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sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Apple e Facebook pagarão para mulheres congelarem óvulos

Commons/Wikipedia
Empresas dizem que funcionárias não precisarão sacrificar chances de engravidar pela carreira
 
A Apple e o Facebook anunciaram nesta quarta uma polêmica medida de apoio às funcionárias. As empresas pagarão até US$ 20 mil (aproximadamente R$ 48,6 mil) para custear o congelamento de óvulos de suas empregadas.
 
A técnica permite a coleta e a conservação de óvulos da mulher em fase fértil. Eles poderão ser reinseridos por meio de uma fertilização in vitro no futuro, permitindo à mulher engravidar após os 35 anos, quando a curva de fertilidade feminina começa a cair. Nos Estados Unidos, o procedimento custa cerca de US$ 10 mil – além dos gastos com o medicamento utilizado na coleta – e mais US$ 500 ao ano para armazenar o material.
 
A medida, segundo as empresas, é uma forma de permitir que as mulheres não precisem sacrificar suas chances de ter filhos para investir na carreira. Em nota, o Facebook do Brasil informou a O Tempo que está oferecendo o benefício por razões médicas e não médicas para todos os trabalhadores norte-americanos que estão cobertos pelo seguro de saúde da empresa desde o dia 1° de janeiro deste ano. Já a Apple começará a oferecer a possibilidade a partir de janeiro do ano que vem.
 
A medida seria também uma tentativa de igualar o número de mulheres ao de homens trabalhando em ambas as empresas e atrair novos talentos femininos. Pesquisas reveladas pelo Facebook e pela Apple neste ano indicam que cerca de 70% de seus trabalhadores são homens.
 
Crítica
Porém, para a mestre em direito trabalhista Lídia Souza, professora do Uni-BH, a solução não é a melhor. “Não cabe ao empregador escolher ou influenciar na escolha do momento da gravidez do empregado. O que nós precisamos é criar mecanismos que permitam garantir que a mulher continue trabalhando depois de engravidar sem ser discriminada”, afirma.
 
Entre as sugestões apresentadas estão a de igualar a licença-maternidade à licença-paternidade ou estender a garantia do emprego após a gravidez também para o homem, por exemplo.
 
“A mulher engravida e parece que vira a criatura mais incompetente do mundo. A empresa fica com receio de contratar uma mulher e ter que manter aquela pessoa ali por mais cinco meses depois do parto. Se os direitos fossem iguais, esse receio não existiria”, pondera a advogada. 
 
Custos
Em nosso país, a coleta dos óvulos custa de R$ 10 mil a R$ 15 mil, sem os gastos com o medicamento usado (de R$ 2.000 a R$ 7.000). A manutenção fica em torno de R$ 1.000 ao ano.
 
Técnica não garante uma possível gravidez no futuro
Congelar os óvulos não é garantia de conseguir engravidar depois. A Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva ainda não tem dados seguros sobre a eficácia do procedimento e alerta para o perigo de confiar no congelamento para uma gravidez futura. O médico Marcos Sampaio, especialista em reprodução humana, afirma, porém, que as chances são muito boas. “Para cada seis óvulos congelados, há três chances de engravidar. Quanto mais óvulos forem coletados, maiores as chances”, diz. Ele frisa que a inseminação deve ser a última opção. “A mulher deve tentar engravidar naturalmente. Podemos usar os óvulos para uma segunda gravidez”, sugere.
 
O tempo

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