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quarta-feira, 13 de abril de 2016

Remédio testado por cientistas tem resultado promissor contra zika vírus

Medicamento é aprovado pela Anvisa e pode ser usado por grávidas; no entanto, produto ainda não foi divulgado pelos pesquisadores, que temem a automedicação da população

Não há ainda informação no estudo se o medicamento inibe a replicação do vírus da zika
Martin Henkelmann/StockXpert

Cientistas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e do Instituto D'Or de Ensino e Pesquisa estão testando medicamentos que possam inibir a destruição pelo vírus da zika das células neuronais em fetos. Pelo menos um medicamento, entre dez já testados, se mostrou promissor, informou o neurocientista Stevens Rehen. Esse remédio já é aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e tem indicação para ser usado por grávidas.

Os pesquisadores esperam publicar nos próximos dois meses um estudo sobre a atuação do remédio, caso os efeitos iniciais sejam comprovados. Não há ainda informação se o medicamento inibe a replicação do vírus. Os pesquisadores estão analisando de suplementos a antivirais, mas preferem não informar os produtos para evitar automedicação da população.

O anúncio foi feito durante o lançamento de uma pesquisa, que será publicada nesta semana pela revista científica Science, sobre o efeito do zika em modelos que representam o cérebro de fetos no segundo mês de gestação. O trabalho mostrou a destruição de células neuronais e a redução do crescimento em 40%. "O resultado é equivalente ao que é observado nas crianças com microcefalia. Agora nós temos um bom modelo para testar possibilidades de tratamento", afirmou Rehen, coautor da pesquisa. O estudo foi liderado pela professora do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ, Patrícia Garcez, especialista em microcefalia.

Os pesquisadores infectaram minicérebros, estruturas de menos de 2 milímetros obtidas a partir de células-tronco. Elas têm as camadas, os ventrículos e as características anatômicas observadas em um cérebro.

O minicérebro foi infectado com o vírus da zika no 35º dia de desenvolvimento – que seria equivalente ao feto no 2º mês de gestação – e teve a taxa de crescimento acompanhada pelo período de 11 dias. O resultado foi a redução do crescimento, comparado ao minicérebro não infectado. É nessa fase do desenvolvimento que começa a ser formado o córtex, área nobre do cérebro.

Rede
Essa pesquisa surgiu da formação de redes para o estudo de zika e microcefalia, criadas com base em edital da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio (Faperj). O lançamento da rede ocorreu pouco antes do Carnaval.

"Desde o primeiro experimento à submissão à Science passaram-se 25 dias. Isso reflete o que é a comunidade científica brasileira", afirmou Rehen. Por causa da crise financeira que afeta o Estado, porém, as verbas para a pesquisa (cerca de R$ 400 mil) ainda não foram liberadas. Os bolsistas também estão com pagamento atrasado. A previsão é de que o financiamento comece a ser liberado neste mês.

As informações são do jornal "O Estado de S. Paulo".

iG

Viciados se importam menos com as pessoas, diz estudo

Pessoas dependentes de álcool e outras substâncias tendem a representar risco para outras pessoas: fazem sexo sem preservativo, não se importam em dirigir alterados, e por aí vai

Pode parecer um discurso óbvio, mas um estudo mostra que muitos fatores fazem com que os viciados sejam mais egoístas e imprudentes.

A conclusão é do estudo da Case Western Reserve University (Cleveland, EUA), conduzido pela psicóloga Maria Pagano. Foram analisados o comportamento de 585 jovens secundaristas, classificando-os segundo seus hábitos com álcool e outras drogas e medindo essas três variáveis: dirigir bêbado (a idade para a habilitação nos EUA é 16 anos), fazer sexo desprotegido e se interessar por trabalho voluntário.

Pagano aponta uma correlação 100% maior em jovens que abusavam de drogas ou álcool em fazer sexo desprotegido - mesmo quando eles sabiam que tinham doenças sexualmente transmissíveis - que com aqueles que não usavam.

Viciados não se importam muito com os outros e nem entendem como seu problema afeta seus entes queridos. O que explica como a doença pode destruir família e vida social, além de serem pessoas difíceis de serem convencidas de que precisam de tratamento. “O viciado é como um tornado passando pela vida dos outros”, afirma Pagano. “Mesmo quando estão se recuperando, há poucos indícios que eles entendem como suas ações impactam aqueles em sua volta. Isso é parte de sua doença.”

Importante: nada disto pretende criminalizar os viciados, que também sofrem com a própria doença. Segundo Pagani, esse fator da insensibilidade é apenas algo que deve ser levado em consideração ao se planejar tratamentos. Ela pretende descobrir formas para diminuir essa parte do problema.

Foto: Thinkstock

Yahoo

sábado, 9 de abril de 2016

O menor marcapasso do mundo pode ser implantado sem necessidade de cirurgia

A Food and Drug Administration, órgão de controle de alimentos e produtos médicos nos EUA, aprovou um marcapasso injetável que não usa fios que costumam causar complicações em pacientes

marcapassos

Com 2,5 centímetros de largura, o Micra Transacatheter Pacing System da Medtronic tem cerca de um décimo do tamanho dos marcapassos convencionais – sendo, assim, o menor do mundo na categoria.

Ele é voltado para pessoas com fibrilação atrial (um batimento cardíaco irregular ou rápido demais) e outras arritmias perigosas. A FDA aprovou o dispositivo após testes clínicos da Medtronic envolvendo 719 pacientes que tiveram o dispositivo implantado. Após seis meses, cerca de 98% dos pacientes ficaram com batimentos cardíacos adequados. Uma pequena parcela (7%) passou por algumas complicações, como doenças cardíacas, deslocamento do dispositivo e coágulos de sangue.

Marcapassos convencionais, que são cirurgicamente implantados, exigem fios que vão do marcapasso até um implante localizado logo abaixo da clavícula. Esses fios passam através da veia diretamente até o ventrículo direito do coração, levando impulsos elétricos para tratar de batimentos cardíacos irregulares ou estagnados. O problema é que esses fios nem sempre funcionam perfeitamente. Eles podem também causar problemas quando infecções se desenvolvem no tecido ao redor deles, exigindo procedimentos cirúrgicos para substituir o marcapasso.

marcapasso-3O Micra não usa fios condutores. O dispositivo se posiciona no coração com a ajuda de pequenos ganchos, levando ate lá pequenos pulsos elétricos que fazem o coração bater com mais regularidade. O dispositivo é implantado através de um tubo de 1 metro inserido em uma veia na virilha do paciente. Ele viaja pela veia até chegar ao ventrículo direito do coração. O Micra só atua na câmara inferior do coração, não podendo ser usado por quem precisa de ajuda na câmara superior.

“Como o primeiro marcapasso sem fio condutor, o Micra oferece uma nova opção para pacientes que consideram um dispositivo marcapasso de câmara única, o que pode ajudar a prevenir problemas associados com os fios condutores,” notou William Maisel, da FDA, em um comunicado.

A FDA disse que ele não deve ser usado por pacientes que já têm um dispositivo implantado, já que pode interferir no funcionamento do marcapasso. Também não pode ser usado por pessoas severamente obesas, ou que são intolerantes a materiais no dispositivo.

sexta-feira, 8 de abril de 2016

Hospital São Lucas realiza seu I Fórum Interativo de Cardiologia

O Hospital São Lucas Copacabana (HSL) realizará, no dia 14 de abril, no Centro de Convenções SulAmérica, seu I Fórum Interativo de Cardiologia, das 12h45 às 14h15, que acontecerá durante a 33ª edição do Congresso da Sociedade de Cardiologia do Estado do Rio de Janeiro (Socerj). O objetivo é informar os profissionais de saúde sobre as inovações da cardiologia nacional e internacional

Segundo o Dr. Esmeralci Ferreira, um dos membros da comissão organizadora, “o fórum vai discutir, de forma direta, temas atuais da cardiologia de alta complexidade, fazendo uma análise crítica. E, de forma bem objetiva, assuntos polêmicos como denervação renal, oclusão de apêndice atrial, clipe mitral, stents bioabsorvíveis e antiagregação serão revistos. A participação do cardiologista na plateia estará contemplada por meio da interatividade”, destaca.

Para a equipe organizadora, o evento trará benefícios para os serviços assistenciais e, consequentemente, para o atendimento cardiológico da população, além de promover a troca de experiências, que é importante para o avanço da cardiologia no país, pois auxilia a formação dos profissionais de saúde.

Confira a programação completa

12h45
– Abertura e boas-vindas da diretoria Lincoln Salles Motta Bittencourt (HSL) e Marcelo Mendes de Vasconcellos (HSL).

De 12h50 a 13h05
– Hipertensão Arterial Resistente – Já Temos Evidências para Novos Tratamentos? Palestrante: Lílian Soares da Costa (IECAC e FTESM). Comentário: Marcos José de Souza Batista (HSL). INTERATIVIDADE

De 13h05 a 13h20
– Fibrilação, Fenômenos Embólicos e Oclusão de Apêndice Atrial Esquerdo (OAAE) – Resultados Palestrante: Márcio Montenegro (IECAC e UERJ). Comentário: Nélson Artur dos Reis (HSL). INTERATIVIDADE

De 13h20 a 13h35
– Clipe Mitral na Insuficiência Mitral – Análise Crítica do Cirurgião Palestrante: Mauro Paes Leme de Sá (UFRJ, HCML e HSL). Comentário: Nélson Barg (HSL). INTERATIVIDADE

De 13h35 a 13h50
– Stents Bioabsorvíveis: Indicação, Primeiros Resultados e Evidências para Uso Palestrante: Esmeralci Ferreira (UERJ, HCML e HSL). Comentário: Noé Costa (HSL). INTERATIVIDADE

De 13h50 a 14h05
– Qual a Melhor Estratégia e Antiagregação Plaquetária: Prasugrel, Ticagrelor ou Clopidogrel? Palestrante: Guilherme D’Alcol Amorim (HSL). Comentário: Renato Faria Ribeiro Neto (HSL). INTERATIVIDADE

De 14h05 a 14h15
– Sessão debates Moderadores: Esmeralci Ferreira (UERJ, HCML e HSL); Marcos de Souza Batista (HSL) e Mauro Paes Leme de Sá (UFRJ, HCML e HSL). Debatedores: Camillo Junqueira (HCML e HSL); Fábio de Souza (HSL) e Monique Esteves Cardoso (HSL).

14h15
– Encerramento Marcos Freitas Knibel (HSL) e Wilson Nakasato (HSL).

Serviço
I Fórum Interativo de Cardiologia
Data e horário: 14 de abril, às 12h45.
Local: Centro de Convenções SulAmérica – sala 2.
Endereço: Av. Paulo de Frontin,1 – Cidade Nova – Rio de Janeiro

Priscila Pais 
Assessoria de Imprensa
ppais@saudeempauta.com.br

quarta-feira, 6 de abril de 2016

STF decide que USP pode suspender fornecimento de fosfoetanolamina

Fosfoetanolamina sintética (Foto: Ely Venâncio/EPTV)USP deve distribuir somente estoque já existente da 'pílula do câncer'. Lewandowski citou falta de estudos que provem eficácia da substância

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Ricardo Lewandowski, determinou que a Universidade de São Paulo (USP) deverá fornecer a fosfoetanolamina somente "enquanto remanescer o estoque" do composto.

Depois disso, o fornecimento poderá ser suspenso tendo como justificativa a ausência de registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a falta de estudos publicados sobre os benefícios de sua utilização na cura do câncer, a falta de estudos que atestem sua segurança e o desvio de finalidade da instituição de ensino.

A decisão foi tomada depois de a USP apresentar um pedido ao STF contra uma decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo que determinou o fornecimento da fosfoetanolamina para pacientes com câncer sob pena de multa.

Infográfico - Fosfoetanolamina sintética (Foto: G1)Em sua decisão, Lewandowski afirmou que "não caberia ao Poder Judiciário respaldar a prática de uma medicina não baseada em evidências". A decisão suspende todas as decisões judiciais proferidas em âmbito nacional que tenham determinado à USP o fornecimento da substância até que elas sejam julgadas em definitivo.

Entenda
A fosfoetanolamina, que ficou conhecida como "pílula do câncer", vinha sendo distribuída pelo Instituto de Química de São Carlos (IQSC) da USP havia vários anos de forma irregular, desde que um professor da unidade, Gilberto Orivaldo Chierice, desenvolveu um método de síntese da substância.

O pesquisador trabalhava com a hipótese de que o composto seria capaz de tratar câncer, porém tinha obtido apenas resultados preliminares em modelos experimentais sobre esse possível efeito.

A substância não passou pelos estudos necessários para comprovar sua ação antitumoral e sua segurança para o uso em pacientes, portanto, não é um medicamento.

Quando Chierice se aposentou, o IQSC deixou de fornecer a substância para pacientes, levando diversas famílias a acionarem a justiça para conseguir a pílula. O Tribunal de Justiça de São Paulo, então, determinou que a universidade deveria fornecer a substância sob pena de multa. A USP, por sua vez, recorreu dessa decisão no STF, o que levou à decisão desta terça-feira.

Projeto de lei
Em 22 de março, o Senado aprovou, em votação simbólica, o projeto de lei que que permite a fabricação, distribuição e o uso da fosfoetanolamina sintética.

Pelo projeto aprovado, pacientes com tumor maligno poderão usar a “pílula do câncer”, desde que exista laudo médico que comprove a doença. O paciente ou seu representante legal terá ainda que assinar um termo de consentimento ou responsabilidade. A proposta vai além e também permite a fabricação da fosfoetanolamina sintética mesmo sem registro sanitário.

Diante da decisão, a Anvisa anunciou que iria recomendar à presidente Dilma Rousseff o veto ao projeto de lei. Para a agência, é perigoso distribuir para a população uma substância que não passou pelos testes que comprovem sua segurança.

Estudos
Atualmente, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) coordena, ao lado do Ministério da Saúde, uma iniciativa federal para pesquisar a fosfoetanolamina, anunciada em outubro de 2015. Na ocasião, foi anunciado que o projeto teria um financiamento de R$ 10 milhões por parte do MCTI.

Três laboratórios estão participando dessa etapa inicial do estudo: o Centro de Inovação e Ensaios Pré-clínicos (CIEnP), em Santa Catarina, o Laboratório de Avaliação e Spintese de Substâncias Bioativas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (LASSBio-UFRJ) e o Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento de Medicamentos da Universidade Federal do Ceará (NPDM/UFC).

Resultados iniciais, divulgados em março, apontam que as cápsulas têm uma concentração de fosfoetanolamina menor do que era esperado e que somente um dos componentes da cápsula -- a monoetanolamina --- apresentou atividade citotóxica e antiproliferativa, ou seja, capacidade de destruir células tumorais e inibir seu crescimento.

Está em curso ainda uma outra iniciativa para pesquisar a substância, esta financiada pelo governo do estado de São Paulo e coordenada Instituto do Câncer de São Paulo (Icesp).

Foto: Ely Venancio/EPTV

G1