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quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Conheça mais sobre os sinais e sintomas da Hanseníase

A Hanseníase é uma doença crônica, transmissível, tem preferência pela pele e nervos periféricos, o que lhe confere alto poder de causar incapacidades e deformidades físicas, principais responsáveis pelo estigma e preconceito que permeia a doença

A transmissão se dá de uma pessoa doente sem tratamento, para outra, após um contato próximo e prolongado.

O Ministério da Saúde (MS) promove em parceria aos estados e municípios, ações de vigilância e educação em saúde, com o objetivo de alertar a população sobre os sinais e sintomas da doença e incentivar a procura pelos serviços de saúde, além de mobilizar os profissionais de saúde à busca ativa de casos novos de hanseníase e exame dos contatos, especialmente os de convivência domiciliar (grupo com maior risco de adoecimento). As ações de busca ativa têm como foco o diagnóstico precoce da doença e a prevenção das incapacidades e deformidades físicas.

O MS recomenda que as pessoas procurem o serviço de saúde ao aparecimento de manchas em qualquer parte do corpo, principalmente, se essa mancha apresentar alteração de sensibilidade ao calor e ao toque, configurando como um dos sinais e sintomas sugestivos da doença. Entre 2006 a 2015, o Brasil conseguiu reduzir em 28% a taxa de detecção da doença, reduzindo de 43.652 para 28.761 o número de casos novos diagnosticados, no mesmo período.

Entretanto, mesmo com a redução apresentada, a detecção no país ainda é considerada alta para a Organização Mundial de Saúde (OMS). Dos 28.761 casos registrados em 2015, 2.113 (7,34%) foram em crianças com menos de 15 anos, sinalizando focos de infecção ativos e transmissões recentes.

No mês em que é celebrado o Dia Mundial de Luta Contra à Hanseníase (janeiro roxo) - cor definida em 2015 para simbolização do enfrentamento a doença no país -, para alertar a população a respeito da doença, o Blog da Saúde entrevistou a Coordenadora Geral de Hanseníase e Doenças em Eliminação do Ministério da Saúde, Carmelita Ribeiro Filha.

Confira a entrevista:

Blog da Saúde: O que é a Hanseníase?
Carmelita Filha: É uma doença dermato neurológica, que tem manifestação na pele, como manchas. E essas manchas têm alteração de sensibilidade, por isso são consideradas dermato neurológicas. A parte neurológica vem dos nervos periféricos, responsáveis pela sensibilidade e motricidade. Então a Hanseníase é a única doença dermatológica que tem alteração de sensibilidade na pele.

Blog da Saúde: E quais são os principais sinais e sintomas?
Carmelita Filha: Os principais sinais e sintomas são:- manchas na pele com alteração da sensibilidade térmica e/ou dolorosa; comprometimento neural periférica em mãos e/ou pés e/ou face.

É comum as pessoas falarem que estão com uma mancha dormente no corpo e chegarem ao consultório com uma cicatriz no local por terem feito o teste da sensibilidade. Mas é importante ressaltar que nem sempre a mancha doença vai estar totalmente dormente. Ela pode estar mais ou menos, dependendo do tempo. As manchas podem ser esbranquiçadas, que não dói, não coça e aparecem geralmente em lugares como as costas, braços, perna e rosto, mas isso não elimina outras áreas do corpo. É uma mancha que aparece no corpo e que muitas vezes as pessoas não se sentem incomodadas. Também pode haver alteração de sensibilidade sem a mancha.

Blog da Saúde: E quais são as causas? É uma doença transmissível?
Carmelita Filha: A hanseníase é uma doença milenar, é sinônimo de lepra. No Brasil que foi alterado a nomenclatura pelo preconceito a doença. O período de encubação da doença é longo e é transmissível. Então uma pessoa que possui Hanseníase do tipo multibacilar que não esteja em tratamento transmite a doença, geralmente para quem está mais próximo. São as pessoas que moram com ela ou que estão próximas, que tem maior chance de adoecer. A bactéria causadora da Hanseníase é a microbacterium lepra, e ela entra pelas vias aéreas superiores através de um espirro, tosse ou até mesmo uma conversa. Mas só uma conversa rápida não é o suficiente para desenvolver a doença, precisa que a pessoa esteja todo dia recebendo a bactéria. As pessoas ficam muito receosas em estar perto de quem tem a doença, mas falta conhecimento de que não é em um contato rápido que haverá transmissão. Envolve uma rotina diária. E ainda assim, para você adoecer, a pessoa que recebeu a carga bacilar teria que estar em condições para adoecer, como resistência baixa, por exemplo. Então sim, é uma doença transmissível, mas não tem toda essa facilidade de transmissão como às pessoas acham.

Blog da Saúde: Quais são os tipos de hanseníase? Todos eles são transmissíveis?
Carmelita Filha: A hanseníase tem duas fases ou formas clínicas: paucibacilar e multibacilar. A forma paucibacilar, é a inicial da doença e o tratamento é realizado com seis doses de PQT; na forma multibacilar, o tratamento é realizado com doze doses de PQT. Quem faz diagnóstico é o médico da equipe de Estratégia de Saúde da Família/ESF, da Unidade de Saúde mais próxima a residência, inicialmente de maneira clínica e se necessário, com a confirmação no laboratório.

Blog da Saúde: E como as pessoas podem evitar a contaminação? Quais os cuidados?
Carmelita Filha: A forma de prevenção é diagnosticar os casos precocemente. Não é uma doença que tem vacina para evitar. A prevenção consiste no diagnóstico de todas as pessoas o mais rápido possível, e tratar para que as pessoas evitem a transmissão. Iniciado o tratamento, imediatamente a pessoa deixa de transmitir a doença. Outra coisa interessante é que é muito difícil saber de quem pegou a doença, por que tem um período de incubação longo, e pode ficar em média cinco anos sem apresentar sintomas e a pessoa não saber que é portadora da doença. Além disso, a pessoa pode ficar com a mancha ou outros sintomas, e não dar importância. A gente estimula que os profissionais de saúde fiquem atentos para os sinais e sintomas da hanseníase, pois somos um país endêmico e precisamos ficar alerta para o diagnóstico não só do paciente, mas que a família e os contatos próximos também venham para ser examinados e diagnosticados o quanto antes.

Blog da Saúde: E como as pessoas podem procurar um serviço de saúde para fazer o diagnóstico?
Carmelita Filha: A hanseníase é uma doença que está na Atenção Básica, então qualquer Unidade de Saúde no seu município, deve fazer o diagnóstico. Se uma pessoa tiver qualquer sinal e sintoma, e suspeitar que tenha a doença, deve procurar a Unidade mais perto da sua casa. Ali a equipe pode examinar, dar o diagnóstico, e logo iniciar o tratamento. Toda Unidade oferece tratamento de hanseníase gratuito pelo SUS.

Blog da Saúde: Mesmo sem sintomas, eu posso procurar a Atenção Básica?
Carmelita Filha: O ideal é que todas as pessoas procurem. Se algum amigo ou parente da família teve historia de hanseníase, mesmo que não tenha nenhum sinal. O ideal é que uma equipe da ESF examine e faça a prevenção.

Blog da Saúde: E como funciona o tratamento?
Carmelita Filha: Quando o paciente tem o diagnóstico de hanseníase, ele recebe todas as informações e é imediatamente indicado para o tratamento. O período do tratamento dura um ano para casos de hanseníase multibacilar, e seis meses para os casos paucibacilares. A primeira dose é dada diretamente na unidade de saúde. Funciona assim: todo mês o paciente tem que ir à Unidade para tomar uma dose supervisionada do remédio, ou seja, na frente do profissional de saúde, e pegar o resto da medicação para ser tomada durante 28 dias, todos os dias. Em casos de paucibacilar, um comprimido por dia, no caso de multibacilar, dois comprimidos. Concluindo o tratamento em casa, o paciente volta à Unidade, toma a medicação supervisionada, e pega o restante da medicação novamente, até o fim do tratamento quando ela está curada. Caso tenha algum problema com a medicação, é na Unidade que ele deve pedir orientação.

Blog da Saúde: Hanseníase mata?
Carmelita Filha: Não mata, mas traz deformidades físicas se não for tratada adequadamente e precocemente.

Blog da Saúde: Por que as pessoas que possuem a doença são estigmatizadas?
Carmelita Filha: O principal fator são as sequelas, pois a hanseníase poderá causar deformidade física. A pessoa que tem o tipo multibacilar, que é o tipo que transmite, quando tem o diagnóstico tardio, tem mais chance de ter uma incapacidade física. A micobactéria pode acometer os nervos periféricos dos olhos, mãos e pés. As pessoas que estão curadas, não transmitem mais, mas são estigmatizadas pela aparência, e a gente não deve discriminar o próximo pelo que está vendo. É uma pessoa como qualquer outra, apesar de alguns casos apresentarem algum tipo de sequela decorrente da doença. Assim, devemos evitar o preconceito, com qualquer pessoa que tenha qualquer tipo de deficiência física.

Aline Czezacki, para o Blog da Saúde

Febre Amarela: Viajantes com destino ao Panamá devem ter CIVP válido

Certificado Internacional de Vacinação e Profilaxia será exigido para entrada no Panamá de viajantes provenientes do Brasil, a partir de 06/02/2017

Ponto focal do Regulamento Sanitário Internacional - RSI do Panamá informou que, a partir de 06/02/2017, o país passará a cobrar CIVP válido de viajantes procedentes do Brasil, com destino àquele país.

A medida foi adotada devido ao surto de febre amarela nos estados de Minas Gerais, São Paulo, Espírito Santo e Bahia e ao movimento migratório do Brasil para o Panamá.

Desta forma, a partir de 06/02/2017, os viajantes que partirem do Brasil com destino ao Panamá deverão apresentar CIVP válido.

Para saber como tirar o certificado de vacinação e como proteger a sua saúde em viagens internacionais, confira aqui.

ANVISA

Hospitais brasileiros precisam aprimorar monitoramento de medicamentos para melhorar a segurança do paciente

Diversos estudos brasileiros e internacionais têm demonstrado a alta frequência de problemas de saúde relativos ao gerenciamento e uso de medicamentos, o que pode levar a eventos adversos e, consequentemente, agravar a saúde do paciente, provocando mudanças clínicas significativas e até mesmo elevar os custos diretos e indiretos do tratamento

Esse é um aspecto já conhecido dos profissionais que atuam na área da saúde. No entanto, o médico Roberto Manara, educador de Serviços de Educação para a Melhoria da Qualidade e Segurança Assistencial de Instituições de Saúde do Consórcio Brasileiro de Acreditação (CBA), afirma: “Muitas instituições não apresentam um olhar crítico acerca do monitoramento de medicamentos e sobre seus eventos adversos e sentinelas, o que dificulta o processo de gestão”.

Manara aponta ainda como críticos, os padrões relacionados à manipulação e guarda segura de dos medicamentos. O educador do CBA defende que o gerenciamento e o uso de medicamentos precisa estar ligado a conceitos de qualidade e segurança, devendo ser uma responsabilidade multiprofissional.

No entanto, o educador do CBA ressalta que o papel da farmácia e do farmacêutico é fundamental dentro deste contexto. “Um dos grandes ganhos dos hospitais acreditados é a valorização deste profissional e o aumento do número de farmacêuticos clínicos. Este profissional atua na ponta, diretamente no âmbito assistencial. Naturalmente as prescrições, conciliações medicamentosas, validações e orientação a respeito do uso de medicamentos ficam muito mais seguras”, sublinha.

Roberto Manara, que também é corresponsável pelo Centro de Ensino e Treinamento (CET) de Anestesia da Pontifícia Universidade Católica (PUC Sorocaba), afirma que o papel do médico e do farmacêutico diante das prescrições deve ser de equipe. “O ideal é que o farmacêutico clínico faça a revisão de todas as prescrições e as reconciliações pertinentes. Neste processo, nenhum profissional é detentor do saber pleno e o trabalho deve ser sempre conjunto”, assegura.

Docente do curso de Gerenciamento e Uso de Medicamentos do CBA, Roberto Manara diz que todo profissional da área de assistência deve saber informações sobre organização, gerenciamento, seleção, aquisição, armazenamento, prescrição e transcrição, preparo, dispensação, administração e monitoramento de medicamentos; sem esquecer dos medicamentos de alta vigilância e da cadeia de suprimentos.

Essas são as temáticas oferecidas no curso do CBA, cuja próxima turma já tem data marcada: dias 09 e 10 de fevereiro, no Rio de Janeiro, e dias 16 e 17 de fevereiro, em São Paulo. No Rio, o curso será ministrado pela médica e avaliadora do CBA, Adélia Quadros. Já em São Paulo, o docente será o médico e educador Roberto Manara.

Mais informações pelo site www.cbacred.org.br ou pelo tel. (21)3299-8243 ou 3299-8200.

Nathália Vincentis
Jornalismo
www.sbcomunicacao.com.br