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sábado, 1 de março de 2014

Terapia celular teve incríveis resultados ao erradicar câncer, segundo o maior teste clínico do gênero

Foto: Reprodução da internet
Pesquisadores do Centro de Câncer do Memorial Sloan Kettering divulgaram nesta semana notícias animadoras sobre um dos métodos mais interessantes de tratamento de câncer que existem atualmente.
 
O maior estudo clínico de pacientes com leucemia avançada já realizado descobriu que 88% deles alcançaram remissão completa após o tratamento com versões geneticamente modificadas de células do seu próprio sistema imunológico. Os resultados foram publicados na revista “Science Translational Medicine”.
 
“Estes resultados extraordinários demonstram que a terapia celular é um tratamento eficaz para pacientes que já esgotaram todas as terapias convencionais”, comemora o diretor do Centro de Engenharia Celular do Memorial Sloan Kettering, Michel Sadelain, um dos autores sênior do estudo. “Nossos resultados iniciais foram consistentes em um grupo maior de pacientes, e já estamos procurando novos estudos clínicos para avançar nesta nova abordagem terapêutica do combate ao câncer”.
 
Linfócitos B maduros de leucemia linfoblástica aguda (B-LLA), um tipo de câncer no sangue que se desenvolve nestas células, são difíceis de tratar, porque a maioria dos pacientes sofre com recaídas. Os pacientes com B-LLA têm poucas opções de tratamento: apenas 30% respondem à quimioterapia intensiva. Sem um transplante de medula óssea bem-sucedido, poucos têm qualquer esperança de sobrevivência a longo prazo.
 
No novo estudo, 16 pacientes com B-LLA receberam uma infusão de suas próprias células imunitárias geneticamente modificadas, chamadas de células T. As células foram “reeducadas” para reconhecer e destruir células cancerosas que contêm a proteína CD19. A taxa de resposta completa global para todos os pacientes foi de 88% e mesmo aqueles com doença detectável antes do tratamento tiveram uma taxa de resposta completa de 78%, ultrapassando a taxa de resposta completa da quimioterapia intensiva.
 
Dennis J. Billy, do estado norte-americano da Pensilvânia, foi um dos primeiros pacientes a receber o tratamento, mais de dois anos atrás. Ele conseguiu se submeter com sucesso a um transplante de medula óssea, ficou livre do câncer e, desde 2011, voltou ao trabalho ensinando teologia. Paolo Cavalli, dono de um restaurante em Oxford, Connecticut, continua em remissão completa oito meses após receber seu tratamento com células T personalizadas.
 
A imunoterapia direcionada e baseada em células é uma nova abordagem no tratamento do câncer que utiliza o próprio sistema imunitário do corpo para atacar e destruir as células cancerosas. Ao contrário de um vírus comum, tal como o da gripe, o nosso sistema imunológico não reconhece as células cancerosas como estranhas e, portanto, fica em desvantagem na erradicação da doença.
 
Por mais de uma década, os pesquisadores do Memorial Sloan Kettering têm explorado maneiras de reestruturar as células T do próprio corpo para reconhecer e atacar o câncer. Em 2003, foram os primeiros a relatar que as células T manipuladas para reconhecer a proteína CD19, que é encontrada nas células B, podiam ser usadas para o tratamento de tumores dos linfócitos B em camundongos. Dez anos mais tarde, em março de 2013, a mesma equipe de pesquisa anunciou que 5 pacientes com B-ALL reincidente foram tratados com a técnica e apresentaram remissão completa.
 
Já no estudo atual, sete dos 16 pacientes (44%) conseguiram ser submetidos a transplantes de medula óssea – o atendimento padrão e a única opção de cura para pacientes com B-LLA – após o tratamento. Três pacientes eram inelegíveis por não terem conseguido alcançar a remissão completa, outros três devido a condições médicas preexistentes, dois se negaram e um ainda está sendo avaliado para um potencial transplante. Historicamente, apenas 5% dos pacientes com B-LLA recidiva eram capazes de fazer a transição para o transplante de medula óssea.
 
O estudo também fornece diretrizes para o gerenciamento de efeitos colaterais da terapia celular, que podem incluir vários sintomas semelhantes ao de uma gripe, tais como febre, dor muscular, pressão arterial baixa e dificuldade respiratória, conhecidos como síndrome de libertação de citoquinas. Os pesquisadores desenvolveram critérios de diagnóstico e um teste de laboratório que pode identificar quais pacientes estão sob maior risco de desenvolver a síndrome.
 
Estudos adicionais para determinar se a terapia celular pode ser aplicada a outros tipos de câncer já estão acontecendo.
 

Hypescience

Benefícios do leite materno têm sido exagerados, de acordo com estudo

Foto: Reprodução
Benefícios do leite materno têm sido exagerados, de acordo
com estudo
Um novo estudo da Universidade Estadual de Ohio (EUA) que comparou irmãos alimentados de forma diferente durante a infância sugere que a amamentação pode não ser mais benéfica a longo prazo do que a alimentação com mamadeira.
 
Outros estudos sugeriam que amamentação possuía muitos benefícios para as crianças. No entanto, a pesquisa atual afirma que são outros fatores que podem estar desempenhando um papel importante neste resultado mais tarde na vida.
 
“Muitos estudos anteriores não controlaram ou não puderam controlar estatisticamente fatores como raça, idade, renda familiar, o emprego da mãe – coisas que sabemos que podem afetar tanto a amamentação quanto os resultados de saúde”, explica Cynthia Colen, professora de sociologia na Universidade Estadual de Ohio e principal autora do estudo. “Mães com mais recursos, com níveis mais elevados de educação e de renda e mais flexibilidade em suas programações diárias são mais propensas a amamentar seus filhos e fazê-lo por longos períodos de tempo”.
 
Geralmente, autoridades governamentais de saúde declaram que pelo menos seis meses de amamentação é uma prioridade, o que pode estigmatizar mulheres que não podem optar por amamentar seus bebês por esse tempo e fazê-las se sentir culpadas.
 
“Eu não estou dizendo que a amamentação não é benéfica, especialmente para aumentar a nutrição e imunidade dos recém-nascidos”, diz Colen. “Mas, se queremos realmente melhorar a saúde materna e infantil no país, temos também que nos concentrar em coisas que podem realmente fazer isso a longo prazo – como creche subsidiada, melhores políticas de licença maternidade e mais oportunidades de emprego para as mães de baixa renda”, indica.
 
O estudo
Colen analisou três amostras de um estudo de representação nacional: 8.237 crianças, 7.319 irmãos e 1.773 pares de irmãos “discordantes”, crianças de 665 famílias pesquisadas em que pelo menos uma era amamentada e a outra era alimentada com mamadeira. As crianças que foram alimentadas de forma diferente na mesma família representavam cerca de 25% dos irmãos no estudo.
 
A análise mediu 11 resultados que são comuns a outros estudos sobre os efeitos da amamentação: índice de massa corporal (IMC), obesidade, asma, hiperatividade, relação afetiva com os pais e comportamento de obediência, bem como pontuações prevendo desempenho acadêmico em vocabulário, leitura, matemática, inteligência e competência escolar.
 
Como esperado, as análises das amostras de adultos e seus filhos através de famílias sugerem que a amamentação levou a melhores resultados do que a alimentação com mamadeira em uma série de medidas: IMC, hiperatividade, habilidades matemáticas, leitura, vocabulário e identificação de palavras, competência escolar e obesidade.
 
Quando a amostra foi restrita aos irmãos que foram diferentemente alimentados dentro das mesmas famílias, no entanto, os resultados que refletiam os efeitos positivos da prática da amamentação em 10 dos 11 indicadores de saúde infantil e bem-estar estavam mais próximos a zero e não foram estatisticamente significativos – ou seja, as diferenças poderiam ter ocorrido por acaso. Por exemplo, a magnitude dos efeitos benéficos da amamentação para matemática, leitura, vocabulário e inteligência diminuiu de 69% a 29% na comparação de dados dentro das mesmas famílias.
 
Segundo Colen, as diferenças demográficas que podem ter criado um viés em favor da amamentação incluem raça dos pais, idade, estado civil, renda familiar, plano de saúde, educação e emprego da mãe, e se uma mulher fuma ou bebe durante a gravidez.
 
“Quando estudamos mães mais ou menos favorecidas, sabemos que essas características irão afetar os resultados de saúde das crianças. Daí, não fica claro o que está afetando um resultado como a obesidade do filho – é amamentar em si, ou aquelas outras características de fundo?”, alerta Colen.
 
“Se a amamentação não tem o impacto que nós pensamos que tinha a longo prazo, então é muito importante no curto prazo que prestemos atenção a outras coisas, como a qualidade da escola, moradia adequada e o tipo de emprego que pais têm quando seus filhos estão crescendo”, sugere a pesquisadora. [MedicalXpress]
 
Hypescience

Abaixe o som: 12% das crianças e adolescentes apresentam perda auditiva

12% das crianças e adolescentes apresentam perda auditiva
O seu filho, seja ele criança ou adolescente, passa horas “conectado” a um player de música? Este isolamento musical pode está fazendo mais do que irritar os pais
 
De acordo com a Associação Nacional da Fala Linguagem e Audição (EUA), estima-se que quase 12% de todas as crianças com idades entre 6-19 têm perda auditiva induzida por ruído (conhecida pela sigla PAIR). Este tornou-se um problema de saúde pública generalizada grave, que pode ocorrer em qualquer idade.
 
Embora trabalhadores da construção civil e militares sejam rotineiramente expostos a níveis excessivos de ruído que causam perda de audição, a pesquisa recente sugere que ouvir música através de um iPod ou outro dispositivo em determinados níveis de som também pode ser perigoso para a audição. Tendo em conta que muitas crianças e adolescentes passam muitas horas ligados aos seus dispositivos, algumas precauções devem ser usadas ​​para evitar a perda de audição.
 
O ouvido externo recebe ondas sonoras e as afunila pelo canal auditivo até o tímpano e, em seguida, para o ouvido interno. O ouvido interno é um órgão semelhante à concha de um caracol chamado de cóclea. Dentro da cóclea, existem milhares de células ciliadas que são as responsáveis reais ​​pela nossa audição, porque transmitem os sons para o cérebro. Os cientistas acreditam que a PAIR danifica as células ciliadas do ouvido interno, causando a perda da capacidade de transmitir som. Este distúrbio é gradual e indolor, porém, eventualmente, torna-se permanente. Uma vez danificadas, as pequenas células ciliadas do ouvido interno não podem voltar a crescer.
 
O som é medido em decibéis. Por exemplo, uma conversa normal normalmente alcança 60 decibéis; secadores de cabelo e máquinas de cortar grama chegam aos 90 decibéis; shows de rock e corridas de carro podem chegar a 110 decibéis; e armas de fogo e fogos de artifício muitas vezes fazem sons superiores a 140 decibéis. Qualquer som acima de 85 decibéis é alto o suficiente para prejudicar a audição. Ainda assim, tal como os danos causado pelo sol, quanto mais intenso é o som, menor é a quantidade de tempo que se pode ser exposto a ela antes de ocorrerem danos.
 
O que você pode fazer para evitar a perda de audição?
 
- Use proteção auditiva: Para eliminar o ruído indesejado, várias opções estão disponíveis, tais como protetores de orelha e tampões para os ouvidos. Protetores auditivos podem ser feitos sob medida ou individualmente moldados e estão disponíveis através de fonoaudiólogos locais. Aliás, a receita caseira de colocar algodão nos ouvidos não funciona.
 
- Limite o tempo: Faça pausas enquanto está ouvindo seu iPod ou outro dispositivo para dar aos seus ouvidos algum tempo de recuperação.
 
- Distancie-se: Quanto mais longe você está do barulho, menos dano que vai causar.
 
- Abaixe o volume: Um estudo publicado em 2006 mediu os períodos adequados de exposição aos aparelhos da Apple sem correr o risco de causar danos à audição. Usando de 10 a 50% da capacidade de volume do iPod, não há limite de tempo diário; aos 60%, o ideal é que se utilize o player por no máximo 18 horas; com 70% o número cai drasticamente, indo para um máximo de 4,6 horas diárias; já com 80% da capacidade, não deve-se passar de 1,2 horas e, aos 90%, o máximo é de 18 minutos por dia. Por último, para ouvir música “no talo”, com 100% do volume, através dos fones padrão da marca, não se pode passar dos 5 minutos diários.
 
Se você quiser fazer um teste para saber se está tudo bem com seus ouvidos, pode clicar neste link e seguir as instruções dadas pela empresa especializada em tratamentos auditivos. [Yankton, Medical Xpress]
 
Hypescience

Por que os dentes não são considerados ossos?

Os dentes são feitos de cálcio, fósforo e outros minerais
Apesar de serem brancos, duros e cheios de cálcio, os ossos e os dentes não são considerados iguais. As diferenças se manifestam desde a maneira como eles se regeneram quando quebrados até a aparência

Os dentes são feitos de cálcio, fósforo e outros minerais. Já os ossos contêm cálcio, fósforo, sódio e outros minerais, mas também têm muito colágeno. Colágeno é uma proteína, um tecido vivo que confere a flexibilidade dos ossos que os faz aguentar pressão. O cálcio preenche os espaços desta moldura e os faz fortes o suficiente para sustentar o peso do corpo.
 
Mas os ossos não são tão fortes quanto os dentes, que são a parte mais dura do corpo humano. Os dentes são basicamente tecidos calcificados, chamados dentina, cobertos de esmalte (enamel) que é duro e brilhante.

 O exterior dos ossos é coberto de periósteo, uma membrana densa e lisa, com exceção da juntas de longos ossos que é preenchida por cartilagens. O periósteo contém osteoblastos, ou células que podem crescer células de osso para restaurá-lo. O esmalte do dente não tem esta capacidade de regeneração, quebrar um dente significa perdê-lo.
 
Outra diferença é que o tutano do osso produz células vermelhas e brancas do sangue e o dente não. Apesar do centro dos dentes parecer tutano, na verdade, é a polpa do dente, a parte “viva” de cada dente, que contém os nervos, artérias e veias. São estes nervos que nos fazem sentir dor de dente.

 A última diferença é que nossos dentes estão expostos, enquanto os ossos estão guardados embaixo de nossa pele. Os dois, no entanto, exigem muitos cuidados.
 

A primeira pessoa do mundo a ter dentes no cérebro é um bebê

Não é todo dia que a gente ouve falar que uma pessoa desenvolveu dentes na cabeça. Na verdade, essa notícia foi uma novidade inclusive para a comunidade médica.
 
Um médico percebeu que um bebê de 4 meses de idade, de Maryland (Estados Unidos), tinha um crescimento anormal na sua cabeça. Suspeitando de um tipo extremamente raro de tumor no cérebro, resolveu fazer uma tomografia da criança, e lá estava uma massa que se parecia muito com dentes (que, na idade do bebê, normalmente é encontrada no maxilar inferior).
 
O menino, então, foi submetido à cirurgia cerebral para a remoção da massa. Durante o procedimento, os médicos retiraram não um, nem dois, mas vários pequenos dentes. Depois de analisar o tecido do tumor, o diagnóstico foi revelado.
 
Diagnóstico
Os exames mostraram que a criança desenvolveu um craniofaringioma, uma forma de tumor benigno extremamente rara que pode crescer até o tamanho de uma bola de golfe. Esses tumores são mais diagnosticados em crianças de 5 a 14 anos, e são raríssimos em crianças com menos de 2 anos, segundo o Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos.
 
Segundo a Dra. Narlin Beaty, neurocirurgiã da Universidade de Maryland, uma das responsáveis pela cirurgia feita neste bebê, pesquisadores sempre suspeitaram que esse tipo de tumor se forma a partir das mesmas células envolvidas no processo de formação dos dentes. Mas, até então, os médicos nunca tinham ouvido falar em dentes de verdade nesses tumores.
 
Dentes já haviam sido encontrados em cabeças em outros casos, mas apenas em tumores conhecidos como teratomas, porque contém os três tipos de tecido encontrados em um embrião, acrescentou Dr. Beaty. Em contraste, o craniofaringioma possui apenas uma camada de tecido, o que justifica a raridade da ocorrência.
 
Pós-operatório
Apesar da cirurgia ter sido um sucesso e o menino estar se recuperando bem, o procedimento deixará sequelas. Isso porque, no caso dele, o tumor destruiu algumas conexões do cérebro que seriam as responsáveis por liberar certos hormônios. De acordo com a Dra. Beaty, ele terá que receber tratamentos hormonais para o resto da vida.
 
Live Science