Aplicativos, carreira, concursos, downloads, enfermagem, farmácia hospitalar, farmácia pública, história, humor, legislação, logística, medicina, novos medicamentos, novas tecnologias na área da saúde e muito mais!



quinta-feira, 14 de junho de 2018

Pesquisadores imprimem, pela primeira vez, córnea humana em 3D

Researchers create the first 3D-printed corneas to combat blindnessOs cientistas também demonstraram que é possível construir uma córnea correspondendo às especificações exclusivas de um paciente

Pesquisadores da Universidade de Newcastle, no Reino Unido, imprimiram, pela primeira vez, córneas humanas em 3D. De acordo com eles, isso significa que a técnica pode, no futuro, ser usada para garantir um suprimento ilimitado da camada mais externa do olho humano, que desempenha um papel fundamental no enfoque da visão.

Há uma escassez significativa de córneas disponíveis para transplante, com 10 milhões de pessoas em todo o mundo que necessitam de cirurgia para prevenir a cegueira resultante de doenças como o tracoma, uma infecção ocular relativamente comum. Além disso, quase 5 milhões de pessoas sofrem cegueira total devido a cicatrizes na córnea causadas por queimaduras, lacerações, abrasão ou doenças.

A pesquisa britânica, publicada na revista Experimental Eye Research, relata como células-tronco da córnea de uma doadora saudável foram misturadas com alginato e colágeno para criar uma solução que pudesse ser impressa. Usando uma bioimpressora 3D simples de baixo custo, a tinta biológica foi extrusada com sucesso em círculos concêntricos para formar a forma de uma córnea humana. O processo demorou menos de 10 minutos.

Em seguida, as células-tronco foram colocadas em uma cultura para se desenvolver e formar a córnea propriamente dita. “Muitas equipes em todo o mundo têm pesquisado a biotinta ideal para tornar esse processo viável”, diz Che Connon, professor de Engenharia de Tecidos na Universidade de Newcastle, que liderou o trabalho. “Nosso gel exclusivo mantém as células-tronco vivas enquanto produz um material que é rígido o suficiente para manter sua forma, mas macio o suficiente para ser espremido pelo bocal de uma impressora 3D”, continua.

De acordo com ele, a técnica baseia-se em um trabalho anterior da equipe em que as células foram mantidas vivas, por semanas, à temperatura ambiente, dentro de um hidrogel semelhante. “Agora, estamos prontos para usar células-tronco contendo biotinta e permitindo que os usuários iniciem a impressão de tecidos sem ter que se preocupar com o crescimento das células separadamente.

Personalizadas
Os cientistas também demonstraram que é possível construir uma córnea correspondendo às especificações exclusivas de um paciente. As dimensões do tecido impresso foram originalmente retiradas de uma córnea real. Ao examinar os olhos de um paciente, os pesquisadores podem usar as dimensões personalizadas para imprimir rapidamente uma córnea que corresponda ao tamanho e à forma ideais.

“Nossas córneas impressas em 3D terão que passar por mais testes e levaremos vários anos até que possamos realizar transplantes com elas”, diz Connon. “No entanto, o que mostramos é que é possível imprimir córneas usando medidas tiradas do olho de um paciente, e que essa abordagem tem potencial para combater a escassez mundial dessa estrutura.”

Saúde Plena

Terçol ou conjuntivite? Infecções oculares são comuns, mas saber diferenciá-las é essencial

Resultado de imagem para pingar colírioIdentificar corretamente o problema é importante para tomar os cuidados adequados

Por Alan Rios*

Quando o olho fica vermelho, já começam as preocupações e, principalmente, as dúvidas. “Será que é conjuntivite?”, “Como fiquei assim?” ou até “Alguma grávida me deixou com terçol?” são perguntas que passam na cabeça de quem não conhece bem as inflamações oculares. É normal que exista confusão, afinal, são muitos nomes.

Mas não precisa se desesperar, porque com algumas informações simples é possível diferenciar as infecções e tomar as providências adequadas para cada caso. Entre os mais comuns estão os quadros de conjuntivite e terçol, semelhantes em vários aspectos, como a vermelhidão e a sensibilidade com a claridade. Porém, clinicamente, os dois são bem distintos, como explica Adriana Aquino, oftalmologista do Hospital de Base de Brasília.

“São duas coisas muito diferentes, porque a conjuntivite é a inflamação da conjuntiva, que pode ser infecciosa, de origem alérgica ou tóxica. Já o terçol é a obstrução de uma glândula das pálpebras. As glândulas ficam próximas aos cílios e, quando obstruídas, ocorre uma inflamação, o que geralmente causa inchaço, dor e vermelhidão.”



Recomendações

Outra diferenciação pode ser observada visualmente, pois o terçol - conhecido cientificamente como hordéolo - costuma provocar a presença de um nódulo na região posterior ou inferior da pálpebra, enquanto a conjuntivite atinge a conjuntiva sem esse caroço. Mas a médica lembra que mesmo que o paciente saiba identificar a infecção, a recomendação é sempre procurar primeiro o oftalmologista.

“Temos que evitar sempre a automedicação e os remédios caseiros. O tratamento adequado é diferente, de acordo com o que esse profissional verá nos exames, e o que serve para tratar um tipo de conjuntivite pode ser prejudicial para outro, por exemplo.”

A maior recomendação em relação às inflamações oculares é tomar cuidados preventivos, como higienizar bem as mãos e rosto com frequência para não levar infecções aos olhos, principalmente antes de colocar lentes de contato; não coçar a região ocular; usar maquiagem de boa qualidade; removê-la antes de dormir e aplicá-la depois das lentes, caso faça uso; evitar dietas com muita gordura.

* Estagiário sob supervisão da subeditora Sibele Negromonte

Foto: Shutterstock

quarta-feira, 13 de junho de 2018

Teste do coraçãozinho é fundamental para tratar cardiopatias congênitas

O dia 12 de junho é reconhecido oficialmente em várias cidades brasileiras como o Dia de Conscientização da Cardiopatia Congênita, data em que se pretende informar a população sobre esse grupo de doenças e enfatizar a importância do diagnóstico e do tratamento precoce

Resultado de imagem para teste do coraçãozinho

Todo ano no Brasil, estima-se que nasçam aproximadamente trinta mil crianças com cardiopatia congênita, tendo em vista a taxa de incidência estimada em 1 caso a cada cem nascidos vivos. Mas, você sabe o que é essa doença que atinge tantos bebês? As cardiopatias congênitas consistem em anomalias ocasionadas por defeitos anatômicos do coração ou dos grandes vasos associados, que produzem insuficiência circulatória e respiratória e outras consequências graves.

Como é feito o diagnóstico?
O acompanhamento médico no pré-natal é importante para o diagnóstico, caso existam fatores que levantem a suspeita clínica de problemas cardíaco-fetais. O ultrassom morfológico também pode apontar indícios de cardiopatia. Além disso, o teste de coraçãozinho realizado antes da alta hospitalar, entre 24 e 48 horas após o nascimento. “O teste do coraçãozinho é um exame indolor e rápido, feito ali nas primeiras 48 horas do nascimento da criança na própria maternidade. É por meio deste teste que as cardiopatias mais graves são diagnosticadas” explica Eduardo Gomes, coordenador-substituto da Alta e Média Complexidade do Ministério da Saúde.

Logo no início da gravidez, com onze semanas, a economista Mariana Piola descobriu pelo ultrassom morfológico que a formação do coração da Valentina, sua segunda filha, não estava normal. “O primeiro momento foi um baque muito grande, mas logo depois do diagnóstico do exame fomos procurar um especialista e com vinte e quatro semanas fizemos exames mais específicos para que ela nascesse em um local apropriado para fazer cirurgia”, disse.

Até hoje não existe uma causa bem específica que possa explicar as cardiopatias congênitas. Na maioria dos casos não há explicação, por isso, quanto mais cedo se descobre, mais chances de vida terá o bebê. “Por isso a importância do pré-natal. No caso da Valentina que nasceu com uma cardiopatia congênita grave, a Transposição das Grandes Artérias (TGA) a cirurgia foi feita com apenas 7 dias de vida. Se não fosse os primeiros exames, não teríamos nos preparado tanto”, fala Mariana.

No SUS
Além das maternidades e dos demais serviços que integram o Sistema Único de Saúde, os quais contam com profissionais qualificados para identificar os sinais e sintomas das cardiopatias, diagnosticá-las e prover o acompanhamento apropriado, o Brasil possui hoje 68 unidades habilitadas junto ao Ministério da Saúde para realizar cirurgias cardiovasculares pediátricas. Considerando que 80% das crianças cardiopatas precisam ser operadas em algum momento da vida – e que metade delas, quase doze mil bebês, precisa da cirurgia no primeiro ano de vida –, o governo federal percebe ser preciso ampliar o número de procedimentos historicamente realizados no SUS, abaixo dos dez mil.

Nesse sentido, no dia 11 de julho de 2017 foi lançando o Plano Nacional de Assistência à Criança com Cardiopatia Congênita. Na ocasião, houve o reajuste dos valores pagos por 49 procedimentos de cirurgia cardiovascular pediátrica, com um aumento médio em torno de 60%. Além disso, foi modificado o tipo de financiamento federal, passando o custeio dos procedimentos a ser realizado por meio do Fundo de Ações Estratégicas e Compensação (FAEC), instrumento que assegura o pagamento pós-produção dos procedimentos realizados sem qualquer interferência por parte das decisões em saúde locais. Em linhas gerais, o governo federal propôs o acréscimo de R$ 39,3 milhões adicionais por ano, um crescimento de 75,2% do orçamento anual destinado ao pagamento das cirurgias cardiovasculares pediátricas.

Ainda que tenham ocorrido avanços no acesso dos cardiopatas ao tratamento cirúrgico, é necessário manter as ações conduzidas desde então e incentivar outras medidas propostas pelo Plano, entre as quais a ampliação do acesso ao diagnóstico e a capacitação da equipe multidisciplinar no cuidado. Afinal, a expectativa de todo cardiopata, bem como de seus familiares, é a de garantia do acesso e do cuidado integral, resolutivo e de qualidade.

Outros testes em recém-nascidos realizados no SUS

Teste da Orelhinha – realizado por meio de exames fisiológicos e eletrofisiológicos da audição, para identificar o mais precocemente possível as deficiências auditivas em recém-nascidos e lactentes e encaminhar para intervenções adequadas à criança e sua família. Realizado, preferencialmente, nos primeiros dias de vida (24h a 48h) na maternidade, e no máximo, durante o primeiro mês de vida, a não ser em casos quando a saúda da criança não permita a realização dos exames.

Teste do Olhinho – Com oftalmoscópio ou qualquer instrumento com fecho de luz, como caneta de luz, o exame busca identificar agravos que levam a opacificação do cristalino, com diagnóstico presuntivos de retinoblastoma, catarata congênita e outros transtornos oculares congênitos e hereditários.

Teste da Linguinha – é realizado durante o exame físico de rotina do recém-nascido, para identificar a presença de anquiloglossia, popularmente conhecida como língua-presa

Teste do Coraçãozinho – Este teste consiste na aferição da oximetria de pulso (quanto oxigênio o sangue está transportando) de forma rotineira em recém-nascidos, entre 24 e 48 horas de vida, antes da alta hospitalar. O objetivo é a detecção precoce das cardiopatias congênitas.

Luíza Tiné, para Blog da Saúde

Miopia: estudar demais pode desencadear a doença, revela pesquisa

Resultado de imagem para miopiaSegundo os cientistas, o início precoce dos estudos estimula mais rápido o distúrbio

Quanto mais uma pessoa estudar, maior será a necessidade de usar óculos, aponta estudo publicado no periódico British Medical Journal (BMJ). De acordo com a BBC, o artigo encontrou uma conexão entre o gene da miopia e os genes responsáveis pela predisposição para estudar.

Miopia e estudo
Os pesquisadores da Universidade de Bristol e da Universidade de Cardiff, ambas no Reino Unido, analisaram o DNA de 68.000 participantes e descobriram que as pessoas com o gene que as tornam mais predispostas para estudar tinham maiores risco de desenvolver miopia. No entanto, as pessoas com predisposição à doença não tinham maior probabilidade de estudar por mais tempo.

A pesquisa indica que pessoas que finalizam um curso universitário podem ter o grau de miopia aumentado, em comparação com quem parou de estudar aos 16 anos. Segundo os cientistas, apesar de pequeno, esse aumento pode exigir que o indivíduo necessite de óculos para dirigir, por exemplo. “Isso não significa que as pessoas devem parar de estudar. Obviamente, queremos que elas frequentem a escola, mas queremos estimular uma discussão sobre como educar melhor nossas crianças”, alertou no relatório Denize Atan, uma das pesquisadoras envolvidas no estudo.

Fatores ambientais e sociais
De acordo com o Science Daily, em um editorial, o professor Ian Morgan, da Universidade Nacional da Austrália, sugere que não são apenas genes, mas fatores ambientais e sociais que podem ter efeitos importantes na miopia. Isso porque pesquisas realizadas no Leste Asiático — onde há intensa pressão educacional desde cedo — indicam que ficar ao ar livre protege a visão, uma vez que a luz solar ajuda no desenvolvimento ocular, assim como previne a miopia.

Essas mesmas pesquisas mostraram que 50% das crianças asiáticas analisadas desenvolveram miopia até o fim da escola primária por causa das muitas horas de estudo e pouco tempo para brincar ao ar livre. Em análise comparativa com a Inglaterra, notou-se que menos de 10% das crianças britânicas tinham esse problema. “O início precoce permite mais tempo para a miopia progredir para uma miopia elevada e potencialmente patológica. Os sistemas educacionais devem mudar, a fim de ajudar a proteger a saúde visual das gerações futuras”, orientaram os pesquisadores.

Miopia
A miopia é um problema ocular em que o indivíduo consegue enxergar perfeitamente objetos próximos, mas quando estão mais afastados, eles ficam desfocados. Em casos mais graves, a miopia pode elevar o risco de deslocamento de retina e degeneração macular, que gera uma piora gradual da visão. Em ambos os casos, há o risco de cegueira. Como apontado no estudo, a principal causa da doença está relacionada à genética, mas fatores externos também podem afetar a visão e provocar o problema, como a grande incidência de luz nos olhos, por exemplo.

Por isso é sempre necessário manter a televisão, os smartphones e os computadores mais afastados dos olhos. O tratamento consiste no uso de óculos ou lentes de contato para corrigir a visão desfocada. Outra solução é a cirurgia corretiva da miopia, embora nem todas as pessoas estejam qualificadas para passar por esse procedimento. No Brasil são registrados cerca de 2 milhões de casos de miopia por ano.

Veja

terça-feira, 12 de junho de 2018

Busca por aborto caseiro na internet dobrou na última década

Pesquisas por pílulas abortivas na internet dobraram no mundo durante a última década, de acordo com uma análise de dados do Google feita pela BBC

Mulher preocupada em frente a um computador
 Pesquisas por pílulas abortivas na internet são mais frequentes nos países onde a legislação é mais restritiva Getty Images

As informações coletadas também apontam que em países em que a legislação sobre aborto é mais restritiva há mais pesquisas na internet por pílulas abortivas. Comprando pílulas online e compartilhando conselhos em grupos de WhatsApp, as mulheres estão cada vez mais usando a tecnologia para burlar as barreiras legais ao aborto. É a face moderna do “aborto caseiro”, também conhecido como “aborto faça-você-mesmo”.

A análise da BBC mostra que países com as leis mais duras, onde o aborto é permitido apenas para salvar a vida da mulher ou banido em qualquer circunstância, têm dez vezes mais buscas sobre o remédio abortivo Misoprostol do que países com menos restrições. Há dois métodos principais para induzir um aborto: por meio cirúrgico ou com remédios.


Alto risco

Mapa: acesso legal ao aborto por país


O aborto com medicamentos é realizado com a ingestão de uma combinação de remédios, Misoprostol e Mifeprostone. O Misoprostol também é conhecido pelo nome de marca, como Cytotec. Enquanto mulheres em países como o Reino Unido podem ter os remédios receitados por um médico, mulheres que compram as pílulas pela internet em países onde a legislação é restritiva estão frequentemente violando a lei e correndo o risco de sofrer grandes punições – e riscos à saúde.

Gana e Nigéria são os dois países com mais alta procura online por Misoprostol, de acordo com os dados do Google. Em Gana, o aborto só é permitido em caso de estupro, incesto, defeito no feto ou para preservar a saúde mental da mulher. A Nigéria tem leis ainda mais rígidas: o aborto só é permitido quando a vida da mulher está em perigo. Dos outros 25 países com mais pesquisas sobre Misoprostol, 11 estão na África e 14 na América Latina. Em quase todos eles, o aborto é totalmente proibido ou permitido em casos muito restritos, como risco à vida a mulher. As duas únicas excessões são Zâmbia e Moçambique.

Na Irlanda, tomar uma pílula abortiva pode resultar em uma pena de 14 anos de prisão. No entanto, um plebiscito feito em maio mostrou que a grande maioria da população – 66,4% – é a favor do fim da lei antiaborto, que agora será modificada pelo Congresso.

O primeiro-ministro irlandês, Leo Varadkar, que fez campanha a favor da legalização, diz que as novas regras passarão a valer até o fim do ano.

Mapa: procura por pílulas abortivas por país

A BBC News Brasil fez uma reportagem exclusiva sobre um grupo de WhatsApp que ajuda mulheres a obter os remédios e dão conselhos sobre o procedimento.

O grupo, criado por mulheres, se vê como um espaço de acolhimento e auxílio a mulheres que desejam fazer aborto em casa.

A grande maioria das mulheres que integram o grupo, incluindo as coordenadoras, é jovem - têm entre 18 e 25 anos.

Muitas moram com os pais e estudam - estão nos primeiros semestres da faculdade - e dizem nas conversas de WhatsApp que optaram pelo aborto porque não querem deixar os estudos e não têm independência financeira.


A busca

A análise de dados do Google também revelou com que frequências certas frases específicas são procuradas.

"Remédio para aborto" é a frase mais pesquisada em todos os países analisados.

"Como fazer um aborto" é a pergunta mais feita em mais de dois terços dos países.

Gráfico: procura é maior onde as leis são mais restritivas

Outras frases comuns são "como usar Misoprostol", "Misoprostol preço", "comprar Misoprostol" e "Misoprostol dosagem".

Além das pílulas abortivas, mulheres também buscam por outros métodos para induzir aborto. Salsinha, canela, vitamina C, aspirina e chás de ervas aparecem como métodos pesquisados.

Nenhum deles é considerado seguro pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Em metade dos países analisados, "remédio caseiro para aborto" estava entre as principais pesquisas relacionadas ao tema.

Um estudo sobre uso de chás abortivos na África subsaariana revelou que algumas plantas de fato afetam o útero, mas há muitos pontos negativos no uso desse método tradicional.

É difícil, por exemplo, controlar a dosagem e sabe-se pouco sobre os efeitos colaterais.

No mundo todo, cerca de 25 milhões de abortos pouco seguros são realizados todos os anos, segundo a OMS. Isso equivale a 45% de todos os abortos.

Embora o Misoprostol seja considerado um método seguro quando administrado por um profissional de saúde, ele pode trazer riscos quando tomado por conta própria.

"Mesmo quando a qualidade do produto é ótima e você segue o protocolo, ainda há um risco de falha", diz Dhammika Perera, diretor médico da entidade Marie Stopes International.

Ele afirma que as chances de um aborto malsucedido aumentam muito quando o remédio é comprado pela internet ou administrado por uma pessoa sem preparo.

Essas mulheres também estão menos inclinadas a buscar cuidados médicos após o aborto caso algo dê errado.

"Estigma, custo, acesso e medo de punições fazem as mulheres hesitar em procurar ajuda e as colocam em risco", diz Perera. 

Abortos incompletos
A estudante de direito Arezoo morava no Irã quando descobriu que estava grávida do namorado. Eles sempre tinham usado métodos contraceptivos.

"Eu entrava em toda clínica de ginecologia que via no caminho", diz ela. "Quando os médicos me examinavam, descobriam que eu não era casada e precisava de um aborto, eles me rejeitavam imediatamente."

Ela fez documentos falsos dizendo que era divorciada e convenceu um médico a ajudá-la.

"Ele cobrou o olho da cara por oito pílulas", conta ela. Mas o medicamento não teve efeito.

Arezoo então procurou na internet e encontrou uma entidade que envia pílulas de aborto para mulheres em países onde o procedimento é restrito. Ela recebeu conselhos e apoio.

As pílulas que ela conseguiu com o médico fizeram a jovem sangrar muito, mas o aborto não foi completo. Uma semana depois, Arezoo foi para um hospital particular acompanhada pela irmã.

"Eu menti, disse que meu marido estava na França, que meus documentos estavam em um cofre em algum lugar e que eu precisava de um aborto seguro."

Os funcionários do hospital estavam relutantes e não queriam recebê-la. Arezoo diz que foi um milagre eles finalmente terem cedido e acreditado nela.

"Depois de mentir e inventar histórias, eu finalmente fui internada e 30 minutos depois fizeram um procedimento cirúrgico. Foi o pior pesadelo da minha vida", diz ela.

Cerca de 14% dos abortos são "menos seguros", o que significa que eles foram realizados por pessoas sem preparo e usando métodos perigosos, como a introdução de objetos no canal vaginal e o uso de chás de ervas.

Esses métodos geram problemas como infecções e abortos incompletos – nesses casos, os médicos receitam mais medicamentos ou cirurgia, dependendo do caso.

Pelo menos 22,8 mil mulheres morrem todos os anos como resultado de abortos inseguros, segundo o Instituto Guttmacher.

*Reportagem de Amelia Butterly e jornalismo de dados de Clara Guibourg. Colaboraram Dina Demrdash, Nathalia Passarinho and Ferenak Amidi.