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segunda-feira, 23 de março de 2015

Dia Internacional da Síndrome de Down

Sábado, dia 21 do mês 3, foi comemorado o Dia Internacional da Síndrome de Down, que faz alusão à trissomia do cromossomo 21

A presença de um terceiro cromossomo 21 no DNA, que traz as informações genéticas, caracteriza a Síndrome de Down, condição que pode gerar déficits no desenvolvimento intelectual, especificamente, nos atrasos no campo da aquisição da linguagem, da cognição e comunicação, no desenvolvimento motor e na estatura, relacionados ao crescimento e ganho de peso. A hipotonia muscular (uma das características da síndrome) pode levar a um atraso no desenvolvimento das competências motoras de crianças com Síndrome de Down, tais como sustentar a cabeça, rolar, sentar, engatinhar, andar e correr.

A data tem como principal objetivo conscientizar a população sobre a questão da inclusão e discutir alternativas para aumentar a visibilidade social das pessoas com Síndrome de Down. De acordo com o Censo 2010 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), cerca de 45 milhões de pessoas possuem alguma deficiência física ou mental no Brasil. Destas, estima-se que 300 mil tenham Síndrome de Down, que ocorre com uma prevalência de 1 para cada 600 nascimentos aproximadamente.

A agente de polícia, Giordana Garcia, é mãe do Théo, de 10 meses, que tem Síndrome de Down, e do Breno, de sete anos. Ela acredita que a data é uma oportunidade dos pais estimularem os filhos a tratarem crianças diferentes com o mesmo respeito. “É importante a divulgação do Dia Internacional da Síndrome de Down, porque muitas pessoas ainda veem como pessoas que são diferentes, que são incapazes e não podem ser incluídas no meio social. E isso está equivocado, principalmente nos dias de hoje, que as crianças têm estímulos e tantas novidades que não existiam antes, que elas podem sim viver de forma normal, inclusive em escolas. Eu acho importante a inclusão das crianças com Síndrome de Down em escolas regulares e a informação dos outros pais para os filhos, para que as crianças saibam conviver com uma criança diferente e não cometam bulliyng”, defende.

O médico Karlo Quadros, pai da Ana Beatriz, de 5 anos, que também tem a síndrome, ressalta a importância do reconhecimento da diversidade humana e da garantia dos direitos das pessoas com deficiência. “Na Síndrome de Down, as características fenotípicas contribuem ainda mais para identificar a presença da deficiência intelectual. Na verdade, desde a década de 70, quando se começou a trabalhar um outro conceito de deficiência e não mais a deficiência enquanto impedimento, enquanto algo que o indivíduo carregasse com ele como uma desvantagem, que o indivíduo nasce com ela e carrega com ele, ao invés disso, a abordagem do modelo social. O modelo social é quando a deficiência existe, seja em diversos âmbitos, mas o obstáculo da pessoa com deficiência é muito mais da sociedade, que tem dificuldade em reconhecê-la como um elemento que faz parte da diversidade humana e que tem direito a todos os sistemas de proteção, de desenvolvimento social, educação, saúde e trabalho”, alerta.

O Théo e a Ana Beatriz já têm uma rotina movimentada com diversas atividades que estimulam o desenvolvimento. São sessões de fisioterapia semanais, estimulação precoce, fonoaudiologia e terapia ocupacional. A Coordenação Geral de Saúde da Pessoa com Deficiência (CGSPD) do Ministério da Saúde ressalta que as pessoas com Síndrome de Down têm direito, como qualquer outro usuário do Sistema Único de Saúde, ao acesso universal a qualquer estabelecimento e serviço ofertados. Com o intuito de ampliar e diversificar os serviços de atenção às pessoas com deficiência auditiva, física, intelectual, visual, ostomia e múltiplas deficiências, o Ministério da Saúde, por meio da Portaria GM/MS nº 793, de 24 de abril de 2012, instituiu a Rede de Cuidados à Pessoa com Deficiência, no âmbito do SUS.

Os cuidados em saúde poderão ocorrer em qualquer ponto de atenção da Rede SUS. Contudo, devido à complexidade que envolve a Síndrome de Down, parte dos cuidados em saúde estarão concentradas nos Centros Especializados em Reabilitação. Os serviços oferecidos prevêem uma abordagem interdisciplinar e o envolvimento direto de profissionais, cuidadores e familiares nos processos de cuidado. As estratégias para as ações são estabelecidas a partir das necessidades singulares de cada indivíduo, considerando o impacto da deficiência sobre suas funcionalidades, fatores clínicos, emocionais, ambientais e sociais envolvidos.

A funcionária pública, Ana Claudia Mendes de Figueiredo, mãe da Jéssica, de 23 anos, que tem Síndrome de Down, conta sobre os avanços e cuidados com pessoas com essa condição genética. “Minha filha nasceu em 1992. Eu, por exemplo, achava que ela nunca trabalharia, talvez não conseguisse ir para a escola e outras atividades que nós achávamos que seriam extremamente restritas para ela. Então, hoje, eu acho que os pais têm um acesso muito maior aos depoimentos de outros pais, acesso a informações, a sites científicos e pesquisas mais avançadas. Enfim, acesso a informações que nós não tínhamos há duas décadas e isso acaba trazendo uma tranquilidade maior e uma esperança maior de que vale à pena investir em uma estimulação precoce, na educação, no tempo com aquela criança, porque, com isso, ela certamente vai ampliar seu potencial em relação às várias áreas da vida”, ressalta.

Atualmente Jéssica Mendes de Figueiredo é formada em curso superior de fotografia e trabalha como relações públicas no Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência (CONADE). “O Dia Internacional da Síndrome de Down, pra mim, eu tenho Síndrome de Down, sabe? Mas eu ajo normal. Eu não me sinto com Síndrome de Down. Eu me sinto além da Síndrome de Down. Além do que eu vejo. Eu vejo além da síndrome, porque eu me sinto capaz de tudo. Eu tenho alcançado os meus sonhos, os meus objetivos, tudo. E pelas pessoas com Síndrome de Down. Eu tenho amigos também com Síndrome de Down, mas eu não vejo com aspecto de Síndrome de Down. É uma coisa além. É normal. A pessoa é de verdade. É assim o meu olhar. Eu vejo pessoas com capacidade de tudo, mesmo com Síndrome de Down, eu consigo me olhar daqui pra frente”, explica.
 
Jéssica conta, ainda, o que pensa sobre seu futuro. “O meu sonho é ser fotógrafa de moda, mas, para fazer isso, primeiro eu vou experimentar várias áreas da fotografia. Eu já fiz exposições de jarros de flores, porções de exposições que contêm um pouco da natureza. Agora no CONADE estou experimentando um pouco dos eventos do trabalho. Daqui pra frente eu me enxergo não como fotógrafa de moda, mas quero montar um estúdio fotográfico dentro da minha empresa, para administrar tanto o estúdio quanto moda. Eu penso nisso. Mas minha expectativa agora é ir preparando o meu caminho profissional para eu poder realizar meu sonho”, revela.
 
A identificação precoce de qualquer deficiência ou síndrome possibilita que o individuo tenha um prognóstico mais positivo em termos de ganho de independência e autonomia, uma vez que o processo de reabilitação e a elaboração de uma linha de cuidado em saúde se darão desde o início da vida. O SUS, além das ações específicas de reabilitação na atenção especializada, conta também com um conjunto de ações que visam a identificação precoce de possíveis deficiências, ampliada pelo Programa Nacional de Triagem Neonatal. Agora, além do já conhecido teste do pezinho, importante na identificação da Síndrome de Down, também fazem parte do programa a Teste da Orelhinha, para identificação de deficiências auditivas, e o Teste do Olhinho, para identificação de deficiências visuais.
 
Jéssica conta, ainda, o que pensa sobre seu futuro. “O meu sonho é ser fotógrafa de moda, mas, para fazer isso, primeiro eu vou experimentar várias áreas da fotografia. Eu já fiz exposições de jarros de flores, porções de exposições que contêm um pouco da natureza. Agora no CONADE estou experimentando um pouco dos eventos do trabalho. Daqui pra frente eu me enxergo não como fotógrafa de moda, mas quero montar um estúdio fotográfico dentro da minha empresa, para administrar tanto o estúdio quanto moda. Eu penso nisso. Mas minha expectativa agora é ir preparando o meu caminho profissional para eu poder realizar meu sonho”, revela.
 
A identificação precoce de qualquer deficiência ou síndrome possibilita que o individuo tenha um prognóstico mais positivo em termos de ganho de independência e autonomia, uma vez que o processo de reabilitação e a elaboração de uma linha de cuidado em saúde se darão desde o início da vida. O SUS, além das ações específicas de reabilitação na atenção especializada, conta também com um conjunto de ações que visam a identificação precoce de possíveis deficiências, ampliada pelo Programa Nacional de Triagem Neonatal. Agora, além do já conhecido teste do pezinho, importante na identificação da Síndrome de Down, também fazem parte do programa a Teste da Orelhinha, para identificação de deficiências auditivas, e o Teste do Olhinho, para identificação de deficiências visuais.
 
Fonte: Ana Beatriz Magalhães / Blog da Saúde

Você sabe quais são os sintomas da hantavirose?

Crédito: photolincNão é muito comum conhecer alguém que tenha tido hantavirose, não é mesmo? A doença é difícil de ser suspeitada pelos médicos, já que inicialmente os sintomas são a febre, dor no corpo e dor de cabeça, que podem ser comum a outras doenças
 
Em 2014 foram confirmados 74 casos da doença no país e 26 óbitos, por isso a grande preocupação é a taxa de letalidade, cuja média é de 46,5%. A maioria dos pacientes acometidos necessita de assistência hospitalar.
 
A SCPH foi detectada, pela primeira vez, no sudoeste norte-americano, em 1993. Na América do Sul, os primeiros casos foram diagnosticados no estado de São Paulo, no município de Juquitiba, em novembro de 1993. Em algumas regiões do Brasil, observa-se um padrão de sazonalidade, possivelmente decorrente da biologia e comportamento dos roedores infectados.
 
Após os primeiros sintomas, que podem durar de 3 a 6 dias, a doença pode ir para a segunda fase, chamada de cardiopulmonar que é caracterizada pelo início da tosse, acompanhada por taquicardia, podendo evoluir para edema pulmonar. Na terceira fase da doença, chamada de diurética, ocorre a reabsorção do líquido do edema pulmonar, e a resolução da febre e do choque. A quarta fase, de convalescença, pode durar de duas semanas a dois meses nos casos mais graves, caracterizada pela prostração. O paciente deve ser acompanhado pelo profissional de saúde para avaliação de futuras sequelas como hipertensão, insuficiência renal crônica e outras.
 
Apesar de a hantavirose ser registrada em todas as regiões brasileiras, o Sul, o Sudeste e o Centro-Oeste concentram o maior percentual de casos confirmados. As infecções ocorrem principalmente em áreas rurais, em situações ocupacionais relacionadas à agricultura, sendo o sexo masculino com faixa etária de 20 a 39 anos o grupo mais acometido.
 
Locais fechados, ou a poeira gerada pela atividade humana ao lavrar a terra, limpeza de paióis, casas ou porões contaminados, quando infestados de roedores, são ambientes de risco para a transmissão. Os roedores silvestres se contaminam também pela inalação das partículas de poeira contaminadas por excretas e também por mordeduras de outros roedores. A doença é transmitida por meio da inalação de pequenas partículas do ar formadas a partir da urina, fezes e saliva de roedores silvestres infectados.
 
Para se prevenir é preciso garantir práticas de higiene, saneamento básico e evitar contato com ambientes contaminados por roedores, além da cautela com o manejo ambiental, fatores que impedem a aproximação desses animais no dia a dia das pessoas. Algumas ações de combate, como roçar o terreno em volta da casa, dar destino adequado aos entulhos existentes, manter alimentos estocados em recipientes fechados e à prova de roedores, ajudam a manter a área livre da presença dos roedores e evita sua interação com o homem, principalmente em locais onde é conhecida a presença desses animais.
 

Anvisa pede aumento de taxas para cobrir despesas

Tramitam na Câmara pelo menos 396 proposições sobre o assunto

Diretores da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) afirmaram, na última quinta-feira (19/03), durante audiência pública na Comissão de Seguridade Social e Família, que a quantidade de trabalho no órgão aumentou 111% no último ano. Eles cobraram a atualização da legislação sanitária, o aumento nas taxas praticadas e a aprovação de projetos que tramitam na Câmara dos Deputados.
 
O diretor de gestão institucional da Anvisa, Ivo Bucaresky, reclamou do deficit da Agência. “Nós somos deficitários e o Sistema Único de Saúde (SUS) tem que financiar metade da Agência, porque nossas taxas estão defasadas. Há 14 anos não há renovação das taxas”, afirmou Bucaresky.
 
Mas, para o deputado Mandetta (DEM-MS), não há qualquer cabimento em aumentar taxas. Ele propõe a diminuição da burocracia como forma de economizar dinheiro. “Quando se coloca que a saída de qualquer agência ou de qualquer órgão do governo é aumentar taxa, aumentar imposto, para que a burocracia possa funcionar, a primeira coisa é: qual é o custo? O que ela faz? Enxugue, diminua a burocracia, aumente a performance, para depois conversarmos sobre taxa”, afirmou.
 
Agência Câmara

Alimentos e Medicamentos: Rótulos devem ter informações de componentes que podem causar alergia

Também deve ser utilizado padrão visual que facilite a identificação pelo consumidor

A pedido do Ministério Público Federal em Sergipe (MPF/SE), a Justiça Federal condenou a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) a adotar medidas para que os produtos fiscalizados pelo órgão identifiquem em seus rótulos todos os componentes que podem causar reações alérgicas. As determinações têm 90 dias para serem cumpridas e valem para alimentos, medicamentos e produtos de uso pessoal.
 
A medida, válida em todo o território nacional, exige a utilização de um texto informativo padrão no rótulo das embalagens ou nas bulas contendo o nome da substância ou derivados que podem causar reações alérgicas, além das quantidades do material existente ou, ainda, a possibilidade de haver algum vestígio do componente alérgico. Também deve ser utilizado um padrão visual que facilite a identificação pelo consumidor.
 
A Anvisa informou que ainda não foi intimada da decisão e ressaltou que colocou o assunto em consulta pública para normatização. A consulta foi encerrada em 15 de agosto do ano passado e, agora, está em fase de avaliação das contribuições. Foram recebidas 3.533 formulários com ideias e sugestões. De acordo com a Agência, após a consolidação das contribuições, o próximo passo é a elaboração ] do texto final a ser enviado à Diretoria Colegiada da Anvisa.
 
Globo Online

O guia definitivo da farmácia veterinária

Quem tem gato sabe que é muito mais fácil instaurar a paz mundial do que fazê-lo engolir um comprimido. Mas, segundo a especialista em Farmácia Magistral, Danielle Caspirro Roque, “a farmácia veterinária tem várias formas: gotas, biscoito, tem pasta para passar na patinha do gato”
 
A solução é simples, e igualmente criativa. “Não adianta você colocar o medicamento na ração dele. Mas se você passar na pata dele, o animal vai estar sendo induzindo a limpar aquele local, e quando ele lambe, ele ingere o medicamento”, responde.
 
Danielle é responsável pela Natrium Manipulação, em São Paulo, e resume sua paixão pela área em uma frase: “eu tenho animais, e para mim eles são como membros da família.
 
Segundo Dados da Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet), essa a “família” da Dani não está sozinha. Hoje, o Brasil tem mais de 100 milhões de pets, entre cães, gatos, peixes, aves e outros, e divide com o Japão a posição de segundo maior mercado do mundo em produtos e serviços na área.
 
A farmácia veterinária é um ramo novo. Em 2005, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, permitiu a manipulação de medicamento para os animais. A resolução 504 do Conselho Federal de Farmácia que regulamentou as atividades do farmacêutico na indústria de produtos veterinários, é de 2009. Em 2013, novamente o CFF atualizou a legislação, no que diz respeito as especialidades farmacêuticas por linhas de atuação.
 
Mesmo assim, a legislação do setor ainda é carente. “Como qualquer outra legislação, tem que ser atualizada constantemente, porém muitas vezes isso demora a acontecer, tornando-se obsoletas”, responde a professora Cláudia Pimpão.
 
Coordenadora do curso de Medicina Veterinária da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, e possui amplo conhecimento no setor, com ênfase em Farmacologia e Toxicologia Veterinária. Ela está na Universidade de Valência, na Espanha, concluindo o pós-doutorado.
 
Aliás, segundo Cláudia, “um envolvimento profissional maior e fiscalização constante por meio dos órgãos de classe”, é essencial para a evolução do setor.
 
Danielle concorda: “Dentro do PET tem um farmacêutico? Não! Mas tem uma farmácia. Não tem porque ninguém determinou que um pet precisa ser obrigado a ter um profissional nessa área”. Mas, afinal, como se monta uma farmácia veterinária?
 
Uma Farmácia veterinária para chamar de minha.
Segundo a doutora Cláudia, o processo para montar uma farmácia veterinária não tem segredo. “A farmácia veterinária é estruturada da mesma forma que a farmácia humana, a diferença é que a farmácia veterinária tem que ter um responsável técnico médico veterinário”, explica.
 
Coordenador e Docente do Curso de Dermatologia e Embelezamento Veterinário no Instituto Racine em São Paulo, Marcelo Hiene, conta que a ideia de ingressar no segmento surgiu em 2007. “Já possuíamos uma farmácia de manipulação “humana”, e buscamos nos diferenciar no mercado através da especialização do nicho.”
 
O principal cuidado que ele tomou foi adequar o estabelecimento aos padrões exigidos do Ministério da Agricultura Pecuária e Desenvolvimento. As diferenças entre uma farmácia magistral “humana” e animal, basicamente, diz respeito a rotina do local, já que a atenção, o estudo, e a paciência são os mesmos de qualquer área da saúde. Segundo ele, a conexão entre farmácia magistral e farmácia veterinária são “naturais”. “Os processos, infraestrutura, legislações e todo o resto são muito próximos.
 
Também dono da Calêndula Vet, São Carlos, no interior de São Paulo, ele explica que o conceito de trabalho que busca “é justamente o da diferenciação, ou seja, oferecer ao mercado veterinário produtos, fórmulas e serviços até então inexistentes ou difíceis de se encontrar no mercado magistral humano.” Marcelo não se arrepende. “O mercado farmacêutico-veterinário cresce muito já a alguns anos, seja o de manipulação ou o industrial.”
 
Ele também é Mestre em Controle de Qualidade pela Universidade Estadual de São Paulo (Unesp), e Especialista em Auditoria na Cadeia Industrial Farmacêutica pelo Instituto Racine. “Os conhecimentos de controle de qualidade foram aproveitados no desenvolvimento das formulações, considerando sua estabilidade”, resume.
 
Medicina veterinária e farmácia veterinária: como estudar?
A medicina veterinária talvez seja irmã da farmácia veterinária. Realmente, são áreas que se completam, unidas por um ponto em comum: o estudo.
 
Daniele procurou o MBA em “Farmácia Magistral” no instituto Ipupo, em Campinas. Foram dois anos de dedicação. A PUC do Paraná também possui cursos de pós-graduação tanto em “Ciência Animal”, quanto em “Farmácia Magistral Alopática Veterinária”.
 
O instituto Racine, em São Paulo, inclusive onde Marcelo é docente, oferece cursos de especialização em “Manipulação Veterinária – Medicamentos de Uso Oral e Tópico”, e “Manipulação Veterinária – Dermatologia e Embelezamento”.
 
Marcelo, aliás, cita que existem outros métodos menos ortodoxos. “Alguns, interessados em montar sua farmácia veterinária optam por ficar 1 mês em nossa farmácia acompanhando toda rotina, laboratorial, administrativa, de marketing, técnica e visitação-médica. Tem funcionado como uma assessoria e observamos melhores resultados à curto, médio e longo prazo”.
 
Além das especializações, o profissional deve ter embasamento jurídico. A assessoria de assuntos regulatórios, De Lucca Mano, fundada pela advogada especialista no setor, Cláudia Mano, oferece o curso “Boas práticas de manipulação de medicamentos veterinários”.
 
Em 2015, o Congresso Internacional da Consulfarma, o maior evento do setor magistral do mundo, também vai abordar o tema em duas oportunidades. A professora Vanessa Pinheiro, da Faculdade de Ciências Médicas e da Saúde de Juiz de Fora (MG), vai ministrar o curso “Farmácia Veterinária : Como Expandir seus Negócios Através da Manipulação Veterinária”.
 
Já a doutora Vanessa Gonçalves vai abordar as novas “Formulações Veterinárias Inovadoras”.
 
Se prepare
O Congresso acontece em São Paulo, no Anhembi, do dia 9 ao dia 15 de julho, e as inscrições podem ser feitas pelo site do evento.  Ah, o Portal Educação também oferece o curso online “Farmacologia veterinária”, e você pode fazer sua inscrição por lá.
 
E a graduação?
Apesar do crescimento dos cursos na área, a própria graduação de farmácia precisa se reinventar. “O veterinário tem farmácia na grade, mas o farmacêutico não tem veterinária na grade”, diz Danielle.
 
A doutora Cláudia tem opinião semelhante. “As matrizes curriculares de farmácia não contemplam a parte animal, portanto as peculiaridades de cada espécie não é estudada, por isso que há necessidade dos dois profissionais nesta área”, respondeu.
 
Já Marcelo acredita que as deficiências da graduação podem ser resolvidas em um contato mais próximo com os médicos-veterinários. “O melhor aprendizado foi sem dúvida a vontade de estudar e aprender diariamente que todo farmacêutico magistral tem que ter consigo, além da rotina de tocar de informações com os médicos-veterinários.”
 
Livros para estudar
 
Se você ainda está na graduação, a gente recomenda alguns livros para complementar os estudos:
 
1) Farmacologia Aplicada À Medicina Veterinária, Helenice de Souza Spinosa.
 
2) Formulário Veterinário Farmacêutico (Pharmaboks), de Vanessa Pinheiro
 
3) Farmacologia Veterinária, de Ciro Moraes Barros.
 
4) Farmacologia e Terapêutica em Veterinária, de Nicholas H. Booth
 
5) Farmacologia Clínica em Medicina Veterinária, de Cyinthia R. L. Webster.
 
Produção: Farmacologia animal
 
De acordo com a doutora Cláudia, a produção de fármacos animais seguem cinco fases:
 
1° fase – Planejamento e Pesquisa (duração média de 1 ano tanto para humano quanto para animal);
 
2° fase – testes pré-clínicos (substâncias são selecionadas e testadas em animais – testes de eficácia e segurança (fármacos humanos devem ser testados em uma espécie roedora e outra não roedora – em média 5 anos); Na farmacologia animal esta fase já é considerada como teste clínico (em média 3 anos);
 
3° fase – testes clínicos (fármacos humanos -5anos) (fármacos veterinários – fase anterior);
 
4° fase – Aprovação (pelos órgãos responsáveis); fármacos humanos – 6 meses) (fármacos veterinários – em média 2 anos);
 
5° fase – comercialização (6 meses ou mais).
 
A professora ainda explica que a farmacologia animal e humana, de modo geral, são parecidas. “Porém, dividimos a farmacologia em geral e aplicada, portanto a farmacologia geral é similar a humana o que consiste em vários pontos em comum, porém existem também diferenças de absorção, metabolismo e excreção entre humanos e algumas espécies animais, como também diferenças entre as próprias espécies animais, o que consideramos como farmacologia aplicada a espécie que se destina, considerando as particularidades de cada espécie animal, ou seja, considerando diversos fatores, tais como: velocidade de absorção do fármaco pelas diferentes vias de administração, locais de eleição para aplicação do fármaco, fatores ligados a metabolização e excreção dos fármacos.”
 
Sobre a produção de fármacos, Marcelo diz que ela “começa muito antes de recebermos as receitas.”
 
“Tem seu início na elaboração de procedimentos, treinamentos, padronização de formas farmacêuticas, estudos, pesquisas e etc. A boa e padronizada rotina produtiva é apenas fruto de um árduo trabalho que nós farmacêuticos magistrais temos como responsabilidade. A minha experiência, como a de boa parte foi desde estagiário lá no primeiro ano de faculdade, momento o qual, demostrando interesse e pro-atividade, aprendemos e conhecemos mais com os profissionais mais experientes e vividos”.
 
A produção dos medicamentos, contudo, ganha uma importância empática para Danielle. “Tem cachorros muito branquinhos que precisam de protetor solar. Imagina você numa praia, sem boné, sem proteção. Agora, imagina eles!”
 
Trabalho dos farmacêuticos em Hospitais veterinários
 
Se as farmácias veterinárias ainda engatinham diante da novidade da área, os hospitais veterinários possuem uma história mais firme, ainda que a rotina lembre muito a de um hospital comum.
 
Farmacêutico especializada em Farmácia Hospitalar, Vanessa Donegá Sartori, trabalha no Hospital Veterinário da Universidade Anhanguera, Campus ABC, em São Paulo.
 
“A rotina de uma farmácia veterinária hospitalar é igual á farmácia hospitalar humana. O farmacêutico realiza a seleção, programação, aquisição, armazenamento, distribuição e dispensação dos fármacos e produtos para saúde. Lembrando que a seleção de fármacos e produtos para saúde é realizado junto com os médicos veterinários.”
 
Vanessa diz que sempre sonhou “em atuar na farmácia hospitalar”, mas jamais imaginou que seria na área veterinária.
 
“Quando fui selecionada para realizar a entrevista neste ramo, fiquei pensativa, pois não tinha experiência da área veterinária, só na área humana.”
 
Mas a apreensão ficou para trás. Ela conta que a especialização ajudou muito na rotina do hospital veterinário. A troca de experiências com os médicos-veterinários também foi fundamental para o desenvolvimento profissional dela.
 
Dulce Alves, também farmacêutica, trabalha no Hospital Veterinário da Universidade Federal de Goiás, em Goiânia. Ela também deve muito a interação com os médicos-veterinários na sua evolução.
 
“Existe uma disposição enorme dos profissionais da medicina veterinária em interagir conosco.
 
Todos os veterinários sempre foram prestativos e se alegravam com as mudanças que propus ao longo do período que estive presente lá. Sempre tive experiências boas.”
 
Ela conta que criou a farmácia e o almoxarifado no início, e que seu trabalho era auxiliar na dispensação e manipulação de quimioterápicos. “Sim, os animais têm câncer”. Além disso, ainda era responsável pelo “controle dos medicamentos controlados, dispensação no centro cirúrgico de anestésicos e outros, controle de temperatura do almoxarifado, observar a lavanderia, lista de compras de medicamentos.”
 
Uma curiosidade é que as farmácias veterinárias também tem medicamentos para humanos incluídos em seus estoques.
 
“A farmácia do Hospital Veterinário da Universidade Anhanguera – Campus ABC é estruturado de fármacos de uso humano e veterinário, também de produtos para saúde que são os mesmos utilizados no humano”, conta Vanessa.
 
Em ponto, Vanessa e Dulce são unânimes: é preciso se atualizar sempre, e ter o conhecimento e experiência na área hospitalar.
 
“É fundamental que o farmacêutico para atuar na farmácia hospitalar veterinária sempre esteja atualizado, não só nesta área e sim em todas”, defende Vanessa.
 
Além do conhecimento, como também lembra Dulce, “a presença do farmacêutico é indispensável.
 
Afinal, tanto para vencer o desafio de medicar um gato sem ter nenhum arranhão, ou administrar um hospital veterinário, os desafios não são diferentes dos enfrentados no “mundo humano”: saúde bem cuidada, independente se o paciente diz ai, au-au ou miau.
 
Federação Nacional dos Farmacêuticos – FENAFAR