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sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Um terço dos homens não acompanha o estado de saúde

Quase um terço (31%) dos homens brasileiros não tem o hábito de ir aos serviços de saúde para acompanhar seu estado de saúde e buscar auxílio na prevenção de doenças e na qualidade de vida

Pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde aponta que barreiras socioculturais interferem na prevenção à saúde. Em muitos casos, os homens pensam que não ficam doentes ou têm medo de descobrir doença, além de sentirem que esse cuidado pode interferir na sua imagem de cuidado com a família.

“Saúde é importante para que os homens participem ativamente das atividades familiares. Nossa chamada é para que os pais procurem os serviços e recebam orientações para cuidar de sua saúde e prevenir doenças, como manter as vacinas em dia. Filhos, lembrem seus pais de cuidar regularmente da saúde. Esse será o melhor presente para toda a família”, afirmou o ministro da Saúde, Ricardo Barros.

Uma das respostas mais comuns entre os homens (55%) é dizer que não buscaram os serviços de saúde, pois nunca precisaram. Essa falta de cuidado, no entanto, esconde uma crescente consequência para a maioria dos brasileiros: eles morrem mais cedo do que as mulheres e de doenças que poderiam ser prevenidas, como acidentes vasculares, infartos, cânceres e doenças do aparelho digestivo.

A partir deste diagnóstico e aproveitando a semana em que se comemora o Dia dos Pais, o Ministério da Saúde lança o Guia do Pré-Natal do parceiro e o Guia da Saúde do Homem para agente comunitário de saúde. O objetivo é aproveitar o momento em que o homem está mais próximo do serviço de saúde, acompanhando sua parceira no Pré-Natal, para que ele adote hábitos saudáveis e realize exames preventivos. Como a chegada de um filho traz mudanças à família, a ideia é despertar nos futuros pais a necessidade de adoção de medidas preventivas que lhe garantam um futuro ao lado dos filhos.

“Alguns pilotos de capacitação com profissionais de saúde já foram feitos na Bahia, São Paulo e Paraná. Nossa ideia é mostrar a forma triangular da família e sair daquele binômio mãe e filho. Algumas unidades de saúde já atendem em horário ampliado para atrair os homens”, informa Francisco Norberto, coordenador da saúde do homem. 

A pesquisa mostrou ainda que, apesar do Pré-natal da parceira ser o momento em que o homem está mais próximo do serviço de saúde, ele ainda é pouco aproveitado pelos profissionais. A maioria dos homens (80%) disse que acompanhou a parceira nas consultas de pré-natal, mas 56% disseram que o atendimento teve foco apenas nas orientações para a gestante.

Sobre a realização de exames, 84,6% dos pais não realizaram nenhum durante o pré-natal. Os exames mais pedidos para os que realizaram foram tipagem sanguínea (70,4%), seguido da sorologia para HIV e hemograma. Também foi alto o percentual de homens que informaram que não atualizaram o seu cartão de vacinas – 64%. Quanto às orientações sobre planejamento familiar, 61% relataram ter recebido atendimento nos serviços de saúde.

O inquérito telefônico foi realizado em 2015, com mais de seis mil homens cujas parceiras fizeram parto no SUS. Dentre os participantes, 80% tinham entre 20 e 39 anos e 67,3% afirmaram ter renda entre 1 e 2 salários mínimos. Quase metade (49%) relataram que são casados e apenas 36,9% possuíam nível médio completo.

O Ministério da Saúde também lançou com a Avasus um curso a distância chamado Pai Presente – Cuidado e Compromisso. O curso é voltado para todos os pais que querem viver uma paternidade ativa e consciente. Quem tiver interesse, o endereço é https://avasus.ufrn.br/.

Saúde do homem
O resultado da busca tardia pelo serviço de saúde é que, em média, os homens vivem sete anos a menos que as mulheres. Segundo a última pesquisa do IBGE, enquanto a expectativa de vida dos homens alcançou 71 anos, entre as mulheres, a expectativa é de 78 anos. As causas que mais matam os homens são as externas, (acidentes de trânsito, violências), seguido de doenças do aparelho circulatório, neoplasias e aparelho digestivo. Ou seja, males que, se conhecidos no estágio inicial, podem ser prevenidos ou controlados.

Dados do Vigitel 2015 mostraram ainda outros problemas de saúde. No quesito da nutrição, 57% dos homens têm sobrepeso e 18% estão obesos, 25% deles consomem bebidas alcóolicas, 13% deles fumam e apenas 31% consomem regularmente frutas e verduras.

O governo brasileiro foi o primeiro das Américas a desenvolver e executar uma política exclusiva para homens. Atualmente, além do Brasil, apenas a Austrália e Irlanda apresentam uma política com a mesma finalidade.

Agora, com o Guia do Pré-Natal do Parceiro para Profissionais de Saúde e o Guia da Saúde do Homem para o Agente Comunitário de Saúde (ACS), o Ministério da Saúde quer estimular os homens a assumirem cuidados preventivos – no mês que é marcado, no Brasil, pelo Dia dos Pais e que, por isso, foi adotado como mês de valorização da paternidade. “Gravidez também é assunto de homem. Estimular a participação do parceiro é fundamental para o bem estar da mãe, do bebê e do próprio homem”, afirma o coordenador da saúde do homem, Francisco Norberto.

Já o Guia da Saúde do Homem do Agente Comunitário de Saúdetem o propósito desensibilizar os ACS’s no sentido de levar o homem às unidades básicas de saúde para trabalhar a prevenção. “Nossa intenção é educar o homem para que ele entenda as unidades de saúde como um espaço de cuidado”, completa o coordenador.

As publicações serão apresentadas em capacitações que acontecerão em todo o país de agosto a novembro deste ano. Serão distribuídos 242.500 exemplares do Guia do Pré-Natal do Parceiro para Profissionais de Saúde, voltado para inserção dos homens no pré-natal de suas parceiras. Ele orienta e incentiva o homem a exercer a paternidade desde o planejamento reprodutivo do casal, passando pela fase do pré-natal, parto e atenção às crianças.

Carolina Valadares, da Agência Saúde
(61) 3315.3580 / 3435

Médica brasileira é convidada para ministrar palestra em congresso na China

Foto: Reprodução
Trabalho sobre causas raras do hipopituitarismo estará no 17o Congresso Internacional de Endocrinologia, em Pequim

A endocrinologista Paula Bruna Araújo, integrante do corpo clínico do laboratório Sérgio Franco, foi convidada para ministrar uma palestra intitulada Causas Raras de Hipofisite: Ipilimumab, Drogas e Picada de Cobra em um dos eventos mais importantes de sua área no mundo: oInternational Congress of Endocrinology (ICE). Nessa aula, a doutora também apresentará dados de seu estudo intitulado Ipilimumab­induced Hypophysitis – Review of the Literature (em português, Hipofisite Induzida por Ipilimumab – Revisão da Literatura). O estudo trata de uma causa rara de hipopituitarismo, doença causada pela diminuição da quantidade de um ou mais hormônios produzidos pela glândula hipófise – que comanda o funcionamento de várias outras glândulas importantes do organismo.

Realizado a cada dois anos, o evento, em sua 17a edição, será sediado em Pequim, na China, entre os dias 31 de agosto e 4 de setembro, e espera contar com a presença de mais de 10 mil médicos de 70 nacionalidades. Durante o evento, a médica abordará um caso de hipofisite – inflamação da glândula hipófise – causado pelo uso do medicamento Ipilimumab, utilizado em tratamentos oncológicos.

“Acompanhamos um paciente que possuía um tipo grave de câncer de pele, chamado de melanoma metastático, e foi constatado que ele desenvolveu a hipofisite após o uso do medicamento Ipilimumab, largamente utilizado no tratamento desse tipo de câncer. Esse caso nos motivou a fazer uma revisão da literatura médica sobre o tema, que é importante para caracterizar melhor a doença e alertar os médicos que utilizam o medicamento. Isso possibilita o diagnóstico precoce e o tratamento adequado da patologia”, explica a dra. Paula Bruna Araújo.

Em seu estudo, que demorou em torno de seis meses para ser finalizado, a médica percebeu que esse medicamento pode causar hipofisite em até 17% dos pacientes de câncer tratados com ele, sendo os homens com idade avançada o grupo com maior risco de desenvolver a patologia. O trabalho, apresentado anteriormente em 2014 no evento Pituitary Expert, em Viena, também foi publicado no periódico Journal of Endocrinological Investigation, uma das publicações mais relevantes da área médica, em novembro de 2015.

Paula Borges 
Assessoria de Imprensa
paula@saudeempauta.com.br

Engajamento das equipes nas ações da melhoria da qualidade possibilita cirurgias e procedimentos invasivos mais seguros

A imprensa tem noticiado, frequentemente, situações dramáticas ocorridas em instituições de saúde, em que erros aconteceram durante cirurgias, ou em outros procedimentos invasivos

Por Marta Ferreira Passo*

Em 2014, o Colégio Brasileiro de Cirurgiões (CBC) divulgou o Manual de Cirurgia Segura, contribuindo para que hospitais brasileiros implementassem o Programa de Cirurgia Segura. O órgão também publicou dados demonstrando que: complicações pós-operatórias em pacientes internados ocorrem em até 25% dos pacientes; em países desenvolvidos, cerca de metade de todos os eventos adversos em pacientes hospitalizados estão relacionados à assistência cirúrgica, e nos casos onde o processo cirúrgico levou a prejuízos, ao menos metade deles era evitável; e ainda, que princípios conhecidos de segurança cirúrgica são aplicados de maneira inconsistente, mesmo nos cenários mais sofisticados.

A Joint Commission International (JCI) recomenda, através de padrões centrados no paciente, que hospitais implementem a Meta Internacional de Segurança do Paciente que visa “garantir o local correto, o procedimento correto e a cirurgia no paciente correto”. Este é um processo que aumenta a qualidade e segurança das cirurgias e dos procedimentos invasivos realizados em setores como hemodinâmica, radiologia intervencionista e de endoscopias.

Mas como médicos, profissionais da saúde, pacientes e seus acompanhantes podem fazer para melhorar a qualidade e ter segurança nos procedimentos realizados?

Para os pacientes e acompanhantes, a recomendação é que tenham participação ativa em todo o processo assistencial, requerendo transparência nas orientações recebidas da equipe, para que possam compreender o conteúdo dos termos de consentimento esclarecido e informado que assinam antes da realização dos procedimentos e exames, bem como das orientações descritas nas receitas para o pós-alta.

Para a equipe envolvida nos procedimentos, os melhores resultados dependerão do cumprimento dos processos essenciais universalmente reconhecidos, também descritos na 5ª edição do Manual de Padrões de Acreditação da JCI para Hospitais e destacados a seguir:

· Marcação do local da cirurgia (feito previamente pelo profissional que realizará o procedimento em todos os casos que envolvem lateralidade ou estruturas múltiplas, como dedos, coluna, rins, olhos, pernas e braços);

· Verificação pré-operatória (para confirmar paciente, local e procedimento corretos; garantir a disponibilidade de todos os documentos e tecnologia médica necessários);

· Realização do time out, que é um momento conduzido na sala do procedimento cirúrgico/invasivo, exatamente antes do início do mesmo e com a presença e participação de toda a equipe, para que os pontos do check list que garantirão o local correto, procedimento correto e paciente correto, sejam verificados e documentados.

E as instituições de saúde, o que têm feito?
No Brasil temos inúmeros exemplos, como campanhas nos hospitais para sensibilizar as equipes para o tema da cirurgia segura, e que tiveram depois de alguns meses de campanha adesão ao check list cirúrgico em mais de 80% das cirurgias; em outra unidade se promoveu a campanha da entrega do bisturi pelo enfermeiro ao cirurgião, somente após a conclusão do Time out. Em Belém, a coordenação de enfermagem de um centro cirúrgico instalou um quadro na entrada principal do bloco cirúrgico com os resultados crescentes do indicador de cumprimento de Time Out, após campanha iniciada durante processo de educação pelo Consórcio Brasileiro de Acreditação, com foco na acreditação pela JCI.

Como não há somente uma única solução que promoverá a melhoria da segurança cirúrgica, destacamos como fundamental o engajamento nessa causa não apenas do cirurgião, mas de toda equipe de profissionais, para que trabalhando juntos aumentem os padrões de qualidade da assistência cirúrgica prestada. Na certeza de que a ocorrência de qualquer erro pode ser devastadora para o paciente, para as equipes e para a instituição de saúde, devemos reconhecer a importância dessas barreiras de segurança que são colocadas nos processos assistenciais, para que a probabilidade de ocorrência de erros seja sempre a menor possível.

É anseio nacional que tenhamos maior qualidade e segurança na assistência à saúde do nosso povo. Para isso, cada instituição de saúde deverá efetivamente implementar o Núcleo de Segurança do Paciente, como determina a RDC nº 36 publicada em 2013 pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o que certamente contribuirá para reduzir danos e salvar vidas de milhares de pessoas no nosso país.

* Marta F. Passo é médica e educadora para a Melhoria da Qualidade e Segurança do Paciente do Consórcio Brasileiro de Acreditação, associado da Joint Commission International no Brasil. É especialista em Geriatria e Gerontologia pela Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontolgoia/Associação Médica Brasileira e em Administração Hospitalar pela Universidade Federal da Bahia. Por dois anos atuou na Coordenação do Gerenciamento de Riscos da S.O.S.Vida/Bahia (recertificada pela JCI), onde exerce as atividades de Assessora de Projetos em Saúde.

Nathália Vincentis
Jornalismo