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domingo, 10 de maio de 2015

Pesquisadores suecos criam dispositivo implantável que combate dor crônica

Após implantado no corpo, o equipamento libera substância analgésica diretamente nos nervos onde o problema surge
 
A dor neuropática é um forte desconforto sentido em uma ou mais partes do corpo e que afeta pessoas com problemas (doenças ou lesões) no sistema nervoso central, na medula espinhal ou no cérebro. Em breve, o combate a esse incômodo que causa grande prejuízo à qualidade de vida dos pacientes pode ganhar um aliado tecnológico.
 
Pesquisadores suecos apresentam na edição desta semana da revista Science Advances um dispositivo bioeletrônico que, após ser implantado no corpo, libera substância analgésica diretamente nos nervos onde o problema surge. Por enquanto, o equipamento foi testado com sucesso em ratos, mas os responsáveis pelo trabalho acreditam que podem adaptá-lo para seres humanos.
 
O estudo surgiu quando o principal autor, Daniel Simon, tomou conhecimento dos esforços de colegas que buscavam uma maneira de tratar dores crônicas como a neuropática. “Eles trabalhavam com terapias de dor na coluna vertebral e pensei que nosso dispositivo poderia entregar GABA de maneira ‘local’, ajudando os pacientes sem efeitos colaterais”, diz ao Correio Simon, pesquisador do Laboratório de Eletrônica Orgânica da Universidade Linköping.
 
GABA é o nome de um neurotransmissor produzido naturalmente no organismo e regulador da dor. O dispositivo testado libera doses terapêuticas da substância no corpo para aliviar o desconforto. Feito de plástico, ele tem duas estruturas. A primeira é um reservatório para o medicamento, e a outra, uma porta de saída. Um fio fica para fora do corpo para receber uma corrente elétrica, que leva energia para polímeros dentro do dispositivo acionando a liberação do neurotransmissor.
 
Nos testes, o implante foi feito em ratos que tinham lesões no nervo ciático, o que provocava dores nas patas. “O GABA foi eletricamente bombeado diretamente nos locais em que o nervo estava lesionado. Desse modo, nós entregamos a substância de forma terapêutica, em doses muito pequenas, apenas quando ocorria o sinal de dor do sistema nervoso central”, explica o autor. Os animais que usaram o aparelho apresentaram comportamento que indicavam redução de dor nas patas e mais disposição física.
 
Correio Braziliense

OMS anuncia que deixará de considerar o transgenerismo um distúrbio

Ao anunciar que iniciou a transição para o gênero feminino, o ex-atleta Bruce Jenner lançou luz sobre a condição de pessoas que não se identificam com o sexo de nascimento
 
“Sim, para todos os efeitos e propósitos, eu sou uma mulher.” Aos 65 anos, o ex-atleta olímpico Bruce Jenner surpreendeu o mundo ao revelar que, desde a infância, tem uma “alma feminina” e que está passando por um tratamento de mudança de sexo. Jenner hoje é conhecido como o patriarca da família Kardashian, graças a um reality show. Contudo, mais de 40 anos atrás, ele era um herói, vencedor no decatlo nos Jogos Olímpicos de 1970, em Montreal, e símbolo de orgulho dos EUA na Guerra Fria.
 
O desabafo feito durante entrevista à tevê no último dia 24 quebrou o estereótipo de virilidade esperado de um atleta e pai de família — Jenner foi casado três vezes, tem seis filhos e afirma que mantém a preferência por mulheres. “É importante aprender com essa experiência, de quando pessoas fazem essa ruptura e confrontam forças que as estavam impedindo de fazê-lo. Porque elas (as forças opostas) normalmente são tanto sociais quanto internas”, avalia Vanessa Fabbre, professora da Universidade de Washington e especialista em transições de gênero na terceira idade.
 
Jenner revelou a intenção de passar pela transição e disse que chegou a iniciar o tratamento hormonal na década de 1980, abandonado depois. Afirmou ainda que viveu “uma mentira a vida toda”. “A idade em que um indivíduo desenvolve o senso de gênero é, geralmente, muito jovem. Mas estamos sempre desenvolvendo a percepção que temos de nós”, aponta Fabbre.
 
Estima-se que uma em cada cem pessoas sejam transgêneras, isto é, não se identificam com o gênero associado ao seu sexo de nascimento (veja quadro), e alguns desses indivíduos optam por passar por um processo de redesignação sexual. A Organização Mundial da Saúde (OMS) costumava tratar a condição como um transtorno de identidade de gênero, uma condição necessária para a recomendação da cirurgia de mudança de sexo. No entanto, a entidade já não classifica o transgenerismo como uma condição patológica e estuda mudar sua qualificação na Classificação Internacional de Doenças (CID, na sigla em inglês).
 
Correio Braziliense

Cientistas desenvolvem esperma em laboratório

Novidade pode ajudar homens inférteis; testes em humanos devem começar em 2017
 
Pesquisadores franceses desenvolveram esperma em laboratório pela primeira vez. De acordo com os especialistas, a descoberta pode ajudar nas pesquisas sobre infertilidade humana. Os cientistas do laboratório Kallistem, que fica em Lyon, na França, dizem que os testes em humanos devem começar em aproximadamente dois anos.
 
Os pesquisadores afirmam que é procedimento é extremamente complexo e pode levar até 72 dias até que eles consigam um número suficiente de células reprodutivas do homem para fazer o esperma. A expectativa é tratar cerca de 50 mil homens por ano.
 
O laboratório está desenvolvendo o estudo sobre infertilidade em homens há aproximadamente 15 anos e, quando lançar o produto, espera conseguir arrecadar quase R$ 8 bilhões em vendas.
 
O procedimento já foi comprovado em ratos, mas essa foi a primeira vez que a tentativa em células humanas obteve sucesso.
 
Allan Pacey, professor especialista em fertilidade da Universidade de Sheffield, na Inglaterra, afirma que é preciso muito cuidado antes de criar esperanças nas pessoas.
 
— Eu só vou acreditar no que estão dizendo a partir do momento em que um estudo for divulgado e tiver comprovação científica nas pesquisas de que isso realmente funciona. Se der certo, pode realmente ajudar diversos homens no mundo inteiro, mas é preciso precaução.
 
O laboratório está angariando fundos para continuar as pesquisas.
 
R7

O efeito da pornografia no seu cérebro

Pesquisadores do Instituto Max Planck para o Desenvolvimento Humano em Berlim, na Alemanha, descobriram que as horas gastas assistindo a pornografia são associadas a diferenças de volume na substância cinzenta em uma região particular do cérebro
 
Metodologia e resultados
64 homens saudáveis com idades entre 21 a 45 anos participaram do estudo. Eles foram convidados a preencher inquéritos sobre a quantidade de tempo gasto assistindo pornô por semana, que variou consideravelmente entre os homens. Normalmente, eles não passavam mais do que quatro horas vendo material pornográfico semanalmente.
 
Os cérebros dos participantes foram então digitalizados usando imagens de ressonância magnética enquanto eles viam ou imagens pornográficas ou imagens não sexuais.
 
Os pesquisadores encontraram uma associação negativa entre o tempo gasto assistindo pornô e o volume de matéria cinzenta no caudado direito do corpo estriado. Quando os homens estavam vendo material pornográfico, a ressonância magnética também revelou uma diminuição aparente na função de uma região do cérebro conhecida por processar motivação.
 
Além disso, a conectividade funcional entre o núcleo caudado direito e o córtex pré-frontal dorsolateral esquerdo foi negativamente associada com a quantidade de tempo relatada que os participantes assistiam pornô.
 
O que isso significa?
Segundo os cientistas, eles não podem provar que é a pornografia que causou essa diminuição no volume de substância cinzenta.
 
Eles também reconhecem que, nesta fase, ainda não sabem dizer o que esses resultados significam, mas têm algumas hipóteses. Pode ser que a estimulação excessiva do sistema de recompensa do cérebro resulte em alterações na plasticidade neural, por exemplo. Ou pode ser que homens com menos matéria cinzenta no estriado exijam mais estímulo do que outros e achem a pornografia mais gratificante do que os outros, o que poderia levar a um aumento no seu consumo.
 
Por fim, os pesquisadores informam que este estudo é preliminar e que mais análises são necessárias, com uma metodologia mais rigorosa, antes que conclusões possam ser tiradas. Estudos futuros devem investigar os efeitos da pornografia longitudinalmente ou expor participantes sem experiência prévia à pornografia e investigar os efeitos causais ao longo do tempo.
 
IFLS / Hypescience

Futuro da humanidade é obeso, alerta especialista em medicina preventiva

Franz Burini, PHD em medicina preventiva, alerta sobre os riscos de uma alimentação desregrada e enfatiza: “Magreza será exceção nesse contexto sombrio que se avizinha”
 
“O que você come em privado, você usa em público”. Parece um mantra e, de fato, deve ser percebido como tal, expõe Franz Burini, PHD em medicina preventiva ao alertar sobre os riscos de uma alimentação desregrada. Mas as críticas de Burini não se limitam apenas ao indivíduo. Elas se estendem aos médicos e até mesmo à internet.
 
“Temos um conjunto de fatores”, opina o médico. Para ele, a “formação do médico é focada na doença e não na saúde”, o que provoca um desequilíbrio natural no consultório e na condução da vida pela própria pessoa. A internet desestabilizou ainda mais essa relação. “Hoje se a pessoa não se sente satisfeita com a consulta, ela não recorre ao Conselho Regional de Medicina CRM, ela vai ao Procon”. A natureza da relação hoje é puramente comercial e isso afeta negativamente a interação entre médico e paciente, avalia Burini.
 
Esse diagnóstico é agravado por um dado alarmante. O mundo vive uma tendência de excesso de peso e isso acarreta diversos danos colaterais à saúde como diabetes, colesterol e problemas cardiológicos. Todos gravitam a obesidade. Apesar dos Estados Unidos ainda serem o país com maior porcentagem de pessoas obesas ou com sobrepeso, o quadro no Brasil é preocupante.
 
O último levantamento sobre os hábitos alimentares dos brasileiros, feito em parceria entre o Ministério da Saúde e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que cerca de 60% dos alimentos com maior teor de gordura fazem parte da alimentação diária da população. O estudo mostrou que os homens são mais displicentes do que as mulheres na ingestão de alimentos: 47% dos entrevistados não se preocupam com o teor de gordura do que ingerem no dia a dia. Entre as mulheres, a estatística corresponde a 37%. O levantamento foi divulgado no fim de 2014.
 
Burini vê esses números como a confirmação de uma projeção pessimista compartilhada por muitos pesquisadores. O futuro da espécie é obeso. “A magreza será exceção nesse contexto sombrio que se avizinha”, sacramenta. Para o médico, os sinais estão à disposição de quem se predispuser a repará-los. “Nossos dentes são reflexos de nossa precariedade alimentar”.
 
Dietas da moda
Ele aponta a diferença entre a dieta do homem paleolítico e a do homem moderno como baliza desse pensamento de que o futuro da humanidade é obeso. “A dieta dos seres humanos pré-históricos era pobre em carboidratos, rica em vegetais, frutas, alguns grãos e dispensava por completo os açúcares”.
 
O oposto da dieta moderna, pobre em vegetais e rica em sal e açúcar. O fácil acesso ao que quer que seja é outro elemento desestabilizador na avaliação do profissional.
 
A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda o consumo diário de 5 gramas de sal ou 2 gramas de sódio por dia, mas duas fatias de pizza, por exemplo, já superam a quantidade de sódio recomendável para um dia. Ou mesmo duas latas de atum em conserva.
 
“As pessoas não têm nem mesmo o hábito de tomar água! Não dá nem sequer para dizer que é ruim. Não tem gosto”, espanta-se Burini ao frisar a necessidade da reeducação alimentar. Acostumado ao trato com atletas, já integrou a comissão técnica da CBF e convive com surfistas e lutadores de MMA. O médico observa que enquanto o atleta quer centralizar a gestão do seu metabolismo, o leigo deseja terceirizá-la. “Ele chega ao consultório e quer que o médico resolva. Mas não quer abrir mão de certos prazeres”. Entre as estratégias lançadas pelos clínicos, confidencia Burini, está pressionar o paciente. “Às vezes, você pode exagerar em uma intolerância ao glúten, à lactose”, se diverte.

“O padrão nutricional consegue prevenir uma das maiores taxas de mortalidade que existe que é o câncer”. Portanto, o quanto antes nos conscientizarmos de que o que comemos não só é fundamental para o nosso agora, mas vital para o nosso futuro, melhor esse futuro será, advoga Burini.
 
Ele não desencoraja a adoção de dietas da moda, mas alerta que elas são estratégias para alterar nosso metabolismo e que, se não aplicadas com disciplina e longevidade, se provarão ineficazes. “É preciso entender a diferença de uma resposta aguda e uma resposta crônica”, observa ao explicar que é mais satisfatório para o organismo a adesão a um padrão nutricional contínuo e linear do que dietas excessivamente restritivas vez ou outra.
 
Ele lembra, ainda, que a atividade física é uma conduta terapêutica muito eficiente e que deve ser combinada com hábitos alimentares saudáveis.
 
iG