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quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Grã-Bretanha mapeará DNA de pacientes com câncer

DNA: pesquisa espera descobrir como e por que alguns indivíduos
 são menos suscetíveis ao câncer do que outros
Cerca de 100 mil pessoas terão código genético sequenciado para ajudar a desenvolver novos tratamentos contra a doença
 
Cerca de 100 mil pacientes com câncer e doenças raras na Inglaterra terão seu código genético sequenciado. O primeiro-ministro britânico, David Cameron, anunciará um aporte de 100 milhões de libras (R$ 33 milhões) para o projeto nos próximos três a cinco anos.
 
O objetivo é dar aos médicos um melhor entendimento sobre a composição genética dos pacientes e, assim, desenvolver novos tratamentos no combate ao câncer. Um único genoma humano contém 3 bilhões de pares de base, que formam as estruturas de DNA.
 
O sequenciamento desse código produz uma enorme quantidade de dados. Porém, embora esteja caindo rapidamente, o valor médio para o mapeamento genético ainda é alto: de 5 mil a 10 mil libras (R$ 17 mil a R$ 34 mil), o que explica por que nenhum país do mundo até agora decidiu embarcar em uma empreitada de tamanha magnitude com sua população.
 
A esperança é de que, ao comparar os perfis genéticos de um grande número de pessoas, os cientistas possam descobrir como e por que alguns indivíduos são menos suscetíveis ao câncer do que outros, o que pode ajudá-los a produzir medicamentos e talvez descobrir possíveis curas.
 
Mas grupos defensores de direito à privacidade se disseram preocupados com a medida, pois temem que os dados pessoais de tais pacientes, uma vez colhidos, possam ser repassados a empresas como companhias de seguro.
 
Se cair em mãos erradas, alegam eles, as empresas, de posse de tais informações sigilosas, podem aumentar o valor do seguro ou mesmo recusar novos membros.
 
Os responsáveis pela empreitada, entretanto, dizem que o projeto se volta exclusivamente para fins médicos. Para pacientes, o mapeamento do DNA pode levar a uma busca mais eficaz de medicamentos.
 
O poder desse tipo de análise genética foi demonstrado no início deste ano, quando um estudo realizado com 2 mil portadoras de câncer de mama mostrou que, para ser compreendida, a doença deveria ser "encarada" como um misto de 10 enfermidades completamente diferentes.
 
Terapias customizadas
Atualmente, já existem diversos tratamentos – para cânceres de mama, pulmão e sangue – nos quais os testes de um simples gene podem avaliar a susceptibilidade do paciente em responder à terapia.
 
Pacientes com câncer de mama, por exemplo, são testados para ver se o seu tumor é positivo para Her2, uma proteína que pode acelerar o crescimento de células malignas. Assim, eles podem se beneficiar de Herceptin, uma droga que funciona em pacientes com níveis elevados da proteína HER2. Com o mapeamento completo do genoma, mais terapias personalizadas podem ser realizadas.
 
Falando antes do anúncio oficial, Cameron disse: "Ao liberar o poder dos dados de DNA, o NHS (National Health Service, o sistema de saúde público britânico) vai liderar a corrida global por melhores testes, medicamentos mais eficientes e acima de tudo maior cuidado".
 
Para Dame Sally Davies, autoridade médica máxima da Inglaterra, "testes de genes individuais já estão disponíveis no NHS, vão desde o diagnóstico de cânceres à avaliação do risco dos pacientes de sofrer efeitos colaterais do tratamento.
 
"No momento, estes testes vão se concentrar em doenças causadas por alterações em um único gene. Esse financiamento abre a possibilidade de ser capaz de olhar para os três milhões de pedacinhos de DNA em cada um de nós para que possamos ter uma maior compreensão da complexa relação entre nossos genes e estilo de vida.", disse.
 
Há uma série de projetos em funcionamento que procuram melhorar a compreensão da genética do câncer, como o Programa "medicina estratificada" da entidade Cancer Research UK.
 
O Reino Unido faz parte do Consórcio Internacional do Genoma do Câncer que está planejando sequenciar 50 diferentes tipos de câncer e catalogar as suas diferentes mutações.
 
Existem mais de 200 tipos de câncer – trata-se de uma doença complexa e altamente resistente. Por isso, a discussão entre especialistas costuma focar menos na busca de curas e mais em buscar resultados para atenuar o impacto da enfermidade.
 
Portanto, acredita-se que os benefícios desse ambicioso projeto só serão sentidos nas próximas gerações de pacientes com câncer.
 
Fonte iG

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