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quinta-feira, 6 de julho de 2017

Como devo ingerir um comprimido, com água ou com comida?

Muitas vezes ingerimos comprimido com o que tiver mais acessível, seja leite, refrigerante ou café. Isso é certo?

Na hora de tomar aquele medicamento, sobretudo comprimido, receitado pelo médico, a maioria das pessoas recorrem a um pouco de água. Porém, tem gente que prefere substituir a água pelo leite ou qualquer outra bebida, em alguns casos, até misturar no meio da comida. Você sabia que, em certos casos, o efeito pode ser cortado? Por isso, na dúvida, recorra ao médico.

De acordo com profissionais da área da saúde, independente do líquido, nunca se deve substituir a água por leite, suco, refrigerante, chá ou bebida alcoólica na hora de ingerir qualquer medicamento. A maioria dessas substâncias pode interferir no resultado final do tratamento. O mesmo acontece com o fato de misturar o medicamento no meio da comida. Essa associação não faz bem para o tratamento.

Em casos específicos, por recomendação médica, o paciente pode substituir a água pelo leite ou ainda incluí-lo na alimentação. Mas, como lembrado anteriormente, tem de ser recomendado pelo médico. Para acabar de vez com algumas dúvidas sobre a ingestão de comprimidos, preste atenção nas orientações a seguir. Depois delas, você nunca mais terá dúvidas.

Na hora de ingerir o medicamento

Água
Por ser uma substância pura, que não resulta em nenhum tipo de interferência no organismo, sobretudo quando associada a um medicamento, por exemplo, é sempre recomendado que essas drogas sejam ingeridas com água. Porém, é bom ficar atento a pessoas que cultivam o hábito de dissolver o medicamento na água. Segundo os médicos, isso não é indicado. Pois há perda da medicação ou perigo do paciente não ingerir a dose inteira pelo gosto ruim que apresenta.

Leite
Em alguns casos, as pessoas trocam a água pelo leite, mas, isso não é uma prática viável, ainda que muitos acreditem que o líquido proteja o estômago da agressão provocada pela química do remédio. Essa substituição deve ser feita apenas pelas pessoas que têm de tomar medicamentos em jejum, mediante prescrição médica. Nos demais casos, o leite pode cortar o efeito do medicamento, sobretudo dos antibióticos.

Os metais presentes no leite, como ferro, cálcio e zinco, entram em ação com o princípio ativo do remédio no trato digestivo, impedindo a correta absorção do medicamento. Nesse caso, o tratamento não é eficaz, já que parte das substâncias são eliminadas pelas fezes.

Misturado à comida
Nos casos de misturar o medicamento a comida, a prática deve ser evitada, já que ingerido nessas condições, o medicamento pode ter sua absorção reduzida de 30% a 40% ou até mesmo ser inativado. Para os casos que o remédio tiver de ser consumido próximo das refeições, recomenda-se que isso seja feito com o intervalo de uma hora antes e de duas a três horas após a refeição.

Bebidas alcoólicas
O uso de medicamento associado às bebidas alcoólicas é uma prática bastante prejudicial. Isso porque a junção de álcool e remédio pode intensificar o efeito dos dois, o que pode ser perigoso para a saúde.

Paracetamol 500mg da Prati Donaduzzi tem lote suspenso

Lote suspenso foi reprovado em controle da própria empresa. A suspensão vale para o lote 16H12A do Paracetamol 500 mg 50 X 10

Um lote do medicamento Paracetamol 500 mg do laboratório Prati  Donaduzzi &  Cia Ltda teve sua distribuição e comercialização suspensas por ter sido reprovado no ensaio de aspecto. A própria empresa identificou o problema e comunicou que fará o recolhimento voluntário do medicamento.

O lote suspenso é o 16H12A que foi reprovado no ensaio de aspecto, que avalia a aparência do medicamento e sua embalagem para saber se as características visuais e o aspecto do produto estão de acordo com o padrão de qualidade.

O que fazer?
O produto teve a suspensão da distribuição e comercialização. Pacientes que tenham o lote suspenso em casa podem entrar em contato pelo SAC do laboratório Prati Donaduzzi & Cia para saber como fazer a devolução do medicamento.

Os outros lotes da empresa continuam liberados. No Brasil existem medicamentos com paracetamol de várias marcas e de vários laboratórios.

ANVISA

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Operação Iron Man: Anvisa interdita linha de produção irregular de próteses

Operação interditou linha de produção de próteses de face e de crânio fabricadas sem a autorização da Agência

Operação da Anvisa, deflagrada nesta terça-feira (4/7), interditou uma linha de produção de próteses personalizadas de face e de crânio no Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) de Joinville (SC). Após investigação, constatou-se que essas próteses eram produzidas para uso em pacientes sem a devida autorização da Agência.

Produtos para saúde, como é o caso das próteses, precisam de registro junto à Anvisa para serem comercializados. Além disso, as linhas de produção desses produtos precisam ser autorizadas pelas autoridades sanitárias. Esses requisitos são fundamentais para garantir a segurança para quem fará uso de próteses.

Na operação de hoje, verificou-se que as próteses personalizadas de face e de crânio eram produzidas por encomenda de duas empresas ainda em processo de investigação, dentro de um projeto de protótipos do Senai. A equipe da Anvisa em Joinville já solicitou toda a documentação referente a esta produção irregular para verificar se, de fato, houve o implante desses produtos em pacientes.

A linha de produção ficará interditada inicialmente por 30 dias. Neste prazo, o Senai deverá comprovar o destino final das próteses já produzidas e a metodologia de controle que será utilizada para que as próteses futuramente produzidas não sejam utilizadas de forma irregular em procedimentos médicos.

Após o devido processo legal, as empresas envolvidas nas fraudes podem pagar multas de até R$ 1,5 milhão. Outras sanções sanitárias possíveis são notificações, interdições e até mesmo o cancelamento dos alvarás de funcionamento.

ANVISA

O paradigma do menos é mais para os hospitais brasileiros

Nunca discutiu-se tanto excessos de intervenções em saúde. O tema está na grade de um número crescente de eventos médicos e atingiu pacientes e familiares por enorme exposição na mídia nos últimos tempos

Por Guilherme Brauner Barcellos

Agora temos resultados de algumas iniciativas genuinamente brasileiras para apresentar, de imenso valor para médicos, enfermeiros e demais profissionais da saúde que trabalham em hospitais, e, muito especialmente, para pacientes.

A primeira delas foi desenvolvida por médicos ligados à Academia Brasileira de Medicina Hospitalar (ABMH), da qual faço parte. Discutimos e escolhemos algumas recomendações de intervenções que devem ser abandonadas ou minimizadas nas organizações.

CW ABMH

A segunda foi organizada pelo Instituto Brasileiro de Segurança do Paciente (IBSP). Em um trabalho marcadamente multiprofissional, houve um convite inicial a profissionais brasileiros de diversas instituições e que desempenham trabalho ligado à segurança do paciente. Um total de 55 recomendações foram geradas pela Task Force que tive a satisfação de compor. Algumas frases que possuíam conteúdo similar foram adaptadas e condensadas em uma única sentença. 11 recomendações (houve empate entre a 10ª e a 11ª ) com maiores notas médias foram pré-selecionadas.

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Na rodada seguinte, foi feita uma escolha pública após email-marketing do IBSP e publicação nas fanpages do IBSP e Choosing Wisely Brasil no Facebook.

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As TOP FIVE foram:
  • Não examine os pacientes antes de higienizar suas mãos, e não deixe de higienizar as mãos após o contato com paciente.
  • Não utilize ou mantenha acesso venoso central ou periférico instalado por mera conveniência, sem que haja uma necessidade real.
  • Não coloque ou mantenha sondas vesicais de demora por mera conveniência, sem que haja uma necessidade clínica para isso.
  • Não retarde uma alta hospitalar sem uma justificativa aceitável.
  • Não imponha intervenções médicas agressivas de qualquer espécie sem antes avaliar valores e expectativas de pacientes diretamente ou através de seus representantes legais.
Parecem óbvias, mas o desafio não é pequeno. A começar pela definição do que é necessidade real ou justificativa aceitável. Em minha prática médica, quando questiono manutenção de acessos venosos ou sondas vesicais de demora, raramente servem para auto-crítica e imediata retirada dos dispositivos. Quando a mim questionam, vejo-me automaticamente buscando uma explicação mental para o que já passou. O fato é que, até certo ponto, é absolutamente compreensível que profissionais busquem explicações para justificar seus atos, e que suas decisões sejam influenciadas por armadilhas cognitivas. Não incomumente, é pura conveniência nossa a manutenção de cateteres ou sondas!

Analisando-se evidências científicas, benefícios e riscos, incontinência urinária não deveria justificar uso de sondas vesicais de demora. Também não a possibilidade do paciente piorar, excetuando-se situações de consagrado alto risco, deveria justificar a manutenção de acessos venosos centrais. Mas são explicações empregadas. No caso dos cateteres venosos, deveriam os hospitais organizar-se para disponibilizar a quem precisa, no momento certo – nem cedo demais, nem tarde demais -, e pelo tempo estritamente necessário. Não é uma utopia! Cabe reconhecer, entretanto, que as intervenções necessárias não são exatamente simples, o complexo delas exige vontade institucional, uma equipe de trabalho forte/motivada e apreciação de princípios básicos de melhoria da qualidade, um campo que ainda precisa ser reforçado entre as competências e habilidades necessárias aos profissionais assistenciais.

Existem ainda zonas cinzas nas indicações de inserção ou de manutenção destes dispositivos, situações que demandariam ainda mais reflexões, não o contrário. Para conforto, trilhamos o caminho onde não há conflitos, mas resulta em uma heterogeneidade de práticas não mais aceitável. A despeito de opiniões individuais e divergências que toda zona pouco clara naturalmente gera, uma protocolização da matéria, o estabelecimento de rotina institucional, são extremamente bem vindos, desde que partam da maioria dos profissionais envolvidos diretamente no cuidado para efetivamente funcionar.

Há estudos mostrando que médicos muito frequentemente esquecem que seus pacientes estão em uso da sonda. Iniciativas em equipe e multimodais são consideradas hoje essenciais nos hospitais para minimizar as infecções urinárias. Aqui exemplo de uma delas em formato que facilita replicação: http://www.choosingwiselycanada.org/in-action/toolkits/lose-the-tube/

Por fim, instigante notar o que mudou da recomendação dos experts após a votação pública. O que vou comentar é uma tese desprovida de base científica, mas duas recomendações que saíram das Top Five exigiriam mais profundas mudanças organizacionais culturais e/ou ações que, não encaminhadas paralelamente, colocariam os profissionais da ponta em maus lençóis. Reduzimos suas importâncias por “comodidade”?
  • Não permita que pacientes hospitalizados permaneçam deitados em repouso além do estritamente necessário. É o tema da hora da segurança dos pacientes e do gerenciamento de risco nos hospitais. A busca por taxa zero de quedas, associada ao uso de contenção mecânica em substituição a demandante cuidado à beira leito de vulneráveis, talvez esteja favorecendo imobilidade demais, gerando segurança perceptível, mas não segurança real. Entretanto, mobilizar mais e melhor os pacientes hospitalizados exige adequado dimensionamento de pessoal das mais diversas profissões paramédicas e novos modelos de remuneração para prestadores de serviço na área de fisioterapia dos hospitais privados. Ao não ver isto no horizonte, talvez tenhamos empurrado para longe de nós o desafio.
  • Reflita muito antes de interromper o descanso noturno de pacientes estáveis de baixo risco apenas para avaliação de sinais vitais ou outros cuidados de rotina. Uma intervenção mais fácil de aplicar, mas as complexidades logísticas e políticas de organizar uma abordagem do tipo não devem ser subestimadas, principalmente em hospitais onde a cultura do “sempre fizemos assim” é bastante enraizada.
Quer conhecer melhor a Choosing Wisely Brasil, assista o vídeo abaixo:

Instituto desenvolve remédio inédito contra veneno de abelha

O Instituto Vital Brazil, está desenvolvendo um medicamento inédito contra veneno de abelha. Testes já realizados mostraram que o produto é seguro

Imagens do dia - Abelha carrega pólen na Alemanha
Duas ampolas do soro antiapílico são suficientes para combater 200 picadas de abelha. A expectativa é que 
o produto seja liberado para consumo no segundo semestre de 2019. (Frank Rumpenhorst/DPA/AP)

O Instituto Vital Brazil (IVB), vinculado à Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro, está desenvolvendo um medicamento inédito contra veneno de abelhas, em parceria com o Centro de Estudos e Venenos de Animais Peçonhentos da Universidade Estadual Paulista de Botucatu (Cevap/Unesp).

Há um ano, o soro antiapílico vem sendo testado em dez pacientes que tiveram múltiplas picadas de abelha. Segundo Luís Eduardo Cunha, assessor da diretoria científica do IVB e doutorando em medicina tropical pela Fundação Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz), os resultados foram muito bons. “Nesta fase de testes, a gente vê segurança. Nesses dez pacientes em que foi aplicado o soro, correu tudo bem, na medida do esperado.”

No mês de julho, o Instituto solicitará à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) a extensão, por mais um ano, da atual fase de testes, chamados estudos clínicos, com o objetivo de testar o soro em mais 10 pacientes.”Até julho do ano que vem, a gente tem que totalizar 20 pacientes, que é o número que estabelecemos para esse estudo. Como a gente não pode inocular o veneno nas pessoas e depois o soro para testar, e tem que esperar acontecer os casos, isso dificulta um pouco o processo. A gente necessita que os casos aconteçam naturalmente e que sejam perto de onde a gente tem soro”, indicou Cunha.

Podem participar dos estudos clínicos pessoas com idade entre 18 e 60 anos que tenham sofrido acima de cinco picadas de abelha e, no caso das mulheres, que não estejam grávidas. O tratamento consiste na utilização de duas a dez ampolas de soro, dependendo da carga de veneno que as pessoas acidentadas receberam. Duas ampolas são suficientes para combater 200 picadas de abelha.

Registro
As duas unidades de pesquisa clínica credenciadas e autorizadas pela Anvisa para fazer esse teste estão nas cidades de Botucatu (SP) e Tubarão (SC). Em julho de 2018, alcançando o total de até 20 pacientes, o IVB fechará o relatório de segurança, que será enviado à Anvisa, para que possa liberar o registro. O Instituto passará então a produzir o medicamento para fornecer ao Sistema Único de Saúde (SUS), do Ministério da Saúde, que vai disponibilizar para o Brasil inteiro. A expectativa é que o medicamento possa ser liberado para consumo no segundo semestre de 2019. A tecnologia de produção e o próprio soro também poderão ser exportados para outras nações. Países asiáticos já têm manifestado interesse nesse sentido, afirmou Cunha, que também é médico veterinário.

Acidentes
Os últimos dados disponíveis no Ministério da Saúde, embora ainda provisórios, segundo observou Cunha, mostram que em 2014 ocorreram 14.062 casos de picadas de abelha no Brasil; em 2015, o número recuou para 13.708 registros, caindo ainda mais em 2016 (11.991 casos). Nos últimos três anos, a incidência por 100 mil habitantes revela sete óbitos por veneno de abelha em 2014, 12 em 2015 e 25 em 2016. A média é 30 mortes por ano para 10 mil a 12 mil acidentes, disse o assessor do IVB. A maior prevalência é entre crianças e idosos. Cunha salientou que, proporcionalmente, o resultado é muito parecido ao que acontece com os casos de mortes com picadas de serpentes, em que são registrados atualmente 110 óbitos para cerca de 30 mil envenenamentos.

O especialista acredita que a quantidade de acidentes pode estar relacionada ao aumento da atividade apícola no país, nos últimos anos, sobretudo a partir das décadas de 1950 e 1960, quando foram introduzidas no Brasil abelhas europeias e africanas, venenosas, uma vez que as abelhas nacionais não têm veneno de importância médica. A importação desses insetos objetivou melhorar o desempenho da produção de mel no mercado interno. Houve também uma aproximação da população com apicultores, além do crescimento do volume de notificações de acidentes de picadas de abelhas, que é muito maior hoje do que antigamente, “porque as pessoas sabem que podem ter alguma ajuda a mais em termos de tratamento”, lembrou.

Tradição
Cunha recordou ainda que o Brasil tem uma tradição na produção de soros contra venenos de animais há cerca de 120 anos. A produção de soros é destinada a venenos de aranhas, escorpiões, serpentes e abelhas. “É um programa admirado no mundo inteiro. Não tem semelhança em nenhum lugar do mundo”, explicou. O IVB é um dos 21 laboratórios oficiais brasileiros, um dos quatro fornecedores de soros contra o veneno de animais peçonhentos, e produtor de medicamentos estratégicos para o Ministério da Saúde.

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