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sábado, 11 de junho de 2016

Maioria dos antidepressivos é ineficaz em crianças e adolescentes

Estudo revisou testes em mais de 5 mil crianças e adolescentes. Dra. Ana Escobar comenta, em vídeo sobre sintomas da depressão infantil

Pesquisa concluiu que crianças que não dormem o suficiente podem estar propensas a comer mais  (Foto: John Finn/Divulgação)
Pesquisa concluiu que antidepressivos são ineficazes em crianças com depressão grave (Foto: John Finn/Divulgação)

A maioria dos remédios antidepressivos é ineficaz em crianças e adolescentes que sofrem de depressão grave, podendo ser até perigoso, aponta um amplo estudo publicado na última quinta-feira (9) no periódico médico britânico "The Lancet".

Realizado por um grupo internacional de pesquisadores, o estudo revê 34 testes em mais de 5 mil crianças e adolescentes, com idades entre 9 e 18 anos, envolvendo 14 antidepressivos.

Apenas um desses medicamentos, a fluoxetina - comercializada principalmente como Prozac -, mostrou-se mais eficaz do que um placebo para tratar dos sintomas de uma depressão.

A fluoxetina também é mais bem tolerada do que os demais antidepressivos.

No sentido contrário, a nortriptilina foi considerada a menos eficaz dos 14 antidepressivos estudados, e a imipramina, a menos tolerada. Já a venlafaxina está associada a um risco crescente de pensamentos suicidas.

Os pesquisadores reconhecem, porém, que a verdadeira eficácia e os riscos de efeitos colaterais indesejáveis graves desses medicamentos continuam no campo do desconhecido, devido à fragilidade dos testes clínicos existentes.

É o caso, sobretudo, dos pensamentos e comportamentos suicidas ligados aos antidepressivos. Em um comentário agregado ao estudo, o pesquisador australiano Jon Jureidini destaca que, no que diz respeito à paroxetina, eles atingem 10% em uma nova análise de dados, contra 3% em estudos já publicados.

Dificuldade de diagnóstico
Segundo estimativas citadas pelo estudo, 2,8% das crianças entre 6 e 12 anos e 5,6% dos adolescentes sofrem de problemas depressivos graves nos países desenvolvidos. Esse número pode estar subestimado, levando-se em conta a dificuldade de diagnosticar a patologia.

Esses sintomas são diferentes dos observados nos adultos e incluem, em especial, irritabilidade, não querer ir à escola, ou comportamento agressivo. Em relação aos antidepressivos - que também podem causar, além das ideias suicidas, dor de cabeça, náusea e insônia -, sua prescrição continua a aumentar, ainda que a maioria dos países ocidentais recomende, a partir de agora, que sejam reservados às depressões mais graves e após o fracasso das psicoterapias.

"Os antidepressivos não parecem oferecer um benefício claro nas crianças e nos adolescentes", concluem os autores do estudo, que acrescentam que "a fluoxetina é, provavelmente, a melhor opção quando o tratamento medicamentoso é indicado".

Vários especialistas comemoraram os resultados do estudo, que fortalecem as recomendações de países como a França, ou a Grã-Bretanha, no que diz respeito à prescrição de antidepressivos às crianças e aos adolescentes.

O primeiro tratamento das depressões em ambos os grupos deve continuar sendo "a abordagem psicológica, ou relacional", que é "mais eficaz no longo prazo", disse à AFP o vice-presidente da Sociedade Francesa de Psiquiatria da Criança e do Adolescente, Daniel Marcelli, que participou da elaboração das recomendações francesas.

"Estamos de acordo com as conclusões dos autores, que consideram que os antidepressivos devem ser utilizados de forma sensata e acompanhados de perto", declarou a psiquiatra britânica, Bernadka Dubicka.

G1

quinta-feira, 9 de junho de 2016

Comprar bem passou a ser mais importante que vender bem

Não é uma afirmação tendenciosa ou leviana – pode ser comprovada com números, em um hospital “normal” pode-se trabalhar com o seguinte perfil de compras:

Materiais Descartáveis 31 

Medicamentos 28

Material de Alto Custo 8

Insumos de Retaguarda (Escritório, Lavanderia e Higiene) 15

Peças e Insumos de Manutenção 8

Insumos do SND 6

Outros (uniformes, utensílios, instrumental, etc.) 4

Nele observamos que 67 % do que se compra pode ser item de venda direta. Houve uma época em que os hospitais “viviam” da venda de insumos, mas como tudo na vida, isso é coisa do passado – hoje os insumos estão cada vez menos “presentes” nas contas.

Não temos necessidade de justificar isso quando falamos de contas do SUS – nelas: Materiais descartáveis nunca existiram; apenas uma “meia dúzia” de medicamentos de alto custo são faturados; somando o faturamento OPME e o que se consegue faturar de medicamentos, não se chega à 9 % do que se compra.

Na saúde suplementar “de antigamente” materiais e medicamentos eram minuciosamente apresentados nas contas. A “margem de comercialização” destes insumos eram, talvez, a mais importante margem de contribuição.

Com a inflação tecnológica da saúde, e o vertiginoso aumento dos serviços, foi tomando corpo o movimento de simplificação das contas (pacote, “diarião”, procedimentos fechados, etc.), e boa parte destes insumos estão “embutidos” no preço de “alguma coisa”.

Antes praticamente 100 % do MAT/MED era apresentado, e representava 60 % do que se comprava. Hoje “trabalhamos” com 45 %, quando assumimos uma “conduta conservadora”.

Antes tinha menos importância comprar bem, porque “a margem de contribuição” compensava uma eventual incompetência na gestão de suprimentos. Hoje, quanto mais o insumo vai sendo incluído no preço de algo, sem margem de comercialização explícita, a única forma de maximizar o lucro é comprando mais barato.

O preço do medicamento e do material descartável sobe constantemente – as Tabelas Brasindice e Simpro são dinâmicas. Quando o insumo está “embarcado” no preço de algo que é reajustado anualmente, esta atualização de preços que antes era favorável ao hospital, passa a ser totalmente desfavorável: você vai pagando mais caro e vendendo pelo mesmo preço, até que um dia consiga reajustar o preço do pacote, diarião, etc.

Cansamos de ver hospitais que não primavam muito pelo rigor em evitar desperdício de insumos. Como tudo era repassado ao cliente, se gastasse mais, cobrava-se mais. Conforme a política de preços vai migrando do varejo (item a item) para o atacado (pacote, diarião, etc.) vamos observando os hospitais se reposicionarem em relação ao desperdício.

Já estamos observando a mudança dos gestores hospitalares, que antes davam mais importância à técnica de apuração de custos, do que em ações para reduzir os custos. Diziam em alto e bom som que tinham controle sobre os custos, mas nunca ouvíamos alguém dizer que sua maior preocupação era a de buscar a redução dos custos.

Hoje vemos a grande preocupação com o controle dos insumos, principalmente nos processos em que ele não posse ser diretamente associado a uma prescrição médica, e seu controle é mais difícil.

Poucas pessoas sabem que dos 67 % do que se compra de MAT/MED, quase 30 % não pode ser diretamente associado a uma prescrição.

Vale a pena terminar comentando que nem tudo nas crises é ruim. A atual crise está lembrando os gestores hospitalares sobre 2 das mais importantes métricas da administração:

O custo começa com o valor da aquisição da matéria-prima. Quanto maior o preço de compra, maior o custo;

A margem de contribuição, que leva ao lucro, é resultado de 2 fatores: valor da venda e custo. Como na área hospitalar não se pode vender pelo preço que se deseja, é mais importante comprar bem do que vender bem!

Enio Salu

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Teste de zika passa a ter cobertura obrigatória por plano de saúde

Resolução da ANS foi publicada nesta segunda no Diário Oficial da União. Medida entra em vigor no dia 6 de julho e vale para três tipos de testes

Imagem de micrografia eletrônica de transmissão colorida digitalmente mostra o vírus da zika;  na imagem colorida digitalmente, o vírus é representado pelos pontos vermelhos (Foto: CDC/Cynthia Goldsmith)
Imagem de micrografia eletrônica de transmissão colorida digitalmente mostra o vírus da zika; na imagem colorida digitalmente, o vírus é representado pelos pontos vermelhos (Foto: CDC/Cynthia Goldsmith)

Os testes para diagnosticar a infecção pelo vírus da zika passarão a ter cobertura obrigatória pelos planos de saúde, segundo uma resolução da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) publicada nesta segunda-feira (6) no Diário Oficial da União.

De acordo com a resolução, que entra em vigor no dia 6 de julho, três tipos de testes de zika passam a fazer parte do Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde no Âmbito da Saúde Suplementar: o teste de zika por PCR, IgM e IgG.

O teste PCR, ou de biologia molecular, consiste em multiplicar a quantidade de RNA do vírus na amostra coletada, ou seja, amplificar o material genético do vírus para que seja possível identificá-lo quimicamente. O teste molecular, apesar de ser preciso, é capaz de detectar a presença do vírus em um período muito curto de tempo: só até cinco dias depois do aparecimento dos sintomas.

Já os testes IGM e IGG, ou testes sorológicos, são capazes de detectar anticorpos produzidos em resposta à infecção pelo vírus da zika. O IgM (imunoglobulina M) detecta anticorpos produzidos na fase aguda da doença e o IgG (imunoglobulina G) detecta se houve infecção anterior pelo vírus.

G1

Agência suspende saneantes da empresa Química Dy Vitória

Nesta segunda-feira (6/6), a Anvisa determinou a suspensão dos produtos saneantes da empresa Química Dy Vitória Ltda.

A decisão ocorreu porque a fabricação estava sendo feita em um local não autorizado, em desacordo com o notificado na Agência.

Além de cancelar a fabricação, a distribuição, a divulgação e a venda de todos os produtos, a Anvisa determinou ainda, que a empresa promova o recolhimento do estoque no mercado.

Confira a Resolução nº 1483/2016 no Diário Oficial da União.

ANVISA

Pulseira de citronela Bye Bye Mosquito está proibida

Reprodução
Uma alteração na fórmula motivou a suspensão da Pulseira de citronela bye bye mosquito, da empresa GPI Costa Industrial Ltda.

A composição do produto não confere com a registrada na Anvisa.

Com a suspensão da fabricação, da distribuição, da divulgação da venda e do uso, a empresa deve promover o recolhimento do estoque no mercado.

A medida está na Resolução nº 1482, publicada nesta segunda-feira (6/6) no Diário Oficial da União (DOU).

ANVISA