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terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Plantão Médico: tire suas dúvidas sobre o HPV

Especialista responde perguntas sobre HPV, vírus associado ao desenvolvimento do câncer de colo de útero

O vírus HPV está associado ao desenvolvimento do câncer de colo do útero, o quarto câncer que mais mata mulheres no Brasil. A medida mais importante para evitar a contaminação com o HPV é buscar informação a respeito da transmissão deste vírus e suas consequências na saúde feminina.

Para responder às principais dúvidas sobre o câncer que, segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), atinge 19 em cada 100 mil mulheres no país, o iG conversou com o ginecologista Sérgio Mancini Nicolau, chefe da Disciplina de Oncologia Ginecológica do Departamento de Ginecologia da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).

Como uma pessoa se contamina com HPV?
O HPV (papilomavirus humano) é um vírus capaz de induzir lesões de pele ou mucosa e sua transmissão ocorre eminentemente através do contato sexual. A entrada do HPV nos tecidos (pele e mucosas) da região genital geralmente ocorre por microfissuras geradas durante o ato sexual. Sem a proteção do preservativo, os tecidos ficam expostos à entrada do vírus.

Todo HPV causa câncer?
Existem mais de 200 tipos de HPV, porém somente os de alto risco (como o 16, 18, 31, 33, 45, 58) estão relacionados ao desenvolvimento de tumores malignos. Com a identificação, em 1980, pelo alemão Harald zur Hausen, dos tipos 16 e 18 como dois dos principais causadores do câncer de colo do útero, foi possível desenvolver as vacinas que existem hoje no mercado. Por seu trabalho, Harald ganhou o Prêmio Nobel de medicina em 2008.

Quem já tratou o HPV ainda pode transmiti-lo?
Com segurança, depois de um tratamento adequado, pode-se falar em cura ou eliminação da doença, especialmente após teste de biologia molecular negativo para o vírus. Em alguns casos, o HPV pode estar inativo, sem se multiplicar, impedindo a transmissão, embora a pessoa ainda esteja infectada pelo vírus.

Além das verrugas, quais outros sintomas de contaminação por HPV são identificados no diagnóstico clínico?
As verrugas no órgão sexual – masculino e feminino – são sinais evidentes. É bom lembrar que são as verrugas não produzem o câncer de colo do útero. Outras doenças causadas por HPV, no entanto, costumam não ter sintomas. Nas mulheres, os corrimentos com odor fétido e sangramento após a relação sexual podem ser sinais significativos de câncer de colo de útero.

Mesmo sem a certeza da doença é possível engravidar?
Claro que sim. Porém, são necessários exames, alguns deles com alta precisão. Em caso de suspeita ou dúvidas, a melhor atitude é procurar o ginecologista e fazer os exames de rotina, que são imprescindíveis.

Qual o risco do HPV para o homem?
Nos homens, em geral, a manifestação clínica mais visível é o aparecimento de verrugas no pênis. As lesões por HPV também são responsáveis pelo câncer de pênis.

Como saber se uma pessoa está infectada com o vírus do HPV?
São necessários alguns exames. O teste colpocitológico, comumente conhecido como Papanicolaou, detecta a infecção pelo HPV nas mulheres. Não o vírus em si, mas as alterações nas células provocadas por ele. Pode-se também recorrer à biópsia – retirada para análise em laboratório de um pequeno fragmento de tecido da região onde foi detectada a alteração. Mais recentemente surgiu a Captura Híbrida, um exame que aponta, com muita precisão, a presença do vírus mesmo antes do aparecimento de qualquer sintoma.

Como é o tratamento?
Varia de acordo com cada caso. Podem ser necessários procedimentos como cauterização (destruição química com ácido aplicado diretamente nas lesões), criocirurgia (congelamento e destruição do tecido anormal), cauterização a laser, e conização do colo do útero (retirada de tecido). Às vezes também são indicados medicamentos que melhoram o sistema imune da pessoa. Os resultados efetivos do tratamento dependem de diversos fatores, como a idade da paciente, local e número de lesões e o estado nutricional. As recidivas são frequentes, mesmo com o tratamento adequado.

Qual é a eficácia das vacinas para o HPV?
Em média, a eficácia da vacina é de aproximadamente 70% dos casos da infecção que levam à formação de tumores como, por exemplo, câncer de colo de útero. A vacina é feita em laboratório, a partir das informações genéticas do próprio HPV, induzindo a produção de anticorpos neutralizantes do vírus e impedindo uma infecção no futuro. No Brasil, já existem dois tipos de vacinas: a quadrivalente, contra quatro tipos do vírus (6, 11, 16 e 18) sendo os tipos 16 e 18 os responsáveis por 70% dos casos de câncer do colo de útero, e os tipos 6 e 11 relacionados com 90% dos casos onde há a presença de verrugas. A outra vacina é a bivalente, apenas com os tipos de vírus causadores do câncer do colo de útero (16 e 18).

Como se prevenir?
Manter uma boa higiene íntima, usar preservativos em todas as relações sexuais e, muito importante, visitar regularmente o ginecologista (urologista para os homens) para fazer todos os exames de prevenção. A vacina também é considerada uma medida de prevenção. Para saber mais sobre a indicação dela, é importante consultar o ginecologista.

Fonte iG

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