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sexta-feira, 19 de maio de 2017

Sal causa danos ao organismo muito antes do que se pensava, revela estudo

Pesquisa feita com adolescentes detecta o endurecimento arterial entre os que consomem a substância em quantidades acima do recomendado

O sal é um dos vilões mais conhecidos quando se fala em problemas no coração. Cientistas americanos reforçaram essa fama ao mostrar que os males causados pelo sódio ao organismo podem ocorrer mais cedo do que se imaginava.Os investigadores analisaram um grupo de adolescentes e viram que o consumo excessivo da substância provocou rigidez nas artérias dos jovens, problema que pode desencadear enfermidades mais graves, como ataque cardíaco e derrame. Os autores do estudo, apresentado no Encontro da Sociedade Acadêmica Pediátrica de 2017, nos Estados Unidos, sustentam que os achados corroboram a necessidade da redução do consumo do alimento desde a infância.

Os investigadores foram motivados a realizar a pesquisa após observar um aumento no número de crianças e adolescentes que sofrem com obesidade, diabetes, colesterol alto e hipertensão. Os cientistas resolveram fazer uma análise ampla e observar se o excesso de sal na dieta dos jovens poderia contribuir para o surgimento de problemas cardíacos. Os pesquisadores recrutaram 775 adolescentes em um hospital infantil do estado de Ohio, nos Estados Unidos.

A quantidade de sódio consumida pelos participantes foi medida por meio de registros dos próprios voluntários, durante três dias. Com a ajuda de monitores colocados na pele dos jovens - próximos a artérias localizadas no braço, pescoço e virilha -, duas medidas importantes no sistema cardíaco foram analisadas: a elasticidade da artéria braquial (localizada na parte superior do braço) e a onda de pulso (velocidade com que o sangue percorre entre a artéria carótida, no pescoço, e a artéria femoral, na virilha).

Os resultados mostraram que um maior consumo diário de sódio foi associado a uma menor elasticidade da artéria braquial e maior onda de pulso. “Juntas, essas duas leituras indicaram níveis mais altos de rigidez nas duas artérias periféricas, que ficam nas extremidades do corpo, e também nas artérias centrais”, explicou, em um comunicado, Elaine Urbina, diretora do Departamento de Cardiologia Preventiva no Hospital Infantil de Cincinnati, nos Estados Unidos, e principal autora do estudo.

De acordo com os cientistas, a rigidez das artérias, provocada pelo consumo excessivo de sal pelos adolescentes, reforça ainda mais a necessidade de redução da quantidade de sódio ingerida pelos jovens, já que essa alteração pode provocar a aterosclerose, problema que pode desencadear complicações ainda mais graves. “Sabemos que adolescentes e adultos jovens têm ingerido mais que a quantidade recomendada de sal em suas dietas. Nosso estudo sugere que isso pode gerar mudanças no corpo, e provocar riscos maiores de ataque cardíaco e derrame”, ressaltou Urbina.

Roberto Cândia, cardiologista do laboratório Exame, em Brasília, detalha por quê a rigidez das artérias é tão prejudicial ao coração. “O endurecimento dos vasos sanguíneos prejudica a circulação do sangue e também impede que substâncias liberadas pelo corpo, com a função de ajudar a dilatar os vasos sanguíneos, possam agir. Isso faz com que a pressão arterial aumente, dessa forma, a hipertensão e o infarto podem ocorrer. Essa relação já foi vista em pacientes diabéticos, e, agora, com esse estudo, constatamos que os jovens também podem sofrer desse mal. Isso mostra que futuramente eles podem se tornar cardiopatas”, destacou o especialista, que não participou do estudo.

Atenção à alimentação
Maria de Fátima Leite, membro do Departamento Científico de Cardiologia da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), acredita que a pesquisa americana reforça a necessidade de atenção à alimentação dos jovens, um assunto que vem sendo abordado por especialistas da área. “É um alerta mais que necessário porque o número de jovens que sofre com obesidade vem aumentando consideravelmente. Eles não estão apenas acima do peso. Eles precisam de tratamento, e isso é bastante preocupante. Com essa pesquisa, conseguimos ver como a ingestão de sal em excesso pode provocar o envelhecimento das artérias precocemente, um problema que muitos acreditam surgir apenas na meia-idade”, ressaltou a especialista.

Hábitos
Ela ressalta que os hábitos de alimentação das crianças precisam ser monitorados com cuidado pelos pais. “No caso da cidade onde vivo, no Rio de Janeiro, tenho visto que as crianças brincam menos na rua, não fazem atividades físicas. Isso, somado a uma alimentação ruim, muitas vezes baseada em produtos industrializados, com alta quantidade de sódio, se torna uma bomba-relógio. É importante trocar essas refeições por alimentos de qualidade, diminuir o consumo de junk food e estimular a realização de exercícios que ajudem a prevenir um problema cardíaco precoce”, ressaltou a especialista.

Os autores do estudo darão continuidade à pesquisa. Eles pretendem se aprofundar no tema, e encontrar mais detalhes relacionados à saúde cardíaca de crianças e adolescentes. Cândia aposta que a continuação do estudo, com avaliação de um grupo maior de pessoas, poderá trazer dados ainda mais relevantes. “Seria interessante observar mais jovens e também verificar se essa rigidez ocorre com mais frequência em alguma raça específica, se é algo mais comum em pessoas brancas, por exemplo”, ressaltou a especialista.

Anvisa alerta sobre lotes de hormônio falsificados

Anvisa alerta sobre lotes de hormônio falsificados

A empresa Laboratório Química Farmacêutico Bergano Ltda identificou a presença de dois lotes falsificados no mercado. Anvisa determina o recolhimento do produto. Anvisa determinou, nesta quarta-feira (17/5), a apreensão dos lotes CC40793 e CC60602, que são falsificações do hormônio de crescimento Hormotrop I2 UI pó liofilizado + diluente.

A empresa Laboratório Químico Farmacêutico Bergano Ltda, que possui o registro do medicamento, identificou e denunciou a presença desses lotes falsificados no mercado.

Como medida, a Resolução RE 1.304 de 11 de maio de 2017 determina a proibição da distribuição, comercialização e o uso do medicamento. Além disso, a empresa deve recolher os lotes falsificados disponíveis no mercado.

Serviços de saúde ou pacientes que identificarem esses lotes devem entrar em contato com a Vigilância Sanitária da sua cidade e a Polícia Civil, já que a falsificação de medicamentos é crime hediondo.

ANVISA

Novo medicamento para exame de contraste ganha registro

Produto gadobenato de dimeglumina é utilizado para uso em diagnósticos com ressonância magnética

Um novo medicamento para utilização em exames de ressonância magnética com contraste foi registrado pela Anvisa.O novo produto é o gadobenato de dimeglumina, que será comercializado com a marca ®.

O novo medicamento estará disponível na forma injetável, na concentração de 529 mg/mL. O medicamento é indicado como contraste para uso diagnóstico em ressonância magnética do fígado, da mama, do cérebro e da medula espinhal, e em angiografia por ressonância magnética.

Os contrastes à base de gadolínio (Gd) são utilizados apenas por via intravenosa em exames de ressonância magnética para realce de imagem. Sua principal função é deixar mais visível tecidos e vasos sanguíneos para melhorar o diagnóstico de lesões e tumores, por exemplo.

O Multihance® (gadobenato de dimeglumina), será fabricado pela empresa Patheon Itália S.p.A, localizada na Itália, e a dona do registro do medicamento no Brasil é a empresa Bracco Imaging do Brasil Importação e Distribuição de Medicamentos Ltda, localizada em São Paulo-SP.

ANVISA

Anvisa autoriza primeira insulina biossimilar

Primeira insulina biossimilar do mercado brasileiro deve aumentar as opções de tratamentos para médicos e pacientes


A primeira insulina biossimilar do Brasil foi registrada pela Anvisa. O produto chamado Basaglar é uma insulina análoga de longa duração administrada por injeção subcutânea. Na prática, o produto é mais uma opção de tratamento para as pessoas com diabetes do tipo 1 e 2.

O biossimilar é uma cópia de um medicamento biológico de referência. Apesar disso o termo “genérico” não pode ser utilizado, pois as características deste tipo de produto impedem que o produto final seja idêntico ao medicamento biológico que serve de comparação.

Durante a avaliação da insulina biossimilar Basaglar, foram analisadas todas as etapas de registro, análise da tecnologia farmacêutica do produto, a eficácia e segurança.

O medicamento também passou por um teste para comprovar que é um biossimilar do medicamento de comparação, o Lantus (insulina glargina). 

Indicação do Basaglar
O medicamento biossimilar teve indicação aprovada para o tratamento de diabetes mellitus tipo 2 em adultos e tratamento de diabetes mellitus tipo 1 em adultos e em crianças com 2 anos de idade ou mais.

O registro de biossimilares no Brasil é regulamentado pela resolução RDC 55/2010.

ANVISA

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Biomarcadores apoiam a decisão médica no tratamento de sepse

A sepse, ou infecção generalizada, é mais mortal do que se imagina. Estudos epidemiológicos brasileiros, coordenados pelo Instituto Latino Americano de Sepse (ILAS), apontam que a taxa de mortalidade em nosso país pode chega a 55% dos pacientes que apresentam sepse nas UTIs

Por Rosana Monteiro-Vero Press

Na última década, a taxa de incidência da doença aumentou entre 8% e 13%, e causou mais óbitos do que câncer de mama e de intestino.

A Sepse pode ser definida como a resposta sistêmica a uma doença infecciosa, causada por bactérias, vírus, fungos ou protozoários. Como a doença pode estar relacionada a qualquer foco infeccioso, as infecções mais comumente associadas à sua ocorrência são a pneumonia, a infecção intra-abdominal e a infecção urinária. A pneumonia responde por metade dos casos.

A Sepse é uma das principais causas de mortalidade em UTIs e o maior gerador de custos no setor público e privado.

Dependendo da eficácia do diagnóstico e do tratamento, a Sepse pode ser curada com antibióticos – maioria dos casos –, ou evoluir para um quadro grave e até matar. Por isso se diz que, em termos de Sepse, um minuto faz muita diferença, ou seja, detecção precoce e intervenção clínica rápida são fundamentais para salvar vidas.

Diante desse desafio, a bioMérieux, empresa francesa líder mundial em diagnóstico in vitro, oferece no Brasil um biomarcador que permite auxiliar o diagnóstico, chamado Procalcitonina (PCT).

A Procalcitonina é uma substância que não é encontrada no sangue de uma pessoa saudável. Ela é liberada por diversos órgãos quando há infecção bacteriana. Quanto maior a presença de PCT no plasma sanguíneo, maior a gravidade desta infecção.

O teste para detectar a Procalcitonina no Sistema VIDAS®, da bioMérieux, é realizado em apenas 20 minutos, por meio de amostra de sangue, sendo possível obter os primeiros resultados que são decisivos para que o paciente receba o tratamento adequado nesse curto período de tempo.

Dosagens de procalcitonina podem ajudar no diagnóstico precoce e no estabelecimento do prognóstico, na avaliação clínica e na orientação do tratamento, e ainda diminuir a incidência de bactérias multirresistentes a antibióticos nos hospitais, as chamadas superbactérias.

Estudos têm mostrado também que o investimento para medir a PCT de forma frequente é muito baixo e compensa a possibilidade de redução expressiva nos custos com antibióticos e UTI.

Na sepse, o aumento dos níveis de PCT pode ser observado de 3 a 6 horas após o início da infecção. Em infecções virais, doenças inflamatórias, doenças crônicas ou processos autoimunes, os níveis da PCT são baixos, permitindo, assim, o diagnóstico diferencial entre infecções bacterianas e as diversas condições clínicas.

O diagnóstico precoce da Sepse e o tratamento apropriado fazem a diferença. Um paciente que recebe a terapia antimicrobiana adequada na primeira hora do diagnóstico tem 80% de chance de sobreviver. Essa chance diminui 7,6% a cada hora que passa sem a terapia antimicrobiana. Se ao contrário, o paciente receber a terapia inadequada, ele tem cinco vezes mais chances de morrer, segundo os especialistas.

Saúde Business