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domingo, 20 de julho de 2014

Testes de ovulação de farmácia funcionam mesmo?

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Foto: Reprodução - Teste de gravidez
Entenda como esses testes conseguem detectar a ovulação da mulher e se vale a pena confiar neles 

Por Dr. Joji Ueno

Os testes de ovulação adquiridos em farmácia também detectam o nível de fertilidade, porém não conseguem medir com exatidão o quão uma mulher está fértil. Afinal, eles não podem confirmar se a paciente liberou um óvulo, se o mesmo é saudável ou se todas as outras partes essenciais do processo reprodutivo estão funcionando corretamente. Estes testes conseguem apenas identificar um disparo hormonal. 

Para entender sua funcionalidade, é importante ressaltar que a mulher consegue engravidar em alguns dias específicos de seu ciclo, quando ocorre a ovulação, ou seja, um óvulo é liberado dos ovários podendo ser fecundado pelo espermatozoide. Essa ovulação é totalmente controlada por hormônios, como o luteinizante (LH) que pode ser detectado na urina, por meio de testes de farmácia, afinal os níveis aumentam em média cerca de 24 a 36 horas antes da ovulação, chamado de "onda LH". 

Ter um ciclo menstrual regular ajuda muito a identificar os períodos mais férteis e programar as relações sexuais com o intuito de engravidar. Quem tem um ciclo desregulado pode fazer um cálculo aproximado dos últimos ciclos para identificar a média de dias do ciclo menstrual. Também vale usá-lo em todo o período, ajudando a estimar de forma mais precisa o período da ovulação, a partir das alterações dos níveis hormonais. 

Geralmente os kits reagentes contêm cinco tiras usadas para fazer o teste em cinco dias consecutivos, sendo que não podem ser posteriormente reaproveitadas. Essa urina tem de ser recolhida sempre no mesmo horário, de preferência no início da manhã, antes que se beba muita água para não tornar a urina muito diluída. Também é importante recolher essa urina em um recipiente limpo e seco. Os kits têm uma fita reativa que deve ser mergulhada na urina, até a marca indicada, por até três minutos para depois observar o resultado. 

Se formar uma linha colorida na posição "teste", o resultado é positivo, se não desenvolver nenhuma coloração, é negativo. Em caso positivo, a ovulação costuma ocorrer em até 48 horas. É fundamental alertar que estresse e picos emocionais podem alterar a ovulação, podendo alterar o dia em que foi detectada.

Os testes oferecem um nível de segurança de aproximadamente 98%, mas não podem ser usados como um método anticoncepcional e nem é garantia de que a gravidez vai ocorrer, pois além da falta de ovulação, outros fatores podem determinar a infertilidade. É extremamente raro que uma mulher de menstrua regularmente não ovule no meio do ciclo menstrual. Assim, mais importante do que detectar a ovulação é a avaliação e acompanhamento do ginecologista.

Minha Vida

Oito hábitos que evitam enjoos na gravidez

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Getty Images - Coma a cada 3 horas
Comer de três em três horas e praticar exercícios pode evitar náuseas 

O período gestacional é um momento de muita expectativa, mas nem sempre tão glamoroso quanto esperado. Mal estar, indisposição e cansaço são apenas alguns dos sintomas típicos dessa fase. Além desses, outro bastante comum é a náusea que geralmente ocorre entre a quinta e a 18ª semana da gravidez, explica a ginecologista e obstetra Bárbara Murayama, membro da Sociedade Paulista de Ginecologia Obstetrícia. 

"Quase todas as mulheres sentem enjoo durante a gestação, mas a gravidade do sintoma varia de uma para outra", afirma. 

As causas também são variadas e vão desde fatores psicológicos, passando por alterações hormonais até a motilidade gástrica anormal, quando o estômago não trabalha de maneira adequada retardando seu esvaziamento. 

Confira abaixo os principais hábitos que podem evitar enjoos durante a gestação:

Coma de três em três horas
Cultivar o hábito de comer de três em três horas não é apenas saudável pelo fato de acostumar o organismo a receber alimentos em horários pré-estabelecidos, mas também evita exageros nas principais refeições. Assim, quanto menos comida precisamos digerir, mais rápido é o processo de esvaziamento do estômago, explica o ginecologista obstetra Domingos Mantelli, especialista em Medicina Legal e Perícias Médicas. "Quando a comida fica retida por muito tempo no estômago, maior a chance de a gestante ter refluxo, gastrite e náusea", complementa. 

 Faça repousos
"Levando em conta fatores psicológicos que podem desencadear enjoos, como estresse e ansiedade, a melhor maneira de evitar o problema é fazendo repousos periódicos", aponta Bárbara Murayama. Além disso, quando estamos em repouso, nosso corpo consegue direcionar o fluxo sanguíneo para funções específicas do corpo, como a digestão, acelerando o processo.

Pratique exercícios
Atividades leves, como a caminhada, favorecem a digestão, proporcionam a sensação de bem-estar e aliviam o estresse emocional. "Quando fazemos uma atividade prazerosa, nosso corpo libera endorfinas, substâncias que melhoram nossa disposição física e mental e até aliviam dores", afirma Domingos.

Seja a motorista
A recomendação de dirigir ao invés de ser o passageiro em passeios de carro é dada não apenas a gestantes, mas a todas as pessoas que costumam sentir enjoo quando estão em movimento. Afinal, quem controla o veículo não é pego de surpresa em curvas, desvios e brecadas, o que poderia causar mal estar. Entretanto, como alerta a ginecologista Bárbara Murayama, o estado geral de saúde da gestante deve ser avaliado. Se a gravidez for caracterizada por desmaios frequentes, por exemplo, ela deve ser impedida de dirigir, pois pode causar acidentes.

Evite movimentos bruscos
Quando estamos em repouso, deitados ou sentados, nosso sangue alcança uma distribuição uniforme pelo corpo. Por isso, quando realizamos movimentos bruscos, como levantar rapidamente, há uma queda repentina da pressão arterial, o que pode causar mal estar, enjoo e até desmaio. "Tais reações são mecanismos de defesa do corpo, pois nos impedem de prosseguir uma atividade até que o fluxo sanguíneo seja restabelecido", esclarece Domingos.

Evite líquidos durante as refeições
"A dieta para quem quer evitar enjoos e vômitos deve ser seca e fracionada", aponta Bárbara. Assim, ela recomenda que molhos, caldos e condimentos sejam evitados nesta fase. Além disso, levando em conta a teoria de que o estômago da gestante leva mais tempo para esvaziar, ao ingerirmos líquido durante as refeições, criamos um bolo alimentar ainda maior, dificultando a digestão.

Diminua a ingestão de café
Segundo o ginecologista Domingos Mantelli, todo alimento de gosto ou odor acentuado pode piorar enjoos e náuseas, portanto, o consumo de café deve ser diminuído ou cortado da dieta. Fique atento ainda ao fato de o excesso de café é um estimulante, aumentando, assim, a frequência cardíaca da mãe e do bebê.

Afaste-se de odores fortes
Algumas gestantes têm seus enjoos desencadeados por odores fortes e variados. Por isso, assim que o cheiro responsável pela náusea for identificado aconselha-se ficar longe dele e evitar consumir o alimento até o momento em que ele não incomodar mais.

Minha Vida

Pênis torto pode ser um problema congênito ou causado por uma fibrose

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O problema pode ser corrigido através de cirurgia
Entenda o que causa o entortamento do pênis e como o problema pode ser corrigido 

Por Dr. André Cavalcanti

Pequenos desvios do pênis são avaliados como naturais e fazem parte das características pessoais de cada indivíduo. Mas existem doenças que causam o entortamento mesmo do órgão sexual masculino. 

Órgão de tecido vascular, o pênis internamente é formado por dois corpos cavernosos e um corpo esponjoso, e na sua extremidade encontra-se a glande. Essas estruturas são envolvidas por uma membrana elástica, conhecida como túnica albugínea, que durante o processo de ereção, se distende. Entre eles, está a entrada e retenção de sangue nas cavidades dos corpos cavernosos e esponjoso, estruturas parecidas com esponjas que se enchem de sangue para produzir a ereção. 

Qualquer fibrose que prejudique a expansão da túnica albugínea vai comprometer a ereção peniana. É o que acontece na doença de Peyronie, associada ao aparecimento de placas fibrosas nos corpos cavernosos do pênis, muitas vezes sentidas e palpadas pelo próprio paciente. Caracteriza-se pela curvatura do pênis e dor durante a ereção. Geralmente, essa curvatura faz com que o pênis se posicione para cima, mas ele pode curvar-se para o lado ou para baixo. A causa é a formação de uma placa de fibrose na túnica albugínea, provocando distorções na forma e inclinação do pênis, o que compromete a função sexual. O diagnóstico é um fator de impacto e ansiedade na vida do paciente. 

Essa alteração se manifesta principalmente depois dos 50 anos, mas pode acometer os jovens também, na faixa dos 28 anos. A incidência em homens da mesma família pode acontecer, mas não existem relatos científicos sobre a questão hereditária. Na maioria dos casos, o problema desaparece espontaneamente ou com o uso de medicamentos adequados. Às vezes, o casal se adapta à curvatura porque não interfere na relação sexual. Menos da metade dos pacientes é encaminhada para cirurgia para corrigir o desvio. 

O diagnóstico é simples, pois na maioria dos casos, pode-se apalpar o nódulo no paciente, na curvatura do pênis e com o relato de dor durante a ereção. O exame de ressonância magnética permite visualizar a placa, mas a necessidade de pedir esse exame é considerada rara. 

O pênis torto congênito é uma situação onde o homem já nasce com a deformidade, que se torna geralmente incômoda com o início da atividade sexual. Estes homens em geral não trazem a queixa de encurtamento peniano (diminuição do tamanho), uma vez que sempre conviveram com o pênis torto. Já na curvatura adquirida, existem casos de homens que tinham um pênis previamente normal e que experimentam uma curvatura progressiva, geralmente associada ao encurtamento de pênis. 

Há situações em que o pênis torto-congênito ou adquirido passa a causar desconforto e dificuldade para a penetração, prejudicando tanto ao homem como a sua parceira. A medicina urológica relata casos de tortuosidade congênita, questões associadas principalmente à aparência estética. 

Se o entortamento configura um problema para o ato sexual, o homem deve procurar um urologista para que seja avaliado o grau de curvatura e definido junto com o médico o impacto na qualidade da relação sexual e as possibilidades de tratamento. Apesar da existência de possibilidades de tratamento conservador, os tratamentos cirúrgicos são em geral mais efetivos na retificação do pênis. 

O tipo de tratamento, com cirurgia de correção da curvatura, deve ser definido a partir do grau de curvatura, tamanho do pênis e qualidade da ereção. 

A cirurgia é feita de forma rápida e segura e tem como finalidade principal tornar o pênis mais retificado possível, para permitir a penetração sem dor, podendo provocar um pequeno encurtamento do pênis. Em alguns procedimentos é realizado o encurtamento do lado contrário à curvatura e em outros casos, com o uso de enxertos, o alongamento do lado curvo. Frequentemente, em diagnósticos de pacientes com grau significativo de impacto na ereção, podemos optar pelo implante de próteses penianas.

Minha Vida

Papinha do bebê: cuidados incluem variedade de sabores à quantidade das porções

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Saiba o que especialistas dizem sobre escolha dos ingredientes, papinha industrializada e outras questões 

O leite materno é, sem dúvida, o principal alimento para os bebês, mas com o tempo a criança passa a precisar de outros nutrientes. "Após seis meses de idade o aleitamento materno exclusivo não supre de maneira adequada a necessidade energética, proteína e de ferro do bebê", explica a nutricionista Paula Crook, especialista em nutrição infantil. Tanto que um estudo de abril de 2013 realizado por pesquisadores da Universidade de Toronto mostrou que a cada mês adicional em que a amamentação é o alimento exclusivo da criança, aumenta 5% a deficiência de ferro, o que pode favorecer a anemia.

A partir dos 6 meses é importante que os pais comecem a introduzir outros alimentos, principalmente para amenizar essas deficiências. Mas para não passar direto do líquido para o sólido, as papinhas são o item intermediário. "A consistência vai se modificando ao longo do tempo, até os 9 meses o item deve ser bem cozido, macio e amassado com garfo; a partir daí até os 12 meses, pode ter pedaços do alimento, mas continua sendo bem cozido. Até que com um ano a criança comece a comer o mesmo que o resto da família", ensina Isabel Jereissari, nutricionista especialista em nutrição materno-infantil.

O leite, porém, não precisa ser tirado definitivamente. "O ideal é fazer alimentação complementar, porque a criança pode e deve continuar mamando no peito quando começa a comer as papinhas", acredita Karine Durães, nutricionista especializada em Pediatria. Mas é normal que muitas dúvidas pipoquem na cabeça das mães sobre esse assunto, principalmente as de primeira viagem. Por isso alguns especialistas esclareceram algumas delas. 

Veja quais são as suas também! 
  
Papinhas prontas têm muitos componentes químicos?
"Algumas papinhas prontas têm aditivos químicos como acidulantes ou outros. Segundo a Organização Mundial da Saúde, a criança deve evitar o consumo dessas substâncias", explica a nutricionista Karine Durães. O ideal é na maior parte das situações fazer a papinha em casa, pois os nutrientes do alimento caseiro são mais facilmente absorvidos.

Além disso, outra desvantagem dessas papinhas é o fato delas serem uma mistura de vários alimentos. "Elas têm o mesmo gosto e mesma cor, então não ensinam as crianças a conhecer sabores diversos dos alimentos", acredita a nutricionista Isabel Jereissati. O ideal é que os pais ofertem papinhas feita como purê de um ingrediente só.  

Quais alimentos não podem faltar na papinha?
A nutricionista Paula Crook divide os alimentos em quatro grupos principais: "As verduras, como acelga, alface, agrião e espinafre. Legumes, tais quais cenoura, beterraba, chuchu, abobrinha, abóbora e berinjela. Proteínas, como carne de vaca, frango e gema de ovo cozida. E os carboidratos, como arroz integral, batata, batata doce, quinoa, mandioquinha, mandioca, inhame", lista a especialista. Ela incentiva a misturar um de cada grupo na hora de cozinhar.

A variedade de sabores é importante?
Todas as especialistas são unânimes em dizer que sim. "É importante que haja variações diárias que proporcione cores diferentes e vivas para que a criança desperte o paladar para diferentes sabores e os identifique com as cores, diminuindo assim a possibilidade de aversão a legumes na infância e adolescência", sublinha a nutricionista Paula. Além disso, usar sempre os mesmos itens faz com que a criança tenha pouca variedade de nutrientes importantes, causando a chamada monotonia alimentar.

Mas é preciso tomar cuidado ao apresentar esses itens aos pequenos. "A Sociedade Americana de Alergia indica introduzir novos alimentos de três em três dias, para ver se tem algum alergia. Se a mãe introduzir mais de um ao mesmo tempo é mais difícil saber qual deles causou. E a reação pode ser tardia, por isso que precisa desse intervalo", salienta a nutricionista Isabel.

Posso fazer em grande quantidade e armazenar?
Já que é preciso variar os sabores, nem sempre vale a pena fazer um pouquinho de cada. Nesses casos, vale sim congelar, principalmente se você armazenar em potinhos separados de vidro e bem higienizados no freezer. Existe, porém, uma forma certa de fazer isso: "Após preparar a papinha, resfrie-a o mais rápido possível para manter suas propriedades e evitar a contaminação por bactérias, colocando na geladeira. Depois de fria, leve ao freezer até congelar", ensina Paula Crook.

Quanto devo oferecer ao meu filho?
Deve-se começar com uma colher de sopa, e ir aumentando, até chegar a 10 colheres. O melhor termômetro para mãe é colocar um pouco a mais no prato, como ensina a nutricionista Isabel. "Se ao colocar duas colheres a criança come tudo, a mãe deve então colocar 3 na próxima refeição, e assim em diante", ensina a especialista em nutrição materno infantil.

Forçar a criança a comer mais também pode ser ruim. "Quem decide o quanto comer é ela, deve-se respeitar o seu apetite. Há crianças que comem muito, outras pouco, e esta tudo bem com as duas, se seu desenvolvimento estiver dentro do esperado", ensina a nutricionista Karine. 

E quantas refeições são indicadas ao dia?
Entre quatro e seis refeições, as especialistas recomendam. Normalmente, elas devem ser parecidas com as nossas pausas para comer, como lanche da manhã, almoço, lanche da tarde e jantar. "Os horários obedecem ao habito da família. Para os não aleitados, o ideal é ter uma ou duas refeições principais intercalado com leite e fruta amassada, a papa doce", ensina Karine. Mas essa feita de frutas pode ser substituída também por sucos naturais de frutas. 

Alguns alimentos podem causar alergias?
Os pais devem tomar cuidado quando escolhem os ingredientes da papinha. "Considerando que o bebê ainda não tem uma capacidade fisiológica e funcional totalmente desenvolvida, tanto no trato gastrintestinal como do sistema imunológico, a introdução de alimentos com maior potencial alergênico só deve ser feita após o primeiro ano de vida", ensina Paula. Mas quais são esses alimentos com que devemos tomar mais cuidado? "Frutas cítricas, oleaginosas, o mel, peixe, frutos do mar, farinha e glúten, soja... Todos eles têm mais potencial alergênico", lista a nutricionista Isabel.

Minha Vida

Como tirar e armazenar o leite materno em casa

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Thinkstock/Getty Images -  Para não interromper o aleitamento materno,
uma saída é fazer a retirada do leite ao longo do dia e armazená-lo
Rico em vitaminas e nutrientes, o alimento pode estragar se não for armazenado corretamente e comprometer a saúde do bebê 

A amamentação é um dos momentos mais íntimos e importantes da maternidade. Além de reforçar vínculos afetivos entre mãe e bebê, o leite materno fornece todos os nutrientes e anticorpos que os pequenos precisam para ter um desenvolvimento forte e saudável.

Com o fim da licença maternidade e o retorno das atividades cotidianas, pode ficar mais complicado a logística de amamentar o filho, mas a mãe não deve parar de oferecer o alimento para a criança. A Organização Mundial da Saúde (OMS), o Ministério da Saúde e a Sociedade Brasileira de Pediatria recomendam que o aleitamento materno exclusivo continue até pelo menos o sexto mês de vida do bebê e que siga, em regime não exclusivo, até que a criança tenha dois anos.

Para conseguir cumprir essa recomendação, uma saída é fazer a retirada do leite em horários específicos ao longo do dia e armazená-lo corretamente para que o bebê possa ser alimentado por outras pessoas, mesmo que a mãe não esteja em casa.

“Ela vai se sentir mais segura se souber que, ainda que precise comparecer a um evento ou reunião inadiável, o filho será alimentado com leite materno. A ordenha manual também estimula uma maior produção de leite pelo corpo. E quanto mais, melhor”, afirma Danielle Aparecida da Silva, coordenadora de processamento e qualidade da Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano.

É importante informar, ressalta Danielle, que a mulher sempre deve tirar o leite que sobra nas mamas depois que a criança já se alimentou e está satisfeita. “A mastite, uma inflamação nas glândulas mamárias, pode surgir por conta do leite que fica acumulado no peito e que o bebê não aguenta tomar”, ressalta a especialista.

Calma e concentração
Para começar a ordenha, tanto as mãos como as mamas devem estar limpas para poder manipular o leite sem qualquer risco de contaminação. Depois, é só escolher o método mais confortável. Existem dois processos: a ordenha manual, em que a mãe faz movimentos circulares nas mamas para que o leite saia com mais facilidade, e a por meio de bombas elétricas.

A escolha varia de mãe para mãe, embora exista o consenso de que as bombinhas são mais eficazes e rápidas do que a retirada manual. “A mãe só precisa ir a algum lugar tranquilo e tirar o leite. Não importa o método escolhido, mas é preciso lembrar que se a mãe optar pelas bombinhas deverá carregar a bateria, por exemplo. Não pode esquecer”, pontua Danielle.

Tranquilidade e paciência, aliás, são fundamentais nas primeiras tentativas. “No início da ordenha, a quantidade de leite que sai é pouca ou quase nada. Isso é normal. A mãe não deve desistir. Basta manter os movimentos ritmados e relaxar que logo o leite sairá em grande volume”, explica Clery Bernardi Gallaci, neonatologista do Hospital e Maternidade Santa Joana.

A quantidade depende também do organismo da mulher, que pode estar num ritmo de produção maior ou menor, de acordo com os estímulos recebidos ao longo do dia e com o número de vezes que o bebê costuma mamar. Algumas mulheres podem produzir 400 ml de leite em uma semana, enquanto outras produzem o mesmo volume diariamente.

O ideal é que a extração ocorra depois da mamada, quando a fome do bebê tiver sido saciada e restar um leite mais “grosso”. A saída do líquido acontece em três etapas: primeiro, o bebê suga uma parte mais aquosa, seguida pela parte com os nutrientes e, por fim, a parte gordurosa, que será extraída depois.

“Se mesmo assim ela tiver dificuldades ou não conseguir extrair, o ideal é que busque o banco de leite mais próximo e converse com os profissionais de lá. Eles poderão oferecer algum tipo de ajuda ou aconselhamento”, afirma Danielle Aparecida da Silva.

Cuidados para armazenar
O leite que está dentro da mama fica protegido de qualquer ameaça externa, como bactérias, fungos ou outros micro-organismos. 

A partir do momento que ele é retirado do seu “habitat” natural, é essencial que seja transferido para um recipiente esterilizado e armazenado corretamente. Do contrário, é muito fácil que estrague e provoque algum tipo de mal-estar no bebê, como infecções, diarreia, febre, entre outros problemas de saúde.

Potes de vidro com a tampa plástica são a melhor opção para colocar o leite. Antes, porém, eles devem ser esterilizados corretamente, ou seja, fervidos por cerca de 15 minutos e colocados para secar em temperatura ambiente.

Depois de colocar o leite nos potinhos, a mãe pode decidir por congelá-los ou deixá-los na geladeira. No congelador, o alimento tem validade de até 15 dias – na geladeira, o tempo é bem menor, apenas 12 horas. Por isso, se a próxima mamada do bebê superar esse período de tempo, é melhor que o leite seja congelado para evitar contaminação.

Para descongelar, o ideal é que os vidros sejam colocados em banho-maria, com o cuidado de não atingir o ponto de fervura. No micro-ondas, nem pensar. “O banho-maria proporciona um controle melhor da temperatura do leite, que não pode ferver. Se isso acontece, ele perde todas as propriedades naturais e os fatores de proteção”, explica Danielle.

Se o bebê não aguentar tomar todo o leite recém-descongelado, não guarde o que ficar sobrando na mamadeira. O líquido não pode ser congelado novamente em nenhuma hipótese. Para minimizar o desperdício, as especialistas aconselham que as mães evitem congelar grandes quantidades, como vidros de 500 ml. Em vez disso, armazene o leite em vários recipientes pequenos e utilize mais de um, se for necessário.

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