Especialista vê situação com otimismo e acredita que o País pode virar o jogo Após alguns anos marcados pela queda na produção de pesquisas médicas, o Brasil está diante de um momento propício para resgatar sua representatividade mundial neste segmento. O risco de uma crise no setor farmacêutico tem feito grandes companhias revelarem alguns de seus segredos em parcerias com universidades e pequenas empresas que se mostrem sérias e interessadas na produção de conhecimento. Além disso, uma plataforma que promete reunir dados sobre pesquisas clínicas e favorecer a integração de instituições mundo afora está prestes e ser lançada nos Estados Unidos. À frente do projeto, um brasileiro. O pernabucano Fábio Thiers, otorrinolaringologista formado pela Universidade Federal de Pernambuco, tem circulado há mais de uma década pelos corredores de Harvard e do MIT (Massachusetts Institute of Technology), duas importantes instituições de ensino norte-americanas. Hoje, com apenas 36 anos, Thiers já alcançou a direção do programa de pesquisa sobre estratégias para estudos clínicos, projeto desenvolvido pelo Centro de Inovação Biomédica do MIT. O desafio do brasileiro não é pequeno. "Estima-se que existam de 25 mil a 30 mil hospitais no mundo desenvolvendo pesquisas clínicas", afirma. E essas informações podem ter referências na nova plataforma do MIT. Muitas pesquisas envolvem muito dinheiro. Seriam R$ 70 bilhões investidos por ano. Os Estados Unidos concentram 42,2% de todas as pesquisas mundiais. São quase 95 mil estudos, que lhe conferem o título de líder isolado no segmento. O segundo posto é ocupado pela Alemanha, com 13.252 pesquisas em andamento. Isso representa apenas 5,9% do montante mundial, quase um décimo dos estudos realizados pelo primeiro colocado. Em terceiro lugar, aparece a França (3,8%), seguida do Canadá (3,5%) e do Japão (3,4%). O Brasil aparece em 13 lugar, com 3.317 estudos em andamento, segundo levantamento de outubro de 2010. Isso representa 1,5% do montante mundial. País em queda Se comparado aos demais países da América Latina, o Brasil assume a primeira colocação do ranking. Mesmo assim, seu posto pode estar ameaçado. Nos últimos cinco anos, as pesquisas científicas registraram queda média superior a 4% ao ano. As pesquisas clínicas representam um indicador de altíssima importância às ciências médicas. Ele aponta a possibilidade de avanços tecnológicos, qualificação de profissionais da área, integração com o mercado internacional e acesso à tratamentos modernos para a população brasileira. "Podemos ganhar em tudo isso, tendo empregos e empresas de alto nível", afirma Thiers. Para aproveitar o momento oportuno e reverter sua queda na produção científica, o Brasil precisa trabalhar em duas frentes. A primeira delas, segundo Thiers, é com a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), órgão que regula o setor no País. "Eles estão bem intencionados, mas ainda são um órgão novo e pouco aparelhado", avalia. O sistema regulatório brasileiro, para Thiers, precisa ser agilizado. "O prazo regulatório é longo demais por falta de estrutura", afima. A demora na espera por aprovações e autorizações pode comprometer projetos de pesquisa. "Defendo que o setor precise ser observado, não quero o fim disso, mas o processo deve ser feito de forma mais eficiente", avalia. A segunda frente de trabalho seria com a própria imagem das pesquisas clínicas no Brasil. "As pessoas precisam entender o que é uma pesquisa clínica e para que ela serve", diz o médico brasileiro. Em todo o mundo, a opinião pública sobre pesquisas clínicas, especialmente sobre a indústria farmacêutica, sofre com percepções negativas. Segundo médico norte-americano Ken Getz, professor associado da Tufts University, cerca de 80% dos norte-americanos acreditam que participar de estudos clínicos seja como apostar com a própria saúde. "E 25% deles acreditam ainda que a motivação das esquipes de pesquisa seja a ganância", afirma, em entrevista ao iG Saúde. Exemplo disso, na opinião de Thiers, é o uso de placebos em estudos clínicos. Placebos são substâncias inócuas ao organismo, usadas para criar grupos de controle e verificar a real eficácia do princípio ativo. Como muitos grupos de controle são feitos por portadores de doenças, eles correm o risco de ter o tratamento prejudicado por usarem placebo. "Nem todos entendem que pesquisa não é tratamento. Ser voluntário, às vezes, implica em fazer um bem para a humanidade, eventualmente maior do que um bem para a própria pessoa", diz o brasileiro. Salto gigante Agindo nas duas frentes, o Brasil tem chances reais de amplicar sua participação no mercado internacional de pesquisas e inovações médicas. Hoje, o País reúne 320 hospitais que desenvolvem estudos. "Mas 40 ou 50 têm estruturas relevantes. Os demais realizam poucas pesquisas", detalha Thiers. O foco do governo para fomentar o segmento poderia começar justamente nas instituições que já se mostraram interessadas em pesquisas, porém têm pouca estrutura para ganhar notoriedade. "Isso seria um bom começo para alcançar a meta de ser o quinto no ranking mundial em 2020", afirma o médico brasileiro. O plano faz parte da política de desenvolvimento produtivo do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Thiers observa que o Brasil já tem certas vantagens em pesquisas oncológicas, HIV e doenças tropicais (exceto pela meningite). "Faltam pesquisas sobre doenças psiquiátricas e neurológicas", aponta. Outro aspecto estratégico fundamental, segundo o médico, está na atenção básica à saúde. "Se o acompanhamento básico for melhor realizado, haverá melhorias no diagnóstico precoce de doenças e isso pode aumentar o número de participantes em pesquisas médicas", explica. http://saude.ig.com.br/minhasaude/brasil+sofre+queda+na+producao+de+pesquisas+medicas/n1596823968641.html
segunda-feira, 28 de março de 2011
Programa do governo para gestantes quer melhorar condições do parto
Dilma Rousseff apresenta o Rede Cegonha nesta segunda-feira A presidente Dilma Rousseff afirmou nesta segunda-feira (28) que a Rede Cegonha vai funcionar como uma corrente de cuidados especiais para as gestantes. Segundo ela, um país pode ser medido pela atenção que dá às mães e aos bebês. O programa prevê investimentos de R$ 9 bilhões e será lançado hoje em Belo Horizonte (MG). Em seu programa semanal Café com a Presidenta, Dilma explicou que o objetivo é começar a agir cedo, antes do nascimento da criança, para que haja maior qualidade de vida para a gestante e melhores condições para o parto. A Rede Cegonha será ligada ao SUS (Sistema Único de Saúde). A mulher que chegar a uma unidade estadual ou municipal informando que está grávida ou que há suspeita de gestação deverá passar, inicialmente, por um teste rápido. - Vamos começar o pré-natal ali, no primeiro contato com a gestante, para incentivá-la a fazer um pré-natal completo, como é o recomendado. De acordo com a presidente, o governo federal vai garantir recursos para o deslocamento da gestante às consultas e exames por meio de um vale-transporte. Ao final da gestação, se a mãe tiver cumprido todo o pré-natal, receberá também um vale-táxi para ir à maternidade. Atualmente, cerca de 90% das gestantes brasileiras realizam as quatro consultas recomendadas pela OMS (Organização Mundial da Saúde). A Rede Cegonha pretende ampliar o número para seis. O SUS recomenda ainda 20 tipos de exames às gestantes mas, com o programa, testes como a ultrassonografia deverão ser incluídos no pré-natal. Caso seja detectada uma gravidez de risco, nove tipos de exames complementares também terão recursos garantidos. A gestante poderá conhecer, com antecedência, a maternidade para a qual será encaminhada e vai ser estimulada a fazer parto normal. O governo federal pretende criar ainda casas da gestante e casas do bebê, unidades localizadas dentro de maternidades de alto risco. - A mulher pode precisar ficar nessas casas antes do parto, caso não tenha indicação de ficar internada mas precise continuar sendo observada. Elas podem também ser indicadas depois do parto, quando o bebê está em uma UTI [Unidade de Tratamento Intensivo] ou não possa, por nenhum motivo, ir para casa. http://noticias.r7.com/saude/noticias/programa-do-governo-para-gestantes-quer-melhorar-condicoes-do-parto-20110328.html
Governo monta força-tarefa contra dengue
Trinta médicos e enfermeiros de seis hospitais federais do Rio ficarão disponíveis para viajar para Estados que enfrentam epidemia da doença Clarissa Thomé - O Estado de S.Paulo O Ministério da Saúde formou, nesta semana, a primeira equipe de uma força-tarefa que atuará em todo o País para reduzir o número de mortes por dengue. São 30 médicos e enfermeiros de 6 hospitais federais do Rio que ficarão disponíveis para viajar para Estados com epidemia. Em outra frente, o Conselho Regional de Medicina (Cremerj) enviou para 44 mil associados do Estado o protocolo de atendimento em caso de dengue. As iniciativas são uma tentativa de melhorar o diagnóstico da doença, que tem sido falho em unidades privadas e públicas. A coordenadora-geral de Educação em Saúde e Gestão da Secretaria de Estado de Saúde, Andréa Mello, esclareceu que a capacitação de médicos da rede pública tem sido intensificada em todo o Estado - 1.049 profissionais de saúde foram treinados neste ano. Ela ressaltou que os profissionais devem sempre levar em consideração que o paciente está com dengue. "É a maior virose que temos no País. É nela que temos de pensar primeiro." A primeira etapa do curso para a formação da força-tarefa contra a dengue foi ministrada pelo médico Eric Martínez Torres, consultor da Organização Pan-americana de Saúde (Opas) e professor da Universidade Médica de Havana, em Cuba. As equipes ficarão entre 10 e 15 dias nas áreas com epidemia e poderão atuar também na organização dos serviços de saúde locais. "A intenção do ministério é diminuir a taxa de letalidade. Atuar nos pacientes que contraíram o vírus, orientando as equipes no manejo desses pacientes, identificando os casos graves", disse o diretor do Departamento de Gestão Hospitalar no Rio, João Marcelo Ramalho. Para o secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Jarbas Barbosa, atendimento rápido e correto, feito a partir da rede de atenção básica, é a chave para redução das mortes por dengue. "Internação e equipamentos são necessários apenas para uma pequena parcela de pacientes. Com medidas simples, como a hidratação, é possível tratar a maior parte", completou. Segundo ele, o isolamento do vírus tipo 4 de dengue no Rio não muda as orientações do ministério. A maior atenção se volta para a região do Grande Rio. / COLABOROU LÍGIA FORMENTI http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110326/not_imp697496,0.php
Práticas de farmacêuticas aumentam riscos de efeito adverso, diz cientista
Livro que reúne estudos publicados nos últimos 40 anos aponta que 85% dos medicamentos aprovados no período são pouco inovadores Karina Toledo - O Estado de S.Paulo
Usuários de medicamentos estão cada vez mais expostos ao risco de sofrer reações adversas graves por causa de problemas existentes no sistema de pesquisa, aprovação e divulgação de novas drogas. Para piorar, mais de 85% dos remédios lançados pela indústria nos últimos 40 anos oferecem pouca ou nenhuma vantagem terapêutica - quando comparados aos já existentes - que faça esse risco valer a pena. As conclusões estão no livro The Risks of Prescription Drugs (Os Riscos dos Medicamentos, em tradução livre), lançado recentemente nos Estados Unidos. Na obra, o cientista social Donald Light reúne pesquisas que mostram, por exemplo, que as notificações de reações adversas crescem 15% por ano nos EUA, além de o problema ter se tornado a quarta causa de morte no país. O autor elenca uma série de práticas dos laboratórios - batizadas de "síndrome da proliferação do risco" - que aumenta a probabilidade de os usuários sofrerem reações adversas. A primeira delas é o fato de a maioria dos testes feitos para avaliar a eficácia e a segurança de novas drogas ser conduzida pela própria indústria, de forma a maximizar os benefícios e minimizar evidências de efeitos colaterais. "Há vários estudos que mostram as técnicas usadas para minimizar a documentação de efeitos adversos", diz Light. Uma delas, segundo ele, é encurtar os ensaios clínicos e excluir idosos, mulheres e outros voluntários com maior probabilidade de apresentar problemas. "Quando as agências reguladoras aprovam uma droga é porque a consideram segura. Mas a verdade é que elas não têm evidências suficientes para saber isso." Crítica. O sanitarista José Rubens Bonfim, da Sociedade Brasileira de Vigilância de Medicamentos (Sobravime), concorda. A forma como os estudos clínicos são concebidos, diz ele, não permite avaliar direito a segurança. "Os melhores ensaios são feitos com cerca de 3 mil pacientes. É pouco." Bonfim conta que os testes do rimonabanto (remédio para obesidade da Sanofi-Aventis, cujo nome comercial era Acomplia) foram feitos com 5 mil voluntários e ainda assim não detectaram o principal efeito adverso, a propensão ao suicídio, que fez a droga ser retirada do mercado. Segundo dados do livro, cerca de um em cada cinco novos medicamentos causa efeitos colaterais graves o suficiente para necessitar a inclusão de um alerta na bula ou ser retirado do mercado na primeira década de uso. Exemplos recentes não faltam, como o remédio contra acne da Roche, Accutane (isotretinoína), relacionado a doenças inflamatórias intestinais. E o anti-inflamatório Prexige, da Novartis, proibido no Brasil depois de causar diversos casos de hepatite, hemorragia, arritmia e enfartes. "Todo mundo deseja evitar o dano. A empresa perde credibilidade e dinheiro quando tem problema com produto. Mas, às vezes, só com o grande consumo os problemas são descobertos", diz Nelson Mussolini, do Sindicato das Indústrias Farmacêuticas do Estado de São Paulo (Sindusfarma). Procurada pela reportagem, a Pharmaceutical Research and Manufacturers of America (PhRMA, que representa os principais laboratórios americanos) não respondeu. As campanhas massivas de marketing feitas logo após uma droga ser aprovada são outro problema citado por Light. Práticas como deixar amostras grátis nos consultórios médicos, diz ele, encorajam o tratamento com um produto sobre o qual não se tem certeza da segurança. "Ao longo do primeiro ano, o medicamento deveria ser usado com cuidado, em população monitorada", sugere. Além disso, diz, as empresas patrocinam estudos em que médicos apresentam evidências de que a droga também pode ser usada para tratar condições diferentes daquela para a qual foi aprovada - o uso off label. "Nesse caso, a chance de benefício é ainda menor, mas o risco de efeito adverso, não", diz o autor. "Medicalização". Para completar a síndrome, Light aponta a influência da indústria na produção científica que redefiniu os critérios de saúde e transformou condições naturais - como menopausa, ansiedade e tristeza - em doenças. "As pessoas estão tomando mais medicamentos por períodos mais longos. Isso eleva o risco de efeito adverso e de interação medicamentosa." Os critérios usados para definir o que é diabete, hipertensão e obesidade foram afetados pela indústria farmacêutica, afirma a pesquisadora da Universidade Georgetown Adriane Fugh-Berman, especialista no tema. O que era considerado pressão arterial normal há 20 anos, exemplifica, hoje é visto como pré-hipertensão. Pessoas com índice de massa corporal (IMC) 30, que antes não eram consideradas obesas, hoje são obesos moderados. Isso aumenta o número de pessoas que precisam de tratamento. "A indústria está pagando médicos para dizerem que é preciso tratar as pessoas mais cedo. Estão usando os médicos como marionetes para levar sua mensagem de marketing", diz Adriane. http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110327/not_imp697819,0.php
Nem médicos reconhecem a dislexia
Estudo da Santa Casa diz que 70% dos profissionais de saúde e educação não identificam o transtorno Felipe Oda - Jornal da Tarde SÃO PAULO - As reguadas nas mãos e as aulas sentado sozinho, no canto da sala, são algumas das lembranças escolares de Dorival Câmara Leme, de 51 anos. Seus professores nunca conseguiram perceber que ele, em vez de preguiçoso, era disléxico. Essa dificuldade para identificar o transtorno atinge 70% dos profissionais de saúde e educação envolvidos diretamente no diagnóstico do problema, segundo um estudo da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (FCMSCSP). Leme só descobriu que tinha dislexia aos 49 anos. O distúrbio compromete a aprendizagem na área da leitura, escrita e soletração. Em geral, a criança é bastante inteligente, mas seu desempenho escolar é fraco. Até descobrir o transtorno, Leme conta que viveu com a sensação de que tinha "alguma coisa errada" com ele. "Mas não sabia o que era. Quando descobri que era disléxico foi um alívio saber que eu não era um óvni, um estranho no ninho", brinca ele, que é engenheiro. "Se eu tivesse descoberto antes, acho que teria sido muito bom para a minha autoestima, eu cresceria ainda mais bem resolvido." O diagnóstico precoce é capaz de evitar "sequelas emocionais", explica a psicopedagoga Debora Silva de Castro Pereira, doutora em educação pela Universidade Autonoma de Barcelona. "A pessoa (não diagnosticada) cresce achando que tem limitações e sofre por errar muito. Quando descobre que é disléxica na fase adulta, começa a entender as dificuldades", avalia. Há vários sinais que podem servir de pista para suspeitar de dislexia (veja ao lado). Mas, na pesquisa da Santa Casa, os 186 profissionais analisados - entre pedagogos, fonoaudiólogos, pediatras e psiquiatras - tiveram um baixo desempenho ao responder um teste com 15 questões de múltipla escolha que traziam informações essenciais sobre o distúrbio. "São profissionais de especialidades envolvidas com o diagnóstico e acompanhamento dos casos e, portanto, deveriam ter um conhecimento básico", explica Ana Luiza Navas, professora do curso de Fonoaudiologia da FCMSCSP e orientadora do estudo. Para ela, falta uma formação contínua para os profissionais. "Os melhores no teste foram os psicopedagogos e neuropsicólogos", completa. "Quanto mais cedo for o diagnóstico, melhor para a criança, para a família e para a escola, que poderá trabalhar melhor com o aluno", explica a fonoaudióloga Maria Angela Nogueira Nico, psicopedagoga e coordenadora científica da Associação Brasileira de Dislexia (ABD). Se não for diagnosticado, o disléxico fica mais suscetível a problemas emocionais. "Pode achar que é burro, quando na verdade o disléxico é inteligente", afirma Maria Angela. Ela frisa que o problema não tem relação com déficits intelectuais. O célebre físico Albert Einstein, por exemplo, era disléxico. "Qualquer problema cognitivo, intelectual, já descarta a possibilidade de a pessoa ser disléxica." ‘Diagnóstico não é tão simples’ As especialistas ouvidas pelo JT explicam que o diagnóstico da dislexia não é simples. "Depende de uma avaliação multidisciplinar", diz Ana Luiza Navas, professora do curso de Fonoaudiologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (FCMSCSP). Para o distúrbio ser confirmado, o individuo é submetido a avaliação de pedagogos, psicólogos, fonoaudiólogos, pediatras, entre outros profissionais. Outra dificuldade no diagnóstico brasileiro são as falhas no sistema educacional. Há crianças que não aprenderam porque não tiveram oportunidades adequadas. "O diagnóstico só pode ser feito após a alfabetização", ressalta Debora Silva de Castro Pereira, doutora em educação pela Universidade Autonoma de Barcelona. "Até lá, as dificuldades são comuns", explica. Já o tratamento depende da faixa etária, segundo Maria Angela Nogueira Nico, coordenadora científica da Associação Nacional de Dislexia (ABD). "Os pequenos, no começo da alfabetização, são acompanhados por fonoaudiólogos e psicopedagogos. Adolescentes e adultos também costumam contar com o acompanhamento de psicólogos. A dislexia afeta cerca de 4% da população estudantil, segundo estimativas da ABD. Há, inclusive, famosos que têm o problema, como é o caso do ator norte-americano Tom Cruise. Conheça os sinais de alerta: PRÉ-ESCOLA O fato de a criança apresentar alguns dos sintomas abaixo não significa necessariamente que ela seja disléxica. Especialistas recomendam aguardar o processo de alfabetização, mas nessa fase há sinais que merecem atenção: Dispersão Atraso no desenvolvimento da fala e da linguagem Dificuldade em aprender rimas e canções Baixo desenvolvimento da coordenação motora Dificuldade com quebra cabeça Falta de interesse por livros impressos IDADE ESCOLAR Caso a criança continue apresentando alguns dos sintomas é necessário um diagnóstico e acompanhamento adequado - para que possa dar continuidade aos estudos e evitar sequelas emocionais: Dificuldade na aquisição e automação da leitura e escrita Desatenção e dispersão Dificuldade em copiar conteúdos de livros e da lousa Desorganização geral Confusão entre esquerda e direita Vocabulário pobre, com sentenças curtas e imaturas ou sentenças longas e vagas ADULTO Sem receber um diagnóstico ou o acompanhamento adequado, o disléxico poderá apresentar uma série de problemas secundários, desencadeados pela dislexia: Dificuldade na leitura e escrita Memória imediata prejudicada Dificuldade na aprendizagem de uma segunda língua Dificuldade em nomear objetos e pessoas (disnomia) Dificuldade em organização Prejuízos afetivos e emocionais, tais como depressão, ansiedade, baixa autoestima e, em alguns casos, tendência ao consumo de drogas e álcool http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,nem-medicos-reconhecem-a-dislexia,698255,0.htm
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