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sábado, 11 de abril de 2015

Instituto Butantan prepara última fase de testes de vacina contra o dengue

Reprodução: Vacina contra a dengue
O Instituto Butantan está esperando uma autorização para iniciar em breve a última fase de testes de uma vacina que desenvolveu contra o dengue, que agora será experimentada em 17.000 pessoas após ter sido testada com sucesso em um pequeno grupo de voluntários
 
O Butantan informou em comunicado que solicitou nesta sexta-feira autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para iniciar a terceira e última fase dos experimentos clínicos com humanos.
 
A fase decisiva prevê experimentos em humanos em grande escala e o Butantan já começou a recrutar 17.000 voluntários nas diferentes regiões do Brasil, dos quais 11.330 serão imunizados com a vacina e o restante receberá um placebo.
 
O instituto, que simultaneamente testa a segurança e a eficácia da vacina com 300 voluntários - dos quais 175 já foram vacinados -, informou que tem todas as doses necessárias para esta nova fase de desenvolvimento da vacina.
 
Segundo o instituto, caso seja autorizada pela agência reguladora, a nova fase pode antecipar em dois anos o final dos estudos e permitir que a vacina esteja disponível para a população brasileira já em 2016.
 
A vacina, testada com sucesso também em laboratório e com animais, foi desenvolvida pelo Instituto Butantan, um centro de estudos médicos vinculado ao governo do estado de São Paulo, e se caracteriza por ser de dose única e tetravalente, ou seja pode protegar a população contra os quatro tipos de dengue (1, 2, 3 e 4).
 
Segundo o organismo, a antecipação da terceira fase não elimina os outros períodos do estudo nem flexibiliza o rigor e os critérios de segurança exigidos nos experimentos com remédios.
 
O diretor do Butantan, Jorge Kalil, destacou que, além de oferecer a primeira vacina formada e de eficácia comprovada contra o dengue, o projeto permitirá que o medicamento seja produzido no país e atenda gratuitamente a toda a população.
 
Atualmente o Butantan tem capacidade para produzir até 500.000 doses da vacina por ano, mas o instituto tem um projeto para construir uma sede capaz de produzir até 60 milhões de doses por ano.
 
"Estudos realizados nos Estados Unidos com uma vacina semelhante indica que o imunizante biológico desenvolvido pelo Butantan é seguro e potencialmente eficaz. Tudo indica que se trata da melhor e mais eficaz vacina em desenvolvimento no mundo para combater todos os tipos de vírus do dengue", segundo o comunicado do organismo.
 
Além do Butantan, o Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Biomanguinhos), vinculado ao Ministério da Saúde, está estudando desde 2009 uma nova vacina contra o dengue que desenvolveu em associação com o laboratório privado GSK.
 
Como ainda não existe vacina contra o dengue, a única ferramenta disponível até agora para prevenir a doença é a eliminação dos focos em que se cria o mosquito Aedes aegypti, que transmite o vírus responsável pela doença.
 
EFE / Terra

Beber socialmente é saudável APENAS para 15% da população

É comum a gente ouvir por aí que o consumo moderado de álcool é “bom para as pessoas”. Mas a verdade é que ninguém sabia o por quê, e a determinação de “moderada” também foi dada de maneira arbitrária
 
Aperitivo
Um novo estudo envolveu 618 suecos com doença coronariana e um grupo de 3.000 indivíduos saudáveis de controle. Os indivíduos foram divididos em várias categorias com base na quantidade de álcool que consumiam periodicamente. Depois, foram testados, a fim de identificar um genótipo particular (CETP TaqIB) que estudos anteriores sugeriram desempenhar um papel nos benefícios para a saúde do consumo de álcool.
 
Os resultados mostraram que o consumo moderado de álcool ajuda as pessoas a se protegerem contra doenças coronárias…
 
Espera eu molhar o bico
…APENAS SE as pessoas tiverem o genótipo.
 
Em outras palavras, como explica o professor Dag Thelle, da Universidade de Gotemburgo, na Suécia, o que esse resultado aponta é que o consumo moderado de álcool tem um efeito protetor em apenas 15% da população em geral.
 
Sendo assim, os pesquisadores acreditam que o conselho dado frequentemente sobre os benefícios para a saúde do consumo moderado de álcool é muito radical. Porque ele infelizmente não vale para todo mundo.
 
De acordo com o professor sueco Lauren Lissner, que também participou do estudo, o consumo moderado de álcool, sozinho, não tem um efeito protetor muito forte, pelo menos não a ponto de ser considerável ou de servir de desculpa. “Nem este genótipo específico”, ele explica. “Mas a combinação dos dois aparece para reduzir significativamente o risco de doença cardíaca coronária”.
 
Mecanismos desconhecidos
Os códigos de genótipos para a proteína de transferência de Cholesterylester (CETP) afetam o conhecido como “bom” colesterol (HDL), e têm mecanismos cardio-protetores que ajudam a remover o excesso de lipídios dos vasos sanguíneos. Uma hipótese é a de que o álcool afeta de alguma maneira a CETP, e isso beneficia o colesterol HDL.
 
A segunda hipótese é que o álcool contém antioxidantes protetores saudáveis.
 
Os pesquisadores acreditam que uma ou ambas as hipóteses podem se provar corretas, mas os mecanismos pelos quais o colesterol HDL ou efeitos antioxidantes do álcool poderiam atuar permanecem desconhecidos.
 
Mais um passo
“Nosso estudo representa um passo na direção certa”, comemora o professor Thelle. Mas muito mais pesquisa ainda é necessária.
 
Partindo do princípio de que a ciência já é capaz de descrever esses mecanismos, o próximo passo é realizar testes genéticos e determinar se uma pessoa pertence ou não ao grupo dos 15% sortudos.
 
Mas a coisa mais importante de todo esse estudo é identificar novos meios de utilizar os recursos do corpo para prevenir a doença cardíaca coronária.
 
Um brinde aos estudos que ainda não foram feitos, mas a gente já considera muito. De coração.
 
science20 / Hypescience

Conheça os diferentes tipos de açúcar e saiba em quais alimentos ele está escondido

Reprodução: Existem vários tipos de açúcar
Está enganado quem pensa que consumi-lo se resume às colheres para adoçar o café e o chá
 
Cada vez mais populares, os açúcares diferentes do tradicional refinado são opções consideradas levemente mais saudáveis pelos especialistas. Mas, fique atento: não há diferença de calorias:
 
Mascavo: com cor caramelo e textura mais úmida, o produto não passa pelo processo de refinamento do açúcar branco, conservando mais vitaminas e minerais.
 
Cristal: possui grãos maiores e transparentes pelo processo de refinamento leve, sendo mais difícil de dissolver nos líquidos.
 
Orgânico: do plantio à industrialização, não são utilizados ingredientes artificias, e o resultado é um produto mais grosso e escuro, além de conter mais vitaminas e minerais.
Segundo o cardiologista e nutrólogo Daniel Magnoni, se for escolher algum açúcar na dieta, prefira os menos refinados, como o mascavo.
 
Onde você menos imagina
Está enganado quem pensa que consumir açúcar se resume às colheres para adoçar o café e o chá. Existem alimentos que nem são tão doces e estão cheios da substância:
 
— Biscoitos salgados, catchup, bolachas recheadas, cereais matinais, molhos condimentados para salada, sucos industrializados, gelatina e barras de cereal são alguns dos alimentos que escondem o açúcar.
 
— A nutricionista Sophie Deram recomenda atenção ao consumo de todos os alimentos processados e industrializados. Alguns iogurtes, por exemplo, parecem naturais, mas têm muito açúcar. A dica é sempre olhar o rótulo.
 
— Atenção especial à alimentação das crianças. Os produtos prontos voltados para esse público geralmente têm muito açúcar, alerta a nutricionista e professora Avany Fernandes Pereira.
 
Zero Hora

Ganho de peso é um dos principais malefícios do consumo de açúcar

Foto: Ricardo Chaves / Agencia RBS
Relação do alimento com obesidade e a mortalidade por doenças não transmissíveis também preocupa médicos
 
Se o consumo for maior que o gasto de energia diária, o excesso contribui para o aumento de peso.
 
De acordo com dados da pesquisa Vigitel 2013, feita pelo Ministério da Saúde e pelo Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde da USP, 50,8% dos brasileiros estão acima do peso ideal e 17,5% são obesos. Os percentuais são 19% e 48% superiores aos registrados em 2006, quando a proporção de pessoas acima do peso era de 42,6% e de obesos era de 11,8%.
 
— O açúcar faz parte de uma alimentação variada. Ele não pode ser visto como o único responsável — ressalta Avany Fernandes Pereira, nutricionista e professora associada da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
 
De forma a isentar o açúcar, o nutrólogo e cardiologista Daniel Magnoni busca referência em estudos que comparam os problemas causados por ele a outras práticas diárias, além de afirmar que não há ligação direta com o aumento de colesterol e pressão arterial.
 
— Existem estudos recentes que afirmam que o consumo excessivo de açúcar e o sedentarismo são iguais em risco. Há outros que colocam a má higiene bucal como mais prejudicial do que o consumo de doces como um fator desencadeante da cárie — afirma.
 
Para o endocrinologista Bruno Halpern, o açúcar pode estar sendo perseguido como a própria gordura já foi. O médico questiona a redução excessiva sugerida pela OMS.
 
— A extrema redução de açúcar adicionado nos alimentos e bebidas não é baseada em estudos. Não há grandes pesquisas que comprovem um impacto maior na saúde com menos de 5% de ingestão — defende.
 
Afinal, pode ou não pode?
As opiniões dos especialistas podem divergir quanto ao radicalismo em cortar o açúcar totalmente da dieta, mas um ponto em comum é a redução do açúcar adicionado. Ou seja: tente não adoçar chás, cafés e qualquer outra bebida, além de evitar os alimentos processados que escondem o açúcar — como os refrigerantes e os sucos industrializados, por exemplo.
 
— Diminuindo a ingestão desses alimentos, já conseguimos uma dieta mais saudável — afirma a nutróloga Elza Daniel de Mello.
 
E comer um doce por dia faz mal? O cardiologista e nutrólogo Daniel Magnoni acredita que não:
 
— O ideal é o equilíbrio. Não faz mal comer um doce todos os dias, contando que a pessoa tenha uma alimentação saudável e balanceada. Ingerir um doce antes ou após o exercício é também uma boa dica, pois o alimento é útil para a recuperação dos músculos e dá energia — afirma.
 
A opção por doces caseiros é uma das dicas da nutricionista Sophie Deram.
 
— Fazer doces em casa é melhor, pois pode-se controlar a quantidade de açúcar. Não indico tirar doces e bolos da dieta, já que o prazer de comer é importante — diz a especialista.

Zero Hora

Entenda por que o açúcar está sendo apontado como novo vilão da alimentação

Foto: Dream79 / Shutterstock
Relação do alimento com aumento de peso e diabetes estão entre principais preocupações
 
Parece novela, mas não é. Com vários mocinhos e vilões, o mundo da alimentação se assemelha à dramaturgia quando, volta e meia, aponta um responsável maior pelos problemas de saúde. Na atual temporada, um dos protagonistas é o açúcar, produto comum na mesa dos brasileiros — segundo dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares 2008/2009, do IBGE, 61% da população consome mais do que deveria.
 
A Organização Mundial da Saúde (OMS) é enfática em documento divulgado no início de março: chegar a menos de 5% de açúcares livres na ingestão calórica diária seria o ideal, o que inclui a adição de açúcar refinado, refrigerantes, sucos de caixinha, doces e outros produtos industrializados, seja pelo fabricante, cozinheiro ou você mesmo (o consumo seria de cerca de 25g em uma dieta de 2 mil calorias, ou seja, o equivalente a uma colher e meia de sopa nivelada de açúcar). A principal preocupação do órgão é a contribuição do açúcar para o excesso de peso, a obesidade e a mortalidade por doenças não transmissíveis (como cardiovasculares e diabetes). Somente em 2012, 38 milhões de pessoas morreram por complicações desse tipo no mundo.
 
Na segunda edição do Guia Alimentar para a População Brasileira, assinado pelo Ministério da Saúde e publicado no fim de 2014, a dica é simples: ao temperar e cozinhar alimentos, o ideal é usar o açúcar em pequenas quantidades.
 
— Antigas diretrizes indicavam reduzir o consumo de gordura. Isso de fato ocorreu nos últimos 30 anos, mas o risco de obesidade, diabetes e doenças crônicas só aumentou. Por isso, as atenções se voltaram para o açúcar e os carboidratos — afirma o endocrinologista e diretor da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica, Bruno Halpern.
 
Não tem pior ou melhor
Movidos pelo desafio de apontar um culpado entre os alimentos, os irmãos gêmeos e médicos Alexander e Chris Van Tulleken se submeteram a duas dietas restritivas. Um cortou totalmente as fontes de açúcar, enquanto o outro ingeriu uma quantidade mínima de gordura durante um mês. A experiência foi tema do documentário Sugar v Fat (Açúcar vs Gordura, em tradução livre), produzido pela BBC e disponível na plataforma sob demanda Netflix. Ambas as dietas trouxeram prejuízos, apontando para a máxima do equilíbrio nutricional e a fuga dos alimentos processados.
 
— Não tem pior ou melhor entre o açúcar e a gordura. Os dois podem ser danosos em falta ou excesso — afirma a nutróloga e diretora da Associação Brasileira de Nutrologia, Elza Daniel de Mello.
 
Mas a especialista também ressalta a necessidade de redução do açúcar adicionado na alimentação.
 
— Dá para viver sem o açúcar que adicionamos nos alimentos. Ele não tem benefício para a saúde — diz.
 
Já o nutricionista funcional e bioquímico Gabriel de Carvalho é mais radical:
 
— Elimine tudo que for adicionado. Bebidas doces, sucos adoçados e sobremesas é melhor deixar de fora da dieta completamente. O açúcar sempre foi o vilão, muito mais do que a gordura. Ela ainda contém tipos benéficos para o organismo.
 
Terrorismo nutricional
Sem demonizar nenhum alimento açucarado, a nutricionista francesa Sophie Deram, que mora no Brasil e pesquisa temas como transtornos alimentares e neurociência do comportamento, não aponta culpados. Para ela, cortar totalmente o açúcar vai além da simples busca pela alimentação saudável a todo o custo, e pode mexer com fatores psicológicos.
 
— Não sou a favor de cortar nada. As dietas da moda e o terrorismo alimentar estão acabando com o bem-estar das pessoas. Há estudos que mostram que tirar todo o açúcar aumenta o risco de depressão — alerta Sophie.
 
Além do conhecido pó branco para adoçar, o açúcar também pode ser absorvido pelo corpo por meio de diferentes alimentos. A frutose (frutas, mel, sucos de fruta), a sacarose (açúcar refinado, mascavo, cristal, orgânico, cana de açúcar, mel), o amido (requeijão, arroz, farinha de trigo, batata, mandioca) e a lactose (leite, queijo, manteiga, iogurte, creme de leite) entram no organismo e são "quebrados" com a ajuda de enzimas, do fígado e do pâncreas, que produzem insulina. Assim, a principal substância gerada, a glicose, fornece energia para o corpo — o combustível do corpo.
 
Além disso, outro fator importante é a velocidade com que o organismo incorpora o açúcar. Os carboidratos simples (açúcares de adição, doces, entre outros) são absorvidos pelo corpo de forma mais imediata, exigindo altos picos de produção de insulina, enquanto os carboidratos complexos (pão, massa, cereais, entre outros) têm um ritmo de processamento dentro do organismo mais lento, mostrando-se menos nocivos. A descarga de insulina exagerada pode desencadear diferentes problemas para a saúde, como desenvolvimento de diabetes.
 
— Não dá para cortar carboidratos para sempre da dieta, principalmente os complexos. Eles são necessários para o funcionamento do organismo — diz a nutróloga Elza Daniel de Mello.
 
Para Daniel Magnoni, nutrólogo e cardiologista do Hospital do Coração, em São Paulo, as pessoas devem ficar atentas na hora de escolher os alimentos que trazem o açúcar para o corpo.
 
— A ingestão de frutas fornece também vitaminas e fibras, promovendo um ganho de nutrientes — ressalta.
 
Zero Hora