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domingo, 22 de dezembro de 2013

Mais de 3 mil pessoas picadas por aranhas procuraram unidades de saúde de SP

Kim Kil-Won
Acidentes causados por aracnídeos representam 23% do total
Dados são de janeiro a setembro deste ano; região de Campinas e Sorocaba são as com maior nº de ocorrências
 
Entre janeiro e setembro deste ano, 3.104 pessoas buscaram atendimento nas unidades de saúde da rede estadual paulista depois de serem vítimas de picada de aranha, segundo levantamento divulgado pela Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo. No ano passado, o número de casos em igual período foi maior (3.628).
 
Os acidentes causados por aracnídeos representam 23% do total de casos envolvendo animais peçonhentos, que somaram 13.136. As regiões com mais ocorrências, de acordo com a Secretaria de Saúde, são as de Campinas (706), Sorocaba (247) e Taubaté (229).
 
A Vigilância Epidemiológica orienta, se for picada por uma aranha, a vítima deve lavar o local atingido. Em seguida, deve colocar compressas com água morna para amenizar a dor e depois procurar atendimento em uma unidade de saúde. Se for possível, o paciente deve levar a aranha para direcionar o melhor tratamento com antídoto.
 
Segundo a Vigilância Epidemiológica, normalmente, os pacientes demoram a buscar atendimento. Há casos em que a vítima subestima a gravidade dos ataque por aranhas de pequeno tamanho. Quanto menor o tempo entre a picada e o diagnóstico, maiores as chances de boa resposta ao antiveneno.
 
Entre as recomendações para evitar o contato com aranhas estão manter jardins e quintais limpos, assim como a grama aparada; ter cuidado ao manusear folhagens; evitar o acúmulo de entulho, folhas secas, lixo doméstico e material de construção nas proximidades das casas, além de folhagens densas (plantas ornamentais, trepadeiras, arbustos, bananeiras e outras) perto de paredes e muros das casas.
 
Outra orientação é sacudir roupas antes de vesti-las, mesmo que estejam dobradas e guardadas. O mesmo cuidado deve ser adotado com os sapatos. Outras recomendações importantes são: manter vedadas as soleiras das portas e janelas quando o dia começa a escurecer, já que as aranhas, na sua maioria, têm hábito noturno; afastar as camas das paredes e evitar que roupas de cama e mosquiteiros encostem no chão.
 
O lixo domiciliar também deve ser depositado em sacos plásticos ou outros recipientes que possam ser mantidos fechados, para evitar que entrem insetos, como baratas, que atraem as aranhas.
 
Agência Brasil

Turma São Camilo do Hospital Regional do Vale do Paraíba

Turma da Pós em Administração Hospitalar do
Hospital Regional do Vale do Paraíba em Taubaté
Dezembro de 2013

Ouvir música melhora desempenho durante realização de exercícios físicos

Um estudo desenvolvido pelo neurocientista inglês Dr. Jack Lewis, apontou que ouvir música durante a prática de exercícios pode realmente melhorar o desempenho físico.
 
Como resultado, foram criadas listas de reprodução de músicas estimulantes para exercícios físicos. A comprovação pode ajudar muita gente, uma vez que entrar em forma é uma das resoluções mais populares do ano novo, ainda que apenas 12% atingirão o seu objetivo de fato.
 
De acordo com o neurocientista, os frequentadores de academias têm mais chances de melhorar seu desempenho e condicionamento físico adicionando músicas de batidas específicas às suas listas durante os exercícios físicos. Para chegar a essa conclusão, Dr. Jack selecionou músicas que proporcionariam o máximo desempenho durante a malhação – fato conhecido na área científica como benefício “ergogênico” – e os resultados foram surpreendentes.
 
Um dos pontos importantes do levantamento revelou, por exemplo, que a música “agitada” aparentemente beneficia mais as mulheres do que os homens em certas atividades, como durante aulas de aeróbica. Outra descoberta importante mostra que, embora muitos presumam que músicas com tempo acelerado sejam melhores para o treinamento físico, outros fatores também devem ser levados em consideração na preparação do cérebro para o exercício e para manter o foco durante uma sessão de treino mais exigente.
 
Com base na pesquisa, o Dr. Jack Lewis criou uma lista de músicas inspiradas na neurociência. A lista contém 11 faixas e foi cuidadosamente estruturada para gerar um determinado número de bpm (batidas por minuto) durante uma sessão de treinamento. Alguns dos artistas selecionados foram Michael Jackson, Beethoven, Tinie Tempah e Johnny Cash.
 
Sobre a  neurociência:
Neurociência é o estudo científico do sistema nervoso.

Tradicionalmente, a neurociência tem sido vista como um ramo da biologia. Entretanto, atualmente ela é uma ciência interdisciplinar que colabora com outros campos como química, ciência da computação, engenharia, linguística, matemática, medicina e disciplinas afins: filosofia, física e psicologia.
 
O termo neurobiologia é usualmente usado alternadamente com o termo neurociência, embora o primeiro se refira especificamente a biologia do sistema nervoso, enquanto o último se refere à inteira ciência do sistema nervoso.
 
CorpoSaun

Aplicativos: Vamos Beber Água?

Vamos beber água!Muito trabalho e não lembra de tomar água?

Esta aplicação emite avisos em intervalos programados te informando que é a hora de dar uma paradinha e beber água.
 
Peso do arquivo
< 1 MB            

Última atualização
10/10/2013            

Versão
1.2.0.0                            

Funciona com
    - Windows Phone 8
- Windows Phone 7.5
 
Aplicativos necessários
- Serviços de dados
- HD720P (720x1280)
- WVGA (480x800)
- WXGA (768x1280)                   
 
Idiomas suportados (1)
Português (Brasil)
 

Suco funcional está na moda e é nova arma para manter uma vida saudável

Os sucos contém substâncias que beneficiam o organismo contra envelhecimento, além de dar energia
 
Os sucos unem os sonhos dos vaidosos: proporcionam beleza e saúde num único copo. Estão no centro das atenções de quem procura ter qualidade de vida. Especialista em nutrição clínica, Juliana Nakabayashi, do Centro de Nutrição, Alimentação e Bem-Estar, enfatiza que o suco detox ou funcional, como é conhecido no Brasil (nos Estados Unidos fala-se em suco verde), contém substâncias que vão beneficiar o organismo contra o envelhecimento, além de dar energia, evitar anemia, regular o intestino e ainda ajudar a memória e a emagrecer. Por ser também funcional, tem ganho extra quando recebe o acréscimo de folhas e legumes com funções nutritivas e fitoquímicas.
 
“O resultado é excelente, ainda mais pela variedade que temos de frutas, verduras, ervas, raízes... E melhor, é barato. Se você não consegue fazer uma receita com tangerina, se achar caro, pode com facilidade trocar pelo limão para sair mais em conta.”
 
Juliana Nakabayashi lembra que, como o brasileiro é antenado em saúde e estética, investir no suco é natural e, se ele ainda não está no cardápio, já passou da hora de virar hábito. “Apesar da vida corrida, é possível colocá-lo no dia a dia. Basta se organizar. Fatie as frutas à noite, faça gelo de couve e de água de coco, que você comprou no sacolão sem química e conservantes, para adiantar sua vida pela manhã. Não se esqueça de que o suco de caixinha não veio do pomar.”

A nutricionista enfatiza que o suco recomendado para desintoxicar tem efeito em jejum. A manhã é o melhor horário, por causa da absorção dos nutrientes. “Como primeiro alimento, é como se desse um banho interno diário no organismo.” Febre nos EUA, a dieta ou jejum com sucos não é recomendada por Juliana. “Não é indicada, porque é penosa. Estamos cientes de que o maior percentual de quem toma o suco pensa em emagrecer e não só na qualidade de vida. Cortar toda a alimentação e só ingerir suco é um choque grande. A pessoa entra em privação e logo vai abandonar. Tomar só suco para desintoxicar num spa é diferente de estar no trabalho, encarando trânsito... Essa abstinência é séria.”

Dieta
Juliana, que trabalha ao lado das nutricionistas Simone Brasil e Jussara Oliveira, valoriza o suco como complemento de uma dieta saudável. “O benefício virá se você tomá-lo nas horas certas. A principal é em jejum. Você pode incluí-lo no lanche da manhã e no fim da tarde. Tome primeiro o suco para depois comer, vai dar saciedade.” Ela enfatiza que o suco tem o poder de reduzir a fome, aliviar a dor de cabeça e  a enxaqueca, reduzir a vontade de comer doce, diminuir a retenção de líquidos e cortar o desejo de consumir “besteiras” industriais, como biscoitos, massas, bolos e salgadinhos. “Aliás, o apetite por esses alimentos nada saudáveis indica desnutrição interna. Ao cuidar dessa carência, melhora o desequilíbrio e a fome.”

Se o suco não for feito em casa, Belo Horizonte tem excelentes casas e há meses teve um boom de lojas em quase toda esquina. “O importante é evitar o suco pronto, o que fica em jarras, e os refrescos. Fiquem de olho na higiene. O melhor é o preparado na hora. Não vejo contraindicação aos de polpa congelada, já que há frutas, como as vermelhas, que duram pouco. Agora, abacaxi, limão, lima, por favor, queiram sempre frescos. Sempre que puder, balanceie com folhas verdes para equilibrar e enriquecer. Ao lado da fruta, ao acrescentar couve, água de coco, beterraba, fibras, que geralmente não se comem no dia a dia, você vai potencializá-lo.” E anote aí: suco pela manhã desintoxica e revitaliza. Em outro horário: revitaliza. E você ganha sempre.
 
Suco de verdura
Jejuns e sucos verdes substituem as dietas. Enquanto espreme couves, pepinos e espinafres em sua casa, em Venice Beach, a oeste de Los Angeles, a professora de ioga Kia Miller, de 44 anos, diz que se “energiza” quando jejua tomando apenas sucos verdes, porque é a chance que ela tem para refletir sobre sua “relação com a comida.” Os sucos “são uma forma poderosa de obter nutrientes. Alcalinizam o corpo e, quando o corpo está alcalino, se desintoxica”.
 
Esses jejuns deixaram de ser uma prática reservada a ioguis e místicos. Em regiões abastadas como Santa Mônica e Beverly Hills há praticamente um juice bar a cada quarteirão e é frequente ver moradores de Los Angeles com um suco de verduras na mão. “É o novo vinho”, diz Miller.

Há aqueles que bebem ocasionalmente o suco verde, mas há ainda os que fazem as chamadas limpezas, desintoxicações ou jejuns com sucos, que consistem em beber litros de sumo de verduras durante três, sete ou 30 dias, sem ingerir nada sólido. Com uma limpeza de cinco dias, é possível perder 10 quilos. Dependendo do bar, um jejum de três dias com sucos pode custar entre U$ 120 e U$ 250, e o de cinco, de U$ 200 a U$ 400.

O lucrativo negócio do bem-estar representa U$ 5 bilhões anuais nos Estados Unidos, de acordo com o semanário de finanças Barron’s. Segundo a publicação, há 6.200 juice bars no país, a maioria concentrada em Nova York e Los Angeles.

Os nutricionistas aplaudem a moda dos sucos, embora duvidem dos benefícios reais do jejum. “Nosso corpo é feito para se desintoxicar. Tem rins e um fígado, além da pele. Se paramos de incorporar toxinas ao corpo, ficaremos mais saudáveis de qualquer forma. Não é preciso fazer uma limpeza com sucos. O jejum é bom se ajudar as pessoas a mudarem sua dieta e comerem de forma saudável”, diz Julieanna Hever, especializada em nutrição à base de plantas.
 
Correio Braziliense

Projeto de lei que legaliza a maconha no Uruguai desperta receio

Ativistas em prol da legalização da maconha protestam diante do Palácio Legislativo, em Montevidéu: pioneirismo acende debate na América do Sul e no mundo  (PABLO PORCIUNCULA/AFP )
Ativistas em prol da legalização da maconha protestam diante
]do Palácio Legislativo, em Montevidéu: pioneirismo acende
 debate na América do Sul e no mundo
Para analistas, política pode servir de modelo global, além de reduzir a violência e afetar o tráfico de drogas         
 
A um passo de se tornar o primeiro país a legalizar a produção, a distribuição e a venda de maconha, o Uruguai chegou ao centro do debate mundial sobre políticas de drogas, depois de o parlamento aprovar a lei que muda as regras locais relacionadas ao mercado da erva.
 
À espera de promulgação do presidente José Mujica, o audacioso projeto de lei prevê o controle total do Estado sobre a questão e divide opiniões entre organismos internacionais e países vizinhos, que temem o aumento do tráfico na região.
 
Estudiosos envolvidos na discussão, porém, descartam reflexos negativos e consideram que o país fortalece a tendência de impor parâmetros globais. O texto colaborou para que o Uruguai fosse eleito o “país do ano” pela revista The Economist.

Embora a proposta de controle efetivo de Montevidéu sobre a produção para uso próprio ou para clubes de fumo seja questionado por opositores, dentro e fora do país (leia a entrevista com o deputado Osmar Terra), os simpatizantes entendem que a maconha causa menos danos sociais e fisiológicos do que o álcool e o tabaco.
 
“A possibilidade de aumento do consumo de maconha sempre é analisada longe do aspecto de que isso acarretaria em uma diminuição do uso do álcool. Pode ser que a erva se torne uma alternativa à única substância usada para o lazer, que é permitida hoje, apesar de problemática”, opina Henrique Carneiro, historiador da Universidade de São Paulo (USP) e estudioso do consumo de drogas nas sociedades. Para ele, a preocupação em torno da escalada do trânsito da erva nas fronteiras uruguaias desconsidera o contexto global de uma “mudança de paradigma”.
 
“A maconha vai deixar de se tornar produto ilícito e se tornará commodity, com alto rendimento financeiro. A discussão é sobre quem vai lucrar com esse negócio; se serão grandes empresas multinacionais, como já ocorre com o tabaco e o álcool, ou se será o Estado”, avalia.
 
A despeito das críticas da ONU — que advertiu o Uruguai pela violação de tratados internacionais e por agir individualmente em um tema que demanda esforços conjuntos —, Carneiro sustenta que a experiência uruguaia e o debate em diversos países vão exigir de organismos multilaterais a revisão de convenções sobre o tema, provocando mudanças de padrões “das relações internacionais e da jurisprudência”.
 
Correio Braziliense

'É preciso cuidar de doença de rico e de pobre'

Morel: 'No combate à dengue, existe falha da ciência' - Wilton Junior/Estadão
Wilton Junior/Estadão
Morel: 'No combate à dengue, existe falha da ciência'
Ex-presidente da Fiocruz cita dengue entre 'moléstias negligenciadas' e diz que vacina não deve sair antes de 2020
 
O alerta oficial é de que a dengue deve bater mais forte neste verão, agravando os índices de 1,4 milhão de casos notificados e as 573 mortes verificadas entre janeiro e novembro últimos. Para complicar, o sanitarista britânico Simon Hay, da Universidade de Oxford, declarou à revista Nature que o País pode se tornar "foco global de transmissão" em 2014, em função da Copa. Preocupa-se com o intenso tráfego humano em capitais onde criadouros de mosquito já são ameaça (Salvador, Fortaleza e Natal) e pede ações preventivas já. Entre elas, a fumigação no entorno dos estádios e campanhas de informação aos turistas. Avisa que torcedores podem trazer novos tipos de dengue ao Brasil.
 
Para o médico e cientista brasileiro Carlos Medicis Morel, há muito "achismo" no comentário de Hay e certa tendência "de explicar o certo aos colegas do Terceiro Mundo". Aponta erro "crasso" quando Hay fala em novos tipos de dengue entrando no País: "Aqui já circulam as quatro variedades responsáveis por infecções humanas". Nesta entrevista exclusiva, o ex-presidente da Fiocruz e ex-diretor do Programa de Doenças Tropicais da Organização Mundial de Saúde (OMS) desvenda a complexidade do combate às chamadas "doenças negligenciadas" - expressão criada nos anos 1980 por Ken Warren, da Fundação Rockefeller. A expressão refere-se a moléstias historicamente carentes de recursos para a pesquisa biomédica: além da dengue, hanseníase, tuberculose, esquistossomose, leishmaniose e malária, entre outras.
 
Outra estação da dengue, com os alertas de sempre: filme que se repete?
Carlos Medicis Morel - A dengue é uma doença que se espalhou, ameaçando vários países. O Brasil tinha ficado fora disso até os anos 1940, mas com a urbanização, a proliferação de lixo nas cidades, a acumulação de água, enfim, a dengue se instalou. E vai ser duro eliminá-la. Um colega meu diz que "cada governo tem a dengue que merece", pois precisa lidar com o problema, dispondo de poucas intervenções possíveis. O que temos na mira é o desenvolvimento de uma vacina. Há grandes instituições no mundo trabalhando nisso, entre elas, a Fiocruz. Mas não será fácil. A vacina da Sanofi trazia esperança, mas quando fizeram o ensaio clínico, ela imunizou bem o dengue 1, 3 e 4, deixando de fora o dengue 2. A meu ver, a vacina não sairá antes de 2020.
 
Por que tanto tempo pela frente?
Carlos Medicis Morel - Você pode identificar três fracassos no combate de uma doença: a falha da ciência, por não se chegar às intervenções eficazes; a falha do mercado, quando há intervenções, mas a um custo elevado, caso dos retrovirais na África; e a falha da saúde pública, quando existem as intervenções, elas têm baixo custo, porém o acesso é limitado. Caso da vacina de poliomielite. Na dengue, o que existe é falha da ciência, não chegamos à vacina perfeita. E não por falta de dinheiro, mas porque não sabemos como fazer. A Fiocruz trabalha no desenvolvimento de uma vacina inativada, ou seja, a partir de vírus que não estão vivos. Outros institutos, como o Butantã, desenvolvem a vacina com vírus vivos, aquela que provoca infecção para curar. Enquanto isso, o jeito é persistir na prevenção - limpeza de ruas, acabar com poças d'água e fazer diagnóstico antes que o doente entre na síndrome de febre hemorrágica.
 
O que se quer é chegar, com a dengue, ao patamar da febre amarela?
Carlos Medicis Morel - Isso. Hoje ninguém mais fala em febre amarela, doença para a qual existe vacina eficiente. Só falamos quando surge uma pequena epidemia, logo controlada. Há outras falhas de ciência por aí: recentemente, houve problemas com vacinas para malária. Feitos os testes clínicos, viu-se que elas protegiam 20%, 30%, ou seja, não alcançavam patamar desejável.
 
No caso da malária, houve mais recursos para pesquisa, certo?
Carlos Medicis Morel - Sim, inclusive vindos da Fundação Gates. Também houve sucesso, na África em particular, com a utilização de estratégias além-vacina, caso dos mosquiteiros impregnados. O fato é que a malária na África é um problema mais sério que no Brasil. Lá temos um parasito bem agressivo, o Plasmodium falciparum, enquanto na Amazônia legal brasileira, encontramos o Plasmodium vivax. O falciparum mata mais, ao passo que o vivax mata menos, porém, pode ficar dormindo no organismo. Você pensa que está curada e, lá na frente, tem um novo episódio. E já se comprovou a perda de rendimento escolar entre crianças com malária na Amazônia. Isso consta de belo trabalho científico.
 
Pode-se dizer que as doenças negligenciadas dão um baile na ciência?
Carlos Medicis Morel - Gosto da expressão. Dão baile porque sempre se investiu menos nelas. São doenças de pobre, e as companhias farmacêuticas não esperam fazer dinheiro com elas. Essas empresas só entram em campo quando estimuladas por fator externo ou quando alguém chega com o dinheiro para a pesquisa. Aparece uma nova febre hemorrágica na África e ninguém presta atenção. Mas, quando aparece uma doença como a SARS, em 2003, no Canadá, daí o mundo fica em polvorosa. A dengue teve mais recursos quando passou a afetar o turismo de certos países. Tailândia, por exemplo.
 
Como o senhor definiria a transição epidemiológica brasileira?
Carlos Medicis Morel - O Brasil passou por ela de maneira até rápida. Hoje em dia, as doenças prevalentes no País já não são as associadas à pobreza. Passou a ser câncer, diabete, obesidade, doenças coronarianas e certas moléstias crônicas. Diante disso, as moléstias negligenciadas tendem a ficar mais negligenciadas porque já não provocam aquele impacto todo no perfil epidemiológico. Só que, em saúde pública, é preciso cuidar da doença do rico e do pobre. Tomemos a obesidade. O prefeito de Nova York tentou regulamentar o tamanho daqueles copões para refrigerante. E não conseguiu. O americano se revoltou, defendendo o direito de comprar a quantidade que quiser de Coca-Cola. Eis um novo problema de saúde pública, que começa a afetar o nosso perfil epidemiológico.
 
Uma doença pode ser negligenciada pelo baixo número de afetados?
Carlos Medicis Morel - Muita gente diz "essas doenças não contam mais" porque atingem 5% a 10% das pessoas. Não contam até você pegar, certo? O Brasil tem um dos altos índices de hanseníase do mundo, doença que afeta poucos. É preocupante? Sim, porque o paciente vive um drama para si mesmo, para a família, para quem o cerca. Presido o comitê de avaliação de um instituto suíço, onde encontrei um pesquisador com um trabalho sobre uma doença que você nunca ouviu falar: a úlcera de buruli. Costuma aparecer na África central. É rara, porém terrível: vem de uma bactéria cuja infecção come a carne humana, destrói a pele... Poucos são os afetados. Mas, quem passa por isso, conhece o horror.
Lembra leishmaniose
Carlos Medicis Morel - Mas não é. Vou contar uma história. Quando fiz Medicina, em Pernambuco, os alunos mais antigos diziam aos mais novos: "Ô, calouro, vou facilitar a sua vida: se chegar algum doente de Jacobina, na Bahia, você já pode marcar na ficha que ele tem leishmaniose". Tal era a prevalência da doença na região. Melhoramos muito, mas ainda não há vacina, o diagnóstico e o tratamento são complicados, as drogas dão reação adversa. É uma das doenças que têm tido alta prioridade no Brasil, porém, não superamos a falha da ciência. No campo das vacinas, a busca é constante e é preciso estar sempre preparado. Todo ano, a Fiocruz, que exporta para mais de 80 países, produz vacina de febre amarela para o nosso consumo e termina jogando fora. Você poderia dizer: 'Ah, isso é desperdício'. Mas seria muito pior não ter estoque à mão.
 
E a tuberculose? Por que o combate ainda é tão difícil?
Carlos Medicis Morel - Eis uma ameaça milenar. Neste mês, participo de uma reunião em Nova York para discutir novos regimes terapêuticos, já que o regime clássico começou a ser ameaçado pela tuberculose "resistente a drogas", a "multirresistente a drogas" e a "totalmente resistente a drogas". São três níveis de problema. Se alguém tiver a má sorte de pegar um tipo "totalmente resistente", terá assinado um atestado de óbito prematuro. Não há como curar. Aqui, também, a tentativa é de superar a falha da ciência. Depois virá a falha de mercado, pois as drogas novas não serão baratas. O problema é que o tratamento atual é demoradíssimo. Seis a nove meses, tempo em que o doente toma dezenas de pílulas por dia. Depois dos primeiros meses, ele não quer saber mais, joga os remédios fora. A tuberculose precisa de tratamento diretamente observado. Outro problema: apesar de barato, o tratamento pode demandar uma infraestrutura custosa.
 
Como assim?
Carlos Medicis Morel - Vi como fazem a prevenção e o tratamento nos Estados Unidos. Chegamos cedo a um salão de beleza em Newark, região rica, num carro com médica, enfermeira e auxiliar. Pelo telefone, uma manicure com tuberculose foi chamada pela equipe. Saiu do salão para tomar as drogas diante do médico. E por que fora do salão? Para não ser estigmatizada. Daí recebeu dois vouchers da US$ 5 cada, para gastar no supermercado. Some tudo: remédios, carro, médica, enfermeira, auxiliar, vouchers, para uma paciente! É uma abordagem cara. Agora imagine a tuberculose que se espalha numa prisão lotada, em país pobre...
 
O governo aposta no Mais Médicos para alcançar a população que vive afastada dos centros. Isso beneficia o combate às doenças negligenciadas?
Carlos Medicis Morel - O problema da saúde no Brasil é imenso e exige ações em diferentes níveis, com muito dinheiro e muita gestão. Ou a gente se conscientiza disso ou nada feito. Há bons hospitais por aqui, bons serviços, mas são ilhas. Queremos continente! O Brasil precisa urgentemente de um pacto na saúde. E a solução não virá deste ou daquele presidente. Virá de um compromisso que deixe ideologia e partidos de lado.

Estadão

Sem Wi-Fi, tablet do Mais Médicos perde funções

Sem uso: 'Serviço facilitaria trabalho', diz médica cubana - JF Diorio/Estadão
JF Diorio/Estadão
Sem uso: 'Serviço facilitaria trabalho', diz médica cubana
Profissionais ganharam aparelho, mas não conseguem acessar informações durante as consultas porque UBSs não têm serviço de internet sem fio
 
Sem contar com Wi-Fi nos postos de saúde onde trabalham, profissionais do programa Mais Médicos não conseguem usar parte dos recursos oferecidos no tablet dado pelo Ministério da Saúde para auxiliá-los no atendimento aos pacientes.
 
No aparelho ficam disponíveis materiais de consulta referentes a protocolos clínicos, informações sobre doenças e tradutor português-espanhol, entre outros recursos.
 
Parte do material, porém, só pode ser acessada se o aparelho estiver conectado à internet sem fio, tecnologia inexistente na maioria das Unidades Básicas de Saúde (UBSs) onde os médicos atuam.
 
Levantamento feito pela reportagem nas 48 cidades do Estado de São Paulo que receberam profissionais do programa mostra que apenas a minoria conta com o serviço. Das 36 prefeituras que responderam, apenas oito têm internet Wi-Fi em todos os seus postos de saúde. Outras seis têm a tecnologia em algumas unidades e 22 não possuem o serviço em nenhuma UBS.
 
"O tradutor do espanhol para o português, por exemplo, só funciona se tiver internet. Isso acaba dificultando um pouco nosso trabalho porque, quando surge alguma dúvida, temos de interromper a consulta, às vezes sair da sala, para pedir ajuda a um colega. Todos são sempre muito solícitos, mas o serviço no tablet facilitaria", diz uma médica cubana que trabalha na zona norte de São Paulo.
 
Com cem profissionais do programa Mais Médicos, a capital é um dos municípios que não têm internet Wi-Fi em nenhum de seus postos de saúde. Em todo o Estado, são 356 profissionais já em atendimento, além de 216 que devem começar a trabalhar ainda neste mês.
 
Aplicativo
Outro recurso do tablet indisponível para os médicos que não têm internet em seus postos é o aplicativo Telessaúde, no qual os profissionais podem enviar suas dúvidas para os supervisores.
 
O Código Internacional de Doenças (CID-10) também só pode ser consultado quando há rede Wi-Fi disponível.
 
Médicos de cidades em que as UBSs têm internet dizem que os recursos do tablet facilitam o trabalho. "Quando preciso consultar detalhes sobre alguma doença ou então tirar uma dúvida do idioma, o tablet já está na mão, agiliza a própria consulta", afirma a médica cubana Mercedes Perez Calero, de 44 anos, que trabalha em Guarulhos, onde 20 dos 67 postos têm internet grátis.
 
Investimento
Segundo o Ministério da Saúde, até agora, 4.974 médicos já receberam o tablet em todo o País. Cada aparelho custou R$ 1.450, num investimento total de R$ 7,2 milhões. Outros cerca de 1,6 mil médicos que estão no Brasil pelo programa também vão receber o equipamento, diz a pasta.
 
Questionado sobre a dificuldade de uso do material pelos médicos, o ministério informou que todo o material está disponível para acesso remoto.
 
O Estado navegou no tablet e confirmou que o tradutor, o aplicativo Telessaúde e o CID-10 não funcionam sem internet. Já as portarias e vídeos sobre os programas do ministério, protocolos clínicos, cadernos de atenção básica e produções científicas estão disponíveis no tablet mesmo no formato offline.
 
Ainda segundo o ministério, o equipamento tem tecnologia 3G e cabe ao médico contratar um pacote de dados móveis para ativar o serviço.

Estadão

Instituto Dante Pazzanese fará partos de bebês com problemas cardíacos

Com reforma, governo promete ainda ampliar o número de leitos da unidade
 
O Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, em São Paulo, vai passar por uma reforma que ampliará o pronto-socorro da unidade e possibilitará a implantação de um centro de medicina fetal para partos de bebês com problemas cardíacos.
 
O anúncio da ampliação foi feito na manhã desta sexta-feira, 20, pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB).
 
Com as obras, o hospital ganhará 89 novos leitos, sendo 62 de pronto-socorro, 17 de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) neonatal e 10 de UTI pediátrica.
 
As enfermarias infantis e adultas também serão reformadas.
 
O centro cirúrgico, atualmente com quatro salas, ganhará um novo espaço, onde será implantado o Centro de Medicina Fetal.
 
O governo do Estado promete finalizar todas as obras até 2015. A ampliação custará R$ 39,4 milhões.
 
Estadão

Comida “para criança” tem mais sódio do que diz a embalagem

Alimentos processados que trazem joguinhos e personagens infantis na embalagem, ícones de forte apelo infantil, podem conter mais sódio do que diz o rótulo.
 
Essa foi a constatação da pesquisadora Vera Favila Ribeiro, autora de um artigo sobre o tema em uma das edições mais recentes da publicação científica Revista de Nutrição, no bimestre agosto/setembro. Quando consumido em excesso, o sódio pode levar a quadros de hipertensão arterial, doenças cardiovasculares e problemas renais.

Em sua dissertação de mestrado, defendida na Universidade Federal de Pernambuco, a pesquisadora analisou 17 amostras de alimentos processados, entre marcas de macarrão, mortadela, salsicha, hambúrguer e empanados de frango. Médicos lembram que esses alimentos, mesmo quando contêm os valores de sódio informados na embalagem, não são apropriados para crianças. Pobres em bons nutrientes, eles normalmente contêm gordura demais e muitos aditivos.

No experimento, Vera usou dois tipos de técnica para medir a quantidade de sódio nos alimentos e percebeu que a variação entre o teor existente da substância e aquele declarado pelos fabricantes era maior que 20% na maioria das amostras – a legislação brasileira tolera uma variação de até 20% em relação aos teores de nutrientes declarados nos rótulos e aqueles obtidos experimentalmente.

Qual foi a metodologia empregada  para analisar os produtos?
Foram analisados 17 produtos alimentícios, dos quais oito eram massas instantâneas, de três fabricantes distintos; um hambúrguer; uma mortadela; duas amostras de salsicha, de dois fabricantes; e cinco tipos de empanados (popularmente conhecidos como Nuggets), de três marcas distintas (a pesquisadora não revelou os nomes das marcas analisadas). Eu usei duas técnicas diferentes: a fotometria de chama, que é mais sensível, e a volumetria.

Quais foram os problemas encontrados?
Pela fotometria de chama houve variação maior que 20% entre o teor de sódio analisado e o declarado em treze produtos e, pela volumetria, houve esse problema em cinco. Todas as amostras apresentaram mais de 480mg de sódio por porção e o limite de ingestão adequada para crianças de 4 a 8 anos foi ultrapassado nas oito massas instantâneas e em três empanados, pela fotometria. Já pela volumetria, a oferta de sódio ultrapassou os níveis de ingestão recomendada para crianças entre 4 e 8 anos em nove amostras analisadas.

Técnicas diferentes de medição poderiam explicar as variações encontradas ?
Os diferentes métodos empregados podem justificar, parcialmente, a discrepância entre os valores declarados na rotulagem e os detectados neste estudo, entretanto essa diferença, de acordo com a legislação, não deveria ultrapassar 20%. Uma discrepância superior demonstra que é indispensável uma fiscalização efetiva para verificar se todas as informações nutricionais declaradas são fidedignas.

O Ministério da Saúde firmou um acordo com a indústria alimentícia para a redução gradual de sódio nos alimentos, que ocorrerá entre 2014 e 2016. Como vê essa medida?
Essa diminuição deverá ser alcançada a partir dos próximos anos. Entretanto, diante da discrepância entre valores declarados e quantificados experimentalmente, o monitoramento será necessário para a verificação do cumprimento desses acordos. Essa medida, juntamente com as demais ações voltadas para a promoção da saúde, certamente contribuirão para a prevenção e a redução de doenças como a hipertensão.

O que diz a Anvisa
Por meio de nota ao blog, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informou que tem monitorado as quantidades de sódio presentes nos alimentos, como parte da política do Ministério da Saúde para reduzir a quantidade deste nutriente em alimentos industrializados. “Este levantamento é coordenado pela Agência, já as coletas e os envios de amostras para laboratório são feitos pelas vigilâncias sanitárias locais. Um dos resultados é o subsídio para a política de redução. O outro é a análise fiscal feita pelas vigilâncias sanitárias, que verificam se as quantidades declaradas no rótulo estão de acordo com as  quantidades encontradas no alimento. Esta análise faz parte da rotina do sistema”, declarou o órgão. Ainda segundo a Anvisa, “a constatação da infração leva à notificação do fabricante para a adequação do seu produto”.

De acordo com o órgão, os problemas apontados pelo estudo da nutricionista não representam risco imediato ao consumidor.  “Assim, dificilmente isso gera um alerta de recolhimento e interdição do produto. Outras infrações, contudo, levam a Anvisa a retirar um alimento do mercado de forma imediata, como ausência de informação sobre glúten, omissão de ingrediente alergênico e presença de substância proibida”, informou a nota.

Estadão

Dieta rica em tomate pode reduzir risco de câncer de mama

Dieta rica em tomate pode reduzir risco de câncer de mama Ricardo Duarte/Agencia RBS
Foto: Ricardo Duarte / Agencia RBS
Consumo de tomate tem impacto nos níveis de hormônios
 das mulheres
Pesquisa demonstrou que alimento interfere nos níveis de hormônio que regula o açúcar e a gordura no organismo
 
A ciência já havia anunciado que manter uma dieta rica em tomate é uma forma de prevenir o câncer de próstata. Agora, um estudo publicado na revista da Sociedade de Endocrinologia da Clinical Endocrinology & Metabolism também dá um motivo para as mulheres inserirem esse alimento em seu cardápio: o tomate ajuda a proteger do câncer de mama após a menopausa.
 
O risco de desenvolver câncer de mama aumenta no período pós-menopausa, especialmente por causa do aumento do índice de massa corporal. O estudo mostrou que uma dieta rica em tomates pode ter um efeito positivo no nível de hormônios que regulam o metabolismo da gordura e do açúcar.
 
— As vantagens de comer tomates e também produtos à base da fruta em grandes quantidades, mesmo que por um curto período, eram claramente evidentes em nossos resultados — disse a autora principal da pesquisa e professora da Rutgers University, Adana Llanos.
 
Segundo Adana, comer frutas e legumes, que são ricos em nutrientes essenciais, vitaminas, minerais e fitoquímicos como o licopeno, traz benefícios significativos.
 
— Com base nesses dados, acreditamos que o consumo regular desses alimentos pode prevenir o câncer de mama em uma população em situação de risco — afirma.
 
A pesquisa examinou os efeitos da dieta em 70 mulheres no período de pós-menopausa. Durante dez semanas, elas comeram produtos com tomate contendo pelo menos 25 miligramas de licopeno por dia. Antes do período de teste, as mulheres foram orientadas a evitar o consumo do tomate por duas semanas.
 
Quando elas seguiram essa dieta, os seus níveis de adiponectina (hormônio que regula os níveis de açúcar no sangue e gordura) subiu 9%. O efeito foi um pouco mais forte em mulheres que tinham um índice de massa corporal inferior.
 
— Os resultados demonstram a importância da prevenção da obesidade. Consumir bastante tomate teve um impacto maior sobre os níveis de hormônios em mulheres que mantiveram um peso saudável — observou Llanos.

Zero Hora

Por que faz bem fazer o bem?

Por que faz bem fazer o bem? Diego Vara/Agencia RBS
Foto: Diego Vara / Agencia RBS
Sentimento de felicidade ao fazer o bem ao próximo tem fundamento biológico
 
Frequentemente, os silenciosos corredores do Asilo Padre Cacique, que abriga mais de 150 idosos da Capital (RS), são inundados pelos melodiosos acordes do saxofone de Fernando Prati. É por volta das 15h, quando o lanche da tarde é servido, que o fisioterapeuta de 57 anos aparece para encher os ouvidos dos moradores de ritmos e recordações. Ao som de clássicos de MPB, jazz e "o que mais eles gostarem", Fernando promove momentos de descontração, alegria e emoção.
 
Foi há cerca de cinco anos que o fisioterapeuta descobriu o prazer de promover a felicidade dos demais. Ele, assim como milhares de pessoas ao redor do mundo, passou a dedicar parte do seu tempo, energia e dinheiro para fazer o bem. E se sente muito bem com isso.
 
Altruístas, generosos, solidários. Ainda que os termos tenham algumas diferenças em sua definição, todos se referem a pessoas que fazem o bem ao próximo sem esperar nada em troca - e mesmo que isso tenha algum custo. As boas ações são uma esperança para a humanidade, mas seguem um mistério para a ciência. O que motiva esse tipo de comportamento, pouco comum em outras espécies, vem sendo estudado há anos por diferentes áreas do conhecimento. E tem gerado teorias controversas.
 
O que os estudiosos já conseguiram comprovar é que a felicidade sentida por Fernando cada vez que visita o asilo tem um fundamento biológico. Ao proporcionar momentos bons para os idosos, uma região específica do cérebro do fisioterapeuta é ativada, liberando substâncias que dão a sensação de prazer e alegria. É o sistema cerebral de recompensa, uma região bem primitiva, que faz com que tudo aquilo que é fundamental para a sobrevivência, como a alimentação e o sexo, sejam prazerosos. Por que ele entra em ação quando o fisioterapeuta percebe o sorriso de quem o escuta ainda não tem explicação para a ciência.
 
Para Fernando, nem precisa:
 
- Tocar para este pessoal me completa, e isso me basta. Eu me conecto com eles pela música. É muito gratificante ver que as minhas melodias estão fazendo bem para esse pessoal.
 
A recompensa é tamanha que o fisioterapeuta, além de abrir mão de horas de trabalho no seu consultório particular para tocar, resolveu gastar ainda mais tempo e dinheiro com aulas de saxofone. Quanto mais se aprimora no instrumento, mais diversão proporciona aos idosos.
 
- É uma das poucas coisas boas que nos resta. É tanta diversão que, às vezes, até esqueço de tomar o café - conta o morador do asilo Hélio Torrano, 72 anos, que se anima ao solicitar alguns minutos da atenção do saxofonista para relembrar canções.
 
Pedido este que é recebido com uma felicidade quase indescritível, comenta o fisioterapeuta. Hélio não sabe, mas são situações como essa que motivam Fernando a interromper suas horas de trabalho para ir até o asilo. Há meia década dedicando algumas horas da semana para fazer a alegria dos idosos, ele garante: o dinheiro que deixa de ganhar com as consultas é duplamente recompensado pelos sorrisos acumulados no bolso.
 
Bombou nas redes
Poucas semanas antes do Natal, a pequena Yasmin, dois anos, alegrava-se ao receber o primeiro presente enviado pelo Papai Noel. Mas era o estudante Adriano Lima, 26, quem estampava o maior sorriso no rosto. Enquanto entregava a boneca cuidadosamente embalada para a menina do Lar São José, que abriga mais de 150 crianças e adolescentes na região central de Porto Alegre, Adriano não conseguia esconder a emoção:
 
- É inexplicável, é uma sensação de muita satisfação. Isso mostra que não precisa muito para proporcionar um momento tão legal. Basta ter uma boa iniciativa e disposição.
 
Foi durante uma tarde abafada de dezembro que Adriano e outros dois colegas visitaram a instituição com um único objetivo: doar o seu tempo e energia para os pequenos. A ação, que iniciou a partir de uma proposta da faculdade, acabou tomando rumos muito maiores que os previstos.
 
- Era um projeto só para dentro da instituição que estudamos, mas tive a ideia de divulgar entre amigos e anunciar nas redes sociais. Em duas semanas, conseguimos arrecadar mais de R$ 3 mil. Foram mais de cem pessoas envolvidas, querendo apadrinhar as crianças - comemorou o jovem.
 
Esta foi a primeira vez que o estudante coordenou uma ação com o intuito de ajudar ao próximo. Depois de passar a tarde ensinando aos pequenos a arte da capoeira, preparando um almoço coletivo e distribuindo presentes, ele garante:
 
-Quero repetir sempre. Para o ano que vem, já estamos com um projeto pronto.
 
Está nos genes?
Atos de altruísmo e bondade são instintivos ou aprendidos socialmente? São exclusivos dos seres humanos ou outros animais também o praticam? Essas e outras perguntas vêm instigando pesquisadores ao redor do mundo. Em uma sociedade cada vez mais individualista, a justificativa para aqueles que dedicam seu tempo e dinheiro aos demais ainda gera controvérsias entre pesquisadores. Enquanto boas ações dirigidas ao próximo são explicadas pela teoria da evolução - ajudamos aqueles que carregam os mesmos genes que portamos, com o intuito de propagá-los para as próximas gerações - a energia despendida para ajudar desconhecidos segue deixando os estudiosos sem respostas concretas. 
 
- O altruísmo divide opiniões sobre sua natureza. Para alguns, o ser humano é, em sua essência, autocentrado, narcisista, sendo o altruísmo apenas uma defesa para possibilitar a convivência social. Para outra corrente, é uma manifestação de interesse e conexão com o outro, algo elementar para a formação de vínculos - argumenta o psiquiatra Thiago Rocha, do Hospital de Clínicas de Porto Alegre.
 
Uma das descobertas mais recentes sobre o assunto reforça a tese de que a generosidade está nos nossos genes - ou seja, já nascemos condicionados a fazer o bem. Estudos mostraram que crianças com menos de um ano já têm a capacidade de ajudar outras crianças, mesmo sem recompensa diretamente envolvida na ação. Conforme a psicóloga Maria Emília Yamamoto, professora da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, esse comportamento reforça a hipótese de que o altruísmo é uma característica inata, mas que pode ser influenciada pelo meio em que vivemos:
 
- Há uma propensão biológica à cooperação, mas que é modulada pela cultura. Quando, de que forma, quem e em que circunstâncias cooperar são questões que aprendemos ao longo do nosso desenvolvimento, conforme o local em que vivemos.
 
Mensagens de esperança
O Natal chegou mais cedo também para as crianças do Instituto do Câncer Infantil do Hospital de Clínicas de Porto Alegre. E veio de helicóptero. É na festa anual promovida pela instituição, da qual participam pacientes e ex-pacientes, que o técnico judiciário Germano Hofler, 36 anos, tem a chance de colocar a roupa do personagem, voar e arrancar sorrisos e emoções dos pequenos. Há nove anos envolvido em trabalhos voluntários para o instituto, Germano, que é ex-paciente, encontrou na sua história uma forma de ajudar as crianças que sofrem o que ele um dia enfrentou. Diagnosticado com um tipo raro de câncer aos 17 anos, teve de passar por um agressivo tratamento que lhe custou a perna direita.
 
A experiência que passou não o fez perder a motivação de viver. Pelo contrário. Hoje, divide seu tempo entre o trabalho, a família e as visitas ao instituto:
 
- Depois de alguns convites, resolvi voltar ao hospital onde fiz meu tratamento. Lá, conheci um menino que tinha perdido a perna pelo mesmo tipo de câncer que eu. Quando vi o brilho no olho dele ao me ver bem, caminhando com uma perna mecânica, me senti muito feliz. Foi tão bom para ele quanto para mim.
 
Além das visitas que faz frequentemente ao local para conversar com os pacientes, dividir histórias e incentivá-los a ter força para combater a doença, há cinco anos o ex-paciente pede um dia de folga do trabalho para se transformar no Papai Noel da criançada. Vestido a rigor, chega de helicóptero à festa do instituto levando não só presentes, mas principalmente mensagens de esperança.
 
10 dicas para fazer o bem:
 
1) Escolha um tipo de atividade que seja do seu interesse, como esporte, arte ou culinária. Dessa
forma, você terá o prazer duplicado: de fazer o que gosta e de fazer o bem
 
2) Pesquise sobre o público que quer ajudar. Isso facilitará sua comunicação com as pessoas e proporcionará uma maior interação
 
3) Na hora de escolher uma instituição para ajudar, dê preferencia às que ficam mais perto de sua casa. Dessa forma, você poderá visitar com frequência o local
 
4) A internet é uma ótima ferramenta para ajudar o próximo. Você pode encontrar formas de doar, instituições pobres e entidades que fazem serviços voluntários
 
5) Não esqueça que qualquer tipo de ajuda é bem-vinda. Você não precisa dedicar 24h do dia para ações de caridade. Tente encaixar as atividades conforme a sua rotina
 
6) É sempre bom estar aberto para desempenhar tarefas que você nunca realizou
 
7) Se você não tem ideia da instituição com a qual quer colaborar, procure um centro de voluntariado na sua cidade. Eles poderão lhe ajudar com a escolha do local
 
8) Para quem está com tempo escasso mas não quer deixar de fazer o bem ao próximo, uma opção é doar sangue. Sempre tem alguém precisando
 
9) Não se sinta pressionado a trabalhar demais, mas se comprometa com as atividades que promete fazer
 
10) Uma dica simples e que pode ser feita sempre: na próxima vez que for às compras, compre um saco extra de arroz, enlatados ou leite, e deixe em uma instituição que fique no seu caminho de casa
 
Zero Hora

Pediatra indica os brinquedos mais adequados para cada faixa etária

Pediatra indica os brinquedos mais adequados para cada faixa etária Mateus Bruxel/Agencia RBS
Foto: Mateus Bruxel / Agencia RBS
Pediatra recomenda presentes que estimulem brincadeiras em
ambientes externos
Calor do verão pode incentivar brincadeiras ao ar livre
 
Comprar presentes de Natal para crianças pode ser uma tarefa difícil. As muitas atrações das vitrines e prateleiras deixam em dúvida qual lembrança comprar que encontre um equilíbrio entre o que os pequenos desejam e o que pode trazer mais benefícios para a sua infância.
 
O pediatra e membro da Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul Benjamin Roitman, aconselha aproveitar a chegada do verão e comprar presentes que estimulem as crianças a brincar em áreas externas, praticando alguma atividade física.
 
— Eu sou totalmente a favor das brincadeiras tradicionais. Agora no verão a criança não deveria ficar trancada dentro de casa, mas deve jogar bola e andar de bicicleta — afirma Roitman.
 
Para aqueles que já estão na pré-adolescência, boas sugestões de presentes são livros e filmes. Nessa fase, os jovens consomem muita informação e gostam de leituras dinâmicas. Sobre os games, o pediatra aconselha que os pais não precisam ser radicais e proibir os jogos. Entretanto, é necessário que haja cuidado com o tempo na frente do computador ou da televisão.
 
— A recomendação não é de que haja proibição, mas que os pais limitem os momentos na frente dos games em duas ou três horas por dia — afirma o especialista.
 
O pediatra garante que não existem brinquedos contraindicados. Porém, reitera que alguns cuidados devem ser tomados no momento da compra, como verificar a faixa etária do brinquedo e se este está vistoriado e aprovado pelo Inmetro. O selo de certificação do órgão federal é uma garantia de que o brinquedo não solte peças e não cause danos. Outro cuidado importante é comprar acessórios de proteção quando for presentear a criança com uma bicicleta ou um skate, por exemplo.
 
Veja quais são o brinquedos indicados pelo pediatra de acordo com a faixa etária:
 
Bebês de colo e que engatinham
Brinquedos que trabalhem as percepções sensoriais (olfato, paladar, som, tato e visão). Os bebês aprendem com seus brinquedos noções de tamanho, forma, som, textura e como funcionam as coisas.
 
Bebês menores de 18 meses
Brinquedos vistosos e leves, de várias texturas, estimulam os sentidos da visão, da audição e do tato. São indicados móbiles, chocalhos, brinquedos com guizo para apertar ou um trapézio de berço para exercitar-se. Além disto, nesta idade, os bebês começam a apreciar livros com ilustrações de objetos familiares. Assim que começam a engatinhar ou a caminhar, os brinquedos mais estimulantes e divertidos são os de empurrar e puxar, de montar e desmontar, bonecas e bichinhos de pelúcia.
 
Crianças de 18 a 36 meses
Brinquedos que ativem o movimento corporal como um carrinho grande para puxar, subir ou levar brinquedos. Também são boas opções os brinquedos para o ar livre, como bolas, brinquedos infláveis, espelhos d'água ou caixas de areia com pás e cubos.

Algumas habilidades psicomotoras, incluindo a coordenação entre o olho e a mão e o desenvolvimento da habilidade dos dedos e das mãos podem ser estimulados com brinquedos de montar e desmontar, blocos de tamanhos e formas diferentes, assim como jogos e quebra-cabeças simples. Interessam-lhes também os instrumentos musicais como pandeiros, pianos, trombetas e tambores, bem como ouvir discos musicais e de contos infantis.
 
Crianças de 3 a 6 anos
Brinquedos que trabalhem com o faz-de-conta, que façam a criança desempenhar papel de adulto. Fantasias e equipamentos que ajudem em seu mundo imaginário são importantes nesta etapa: entre eles lojas em miniatura com dinheiro de brinquedo, caixa registradora e telefone, cidadezinhas, fortes, circos, fazendas, posto de gasolina, fantoches, bonecas e casas de boneca com móveis.
 
A capacidade de visualização e treinamento da memória, necessária para desenvolver a inteligência, pode ser exercitada por meio de jogos que exigem o uso da imaginação ou cálculo mental, tais como os jogos eletrônicos, jogos de tabuleiro e jogos de palavras e memória criados especialmente para esta faixa etária. Os brinquedos ao ar livre, como veículos com rodas e a primeira bicicleta com rodinhas de apoio são apropriados a esta etapa.
 
Crianças de 6 a 9 anos
Os jogos de tabuleiro, as bolinhas de gude e os brinquedos de armar colaboram no aprendizado das normas sociais. Nesta idade, ser aceito pelos companheiros é muito importante e o jogo corporal encontra expressão em diversos esportes ao ar livre. A convivência social se sofistica através de jogos de tabuleiro, de cartas e jogos eletrônicos, principalmente os que exigem decisões estratégicas e conhecimentos adquiridos na escola.
 
Os jogos eletrônicos e videogames, o pingue-pongue e o bilhar são muito populares nesta idade, assim como a arte dramática e as representações teatrais. A pintura, escultura, cerâmica e outras formas de expressão artística, assim como instrumentos musicais, livros e discos, continuam despertando a atenção.
 
Adolescentes
Após os 12 anos, existe um êxito crescente dos jogos eletrônicos e videogames mais complexos que, em geral, são considerados para toda a família. Jogos de tabuleiros e de aventuras, particularmente aqueles do tema "negócios" são indicados para a faixa etária.

Zero Hora

Saiba como cuidar do bem-estar dos animais de estimação no verão

Saiba como cuidar do bem-estar dos animais de estimação no verão stock.xchng/divulgação
Foto: Divulgação
Animais de estimação também precisam de proteção contra
o calor excessivo
Altas temperaturas exigem pequenas mudanças nas rotinas dos pets
 
O calor do verão é sentido por todos. Os animais e as plantas também sofrem com as altas temperaturas e é preciso tomar alguns cuidados para amenizar o calor excessivo.
 
Com a chegada da estação, pequenas mudanças são necessárias na rotina dos animais para tornar o período mais agradável.
 
O veterinário André Goelzer dá dicas para manter o bem-estar dos animais mesmo nos dias mais quentes.
 
Alimentação
Com o calor, é comum que os animais percam o apetite e passem a comer menos. A escolha de um horário mais fresco pode ser determinante, além de diminuir a quantidade de ração e não fazer modificações na alimentação. O cuidado com a ração também é importante, pois as rações industrializadas podem sofrer alterações com o calor. É importante sempre remover os restos dos potes
 
Hidratação
Os animais precisam receber, no mínimo, 60 ml de água por quilo de peso por dia. A água deve ser trocada frequentemente para conservá-la sempre limpa e fresca
 
Doenças
No verão os animais ficam mais propensos a pulgas, carrapatos e mosquitos que transmitem doenças. O cuidado é a prevenção. Manter o controle dos medicamentos e a limpeza do local onde os animais passam a maior parte do tempo é imprescindível. A carteira de vacinação deve estar sempre em dia
 
Ventilação
Aves e répteis precisam de atenção especial nos períodos quentes do ano, afinal a desidratação pode levar a morte desses animais. Deixá-los em locais frescos e ventilados é fundamental para a renovação do ar
 
Umidade
Para diminuir os impactos do calor os animais tendem a procurar ambientes mais frescos. A tendência é a procura por lugares úmidos, porém a umidade gera uma série de doenças de pele. O ambiente ideal para os animais é seco e com bastante sombra

Zero Hora

Anvisa monta grupo para avaliar aditivos do cigarro

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) fechou, nesta quinta-feira (19), as indicações dos especialistas que vão analisar e tomar posição sobre as 121 substâncias liberadas temporariamente pela agência para serem usadas pela indústria como aditivos ao tabaco.
 
A questão é polêmica e se arrasta pelos últimos anos. Coloca, de um lado, médicos, entidades da saúde e técnicos da Anvisa, contrários à permissão de uso aos aditivos; e, de outro, a indústria.
 
Em março de 2012, a agência proibiu quase todos os aditivos ao tabaco, dando um prazo de um ano e meio para a adequação da indústria. No entanto, em agosto de 2013, pouco antes de a regra entrar em vigor, a Anvisa aceitou parte de um pedido da indústria e liberou o uso de 121 aditivos, como extrato de café e alcaçuz.
 
A indústria alega que essas substâncias não conferem sabor ou odor característicos (como menta ou cravo), mas são essenciais para a produção do cigarro nacional.
 
A Anvisa liberou as substâncias, desde que os aditivos não confiram o dito sabor característico ao cigarro e até que um grupo independente de especialistas avaliasse os reais impactos dos aditivos no produto final, no prazo de um ano. Por outro lado, a Anvisa manteve o veto aos demais aditivos.
 
Toda a política de vetos aos aditivos do cigarro foi suspensa, no entanto, por conta de duas liminares concedidas pela Justiça à indústria do tabaco. Assim, continua permitido, no país, produzir e vender cigarros mentolados e com os aditivos que haviam sido banidos pela Anvisa.
 
Nesta quinta, foram definidos os nomes dos oito integrantes do grupo independente criado pela Anvisa, que serão publicados no "Diário Oficial" da União nos próximos dias, afirmou Dirceu Barbano, diretor-presidente da Anvisa.
 
"Não vamos ficar parados esperando o STF [Supremo Tribunal Federal, a quem cabe analisar uma das liminares que suspende a política]. Vamos fazer a análise dos aditivos autorizados temporariamente, e tomar as decisões que precisam ser tomadas", disse à Folha.
 
Os oito integrantes são pesquisadores ou professores de instituições renomadas, como Inca (Instituto Nacional de Câncer), Fiocruz e universidades federais. Há três estrangeiros entre eles, com atuações no Canadá, Estados Unidos e Holanda. Os integrantes são especialistas em aditivos em alimentos, toxicologia, farmácia, câncer e controle do tabaco.
 
Folhaonline

Iniciativa do Unicef esclarece jovens de Fortaleza sobre doenças sexualmente transmissíveis

Brasília – Com o objetivo de melhorar o acesso de adolescentes e jovens aos serviços de saúde e garantir o diagnóstico precoce de doenças sexualmente transmissíveis (DST), como aids, sífilis e hepatite B, uma unidade móvel percorre diversos bairros de Fortaleza (CE), oferecendo atendimento multiprofissional gratuito.
 
A iniciativa é a primeira etapa do projeto Fique Sabendo Jovem, do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde de Fortaleza. O organismo da ONU pretende firmar parcerias com gestores de outros municípios e levar as ações para várias cidades do país.
 
De acordo com a oficial de programas do Unicef, Tati Andrade, que coordena o projeto em Fortaleza, a proposta é alcançar jovens que, em geral, não procuram os serviços tradicionais por vergonha ou medo de um possível resultado positivo nos exames de doenças sexualmente transmissíveis. Ela esclarece que o aumento no número de casos de contaminação por HIV entre essa parcela da população preocupa autoridades e profissionais ligados à área.
 
"Isso é preocupante porque, com os medicamentos disponíveis atualmente, é possível lidar razoavelmente bem com os efeitos colaterais da doença e de seu tratamento, mas o tratamento precisa ser iniciado precocemente. Pelo relato dos próprios jovens, percebemos que o maior problema nessa questão é o preconceito, notamos que eles viveriam muito melhor se não houvesse isto", disse ela. Tati Andrade acrescentou que o cronograma do projeto vai promover ações voltadas a adolescentes que cumprem medidas socioeducativas e estudantes da rede pública de ensino.
 
Ainda segundo a oficial de programas do Unicef, o ônibus do Fique Sabendo Jovem conta com uma sala de pré-aconselhamento, onde os profissionais orientarão os jovens sobre direitos sexuais e reprodutivos e uma sala onde serão feitos testes para diagnosticar possíveis DST. Caso recebam resultado positivo, eles serão levados a uma terceira sala, de pós-aconselhamento. "Quando isso acontecer, os profissionais vão acompanhar o jovem, orientá-los sobre os próximos passos, sobre onde buscar auxílio médico e medicamentos. Eles também terão a oportunidade de conversar com outros jovens que vivem com HIV e que podem ajudar nesse processo", disse.
 
Leandro Costa, 26 anos, recebeu o diagnóstico positivo para HIV há dois anos e é ativista do projeto em Fortaleza. Após ter participado das duas ações do Fique Sabendo Jovem, ele diz ter comprovado, na prática, a eficácia da comunicação feita de jovem para jovem. "No ônibus tem uma equipe multiprofissional, com enfermeiro, psicólogo, assistente social, mas muitos dos jovens que recebemos preferem falar e tirar suas dúvidas conosco, que somos jovens como eles. Conversamos claramente e de forma objetiva sobre prevenção, importância do uso do preservativo entre outras coisas. Quase não há resistência, porque falamos a mesma linguagem", disse.
 
Dados do Unicef apontam que o número global de mortes de adolescentes em razão da aids subiu quase 50% entre 2005 e 2012, em forte contraste com a queda de 30% registrada no mesmo período, considerando a população mundial. Ainda segundo o Fundo, somente em 2012, cerca de 110 mil pessoas entre 10 e 19 anos com aids morreram em todo o mundo. Em 2005, o número era 71 mil.
 
De acordo com o organismo da ONU, na próxima fase, no ano que vem, o projeto será implementado em cidades do Sul. É também nessa região que o Ministério da Saúde vai testar uma nova estratégia para prevenir a infecção pelo HIV com o uso de remédio, a partir de 2014. Por meio de um projeto piloto, as unidades de saúde do Rio Grande do Sul disponibilizarão antirretrovirais para grupos vulneráveis ao contato com o vírus.
 
A medida foi anunciada em 1º de dezembro, Dia Mundial de Luta contra a Aids. Na mesma data, a pasta também anunciou mudanças no atendimento a pessoas portadoras do HIV. Para reduzir as possibilidades de transmissão e oferecer melhor qualidade de vida ao paciente, a partir de agora, assim que a pessoa for diagnosticada com o vírus, ela receberá o tratamento imediato na rede pública. A estimativa é incluir mais 100 mil pessoas no tratamento, em 2014, com a mudança de protocolo.
 
Agência Brasil

5 dicas para resistir aos exageros de fim de ano e chegar em 2014 sem culpa

É possível saborear os deliciosos pratos de natal sem perder a linha
Para não chegar ao ano novo com quilos a mais e peso na consciência, adote boas atitudes à mesa nesta última semana de 2013, como maneirar no álcool e no açúcar
 
Quem exagera nos encontros e festinhas de dezembro e se joga nas guloseimas de Natal e Réveillon, invariavelmente começa o ano novo com quilinhos a mais e uma boa dose de sentimento de culpa por não ter se controlado. Mas ainda é possível planejar o cardápio e adotar uma nova atitude pensando em sua saúde.
 
“Com tantas festas entre amigos e familiares, é comum exagerar e só parar no começo do ano ou, pior, depois do Carnaval. Iniciar a temporada com hábitos alimentares errados prejudica o fígado e o pâncreas, altera a pressão sanguínea, eleva o nível de colesterol e faz mal ao coração”, alerta Isa Bragança, cardiologista especializada em medicina do esporte e diretora da CardioMex – Clínica Médica Desportiva, do Rio de Janeiro.

E para compensar os prejuízos do “pé na jaca”, assim que terminam as festas muita gente se impõe dietas restritivas. “Isso também é ruim. Não precisa ser assim. Atitudes simples e a substituição de alimentos calóricos por opções mais leves é o melhor caminho”, diz a nutricionista Elaine de Pádua, de São Paulo.

Para começar bem o ano novo, a cardiologista Isa Bragança sugere desde já a redução do consumo de carne vermelha, gorduras, açúcar e álcool. “Quem adotar uma nova postura à mesa a partir de agora, certamente começará 2012 com maior disposição física e mental”.

Confira cinco dicas das especialistas para aproveitar bem às festas e chegar ainda melhor no ano novo:

1. Diminua a ingestão de açúcar alguns dias antes do Natal e adote uma alimentação mais leve
Evite as carnes vermelhas e os pães.
 
2. Não pule refeições como forma de “poupar” calorias para a grande ceia
Não é porque você está se preparando para as festas da última semana do ano que vai deixar de almoçar ou jantar. É importante ingerir pequenas porções várias vezes ao dia.
 
3. Persista em seu planejamento alimentar, inclusive durante as ceias
Preencha metade do prato com saladas, reserve uma parte para uma porção de carne - de preferência branca - e o restante complete com receitas mais encorpadas. A opção mais gordurosa é o pernil de porco – prefira chester ou peru. Para acompanhar, molhos leves. Bacalhau e peixe também são boas pedidas, desde que preparados de maneira simples, com azeite e legumes, e não fritos, com creme de leite ou gratinados. Na hora da sobremesa, escolha apenas um tipo e sirva-se sem exageros. Quanto mais proteína e gordura você consumir, mais difícil será a digestão e maior a sensação de mal estar após a festa.
 
4. Modere o consumo de álcool nas festas
Limite a ingestão a dois drinques, revezando a bebida com sucos e água, o que também evita a desidratação e a sensação de ressaca no dia seguinte. Álcool em excesso, além de fazer mal à saúde, leva você a desistir mais facilmente da dieta.
 
5. Durma bem e faça exercícios
Procure manter sua rotina normal e o mais saudável possível, ainda que seja um mês atípico.
 
iG

'Tropa de elite' da Medicina atende em hospitais públicos

Foto:  Maíra Coelho / Agência O Dia
Márcio Cunha, cirurgião do Hospital da Criança, de Vila Valqueire:
 ‘Nossa equipe é 100% comprometida’
Estado conta com 10 médicos reconhecidos mundialmente dando expediente em sua rede
 
Rio - É por amor à Medicina e pela crença em um serviço de saúde de qualidade que médicos reconhecidos internacionalmente desenvolvem suas carreiras em hospitais públicos do estado. Atualmente, o Rio conta com um grupo de dez profissionais que é considerado a ‘tropa de elite’ da Medicina. E cair nas mãos deles não é difícil, pois estão em várias unidades e em diversas especialidades.       
               
Com experiência profissional no Reino Unido e nos Estados Unidos, o cirurgião ortopédico pediátrico Márcio Cunha bate ponto desde março no Hospital Estadual da Criança, na Vila Valqueire. Nos mais de 30 anos de carreira, garante que nunca se sentiu tão à vontade para trabalhar.
 
Ele diz que a unidade é diferente de qualquer hospital público, pois tem uma filosofia de gestão única. “Não falta material e nem médico. Nossa equipe é 100% comprometida”, afirma o cirurgião, que integra o corpo de profissionais, fruto de parceria público-privada entre o governo do estado e a Rede D’Or.
 
Na unidade não há fila de espera para fazer cirurgias. Somente no período da manhã, as quatro salas do hospital realizam, em média, 20 procedimentos cirúrgicos. “Quando digo que vou operar a criança imediatamente, os pais quase desmaiam porque não acreditam. Eles (os pacientes) não estão acostumados com tratamento digno”, diagnostica o cirurgião.

Reimplante
Após atender ao pedido do secretário estadual de Saúde, Sérgio Côrtes, que recebera há cinco anos no Hospital Adão Pereira Nunes, na Baixada Fluminense, uma menina de 9 anos com o braço amputado em uma máquina de lavar, o cirurgião João Recalde, com formação na França, tomou a iniciativa de criar um projeto na unidade dedicado ao reimplante.
 
Ele explicou que ficou frustrado quando se deu conta da carência de profissionais em reimplante na saúde pública. “Hoje, vejo o quanto é gratificante já ter realizado 400 cirurgias desde 2008 para o público que realmente precisa”, diz ele.
 
Se é gratificante para o paciente passar pelas mãos de médicos tão renomados, o mesmo também é sentido pelos profissionais. O neurocirurgião Paulo Niemeyer que o diga.
 
À frente da direção de Neurocirurgia do Instituto Estadual do Cérebro, ele tem orgulho em operar seus pacientes em um ambiente altamente tecnológico. “Temos um aparelho de ressonância magnética dentro do centro cirúrgico. Isso é inédito”, entusiasma-se Niemeyer, que contará com aparelho de radiocirurgia também inédito no Rio de Janeiro.
 
Ao alcance da população
O neurocirurgião Paulo Niemeyer diz que está satisfeito por ter a possibilidade, no Instituto Estadual do Cérebro, de realizar cirurgias de alta complexidade. Ele afirma que nem consegue mensurar o custo dos procedimentos que são realizados por sua equipe na unidade pública de saúde, inaugurada em agosto deste ano, a um custo de R$ 80 milhões. O instituto fica na Rua do Resende.
 
Segundo Paulo Niemeyer, o preço do tratamento seria muito alto e inviável para pacientes que não contam com um plano de saúde.
 
“Por isso, antes da criação do instituto, muitos pacientes saíam do Rio para fazer o tratamento em São Paulo, onde a rede pública oferece este serviço.”
 
Já um reimplante de dedo feito pelo cirurgião João Ricalde não sai por menos de R$ 40 mil na rede particular, sem contar com os custos de internação. “Ainda não acreditam que existem estes serviços na rede pública”, conta Ricalde.

O Dia

Com aumento de 80% dos casos, idosos lutam contra Aids e rejeição familiar

Remédios são separados por nome na casa. Paciente com caso mais severo chega a tomar mais de 30 comprimidos por dia
Foto: Carolina Garcia / iG São Paulo
Remédios são separados por nome na casa. Paciente com caso mais
 severo chega a tomar mais de 30 comprimidos por dia
Índice de contaminação saltou de 4,8 (2001) para 8,7, em 2012, segundo Ministério da Saúde. Dramas de pacientes revelam que desinformação é responsável por aumento
 
Com tonturas, perda de apetite e quadro de depressão, Maria* foi levada pela filha ao pronto-socorro da cidade de Varginha (MG). Horas depois, viria o diagnóstico que mudaria sua relação com os filhos e família. Ela, então com 50 anos, estava com Aids.
 
“Foi o fruto do meu segundo casamento de dez anos”, diz. Hoje, aos 63 e com sequelas motoras pelo diagnóstico tardio, Maria ainda enfrenta a negação de dois filhos.
 
A presença do HIV na terceira idade cresceu mais de 80% nos últimos 12 anos, segundo o Ministério de Saúde. Com tímidas ações de combate à doença nessa população, o Brasil corre risco de ter cada vez mais idosos doentes.
 
Para o infectologista Jean Gorinchteyn, médico do Ambulatório de Aids do Idoso do Instituto de Infectologia Emílio Ribas e autor do livro “Sexo e Aids depois dos 50”, ignorar a sexualidade dos idosos chegou a atrapalhar a sociedade médica em diagnósticos. "Não é só um preconceito da população. Quando os casos começaram a aparecer, em 1996, a sexualidade dessa população não era nem considerada". Doenças do próprio envelhecimento acabavam escondendo o HIV. A avaliação de pneumonias entre idosos e jovens pode ser usada como um exemplo, explica o profissional. Nos mais experientes, a doença seria justificada pela saúde frágil e mudança climática. Já nos mais novos, o quadro causa estranheza e é investigado.
 
Maria não está sozinha. Para ela e outras nove pacientes da Casa Guadalupe, especializada em atendimento a idosas soropositivas, em São Paulo, o uso do preservativo em relações sexuais sempre foi considerado dispensável e nada atraente. Na presença da reportagem elas conversam sobre o assunto. “Você chupa bala com papel, jovem?”, questiona Joana*, de 49. E Maria completa: “Aquilo é nojento demais”. Apesar da Aids ser prontamente relacionada a profissionais do sexo e homossexuais, apenas duas da casa eram prostitutas, mas todas desconheciam a principal função do preservativo.
 
Assista ao vídeo com imagens da Casa Guadalupe:
 


“A doença não é mais exclusiva aos profissionais do sexo, homossexuais e viciados. Aqui tratamos donas de casa que por falta de informação acabaram se contaminando”, explica a enfermeira-chefe Thalita Silveira, de 25 anos. Ela explica que todas as pacientes enfrentam período de descrença já que não é uma doença da geração delas. “Acreditam que são imunes”, diz. A paciente mais velha da casa é Sônia*, de 77 anos, que contraiu a doença em 1999. Com os cabelos cuidadosamente penteados e exibindo as unhas pintadas, a idosa culpa seu vizinho, “um homem casado e com filhos”, pela doença.
 
Preconceitos e revolta
Descobrir ser portador de um vírus incurável é devastador. Entre pessoas acima de 60 anos, ainda pode provocar a ruptura de laços familiares. O infectologista Gorinchteyn explica que é comum a não aceitação dos filhos pela carga de promiscuidade que a Aids carrega. “Muitos contraíram em uma aventura fora do casamento ou durante relações bissexuais. Não é fácil imaginar que o vovô traiu a vovó”. O nível de revolta aumenta entre famílias tradicionais.
 
O caso mais marcante, segundo o médico, foi o tratamento de uma senhora de 78 anos, no Sumaré, bairro da capital paulista. “Um dia ela apresentou um quadro de anemia muito grave e descobriu-se o HIV”. Meses antes, a família havia contratado um jovem taxista para ajudá-la em idas ao supermercado e casas de amigas. “Ele virou o acompanhante da senhora e os filhos não aceitavam a postura da mãe. Acabou destruindo toda a família”, explica.
 
A enfermeira Thalita conta ainda que é comum os familiares rejeitarem o paciente após diagnóstico e até evitam contato físico, como um abraço ou um beijo, por medo de contágio. “Uma vez descobrimos que uma senhora era mantida em um porão da casa para não estar no mesmo convívio da família”.
 
Números
De acordo com o último Boletim Epidemiológico Aids e DST (2013), a taxa de detecção entre o público com mais de 60 anos por 100 mil habitantes cresceu mais de 80% nos últimos 12 anos no País. O índice de 4,8 (2001) saltou para 8,7, em 2012. Para especialistas, esse aumento é resultado de uma fraca atuação de conscientização e combate entre os idosos.
 
“As campanhas durante o período de Carnaval ou fim de ano usam linguajar e personagem jovens.
 
Essas escolhas levam o idoso a não se sentir em risco”, garante Gorinchteyn. Procurado pelo iG, o Ministério da Saúde informou que a última ação voltada para a população idosa foi divulgada no Carnaval de 2009, com o “Bloco da Mulher Madura”, como continuidade à campanha de 2008.
 
*nomes foram alterados para preservar a identidades das pacientes

iG