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sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Mulheres estão liberadas para comer hambúrguer, homens não

Novo estudo mostra que os cérebros masculinos reagem pior a dietas ricas em gordura do que os femininos
 
Los Angeles - Cérebros masculinos e femininos reagem de maneira completamente diferente a refeições ricas em gordura. Essas diferenças foram observadas em um novo estudo do Instituto de Pesquisa em Diabetes e Obesidade Cedar-Sinai, em Los Angeles, publicado na revista “Cell Reports”, e levaram a maiores inflamações e ao aumento do risco de saúde em camundongos machos.
 
— Nossos dados sugerem que é mais‘ok’ para mulheres comer gordura ocasionalmente do que para homens — diz a pesquisadora Deborah Clegg. — A maneira nutricional como tratamos os pacientes deveria ser alterada, desencorajando o consumo de hambúrguer para homens, especialmente para aqueles com doenças cardíacas pré-existentes ou diabetes tipo 2.
 
Dados anteriores já sugeriam que inflamações no cérebro estariam ligadas ao excesso de comida, desequilíbrios no nível de açúcar e aumento de inflamação em outras partes do corpo, incluindo tecidos gordurosos. Esses efeitos podem ser desencadeados, em machos em particular, por exposição a dietas ricas em gordura.
 
Durante a pesquisa os cientistas descobriram que, quando os cérebros de machos entravam em estado inflamatório depois de comer muita gordura, eles também sofriam de redução da função cardíaca — e as fêmeas não, o que pode ser respondido pela diferença de receptores de estrogênio.
 
— Devemos começar a sugerir que o sexo seja levado em consideração nas dietas e que os homens devem ser mais monitorados para ingestão de gorduras — diz Clegg.
 
O Globo

Impacto de remédios na natureza faz peixes machos ficarem femininos

Estudos relatam como resíduos de fármacos despejados nas águas afetam comportamento e comprometem espécies de ecossistemas
 
Nós, seres humanos, tomamos paracetamol para dor de cabeça, contraceptivos para evitar a gravidez e Prozac para a depressão. Mas para onde vão os resíduos destas substâncias, uma vez cumprida a sua função?

O corpo humano elimina muitos dos medicamentos que ingerimos através da urina. A urina vai para os esgotos e, depois de atravessar um sistema imperfeito de purificação, os resíduos desembocam nos rios que alimentam o planeta.

Embora as concentrações de drogas na água sejam baixas, as consequências destas para os ecossistemas não deixam de ser preocupantes: desde peixes machos que adquirem características femininas até aves selvagens que perdem a vontade de comer, além de populações inteiras de peixes e outros organismos aquáticos dizimadas.

Diversos estudos sobre o impacto da poluição farmacêutica sobre a vida selvagem apontam que o uso crescente de drogas projetadas para serem biologicamente ativas em baixas doses pode estar causando uma crise global da vida selvagem.

"As populações de muitas espécies que vivem em paisagens alteradas pelo homem estão encolhendo por razões que não podemos explicar completamente", disse a pesquisadora Kathryn Arnold, da Universidade de York, na Inglaterra.

"Acreditamos que é hora de explorar novas áreas, como a poluição farmacêutica."

Foto: AFP/BBC - Estorninhos, como os que voam nos céus de Roma, são
 afetados por drogas encontradas na água
Machos femininos
Para os seres humanos, no entanto, a presença de drogas em baixa concentração na água não é um problema: seria necessário tomar entre 10 milhões e 20 milhões de litros de água da torneira para ingerir medicação suficiente para, digamos, aliviar uma dor de cabeça. No caso dos peixes, a história é outra.

O biólogo John Stumper, da universidade britânica de Brunel, foi um dos primeiros a estudar os peixes machos com características femininas descobertos na década de 90. "A primeira coisa que descobrimos foi que havia muitos peixes nos rios que tinham proteína do sangue que é comumente conhecida como a gema. A síntese desta proteína no fígado é controlada pelo (hormônio) estrogênio", disse a Stumper à BBC.

Ele explica que mesmo os peixes machos - que não produzem quantidades significativas de estrogênio e, portanto, não têm gema - apresentavam uma alta concentração dessa proteína.

"Especialmente aqueles que habitavam os rios perto de uma estação de tratamento ", notou Stumper.
"Uma vez que eram os machos que estavam se tornando mais femininos e não o contrário (fêmeas adotando características mais masculinas), achamos que a causa poderia ser o estrogênio."

Stumper estava certo: estudos posteriores confirmaram que essas mudanças estavam relacionadas à presença de resíduos de contraceptivos na água. "Em nível molecular, os peixes são extremamente semelhantes a nós", disse o biólogo. Assim, quase todos os fármacos para seres humanos têm um efeito sobre os peixes.

Impactos
De acordo com um relatório da Agência Federal Ambiental da Alemanha, as drogas para os seres humanos que mais causam desequilíbrios ambientais são os hormônios, antibióticos, analgésicos, antidepressivos e drogas para combater o câncer.

Entre os medicamentos veterinários, o relatório destaca os hormônios, antibióticos e parasiticidas.

Assim como os hormônios sexuais sintéticos, os antidepressivos se dissolvem em gordura, não na água. Por isso, podem entrar na corrente sanguínea dos organismos expostos à água contaminada.

Um estudo de Kathryn Arnold que deve ser publicado no fim deste mês sugere que este fator está afetando o comportamento e a capacidade dos estorninhos, um tipo de pássaro, de se alimentar.

Arnold e colegas da Universidade de York analisaram como o Prozac impacta essas aves, que se alimentam de lagartas, vermes e moscas em áreas próximas a estações de tratamento de resíduos.

Estes organismos, por sua vez, se alimentam de alimentos encontrados na área - em geral, contendo altos níveis de fármacos, principalmente Prozac.

"No inverno, as aves tendem a consumir um bom café da manhã, beliscar ao longo do dia e comer bem antes de escurecer", disse a pesquisadora.

Sob o efeito do antidepressivo, elas não faziam isso: em vez de duas grandes refeições, elas comiam esporadicamente ao longo do dia e, no cômputo geral, comiam menos.

"Esse comportamento pode afetar o seu peso, os riscos que decidem correr ou não para obter alimentos e como se socializam", afirma a cientista.
"São variações pequenas e sutis mudanças que vão se somando e, no fim, podem comprometer a sobrevivência de uma espécie."

Uso excessivo?
Se o problema tem origem na água de resíduos, talvez a solução passe por reduzir a presença de farmacêuticos que vai parar em rios e córregos. Pode-se, por exemplo, desenvolver métodos mais eficientes de tratamento da água. Mas esta pode ser uma solução cara e gerar um gasto de energia muito elevado.

Ole Phal, professor da Universidade de Glasgow Caledonian, defende uma abordagem que inclua uma discussão sobre a produção e o uso de medicamentos. "Estamos tomando (medicamentos) demais? Estamos utilizando-os corretamente? Existe alguma maneira de se desfazer deles que seja mais benéfica para o meio ambiente?", questiona Phal.

"Precisamos refletir sobre o nosso uso de drogas farmacêuticas."

G1

Sífilis tem novo fluxo diagnóstico

Treponema pallidum
No Dia Nacional de Combate à Sífilis, 18 de outubro, infectologista explica novo diagnóstico

A sífilis é uma doença sexualmente transmissível (DST) capaz de infectar praticamente todos os órgãos e tecidos, provocando as mais variadas manifestações clínicas. A transmissão se dá por contato sexual, por meio de pequenas lesões na pele e nas mucosas, genitais ou extragenitais. Raramente é transmitida por transfusão sanguínea ou pela placenta.
 
O diagnóstico é sempre clínico-laboratorial, mas o exame agora tem uma nova metodologia, que reúne dois tipos diferentes de abordagem simultânea, tornando a confirmação da doença mais efetiva.

De acordo com Alberto Chebabo, médico infectologista do Sérgio Franco Medicina Diagnóstica, os testes de análise devem ser cuidadosamente avaliados em todas as fases. “Os exames são usados rotineiramente e podem ser de duas categorias.
 
A primeira – teste não treponêmico – é a mais importante, pois estabelece o diagnóstico, que, quando positivo, pode ser usado para verificar a eficácia do tratamento.
 
O resultado é obtido depois de quatro a seis semanas de infecção ou uma a três semanas do aparecimento da lesão primária (cancro). No entanto, esse exame não é específico, pois pode dar positivo também para doenças causadas por outros treponemas e agentes infecciosos, como malária, mononucleose infecciosa, lepra, doenças do tecido conjuntivo e autoimunes e hepatite C, e também em grávidas e em idosos”, explica ele.
 
A segunda categoria são os testes treponêmicos, nos quais o antígeno é o próprio treponema ou suas proteínas, com as quais os anticorpos reagem.

A novidade é que os laboratórios estão reformulando o fluxograma dos testes de sífilis e, agora, realizam os dois tipos de exame ao mesmo tempo. “Essa decisão foi tomada para se obter um diagnóstico mais preciso e rápido, tanto da doença ativa quanto de cicatrizes de doença prévia”, esclarece o especialista, que salienta que se percebe um aumento no número total de casos em diferentes regiões do país.
 
No Brasil, as estimativas da Organização Mundial de Saúde (OMS) sobre infecções de transmissão sexual na população sexualmente ativa mostra a sífilis como uma das doenças mais comuns, que atinge cerca de 937 mil pessoas.
 
Alberto Chebabo explica que, clinicamente, a sífilis se apresenta em três fases. A primeira é como uma infecção recente (sífilis primária), em que a lesão inicial é o cancro duro, que aparece duas a seis semanas após a contaminação e desaparece cerca de quatro semanas depois sem deixar cicatrizes, mesmo sem tratamento.
 
A segunda forma, a sífilis tardia, surge após o primeiro ano de evolução e ocorre em indivíduos não tratados ou inadequadamente tratados. Nessa fase, as manifestações podem acontecer na pele, nos ossos, no coração, no cérebro e em outros órgãos.
 
Na sífilis secundária há a disseminação dos treponemas pelo organismo. “Como a primeira e a segunda fases são separadas por um período latente e sem sintomas, a doença pode ser altamente destrutiva e levar a complicações graves e até à morte”, diz o infectologista.
 
Já a terceira fase se caracteriza por lesão em estruturas, principalmente do sistema nervoso central. “Vale ressaltar que esta é uma doença altamente transmissível, sem vacina, e cujo tratamento é curativo. Mas, para tanto, é necessário diagnóstico precoce”, finaliza.
 
Priscila Pais
Assessoria de Imprensa

Comer mais gordura pode ser bom para a saúde

Foto: DNY59 / iStock
Ao contrário do que diz o senso comum e os conselhos de muitos médicos dos últimos anos, comer mais gordura pode ser benéfico para a saúde
 
Diversos estudos recentes apontam para o fato de que certos tipos de gorduras – e não todos - podem sair da lista de "vilões", seja para quem quer emagrecer ou evitar problemas cardíacos, afirma o médico Michael Mosley, que apresenta o programa da BBC Trust me, I'm a Doctor (Confie em mim, eu sou médico, em tradução livre).
 
"Essas pesquisas são o tipo de notícia que faz com quem você queira jogar na pia aquele leite desnatado que você usa no seu cappuccino", diz Mosley.
 
Se a crença era a de que gorduras saturadas criavam coágulos nas artérias e engordavam, novas evidências mostram que consumi-las pode, na verdade, ajudar a perder peso e ser benéfico para o coração.
 
No início do ano, por exemplo, um estudo liderado pela British Heart Foundation causou polêmica. Cientistas de Oxford, Cambrige e Harvard, entre outros, examinaram a ligação entre o consumo de gordura saturada e doenças cardíacas.
 
Apesar de analisar o resultado de quase 80 estudos envolvendo mais de meio milhão de pessoas, eles não encontraram evidências convincentes de que comer gorduras saturadas implicava em um maior risco de problemas cardíacos.
 
Mais do que isso, quando analisaram os testes sanguíneos, eles descobriram que altos níveis de gorduras saturadas estão associados com menor risco de doenças coronárias. E isso é válido especialmente ao tipo de gordura saturada encontrada no leite e outros laticínios, conhecido como "ácido margárico".
 
A pesquisa provocou desconfiança por parte de alguns especialistas, que temem que o resultado possa confundir as pessoas e que passe não uma mensagem de que é ok consumir mais de algumas outras formas de gordura, mas sim de que é ok comer muito mais gordura saturadas até em doces.
 
E isso é preocupante, segundo eles, porque é sabido que os altíssimos níveis de obesidade no mundo vem sendo inflamado por petiscos como muffins, bolos e salgadinhos, todos com altos índices de gordura, açúcar e caloria.
 
A professora Kay-Tee Khaw, do Departamente de Saúde Pública da Universidade Cambridge, foi enfática ao dizer que a pesquisa não é uma licença para se encher de junk food. Mas ela concordou que os resultados tornam o cenário nutricional mais complicado.
 
"É complicado no sentido de que algumas comidas que têm muita gorduras saturadas parecem reduzir doenças cardíacas."
 
Segundo ela, há fortes evidências de que comer oleaginosas algumas vezes por semana reduz o risco de males do coração, apesar de conterem gorduras saturadas e insaturadas. A pesquisadora afirma ainda que as provas disso são menos fortes em relação a laticínios, e vê poucos problemas no consumo de manteiga e leite.
 
Mas, deixando de lado as questões cardíacas, de qualquer jeito, gorduras são ruins porque engordam, certo? Não necessariamente.
 
Um estudo recente produzido pelo Scandinavian Journal of Primary Health Care, intitulado "Alto consumo de gordura de laticínios ligado a menos obesidade" questiona essa relação.
 
No estudo, pesquisadores analisaram 1.589 suecos por 12 anos. Os que seguiram uma dieta baixa em gorduras – cortando manteiga, leite desnatado e cremes – tinham mais tendência a terem excesso de peso na região abdominal do que os que consumiam manteiga, leite A e creme de leite.
 
Uma das razões para isso pode ser o fato de que consumir gordura faz a pessoa se saciar rapidamente, então, quando ela é cortada da dieta, o que se faz é substituir (conscientemente ou não) calorias com outros alimentos. E frequentemente essa substituição vem em forma de carboidratos como pão branco e massas.
 
Calorias
O que se está concluindo até o momento é que não está liberado comer frituras ou colocar creme em tudo, porque mesmo o coração não sendo prejudicado pelo consumo de gorduras, já está provado que ele é sim afetado por uma alta ingestão de calorias.
 
"Acredito que a maioria das gorduras saturadas, especialmente a de alimentos processados, não são saudáveis", disse Michael Mosley. "Mas eu voltei a consumir manteiga, iogurte grego e leite semidesnatado, além de estar comendo muito mais castanhas, nozes, peixes e vegetais".
 
Terra

Entenda como bactérias da boca podem chegar ao coração

Sem o devido cuidado, muitas infecções e problemas bucais podem se transformar em doenças sérias do coração e do corpo
 
A boca é uma verdadeira colônia de bactérias, que se fixam na superfície dos dentes, nas próteses ou na própria mucosa, formando o biofilme. Esses micro-organismos, se acumulados, podem causar doenças locais, como a cárie, a gengivite e a periodontite, mas também podem desencadear problemas em outras partes do corpo. 
 
Depois de uma cirurgia na boca, uma limpeza de tártaro ou ainda se uma pessoa ignora uma infecção, pode acorrer a bacteremia transitória. Isso acontece quando as bactérias acham uma saída na boca para entrar na corrente sanguínea, com acesso a todo o corpo. “A presença de bactérias na corrente sanguínea pode causar problemas graves quando atinge o coração, como a endocardite bacteriana”, diz Alessandro Silva, cirurgião buco maxilo facial e diretor da clínica Interclin. 
 
Essa doença é uma infecção causada por bactérias, que ocorre nas válvulas cardíacas ou nos tecidos do coração, e pode ser mais grave se o paciente tiver próteses cardíacas ou alguma má-formação do coração. Segundo um estudo feito pela Universidade Federal do Piauí, o índice que mortalidade da endocardite é de 21% em pacientes com má-formação cardíaca e de 50% em pacientes com próteses. 
 
Outros problemas pelo corpo
Para piorar, essas bactérias bucais podem causar outras infecções tão ruins quanto a endocardite. “E aí elas acabam sendo muito mais difíceis de serem tratadas, pois não estão em seu ambiente natural e, por isso, não há inimigos naturais para auxiliar no combate”, diz Alessandro.  
 
Pneumonia a artrite reumática são algumas das doenças que as bactérias da boca, uma vez na corrente sanguínea, podem causar. No caso da pneumonia esses micro-organismos levam a infecção para os pulmões, já na artrite, eles inflamam as articulações. 
 
Prevenção e o papel do dentista
O papel do cirurgião-dentista é fundamental quando se trata de prevenir que as bactérias da boca circulem pelo corpo. Ensinar como fazer uma higienização bucal correta e frequente (com a utilização de fio dental e raspadores de língua) é o primeiro passo, tanto para prevenir infecções, quanto para evitar intervenções cirúrgicas. “O cirurgião-dentista também deve ser devidamente treinado para diagnosticar os pacientes que possuem fatores de risco e tratá-los com mais cautela”, diz Alessandro. 
 
Terra