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terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Sal sem sódio pode ser pior que tradicional para quem tem pressão alta

Apesar de aprovado pela Anvisa, alimento não é indicado para hipertensos que consomem remédio poupador de potássio
 
A indústria teve uma boa ideia ao inventar um salgante sem sódio, que contém apenas potássio. De fato, ele salga e não acrescenta o elemento que aumenta a pressão arterial de muitos. No entanto, especificamente para o grupo de pessoas hipertensas ou com insuficiência cardíaca que tomam remédios poupadores de potássio, substituir o sódio pelo salgante com potássio pode ser muito perigoso.

O perigo vem porque há um aumento considerável da ingestão de potássio e o excesso desse mineral provoca arritmias cardíacas (batimentos anormais do coração) levando até mesmo à morte.

O cardiologista do Hospital 9 de Julho Marcelo Paiva confirma que a redução do sódio faz bem aos hipertensos. Mas não adianta susbstitui-lo pelo potássio. “Assim, a pessoa estaria trocando um problema pelo outro.”  Por essa razão o médico defende que, para quem tem algum problema de saúde, o salgante de potássio só deve ser usado sob supervisão médica.
 
A preocupação se concentra em pessoas que tomam os remédios que poupam potássio, que são divididos em duas classes: os inibidores de ECA - enzima conversora de angiotensinogênio (como espironolactona, captopril, enalapril, ramitril) e os bloqueadores de receptores da angiotensina (valsartan e candesartan). Esses remédios seguram o potássio dentro do corpo, diminuindo a pressão arterial. Só que quando há uma ingestão de potássio maior do que aquela que vem naturalmente na dieta (como na banana, batata e outros alimentos), o organismo entende que deve poupar todo aquele potássio. E pode acontecer a hipercalemia ou intoxicação por potássio, condição séria e que se torna uma emergência médica.
 
O excesso de potássio causa fadiga muscular a ponto de a pessoa não conseguir segurar uma caneta.
 
Além disso – e bem mais perigoso – o potássio é um condutor do estímulo elétrico. A descompensação desse mecanismo faz o coração correr risco sério, com arritmias graves. De uma hora para a outra, ele simplesmente pode parar.
 
Para Daniel Magnoni, nutrólogo e cardiologista do Hospital do Coração (HCor), o sal sem sódio não é vilão. Mas também não é mocinho. “Não é simplesmente pegar na prateleira e consumir. Tem de consultar um médico antes”, recomenda. “Algumas pessoas estão dizendo que esse sal não causa problema algum. Não concordo. Entendo que é um ganho muito positivo no tratamento nutricional, mas esse ganho deve ser indicado para o paciente por um médico”, pondera.
 
Para quem não apresenta nenhum problema de saúde e nem toma remédio poupador de potássio, os cardiologistas explicam que o salgante de potássio não trará problemas. 
 
Quem tem problemas renais também deve passar longe
Mas não é só quem toma remédio poupador de potássio que deve ficar longe desse tipo de sal. Quem tem insuficiência renal ou outro problema no rim também deve manter distância do tempero. O que tranquiliza o médico é que normalmente quem tem algum problema renal é bem orientado pelo médico quanto às restrições ao potássio. O maior grupo de risco, portanto, são pessoas que tomam o medicamento que poupa potássio mas nem sonham que essa é justamente uma das funções do remédio.
 
Consultada, a nutricionista Bruna Melo, da Biossalgante – uma das empresas que fabricam o sal sem sódio, apenas com potássio –, explicou que avisos de restrições não estão presentes no rótulo do salgante por ele ser um alimento, não remédio. Por essa razão, a Anvisa não exige essa explicação.
 
A Anvisa, por meio de nota, confirma a informação. Segundo a agência, existem outras 50 marcas de salgantes isentos de sódio já aprovadas e, por não ser um medicamento, mas sim um alimento, não precisam ter indicações terapêuticas no rótulo.
 
Sal light também não é completamente inofensivo
O cardiologista do Hospital Samaritano José Renato das Neves explica que o sal light – já antigo no mercado e conhecido por conter 50% de cloreto de sódio e 50% de cloreto de potássio – também não é isento de riscos às pessoas que tomam remédios poupadores de potássio e com problemas renais.
 
“O ideal é reduzir o sódio e lembrar que os produtos industrializados já contêm muito sódio, como os refrigerantes diet, embutidos. A água de coco de caixinha, por exemplo, tem muito mais sódio do que a natural”, complementa.
 
Ele ressalta que o potássio é importante para o equilíbrio do organismo, mas defende que o consumo seja feito a partir de produtos naturais. “Muitos alimentos contêm potássio naturalmente, então não é necessário acrescentar por meio de uma suplementação extra, como esses tipos de sal”, diz ele. A solução segura para todos, portanto, é reduzir o consumo de sódio, tanto para controlar a hipertensão como para preveni-la.
 
iG

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Novo tributo é saída para sustentabilidade do sistema de saúde, diz Chioro

Diante da perspectiva de um ano difícil, em que o reajuste do orçamento de sua pasta será ínfimo, e sem promessa de dinheiro novo, o ministro da Saúde, Arthur Chioro, defende a discussão sobre a criação de uma contribuição para financiar o setor
 
"É o caminho para garantir a sustentabilidade do sistema integral e universal, que cada vez custa mais caro."
 
A medida poderia ajudar a reparar o baque sofrido no setor em 2008, com o fim da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). Em entrevista ao Estado, o ministro afirma ser contrário a planos de saúde com mensalidades baixas e defende uma mudança nas agências reguladoras, que devem seguir as políticas norteadas pela pasta. "Elas são executoras."
 
O reajuste do orçamento da Saúde é calculado de acordo com a variação do PIB, que foi ínfima. Como o senhor vai fazer?
Há um piso constitucional, que é pequeno. Este ano será de muita dificuldade para o governo e para a sociedade brasileira. Não há perspectiva de novos recursos. E mesmo que eles surgissem, isso valeria apenas para o próximo ano. Além disso, há o compromisso que recurso extra será encaminhado para o Mais Especialidades. Temos de fazer escolhas.
 
O senhor defende uma contribuição para a Saúde?
Esse é um debate que a sociedade brasileira e o Congresso Nacional têm de fazer. Todos os países do mundo estão se deparando com esse desafio. Até para garantir sustentabilidade econômica e financeira do sistema, a médio e longo prazo. Hoje o grande desafio que a gente tem não é apenas dizer para a sociedade que ela tem de pagar mais ou contribuir mais. Temos de dar garantia para a sociedade que estamos gastando da melhor forma possível, mais eficiente, mais transparente. O debate é sobre a sustentabilidade do sistema de saúde. Cada vez custa mais um serviço universal e integral. Fora disso é barbárie. É jogar as pessoas, o acesso à saúde, à lógica de mercado.
 
É o que acontece com planos de saúde?
Existe uma lógica de mercado. Existe um custo. O que não dá é as pessoas quererem ter o plano de saúde e não pagar o valor real. É o famoso "finjo que estou te cobrando" e você "finge que está pagando". No final das contas, fica um jogo entre um que não quer que use e outro que quer usar.
 
O senhor é contrário ao plano de saúde popular, com mensalidades baixas?
Qual o tamanho do sistema de saúde suplementar? O que importa é que ele tenha um tamanho que seja suficiente para ter um equilíbrio econômico e financeiro. Paga quem pode pagar, e se entrega aquilo que se comprou. E o restante da população usa um serviço público de qualidade. Esse é o desenho que busco. O plano de saúde tem de atender às necessidades da população. Vamos fazer uma saúde suplementar de mentirinha? Com planos pop? Ou vamos fazer um produto que tenha um custo real e que o consumidor receba o atendimento devido. Uma parte significativa da nova classe média imaginava que os planos de saúde resolveriam todos seus problemas.
 
Quais foram as encomendas da presidente Dilma?
São cinco prioridades. Ajuste do Mais Médicos, o Mais Especialidades, modernização da máquina administrativa. Vamos também lidar com Sistema Nacional de Saúde. Cuidar da área pública, saúde suplementar, do que ocorre no sistema privado. É o caso, por exemplo, das medidas para frear o número de cesáreas. E investir pesadamente na prevenção, sobretudo diante do envelhecimento da população, do maior risco de doenças crônicas, o aumento da violência. Eu preciso deixar de ser o ministro da doença para ser de fato o ministro da saúde. Prevenção deve ser prioritária.
 
Quando o Mais Especialidades será lançado?
A ideia é apresentar para a presidente Dilma a proposta neste primeiro trimestre. O programa terá uma lógica incremental, com lançamento gradual. A prioridade não será construção de prédios. Vamos usar o que está aí, na rede pública, filantrópica e privada. Há capacidade ociosa. Estamos fazendo um diagnóstico de todas as regiões. Já sabemos que o Mais Especialidades não terá a mesma cara em todas as regiões do país.
 
O ministério vai começar com qual especialidade?
Há dois fortes candidatos: traumato-ortopedia e oftalmologia. Fizemos uma pesquisa com usuários, para saber quais são as maiores queixas, as maiores deficiências. E estamos ouvindo gestores. Vamos oferecer também o especialidades para atendimento continuado, para pacientes que certamente vão precisar de atendimento com médico de especialidade ao longo da vida, como pessoas com insuficiência renal, por exemplo. Há um terceiro grupo, o de tratamento para pacientes com câncer.
 
Parece haver muito a definir...
Vamos gastar o tempo que for necessário para o planejamento adequado.
 
De onde virão os recursos?
Não será do orçamento atual. Fundamentalmente, virão de recursos oriundos do pré-sal.
 
Eles ainda não existem. Será uma espécie de empréstimo?
Vamos ver qual será a orientação da presidente Dilma. Para isso, precisamos saber quanto o programa vai custar, e estamos nos apropriando.
 
Médicos estrangeiros serão contratados?
Não trabalhamos com a possibilidade de recrutar médicos do exterior. Cruzamentos de cadastros mostram que temos profissionais disponíveis na maior parte das regiões.
 
Mas com interesse em trabalhar? Se não aconteceu com o Mais Médicos, por que aconteceria com o Especialidades?
Mas aconteceu com a alta complexidade. A formação médica brasileira é essencialmente voltada para especialidades. Temos um contingente de especialistas na rede privada, na rede pública, que nunca rodou porque não tinha política.
 
Haverá novo recrutamento de estrangeiros para Mais Médicos?
Vamos apresentar na próxima semana uma proposta de ajuste. A expansão para municípios que não participaram da primeira fase, a incorporação de profissionais que participam do Provab, a residência médica no SUS. A oferta terá de ser reajustada, com expansão, reposição de profissionais. E será feito da mesma forma. Primeiro com oferta para brasileiros, depois para estrangeiros.
 
O Estado de S. Paulo.

Viroses e verminoses

Ficar doente durante o período de descanso é muito desagradável. Para evitar o problema, a população precisa tomar certas precauções

Um dos diagnósticos mais comuns passados por médicos que atuam nas áreas de pronto-socorro de hospitais é o de virose. Quando um paciente apresenta sinais de febre, vômito e mal-estar, a chance de sair da emergência com esse quadro detectado é grande. Há quem enxergue o diagnóstico com desconfiança, como se fosse um pretexto para quando não se identifica precisamente o que há de errado no organismo. Mas, afinal, viroses realmente existem?

De acordo com a gerente médica da Bayer, Dra. Juliana Machado, sim. Mas a desconfiança tem certa justificativa, já que não é possível ter precisão do problema. “Antigamente, como não havia métodos diagnósticos exatos, qualquer doença que causasse mal-estar, vômitos ou diarreia, era classificada de maneira genérica como virose”, explica, acrescentando que, inclusive hoje em dia, pode haver dúvidas quanto ao quadro clínico. “Virose é qualquer doença causada por vírus, que muitas vezes não chega a ser identificado, e é caracterizada como sendo autolimitada, ou seja, o próprio organismo tem a capacidade de se curar sozinho.”

A doença pode inclusive ser confundida com uma verminose, que possui sintomas similares, apesar da origem distinta. Verminoses são causadas por diferentes vermes parasitas que se instalam no organismo. Em geral, eles se alojam nos intestinos, mas podem abrigar-se também em órgãos, como fígado, pulmões e cérebro. A transmissão ocorre por meio da ingestão de água e alimentos contaminados ou a partir de pequenos ferimentos na pele.

Outro motivo que aproximam os dois males é que ambos têm maior incidência no verão. “Nesta época, as pessoas costumam frequentar praias e piscinas e, às vezes, a higiene destes locais não é adequada. O maior risco de contágio se dá pela ingestão de alimentos ou água contaminada”, relata a Dra. Juliana.

Além das condições sanitárias e da aglomeração de pessoas nos locais de lazer, a quebra de rotina que o período de férias traz também pode esconder algumas armadilhas. Sol, mar, calor, areia e dieta pouco saudável, por exemplo, são fatores que contribuem para um desgaste maior do organismo, dando chance para os ataques dos vírus. “As pessoas ficam menos estressadas e mais desatentas a pequenos cuidados que poderiam evitar a doença”, ressalta a clínica geral do Hospital Samaritano, Dra. Mariana Veloso.

Fonte: Guia da Farmácia-Edição 266

Crianças: Atenção redobrada

Foto: Shutterstock
Alergias, cólicas, assaduras e febres são os principais problemas enfrentados pelos pais no dia a dia das crianças. Saber reconhecer cada desconforto é fundamental para auxiliar os consumidores que buscam por alívio imediato
 
São inúmeras as patologias que acometem os bebês nos primeiros meses de vida. Na grande maioria das vezes, o caso é simples, mas importante o bastante para deixar qualquer mãe preocupada.

Quando os sintomas de desconforto aparecem (febre, tosse, vermelhidão, espirros, entre outros), são um conjunto de manifestações que ocorrem em decorrência de uma determinada doença. Assim, é preciso tratar a doença e não o sintoma. O retardo no tratamento de um problema pode ter uma evolução mais séria, principalmente, quando se tem a falsa sensação de cura, quando é feita a automedicação.

Nesta época do ano, são corriqueiros os quadros de diarreia aguda em que os vírus se tornam muito comuns, podendo chegar a quadros de desidratação se não controlados. “Portanto, nessa situação, os bebês devem ingerir muito líquido, soro de hidratação oral e dieta obstipante. Outro quadro comum nesta época são as queimaduras na pele provocadas por excesso de exposição ao sol. Os pais precisam estar atentos aos horários para que a exposição não seja prejudicial, além de realizar a aplicação do protetor solar”, afirma a pediatra do Hospital e Maternidade Santa Joana, Dra. Daniela de Melo Miranda Gonçalves.
 
Patologias mais comuns
Para entender mais o universo dos bebês veja a seguir, os problemas que podem surgir e assustar os pais. As informações foram concedidas pela pediatra do Hospital Albert Einstein, Dra. Milena de Paulis.

Alergia alimentar: é uma reação imunológica exagerada do organismo a um determinado alimento (principalmente leite de vaca, crustáceos, amendoim e nozes) ou aditivo alimentar (corantes, como a tartrazina, sulfitos e glutamato monossódico). Acomete, principalmente, as crianças menores de três anos de idade (cerca de 7%), mas, também, ocorre nos adultos, em porcentagem menor (3%).
 
Podem ocorrer desde reações simples, como coceira nos lábios até reações graves, como a anafilaxia, que é potencialmente fatal. Existem medicamentos específicos para o tratamento dos sintomas da crise aguda; para os casos leves, estão indicados os antialérgicos e para os casos de anafilaxia, é necessária a aplicação de adrenalina na forma de injeção intramuscular.
 
Alergia de pele: geralmente chamada de dermatite atópica, é uma doença crônica, não contagiosa, que causa inflamação da pele, caracterizada por prurido, ressecamento generalizado e lesão avermelhada (eczema) simétrica atrás dos joelhos, cotovelos, face e pescoço. Algumas vezes, pode minar água dessas lesões. Seu início é precoce, no primeiro ano de vida, quando são introduzidos os primeiros alimentos, como, por exemplo, o leite de vaca.
 
Rinite: inflamação crônica da mucosa do nariz, acompanhada por crise de espirros, coriza, prurido e obstrução nasal, geralmente desencadeada após exposição aos alérgenos (poeira, ácaros, fungos, pelo de animais, como cão e gato), fumaça de cigarro e mudanças bruscas de temperatura. Tem fator hereditário.
 
Pode causar infecções bacterianas, como otite (inflamação nos ouvidos) e sinusite (inflamação das cavidades existentes na face). A obstrução nasal causa roncos e faz com que a criança não durma bem à noite e respire pela boca.
 
Asma: é uma doença inflamatória crônica dos brônquios com períodos agudos, com aumento da produção de secreção, falta de ar e chiado no peito. Há uma reatividade exagerada do indivíduo a diversos estímulos, como partículas alergênicas, irritantes, poluentes, exercícios físicos, mudanças de temperatura ambiente.
 
Se não tratada adequadamente, a asma pode causar desde quadros leves de dificuldade para respirar até quadros graves com insuficiência respiratória e morte. Para o alívio imediato do chiado e da falta de ar, a inalação com o broncodilatador é essencial porque age diretamente nos brônquios. O corticoide também é um aliado do broncodilatador no alívio da inflamação dos brônquios.
 
Assaduras: são uma inflamação da pele causada pelo calor e umidade da fralda, geralmente devido a urina e fezes que ficam em contato com a pele do bebê. Também podem ser causadas pelo uso excessivo de lenços umedecidos, sabonetes e antibióticos. Não têm fator hereditário envolvido.
 
Se não tratadas adequadamente, causam dor, irritabilidade e podem causar infecções de pele. Para aliviar o problema, recomende ao consumidor aumentar a troca das fraldas; usar fraldas com gel superabsorvente; não usar lenços umedecidos (os componentes podem irritar ainda mais a pele do bebê); lavar a região com água morna e algodão. Pode-se fazer compressa fria para aliviar a dor.
 
Cólica do bebê: é uma dor abdominal aguda espasmódica, que se caracteriza por choro súbito inexplicável e inconsolável (pode durar horas). O bebê se estica, fica vermelho, flete as coxas sobre o abdome e os pais ficam bastante ansiosos.
 
Não se sabe a causa exata, mas pode ser por imaturidade do intestino, excesso de gases, aumento da motilina (hormônio que aumenta a contração intestinal), temperamento da criança, ansiedade dos pais, personalidade da mãe, problemas na dinâmica familiar. O tipo de aleitamento, seja materno ou artificial, não influencia em ter mais ou menos cólica.
 
Fonte: Guia da Farmácia-Edição 265

Caminhar ou pedalar diariamente ajuda a alcançar dose mínima de atividade física

Exercitar-se enquanto se desloca é um caminho para ser mais ativo
 
Vento no rosto, liberdade de horários e uma solução para a tal falta de tempo à qual muita gente recorre para escapar da academia. A mobilidade urbana ativa, em que os deslocamentos pela cidade são feitos à pé ou por bicicleta, principalmente, tem ganhado mais adeptos, mesmo com uma infraestrutura precária, que ainda coloca em risco a população sob duas rodas.
 
A bicicleta, no atual cenário das grandes cidades, é essencial para a implantação do conceito de mobilidade urbana sustentável como forma de inclusão social, de redução de agentes poluentes e de melhoria da saúde da população. Deslocar-se ao mesmo tempo em que se exercita tem comprovados ganhos do ponto de vista da saúde pública.

Caminhar ou pedalar no trajeto para o trabalho, por exemplo, mesmo que de forma fracionada, melhora a pressão arterial e os índices de colesterol e glicose, além de colaborar para a perda de peso. A inatividade física é a quarta causa de mortalidade do planeta, pois está diretamente relacionada a doenças cardíacas crônicas, como derrame, diabetes e câncer.
 
A cada ano, essas patologias resultam em mais de três milhões de mortes que poderiam ser evitadas, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS). As estimativas mundiais mais recentes indicam que 60% da população está exposta a riscos de saúde por não manter uma atividade física adequada.

Hoje, o nível recomendado é de, pelo menos, 150 minutos semanais de exercício físico de intensidade moderada ou de, pelo menos, 75 minutos semanais de exercício físico de intensidade vigorosa. Segundo o cardiologista e médico do esporte Marconi Gomes, grande parte dos deslocamentos diários nas maiores cidades é de cinco a sete quilômetros, distância facilmente alcançada por bicicleta, se existisse melhor infraestrutura urbana.
 
A atual não é impeditiva, mas poderia ser melhor, já que temos relevo mais acidentado, muitos carros e poucas ciclovias. Mas o especialista alerta para a importância de se exercitar no mínimo duas vezes por semana. “Exercício físico é remédio, tem dosagem mínima, ótima e em excesso, mas nunca pode ser tomado em dose única. Um dia por semana não ajuda muito e pode ser perigoso. Por isso a mobilidade urbana ativa é tão atraente: é diária, repetitiva e regular”.
 
Há três anos, a assessora de ação educativa Bianca Spósito Barreto, de 36 anos, percebeu uma falta de sentido em recorrer ao ônibus ou ao carro para percorrer distâncias curtas. Adotou a bicicleta como meio de transporte e ganhou em saúde, qualidade de vida e tempo.
 
“Antes, ficava presa no trânsito, nervosa com a cidade toda parada. Hoje não gasto com transporte – apesar de a bicicleta exigir manutenção, faço exercício e tenho mais liberdade de locomoção, pois não dependo do tempo definido pelo sistema público de transporte”, defende. Ela, inclusive, adotou uma bicicleta sem marchas para o percurso de casa para o trabalho, para se exercitar ainda mais.

Tendo em vista a importância do incentivo à mobilidade mais sustentável e os crescentes problemas que o sedentarismo vem causando na saúde pública, a campanha Mobilidade urbana ativa: meu motor é o coração, da Sociedade Mineira de Medicina do Exercício do Esporte (Smexe), incentiva um modelo de cidade saudável em que as pessoas podem manter-se fisicamente ativas ao mesmo tempo em que se deslocam para o trabalho ou escola.
 
Para isso, é preciso mudar a cultura do belo-horizontino, que recorre à falta de ciclofaixas e à imagem do relevo acidentado para justificar a não adesão às bikes. Segundo Marconi, não criamos a cultura do deslocamento com bicicletas, possivelmente, porque no início da sua existência elas eram pesadas e não tinham marchas, além do apelo para se ter um automóvel. Que tal dar uma nova chance às magrelas?

Intensidade do exercício
Leve - é possível manter uma conversa

Moderado - a fala fica entrecortada pela respiração

Vigoroso - » a fala fica ofegante
 
Saúde Plena