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domingo, 17 de agosto de 2014

Café impede que alguns medicamentos funcionem

Muita gente toma café todo dia – praticamente não consegue viver sem. Mas a maioria das pessoas raramente considera os efeitos colaterais da bebida, além de inquietação ou dificuldade em adormecer à noite

Só que o café pode ter outras consequências em pessoas que tomam determinados medicamentos, seja bloqueando seus efeitos ou afetando a absorção de cafeína.

Em muitos casos, as interações são causadas pela cafeína, mas outros compostos no café também podem desempenhar um papel. 

Estudos mostram que mais de uma dezena de medicamentos – desde antidepressivos até drogas para tireoide e osteoporose – podem ser afetadas pelo consumo de café.

Um estudo realizado em 2008, por exemplo, descobriu que pessoas que bebiam café pouco antes ou depois de tomar levotiroxina, um medicamento comum pra tireoide, tiveram uma redução de até 55% na absorção da droga. 

Outros estudos descobriram que o café pode reduzir a absorção do alendronato (droga da osteoporose) em até 60%, e pode diminuir os níveis circulantes de estrogênio e outros hormônios em mulheres.

Alguns medicamentos podem aumentar os efeitos do café e de outras bebidas com cafeína. Um número destes medicamentos, incluindo alguns antidepressivos, antibióticos e anticoncepcionais, bloqueia uma enzima conhecida como CYP1A2, que ajuda a metabolizar a cafeína. Como resultado, a cafeína pode persistir no organismo por várias horas mais que o normal. 

Um estudo mostrou, por exemplo, que mulheres que tomam pílulas anticoncepcionais ficam com cafeína em seus sistemas quatro horas a mais do que as mulheres que não tomam a pílula. Ou seja, café não é água, não.[NewYorkTimes]

Hypescience

Crianças e adolescentes podem consumir energéticos?

Muitos energéticos têm sabor e aspecto de refrigerante, mas os níveis de cafeína são muito mais altos

A cafeína é um estimulante que, em excesso, pode levar a convulsões, batimentos cardíacos irregulares e, em casos extremos, a morte. Um relatório feito nos Estados Unidos pela associação Drug Abuse Warning Network mostrou que, em 2011, 20.783 pessoas foram parar no hospital por causa de bebidas estimulantes.

Embora fabricantes dos energéticos afirmem que os produtos são seguros, muitos especialistas estão alertando os pais sobre os riscos do consumo por crianças e adolescentes. Nos Estados Unidos, refrigerantes não podem ter mais de 71 miligramas de cafeína a cada 354 ml da bebida. A Coca-Cola normal, por exemplo, tem 30 a 35 miligramas da substância nessa porção, enquanto um café do McDonalds com 473 ml tem 100 miligramas de cafeína.

Se bebidas forem vendidas como suplementos alimentares dietéticos, alguns órgãos de saúde não controlam a quantidade de cafeína. Para exemplificar a situação, o energético Monster’s Worx Energy tem 200 mg de cafeína em apenas 59 ml da bebida, e o Rockstar Energy tem 214 mg em 473 ml.

Até o momento, não existem pesquisas que mostrem se os energéticos produzem efeitos colaterais no sistema neurológico e cardiovascular em desenvolvimento. Mas já é comprovado que as bebidas podem elevar a frequência cardíaca e a pressão arterial, causar distúrbios de ansiedade e gastrointestinais e insônia. [MedicalXpress]

Hypescience

Crianças não vacinadas podem piorar, e muito, o grau de uma epidemia de sarampo

A vacinação é importante para evitar a transmissão que pode se transformar em epidemia
Você subestima o poder das vacinas? Acha que ninguém precisa disso e tudo faz parte de uma grande conspiração do governo contra a população mundial? Bom, você está enganado!

Dizem que contra fatos, não há argumentos. Então, aqui vai um fato surpreendente que pode ajudar você a mudar de ideia: quase quatro milhões de crianças com menos de cinco anos morrem de doenças que poderiam ter sido evitadas com uma simples vacina.

A boa notícia é que dois estudantes da Universidade de Michigan (UM), nos Estados Unidos, estão trabalhando para mudar isso.

Ao levar em conta as variações sazonais nas taxas de natalidade, as campanhas de vacinação em massa de países em desenvolvimento poderiam vacinar mais crianças e reduzir significativamente o número de mortes por doenças como o sarampo. É o que dizem Micaela Martinez-Bakker e Kevin Bakker, do Departamento de Ecologia e Biologia Evolutiva da UM.

Segundo Martinez-Bakker, cujo trabalho é financiado pela Fundação Nacional de Ciência dos Estados Unidos, se você tem um monte de gravetos, pode fazer uma fogueira maior, e esse é essencialmente o papel que crianças vulneráveis têm durante surtos de sarampo. Ou seja: se os recém-nascidos invadirem a população antes de um surto dessa doença, eles podem acabar adicionando mais combustível à equação e tornar a epidemia muito maior do que poderia ser.

“Há momentos previsíveis do ano quando nós sabemos que vai haver mais crianças nascendo, e esperamos que no futuro esta informação seja usada para ajudar a controlar epidemias”, disse ela.

A pesquisa
O trabalho realizado pela equipe estuda justamente como a sazonalidade do nascimento – a variação no tempo e frequência de partos ao longo do ano – podem moldar surtos de doenças infecciosas na infância.

Essa hipótese tem fundamento em um conhecimento que os ecologistas têm já há muito tempo. Os cientistas que estudam a proliferação de doenças entre os animais selvagens sabem há anos que os momentos em que ocorrem picos de nascimentos em uma determinada espécie ajudam, e muito, a potencializar epidemias de várias enfermidades. Os pesquisados da UM queriam saber se o mesmo era válido para os seres humanos.

Para desenvolver o estudo e chegarem às respostas que queriam, o casal de pesquisadores digitalizou 78 anos de registros de nascimentos mensais de cada estado dos Estados Unidos, e obtiveram mais de 200 conjuntos de dados de países de todo o Hemisfério Norte. Então, eles cruzaram essas informações com um modelo de transmissão de doença do sarampo para examinar as implicações da sazonalidade do nascimento sobre as infecções na infância. Assim, descobriram que o momento e a magnitude dos picos de nascimento sazonais podem alterar significativamente o tamanho e a gravidade de uma epidemia de sarampo.

O sarampo é uma doença da infância que muitas vezes se espalha nas escolas, onde as crianças têm muito contato umas com as outras. Mas o que os cientistas mostram é que mesmo anos antes de iniciarem a vida escolar, as crianças não vacinadas desempenham um papel importante na transmissão da doença e podem de fato agravar uma epidemia. 
 
A intenção deles, agora, é que essa conclusão sirva para que funcionários da saúde pública e governos de uma maneira geral otimizem suas campanhas de vacinação em massa para que elas sejam mais intensas nos períodos que ocorrem mais nascimentos. Os esforços também poderiam ser direcionados para a vacinação de bebês recém-nascidos, para que quando eles tenham mais contato com a sociedade estejam devidamente protegidos contra algumas doenças infecto-contagiosas.

Mas essa sazonalidade existe mesmo?
Os demógrafos sabem desde o início dos anos 1800 que o número de nascimentos humanos varia de época para época. Nos Estados Unidos, por exemplo, os primeiros estudos de estatísticas estabeleceram um padrão sazonal de nível nacional de nascimentos que previa baixas na primavera e picos no outono. Ao longo das décadas, vários fatores têm sido usados para explicar essas variações, como padrões de renda, cultura, raça, feriados, chuva, invernos mais frios e até mesmo a qualidade sazonalmente variável do esperma, mas nenhum fator foi cientificamente identificado para justificar tais oscilações. [medicalxpress, Science20]

Hypescience

Estudo recomenda doses mais altas de vacina antigripal para idosos

A alta dose contém quatro vezes a quantidade do antígeno como a dose padrão

Washington - As pessoas idosas são mais propensas a se beneficiar de uma dose maior da vacina antigripal para evitar a gripe sazonal, o que pode ser particularmente perigosa para aquelas com mais de 65 anos, revelaram cientistas nesta quarta-feira. 

As descobertas, publicadas no New England Journal of Medicine, são do primeiro teste aleatório e controlado feito para comparar doses elevadas e padrão da vacina antigripal em pessoas idosas. 

"Até este estudo ser feito, não sabíamos se seria clinicamente melhor ou não e agora sabemos que é", disse o principal autor da pesquisa, Keipp Talbot, professor assistente de Medicina da Universidade Vanderbilt.

O estudo foi financiado pelo laboratório farmacêutico Sanofi Pasteur e comparou a vacina contra influenza inativada de alta dose Fluzone e a vacina de dose padrão Fluzone. A alta dose contém quatro vezes a quantidade do antígeno como a dose padrão. 

A vacina antigripal de alta dose era 24% mais eficaz do que a vacina com dose padrão ao proteger as pessoas com mais de 65 anos contra a gripe e suas complicações, que pode incluir insuficiência cardíaca e pneumonia. Também foi constatado que o imunizante é seguro e induzia "respostas significativamente maiores dos anticorpos" do que a dose padrão. Entre os efeitos colaterais estão dor no braço após aplicada a injeção.

O estudo foi feito com quase 32 mil pessoas em 126 centros de pesquisa em Estados Unidos e Canadá. A gripe causa dezenas de milhares de mortes ao ano e mais de 200 mil hospitalizações, segundo uma informação de background do artigo. 

"Estes novos dados são importantes porque demonstram que a resposta melhorada dos anticorpos que fica evidente nas amostras de sangue de fato se traduzem em um resultado clínico melhor, a prevenção da infecção pelo vírus influenza em receptores da vacina de alta dose", disse Nicole Bouvier, professora assistente de medicina, doenças infecciosas e microbiologia da Escola de Medicina Icahn do Hospital Monte Sinai, em Nova York. Ela não participou da pesquisa.

Ambreen Khalil, especialista em doenças infecciosas da Universidade do Hospital de Staten Island, em Nova York, também descreveu o estudo como "muito bem feito". 

"No entanto, é importante ter em mente que estes resultados se baseiam em dados entre 2011 e 2013, enquanto a atividade de influenza é variável a cada ano", afirmou. 

Correio Braziliense

Vídeo com câmera especial mostra o efeito do filtro solar na pele humana

O mais impressionante nas imagens é ver o efeito que a falta de uso do produto pode causar no rosto de uma pessoa

Todo mundo já está cansado de saber da importância de usar o filtro solar e as consequências da falta de proteção na pele. Mas um cinegrafista americano resolveu mostrar, em tempo real, a diferença que o produto é capaz de fazer no rosto.

No vídeo, Tom Leveritt mostra diversas pessoas a partir de imagens ultravioleta. O resultado é chocante. Rugas, sardas e outras manchas que ainda não são visíveis a olho nu agora estão estampas nos rostos dos participantes. Algumas pessoas, que têm a pele melhor, não sentem tanta diferença. Crianças e nenéns, que ainda não sofreram com o tempo e os efeitos no sol, também apresentam uma pele limpa.

O mais impressionante do vídeo, no entanto, é ver o efeito do filtro solar no nosso rosto: ele se torna, literalmente, uma camada de proteção contra o sol. Ao passar o filtro solar, todos os "defeitos" de nossa pele se escondem.

Depois de assistir ao vídeo, fica realmente difícil não pensar em usar filtro solar todos os dias:

 
Correio Braziliense

No espaço, mais da metade dos astronautas toma remédio para dormir

Credit: Nasa - Canadian Space Agency Astronaut Robert Thirsk
A prática, também comum na Terra, pode comprometer a capacidade de aprendizagem e se tornar um vício 

Após aterrissar na Lua em 1969, Neil Armstrong disse não ter conseguido dormir em nenhum momento da noite. Buzz Aldrin, um outro viajante do espaço, contou que 120 minutos foram o máximo de descanso que teve durante as 21 horas em território lunar. 

O caso dos veteranos não é isolado, afirma um estudo publicado recentemente na revista The Lancet Neurology. A privação do sono continua sendo uma das queixas mais comuns dos cosmonautas. E também de quem está na Terra. Apenas nos países em desenvolvimento, 150 milhões de adultos passam noites em claro. 

Seja aqui ou no espaço, a solução do problema costuma ser a mesma: os remédios para dormir.

A Nasa determina que os astronautas tenham pelo menos oito horas e meia de sono. Entretanto, a pesquisa liderada por Laura Barger, do Brigham and Women's Hospital (EUA), revelou que não é isso que acontece. O estudo investigou 101 astronautas que somaram mais de 4 mil noites de sono na Terra e 4,2 mil no espaço. 

De acordo com os resultados, membros da tripulação em voo espacial — que fazem viagens intermitentes — dormem em média 5,9 horas. 

Os que passam temporadas na Estação Espacial Internacional (ISS), seis horas. Apenas 12% dos episódios de sono nas missões intermitentes e 24% na ISS duraram sete horas ou mais. Em casa, por outro lado, o primeiro e o segundo grupos registraram, respectivamente, 42% e 50% de noites com no mínimo sete horas de descanso.

Barger também constatou o uso generalizado de medicamentos para dormir, em especial os produzidos a partir das substâncias zolpidem e zaleplon. 

Três a cada quatro membros da tripulação da ISS e 78% dos astronautas em missão intermitente, em algum momento, lançaram mão desse recurso. De forma geral, as substâncias hipnóticas foram usadas em mais de metade (52%) das noites em missões espaciais. 

O uso rotineiro desses medicamentos é particularmente preocupante porque a FDA — uma espécie de Anvisa norte-americana — adverte que ingestão dessas pílulas impede o envolvimento em ocupações perigosas.

Correio Braziliense

É possível morrer de coração partido?

Estudo mostra que morte de pessoas queridas aumenta chances de problema cardíaco
Existem referências sobre a "síndrome do coração partido", conhecida formalmente como cardiomiopatia do estresse ou cardiomiopatia Takotsubo 

Quando Margaret Williams morreu, no País de Gales, no mês passado, seu marido Edmund escreveu um poema para o velório. Eles estavam casados há 60 anos e, aos 80, ainda caminhavam no jardim de mãos dadas.

Uma semana após a morte de Margaret, Edmund morreu. O funeral dela virou de ambos e os caixões ficaram lado a lado. O poema que ele havia escrito para ela foi lido para os dois.

Em abril, Helen Felumlee morreu em Ohio, nos EUA, e seu marido Kenneth a seguiu 15 horas depois. Ambos estavam na casa dos 90 anos.

A família disse que o casal tinha dividido a cama por 70 anos - quando foram colocados em beliches em uma viagem, se aconchegaram na cama de solteiro de baixo. "Nós sabíamos que quando um fosse, o outro também iria", disse a filha do casal ao jornal local.

Mas é possível morrer em decorrência de coração partido?

Uma pesquisa publicada no início deste ano no periódico JAMA Internal Medicine indicou que, embora aconteça raramente, o número de idosos que sofreram ataque cardíaco ou acidente vascular cerebral (AVC) no mês seguinte ao da morte de um ente querido foi o dobro em relação a um grupo de controle com idosos que não estavam de luto.

No grupo de luto, 50 pessoas entre 30.447 (0,16%) tiveram problemas de saúde, em comparação com 67 (0,08%) entre 83.588 no grupo de controle.
"Muitas vezes usamos o termo 'coração partido' para falar sobre a dor de perder alguém que amamos, e nosso estudo mostra que o luto pode ter um efeito direto sobre a saúde do coração", disse à BBC um dos autores, Sunil Shah, da Universidade de Londres.

Síndrome do coração partido
Existem referências sobre a "síndrome do coração partido", conhecida formalmente como cardiomiopatia do estresse ou cardiomiopatia Takotsubo.

De acordo com a Fundação Britânica para o Coração, trata-se de uma "condição temporária, na qual o músculo cardíaco de repente se enfraquece ou entra em choque. O ventrículo esquerdo, uma das câmaras do coração, muda de forma."

O evento pode ser causada por um choque. "Cerca de três quartos das pessoas com diagnóstico de cardiomiopatia de Takotsubo sofreram estresse físico ou emocional significativo antes de ficarem doentes", diz a Fundação.

Essa tensão pode ser luto ou um choque de outro tipo, como sustos em peças pregadas por colegas, ou medo de falar em público. A hipótese é que a súbita liberação de hormônios - em particular, a adrenalina - cause o choque do músculo cardíaco.

É diferente de um infarte, quando o coração para porque o fornecimento de sangue é interrompido, muitas vezes por artérias obstruídas.

Já a maioria dos pacientes que sofre de cardiomiopatia "têm artérias coronárias bastante normais e não têm bloqueios severos nem coágulos", diz o site da universidade americana Johns Hopkins.

Muitas pessoas simplesmente se recuperam; o estresse vai embora e o coração volta à sua forma normal. Mas em alguns casos, como em idosos ou naquelas que têm uma doença cardíaca, a mudança na forma do coração pode provocar ataque cardíaco.

Perda
"Usamos o termo 'coração partido' para falar sobre a dor de perder um alguém, e nosso estudo mostra que o luto pode ter um efeito direto sobre a saúde do coração"

Sunil Shah, Universidade de Londres
Há evidências de que a morte após a hospitalização de uma pessoa eleva o risco de morte do parceiro, de acordo com um estudo publicado em 2006 no New England Journal of Medicine.

Outra pesquisa, publicada em 2011, sugere que, após a morte do companheiro, as chances de o sobrevivente morrer durante os seis meses seguintes aumentam.

Os pesquisadores destacaram que um casamento em que os parceiros se apoiem age como um "tampão", afastando o estresse. 

Os parceiros também monitoram uns aos outros e incentivam comportamentos saudáveis, lembrando-se mutuamente de tomar remédios, por exemplo, e cuidando para que o outro não beba demais.

A "síndrome do coração partido" tem efeitos contrastantes. Há, naturalmente, a tristeza de uma família que perde, de uma vez só, duas pessoas amadas. Mas há também, muitas vezes, o alívio de saber que um casal profundamente apaixonado deixou a vida junto.

O poema de Edmund Williams, o octogenário do País de Gales, para sua mulher Margaret falava sobre "dois amantes entrelaçados" e uma viagem "até o fim do fim do tempo".

Se existe uma condição benevolente de coração, certamente cardiomiopatia de Takotsubo é um dos diagnósticos. Mas "morrer de coração partido" resume melhor a situação.

BBC Brasil / iG

Consulta pública sobre rótulos de alimentos alergênicos termina na segunda

Getty Images: Ler o rótulo ajuda a evitar o consumo excessivo de sódio e gorduras
Em todo o Brasil, 8% das crianças têm alergia alimentar, segundo estimativa da Associação Brasileira de Alergia 

A consulta pública sobre a norma de rotulagem de alimentos que têm substâncias alergênicas termina na próxima segunda-feira (18). Proposta pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a consulta teve início no dia 16 de junho e trata das informações que devem estar disponíveis nos rótulos sobre alimentos, ingredientes, aditivos alimentares, coadjuvantes de tecnologia e matérias-primas embalados na ausência dos consumidores. Sugestões podem ser enviadas por meio de formulário específico no portal da Anvisa.

A proposta de norma lista os principais alimentos alergênicos, como cereais com glúten, crustáceos, ovo, peixe, amendoim, leite, soja e castanhas, e estabelece regras para as embalagens de alimentos que contenham essas substâncias, tais como posição do alerta no rótulo, tamanho da letra e inclusive cor do fundo. O objetivo da Anvisa é que a existência dessas substâncias nos alimentos seja informada de forma clara, evitando, assim, possíveis acidentes.

Após a decisão final da agência, as indústrias terão até 12 meses para se adaptar às regras. De acordo com a proposta, elas trarão nos rótulos declarações como “Alérgicos: Contém (nomes das fontes)” ou “Alérgicos: Contém derivados de (nomes das fontes)”, conforme o caso. A presença ou ausência de glúten também deverá ser indicada.

As medidas são apoiadas pela campanha “Põe no rótulo”, criada por mães e pais de crianças que têm alergias. Nessa sexta-feira (15), a campanha divulgou, que mais de 3 mil contribuições já foram enviadas à Anvisa, por meio da consulta. A expectativa dos integrantes é que mais contribuições sejam enviadas nesses últimos dias.

Em todo o Brasil, 8% das crianças têm alergia alimentar, segundo estimativa da Associação Brasileira de Alergia e Imunopatologia. Dependendo do grau de sensibilidade, o alérgico pode ter choque anafilático, fechamento da glote, além de outras reações graves que podem levar à morte.

Agência Brasil

Médico ensina como ter sono reparador

Alterações do sono, dificuldade para adormecer ou continuar dormindo, dormir em horários impróprios, ficar horas a mais na cama. Esses são alguns dos sintomas comumente relacionados a distúrbios do sono, cada vez mais frequentes na população mundial

Alterações de humor, de memória e de capacidades cognitivas, como aprendizado, raciocínio e pensamento, também são manifestações de que algo está errado. E tudo isso pode indicar a presença de um problema crônico.

Segundo especialistas, a boa qualidade do sono é tão importante para a saúde quanto a alimentação, e dormir menos que o necessário acarreta prejuízos físicos e mentais.

O efeito cumulativo desses distúrbios faz dos indivíduos candidatos a desenvolverem doenças como hipertensão e diabetes.

Nesta entrevista, o médico pneumologista e especialista em sono Aurélio Almeida, mestre pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), fala do problema e suas consequências.

É verdadeiro afirmar que, cada vez mais, as pessoas apresentam dificuldades para dormir?
Aurélio Almeida – No início do século 19, dormia-se em média dez horas por dia. O legado da revolução industrial e o avanço tecnológico proporcionaram mudanças no estilo de vida, como a diminuição do período reservado ao descanso (em grandes cidades, a média é de seis horas por dia) e o aumento do tempo de trabalho e entretenimento.

O que vemos hoje é reflexo do estilo de vida e dos hábitos de saúde, com aumento gradativo das pessoas com problemas associados ao sono.

Há pesquisas sobre a porcentagem da população afetada por esse mal?
Sim. Um dos mais importantes estudos mundiais foi feito na cidade de São Paulo, pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), com mil pessoas de diversas idades, etnias e níveis socioculturais.

Entre os entrevistados foi observada queixa de insônia em 15%, mas outros países apontam até 20% da população.

Outro dado surpreendente é que mais de um terço dos brasileiros sofre de apneia do sono e estima-se que quase metade da população tenha algum distúrbio relacionado.

E o que provoca esse cenário?
Obesidade, estresse, sedentarismo e maus hábitos alimentares levam a apneia do sono e insônia.

Outro motivo é a má higiene do sono, com uso abusivo de bebidas cafeinadas, tabaco, falta de rotina nos horários para deitar e levantar.

Em geral, as pessoas dormem pouco e, para compensar a sonolência e a falta de produtividade, abusam de substâncias estimulantes.

Instala-se, então, um ciclo vicioso, pois essas substâncias permanecem no sangue por um longo período – o café, por exemplo, leva de oito a 12 horas para ser eliminado do organismo.

Existem diferenças entre os sexos no que diz respeito ao sono? E em relação às idades?
Homens sofrem mais de apneia do sono e têm na obesidade e no envelhecimento os principais fatores de risco.

Nas mulheres, a insônia é mais prevalente, graças à influência de fatores psicossociais relacionados ao estresse e à ansiedade.

Quanto à idade, apesar de também acometer os jovens, os problemas são mais observados na terceira idade. A partir dos 40 anos nos homens e após a menopausa nas mulheres há maior incidência.

A situação tende a piorar com o tempo? Os idosos dormem menos?
Isso não é regra. Idosos saudáveis e que se mantêm ativos costumam manter um padrão de sono semelhante ao dos jovens.

Com a idade, medicações e problemas de saúde podem comprometer o sono, fragmentando-o e deixando-o superficial.

Para compensar a falta de descanso noturno, o idoso acaba cochilando durante o dia, o que altera o ciclo sono-vigília. Sequelas de acidentes vasculares cerebrais, Mal de Alzheimer e outras demências também comprometem a qualidade do sono.

Existe um número ideal de horas de sono?
Isso é mito. Porém, na população em geral, observamos a necessidade de sete a oito horas para um sono reparador.

Em menor frequência, encontramos os dormidores curtos, que se sentem revigorados com cinco ou seis horas de sono, sem necessitar de cochilos nem de estimulantes. Existem ainda os dormidores longos, que precisam de nove a dez horas para descansar.

Quando falamos em problemas de sono, lembramos de insônia, mas há outros relacionados...
Existem 88 doenças catalogadas na Academia Americana do Sono. A mais prevalente é a apneia obstrutiva do sono, seguida por insônia e privação crônica de sono.

Há pessoas com síndrome das pernas inquietas, cuja principal queixa são os chutes levados pelos cônjuges. Terror noturno, sonambulismo, sonolência excessiva diurna e bruxismo também ocorrem.

E quando se deve buscar ajuda?
Quando existe dificuldade para iniciar o sono, permanecer dormindo ou falta aquela sensação de descanso completo ao final da noite. É importante dar ouvidos aos parceiros na cama.

Queixas de ronco ou engasgos, sono agitado e despertares noturnos frequentes relatados por eles são alertas para procurar o especialista. Obesos, diabéticos, hipertensos, pessoas com colesterol alto, com doenças do coração ou que tiveram derrame devem ser investigados. A polissonografia é um dos exames complementares à consulta.

É realizado durante o período do sono em uma clínica, com monitoramento do paciente durante seis a oito horas. Por meio dele, o médico avalia fases do sono, movimentos corporais, respiração, batimentos cardíacos e nível de oxigênio no sangue.

Como os tratamentos são feitos?
Podem incluir desde mudanças no estilo de vida (perda de peso e atividade física) até correções cirúrgicas no nariz e na garganta.

Como há diversas doenças associadas ao sono e a gravidade delas varia, o tratamento tem de ser individualizado. Na apneia do sono, por exemplo, dependendo do grau, usa-se uma máscara nasal ligada a um aparelho que impede o ronco e as interrupções na respiração.

Há casos em que o paciente fica totalmente curado, mas em outros a utilização de medicamentos e aparelhos deve ser contínua.

As mudanças feitas para o tratamento devem ser levadas para a vida toda?
O sono é um evento natural. Medicamentos para induzi-lo ou mantê-lo podem causar dependência e, em sua maioria, promovem um sono artificial não restaurador. Os remédios ainda podem agravar algum problema já existente, por isso o objetivo é não depender deles.

Tratamentos alternativos, como meditação, fitoterápicos e rituais relaxantes antes de deitar, além de atividade física diária, melhoram a qualidade do descanso. O ambiente deve ser tranquilo, silencioso e escuro.

A melatonina, o hormônio do sono, necessita de penumbra para ser secretada na corrente sanguínea.

O corpo precisa estar relaxado e a mente, tranquila. Ingerir alimentos pesados à noite e receber estímulos visuais (televisão, tablets e smartphones) minutos antes de dormir comprometem a qualidade do sono.

A falta de sono pode levar a outros problemas de saúde?
A privação crônica de sono pode acarretar inúmeras doenças, pois é durante o sono que nosso sistema imunológico é ativado – vários hormônios e substâncias antioxidantes são produzidos no período. É dormindo bem que evitamos desde resfriado até câncer.

Sem sono adequado, hormônios de fome e saciedade ficam alterados, contribuindo para o ganho de peso. Outros, como cortisol e adrenalina, são produzidos em maior escala, levando a retenção de líquidos, diabetes, aumento da pressão arterial e arritmias cardíacas.

iG

Hospital isola 15 pacientes com superbactéria KPC

Foto: Cedoc/ RAC: Hospital Estadual de Sumaré  teve casos de infecção
O Hospital Estadual de Sumaré, administrado pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), está com duas salas da enfermaria do sétimo andar isoladas após a identificação de 15 pacientes infectados com a bactéria super-resistente klebsiella pneumonia carbapenemase (KPC)

Eles estão sendo tratados nesta ala. Dois foram curados da infecção com antibióticos específicos e cinco ainda seguem em tratamento. Oito, em observação, estão com a bactéria incubada, mas não manifestada, a chamada colonização. De acordo com os médicos que integram a comissão de controle de infecção hospitalar (CCIH) do Núcleo de Saúde Pública do hospital, desde o final de junho foram detectados 48 casos de colonização da bactéria, sendo 12 casos de colonização com infecção, sem óbitos. Todas as infecções foram tratadas e os pacientes curados.

A KPC pode causar pneumonia, infecções sanguíneas, no trato urinário, em feridas cirúrgicas e enfermidades que podem evoluir para um quadro de infecção generalizada, muitas vezes, mortal. Os sintomas são os mesmos de qualquer outra infecção: febre, prostração, dores no corpo e tosse nos casos de pneumonia. Segundo os médicos do CCIH, as pessoas que adquiriram a KPC eram pacientes de “média e alta complexidade em decorrência de doenças prévias”. O hospital informou a Vigilância em Saúde para o acompanhamento das medidas realizadas e todos pacientes foram tratados com os antibióticos polimixina e a amicacina, por um período médio de 10 dias.

Em janeiro foram registrados os primeiros casos de infecção pela bactéria super-resistente no hospital estadual. “Imediatamente após a identificação a comissão implementou medidas de controle com a equipe de enfermagem, médicos, fisioterapeutas, nutrição entre outros, para o atendimento dos pacientes infectados, incluindo a internação em quartos privativos com precauções de contato para prevenção da transmissão cruzada”, informou o hospital, em nota divulgada pela assessoria de imprensa.

O Hospital de Clínicas (HC) da Unicamp registrou o primeiro caso da bactéria super-resistente em dezembro de 2012. Até março de 2013 haviam sido registrados 11 casos de contaminação em pacientes em duas unidades de terapia intensiva (UTI).

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informou que não há uma notificação de muitos casos de KPC no País e que as ocorrências de surto devem ser avaliadas conforme a média de casos de infecção de cada unidade hospitalar.

iG

Exercícios em demasia aumentam riscos cardíacos

Pesquisadores estudaram a relação entre exercício e morte por doenças
cardiovasculares em 2400 sobreviventes de ataques cardíacos
Estima-se que uma a cada vinte pessoas se exercite mais do que deveria; estudo foi feito com sobreviventes de ataque cardíacos 

A Organização Mundial da Saúde condena o sedentarismo e recomenda a prática de cerca de 150 minutos por semana de exercício de intensidade moderada (duas horas e meia) ou cerca de 75 minutos de exercício vigoroso. Mas sobreviventes de ataques cardíacos devem ficar atentos para não exagerar na conta.

De acordo com o estudo publicado no periódico científico Mayo Clinic Proceedings, há um risco elevado para sobreviventes de ataques cardíacos que corram mais de 48 quilômetros por semana ou andem mais de 74 quilômetros por semana. 

"O estudo fornece os primeiros dados em humanos da existência de um aumento no risco cardiovascular em virtude da prática muito elevada de exercício”, disse o autor da pesquisa, Paul T. Williams, do Laboratório Nacional Lawrence Berkeley, nos Estados Unidos.

A equipe de pesquisadores estudou a relação entre exercício e morte por doenças cardiovasculares em 2.400 sobreviventes de ataques cardíacos e que praticam atividade física regularmente. Foi observado que o risco de morrer por doença cardiovascular diminuiu progressivamente para aqueles que corriam até 48 km ou caminhavam até 74 quilômetros por semana.

Os que alcançaram este nível de atividade física apresentaram 70% menos risco do que os sedentários. No entanto, aqueles que se excederam e correm mais de 48 km por semana, ou andaram mais de 74 quilômetros, apresentaram um risco 2,6 vezes maior de morte cardiovascular.

"Os resultados foram surpreendentes. Como outros tratamentos médicos, parece haver um nível que pode ser excessivo", disse o autor do estudo Williams. O pesquisador salienta que as descobertas do estudo são específicas para sobreviventes de ataque cardíaco.

De acordo com James H. O'Keefe, do Mid America Heart Institute e que escreve o editorial na mesma edição do periódico científico Mayo Clinic Proceedings, se os dados do estudo de Willians forem estrapolados para a população em geral, aproximadamente uma em cada vinte pessoas exageram nos exercícios. Por outro lado, vale lembrar que aproximadamente metade da população é sedentária: não faz o mínimo recomendado de atividade física.

"Para pacientes com doenças cardíacas, quase todos devem se exercitar e geralmente a maioria deve fazer isso de 30 a 40 minutos por dia. Do ponto de vista da saúde, não há nenhuma razão para se exercitar mais que isso e especialmente não mais de 60 minutos", diz Carl Lavie, cardiologista e também autor do editorial. 

"Como disse Hipócrates há mais de 2 mil anos, 'se 'pudéssemos dar para cada indivíduo a quantidade certa de nutrição e exercício, nem muito, nem pouco, encontraríamos o caminho mais seguro para a saúde’. Eu e meus colegas autores acreditamos que esta continua sendo uma orientação sábia”, completa.

iG