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sábado, 10 de janeiro de 2015

Cientistas descobrem como emagrecer com refeição imaginária

Ronald Evans, diretor do Laboratório de Expressão Genética do Instituto Salk, dos Estados Unidos, desenvolveu um composto chamado “fexaramine” que age como uma refeição imaginária. Ele engana o corpo a pensar que consumiu calorias, fazendo-o na verdade queimar gordura
 
Diferente da maioria das pílulas de dieta no mercado, esta não se dissolve no sangue, como inibidores de apetite ou medicamentos para emagrecer à base de cafeína, mas sim permanece nos intestinos, causando menos efeitos colaterais.
 
“Esta pílula é como uma refeição imaginária”, define seu criador Ronald Evans. Segundo ele, ela funciona porque dispara o envio dos mesmos sinais que normalmente são enviados quando a gente come, de modo que o corpo entende que deve começar a limpar espaço para armazenar essa nova leva consumida. Com o benefício incrível, claro, de não ter calorias e não provocar alterações no apetite.
 
A importância desse medicamento vai muito além da estética.
 
Só nos Estados Unidos, mais de um terço dos adultos são obesos e 29,1 milhões de pessoas têm diabetes, de acordo com os Centros para Controle e Prevenção de Doenças do país. Tanto a obesidade quanto a diabetes levam a um aumento das despesas de saúde, um maior risco de complicações e uma vida útil mais curta.
 
Desenvolvimento do fexaramine
O Laboratório Evans passou quase duas décadas estudando o receptor farensoid X (FXR), uma proteína que desempenha um papel na forma como o corpo liberta ácidos biliares a partir do fígado, digere os alimentos e armazena gorduras e açúcares. A FXR não só provoca a liberação de ácidos biliares para a digestão, como também altera os níveis de açúcar no sangue e faz com que o corpo queime algumas gorduras, em preparação para a refeição que está chegando.
 
As empresas farmacêuticas com o objetivo de tratar a obesidade, diabetes, doenças do fígado e outras condições metabólicas desenvolveram drogas sistêmicas que ativam a FXR. Mas essas drogas afetam vários órgãos e provocam alguns efeitos colaterais terríveis.
 
Foi aí que Evans resolveu mudar o rumo dessa história.
 
Ele estudou a possibilidade de ligar a FXR apenas aos intestinos, ao invés de ligá-la ao fígado, rins e às glândulas supra-renais de uma só vez. A expectativa dele era de que isso poderia ter um resultado diferente, como de fato teve.
 
Como o fexaramine funciona
“Quando você come, você tem que ativar rapidamente uma série de respostas por todo o corpo”, explica Evans. “E a realidade é que a primeira resposta para tudo isso é o intestino”. Então, a grande sacada de Evans e seus colegas foi fazer um medicamento para emagrecer que age apenas no intestino.
 
Sem transporte para a corrente sanguínea que levaria a droga em todo o corpo, o fexaramine não só reduz efeitos colaterais, como também faz o composto agir melhor para parar o ganho de peso.
 
Testes e resultados
Quando o grupo deu uma pílula diária de fexaramine por cinco semanas para camundongos obesos, os ratos deixaram de ganhar peso, perderam gordura e ficaram com níveis mais baixos de açúcar no sangue e colesterol do que os camundongos que não receberam o medicamento. Além disso, os ratos tiveram um aumento da temperatura do corpo, o que sinaliza um aumento na taxa de metabolismo.
 
Até mesmo a colônia de bactérias nos intestinos dos ratos mudou quando eles receberam a droga, embora o significado dessas mudanças ainda não esteja 100% claro.
 
Por que fexaramine funciona melhor do que os outros remédios?
De acordo com Evans, a resposta ara essa pergunta tem muito a ver com a ordem natural em que vias moleculares do corpo normalmente respondem a uma refeição.
 
“A resposta do corpo a uma refeição é como uma corrida de revezamento, e se você disser a todos os corredores para irem ao mesmo tempo, você nunca vai passar o bastão”, diz Evans. Dessa forma, o fexaramine é o resultado de um esforço de pesquisa que descobriu como acionar o “primeiro corredor” a fim de fazer com que o resto dos eventos aconteça em uma ordem natural.
 
Como o fexaramine não chega na corrente sanguínea, é provavelmente mais seguro em humanos do que outros remédios para emagrecer que também tem como alvo a FXR.
 
Os pesquisadores já estão trabalhando para criar testes clínicos em humanos e verificar a eficácia do fexaramine para tratar a obesidade e doenças metabólicas. O ideal é que o remédio seja administrado sob a orientação de um médico e acompanhado de um trabalho em conjunto com dieta e mudança de estilo de vida – algo semelhante ao acompanhamento de cirurgias de perda de peso ou outras remédios para emagrecer ou controlar diabetes.
 
Medicalxpress / Hypescience

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