, porque a pessoa não está convencida do objetivo do tratamento. A motivação “interna”, de quando a pessoa só segue para não se sentir culpada, também não é a melhor.
 
As melhores formas de se motivar para o tratamento são a “identificada” – em que o paciente realmente compreende o problema que tem e como controlá-lo – e a “intrínseca” – em que ele toma gosto pelo tratamento, exatamente porque sabe que terá bons resultados.
 
Para atingir esse nível de compreensão, o paciente precisa realmente conversar com o médico. Se você não entender tudo que o especialista te disser, peça-o para repetir com outras palavras, até que não restem dúvidas sobre como funcionam a doença e o tratamento necessário.
 
Caso tenha alguma dificuldade para seguir um tratamento específico, converse com o médico antes de sair do consultório. Dessa forma, talvez seja possível encontrar uma alternativa melhor, que facilitará no controle do problema de saúde.

G1