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terça-feira, 5 de setembro de 2017

Além dos prejuízos emocionais, bullying também adoece o corpo

Violência sofrida na infância causa, a longo prazo, problemas como dependência química e hipertensão. Segundo especialistas, a constatação reforça a importância de combate à prática em todos os cenários

Quando o tema é bullying, geralmente os danos psicológicos causados por esse tipo de violência são os mais lembrados. As consequências emocionais, porém, podem ser tão devastadoras a ponto de gerar danos físicos ao longo do tempo. Pesquisas têm mostrado que tanto as vítimas quanto os autores ficam mais suscetíveis ao desenvolvimento de problemas de saúde quando adultos, como desordens cardiológicas desencadeadas por dependência em cigarro e álcool e problemas de sono.

As constatações, dizem especialistas, tornam a vigilância contra o bullying ainda mais necessária. “As consequências a longo prazo são importantes de ser estabelecidas. A maioria das pesquisas sobre esse tópico se baseia no tratamento para a saúde mental, mas nós quisemos examinar o impacto potencial na saúde física”, explica Karen A. Matthews, psiquiatra e professora da Universidade de Pittsburg, nos Estados Unidos. Ela e a equipe trabalharam com a hipótese de que, como o bullying leva a interações interpessoais estressantes para vítimas e agressores, ambos poderiam ter a saúde debilitada.

A fim de aprofundar essa questão, recrutaram participantes do estudo Pittsburgh Youth, investigação com dados de 500 meninos matriculados nas escolas públicas da cidade norte-americana em 1987 e 1988, quando o grupo cursava a primeira série e tinha entre 10 e 12 anos de idade. À época, os participantes foram submetidos a avaliações regulares sobre fatores psicológicos e biológicos. Também foi feita a coleta de dados fornecidos pelos pais e professores sobre comportamentos relacionados ao bullying.

Quase 20 anos após o experimento, a equipe de Karen Matthews conseguiu reunir 260 participantes do estudo original, que responderam a questionários sobre fatores de saúde psicossocial, como nível de estresse, histórico de saúde, dieta e exercício e status socioeconômico. Como resultado, os pesquisadores observaram que os agressores e as vítimas de bullying tinham uma condição de saúde classificada como fraca.

O estudo mostrou ainda que os agressores durante a infância eram mais propensos a fumar cigarros e maconha, a experimentar circunstâncias estressantes e a ser agressivos e hostis. Por outro lado, os que haviam sido intimidados tendiam a ter mais dificuldades financeiras, relataram se sentir tratados injustamente pelos outros e eram menos otimistas quanto ao futuro.

“Os agressores da infância ainda eram combativos, e as vítimas continuavam se sentindo tratadas injustamente. Ambos os grupos tiveram muitas situações de estresse na vida adulta. Com isso, vemos que o impacto do bullying na infância dura muito tempo e que esses resultados também estão relacionados a riscos maiores de doenças cardiovasculares”, ressalta Karen Matthews.

Aval científico
Para Roberto Cândia, cardiologista do Laboratório Exame, em Brasília, a pesquisa norte-americana traz constatação científica a uma suspeita antiga. “Ainda não tínhamos a exata noção dos danos à saúde que o bullying pode causar, e também vimos que os dois lados envolvidos saem prejudicados. Podemos observar que o uso de cigarro e álcool, além do de drogas ilícitas, é recorrente em pessoas que sofrem esse trauma, e eles podem prejudicar severamente o organismo, com problemas graves como pressão arterial alta e mais chances de ter um infarto”, destaca.

O cardiologista também ressalta que o trabalho reforça como os danos causados por esse tipo de violência são bem mais duradouros do que o imaginado, o que serve como um alerta para as vítimas e pessoas próximas a elas. “Vemos que a fase da infância não é a única prejudicada, a criança vai levar esse prejuízo para a vida toda. Isso vai influenciar muito negativamente o organismo dela, já que a saúde estará mais debilitada”, explica.

Tania Paris, fundadora da Associação Social pela Saúde Emocional de Crianças (ASEC), em São Paulo, também acredita que o estudo serve como mais reforçador da importância de combater o bullying. “Esse tipo de estudo ressalta a necessidade de essa luta ser mantida, já que, dessa forma, também evitaríamos a segunda modalidade de danos, os físicos, que podem surgir muito depois. Ou seja, estaríamos combatendo a fonte de diversos outros problemas”, frisa.

Tania Paris sugere que os resultados da pequisa sejam discutidos com adolescentes. “Esse tipo de informação pode ser bastante útil quando conversamos com os jovens. Dizer a eles que essa prática pode ter consequências severas à saúde pode funcionar como um argumento forte para esse tipo de público. Para as crianças, porém, não funcionaria. Com os menores, tentamos ao máximo estimular a vontade de ajudar, mostrar a eles que vão se sentir muito mais felizes consigo mesmos caso façam algo de bom para o colega, em vez de abusar dele”, conta.

Saiba mais
Até a meia-idade Uma pesquisa do King’s College mostrou que os prejuízos emocionais e físicos do bullying vivido na infância persistem até pelo menos a sexta década de vida. O estudo, publicado no American Journal of Psychiatry, avaliou dados de mais de 7 mil crianças reunidas no estudo British National Child Development Study. A pesquisa foi realizada durante uma semana em 1958, quando os participantes tinham em média 10 anos de idade. Em 2014, os pesquisadores britânicos avaliaram os dados reunidos no primeiro trabalho e compararam com informações da maioria dos analisados fornecidas por novas entrevistas. Constataram que indivíduos intimidados na infância eram mais propensos a ter uma saúde física e psicológica mais fraca e um funcionamento cognitivo mais prejudicado quando chegaram à casa dos 50 anos. Eles também apresentaram risco maior de depressão, transtornos de ansiedade e pensamentos suicidas.

Saúde Plena

OPAS/OMS e Ministério da Saúde lançam publicação sobre saúde e sexualidade de adolescentes

010917-sexualidadeadolescentesEm parceria com o Ministério da Saúde do Brasil, a Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS) lançou a publicação “Saúde e sexualidade de adolescentes”. A obra é resultado de uma série de debates entre adolescentes, profissionais da OPAS/OMS, Ministério da Saúde e academia. As contribuições foram feitas em uma oficina técnica realizada em 2016

Um dos objetivos da iniciativa foi identificar as necessidades e superar os desafios que adolescentes do Brasil enfrentam, respeitando os direitos humanos e a promoção da equidade de gênero. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam que 17,9% da população brasileira é composta por adolescentes – pouco mais de 34 milhões de pessoas.

De acordo com a publicação, “a adolescência é uma época de descobertas, onde as pessoas geralmente buscam autonomia sobre decisões, emoções e ações. Trata-se, dessa forma, de um momento de exploração intensa das identidades sexuais e de gênero”.

Por isso, em muitos casos, ainda segundo a obra, “as buscas e experimentações dessa faixa etária possibilitam uma maior exposição às violências e aos comportamentos de riscos, tais como o abuso de álcool e de outras drogas, que podem resultar em uma maior suscetibilidade às infecções sexualmente transmissíveis e em uma gravidez não desejada”. Por isso, uma atenção especial ao envolvimento de adolescentes e jovens em discussões e decisões para o fortalecimento de uma resposta nacional da saúde é fundamental.

Eixos de debate
A publicação é dividida em três seções. A primeira apresenta a síntese das mesas de discussão com vistas ao panorama geral da saúde integral no Brasil e no mundo. A segunda parte, por sua vez, traz a sistematização dos serviços especializados apresentados durante a oficina – bem como as soluções para o enfrentamento dos desafios encontrados na oferta de serviços para atenção integral ou especializada de adolescentes.

A terceira e última seção aborda os desafios identificados e as propostas sugeridas para o aprimoramento de políticas voltadas para a saúde e sexualidade de adolescentes.

Saúde dos adolescentes em nível global
Dados da OMS revelam que a população mundial é composta por 1,2 bilhão de adolescentes – ou seja, uma em cada seis pessoas no mundo tem idade entre 10 e 19 anos. A maior parte desse grupo vive uma vida saudável, mas ainda existem registros substanciais de casos de mortes prematuras, doenças e lesões entre os adolescentes.

As enfermidades podem dificultar a capacidade de crescer e desenvolver um pleno potencial. O uso de álcool ou tabaco, a falta de atividade física, o sexo desprotegido e/ou a exposição à violência podem comprometer não apenas a saúde atual de adolescentes, mas também sua saúde como adultos e até mesmo a saúde de seus futuros filhos.

A promoção de comportamentos saudáveis durante a adolescência e a tomada de medidas para proteger melhor os jovens e as jovens dos riscos para a saúde são fundamentais para a prevenção de problemas de saúde na idade adulta e para a futura saúde e capacidade de desenvolvimento dos países.

Fonte: OPAS/OMS

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Custo da vacina em farmácia seria 40% menor

Custo da vacina em farmácia seria 40% menor Perspectiva da associação das grandes redes é que, após regulação da Anvisa, mais de 1.500 lojas passem, de imediato, a oferecer o serviço; a redução do preço viria da maior escala na compra

Em vias de ser concluída, a regulamentação nacional da vacinação nas farmácias permitiria, de imediato, que 1.500 lojas começassem a oferecer o serviço, triplicando a oferta de locais privados para a imunização e a um custo que deve ser 40% menor ao praticado hoje pelas clínicas particulares. 

A estimativa foi apresentada pela Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma), entidade que reúne as 28 maiores do ramo. Após a regulação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), em fase de consulta pública, a previsão de médio prazo é que todas as 7.100 lojas ligadas a associação ofereçam vacinas.

“Já temos 1.500 pontos de venda preparados e que devem começar a realizar a vacinação assim que o serviço for regulamentado. Estamos falando de triplicar a capacidade instalada no Brasil”, diz o presidente executivo da entidade, Sergio Mena Barreto.

Terceira maior do setor, a Pague Menos é uma das empresas que está apenas aguardando a regulação para iniciar a oferta do serviço. “Assim que a parte de imunização for regulamentada queremos implementar em todas as nossas unidades”, afirma o presidente da companhia, Mário Queirós.

Um dos diferencias da venda de vacinas nas farmácias, segundo o executivo, seria o preço. Como as grandes redes possuem uma escala muito grande, a perspectiva é que o valor cobrado seja consideravelmente menor do que o praticado hoje nas clínicas privadas. “O poder de compra das grandes redes pode baratear esse custo para a população.”

A estimativa da Abrafarma é que o preço da vacina vendida nas farmácias seja, em média, 40% menor, justamente pela maior escala e poder de barganha das redes. “O preço da vacina de gripe, por exemplo, varia hoje entre R$ 120 a R$ 190, sendo que o valor listado na Anvisa é R$ 40. A farmácia vai poder vender a vacina a R$ 40, aplicar mais uma taxa pelo serviço prestado, oferecendo a vacinação por um valor de R$ 80 a R$ 90”, explica Barreto.

Presidente da Raia Drogasil, maior rede do País, Marcílio Pousada também sinaliza para um barateamento do custo da vacinação caso fosse aplicada nas farmácias. “Há dois anos atrás fui tomar uma vacina da gripe. Fiquei uma hora e meia na fila e paguei R$ 180. Se vendesse nas nossas farmácias poderíamos cobrar metade do preço”, promete o empresário.

Visão do consumidor
Defendida pelos varejistas, a possibilidade de aplicar vacinações nas farmácias também é bem vista pelo consumidor. Estudo do Ibope, divulgado ontem, mostra que 82% dos brasileiros teriam interesse em realizar a vacinação nas drogarias, caso a oferta já existisse.

Os principais benefícios citados foram a praticidade, pela maior proximidade das lojas, e o horário de atendimento mais extenso, em comparação com as clínicas particulares. Na outra ponta, ainda há um receio da população em relação a adequação dos locais e a qualificação dos farmacêuticos para a aplicação da imunização.

“Existem alguns pontos de atenção, como capacitação do farmacêutico, ambiente seguro e preço, mas, em geral, o conceito é bem visto pelo brasileiro”, explica a CEO do Ibope Inteligência, Márcia Cavallari.

Além do benefício para a população, a expectativa das grandes redes é que a aplicação da vacina e a realização de outros serviços farmacêuticos (o que já vem ocorrendo) gere também um impacto positivo no faturamento. “Esperámos que melhore as vendas, porque o consumidor que vai à loja para aplicar uma vacina acaba comprando outros produtos”, diz o presidente da Abrafarma.

Os serviços farmacêuticos, (tratamento de hipertensão, diabete, medição da pressão arterial, entre outros), presentes em 850 lojas da entidade, já vêm contribuindo para as vendas. Na Pague Menos, por exemplo, o impacto tem ocorrido na frequência de ida e no tíquete médio. O cliente fidelizado pelo atendimento clínico – oferecido em 583 unidades da rede – vai, em média, uma vez por mês a mais no ponto de venda e possui um gasto médio quase duas vezes maior que o de um cliente normal.

DCI

Contaminação dentro de veículos chega a 10 mil fungos e bactérias com risco de desinteria e convulsões

Análise feita por faculdade de Campinas das partes internas de 26 carros de passeio mostrou a presença de micro-organismos em todos os itens

Espirrar, coçar os cabelos, o nariz, tossir e se alimentar dentro do carro são ações que, de tão comuns, acabam sendo nocivas à saúde. Uma pesquisa feita com 76 partes internas de carros constatou contaminação, em todos os itens, de até 10 mil fungos e bactérias que causam de rinites e micoses até infecções de urina, pulmonares, disenteria e convulsões, principalmente em bebês e crianças.

A análise em 26 carros de passeio foi feita pela Faculdade de Biomedicina da Devry Metrocamp, em Campinas (SP). Para a coordenadora do estudo, bióloga, pesquisadora e doutora pela Faculdade de Ciências de Alimentos da Unicamp, Rosana Siqueira, é preciso reduzir a quantidade desses micro-organismos, só que nem toda higienização minimiza os riscos.

“Às vezes a gente acaba pegando um quadro de infecção, uma febre, um desconforto abdominal, ou até mesmo uma diarreia, e acha que comeu fora. Muitas vezes não. Muitas vezes a gente levou esses micro-organismos pelas nossas mãos. É o que nós chamamos de contaminação cruzada. As pessoas precisam reduzir a quantidade desses micro-organismos nesse ambiente”, diz a bióloga.

Ao longo de cinco meses, os pesquisadores Adriana Oliveira e Helton Silva colheram e acompanharam a evolução das amostras – em diversos meios reagentes no laboratório – retiradas de 26 volantes, 26 câmbios, oito bancos de motorista e cinco cadeirinhas de bebê. “São carros comuns, o nosso, de amigos, parentes, de empresas, que muitas vezes são compartilhados por várias pessoas. Mais novos e mais antigos, com câmbio automático e câmbios normais. Quando é automático, muitas vezes a gente não coloca muito a mão nele, mas foi encontrada uma grande quantidade de bactérias ali”, explica Adriana.

Justo nos itens infantis foi encontrado o maior risco: a bactéria Shigella, responsável por infecções intestinais – com fortes dores abdominais, ulcerações das mucosas, diarreia com muco e sangue -, que é patogênica, afetando pessoas com imunidade baixa e também as saudáveis. “A infecção por esse micro-organismo leva a um quadro de desidratação da criança muito rápido. A criança não está com seu sistema imulonógico totalmente formado. É uma bactéria que abaixo de 1000 já é preocupante. Ela foi encontrada nessa faixa”, alerta Rosana.

“Teve carros em que as mães lavam com frequência o estofamento da cadeirinha, mas o carro não era limpo com frequência. E isso acaba levando para a cadeirinha, mesmo sendo limpa, a gente leva micro-organismo para o bebê. A gente tem que tomar cuidado com o todo”, alerta Adriana. Outro micro-organismo que chamou a atenção foi a presença da bactéria Klebsiella pneumoniae, que tem subtipos que vêm se tornando superbactérias. Nessa pesquisa, no entanto, não foi possível definir se era o tipo KPC.

“Nada me garante que não seja. A gente sabe que tem muitas pessoas que são portadoras, mas que não têm os sintomas. A Klebsiella pneumoniae foi a primeira a adquirir a enzima Carbapenemase [que dá a resistência a antibióticos]. Mesmo que não seja a KPC, é oportunista. As doenças são as mesmas, só a gravidade é que muda”, ressalta Rosana. Além das crianças, o grupo de risco inclui gestantes, idosos e pessoas doentes que estão, por exemplo, fazendo tratamentos intensivos de saúde e acabam mais expostas às bactérias oportunistas, que se aproveitam da fragilidade dessas pessoas.

Mãos e lixinho do carro
A maior contaminação foi encontrada nos volantes e está atrelada à higiene das mãos do motorista, principalmente, segundo o estudo. Rosana também ressaltou o risco de não limpar todos os dias a lixeirinha do carro, aquela que fica presa ao câmbio. Alimentos deixados ali, por exemplo, podem fermentar com o calor e acelerar a proliferação dos micro-organismos, assim como a umidade proveniente de dias chuvosos.

“Muitas vezes a gente consome algum alimento e ele vai ficando ali, vai deteriorando e vai causando micro-organismos ali e vão proliferando cada vez mais. A gente põe a mão e leva para outros locais, pra porta, pro volante, pro câmbio, pra cadeirinha, e até mesmo a criança”, afirma a aluna de biomedicina. Os fungos e bactérias acabam se fixando nos materiais que revestem o interior do carro. Sabe aquele cheiro ruim, de mofo, que às vezes fica no carro? É um indício forte de contaminação.

“Muitas vezes é a presença dos fungos. […]Eles se multiplicam com a umidade e vão liberando os odores, os esporos [estruturas bem pequenas produzidas pelos micro-organismos]. A gente respira e inala os fungos e os esporos, que vão para os pulmões. A gente começa a ter o quadro de tosse, pneumonia, rinite”, ressalta a coordenadora.

Cuidado na limpeza
Manter o ambiente do veículo limpo está longe de depender somente da troca do filtro do ar condicionado ou da lavagem mais superficial no fim de semana. Segundo a coordenadora da pesquisa, o ideal é higienizar uma vez a cada sete dias com aspirador de pó, pano não muito úmido e buscar os produtos próprios para a limpeza de partes internas dos carros, para não danificá-las.

“É importante deixar o carro arejado, deixar secar bem os tecidos para não formar fungos”, diz Adriana. Se a escolha for a limpeza em postos de combustíveis e locais especializados, Rosana alerta para que o motorista opte por um local de confiança. Os equipamentos usados nesses lugares precisam de higiene adequada também, ou poderão piorar na situação.

No caso das cadeirinhas de bebês e crianças, é preciso retirar o tecido e lavar normalmente com a mesma frequência da limpeza do carro como um todo, uma vez por semana. Se o tecido não se soltar, vale procurar empresas especializadas. Não adianta limpar só uma das partes e deixar o restante sem a higienização correta, segundo os pesquisadores.

G1

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Remédios caríssimos vão para o lixo por falta de controle dos estados

Foto Ilustrativa: G1
Segundo a Controladoria-Geral, a falta de controle nos pedidos faz com que os medicamentos percam a validade sem chegar a quem realmente precisa 

Um relatório feito pela Controladoria-Geral da União (CGU), com informações levantadas neste ano identificou no Amapá um prejuízo de R$ 40.711.824,24 aos cofres públicos com medicamentos de alto custo vencidos ou perdidos por falta de bom armazenamento.

Os remédios nessa faixa têm grande impacto financeiro aos cofres públicos e só são distribuídos aos Estados sob supervisão da União. Os remédios de alto custo são utilizados por pacientes da rede pública com câncer, hemofilia, esquizofrenia, e outras doenças. Entre os produtos perdidos pela passagem do prazo de validade estavam 68 frascos de Alfapeginterferona, usado no combate ao melanoma, o tipo mais perigoso de câncer de pele, além de 168 comprimidos de Quetiapina, destinado a pacientes com transtornos mentais.

O Sistema Único de Saúde (SUS) também gasta cerca de R$ 7,1 bilhões por ano para comprar remédios de alto custo em todo o Brasil. Mas pelo menos uma parte desse valor tem ido direto para o lixo. Um relatório inédito da Controladoria-Geral da União (CGU), concluído em abril, mostra que 11 Estados e o Distrito Federal jogaram remédios fora em 2014 e 2015.

Os Estados em que houve descarte foram Amapá, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e Santa Catarina.

Casos graves
Uma das situações mais graves no SUS aconteceu na Bahia: entre 2013 e 2014, cerca de 200 mil comprimidos de Olanzapina (usado no tratamento da esquizofrenia) tiveram de ser jogados fora No total, foram R$ 3,5 milhões descartados em comprimidos vencidos. Um simples controle do estoque teria evitado o problema.

No Rio de Janeiro, a perderam-se 1.104 frascos de um medicamento chamado Boceprevir 200 mg, usado para o tratamento da Hepatite C - cada unidade custa ao governo R$ 6.102,98. A Secretaria Estadual de Saúde disse à CGU que os medicamentos já chegaram próximos do prazo de vencimento, por serem importados.

No total, a auditoria da CGU encontrou perdas que chegam a R$ 16,07 milhões, a estimativa é da reportagem da BBC Brasil.

Em Alagoas, a Secretaria de Saúde deixou de usar a isenção do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) na compra de remédios em 2014. Ao pagar o imposto de forma indevida, houve prejuízo de R$ 156 mil.

No Amapá, os auditores encontraram embalagens de suco, frutas e garrafas d'água nos mesmos refrigeradores usados para guardar os remédios.

Em nota, o Ministério da Saúde disse que a responsabilidade pelo armazenamento e controle dos prazos de validade é compartilhada entre a pasta e as secretarias de saúde dos Estados. A compra de medicamentos para o SUS é divida em três grupos (básico, estratégico e especializado). Os R$ 7,1 bilhões gastos em 2016 foram para o componente especializado, que é o dos medicamentos de alto custo. O ministério não comentou os casos de perda de medicamentos.

iG