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segunda-feira, 17 de abril de 2017

Semente popular na Ásia é a nova aposta da ciência contra o tabagismo

Noz de Betel
Substância presente na noz de bétel reduz a fissura pela nicotina sem causar os efeitos colaterais comuns aos remédios atualmente prescritos, indica estudo norte-americano. Cientistas acreditam que o composto poderá ser usado em novos medicamentos

O tabagismo é um dos vícios mais populares no mundo: quase 1 bilhão de pessoas fumam diariamente, segundo o estudo Global Burden of Disease. Não à toa a busca por formas mais estratégicas de ajudar os dependentes move cientistas. Uma equipe norte-americana aposta em uma semente popular na Ásia: a noz de bétel. Segundo eles, há nela uma substância que bloqueia as células cerebrais ligadas à dependência da nicotina. Detalhes do trabalho foram apresentados no 253º Encontro Nacional da Sociedade Americana de Química (ACS, em inglês), nos Estados Unidos.

A noz de bétel, semente da planta palma de areca, é cultivada e utilizada em toda a Índia, partes da China e do sudeste da Ásia. É comercializada em uma folha de pimenteira, com uma mistura de especiarias, para ser mascada da mesma forma que um chiclete. A prática, uma tradição cultural nessas regiões, provoca sensação de euforia e alerta, o que também pode resultar em dependência. “A noz de bétel é considerada o quarto estimulante mais utilizado no mundo, depois da cafeína, do álcool e do tabaco”, explica, em comunicado, Roger Papke, um dos autores do estudo e pesquisador da Universidade da Flórida.

Inicialmente, os cientistas tinham a intenção de estudar a fundo a composição da noz para entender como se dá o vício nela. “Sem saber por que as pessoas se tornam dependentes, não havia como ajudá-las a superar esse problema. Conhecer melhor a planta pode nos fornecer uma nova maneira de tratar o vício”, justifica Papke. Durante o trabalho, observaram que a arecolina, um dos alcaloides psicoativos presentes na noz de bétel, estimula receptores de células cerebrais responsáveis pela dependência de nicotina, mas não afeta outros mecanismos ligados ao tabagismo.

A ação é diferente da provocada pela vareniclina — presente em remédios usados para combater o tabagismo —, que reduz o desejo de nicotina ao fazer conexão com receptores cerebrais da substância, mas pode provocar efeitos colaterais pelo fato de se ligar a outros receptores de nicotina não envolvidos com o vício. Entre os desconfortos, estão alterações no sono e no estômago, e vômitos.

Com base nos achados, os cientistas resolveram sintetizar uma série de compostos derivados da arecolina. Em testes, descobriram que muitos mantiveram o efeito de combate ao tabaco sem afetar os receptores de nicotina que não têm ligação com o vício, eliminando, assim, os efeitos indesejados da vareniclina. A equipe acredita que os derivados testados têm potencial para serem usados em tratamentos mais seguros. “As moléculas que estamos desenvolvendo são mais específicas. Como não visam outros receptores, devem ser mais eficazes”, diz Papke.

Molécula limpa
Para Helena Moura, psiquiatra especialista em dependência química e idealizadora do programa Viva Sem Cigarro, a pesquisa norte-americana é interessante, mas muito inicial. “É importante ressaltar que esse trabalho está numa fase em que não foram vistos os efeitos terapêuticos. Ele faz comparações com substâncias que são utilizadas, por ambas possuírem efeitos semelhantes. Mas ainda não podemos dizer o que a arecolina faz dentro do cérebro para que possa se tornar um medicamento”, ressalta.

Segundo a especialista, que não participou do estudo, a busca por medicamentos que não provoquem efeitos colaterais é algo frequente na área médica, apesar de difícil de ser concretizado. “Na farmacologia, usamos o termo de molécula limpa para aquela substância que tem um efeito certeiro ao alvo. Se isso não ocorre, pode haver efeitos colaterais. Mas isso é algo muito difícil de se conquistar. Mesmo no caso desse estudo, ainda assim, existe risco que os efeitos colaterais ocorram. É difícil ter garantia total”, ressalta.

Helena Moura destaca ainda que novos medicamentos contra o tabagismo são importantes, mas há que se considerar que superar o vício envolve outras preocupações e medidas. “Muitas pessoas que tentam parar de fumar acabam achando que só o remédio vai resolver o problema. Ele sozinho não dá conta do recado. Vai ajudar no desejo, na fissura pelo tabaco. Uma série de mudanças comportamentais também é necessária, como parar de tomar café e ingerir bebidas alcoólicas. Se medidas como essas não forem tomadas, se reduz pela metade as chances de o tratamento ser bem-sucedido”, alerta, destacando, em seguida, a importância também do apoio psicológico. “Muitas pessoas fumam porque possuem problemas emocionais, como depressão ou ansiedade. Por isso, é necessária a atenção ao emocional.

Aumentam mortes ligadas ao cigarro
O vício é diário para cerca de 1 bilhão de pessoas, principalmente homens. Segundo o relatório Global Burden of Disease, divulgado ontem na revista The Lancet, em 2015, um em cada quatro homens e uma em cada 20 mulheres fumavam todos os dias. O cenário é melhor que o de 1990 — de um em cada três homens e uma em cada 12 mulheres —, mas preocupa principalmente porque as mortes atribuíveis ao tabagismo têm aumentado. Ao todo, os investigadores consideraram hábitos tabágicos de 195 países e territórios entre 1990 e 2015.

No período, a prevalência global do tabagismo diminuiu em quase um terço, de 29,4% para 15,3%. Mas o crescimento da população provocou aumento no número total de fumantes diários, passando de 870,4 milhões para 933,1 milhões. Os óbitos atribuídos ao vício aumentaram 4,7% em 2015, se comparado a 2005, quando foi implementada a Convenção-Quadro da Organização Mundial da Saúde para o Controle do Tabaco, acordo em que vários países se comprometeram a aplicar políticas de combate ao vício. “Fumar continua a ser o segundo maior fator de risco para morte precoce e deficiência, e, para reduzir ainda mais o seu impacto, devemos intensificar o controle do tabaco”, ressaltou, em comunicado, Emmanuela Gakidou, pesquisadora do Instituto de Medidas de Saúde e Avaliação na Universidade de Washington (EUA) e uma das autoras do estudo.

O documento também lista as nações em que as pessoas mais perderam a vida em decorrência do vício. Em números absolutos, o Brasil faz parte da lista dos 10 países (veja quadro) que, em 2015, representavam quase dois terços dos fumantes no mundo (63,6%). Entre essas nações, a prevalência de tabagismo persiste alta, com exceção do Brasil, que, de acordo com o estudo, é líder no controle do tabagismo, mostrando uma das maiores reduções na prevalência do problema entre 1990 e 2015: de 28,9% para 12,6%, no caso dos homens, e de 18,6% para 8,2%, no caso das mulheres. Para os cientistas, o resultado positivo se deve ao fato de o Brasil ter implementado uma combinação de políticas de controle do cigarro, como restrições de publicidade, proibições de fumar em locais públicos e impostos sobre os produtos de tabaco.

A psiquiatra Helena Moura observa que os resultados brasileiros refletem um investimento na prevenção ao fumo, mas alerta que os cuidados devem continuar, especialmente os voltados para os mais jovens. “Isso é resultado de muitas campanhas informativas, mas a indústria sempre acha brechas para fugir desse controle. Por causa disso, o cuidado com os adolescentes precisa ser maior. Eles não viveram a época em que os danos do tabaco eram repetidos frequentemente. Hoje, temos muita publicidade voltada para esse público, com foco no narguilé e no cigarro eletrônico, por exemplo. As campanhas precisam ser readaptadas para os mais jovens”, defende.

Maiores perdas 
Veja o ranking de países com o maior número de mortes por tabagismo em 2015*
1º: China - 1,8 milhão
2º: Índia - 743.000
3º: EUA - 472.000
4°: Rússia - 283.000
5º: Indonésia - 180.000
6º: Japão - 166.000
7º: Bangladesh - 153.000
8º: Brasil - 149.000 9º:
Alemanha - 130.000
10°: Paquistão - 124.000

*Dados arredondados

sábado, 15 de abril de 2017

Pessoas divorciadas, viúvas e solteiras apresentam maior risco de morte após ter um AVC

O derrame pode ser fatal nesse grupo, com um risco muito maior do que em pessoas que têm um casamento estável. Segundo pesquisadores americanos, o cuidado mútuo pode explicar o fenômeno

Segundo a Federação Mundial do Coração (WHF), cerca de 15 milhões de pessoas sofrem acidente vascular cerebral (AVC), conhecido também como derrame, a cada ano. Dessas, 5 milhões acabam com sequelas permanentes e 6 milhões morrem. Alguns dos fatores de risco podem ser eliminados ou monitorados, como o tabagismoe a pressão alta. Outros, contudo, não são controláveis, como a idade avançada e o histórico familiar. Agora,um estudo norte-americano aponta mais um possível influenciador: o casamento.

A pesquisa - publicada no Journal of the American Heart Association e liderada pelo professor de medicina Matthew Dupre, da Duke University, na Carolina do Norte - sugere que o risco de morte após um derrame pode ser até 71% maior para adultos que nunca se casaram, em comparação àqueles em casamentos estáveis. Para pacientes que passaram por um divórcio ou que ficaram viúvos, o risco de morrer devido a um derrame é 23% e 25% maior, respectivamente. O número de interrupções no estado civil também é fator importante, aumentando a vulnerabilidade. Aqueles que se divorciaram ou ficaram viúvos mais de uma vez têm 39% e 40% mais chances de morte após um derrame em relação aos adultos continuamente casados.

O estudo envolveu 2.351 pacientes que tiveram AVC entre 1992 e 2010. O histórico das relações foi medido a partir de perguntas detalhadas sobre as datas de início e fim do casamento presentes em questionários respondidos a cada dois anos. Os pesquisadores definiram o estado civil dos participantes como nunca casado, continuamente casado, casado novamente, divorciado ou viúvo. O grupo de controle foi os adultos em matrimônio estável.

Mais da metade dos participantes - 1.382 pessoas, 58% do total - morreu durante o período do estudo. Todas as causas de morte foram consideradas relacionadas ou não à doença. Além do estado civil, os pacientes que morreram eram, em geral, mais velhos, menos educados e com renda menor do que os sobreviventes. Eles também apresentaram maior probabilidade de não ter filhos, apresentar sintomas depressivos, fazer menos exercícios físicos e tomar remédios para hipertensão.

Os pesquisadores descobriram também que, em caso de divórcio ou morte, um novo casamento não diminuiu o risco de óbito. “Pode ser que o estresse agudo e crônico causado pela perda de um parceiro tenha um papel importante na mortalidade”, diz Matthew Dupre ao Estado de Minas. “Suspeitamos também que a instabilidade matrimonial pode ter consequências negativas na regularidade ao tomar medicamentos, procurar serviços de saúde e outros comportamentos essenciais à recuperação.”

Silencioso
O derrame acontece quando há uma interrupção no fluxo de sangue no cérebro. Apesar do nome, a doença é mais comumente causada por um coágulo, que obstrui um vaso sanguíneo no órgão. Nesse caso, ocorre o chamado AVC isquêmico. Porém, em 20% dos casos, há rompimento de um vaso, causando uma hemorragia que destrói os tecidos ao redor do local. As duas variedades da doença são perigosas e podem causar perda de funções cerebrais e até levar à morte. “O derrame mata cerca de 100 mil pessoas por ano no Brasil e fica em primeiro ou segundo lugar entre as causas de morte no país, dependendo do sexo”, ressalta Fausto Stauffer, diretor de pesquisas da Sociedade Brasileira de Cardiologia.

Segundo o médico, a prevenção da doença - que ocorre subitamente e sem aviso - é feita com o controle dos fatores de risco. “O principal é a hipertensão. O risco de um hipertenso sofrer um AVC é cinco vezes maior do que uma pessoa com pressão controlada”, afirma. “Também são fatores diabetes, sedentarismo, tabagismo e colesterol alto, que aumentam a chance de formação de placas de gordura no sangue.” Todas essas condições podem ser controladas, diferentemente de questões como o histórico da doença na família, a idade avançada e até o sexo— mulheres sofrem mais derrames do que os homens.

Segundo Matthew Dupre, o casamento entra na categoria de fatores não modificáveis. “Não é como dietas ou exercícios, mas é importante que as pessoas entendam como ele pode influenciar a recuperação após uma doença séria como o derrame”, reforça. “Em particular, os pacientes divorciados ou viúvos mais de uma vez devem considerar uma conversa com seu médico sobre maneiras de reduzir os riscos e tomar medidas para aumentar as chances de sobrevivência a longo prazo.”

Fausto Stauffer observa que não há resultados conclusivos sobre o efeito protetivo do casamento. “A pessoa casada acaba tendo uma preocupação maior com a saúde. Além disso, ela tende a ser mais feliz, o que comprovadamente traz benefícios cardiovasculares. Nós não temos ainda resultados especificamente sobre o casamento, mas há estudos bem fortes que mostram que pessoas felizes, sem depressão e menos isoladas são mais saudáveis e se recuperam mais rápido após uma doença.”

O estudo foi realizado com base em observações, e, de acordo com os investigadores, são necessárias pesquisas direcionadas para confirmar os resultados. “Precisamos de mais estudos para saber todas as implicações clínicas das descobertas atuais”, diz Matthew Dupre. “Até lá, esperamos que nossa pesquisa traga maior consciência sobre essas associações e ajude médicos a reconhecer e tratar melhor pacientes que podem estar sob maior risco de morrer após um derrame.”

Coração e cérebro
A solidão também pode aumentar o risco de derrames, segundo um estudo do Departamento de Ciências da Saúde da Universidade de Iorque, no Reino Unido, divulgado em abril passado, no Heart Journal. A pesquisa usou dados de 181 mil adultos, observados entre três e 21 anos. No período, foram registradas 4.628 ocorrências de complicações coronarianas (ataques cardíacos, angina e morte) e 3.002 de acidente vascular cerebral (AVC). A análise aprofundada mostrou que o isolamento social foi associado a um aumento de 29% no risco de problemas cardíacos e de 32% no de AVC.

Publicado guia para transporte de produtos biológicos

Guia harmoniza melhores práticas de procedimentos, rotinas e métodos considerados adequados ao cumprimento de requisitos técnicos ou administrativos exigidos pela legislação

O documento expressa o entendimento da Agência sobre as atividades de qualificação de transporte dos insumos biológicos ativos, produtos biológicos a granel, produtos biológicos em embalagem primária e produtos biológicos terminados, estabelecendo requisitos mínimos necessários a serem observados para esta finalidade.

O Guia é uma orientação para as indústrias de medicamentos e para o Sistema Nacional de Vigilância Sanitária (SNVS) e contém as principais informações relacionadas às atividades necessárias para a qualificação dos sistemas de transporte utilizados para distribuição internacional e nacional de produtos biológicos.

A validação da cadeia de transporte é um requisito para a aplicação das Resoluções de Diretoria Colegiada (RDCs) 55/2010 e 49/2011, que tratam do registro e alterações pós-registro de produtos biológicos, respectivamente.

Clique aqui e acesse o Guia na íntegra.

ANVISA

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Doenças renais podem ser prevenidas com hábitos saudáveis

rinsO corpo humano é uma “máquina” perfeita, resultado de uma sintonia fina entre sistemas, células, nervos, órgãos e inúmeros outros componentes que mantêm o pleno funcionamento de toda essa engrenagem

E assim como as máquinas reais, o corpo depende de cuidados para ampliar sua vida útil, algo conseguido apenas com cuidados preventivos. Foi o que aprendeu Jorge Carlos Barroso, 46, paciente do Hospital Geral de Fortaleza (HGF), da rede pública do Governo do Ceará.

O metalúrgico tinha apenas 26 anos quando descobriu um grave problema renal, consequência de um outro mal até então desconhecido, a pressão alta.

Ainda jovem, Jorge descobriu que seria necessário um transplante para voltar a ter uma vida normal. “Eu era muito novo quando descobri a doença. Meus pais ficaram muito tristes, pois foi tudo muito rápido e, naquela época, o acesso aos tratamentos ainda era difícil. Em 2001, graças a Deus, consegui um transplante”, relembra.

No entanto, a felicidade de ter um novo órgão foi passageira. Contente com a recuperação, Jorge antecipou o retorno à rotina normal, voltando a trabalhar prematuramente. A atitude fez com que ele tivesse um regresso e culminou na necessidade de um novo órgão, no qual segue aguardando enquanto realiza hemodiálise.

Segundo o clínico generalista da emergência do HGF, Tiago Xerez, casos como a do metalúrgico Jorge Barroso, que desenvolveu hipertensão arterial prematura e, por consequência, doença renal crônica, são comuns para a maioria dos pacientes que dão entrada na Emergência do HGF. Essa realidade evidencia a importância dos cuidados preventivos. “Geralmente são pessoas que nunca procuraram um atendimento na rede básica de saúde, que quando chegam aqui, já se encontram com a patologia muito complexa e precisamos da equipe multiprofissional para realizar todo o acompanhamento durante a internação”, avalia Xerez.

Tratamento
Referência em assistência hospitalar de alta complexidade, realizando transplantes, neurocirurgias, e prestando assistência em Acidente Vascular Cerebral (AVC) e outras patologias. Com emergência 24 horas, o HGF é o maior hospital da rede pública do Governo do Ceará e garante o atendimento e o acompanhamento às pessoas que necessitam de cuidados relacionados a doenças renais crônicas.

A nefrologista chefe do HGF, Daniele Pinto, destaca que aproximadamente 140 pacientes internados com problemas renais são avaliados diariamente no hospital. As internações, em sua maioria, têm relação com três fatores: hipertensão, diabetes e uropatia obstrutiva (quando o fluxo de urina sofre uma inversão de direção; em vez de ir do rim para a bexiga, a urina volta à bexiga).

Estudos recentes também apontam que um outro fator tem contribuído para a insuficiência renal crônica: a obesidade. Uma vez que a doença renal crônica se desenvolve, ela passa a evoluir, cabendo aos especialistas a missão de retardar essa função. Para isso é fundamental que os pacientes mantenham uma vida saudável e façam exames regularmente de sumário de urina e de dosagem de creatinina no sangue.

O tratamento principal consiste em dieta e medicação apropriadas para ajudar a controlar o balanço crítico do corpo, que os rins normalmente controlam. Entretanto, quando há falha renal, metabólitos e fluidos acumulam e pode ser necessário tratamento de hemodiálise ou até mesmo transplante renal associado à medicação para restaurar a função renal.

Nem todos os pacientes que estão internados na unidade fazem hemodiálise, mas o HGF dispõe de dois tipos de máquina para a realização do procedimento, a hemodiálise convencional e a máquina Gênius, que é utilizada para tratamentos mais graves para pacientes que não podem sair do leito.

A hemodiálise é o procedimento em que uma máquina limpa e filtra o sangue, realizando parte do trabalho que o rim doente não pode fazer, liberando do corpo os resíduos prejudiciais à saúde e ajuda a manter o equilíbrio de substâncias como sódio, potássio, ureia e creatinina. A hemodiálise é indicada para pacientes com insuficiência renal aguda ou crônica graves. No HGF, somente em 2016 foram realizadas 14.290 diálises e em janeiro e fevereiro de 2017, 2.411. O hospital também garante exames laboratoriais, de imagens e biópsias. O paciente com suspeitas ou diagnóstico de doença renal grave, após consulta no posto de saúde mais próximo da sua casa, é encaminhado pela Central de Regulação para atendimento no Hospital Geral de Fortaleza.

Fonte: Secretaria da Saúde do Ceará

Amendoim: alimento é uma excelente opção para pequenas refeições

amendoiminnaturaO amendoim é um alimento que se tornou bastante popular nas refeições de alguns frequentadores assíduos das academias

É um alimento que já tinha seu espaço garantido no coração e no paladar da população brasileira e é encontrado com facilidade no território nacional. Como parte de uma alimentação equilibrada, para o ganho de uma vida mais saudável, o amendoim deve ser consumido sim, como vários outros alimentos in natura e minimamente processados.

Entender o nível de processamento dos alimentos, mais do que a qualidade de um alimento isolado, pode ser mais efetivo para chegar ao objetivo maior, que é ter saúde para toda a vida.

Grau de Processamento, segundo o Guia Alimentar
Alimentos in natura são obtidos diretamente da natureza, de plantas ou de animais, e não sofrem qualquer alteração após deixarem a natureza – nesse caso, seria o amendoim ainda com a casca marrom, sem adição de sal ou açúcar, que você mesmo pode descascar. Minimamente processado seria o amendoim já limpo, sem a casa, envolto naquela camada vermelha ou sem ela, mas sem adição de qualquer substância, seja sal, açúcar, óleos, ou outras gorduras. Com casca ou descascado, você pode encontrar o alimento em feiras ou supermercados com facilidade.

Propriedades
O amendoim faz parte do grupo de alimentos que inclui vários tipos de castanhas (de caju, de baru, do-brasil ou do-pará) e nozes, além das amêndoas. Castanhas, nozes, amêndoas e amendoins têm vários usos culinários. Podem ser usados como ingredientes de saladas, de molhos e de várias preparações culinárias salgadas e doces (farofas, paçocas, pé de moleque) e também ser adicionados a saladas de frutas. Por exigirem pouco ou nenhum preparo, são excelentes opções para pequenas refeições.

Todos os alimentos que integram este grupo são ricos em minerais, vitaminas, fibras e gorduras saudáveis (gorduras insaturadas) e, como frutas e legumes e verduras, contêm compostos antioxidantes que previnem várias doenças.

Porém, é preciso cautela quando algumas das características do alimento forem modificadas. Castanhas, nozes, amêndoas e amendoins adicionados de sal ou açúcar são alimentos processados e, sendo assim, o Ministério da Saúde indica que o consumo deve ser limitado. Na base da alimentação devem estar sempre os alimentos in natura e minimamente processados, como você pode conferir nas orientações do Guia Alimentar para a População Brasileira.

Preparações caseiras
O Ministério da Saúde recomenda que a população evite o consumo de alimentos ultraprocessados para obter uma vida mais saudável. Devido a seus ingredientes, alimentos ultraprocessados – como biscoitos recheados, “salgadinhos de pacote”, refrigerantes e “macarrão instantâneo”, – são nutricionalmente desbalanceados. Por conta de sua formulação e apresentação, costumam ser consumidos em excesso e substituir alimentos in natura ou minimamente processados.

Para que tenham longa duração e não se tornem rançosos precocemente, os alimentos ultraprocessados são frequentemente fabricados com gorduras que resistem à oxidação, mas que tendem a obstruir as artérias que conduzem o sangue dentro do nosso corpo. São particularmente comuns em alimentos ultraprocessados os óleos vegetais naturalmente ricos em gorduras saturadas e gorduras hidrogenadas, que, além de ricas em gorduras saturadas, contêm também gorduras trans.

Alimentos ultraprocessados tendem a ser muito pobres em fibras, que são essenciais para a prevenção de doenças do coração, diabetes e vários tipos de câncer. A falta de fibras decorre da ausência ou da presença limitada de alimentos in natura ou minimamente processados nesses produtos. Esse mesmo motivo faz com que os alimentos ultraprocessados também sejam pobres em vitaminas, minerais e outras substâncias com atividade biológica, que estão naturalmente presentes em alimentos in natura ou minimamente processados. Por essas razões, na hora de comer o amendoim, prefira sempre as preparações caseiras ou ainda o alimento in natura. Abaixo, listamos uma receita caseira de uma paçoca tipicamente brasileira.

Receita Caseira de Paçoca

Paçoca soltinha

Ingredientes
• 1/4 xícara de farinha de mandioca torrada
• 1 1/2 xícara de amendoim torrado
• 1/2 xícara de açúcar mascavo

Para fazer a paçoca soltinha
• Coloque a farinha de mandioca para torrar em uma frigideira até ficar douradinha.
• Enquanto isso, torre o amendoim no forno médio por 15 minutos. Descasque-o.
• Leve o amendoim ao processador junto com o açúcar mascavo e bata.
• Adicione a farinha de mandioca torrada para dar crocância à mistura e processe mais.

Gabi Kopko, para o Blog da Saúde