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quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Maioria dos transtornos psíquicos tem raízes na infância

Falta de atenção dos pais atrasa diagnóstico da doença, dificultando tratamento
 
Sabe aquela pontinha do iceberg - como o vértice de um triângulo - que desponta na superfície e que é a única parte do todo que conseguimos ver? Pois é. Quando a situação chega a este ponto é sinal de que já existe uma grande massa obscura sob aquela inocente pontinha. E é dessa mesma maneira que os problemas emocionais evoluem.

Geralmente os sintomas se iniciam e evoluem disfarçadamente na infância, com alterações leves e sutis, evoluindo de modo imperceptível dentro e fora do contexto familiar. E sem olhos que enxerguem e sem conhecimento sobre saúde mental, as crianças vão crescendo com problemas de toda ordem: somatizando (adoecendo), usando drogas, não aprendendo, agredindo, se isolando socialmente etc.
 
Na adolescência, a situação tende a piorar, levando a repetências, a evasão escolar, à depressão, ao uso de substâncias psicoativas, a acidentes, a problemas com a lei e até ao suicídio. O bullying também contribui para o quadro. Piadas, críticas, rótulos, espancamentos, ameaças e toda sorte de constrangimentos podem acontecer, piorando a situação da vítima. Para muitos, a falta de autoestima, a ausência de autoconfiança e a vontade de morrer estão sempre presentes.

Ao chegar à vida adulta, seja pelo peso das limitações impostas, pelos sintomas ou pela vergonha, pela culpa ou pelos conflitos, o indivíduo vai se curvando sob uma espiral decrescente de vida. Os problemas, já crônicos, se misturam ao jeito de ser da pessoa fazendo com que muitos se desqualifiquem e se achem burros, preguiçosos e azarados.

Sabe-se que a maioria dos transtornos psíquicos do adulto é simplesmente a continuação de problemas oriundos da infância, que evoluem de forma leve com sinais e sintomas "pequenos ou menores", como costumamos dizer. Infelizmente, a sociedade não compreende bem esses transtornos e o preconceito contra os afetados ainda são muito fortes.
 
Não raro, o paciente é tratado parcialmente, ou seja, só do sintoma relatado, quando, de fato, aquele sintoma pode estar fazendo parte de um constructo maior, como acontece com os transtornos comórbidos. Em outras palavras, só a ponta do iceberg seria tratada. Sintomas de depressão, ansiedade, problemas com álcool e drogas, entre outros, podem ser apenas parte de um livro de alguns capítulos.

É essencial que o paciente seja olhado, ouvido e tratado em sua totalidade e não só pela sua queixa. Só assim o paciente resgatará a sua funcionalidade e produtividade anterior. Caso contrário, os prejuízos podem ser devastadores. Assim, a divulgação dos transtornos mentais é um ponto crucial para a produção de saúde mental e qualidade de vida na sociedade.

A expressão psiquiatria é coisa de maluco ainda é uma crença que vigora nos dias de hoje, lamentavelmente. E muitas famílias se trancam no silêncio da vergonha e do medo enquanto outras enfrentam a tradicional internação psiquiátrica, havendo ainda aqueles que permanecem longos períodos em abordagens isoladas e sem os resultados esperados. É o que eu chamo de psiq-fobia ou fobia de doença mental.

Hoje, em pleno século 21, apesar dos grandes avanços da neurociência, ainda predomina uma grande lacuna de desconhecimento, dificultando uma atuação mais eficaz na área da saúde mental.
 
Fonte Minha Vida

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