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sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Trabalhar em regime de plantão aumenta o risco de doenças cardíacas

A rotina aumenta a pressão arterial e o hormônio do estresse, fatores de risco para problemas como o infarto

Profissionais da área de saúde e segurança são alguns dos que cumprem turnos de 24 horas de trabalho, uma jornada dura e que pode prejudicar a saúde, principalmente a do coração. É o que mostram pesquisadores da Alemanha em um estudo divulgado na reunião anual da Sociedade Americana de Radiologia. Ao analisar um grupo de pessoas antes e depois de elas realizarem expedientes do tipo, os investigadores concluíram que ficar acordado por tanto tempo causa alterações em hormônios e aumento da pressão arterial, condições de risco para complicações cardíacas.

“Com base em estudos anteriores, sabemos que a privação do sono está associada à elevação da ativação simpática, o que significa um aumento da secreção do hormônio do estresse, o cortisol, e da pressão arterial. Decidimos realizar um estudo baseado em ressonância magnética cardíaca a fim de investigar os efeitos da privação do sono no contexto do turno 24 horas, algo que ainda não havia sido feito”, detalha Daniel Kuetting, um dos autores e pesquisador do Departamento de Radiologia Diagnóstica e Intervencionista da Universidade de Bonn, na Alemanha.

Para o experimento, os cientistas recrutaram 20 radiologistas saudáveis, 19 homens e uma mulher, com 30 anos de idade em média. Cada um dos participantes foi submetido a ressonância magnética cardiovascular antes e depois de cumprir um turno de trabalho de 24 horas, com em média de três horas de sono. Os pesquisadores também coletaram amostras de sangue e urina e mediram a pressão arterial e a frequência cardíaca dos participantes.

Os resultados acusaram alterações consideráveis no sistema cardíaco. “Pela primeira vez, temos demonstrado que a privação de sono de curto prazo no contexto de turnos de 24 horas pode levar a um aumento significativo nas funções do corão, como a pressão arterial e frequência cardíaca”, destaca Kuetting. Os participantes também apresentaram aumentos consideráveis nos níveis de hormônio estimulante da tireoide (TSH), hormônios tireoidianos FT3 e FT4 e do cortisol, que contribuem para o aumento da pressão arterial.

Para os investigadores, esses dados ajudam a entender melhor os danos que a privação de sono provoca no organismo humano e ressaltam que os resultados são transferíveis para outras profissões em que há a prática de períodos longos de trabalho ininterrupto. “Sabemos que a privação crônica do sono pode levar à hipertensão e aumentar a morbidade cardíaca global. Os resultados do presente estudo podem ajudar a entender melhor como a carga de trabalho e a duração do sono afetam a saúde pública”, frisa Kuetting.

Durante o experimento, os participantes não puderam consumir cafeína ou alimentos e bebidas contendo teobromina, como chocolate, nozes ou chá, o que poderia interferir nos resultados. “Nós não levamos em conta fatores como nível de estresse individual ou estímulos ambientais”, complementa Kuetting. Segundo ele, esses tópicos deverão ser avaliados na próxima etapa da pesquisa.

Mais estudos
Ernesto Joscelin, cardiologista do Hospital do Coração do Brasil, em Brasília, avalia que o trabalho alemão precisa ser aprofundado, mas já traz informações de grande valor. “Poucos participantes foram analisados. Por isso, fica difícil inferir as mesmas informações para uma população inteira, mas, mesmo com a necessidade de uma amostra maior, esses dados mostram alterações que eram suspeitas na área médica: de que a privação de sono pode causar esse tipo de dano. Faltava uma análise como essa para a comprovação”, explica.

Tanto Joscelin quanto os autores ressaltam que a vulnerabilidade vem do fato de esse tipo de comportamento se tornar corriqueiro. Em situações esporádicas, como ir a uma festa ou virar a noite estudando, a situação se normaliza com o sono de recuperação. O acúmulo desses danos temporários, porém, pode causar problemas graves, como o infarto. “Esses dados servem de alerta para todo mundo, não só para médicos que realizam plantões de 24 horas, mas todos que têm o mesmo comportamento, já que esse tipo de rotina, caso se repita por anos, aumenta consideravelmente as chances de um problema cardíaco ocorrer”, ressalta o cardiologista.

Segundo o médico, é possível observar cotidianamente que pessoas que seguem esse tipo de rotina geralmente ficam mais estressadas. Por isso, a necessidade de estudos que ajudem a entender melhor os efeitos da privação de sono, como o alemão. “Esse tipo de pesquisa é importante para que consigamos alertar principalmente as populações de risco — pessoas que sofrem com problemas cardíacos e passam por esse tipo de jornada de 24 horas, por exemplo. É importante tomar cuidado, dosar o trabalho e procurar atividades que diminuam o estresse sofrido, como praticar corridas e caminhadas”, sugere Joscelin.

Hipocondria não é "mania de remédio", é transtorno mental que traz muito sofrimento

Doença pode ser classificada como um tipo de transtorno de ansiedade, relacionado a percepções errôneas sobre o próprio corpo, em que o indivíduo supervaloriza qualquer sintoma ou desconforto no organismo ou até, mesmo sem nenhum sintoma, tem certeza que está doente

Esqueça a caricatura da pessoa mais velha, com pensamento negativista e remédios sempre à mão. A hipocondria é uma doença mental que causa muito sofrimento a homens e mulheres em todas as faixas etárias, inclusive na infância. Justamente pelo caráter pejorativo associado a esse mal, a última edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-V), roteiro elaborado pela Associação Americana de Psiquiatria (APA), classificou dois tipos de hipocondria e trocou a palavra por transtorno de ansiedade de doenças (o hipocondríaco que não sente nenhum sintoma) ou transtorno de sintomas somáticos (o hipocondríaco que sente alguma coisa, uma tonteira, por exemplo, e supervaloriza o sintoma). Imagine alguém com medo constante de estar doente.

A angústia de passar por vários médicos, especialistas, uma série de exames e resultados negativos e, mesmo assim, a pessoa desacreditar de tudo e de todos e ter a certeza de que não está recebendo o tratamento que deveria e, portanto, pode morrer por falta de assistência. “O transtorno hipocondríaco é a crença persistente da presença de uma doença séria que, mesmo com investigações médicas negativas, o paciente insiste naquela preocupação”, resume a doutora em psiquiatria pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Márcia Gonçalves, membro da Associação Brasileira de Psiquiatria e coordenadora de psiquiatria da Universidade de Taubaté (Unitau).

Não é pouca gente que sofre com essa angústia. A especialista diz que a prevalência de pessoas com hipocondria atendidas em clínicas médicas varia entre 4% e 6%. Esse transtorno mental atinge igualmente homens e mulheres e a idade de surgimento da doença predomina entre 20 e 30 anos de idade. Professor da pós-graduação em Psiquiatria da Faculdade Ipemed, o médico psiquiatra especialista em infância e adolescência Cláudio Costa lembra ainda que as queixas emocionais são as que mais predominam nas consultas médicas.

“Estudos apontam algo em torno de 60%, mas que, por falta de paciência e tempo, o aspecto emocional é geralmente deixado de lado pelos profissionais de saúde”, diz. No caso da hipocondria, a situação é ainda mais difícil, já que, geralmente, o paciente passa a ficar conhecido nos centros de saúde, clínicas ou hospitais – de tanto que frequenta esses ambientes – e o ‘hábito’ gera rejeição social e preconceito.

Cláudio Costa diz que gosta da expressão que define hipocondria como “a doença que não existe” por dar conta de problematizar esse tipo de transtorno de ansiedade que tem dois lados. Ou seja, é uma doença, sim, mas ela não é facilmente percebida em consultas de rotina ou diagnosticada em exames laboratoriais. “Uma forma de conduta médica que considero perigosa e errônea é dizer ao paciente ‘Fulano, você não tem nada’. E o médico acrescenta ainda. ‘É psicológico. Procure um psiquiatra ou psicólogo’. São frases contraditórias: o nada e o problema psicológico são tratados como a mesma coisa e vemos um profissional de saúde que desvaloriza o adoecimento mental. Diga que os exames não acusaram nenhuma inflamação ou infecção, mas não diga que a pessoa não tem nada”, salienta.

O exemplo mostra como é difícil para alguém com transtorno de ansiedade de doenças ou transtorno de sintomas somáticos chegar a um profissional de saúde mental. “A hipocondria é uma doença mental que pode ser classificada como um tipo de transtorno de ansiedade relacionado a percepções errôneas sobre o próprio corpo, em que o indivíduo supervaloriza qualquer sintoma ou desconforto corporal. É alguém que não vai acreditar no médico que disser que ele ‘não tem nada’. Vai se sentir irritado, procurar outros profissionais, se submeter a exames e desacreditar, inclusive, os resultados laboratoriais”, diz o psiquiatra.

O especialista diz que no caso do transtorno de ansiedade de doenças é comum, diante de anúncios de uma epidemia, por exemplo, a pessoa interpretar toda e qualquer sensação no corpo como um sintoma da enfermidade que está em surto. “É alguém com pavor tão grande de adoecer que passa a tomar cuidados exagerados, como deixar de sair de casa”, explica. A psiquiatra Márcia Gonçalves afirma que esse tipo de transtorno pode surgir a partir de uma carga genética e até mesmo ser desenvolvido a partir da convivência, especialmente se o hipocondríaco estiver cercado de pessoas que sempre maximizam situações negativas e escolhem temas associados a doenças em suas conversas cotidianas.

Diagnóstico difícil
O diagnóstico nem sempre é simples, já que o transtorno obsessivo compulsivo (TOC) pode ser confundido com a hipocondria. “A fronteira é tênue”, salienta o psiquiatra Cláudio Costa. Márcia diz que são muitas as semelhanças entre a hipocondria e o TOC. “As obsessões sobre a possibilidade de ter uma doença são comuns no TOC. Na hipocondria, por outro lado, temos pensamentos persistentes, dúvidas e ruminações sobre a possibilidade de ter uma doença grave, preocupações com a saúde, hipervigilância sobre eventuais sintomas físicos, verificação frequente de pulso, pressão e temperatura – muitas vezes em situações em que existem variações normais, como na prática de exercícios físicos ou em momentos de estresse. Além disso, checagens repetidas do próprio corpo – do abdômen, do pescoço em busca de linfonodos, do pulso das carótidas – e, sobretudo, repetições de exames e de avaliações médicas”, diferencia. No caso da hipocondria, o tema central das preocupações é a saúde e a possibilidade de ter uma doença grave.

“Os hipocondríacos necessitam frequentemente obter garantias com os profissionais de que não têm nenhuma doença grave, sendo, muitas vezes, essa a única forma de se tranquilizarem. No TOC também pode ocorrer uma preocupação com doenças, mas normalmente é com a possibilidade de ter se contaminado ou de vir a contaminar-se no futuro, seguida de evitações e lavações excessivas.”, completa.

Márcia Gonçalves diz que o diagnóstico é feito quando se observam excessivos pensamentos, sentimentos ou comportamentos relacionado a sintomas somáticos ou associados a preocupações com a saúde com duração de pelo menos seis meses. “Precisamos observar as manifestações no indivíduo e se essas manifestações apresentam-se desproporcionais, persistentes, com elevada ansiedade e preocupação com a saúde e com os sintomas que o paciente sofre”, pondera. 

Relações podem ser afetadas
A hipocondria pode afetar as relações sociais, familiares e de trabalho. Comumente, a pessoa é vista como exagerada e negativista e muita gente se afasta. Para a psiquiatra Márcia Gonçalves, quando uma doença é desconhecida, quem sofre dela pode ser alvo de injustiças por parte dos grupos e das pessoas do convívio mais íntimo. “O hipocondríaco tem um sofrimento inenarrável e, certamente, não teria esse comportamento se tivesse escolha”, observa. Colocar -se no lugar do outro quando se trata de comportamentos considerados ‘diferentes’ é, para a médica, o caminho a perseguir.

“Se a família e os amigos tiverem, em vez de julgar, um olhar compassivo para os comportamentos, que inicialmente parecem incompreensíveis, podemos ter menor prejuízo pessoal ao paciente”, explica. Quem nunca teve medo de ter um problema de saúde? .Imagine o sofrimento que isso acarreta para uma pessoa que passa a maior parte de seu tempo com esse pensamento prevalente, além medo e angústia constantes”, considera.

A hipocondria pode ser transitória, motivada, por exemplo, por caso de doença grave ou morte na família, mas há casos mais sérios classificados como transtorno de personalidade hipocondríaca. “É alguém geralmente rejeitado socialmente, que todos os seus assuntos são relacionados a infecções e doenças, uma pessoa que está sempre procurando novos remédios e quem convive com ela geralmente suspeita de uma enfermidade mental grave. A doença é o assunto que domina a vida psíquica, social e afetiva dessa pessoa. Quando é uma constante, há que se ter muita paciência. Respeitar a doença do outro é perceber que essa pessoa está sofrendo”, ressalta.

Tratamento
Há casos em que o hipocondríaco passa por tanto sofrimento e ansiedade que consegue, por si mesmo, procurar a atenção em saúde mental. É importante lembrar, no entanto, que nem sempre a pessoa com hipocondria consegue ter crítica suficiente para buscar o tratamento adequado. Por isso, é alguém que precisa de ajuda e o olhar atento dos familiares. De acordo com Márcia, o primeiro passo é deixar claro ao paciente que ele não tem nenhuma doença física, mesmo que ele discorde e alegue ao contrário.

A psicoterapia de esclarecimento pode ser suficiente em algumas situações de diagnóstico de hipocondria. Para a psicóloga Sara Lopes, quando o paciente reconhece sua condição, os riscos inerentes à doença podem ser minimizados. Por outro lado, segundo ela, quando o indivíduo ainda não sabe do que sofre, o perigo mais comum é a automedicação com a finalidade de acabar com uma doença que ele acredita ter.

“A ansiedade e a preocupação são emoções frequentes para quem tem hipocondria. Eles interpretam sensações fisiológicas habituais ou pequenas variações do corpo como um sintoma de um mal que está por vir”, enfatiza. Nos casos de ansiedade alta – seja no transtorno de ansiedade de doenças ou no transtorno de sintomas somáticos –, o tratamento indicado é com ansiolítico, antidepressivo que tem a vantagem de não causar dependência. “O uso de antidepressivos deve ser prescrito por um médico”, lembra Márcia. Segundo ela, alguns especialistas indicam a prática de atividades físicas e pequenos trabalhos voluntários, no caso de o problema afetar a vida do paciente, a ponto de ele não conseguir mais trabalhar ou se relacionar socialmente.

Ansiedade e transtorno do pânico
A hipocondria está associada a diversos transtornos de ansiedade, sobretudo ao transtorno de pânico. Estima-se que de 50% a 70% dos pacientes com transtorno de pânico tenham sintomas hipocondríacos, e que 13% a 17% dos hipocondríacos tenham transtorno de pânico associado. Há muito tempo, a doença também vem sendo associada, na literatura científica, aos transtornos de ansiedade e transtornos depressivos.

Saúde Plena

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Farmácia Viva aumentou produção de fitoterápicos no Distrito Federal em 2016

Em 2016, a Farmácia Viva da Secretaria de Saúde aumentou a produção dos fitoterápicos, que são medicamentos extraídos de plantas medicinais. De 1º de janeiro a 13 de dezembro de 2016, foram fabricadas 25.037 unidades, enquanto em todo o ano de 2015 foram 22.252, o que representa o crescimento de 11,12% (3.055 unidades)

Com eficácia comprovada pela Anvisa, os fitoterápicos são uma alterativa terapêutica para quem quer se tratar de alguma doença sem usar medicamentos industrializados. Na lista da Farmácia Viva estão chás, xaropes, tinturas, pomadas e gel, que são fabricados a partir de sete plantas. São elas o Alecrim Pimenta, Babosa, Erva Baleeira, Confrei, Boldo, Guaco e Funcho. "A proposta é oferecer uma opção terapêutica importantíssima na promoção à saúde, que tem alicerce em conhecimentos tradicionais, porém, referendada por estudos científicos. Alguns fitoterápicos podem apresentar menores efeitos colaterais, porém devemos conhecê-los bem para a sua indicação ou prescrição", orientou o chefe da Farmácia Viva, Nilton Luz.

O xarope de guaco, que tem o nome cientifico Mikania laevigata, é o mais procurado pelos pacientes. Foram 14.263 unidades distribuídas. A solução serve como expectorante no tratamento de gripe, resfriado e infecções respiratórias que apresentam muco ou catarro. Para quem é diabético e não pode consumir açúcar, a farmácia fabricou 545 tinturas da planta e 177 pacotes para chá de guaco.

Com 3.921 unidades, em segundo lugar na produção, está o gel de erva baleeira (Cordia verbenacea), que é um anti-inflamatório tópico usado para tratar inflamações locais. Já a tintura de boldo nacional (Plectranthus barbatus), usada para desconforto digestivo, ficou em terceiro lugar, com 2348 itens.

Na mesma linha de tratamento do boldo nacional, há a tintura de funcho é uma alternativa para gases estomacais. Já o gel de alecrim pimenta é indicado para tratamento de infecções causadas por fungo e bactérias na pele. Para auxiliar na cicatrização de feridas, há ainda a pomada ou gel de confrei e também o gel de babosa.

Produção
As plantas são cultivadas de forma orgânica na própria Farmácia Viva e também nos terrenos do Complexo Penitenciário da Papuda e Centro Nacional de Recursos Genéticos, que são parceiros do projeto. Após a colheita, as ervas são selecionadas, secadas em estufa e trituradas até se transformarem em pó. Com esse material, é feita a extração da tintura ou extrato com álcool. A exceção é para a babosa, que é utilizada de maneira fresca para produção do gel cicatrizante.

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Distribuição
Os fitoterápicos são entregues mediante apresentação da receita médica, que pode ser prescrita pelos médicos nas unidades básicas de saúde. Os remédios podem ser obtidos 20 locais diferentes, em 12 regiões administrativas: Brazlândia, Gama, Taguatinga, Sobradinho e Núcleo Bandeirante, Guará, Samambaia, São Sebastião, Recanto das Emas, Riacho Fundo I e II, além da Candangolândia.

Fonte: Governo de Brasília

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Saúde do Homem: Doenças que afetam os testículos precisam de atenção

O Blog da Saúde, site do governo, recebeu dúvidas dos internautas sobre algumas doenças que afetam a saúde dos homens. Para responder às principais dúvidas, o chefe do setor de Urologia do Hospital Federal do Andaraí (RJ), Pedro Augusto Reis, esclarece as informações sobre as doenças Orquite, Hidrocele, Varicocele e Epididimite

Orquite
Blog da Saúde: O que é a orquite? E como ela inflamação ocorre?
Pedro Augusto Reis:É uma inflamação nos testículos provocada por bactérias ou por vírus. As causas mais comuns são as infecções bacterianas. Quando se fala de orquite bacteriana, estamos falando de doença que acontece secundariamente a uma infecção urinária, pois essa bactéria pode descer e encontrar o testículo, causando uma infecção.

A segunda situação que também pode ocorrer em relação à orquite são as Infecçõess Sexualmente Transmissíveis (IST). Algumas bactérias como a da clamídia, que produz uma infecção na uretra, também podem atingir o testículo e produzir uma orquite.

Por fim, também são muito frequentes as infecções virais. A caxumba, por exemplo, também pode circular pela corrente sanguínea, atingir o testículo e produzir uma orquite.

Blog da Saúde: Quais são os sintomas?
Pedro Augusto Reis: Tanto a infecção viral como a bacteriana, vai apresentar uma dor muito forte na região dos testículos, no lado direito ou esquerdo, ou até mesmo dos dois lados. Além da dor, um aumento no volume da região do testículo, ficando com um tom avermelhado. Eventualmente pode aparecer febre.

Blog da Saúde: É possível evitar? Quais cuidados os homens devem tomar?
Pedro Augusto Reis: Nós reduzimos a incidência de orquite quando o homem diminui o risco de contaminação com bactérias. Os vírus são mais difíceis de se prevenir. Homens que possuem problemas de próstata, que urinam com dificuldade e não conseguem esvaziar plenamente a bexiga, ficam com resíduo acumulado e muitas vezes se torna um foco de bactérias. O tratamento da próstata e a ida ao urologista ajudam a diminuir a incidência de orquite.

Ficar atento à prevenção das IST, e o uso de preservativo nas relações sexuais, principalmente os mais jovens, é outra maneira de prevenir.

Quando você reduz o risco de contrair uma IST, você acaba reduzindo a probabilidade de uma orquite provocada por elas.

Homens com cálculos de bexiga também podem aumentar o risco de infecção urinária, e orquite. Portanto, a identificação precoce desses problemas, principalmente na próstata, e o tratamento deles, costuma reduzir a incidência da orquite.

Blog da Saúde: Como é feito o tratamento?
Pedro Augusto Reis: No caso de infecções bacterianas, o tratamento é basicamente reduzir os sintomas de dor com analgésicos, anti-inflamatórios, antibióticos, e fazer o uso do suporte de saco escrotal, uma espécie de cueca que faz compressão e que eleva o testículo para evitar desconforto no local e reduzir o inchaço.

Se a gente suspeita de uma infecção bacteriana comum, não causada por IST, tratamos com os antibióticos apropriados para as bactérias que provocam infecções urinarias e que podem provocar orquite.

No caso da IST, acontece da mesma maneira. Identifica-se qual é o tipo de bactéria que está provocando e o antibiótico apropriado para isso.

Normalmente os resultados são muito bons, e em torno de uma semana os homens se sentem muito melhores e estão praticamente curados.

Repouso e ingestão de muito líquido durante o tratamento é muito importante.

Blog da Saúde: Quais são os riscos de não tratar a orquite?
Pedro Augusto Reis: Normalmente, os pacientes não aguentam ficar muito tempo sem o tratamento, pois é uma condição muito dolorosa. O principal risco da orquite bacterianas é a possibilidade de atrofia do testículo, de redução do volume do testículo, formação de abcessos, pus dentro do saco escrotal, além da possibilidade da infecção se generalizar e sair do testículo, atingindo a corrente sanguínea. No caso dos abcessos, pode ser necessário realizar cirurgias, inclusive de drenagem da bolsa escrotal para tirar o pus. Em casos mais raros até retirar o testículo. As orquites causadas por vírus, como o da caxumba, acometem os dois testículos e o risco de infertilidade é maior se o tratamento não for feito de imediato.

Epididimite Blog da Saúde: O que é a epididimite? E como ela ocorre?
Pedro Augusto Reis: É a inflamação do órgão que fica por cima e por trás do testículo, que é o epidídimo. Os testículos produzem os espermatozoides e, depois que eles são produzidos, são lançados no epidídimo. É muito comum que esse órgão se inflame na mesma situação da orquite. Existe a orquite isolada, mas é muito comum encontrar a orquiepididimite, que é a inflamação dos dois órgãos simultaneamente, porque estão muito próximos. As mesmas situações de contaminação da orquite se enquadram para a epididimite.

Blog da Saúde: Os sintomas também são iguais?
Pedro Augusto Reis: A diferença é que a Epididimite acompanha febre alta junto com a dor e aumento do testículo, enquanto a Orquite pode dar febre ou não.

Hidrocele
Blog da Saúde: O que é a Hidrocele? Quais os sintomas mais comuns?
Pedro Augusto Reis: É um acúmulo excessivo de líquido ceroso, parecido com um soro, entre a membrana que envolve o testículo. Da uma sensação de peso, de desconforto. A parte estética para o homem começa a se tornar um problema, porque até mesmo caminhar fica difícil, por conta do aumento da bolsa escrotal. O homem quer ir para a praia, piscina, colocar uma sunga e fica desconfortável.

Blog da Saúde: Como ela acontece?
Pedro Augusto Reis: Existe uma camada chamada de túnica vaginal que envolve os testículos do homem. Essa camada de tecido tem um pouco de líquido que permite que o testículo tenha movimento dentro do saco escrotal e atua como uma espécie de lubrificante. Quando esse líquido começa a acumular em excesso, a hidrocele acontece. De modo geral, as hidroceles mais comuns não provocam dor e não são infecciosas. É somente um acumulo de líquido.

Elas podem ser provocadas como uma consequência da orquite também. O homem pode desenvolver uma hidrocele porque no processo de inflamação do testículo, esses tecidos inflamados podem produzir muito liquido como consequência da inflamação.

Blog da Saúde: E como é possível tratar?
Pedro Augusto Reis: O tratamento é cirúrgico. Quando a hidrocele aparece, ela fica estabilizada e isso incomoda o homem. Em outros casos, a gente pode fazer o tratamento aspirando por fora, com uma espécie de agulha. Mas de modo geral, se está incomodando, o tratamento não é feito com medicamentos, é cirúrgico, ou com técnica de aspiração.

Blog da Saúde: E se não for feito o tratamento? Quais são os riscos?
Pedro Augusto Reis: No caso da hidrocele não existe maior gravidade. Ela é basicamente um desconforto local e estético. Não aumenta risco de câncer e infertilidade, nem nada disso. A não ser quando vem acompanhado de Orquite, claro.

É importante lembrar também que em alguns casos mais raros a Hidrocele pode vir como consequência de um câncer de testículo. Por isso é sempre importante, quem está com a bolsa escrotal aumentada, com acumulo de líquido, fazer uma ultrassonografia com o urologista, porque isso vai identificar não só o liquido, mas também quais as condições do testículo.

Varicocele
Blog da Saúde: O que são as Varicoceles? E como elas ocorrem?
Pedro Augusto Reis: São varizes. Veias dilatadas dentro da bolsa escrotal. O testículo, para sobreviver, como qualquer órgão, possui artérias que levam o sangue até ele para nutrir e oxigenar. Existem veias que removem aquele sangue que já foi metabolizado pelos testículos, para devolver à corrente sanguínea. E essas veias que a gente chama de veias gonadais, tanto do lado esquerdo, quanto do lado direito da bolsa escrotal, se parecem com um rio. São várias veias que vão se unindo umas às outras, e subindo em direção a virilha. Na varicocele essas veias não são normais, elas ficam dilatadas, e com o volume aumentado.

Blog da Saúde: E como é possível identificar uma Varicocele?
Pedro Augusto Reis: As veias presentes nos testículos podem produzir essas dilatações de varizes, assim como nas pernas. Dependendo do grau de varicocele, o homem pode perceber que o testículo fica um pouco mais baixo, além da sensação como se existissem “bichos” no local. Algumas vezes provocam dor, e elas são muito mais comuns nos testículos do lado esquerdo, pois a drenagem das veias é diferente do lado direito. Dor no testículo esquerdo e veias dilatadas geralmente são sinais de varicocele.

Blog da Saúde: A varicocele pode causar algum agravamento?
Pedro Augusto Reis: O principal problema é que a maior causa de infertilidade, quando a gente consegue diagnosticar a causa, é a varicocele. A dor é algo fácil de manusear, basta evitar algum esforço físico, tomar um analgésico, e é passageira. Mas a chance de alguns homens acabarem inférteis é grande. É importante ressaltar que grande parte dos homens que estão inférteis tem varicocele. Entretanto, isso não significa que os homens que têm varicocele vão ser inférteis.

Blog da Saúde: E qual o tratamento?
Pedro Augusto Reis: O tratamento é cirúrgico e só é feito, na imensa maioria das vezes, quando existe uma varicocele que produz infertilidade. Isso a gente identifica em casais que estão tendo dificuldades para ter filhos e quando o homem faz o espermograma. Normalmente, são dois exames para avaliar a qualidade do esperma. Se o exame mostrar que o homem está com sub-fertilidade ou infertilidade e ele tem varicocele, a cirurgia é indicada.

Depois de seis meses os pacientes voltam a fazer o espermograma e cerca de 70% a 80% dos pacientes vão melhorar e voltar a ter níveis de produção de espermatozoides.

Cuidados gerais
Blog da Saúde: Como os homens podem evitar contrair estas doenças que afetam os testículos? Pedro Augusto Reis: Os cuidados com os testículos, com a bolsa escrotal, vão se basear em algumas questões. É importante a gente evitar roupas apertadas, muito quentes e abafadas.

Os testículos preferem uma temperatura mais baixa para ter um funcionamento mais adequado, e produzir não só os espermatozoides, mas também o hormônio testosterona.

O autoexame, principalmente entre os jovens, é importante. Basta apalpar os testículos durante o banho sem muita força para avaliar se apresenta alguma irregularidade. E por fim, a visita regular ao urologista caso identifique alguma alteração.

Aline Czezacki, para o Blog da Saúde

Aprovado produto para tratamento de esclerose múltipla

Medicamento foi registrado como produto biológico novo. O produto é indicado para o tratamento de esclerose múltipla em pacientes adultos

O produto biológico novo Plegridy® (betapeginterferona 1ª), usado no tratamento de Esclerose Múltipla recorrente-remitente (EMRR) em pacientes adultos, foi registrado e aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A publicação no Diário Oficial da União aconteceu no dia 19/12.

O princípio ativo do medicamento Plegridy® é a betapeginterferona 1ª que pode impedir que o sistema de defesa do organismo danifique o cérebro e a medula espinhal. A betapeginterferona 1ª é uma forma modificada de longa duração da interferona, substância natural produzida pelo corpo responsável por auxiliar na proteção contra infecções e doenças.

Embora não cure a doença, o tratamento com Plegridy® pode retardar os efeitos incapacitantes da esclerose múltipla, além de auxiliar na redução de surtos.

ANVISA