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quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Apendicite: O Que é, Como é a Dor, Qual Lado, Cirurgia e Pós Operatório

Cerca de 5 a 10% da população mundial sofre um episódio de apendicite em algum momento na vida. Nos Estados Unidos, 1 em cada 20 indivíduos desenvolvem a inflamação. Embora possa ocorrer em qualquer faixa etária, a apendicite é mais comum entre 10 e 30 anos de idade

A apendicite é uma condição que gera muitas dúvidas nas pessoas. Por se tratar de uma situação de emergência, na qual o socorro médico deve ser o mais breve possível, muitas pessoas têm dúvidas sobre os sintomas e sobre o momento certo de procurar um profissional da saúde. Vamos discutir abaixo sobre a apendicite, entender o que é, quais são suas causas e sintomas e como é feita a cirurgia de emergência nessa situação.

O que é
A apendicite nada mais é que uma inflamação no apêndice, que é um tecido que se estende do intestino grosso até a região da barriga.

Quando ocorre essa inflamação, quase em todos os casos é preciso recorrer a uma cirurgia de emergência para remoção do apêndice. Se nada for feito, o apêndice inflamado pode explodir e/ou perfurar outros tecidos, espalhando materiais infecciosos do intestino pela cavidade abdominal, o que é gravíssimo e pode colocar a vida do indivíduo em risco.

Uma vez que isso ocorre, outro problema surge, a peritonite, que se trata de uma grave inflamação do revestimento da cavidade abdominal chamado de peritônio, podendo ser fatal a menos que seja rapidamente iniciado um tratamento com antibióticos fortes. Por este motivo, praticamente todos os casos de apendicite são tratados como emergências e a decisão mais sensata é, ao sentir os primeiros sintomas de apendicite, procurar ajuda médica e ser submetido à cirurgia de emergência.

Causas
A apendicite pode ocorrer por causas como:
  • Algum tipo de bloqueio causado por fezes, corpo estranho ou um tumor;
  • Alguma infecção que causa o inchaço do apêndice.
Sintomas
  • Os sintomas mais comuns da apendicite são:
  • Dor chata perto do umbigo ou na região superior do abdômen.
  • Essa dor se torna cada vez mais forte à medida que a pessoa se move. Este é, geralmente, o primeiro sinal de um apêndice inflamado.
  • Perda de apetite;
  • Náuseas acompanhadas ou não de vômitos.
Geralmente, esses sintomas ocorrem logo após o início da dor abdominal relatada como o primeiro sinal.
  • Febre entre 37,5 e 39ºC;
  • Incapacidade ou dificuldade para liberar gases do organismo.
Outros sintomas, que não são comuns em todos, mas costumam ocorrer em mais da metade dos casos, são:
  • Dor aguda em qualquer parte do abdômen (inferior ou superior), costas e/ou no reto;
  • Micção dolorosa e/ou dificuldade em urinar;
  • Vômitos antes das dores abdominais surgirem;
  • Cãibras severas;
  • Constipação ou diarréia com liberação de gases.
Ao ocorrerem esses sintomas mencionados, o atendimento médico imediato é indispensável para o diagnóstico e tratamento rápidos. É importante não se automedicar ao constatar esses sintomas, principalmente evitando o uso de remédios para dor, antiácidos, laxantes ou compressas quentes, pois esses métodos podem causar o rompimento do apêndice inflamado.

Também é recomendado que a pessoa não beba e nem coma até encontrar ajuda médica e realizar o diagnóstico correto.

Como é a dor
A dor da apendicite geralmente começa como uma dor leve que vai aumentando gradualmente na região do abdômen, podendo também gerar cãibras.

Muita gente se pergunta de qual lado a dor é sentida. A dor de apendicite geralmente ocorre no lado inferior direito do abdômen. O primeiro sinal é um desconforto perto da barriga, que vai se espalhando em direção ao abdômen inferior. Quando a dor atinge a parte inferior do abdômen, ela costuma ficar muito intensa, podendo ser intensa o bastante para acordar alguém que está dormindo, de acordo com especialistas.

Algumas pessoas também podem sentir dores em outras áreas do abdômen. É comum que a dor piore se você mover as pernas ou abdômen e, por isso, algumas pessoas sentem dificuldade para andar. Além disso, ao tossir ou espirrar, a dor pode aumentar.

A medida que o apêndice vai ficando mais inchado e inflamado, o que acontece em questão de horas, o revestimento da parede abdominal chamado de peritoneu fica irritado. Geralmente, essa irritação é a causa da dor localizada e aguda sentida na parte inferior direita do abdômen, que tende a ser mais constante e severa do que as dores iniciais.

Um outro tipo de manifestação da dor ocorre na região da lombar ou uma dor pélvica quando o apêndice inflamado se encontra atrás do cólon.

Diagnóstico
Mas como ter certeza que você tem apendicite? O diagnóstico nem sempre é tão simples e direto. Muitas vezes, os sintomas da apendicite podem parecer vagos ou muito parecidos com os sintomas de outras doenças, incluindo problemas na vesícula biliar, infecção vesical ou urinária, doença de Crohn, gastrite, infecção intestinal e até problemas de ovário.

Para não confundir a apendicite com nenhuma dessas condições citadas acima, alguns testes são usados para ajudar no diagnóstico, tais como:
  • Exame abdominal para detectar a inflamação;
  • Teste de urina para descartar uma infecção no trato urinário;
  • Exame retal;
  • Exame de sangue para verificar se o organismo está lutando contra alguma infecção;
  • Tomografia computadorizada.
Cirurgia
Estudos indicam que o apêndice pode ter alguma função na imunidade do intestino, mas não há provas de que ele é um órgão indispensável para o organismo. Isso significa que é possível viver sem o apêndice sem danos à saúde.

Apendicectomia é o nome dado à cirurgia de remoção de apêndice e é o tratamento padrão indicado para quase todos os casos de apendicite. Quando o médico diagnostica um paciente com apendicite, é bastante comum que ele rapidamente indique uma cirurgia de emergência para remoção do apêndice e para evitar que ele seja rompido.

Antes da cirurgia, antibióticos são administrados ao paciente para evitar uma possível peritonite. Em seguida, uma anestesia geral é aplicada e o apêndice é removido através de uma incisão de aproximadamente 10 cm ou por laparoscopia, que nada mais é que uma cirurgia realizada com pequenos furos ao invés de um corte grande. Nesses pequenos furos, uma microcâmera é inserida e o médico pode ter um panorama de tudo que está acontecendo sem a necessidade de uma incisão maior.

Nos casos em que o apêndice é rompido antes da cirurgia e o paciente já apresenta peritonite, o abdômen é lavado e o pus é totalmente drenado antes da remoção do apêndice.

Também existem pesquisas mostrando que o tratamento de apendicite aguda com o uso de antibióticos já é capaz de tratar o problema eliminando a necessidade de cirurgia em alguns casos. Mas estudos mais detalhados ainda precisam ser feitos.

Pós operatório
De um modo geral, após 12 horas de cirurgia o paciente já pode se levantar e fazer alguns movimentos. A recuperação total ocorre em 2 a 3 semanas. Nos casos em que a cirurgia é feita por laparoscopia, a recuperação é ainda mais rápida devido à menor incisão.

Como mencionado, o pós operatório é bem tranquilo e o paciente pode retornar a suas atividades normais em até 3 semanas após a operação. Porém, ao sentir alguns sintomas, é preciso visitar seu médico para tratamento adequado e certificação de que não houve nenhuma complicação. São eles:
  • Vômitos descontrolados;
  • Dor forte no abdômen;
  • Tonturas;
  • Fraqueza e moleza no corpo;
  • Sangue no vômito ou urina;
  • Aumento da dor e vermelhidão no local da incisão;
  • Febre;
  • Pus na ferida.
Não existe uma forma de prevenir a apendicite. Porém, é relatado que a apendicite é bem menos comum em pessoas que ingerem alimentos ricos em fibras, que ajudam a manter o bom funcionamento do intestino. Por isso, sempre inclua bastante frutas e vegetais frescos em sua dieta. 

O sal que a gente não vê e os perigos do exagero na alimentação

A obesidade e o sobrepeso têm aumentando por toda a América Latina e Caribe, como aponta um relatório produzido apresentado neste ano pela Organização Pan-Americana da Saúde em conjunto com a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura. Mais de 360 milhões de pessoas estão com sobrepeso, o que corresponde a aproximadamente 58% da população latino-americana e caribenha

As mulheres são as mais afetadas, sendo que em mais de 20 países a taxa de obesidade feminina é 10% maior que a dos homens. Além disso, o relatório aponta uma tendência de aumento de sobrepeso e obesidade também nas crianças.

No Brasil, dados do Ministério da Saúde revelam que mais de 17% dos adolescentes de 12 a 17 anos estão com sobrepeso. E esse problema se deve em grande parte à má alimentação desses jovens, uma vez que essa mesma pesquisa aponta que entre os 20 alimentos de maior consumo pelos adolescentes brasileiros, os refrigerantes estão entre os seis primeiros, passando à frente das hortaliças e frutas.

O Ministério da Saúde tem um estudo que apresenta o consumo médio do brasileiro em relação ao sódio, que gira em torno de 12 gramas por dia. Esse valor é considerado muito alto pela Organização Mundial da Saúde, que recomenda apenas 5 gramas diárias.

Esse consumo em excesso está ligado diretamente ao aumento de doenças como hipertensão, diabetes e obesidade que, juntas com as doenças cardiovasculares, respiratórias e câncer respondem por 72% das mortes no país.

Para tentar controlar essas doenças e impedir o avanço da obesidade no Brasil, o Ministério da Saúde tem trabalhado em ações e iniciativas que ajudem a melhorar a forma como os brasileiros se alimentam. De acordo com o ministro da Saúde, Ricardo Barros, “cada vez mais a alimentação saudável fará parte dos objetivos prioritários do Ministério da Saúde. Estamos fazendo parcerias com a indústria alimentícia para reduzir o sal, o açúcar e sódio dos alimentos, porque as pessoas sabem que precisam cuidar da saúde e nosso papel é ajudar elas nesse cuidado” afirmou.

“As pessoas precisam consumir mais alimentos naturais, aqueles que chamamos ‘in natura’, ou seja, aqueles que vêm diretamente da natureza sem receber processos e tratamentos químicos. Isso significa comer mais arroz, feijão, frutas, verduras, legumes, leite e carnes. Também é importante evitar alimentos que vem embalado em sacos e caixas com muitos conservantes”, explica a coordenadora de Alimentação e Nutrição do Ministério da Saúde, Michele Lessa.

No início deste ano, a Organização Pan-Americana da Saúde realizou uma reunião com diversas entidades internacionais no âmbito da alimentação, com objetivo de debater o problema da mudança nos padrões alimentares - um dos principais motivos que têm gerado aumento da obesidade e do sobrepeso.

Com base em estudos internacionais, foi observado que recente crescimento econômico e a ampliação da urbanização, aumentou também o consumo de produtos ultraprocessados. Isso fez o consumo de pratos tradicionais e alimentos orgânicos diminuírem. Para mudar essa situação, é preciso mudar a maneira de se alimentar.

Rita Lobo é chef de cozinha e apresentadora de um programa sobre alimentação saudável. Segundo ela, o segredo é “cortar da lista de compras os ultraprocessados, que são aqueles produtos cheios de aditivos químicos”. A chef explica que o jeito de saber o que você está comendo é justamente lendo os ingredientes do rótulo dos produtos que você compra. “Quando você começa a ler os ingredientes do rótulo e você vê que tem nomes estranhos que você não teria na cozinha da sua casa, isso é ultraprocessado, tira do carrinho”, afirmou Rita Lobo.

No site do Ministério da Saúde é possível baixar o Guia Alimentar Para a População Brasileira, um documento que contém dicas e explicações de como se alimentar melhor, de maneira simples e econômica. Com ele é possível aprender três dicas fáceis de seguir e que ajudam a melhorar a saúde:

1ª - Use pouca quantidade de óleos, gorduras, açúcar e sal no preparo dos alimentos. De preferência, procure substituir por temperos naturais (como cheiro verde, alho, cebola, manjericão, orégano, coentro, alecrim, entre outros) e optando por receitas que não levem açúcar na sua preparação.

2ª - Evite bebidas açucaradas (refrigerantes, sucos e chás industrializados), bolos e biscoitos recheados, doces e outras guloseimas como regra da alimentação. Embora convenientes e de sabor pronunciado, esses e outros produtos ultraprocessados tendem a ser nutricionalmente desequilibrados e, em sua maioria, contêm quantidades elevadas de açúcar, gordura e sal.

3ª - Fique atento às informações nutricionais dos rótulos dos produtos processados e ultraprocessados para favorecer a escolha de produtos alimentícios mais saudáveis. Os rótulos dos produtos são uma forma de comunicação entre esses produtos e os consumidores e contêm informações importantes sobre a sua composição. Fique atento para informações, orientações e mensagens sobre alimentação veiculadas em propagandas comerciais, pois geralmente as propagandas buscam aumentar a venda dos produtos, mas não informar.

Janary Damacena para o Blog da Saúde.

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Homeopatia visa cuidado do paciente, não da doença

homeopatiaPrática busca avaliar a saúde integral do paciente correlacionando sinais físicos, comportamentais e emocionais

No dia 21 de novembro, comemora-se o Dia Nacional da Homeopatia, abordagem de cuidado onde se avalia o paciente a partir da integralidade. Ou seja, diferente da medicina tradicional que avalia os sintomas, diagnostica a doença e prescreve o tratamento, o sistema homeopático vai além e tenta encontra a raiz da doença por meio de uma avaliação de todo equilíbrio do organismo do paciente.

Como algumas enfermidades têm, por exemplo, uma causa emocional, a homeopatia vai buscar não só curar a doença que se instalou no organismo, mas cuidar da saúde emocional que permitiu que essa doença se instalasse.

“O especialista ou habilitado em homeopatia faz uma avaliação considerando diversos critérios. Um processo chamado repertorização homeopática. Ele busca um conjunto de sinais e sintomas próprios que são avaliados na homeopatia. Sejam sinais físicos, de comportamento ou emocionais. A partir do momento que ele junta esse conjunto de sinais, ele busca um medicamento apropriado. Ou seja, existe uma individualização do tratamento”, detalha o coordenado de Práticas Integrativas e Complementares do Ministério da Saúde, Daniel Amado.

O paciente que sofre de enxaqueca, por exemplo, toma remédio, a dor de cabeça vai embora, mas pode voltar. A homeopatia vai investigar quais as causas, os gatilhos, que dão início as crises de enxaqueca desse paciente, de forma que o tratamento diminua a frequência e até bloqueie novas crises.

Acesso SUS
A homeopatia esta presente no SUS desde 2006, por meio da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares do SUS. O acesso é feito a partir dos serviços de saúde, tanto em unidades básicas de saúde como em serviços especializado, e até mesmo em hospitais.

O usuário deve buscar a sua secretaria de saúde ou o posto de saúde mais próximo para saber como acessar esse tipo de atendimento, que varia de acordo com a oferta que cada município.

Os medicamentos homeopáticos estão na Relação Nacional de Medicamentos Essenciais do SUS (Rename), financiados pelo Ministério da Saúde. Assim, os municípios e estados também podem oferecer esses medicamentos nas unidades de saúde.

“O Ministério da Saúde também desenvolve uma série de projetos de capacitação e formação de trabalhadores nas várias práticas integrativas no sentido de ampliar a abordagem de cuidado, as opções terapêuticas que esses profissionais podem ofertar ao cuidar dos pacientes. Estamos desenvolvendo alguns projetos em parceria com algumas associações como a Associação de Médicos Homeopáticos e a Associação de Farmacêuticos Homeopáticos para o desenvolvimento de cursos voltados para profissionais do SUS”, destaca Amado.

Números no SUS
O Ministério da Saúde tem buscado ampliar as práticas integrativas e complementares (onde se inclui a homeopatia) para garantir um cuidado integral das pessoas.

Para se ter uma ideia, só em 2016, a Atenção Básica registrou mais de 13,5 mil atendimentos individuais para homeopatia em 340 estabelecimentos de saúde, em 259 municípios. Já nos serviços especializados, o número de atendimentos em homeopatia salta para 202 mil pacientes em 69 serviços.

Dentre a oferta de medicamentos, foram registrados 147 homeopáticos industrializados; 25 manipulados de farmácias próprias dos serviços; e 70 manipulados de farmácias conveniadas.

Luiz Philipe Leite, para o Blog da Saúde.

Vício em celular chega a consultórios e já preocupa médicos no Brasil

Brasil tem 120 milhões de usuários de internet, 4º maior volume do mundo


Desde a morte do pai, em 2013, *Mariana lutou contra a depressão e viu o quadro piorar ao mergulhar por horas a fio no Facebook. “Era como uma fuga, uma anestesia para esquecer problemas”. Significava também “procrastinar tarefas da casa e os estudos”. “Checava o celular o tempo inteiro. Estava viciada”.

Já na vida de *Luísa, 47 anos, o smartphone entrou como alternativa para relaxar à noite, após um longo dia de trabalho. Em poucos anos, virou o centro de conflitos com as filhas e o marido. “Reclamavam que eu tinha virado um zumbi, que fingia prestar atenção em conversas quando, na verdade, estava pensando em algo que li ou esperando mais uma curtida no Instagram. Era capaz de debater temas no Facebook, mas não conversava com minhas filhas”, disse Luísa à BBC Brasil. A dependência tecnológica, que inclui o “uso abusivo” da internet, redes sociais, jogos e celulares, não é dimensionada no Brasil, mas já chega como problema a especialistas.

“Não existe nenhum órgão dizendo que há uma preocupação nacional sobre isso, mas diferentes segmentos observam que a tecnologia de forma excessiva começa a criar problemas recorrentes. Há aumento de queixas de pacientes nos hospitais universitários, nas clínicas de psicologia, de psiquiatria e em escolas”, diz o PHD em psicologia e coordenador do Grupo de Dependência Tecnológica do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP), Cristiano Nabuco de Abreu.

Destaque para o Brasil
O Brasil tem 120 milhões de usuários de internet, o quarto maior volume do mundo, atrás de Estados Unidos, Índia e China, mostra relatório da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD). Em 2016, o país foi considerado o segundo que mais usa o WhatsApp, em um levantamento do Mobile Ecosystem Forum (MEF). O primeiro lugar ficou com a África do Sul. Embora não haja indicadores de quantos, em meio a esse batalhão, são considerados dependentes, estudos dão pistas sobre os riscos.

Uma pesquisa que a consultoria Deloitte divulgou em outubro sobre o uso de celular no dia a dia do brasileiro – com 2 mil entrevistados – mostra, por exemplo, que dois em cada três pais dizem acreditar que seus filhos usam demasiadamente o smartphone. Mais da metade dos que estão em um relacionamento veem excessos por parte dos parceiros e 33% admitem ficar online de madrugada para ver mídias sociais.

“Temos, comparativamente a outros países, uma quantidade de tempo de uso da tecnologia bastante expressiva e aumentando”, alerta Nabuco, também autor do livro Internet addiction in Children and Adolescents (em tradução livre: O vício em internet entre crianças e adolescentes).

“Detox digital”
A preocupação vai além, no entanto, do tempo gasto. Se concentra, principalmente, na relação do usuário com esse tipo de ferramenta, diz Eduardo Guedes, pesquisador e membro do Instituto Delete – primeiro núcleo do Brasil especializado em “desintoxicação digital” na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Essa relação, segundo ele, pode ser dividida em uso consciente, quando o virtual não atrapalha a vida real; uso abusivo, quando atividades online são priorizadas em detrimento das offline; e uso abusivo dependente, quando o virtual atrapalha o real e há perda de controle.

O Instituto pesquisa o impacto das tecnologias desde 2008 e já ofereceu atendimento gratuito a cerca de 500 pessoas, nem todas com dependência diagnosticada. Frases como “desliga o computador e vai dormir”, “sai do Face e vai trabalhar”, “fecha o WhatsApp e come o jantar” e “larga o celular para não bater o carro” são usadas para chamar a atenção no site que divulga os serviços.

Narcisismo?
A sensação de prazer despertada nos usuários é uma das possíveis explicações para a dependência. “Falar de si gera um prazer equivalente a se alimentar, ganhar dinheiro ou fazer sexo. E em 90% do tempo as pessoas estão falando de si nas redes sociais, com feedback instantâneo”, complementa Guedes. “Em uma conversa normal, em 30% do tempo normalmente se fala sobre si”.

Os dados são de uma pesquisa da Universidade de Harvard segundo a qual esse comportamento gera um mecanismo de recompensa no cérebro, graças à liberação de dopamina, além de endorfina, ocitocina e serotonina, hormônios ligados ao prazer.

Mas esse prazer é temporário, observa Guedes. “E vira problema quando passa a ser a fonte exclusiva de prazer, quando a pessoa passa a viver para postar a foto e deixa de aproveitar o momento”.

Gianna Testa, integrante da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), explica que o “sistema de recompensa” do usuário é muito afetado por estímulos – ou pela ausência deles – criados pelo reconhecimento virtual nas redes sociais, como medida de aceitação e sucesso.

O efeito seria comparável ao da dependência de substâncias químicas no sistema nervoso central.

“Hoje é muito claro em adolescentes, por exemplo, o quanto a autoestima depende do número de curtidas, do sucesso que eles têm nas redes sociais”, observa a especialista, também sócia da ASEAT, uma assessoria de segurança e educação em alta tecnologia, de Brasília.

Como medir o vício?
Segundo Guedes, um conjunto de cinco critérios são observados para avaliar se o uso da tecnologia deixou de ser saudável. O primeiro deles mede quão importante o celular se tornou para trazer a sensação de "refúgio de prazer ou segurança". Quanto maior a importância da ferramenta, mais grave a condição do usuário.

"Uma pessoa que terminou um casamento, que está com baixa autoestima, por exemplo, muitas vezes posta uma foto e isso ajuda a melhorar. É um gatilho positivo. Mas, se ela só trabalha a autoestima por meio da rede, isso pode gerar isolamento, desprezo pelas relações na vida real e até depressão", exemplifica. Em tímidos, o uso abusivo pode levar pode levar à fobia social.

Outro termômetro é a relevância da tecnologia no dia a dia. Ir ao banheiro ou para a cama, por exemplo, e levar o celular junto pode parecer inofensivo, mas, em alguns casos, indica distúrbio.

Outros dois indicadores na avaliação do vício são se a pessoa tolera eventos ou ambientes em que terá de ficar desconectada e se, em caso de "abstinência" no uso do celular, a experiência se torna insuportável, com efeitos físicos e psicológicos sobre o indivíduo. Pacientes com o distúrbio relatam temor de ficarem distantes das redes e mau humor, mãos tremendo, ansiedade, agressividade e tristeza quando a falta da tecnologia se concretiza.

"Há também quem use tanto o celular que, quando está sem, ele precisa ter algo nas mãos, para ficar mexendo", diz Guedes. Segundo ele, o efeito é semelhante ao vivido por ex-fumantes, que sentem a necessidade de movimentar uma caneta entre os dedos para simular os gestos que se acostumaram a fazer quando fumavam.

O quinto critério mede o quanto a dependência causa conflitos na vida real. É o caso, por exemplo, de filhos que reclamam a atenção dos pais dividida com a internet até que eles próprios começam a encontrar nas telas refúgio, gerando, em consequência, novos conflitos no ambiente familiar.

É algo que Luísa viveu e vive.

"Minhas filhas já não reclamam tanto de mim. Agora, eu é que reclamo delas. Mas isso quando não estamos todos mergulhados no celular, eu, meu marido e minhas duas filhas, cada um no seu mundo. Essa cena é comum na nossa casa, em restaurantes... Às vezes tento botar ordem na casa, pegar os celulares, mas não dura muito. Não tem atrapalhado estudos, carreiras, mas, sem dúvida, nossa vida familiar. Eu, por exemplo, frequentemente, deixo o celular embaixo do travesseiro e volto a ele assim que meu marido dorme. Sinto falta de ar, um certo nó na garganta quando estou longe do meu aparelho", conta.

Jogos online
Não são só os dependentes de celular que estão sujeitos a esses sintomas. "Muito estresse, falta de concentração e uma ansiedade terrível" pegavam em cheio o estudante Antônio*, de 25 anos, quando tentava se livrar sozinho da vontade descontrolada de jogar.

O jogo virou parte da sua vida quando tinha 4 anos de idade. Movido por um espírito de competitividade "muito grande", acabava fisgado por computador, celular, videogame e o que mais permitisse entrar na disputa. Ficou dependente.

"Não almoçava, não estudava e preferia ficar em casa", diz. Para Antônio, o problema ficou evidente apenas quando pessoas próximas passaram a observar que "a convivência estava difícil" e o assunto virou "motivo de estresse". E também de separação. "Eu jogava escondido da minha esposa, tinha dificuldade de conversar e nosso relacionamento acabou terminando". O casal chegou a fazer terapia e reatou. Há um ano, teve o primeiro filho. Ele está na terceira tentativa de parar.

"80% dos indivíduos que são dependentes de videogame, de internet, apresentam depressão", diz Nabuco.

Segundo o especialista, um grupo de estudiosos defende que a dependência tecnológica seria um sintoma secundário em um indivíduo que já tem depressão, transtorno bipolar de humor e fobia social.

Outros acadêmicos argumentam que embora haja a coexistência de outro transtorno psiquiátrico, estamos lidando, certamente, com uma nova "classificação diagnóstica". Seria possível, portanto, que a tecnologia cause e não apenas agrave um problema.

Jovens e crianças: público mais vulnerável
Jovens e crianças são mais vulneráveis, diz Cristiano Nabuco de Abreu, porque só atingem a maturação total do cérebro a partir dos 21 anos e, com isso, demoram mais a desenvolver funções como o "freio comportamental" - por meio do qual seria possível evitar situações de risco ou atos por impulso.

Uma das preocupações dos especialistas é o acesso precoce aos gadgets. "Muitos pais entregam o celular ou o tablet ao filho, usam os dispositivos como babá eletrônica, e acham bonito. Mas quanto mais precoce esse contato, mais chances de atraso no desenvolvimento da criança".

O caso mais chocante que Nabuco atendeu foi o de uma mãe descrevendo que o filho não almoçava e não dormia, por exemplo, sem estar com o celular. "O problema maior era quando eles iam ao shopping, o menino largava a mão dela e corria para balconistas nas lojas para pedir colo e então acessar o teclado dos computadores que ali estavam. Sabe quantos anos ele tinha? 2 anos e 4 meses".

A dependência mais comum entre os meninos é o uso de jogos eletrônicos. Nas meninas, principalmente adolescentes, a dependência de redes sociais é mais comum.

São Paulo e Rio oferecem tratamento gratuito
Em São Paulo e no Rio de Janeiro há atendimento gratuito para a população, no Hospital das Clínicas da USP e no Instituto Delete.

"O grande objetivo não é fazer com que as pessoas se livrem da tecnologia. O que a gente quer é que elas retomem o controle desse uso", diz Nabuco, do Hospital das Clínicas.

Oito em cada dez pacientes, segundo ele, chegam ao final do tratamento sem sintomas. Os demais, muitas vezes reiniciam a terapia.

O tratamento envolve reuniões em grupo para conversas com psicólogos e psiquiatras e, se for preciso, o uso de medicamentos para combater transtornos associados à dependência.

No Instituto Delete, o método usado envolve desde a identificação das raízes do problema até a adoção de técnicas de respiração e "ressensibilização". "O foco não é proibir o uso, mas criar estratégias para a pessoa ter prazer em atividades na vida real", complementa Eduardo Guedes.

A busca por mais equilíbrio envolve tratamento e também uma consciência maior do problema. Mariana* iniciou terapia para "desintoxicar". Faz sessões em grupo por uma hora e meia, uma vez por semana. "Considero que percorri uns 40% desse caminho, em um processo lento e com recaídas", calcula.

Um pesquisador do tema disse à BBC Brasil ter sido procurado por operadoras de telefonia celular que estariam preocupadas com o uso abusivo dos aparelhos e em busca de possíveis soluções.

Procuradas pela BBC Brasil, Claro, Oi, Vivo e TIM - as principais operadoras de telefonia no país - não confirmaram se planejam medidas como enviar mensagens a clientes para alertar sobre possíveis riscos do uso abusivo, assim como ocorre na indústria de cigarros e bebidas. Por meio do SindiTelebrasil, sindicato que representa o setor, afirmaram, no entanto, que "sempre defenderam o uso consciente desses serviços, respeitando a liberdade de escolha, as necessidades, convicções, crenças e hábitos de cada indivíduo".

O Ministério da Saúde informou que o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece tratamento integral e gratuito para todos os tipos de transtorno mental, incluindo depressão e vícios em álcool e outras drogas, mas que não tem dados específicos sobre os problemas ligados à tecnologia.

*Os nomes reais dos entrevistados foi trocado para proteger sua privacidade.

BBC Brasil / R7

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Falta de higiene pode causar câncer de pênis

novembroazulQuando chega o mês de novembro, que é quando as campanhas contra o câncer na população masculina tem maior força, ouvimos muito a respeito do câncer de próstata, mas esse não é o único tipo que afeta os homens: o câncer de pênis merece bastante atenção!

Em 2015, por todo o Brasil, houve 402 mortes por câncer de pênis, de acordo com dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA). “É um tipo de câncer que hoje é raro no mundo, mas incidente no Brasil, principalmente nas regiões Norte e Nordeste”, explica o doutor Franz Campos, que é chefe do serviço de Urologia do INCA.

O câncer de pênis é um tumor que atinge com mais frequência os homens a partir dos 50 anos, mas que pode ocorrer também em jovens e está relacionado principalmente à má higiene – isso mesmo, naqueles homens que não lavam direito o pênis! Também é mais comum nos homens que não foram submetidos à circuncisão, que é a remoção do prepúcio - a pele que reveste a glande (conhecida como a “cabeça” do pênis).

Prevenção
Realizar a higiene diária com água e sabão é o principal fator, principalmente depois de relações sexuais ou masturbação. Com isso, percebemos o quão importante é ensinar as crianças desde cedo os hábitos de higienização diária e de forma adequada. Além disso, o uso de preservativo é fundamental em qualquer relação sexual, uma vez que a prática sem o uso de camisinha aumenta o risco de desenvolver a doença.

“Outra forma de ajudar a evitar a doença é a cirurgia de fimose, em que se retira o excesso de pele da glande. Nem sempre o homem faz a higiene corretamente e o esmegma, que é uma secreção branca produzida pelo próprio pênis, não pode ficar acumulado por muito tempo ali. O homem que consegue expor a glande não tem tanta à necessidade de realizar a fimose, como aquele que não consegue. Claro que isso varia de acordo com cada pessoa, por isso a importância de uma consulta ”, recomenda o doutor Franz Campos.

Sintomas
A manifestação mais comum é uma ferida persistente ou um aumento anormal do tecido da glande, prepúcio ou corpo do pênis. A presença de um desses sinais, somados ao esmegma, pode indicar o câncer no pênis. Além disso, o surgimento de pequenos nódulos, gânglios inguinais (ínguas na virilha), também podem ser sinais de progressão da doença. Em qualquer desses casos é importante procurar um serviço de saúde para realizar uma avaliação.

Tratamento
Como qualquer doença, quanto mais cedo for diagnosticado e iniciado o tratamento, maiores as chances de cura do câncer de pênis e para evitar o crescimento desse tipo de câncer e a posterior amputação do pênis. O tratamento depende da extensão do câncer, que pode ser realizado por cirurgia, radioterapia ou quimioterapia. A cirurgia é o tratamento mais comum e feito para controlar a doença.

Janary Damacena, para o Blog da Saúde.