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sábado, 2 de agosto de 2014

Guimbas de cigarro: 4 trilhões de ameaças à saúde e ao meio ambiente

Material dos filtros acaba ingerido por animais e depois consumido pelo homem

Rio - O fumante pode prejudicar não só a própria saúde, como também ao meio ambiente. Jogar a guimba no chão é um mau hábito disseminado. Dos 5,6 trilhões de cigarros fumados anualmente no mundo, mais de 4 trilhões foram descartados em lugar inapropriado, poluindo o solo e a água, segundo levantamento do Projeto Cigarette Butt Pollution. Os dados estão servindo como base para novos estudos da Universidade de San Diego e foram apresentados ontem no Rio.

Professor de Saúde Global da universidade, Thomas Novotny ressaltou que os filtros de cigarro costumam ser arremessados no mar e, assim, prejudicam a cadeia alimentar. Seus componentes químicos, que incluem uma série de metais pesados, são ingeridos por peixes e aves marinhas — e estes, depois, são consumidos pelo homem. A ameaça é agravada pelo tempo que essas substâncias passam expostas no oceano. A decomposição do filtro das guimbas pode demorar até cinco ano,

Nos últimos 27 anos, o Programa Internacional de Limpeza das Zonas Costeiras recolheu mais de 52 milhões de filtros de cigarro, uma quantidade quase oito vezes maior que a de latas de bebida encontradas. As guimbas representaram 32% de todos os detritos coletados pela iniciativa.

— É impressionante como este tema foi tão negligenciado até agora — criticou Novotny. — Provavelmente não vemos discussões porque as pessoas veem as guimbas apenas como pequenos pedaços de lixo, que não causariam qualquer perigo.

Multa a  ‘desinformados’ no Rio
Para Novotny, que estuda os efeitos nocivos das guimbas há cinco anos, os fumantes seguem “um ritual lamentável”. Embora as pessoas busquem lixeiras para se livrarem de garrafas de plástico e papel, o mesmo não é feito com o filtro do cigarro. Por isso, ele defende medidas regulatórias, como a proibição de fumar ao ar livre, reciclagem e instituição de multas.

Em uma entrevista ao GLOBO na véspera de seu encontro com pesquisadores da Fundação do Câncer, o epidemiologista avaliou que, embora o Brasil promova grandes campanhas antitabagistas, ainda não discute suficientemente o destino das guimbas de cigarro.
Há, no entanto, iniciativas que merecem elogios. No Rio, a orla de Copacabana e do Leme conta com instalações de coleta seletiva com capacidade para até 15 mil guimbas. Além disso, pequenos cinzeiros podem ser comprados nos quiosques.

Outro destaque é o Programa Lixo Zero, criado pela prefeitura em agosto do ano passado para combater a poluição de áreas públicas. A iniciativa, presente em 95 bairros, já aplicou 70.495 multas relacionadas ao descarte irregular de guimbas. Isso equivale a 17% das infrações já instituídas pelos agentes municipais.

O valor da multa é de R$ 170. Até agora, apenas 42,1% foram pagas. Segundo a Comlurb, responsável pelo programa, os infratores alegam, entre outros motivos, que estavam desatentos, que o vento levou a guimba e que acreditavam que jogar um resíduo pequeno no chão não suja a rua.

Indústria faz ações ‘ineficientes’
De acordo com Novotny, a indústria do tabaco adota apenas medidas paliativas para evitar as críticas sobre o destino das guimbas.

— No passado, as empresas tentaram criar o filtro biodegradável, mas ele foi rejeitado pelos consumidores — lembra. — De qualquer forma, ainda haveria componentes químicos. Outras respostas testadas pela indústria são patrocinar campanhas ambientais nas praias e nas ruas e incentivar os porta-guimbas. São ideias ineficientes, porque não matam o problema em sua fonte.

A solução, para o especialista, é simples: atacar o bolso das empresas.

— Uma resposta para o nosso problema é que as pessoas parem de fumar, o que não vai acontecer tão cedo. Ainda assim, podemos afetar o lucro da indústria. Já existem ações judiciais obrigando as empresas a pagar por danos à saúde causados pelo cigarro. A restrição a espaços em que o fumo é permitido também pode inibir o consumo.

O Globo

Conheça os benefícios de oferecer alimento materno

Ao mamar, o bebê melhora o desenvolvimento facial e da mastigação
Crianças que mamam têm menos risco de sofrer de doenças respiratórias, infecções urinárias ou diarreias, por exemplo 

Ele é tudo de que o bebê precisa para matar a fome, a sede, crescer, se desenvolver e, de quebra, ficar protegido contra doenças. Além disso, implica muito mais do que oferecer o melhor alimento que existe: é dar saúde, carinho e proteção. O leite materno é tão importante que, em defesa dele, todo ano, de 1º a 7 de agosto ocorre a Semana Mundial da Amamentação. A ideia, segundo a Aliança Mundial para Ação em Amamentação (Waba, na sigla em inglês), é dar visibilidade a essa prática, que proporciona inúmeras vantagens.

Crianças que mamam têm menos risco de sofrer de doenças respiratórias, infecções urinárias ou diarreias — problemas que podem levar a internações e até à morte. O bebê amamentado corretamente no futuro terá menos chance de desenvolver diabetes, hipertensão e doenças cardiovasculares, como indicam inúmeros estudos que o Ministério da Saúde tenta disseminar em eventos como o que ocorre no decorrer desta semana. 

As crianças foram amamentadas desde sempre. Porém, a partir da década de 50, com a industrialização e a entrada da mulher no mercado de trabalho, tivemos uma quebra de paradigma: para dar conta das tarefas profissionais, muitas delas passaram a deixar de amamentar — e a alternativa foi oferecer mamadeiras, leite em pó e suplementos que as indústrias começaram a fabricar para tentar substituir o alimento natural. Porém, o preço que pagamos por essa troca foi bem caro: uma série de estudos comprovou que bebês que não tomam o leite materno por tempo suficiente adoecem mais e têm propensão a uma série de doenças, além de chances elevadas de sobrepeso e obesidade.

Programa tem objetivo de sensibilizar empresários
De acordo com uma pesquisa da Universidade de São Paulo (USP), 80% das crianças obesas deixaram de ser amamentadas antes dos seis meses de vida. A explicação parece vir de diversos fatores combinados. 

— É muito mais fácil oferecer a mamadeira e dar alimentos sólidos antes do tempo. E isso ocorre entre famílias de todas as classes sociais. Porém, temos de nos conscientizar de que é um investimento para a vida toda. O apoio deve vir de todos os lados — afirma a nutricionista Kátia Rospide, da Seção de Saúde da Criança e do Adolescente da Secretaria Estadual de Saúde. 

Kátia ressalta a importância de as empresas oferecerem às mães condições de retirarem o leite durante o expediente, assim que elas retornarem ao trabalho após a licença-maternidade, afim de dar continuidade ao processo de amamentação. Ela cita o programa do governo federal intitulado Mulher Trabalhadora que Amamenta (MTA), que busca sensibilizar empresas públicas e privadas para um tema tão importante.

— Muitas vezes, o leite é descartado pelas mulheres, o que é um desperdício. O ideal é as empresas oferecerem salas para a retirada e local para armazenamento — ressalta ela.

Principais benefícios
— O leite materno contém todos os nutrientes essenciais ao crescimento e desenvolvimento da criança. Além disso, proporciona equilíbrio emocional, segurança e maior proximidade com a mãe.

— Ao mamar, o bebê melhora o desenvolvimento facial e da mastigação, além de reduzir a chance de ter diarreias, alergias, doenças respiratórias, otites, sinusites e rinites. 

— Nas fases iniciais do crescimento humano — no útero e durante os primeiros meses de vida —, a nutrição e o metabolismo são "moldados" para o resto da vida. É a chamada programação metabólica. 

— Outro fator que influencia na relação entre amamentação e menor risco de obesidade é a presença do hormônio leptina no leite materno. A leptina age na inibição do apetite e no processamento dos nutrientes pelo metabolismo. 

— Para a mãe que amamenta, também há vários benefícios: ela corre menos risco de contrair câncer de mama e de ovário, além do benefício mais imediato de voltar mais rapidamente ao peso normal,

Zero Hora

Pesquisas mostram novos resultados sobre papel de bactérias

 Fernando Gomes/Agencia RBS
O efeito prejudicial dos antibióticos sobre a diversidade microbiana começa
cedo, afirma especialista
Composição dos microrganismos determina a forma com que o corpo funciona e seu mau funcionamento 

Podemos nos ver como apenas humanos, mas somos na verdade uma massa de microrganismos abrigados numa casca humana. Cada pessoa viva hospeda cerca de 100 trilhões de células bacterianas. Elas superam as células humanas em 10 para um, e representam 99,9% dos genes únicos no corpo. Katrina Ray, editora-sênior da Nature Reviews, sugeriu recentemente que o imenso número de micróbios nos intestinos poderia ser considerado "um órgão microbiano humano", e questionou: "Somos mais micróbios do que humanos?".

Nossa coleção de microbiota (conhecida como microbioma), é o equivalente humano a um ecossistema ambiental. Embora as bactérias juntas pesem apenas 1,4 quilo, sua composição determina a forma com que o corpo funciona ou, infelizmente, o seu mau funcionamento.

Como ecossistemas no mundo todo, o microbioma humano está perdendo sua diversidade em potencial detrimento da saúde daqueles que o habitam.

Martin Blaser, especialista em doenças infecciosas da Escola de Medicina da Universidade de Nova York e diretor do Human Microbiome Program, vem estudando o papel das bactérias em doenças há mais de três décadas. Sua pesquisa vai muito além de doenças infecciosas, abordando condições autoimunes, entre outros problemas que não param de crescer no mundo todo.

Em seu novo livro, Missing Microbes, Blaser liga o declínio na variedade dentro do microbioma a uma maior suscetibilidade do ser humano a diversos problemas, de alergias e doença celíaca a diabetes tipo 1 e obesidade. Ele e outros culpam principalmente os antibióticos por essa ligação.

O efeito prejudicial dos antibióticos sobre a diversidade microbiana começa cedo, afirmou Blaser. A criança americana média recebe quase três doses de antibióticos nos primeiros dois anos de vida, e mais oito nos oito anos seguintes. Mesmo uma aplicação curta de antibióticos, como o popular pacote Z (azitromicina, tomada por cinco dias), pode resultar em mudanças de longo prazo no ambiente microbiano do corpo.

Cesarianos desequilibram organismo
Antibióticos não são a única forma pela qual nosso equilíbrio interno pode ser afetado. Os partos por cesariana, que aumentaram muito nas últimas décadas, estimulam o crescimento de micróbios vindos da pele da mãe nos intestinos do bebê. 

Essa mudança pode remodelar o metabolismo e o sistema imunológico de um bebê. Uma recente revisão de 15 estudos envolvendo 163.796 nascimentos descobriu que, frente a bebês nascidos de parto normal, os nascidos por cesariana tinham uma probabilidade 26% maior de ter sobrepeso, e 22% maior de se tornar um adulto obeso.

Ainda mais sério é o número crescente de doenças graves ligadas a uma distorção no equilíbrio microbiano no intestino humano. Elas incluem males que estão se tornando mais comuns nos países desenvolvidos: problemas gastrointestinais como a doença de Crohn, colite ulcerativa e doenças como a celíaca, cardiovascular, do fígado e digestivas, esclerose múltipla e artrite reumatoide, asma e alergias. Alguns pesquisadores chegaram a especular que problemas na microbiota intestinal têm relação até com o desenvolvimento da doença celíaca.

Blaser alerta contra o uso exagerado de antibióticos, especialmente os medicamentos de amplo espectro hoje prescritos de forma comum, e particularmente em crianças. Segundo Blaser, é necessário administrar antibióticos de espectro estreito, desenvolvidos para derrubar a bactéria patogênica sem afetar aquelas que ajudam a saúde:

— Isso tornará possível tratar infecções graves com menos efeitos colaterais — afirma.

Zero Hora

Falta pesquisador na área de medicamentos

Enquanto no exterior algumas empresas já fazem roupas com tecido produzido por bactérias, no Brasil a indústria nacional engatinha na produção de medicamentos biotecnológicos e as multinacionais químicas e farmacêuticas sequer consolidaram projetos em torno da novidade

O problema não é de fontes de financiamento, mas de falta de projetos e carência de mão de obra especializada para desenvolver as pesquisas. As empresas brasileiras de biotecnologia começaram a se movimentar há cerca de dois anos, incentivadas pela estratégia do governo de reduzir o impacto da importação de medicamentos na balança comercial, que passou de US$ 5 bilhões, em 2005, para US$ 11 bilhões, em 2013. Os remédios biotecnológicos representam 5% das compras, mas consumiram 43% da verba do Ministério da Saúde com medicamentos em 2012.

“O Brasil tem uma das legislações mais modernas do mundo do ponto de vista dos pacientes. O governo fornece mais de cem medicamentos de graça para a população que a maioria dos países não dá. Mas da ótica da detenção de tecnologia e produção, o gap é muito grande. O mundo descobriu a biotecnologia nos anos 80 e até os anos 2000 o Brasil não fez nada”, diz Leda Castilho, coordenadora do Laboratório de Engenharia de Cultivo Celulares da Coppe/UFRJ.

“Existe muito discurso, mas na prática o Brasil ainda está muito atrás em biotecnologia. Não se produz nada em biotecnologia sem material humano, que é extremamente escasso no país. Mesmo doutores em ‘biotec’ precisam ser qualificados para trabalhar na indústria porque as faculdades só formam professores”, afirma Ogari Pacheco, presidente do laboratório Cristália.

O Cristália trabalha com biotecnologia há 15 anos. Um dos projetos que desenvolve, no complexo industrial do laboratório em Itapira (SP), é a Colagenase, que já é comercializada, atende 50% do consumo do mercado interno e está pronta para ser exportada. Vendido em forma de pomada, o produto remove tecido necrosado (morto). Outros quatro projetos passam por estudo clínicos – avaliação em pessoas depois de já aprovado em testes com animais.

O hormônio do crescimento entrou na fase 1 e o Interferon Alfa começa a ser avaliado também na fase 1 até o fim do ano. Os outros dois estudos são de anticorpos monoclonais – produzidos por um único clone de um linfócito B injetado no sistema imunológico para identificar e neutralizar corpos estranhos como bactérias, vírus ou células tumorais. Os mabs são considerados a fronteira do conhecimento humano em terapêutica. O Trastusumab (indicado em diferentes tipos de câncer) está na fase 1 dos estudos clínicos. Já o Etanercept, indicado para artrite reumatoide, começa a fase 1 até o fim do ano. As três plantas industriais de Itapira tiveram investimento de R$ 120 milhões. Sessenta pessoas, 27 delas pesquisadores, trabalham nas unidades.

O laboratório público Hemobrás e o laboratório Baxter Internacional firmaram uma Parceria para o Desenvolvimento Produtivo (PDP) que prevê a transferência de tecnologia voltada para a produção do Fator VIII Recombinante. Trata-se de um medicamento elaborado por meio de engenharia genética e destinado a portadores de hemofilia tipo A. Apenas três empresas no mundo produzem o remédio. O contrato inclui a importação e distribuição do medicamento para os pacientes do SUS.

Valor Econômico

Mochilas pesadas podem causar sérios danos à coluna de crianças e adolescentes

 Diorgenes Pandini/Agencia RBS - Mochilas pesadas podem causar sérios
danos à coluna de crianças e adolescentes
Veja dicas para reduzir a carga e diminuir os impactos na coluna de seu filho 

Época de retorno às atividades escolares é sempre repleta de novidades — e mochilas repletas de materiais. Vai ano, entra ano, crianças e adolescentes seguem carregando nas costas o peso de livros, cadernos e uma parafernália difícil de ser suportada sem esforço. Em plena era digital, quando pelo menos alguns trabalhos escolares poderiam ser feitos online, não houve aparentemente diminuição do peso das mochilas que estão a tiracolo das crianças todos os dias.

Uma pesquisa da Sociedade Brasileira de Ortopedia (SBOT) aponta que crianças de apenas sete anos carregam cerca de 15% do seu próprio peso e, se a carga transportada é grande, a postura e o esforço requeridos afetam até a capacidade respiratória. Segundo um estudo do Departamento de Fisioterapia da USP, o peso adequado deve ser, no máximo, de 10% do peso corporal, o que raramente ocorre. 

Escoliose, dores lombares, contraturas, contrações musculares e outras patologias são comumente verificadas nos consultórios.
Uma atenção redobrada para a postura correta na infância significa menos problemas na vida adulta, segundo a fisioterapeuta Susi Fernandes. 

— É importante apresentar medidas de educação postural para as crianças — diz ela.

Leis determinam carga máxima por faixa etária 

Em alguns Estados, como no Rio Grande do Sul, e em capitais como São Paulo e Rio de Janeiro, existem leis que estipulam o peso máximo que pode ser carregado pelos estudantes. A lei gaúcha determina que esse limite é de 5% do peso do aluno da Educação Infantil e de 10% do peso do aluno do Ensino Fundamental. Uma conta simples, mas que dificilmente é respeitada. Isso porque, além do material exigido pelos colégios, é comum que sejam carregados nas mochilas itens como eletrônicos, brinquedos e roupas. 

A conscientização, mais uma vez, é a melhor forma de evitar danos para a vida toda. 

— Sugiro que pais e professores comecem a orientar crianças e adolescentes e a sugerir itens que podem ser deixados em casa ou na escola — recomenda o médico Eduardo Iunes, especialista em coluna.

Confira dicas para reduzir a carga:
- O ideal é retirar todo o material desnecessário da mochila antes de a criança ir para a escola. Uma boa dica é trocar aqueles cadernos pesados de mais de 10 matérias por um caderno para cada matéria, e só levar o necessário, ou seja, o que for usado em aula.

- Opte por uma mochila que não seja maior do que o absolutamente necessário, pois se houver espaço sobrando, certamente a criança levará peso além do necessário.

- A mochila ideal deve ter alças largas, acolchoadas e ajustáveis nos ombros.

- Coloque um acolchoado na parte de trás e compartimentos no interior para que os itens mais pesados possam descansar contra as costas.

- É preciso ajustar as alças de modo que a parte inferior da mochila, quando cheia, não fique a menos de quatro centímetros abaixo da cintura.

- Não carregue a mochila num ombro só

Zero Hora