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sexta-feira, 27 de abril de 2018

Depressão afeta o cérebro tanto quanto o Alzheimer

Resultado de imagem para depressãoQuando não tratada e presente por mais de 10 anos, a doença pode causar inflamações equivalentes às dos males neurodegenerativos, mostra estudo canadense. Para especialistas, a descoberta reforça a necessidade de manter a condição sob controle

A depressão duradoura pode prejudicar fisiologicamente o cérebro. Pesquisa do Centro de Estudos sobre Vícios e Saúde Mental (CAMH) do Canadá sugere que, se não tratada, a doença que persiste por mais de 10 anos provoca inflamações no cérebro equivalentes às detectadas no Alzheimer e em outros tipos de demência. A complicação intoxica áreas cerebrais e é progressiva, também como as doenças neurodegenerativas. Detalhes do trabalho foram divulgados na revista The Lancet Psychiatry.

Jeff Meyer, autor do estudo, e a equipe estudaram 80 voluntários, com idade entre 18 e 75 anos, entre setembro de 2009 e julho de 2017. Os participantes foram divididos em três grupos: 25 tinham depressão por mais de 10 anos, 25 enfrentavam o problema havia menos de uma década, e 30 não tinham o diagnóstico da doença. Os depressivos não estavam sob tratamento havia pelo menos quatro semanas e apresentavam pontuação mínima de 17 na Escala de Avaliação de Depressão de Hamilton. Pela escala, de sete a 17 pontos equivale a depressão leve. Acima de 25 estão os indivíduos gravemente deprimidos.

A inflamação no cérebro foi medida por meio de exame de tomografia por emissão de positrões (TEP), que consegue detectar proteínas translocadoras. Produzidas pelas micróglias, células imunes do cérebro, essas estruturas são ativadas em caso de inflamação. De acordo com os resultados do estudo, o grupo de voluntários com depressão duradoura apresentou até 30% mais inflamação no córtex pré-frontal e no córtex cingulado anterior quando comparado aos que não tinham a doença.

“Nos voluntários com depressão duradoura e que não tiveram muito tratamento com antidepressivo, vimos aumento progressivo da inflamação”, resume Jeff Meyer. Segundo o autor, eles identificaram também semelhanças entre a depressão e outras doenças progressivas que acometem o cérebro, como o Alzheimer e o Parkinson. “Nossos dados sugerem que pessoas com depressão de longa data podem ter uma forma biologicamente diferente de depressão e que precisarão ser tratadas de forma diferente”, complementa.

Condição tóxica
Para o professor de psiquiatria da Universidade de Brasília (UnB) Raphael Boechat Barros, é importante reforçar que, como mostra a pesquisa canadense, a depressão não é episódica. “O diferencial desse estudo é ter sido feito com pacientes com depressão crônica. A maioria dos testes anteriores estuda a depressão aguda. Esse novo estudo associou o tempo de depressão não tratada com a inflamação, quanto mais tempo, mais inflamação”, explica.

Segundo Barros, nesse caso, há liberação de substâncias neurotóxicas que agridem o cérebro a longo prazo, mesmo que o paciente não sofra com os sintomas. “O estado inflamatório já é um indicativo de que o cérebro não está saudável”, diz. “A depressão, portanto, é uma doença crônica e pode ser indicada como uma doença neurodegenerativa.”

Uma das diferenças entre a depressão episódica e a crônica sãos os sintomas mais evidenciados no segundo caso. Para Fernando Fernandes, médico psiquiatra do Programa de Transtornos do Humor (Gruda) do Instituto de psiquiatria da Universidade de São Paulo (USP), isso pode estar relacionado à inflamação no cérebro. Mas o especialista ressalta que os efeitos afetam outras estruturas do corpo, já que se trata de uma doença multifatorial. “A inflamação é apenas um dos fatores envolvidos, assim como as alterações endócrinas”, ilustra.

De acordo com Fabiano Alves Gomes, médico psiquiatra e coordenador do Ambulatório de Transtornos do Humor do Hospital Universitário de Brasília (HUB), as evidências do estudo confirmam a hipótese de que a depressão é uma doença que ocorre devido a múltiplos processos fisiopatológicos. “Eles incluem alterações mais conhecidas, como disfunções nos neurotransmissores e nos circuitos cerebrais, mas também processos inflamatórios e disfunções imunológicas”, diz

Reações pessoais
O psiquiatra Raphael Boechat Barros, porém, ressalta que o tempo para que a depressão cause mudanças cerebrais não é necessariamente 10 anos, como o considerado na pesquisa canadense. “Por ser o primeiro estudo, eles colocaram um prazo aproximado, mas isso depende muito do grau de depressão do paciente. A consequência devido ao tempo varia de pessoa para pessoa”, diz.

O psiquiatra alerta que é preciso ter consciência de que a depressão, se não tratada, pode resultar em um prejuízo a nível orgânico e não apenas funcional. “A maior parte das evidências vem de estudos que avaliam apenas a estrutura do cérebro ou substâncias detectadas nos exames de sangue. O estudo canadense traz a novidade da utilização de uma técnica que permite avaliar a inflamação diretamente no cérebro de pessoas vivas com depressão e demonstra que o tempo sem tratamento está associado a mais inflamação cerebral”, explica.

Medicamentos contra azia e má digestão: Abusos causam incômodo no estômago

medicamentos-contra-azia-e-ma-digestaoAo comer demais, exagerar na bebida ou em comidas gordurosas, é natural que haja incômodo no estômago. Mas, para tratá-lo, é necessário saber qual patologia está atacando o paciente

De acordo com a gastroenterologista do Hospital Moriah, Dra. Nilma Lucia Sampaio Ruffeil, azia é uma sensação de queimação na região do peito (retroesternal), enquanto a má digestão é uma sensação de peso na região epigástrica (conhecida como “boca do estômago”).

“A azia é o retorno para o esôfago do conteúdo ácido do estômago. Isso acontece quando, por exemplo, a parede do estômago não está preparada para receber tanto ácido, causando queimação que sobe até o peito ou a garganta”, complementa o coordenador do Centro de Robótica do Hospital Samaritano, Dr. Sérgio Zaladek Gil.

O mal-estar e o enjoo ocorrem porque a presença do álcool e das comidas mais pesadas diminui a capacidade do estômago de fazer a digestão. Se a mucosa do órgão estiver inflamada, os sintomas são ainda piores.

Para acabar com os sintomas da azia, o paciente pode usar medicamentos que diminuem a produção de ácido ou fazem proteção local, como os antiácidos e o sucralfato (que faz uma proteção local e ajuda na proteção contra acidez). Os inibidores de bombas de próton, como omeprazol, bloqueiam a produção de ácido.

Já os medicamentos que combinam anti-inflamatórios e antiácidos – buscados por quem sofre de ressaca – auxiliam na redução dos sintomas da inflamação que o álcool causa, além de revestir a mucosa do estômago para protegê-lo.

É importante orientar o consumidor a observar se os sintomas apresentados são resultado somente de abusos pontuais ou se aparecem com facilidade e frequência, como os pacientes que necessitam tomar medicamentos quase que diariamente. Isso porque a pessoa pode ter alguma patologia ou lesão que não seja somente por ácido.

Foto Shutterstock

Fonte: Revista Guia da Farmácia edição 301 – Por Laura Martins

Hipertensão: como evitar a doença que prejudica coração e outros órgãos

banner-hpertensãoMais popularmente conhecida como pressão alta, a hipertensão arterial pode ser vista como o “mal do século”

Mas a boa notícia é que ela é prevenível, ou, em outras palavras, pode ser evitada de acordo com nossos hábitos de vida. Entretanto, antes de saber como evitar a pressão alta, é preciso entender o que provoca a doença e os prejuízos à saúde.

A explicação começa pelo bombeamento do sangue, feito pelo coração por meio das artérias. Esse movimento de bombear é dividido em pressão sistólica (contração) e diastólica (relaxamento do coração). 

A pressão sistólica normal vai até 120 mmHg e já é considerada elevada quando passa de 140 mmHg. No caso da pressão diastólica, a normalidade é de 80 mmHg e não é bom que ultrapasse os 90 mmHg. Se ultrapassadas essas médias, o coração acaba se esforçando mais para que o sangue chegue até todo o corpo, provocado a doença.

O cardiologista do Hospital Universitário de Brasília (HUB) Gustavo Gir esclarece que a pressão arterial varia ao longo do dia, por conta de vários fatores externos, como exercícios físicos ou repouso. “Em geral, ela mantém certo nível e tem as variações maiores relacionadas ao sono e outras demandas do dia a dia. Por exemplo, depois da alimentação pode cair um pouquinho para a digestão. Uma emoção mais forte ou uma briga pode gerar um pico de pressão, que em certos pacientes pode ser perigoso, causar até um infarto”, explica.

Prejuízos à saúde
Se a pressão não vai bem, não é só o coração que reclama. Além de doenças cardíacas, a hipertensão arterial pode levar prejuízos aos rins, que passam a funcionar com dificuldade, aos olhos, afetando a visão, e ao cérebro. E quando se trata de pressão alta, o corpo avisa por meio de dores no peito, dor de cabeça, tonturas, zumbido no ouvido, fraqueza, visão embaçada e sangramento nasal. “Os sintomas são muito inespecíficos. Às vezes a pressão está elevada por conta da dor de cabeça e não porque é a causa dela. Eles geralmente acontecem quando o paciente já está exposto à hipertensão por longos anos”, elucida Gir.

Outro agravante quando se trata desta doença é a herança genética. Em 90% dos casos, ela é herdada dos pais. Por isso, quem tem ocorrências mais próximas na família deve ter cuidado redobrado com os fatores externos. “Deve cuidar, mas isso não significa que a pessoa vá desenvolver a pressão alta, se ela tem um padrão de vida saudável, mesmo com o histórico familiar. Ou o desenvolvimento é bem mais tardio do que costuma ocorrer nos parentes”.

Menos Hipertensão
Neste dia 26 de abril, Dia Nacional da Prevenção e do Combate à Hipertensão Arterial, o Ministério da Saúde divulgou uma ótima notícia: entre os jovens de 18 a 24 anos, houve queda de 34% no diagnóstico de pressão alta. A informação é da pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas de 2017, a Vigitel. Por outro lado, 1 em cada 4 pessoas que vivem nas capitais do Brasil tem a doença.

A Vigitel também mostrou que quase metade dos adultos de 55 a 64 anos sofre com a pressão alta. As pessoas negras, as mulheres e os diabéticos são mais propensos ao desenvolvimento da doença.

Quero me prevenir, o que faço?
Com ou sem predisposição à hipertensão, todo mundo pode se prevenir com ações simples. O Blog da Saúde fez uma lista com 10 cuidados importantes:

1. Manter o peso adequado;
2. Não abusar do sal (utilize outros temperos que ressaltam o sabor dos alimentos);
3. Evitar alimentos gordurosos;
4. Praticar atividade física regularmente;
5. Aproveitar momentos de lazer;
6. Não fumar;
7. Moderar o consumo de álcool;
8. Controlar o diabetes;
9. Evitar o estresse;
10. Medir a pressão arterial com regularidade (pessoas com casos na família ao menos duas vezes por ano).

Além de podermos evitar problemas escolhendo hábitos saudáveis, também é possível monitorar a hipertensão, que não tem cura, mas pode se manter sob controle. Pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o paciente é diagnosticado e recebe um método de tratamento. Geralmente são indicados medicamentos, que são distribuídos nas Unidades Básicas de Saúde ou pela Farmácia Popular, mediante receita médica. Dos 10 milhões de usuários do Farmácia Popular, por exemplo, 7,2 milhões recebem fármacos para o tratamento da hipertensão arterial.

Desenvolvida pelo Ministério da Saúde, a Plataforma Saúde Brasil ajuda qualquer pessoa que queira parar de fumar, perder peso e se alimentar melhor - três dos principais passos para ficar longe da pressão alta.

Erika Braz, para o Blog da Saúde

quinta-feira, 26 de abril de 2018

Uma vitória para a assistência farmacêutica

Imagem relacionadaMais uma notícia positiva para o modelo de assistência farmacêutica avançada

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) acaba de publicar uma nota técnica definindo que a vacinação pode ser promovida na sala de serviços farmacêuticos já existente nos estabelecimentos, sem a necessidade de um local exclusivo para essa prática.

De acordo com a agência, a RDC 44/2009 instituía parâmetros para a criação de um ambiente de serviços farmacêuticos. Porém, não contemplava padrões específicos sobre vacinação por ter sido elaborada em um contexto anterior à Lei nº 13.021/2014 – que viabilizou a atividade de imunização nas farmácias e drogarias. Portanto, nenhuma legislação ou regulamentação prevê a necessidade de um espaço diferenciado para aplicar as vacinas, bastando que os estabelecimentos cumpram as exigências sanitárias inseridas nesta RDC e também na RDC 197/2-17 e RDC 50/2002.

“A posição da Anvisa, mais do que demonstrar respeito às leis, ratifica o compromisso da agência com a saúde pública brasileira. O varejo farmacêutico pode garantir uma ampla e qualificada cobertura vacinal, mudando a realidade do acesso a esses tratamentos no país”, celebra Cassyano Correr, coordenador do programa de assistência farmacêutica avançada da Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma).

Abrafarma

Auriculoterapia é usada no tratamento para chikungunya

auriculoterapiaA técnica tradicional Chinesa utiliza sementes em alguns pontos na orelha e ajudam a reduzir as dores causadas pela doença

Sentir dores intensas nas articulações dos pés, das mãos e do corpo todo, parar de fazer as caminhadas diárias e não ter ideia de como mudar a situação. Foi isso que a vendedora Rosa de Fátima passou depois de ter sido picada pelo mosquito Aedes aegypti e contraído a chikungunya.

Mas depois que ela começou a aplicar sementes em alguns pontos específicos da orelha, a dor sumiu. “Depois disso não tive mais dor e consigo fazer tudo normal”, relata Rosa. A técnica é chamada de auriculoterapia, que utiliza tecnologia semelhante a acupuntura, mas não usa agulhas e sim sementes para fazer o tratamento.

A vendedora conheceu a técnica ao participar do projeto Grupo de Atenção Integral e Pesquisa em Acupuntura e Medicina Tradicional Chinesa (Gaipa) - ação de extensão do Departamento de Fisioterapia da Universidade Federal do Ceará. A terapia complementar vem da cultura chinesa e já foi usada para o tratamento de várias doenças. A técnica é uma das 29 Práticas Integrativas Complementares ofertadas no SUS.

Melhora
“Devido ao baixo custo e ao relato na literatura científica sobre a sua efetividade no tratamento das dores musculoesqueléticas, o resultado foi positivo. A medida que a demanda de pacientes aumentou na nossa unidade, nós sentimos a necessidade de fazer também uma capacitação de profissionais do Núcleo de Apoio a Saúde da Família (NASF) para essas práticas integrativas”, explica o coordenador do Gaipa, Bernardo Diniz Coutinho.

O tratamento é oferecido pelos alunos da universidade e por profissionais que atuam nas unidades de saúde do SUS. Os pacientes chegam com dor devido à chikungunya, passam pela triagem das unidades de saúde e são encaminhados para o tratamento. As aplicações são feitas de acordo com a situação de cada paciente.

“O paciente que procura o nosso serviço, normalmente, já vem com histórico de dor intensa, e isso acaba comprometendo a qualidade do seu sono, do seu estado de humor a suas relações sociais no trabalho, como o desempenho de atividades em casa. Um paciente com histórico de meses de dor, sem melhora com o uso do tratamento de medicamentos, com a auriculoterapia ele relata melhora de redução da intensidade da dor no corpo, melhora da qualidade do sono e na hora que a gente avalia a capacidade física dele, de exames de testes clínicos confiáveis, nós percebemos também a melhora a parte funcional do corpo a partir da segunda sessão”, falou Bernardo.

Tratamento para chikungunya
Não existe vacina ou tratamento específico para chikungunya. Os sintomas são tratados com medicação para a febre (paracetamol) e as dores articulares (antiinflamatórios). Os sintomas iniciam entre dois e doze dias após a picada do mosquito e incluem, também dor de cabeça, dores nos músculos e manchas vermelhas na pele. Para Rosa, o tratamento com a auriculoterapia veio como um remédio e com pouco tempo de tratamento ela se sente renovada. “Eu sempre caminhei e passei muito tempo sem poder caminhar depois da Chikungunya, só que depois de um mês de auriculoterapia eu voltei a caminhar. Hoje eu tenho uma vida normal”.

O Gaipa atua nas unidades de saúde com essas técnicas de práticas complementares há certa de dois anos, a fim de ofertar uma atenção integral, humanizada à população com esses tipos de doenças. Além disso, realiza pesquisas para o aprimoramento da atenção à saúde, avaliando a eficácia, efetividade e segurança dos cuidados prestados.

Por Luiza Tiné, para o Blog da Saúde.