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segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

RESOLUÇÃO - RDC Nº 20, DE 5 DE MAIO DE 2011

Atenção : Esta resolução revoga a RDC 44/2010 e outras de antimicrobianos
Dispõe sobre o controle de medicamentos à base de substâncias classificadas como antimicrobianos, de uso sob prescrição, isoladas ou em associação.
A Diretoria Colegiada da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, no uso da  atribuição que lhe confere o art. 11, inciso IV, do Regulamento da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, aprovado pelo Decreto nº 3.029, de 16 de abril de 1999, e tendo em vista o disposto no inciso II e nos §§ 1º e 3º do art. 54 do Regimento Interno aprovado nos termos do Anexo I da Portaria nº 354 da ANVISA, de 11 de agosto de 2006, republicada no DOU de 21 de agosto de 2006, em reunião realizada em 27 de abril de 2011, adota a seguinte Resolução da Diretoria Colegiada e eu, Diretor-Presidente, determino sua publicação:
CAPÍTULO I
DA ABRANGÊNCIA
Art. 1º Esta Resolução estabelece os critérios para a prescrição, dispensação, controle, embalagem e rotulagem de medicamentos à base de substâncias classificadas como antimicrobianos de uso sob prescrição, isoladas ou em associação, conforme Anexo I desta Resolução Parágrafo único. Esta Resolução também se aplica a sais, éteres, ésteres e isômeros das substâncias antimicrobianas constantes de seu Anexo I.
Art. 2º As farmácias e drogarias privadas, assim como as unidades públicas de dispensação municipais, estaduais e federais que disponibilizam medicamentos mediante ressarcimento, a exemplo das unidades do Programa Farmácia Popular do Brasil, devem dispensar os medicamentos contendo as substâncias listadas no Anexo I desta Resolução, isoladas ou em associação, mediante retenção de receita e escrituração nos termos desta Resolução.
Art.3º As unidades de dispensação municipais, estaduais e federais, bem como as farmácias de unidades hospitalares ou de quaisquer outras unidades equivalentes de assistência médica, públicas ou privadas, que não comercializam 
medicamentos devem manter os procedimentos de controle específico de prescrição e dispensação já existentes para os medicamentos que contenham substâncias antimicrobianas.
CAPÍTULO II
DA PRESCRIÇÃO
Art. 4º A prescrição dos medicamentos abrangidos por esta Resolução deverá ser realizada por profissionais legalmente habilitados.
CAPÍTULO III
DA RECEITA
Art. 5º A prescrição de medicamentos antimicrobianos deverá ser realizada em receituário privativo do prescritor ou do estabelecimento de saúde, não havendo, portanto modelo de receita específico.
Parágrafo único. A receita deve ser prescrita de forma legível, sem rasuras, em 2 (duas) vias e contendo os seguintes dados obrigatórios:
I - identificação do paciente: nome completo, idade e sexo;
II - nome do medicamento ou da substância prescrita sob a forma de Denominação Comum Brasileira (DCB), dose ou concentração, forma farmacêutica, posologia e quantidade (em algarismos arábicos );
III - identificação do emitente: nome do profissional com sua inscrição no Conselho Regional ou nome da instituição, endereço completo, telefone, assinatura e marcação gráfica (carimbo); e
IV - data da emissão.
Art. 6º A receita de antimicrobianos é válida em todo o território nacional, por 10 (dez) dias a contar da data de sua emissão.
Art. 7º A receita poderá conter a prescrição de outras categorias de medicamentos desde que não sejam sujeitos a controle especial.
Parágrafo único. Não há limitação do número de itens contendo medicamentos antimicrobianos prescritos por receita.
Art. 8º Em situações de tratamento prolongado a receita poderá ser utilizada para aquisições posteriores dentro de um período de 90 (noventa) dias a contar da data de sua emissão  
§ 1º Na situação descrita no caput deste artigo, a receita deverá conter a indicação de uso contínuo, com a quantidade a ser utilizada para cada 30 (trinta) dias
 § 2º No caso de tratamentos relativos aos programas do Ministério da Saúde que exijam períodos diferentes do mencionado no caput deste artigo, a receita/prescrição e a dispensação deverão atender às diretrizes do programa.
CAPÍTULO IV
DA DISPENSAÇÃO E DA RETENÇÃO DE RECEITA
Art. 9º A dispensação em farmácias e drogarias públicas e privadas dar-se-á mediante a retenção da 2ª (segunda) via da receita, devendo a 1ª (primeira) via ser devolvida ao paciente.
§ 1º O farmacêutico não poderá aceitar receitas posteriores ao prazo de validade estabelecido nos termos desta Resolução.
§ 2º As receitas somente poderão ser dispensadas pelo farmacêutico quando apresentadas de forma legível e sem rasuras.
§ 3º No ato da dispensação devem ser registrados nas duas vias da receita os seguintes dados:
I - a data da dispensação;
II - a quantidade aviada do antimicrobiano;
III - o número do lote do medicamento dispensado; e
IV - a rubrica do farmacêutico, atestando o atendimento, no verso da receita.
Art. 10. A dispensação de antimicrobianos deve atender essencialmente ao tratamento prescrito, inclusive mediante apresentação comercial fracionável, nos termos da Resolução RDC nº 80/2006 ou da que vier a substituí-la.
Art. 11. Esta Resolução não implica vedações ou restrições à venda por meio remoto, devendo, para tanto, ser observadas as Boas Práticas Farmacêuticas em Farmácias e Drogarias, estabelecidas na Resolução RDC nº 44/2009 ou na que vier 
a substituí-la.
Art. 12. A receita deve ser aviada uma única vez e não poderá ser utilizada para aquisições posteriores, salvo nas situações previstas no artigo 8º desta norma.
Parágrafo único. A cada vez que o receituário for atendido dentro do prazo previsto, deverá ser obedecido o procedimento constante no § 3º do artigo 9º desta Resolução
CAPÍTULO V
DA ESCRITURAÇÃO E DO MONITORAMENTO
Art. 13. A Anvisa publicará, no prazo de 180 (cento e oitenta) dias contados da publicação desta Resolução, o cronograma para o credenciamento e escrituração da movimentação de compra e venda dos medicamentos objeto desta Resolução nº Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados (SNGPC), conforme estabelecido na Resolução RDC nº 27/2007 ou na que vier a substituíla.
Parágrafo único. Em localidades ou regiões desprovidas de internet, a vigilância sanitária local poderá autorizar o controle da escrituração desses medicamentos em Livro de Registro Específico para Antimicrobianos ou por meio de 
sistema informatizado, previamente avaliado e aprovado, devendo obedecer ao prazo máximo sete (7) dias para escrituração, a contar da data da dispensação.
Art. 14. As farmácias públicas que disponibilizam medicamentos mediante ressarcimento, a exemplo das unidades do Programa Farmácia Popular do Brasil, devem realizar a escrituração por meio de Livro de Registro Específico para 
Antimicrobianos ou por meio de sistema informatizado, previamente avaliado e aprovado pela vigilância sanitária local, devendo obedecer ao prazo máximo sete (7) dias para escrituração, a contar da data da dispensação.
Art. 15. Todos os estabelecimentos que utilizarem Livro de Registro Específico para antimicrobianos deverão obedecer aos prazos estabelecidos no cronograma mencionado no artigo 13 desta Resolução.
Art. 16. Os monitoramentos sanitário e farmacoepidemiológico do consumo dos antimicrobianos devem ser realizados pelos entes que compõem o Sistema Nacional de Vigilância Sanitária, cabendo à Anvisa o estabelecimento de critérios para execução.
CAPÍTULO VI
DA EMBALAGEM, ROTULAGEM, BULA E AMOSTRAS GRÁTIS
Art. 17. As bulas e os rótulos das embalagens dos medicamentos contendo substâncias antimicrobianas da lista constante do Anexo I desta Resolução devem conter, em caixa alta, a frase:
"VENDA SOB PRESCRIÇÃO MÉDICA - SÓ PODE SER VENDIDO COM RETENÇÃO DA RECEITA".
Parágrafo único. Nos rótulos das embalagens secundárias, a frase deve estar disposta dentro da faixa vermelha, nos termos da Resolução RDC nº71/2009 ou da que vier a substituí-la.
Art. 18. Será permitida a fabricação e distribuição de amostras grátis desde que atendidos os requisitos definidos na Resolução RDC nº 60/2009 ou na que vier a substituí-la.
Art. 19. A adequação das rotulagens e bulas dos medicamentos contendo as substâncias antimicrobianas da lista constante do Anexo I desta Resolução, deverão obedecer aos prazos estabelecidos na Resolução RDC nº71/2009 e Resolução RDC nº47/2009 ou naquelas que vierem a substituí-las.
Parágrafo único. As farmácias e drogarias poderão dispensar os medicamentos à base de antimicrobianos que estejam em embalagens com faixas vermelhas, ainda não adequadas, desde que fabricados dentro dos prazos previstos no caput desteartigo.
CAPÍTULO VII
DAS DISPOSIÇÕES FINAIS
Art. 20. É vedada a devolução, por pessoa física, de medicamentos antimicrobianos industrializados ou manipulados para drogarias e farmácias.
§ 1º Excetua-se do disposto no caput deste artigo a devolução por motivos de desvios de qualidade ou de quantidade que os tornem impróprios ou inadequados ao consumo, ou decorrentes de disparidade com as indicações constantes do 
recipiente, da embalagem, rotulagem ou mensagem publicitária, a qual deverá ser avaliada e documentada pelo farmacêutico.
§ 2º Caso seja verificada a pertinência da devolução, o farmacêutico não poderá reintegrar o medicamento ao estoque comercializável em hipótese alguma, e deverá notificar imediatamente a autoridade sanitária competente, informando os 
dados de identificação do produto, de forma a permitir as ações sanitárias pertinentes.
Art. 21. Os estabelecimentos deverão manter à disposição das autoridades sanitárias, por um período de 2 (dois) anos a documentação referente à compra, venda, transferência, perda e devolução das substâncias antimicrobianas bem como 
dos medicamentos que as contenham.
Art. 22. Para efeitos desta Resolução serão adotadas as definições contidas em seu Anexo II.
Art. 23. Cabe ao Sistema Nacional de Vigilância Sanitária, além de garantir a fiscalização do cumprimento desta norma, zelar pela uniformidade das ações segundo os princípios e normas de regionalização e hierarquização do Sistema 
Único de Saúde.
Art. 24. Caberá à área técnica competente da ANVISA a adoção de medidas ou procedimentos para os casos não previstos nesta Resolução.
Art. 25. O descumprimento das disposições contidas nesta Resolução constitui nfração sanitária, nos termos da Lei nº 6.437, de 20 de agosto de 1977, sem prejuízo das responsabilidades civil, administrativa e penal cabíveis.
Art. 26. Ficam revogadas as Resoluções de Diretoria Colegiada RDC nº 44, de 26 de outubro de 2010, publicada no DOU de 28 de outubro de 2010, Seção 1, pág 76, RDC nº 61, de 17 de dezembro de 2010, publicada no DOU de 22 de dezembro de 2010, Seção 1, pág 94, e RDC nº 17, de 15 de abril de 2011, publicada no DOU de 18 de abril de 2011, Seção 1, pág 65, Art. 27. Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação.
DIRCEU BRÁS APARECIDO BARBANO
ANEXO I
LISTA DE ANTIMICROBIANOS REGISTRADOS NA ANVISA
(Não se aplica aos antimicrobianos de uso exclusivo hospitalar)
1. Ácido clavulânico 
2. Ácido fusídico 
3. Ácido nalidíxico 
4. Ácido oxolínico 
5. Ácido pipemídico 
6. Amicacina 
7. Amoxicilina 
8. Ampicilina 
9. Axetilcefuroxima 
10. Azitromicina 
11. Aztreonam 
12. Bacitracina 
13. Brodimoprima 
14. Capreomicina 
15. Carbenicilina 
16. Cefaclor 
17. Cefadroxil 
18. Cefalexina 
19. Cefalotina 
20. Cefazolina 
21. Cefepima 
22. Cefodizima 
23. Cefoperazona 
24. Cefotaxima 
25. Cefoxitina 
26. Cefpodoxima 
27. Cefpiroma 
28. Cefprozil 
29. Ceftadizima 
30. Ceftriaxona 
31. Cefuroxima 
32. Ciprofloxacina 
33. Claritromicina 
34. Clindamicina 
35. Clofazimina 
36. Cloranfenicol 
37. Cloxacilina 
38. Daptomicina 
39. Dapsona 
40. Dicloxacilina 
41. Difenilsulfona 
42. Diidroestreptomicina 
43. Diritromicina 
44. Doripenem 
45. Doxiciclina 
46. Eritromicina 
47. Ertapenem 
48. Espectinomicina 
49. Espiramicina 
50. Estreptomicina 
51. Etambutol 
52. Etionamida 
53. Fosfomicina 
54. Ftalilsulfatiazol 
55. Gatifloxacina 
56. Gemifloxacino 
57. Gentamicina 
58. Imipenem 
59. Isoniazida 
60. Levofloxacina 
61. Linezolida 
62. Limeciclina 
63. Lincomicina 
64. Lomefloxacina 
65. Loracarbef 
66. Mandelamina 
67. Meropenem 
68. Metampicilina 
69. Metronidazol 
70. Minociclina 
71. Miocamicina 
72. Moxifloxacino 
73. Mupirocina 
74. Neomicina 
75. Netilmicina 
76 Nitrofurantoína 
77. Nitroxolina 
78. Norfloxacina 
79. Ofloxacina 
80. Oxacilina 
81. Oxitetraciclina 
82. Pefloxacina 
83. Penicilina G 
84. Penicilina V 
85. Piperacilina 
86. Pirazinamida 
87. Polimixina B 
88. Pristinamicina 
89. Protionamida 
90. Retapamulina 
91. Rifamicina 
92. Rifampicina 
93. Rifapentina 
94. Rosoxacina 
95. Roxitromicina 
96. Sulbactam 
97. Sulfadiazina 
98. Sulfadoxina 
99. Sulfaguanidina 
100. Sulfamerazina 
101. Sulfanilamida 
102. Sulfametizol 
103. Sulfametoxazol 
104. Sulfametoxipiridazina 
105. Sulfametoxipirimidina 
106. Sulfatiazol 
107. Sultamicilina 
108. Tazobactam 
109. Teicoplanina 
110. Telitromicina 
111. Tetraciclina 
112. Tianfenicol 
113. Ticarcilina 
114. Tigeciclina 
115. Tirotricina 
116. Tobramicina 
117. Trimetoprima 
118. Trovafloxacina 
119. Vancomicina 

ANEXO II
Antimicrobiano - substância que previne a proliferação de agentes infecciosos ou microorganismos ou que mata agentes infecciosos para prevenir a disseminação da infecção.
Concentração - concentração é a razão entre a quantidade ou a massa de uma substância e o volume total do meio em que esse composto se encontra.
Desvio de qualidade - afastamento dos parâmetros de qualidade definidos e aprovados no registro do medicamento.
Dispensação - ato do profissional farmacêutico de proporcionar um ou mais medicamentos a um paciente, geralmente, como resposta à apresentação de uma receita elaborada por um profissional autorizado. Neste ato, o farmacêutico 
informa e orienta ao paciente sobre o uso adequado desse medicamento. São elementos importantes desta orientação, entre outros, a ênfase no cumprimento do regime posológico, a influência dos alimentos, a interação com outros
medicamentos, o reconhecimento de reações adversas potenciais e as condições de conservação do produto.
Dose - quantidade total de medicamento que se administra de uma única vez no paciente.
Escrituração - procedimento de registro, manual ou informatizado, da movimentação (entrada, saída, perda e transferência) de medicamentos sujeitos ao controle sanitário e definido por legislação vigente, bem como de outros dados de interesse sanitário.
Farmacoepidemiologia - estuda o uso e os efeitos dos medicamentos na população em geral.
Livro de registro específico de antimicrobianos - documento para escrituração manual de dados de interesse sanitário autorizado pela autoridade sanitária local. A escrituração deve ser realizada pelo farmacêutico ou sob sua supervisão.
Monitoramento farmacoepidemiológico - acompanhamento sistemático de indicadores farmacoepidemiológicos relacionados com o consumo de medicamentos em populações com a finalidade de subsidiar medidas de intervenção em saúde pública, incluindo educação sanitária e alterações na legislação específica vigente. Este monitoramento é composto de três componentes básicos:
i) coleta de dados;
ii) análise regular dos dados; e
iii) ampla e periódica disseminação dos dados.
Monitoramento sanitário - acompanhamento sistemático de indicadores operacionais relativos ao credenciamento de empresas no sistema, retenção de receitas, escrituração, envio de arquivos eletrônicos e eficiência do sistema de 
gerenciamento de dados com a finalidade de subsidiar, entre outros instrumentos de vigilância sanitária, a fiscalização sanitária. Este monitoramento é composto de três componentes básicos:
i) coleta de dados;
ii) análise regular dos dados; e
iii) ampla e periódica disseminação dos dados.
Posologia - incluem a descrição da dose de um medicamento, os intervalos entre as administrações e o tempo do tratamento.
Não deve ser confundido com "dose" - quantidade total de um medicamento que se administra de uma só vez.
Receita - documento, de caráter sanitário, normalizado e obrigatório mediante a qual profissionais legalmente habilitados e no âmbito das suas competências, prescrevem aos pacientes os medicamentos sujeitos a prescrição, para sua dispensação por um farmacêutico ou sob sua supervisão em farmácia e drogarias ou em outros estabelecimentos de saúde, devidamente autorizados para a dispensação de medicamentos.
Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados (SNGPC) - instrumento informatizado para captura e tratamento de dados sobre produção, comércio e uso de substâncias ou medicamentos.
Tratamento prolongado - terapia medicamentosa a ser utilizada por período superior a trinta dias.
Referências ARIAS, T.D. Glosario de medicamentos: desarrollo, evaluación y uso. Washington: Organización Panamericana de la Salud.1999, 333p.BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resolução da Diretoria Colegiada - RDC nº 27, de 30 de março de 2007.
LAST M. J. Diccionario de epidemiología. Barcelona (España):
Salvat editores S/A, 1989. 200p.
Strom BL. Pharmacoepidemiology, 3rd ed, Chichester: John Wiley & Sons, 
Ltd; 2000; p.3.
WALDMAN, E. A. Usos da vigilância e da monitorização em saúde pública. IESUS, 
VII(3), Jul/Set, p.7-26,1998.
D.O.U., 09/05/2011 - Seção 1

Fonte: Diário Oficial.

Sexo oral pede proteção redobrada

Preservativo feminino não protege contra a transmissão de doenças

Os estudos sobre o sexo oral comprovam que a prática é bem vista pelos brasileiros. De acordo com uma pesquisa realizada pelo Projeto de Sexualidade do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo, 66,8% dos homens e 63,4% das mulheres admitem realizar a modalidade. Mas será que os brasileiros se protegem na hora do sexo oral? "A prática também pode transmitir todos os tipos de Doenças Sexualmente Transmissiveis (DST)", afirma a ginecologista Rosa Maria Neme.

De acordo com a especialista, de cada 10 mulheres que são atendidas no consultório, 7 confessam que não usam camisinha para fazer sexo oral em seus parceiros. Um dado preocupante devido os riscos que o sexo oral sem proteção pode trazer ao organismo. Doenças como herpes, sífilis e gonorreia podem ser facilmente transmitidas a partir da prática. "Uma pequena área lesada permite a entrada de um vírus. E vale lembrar que pequenos machucados na boca são muito comuns", explica o ginecologista e obstetra Linderman Alves Vieira.

Até mesmo o HIV, vírus causador da Aids, pode ser transmitido através do sexo oral, embora as chances de contaminação sejam menores do que quando ocorre a penetração. "O pH da boca (neutro e-ou levemente ácido) e o contato somente com a superfície do pênis ou da vagina diminuem os riscos de contágio. Mas, mesmo apesar de pequeno, o perigo existe", diz a ginecologista Maria Rosa Neme.

Proteção na mulher
Os ginecologistas são taxativos ao dizer que a proteção da vagina para a prática do sexo oral é totalmente deficiente. "No caso das mulheres o problema é maior, porque não existe nenhum amparo específico, como há a camisinha masculina, para a prática do sexo oral", diz a ginecologista Rosa Maria Neme.

Mas existe algum jeito de se proteger? "Mesmo a camisinha feminina não vai proteger, então, a dica é utilizar o papel filme (o mesmo usado na cozinha para embalar alimentos) para cobrir a vagina e não existir o contato direto da boca com a pele", diz a especialista. "O papel deve fazer a cobertura de toda a região da vagina. A boca só pode entrar em contato com o plástico, e não com a vulva", ressalta.

Outra dica da ginecologista é usar a camisinha masculina como escudo. "Cortar a camisinha ao meio e colocá-la sob a vulva pode ser uma alternativa. O lado positivo é que elas apresentam sabores e até texturas diferenciadas, fatores que favorecem a utilização", diz.

Proteção no homem
Os problemas são menores quando o sexo oral é realizado no homem, pois a camisinha apresenta uma proteção bastante eficiente. "O preservativo impede que a boca entre em contato direto com o pênis, oferecendo a proteção necessária", diz o ginecologista Linderman Alves Vieira.

Mas, vale lembrar que a camisinha deve ser usada para todas as variações da relação sexual . "Existem pessoas que só colocam a camisinha no meio da prática do sexo oral, hábito que anula a proteção. Ela deve ser colocada logo que o sexo passar das preliminares", afirma o especialista.

Os riscos que envolvem o sêmen
O contato do sêmen com a boca pode transmitir doenças como a gonorréia. "Se existir alguma lesão na boca, a contaminação das DSTs podem acontecer. O contágio pode ocorrer mesmo quando o esperma não é engolido", afirma a ginecologista Rosa Maria Neme.

Higiene em dia
A falta de higienização das partes íntimas sugere um risco de contaminação ainda maior. "Quando o parceiro não apresenta nenhuma contaminação de doenças, como herpes ou sífilis, mas não prioriza a higienização, as doenças também podem aparecer. Infecções por fungos e bactérias, que causam corrimentos e coceiras, são as principais preocupações", diz Linderman Alves Vieira.

Mistura segura e saborosa
Quem procura sexo oral com sabor, deve dar atenção para produtos específicos para a prática, em geral antialérgicos, que garantem o prazer sem prejuízos. Utilizar alimentos como leite condensado, chantily, mel, entre outros elementos gastronômicos, pode causar irritações e alergias nos órgãos genitais.

Camisinha de língua
Há produtos à venda no mercado, conhecidos como camisinha de língua, mas o aparato não tem função de proteger, e sim a de funcionar como um estímulo para a hora do sexo oral, já que possui textura, sabor e até massageador, "O produto protege apenas a região da língua, deixando o resto da boca vulnerável", explica a ginecologista.

Prática consciente
Mesmo com tantas considerações, os especialistas afirmam que a prática do sexo oral não precisa ser abolida da rotina. "Toda relação sexual apresenta riscos, o que podemos frisar é que a proteção precisa existir. O sexo com penetração, por exemplo, apresenta diversos riscos de contaminação, mas se realizado com consciência tem os perigos eliminados", afirma Linderman.

Fonte Minha Vida

Pescador recebe dedo do pé no lugar de polegar arrancado


Donald Gunn
BBC
Cirurgia durou 12 horas


Ele teve o dedo arrancado pela corda de um guindaste

Um pescador escocês teve um dedo do pé implantado no lugar do polegar direito, que tinha perdido em um acidente de trabalho.

Donald Gunn teve o dedão arrancado por uma corda presa a um guindaste há um ano.

Em uma operação que durou 12 horas, realizada em um hospital de Aberdeen, na Escócia, ele teve o dedo menor do pé esquerdo transplantado para o lugar do polegar.

Segundo o cirurgião Amir Tadros, o procedimento é raro.

– A técnica existe desde os anos 60, mas não é muito comum, porque o paciente e as circunstâncias têm que estar corretas.

O médico diz que “o novo dedão está mostrando um bom desempenho” e que o paciente “consegue dobrar e esticar o dedo”

– O pé esquerdo se recupera bem, e ele está andando normalmente.

O paciente contou à BBC que espera poder retomar ainda no início deste ano atividades como "jogar dardos".

Fonte R7

Comer legumes evita o câncer no cólon

Brócolis
Arroz integral e frutos secos também combatem a doença

O câncer no cólon pode ser evitado com o consumo de legumes. A constatação é de um estudo realizado no Healths College, na Inglaterra.

O cólon é a maior parte do intestino grosso. Além dos legumes, arroz integral e frutos secos ajudam a evitar o desenvolvimento da doença no órgão. Isso se dá porque esses alimentos são ricos em fibras, eficazes em diluir compostos que podem provocar o câncer.

O legume mais poderoso no combate à doença é o brócolis. Ele contém compostos de desintoxicação, que melhoram a proteção do organismo.

Fonte R7

Fumante passivo corre mais risco de surdez

Chance de perda auditiva é maior até que a registrada em ex-fumantes

Não é novidade que os fumantes passivos (pessoa que não fuma, mas está próxima de alguém que têm o hábito) também sofrem com o cigarro. Porém, um estudo recente aponta um outro mal provocado pela fumaça do cigarro: o risco de perda auditiva.

Aqueles que convivem com fumantes de cigarro, charuto, cachimbo e outros derivados do tabaco têm mais chances de deixar de ouvir.

A pesquisa analisou 3.307 não fumantes com idades variadas. Os cientistas realizaram testes audiométricos e testes de sangue para analisar o nível de cotinina no sangue, um derivado da nicotina que serve como um identificador do tabagismo passivo.

A conclusão é de que o risco de essas pessoas perderem a audição é grande em relação aos que nunca fumaram ou até mesmo em relação aos ex-fumantes.

Fonte R7

Ministro da Saúde francês condena fabricante de próteses mamárias

Fundador da PIP está sendo procurado pela Interpol

A Seguridade Social francesa anunciou neste sábado (24) que apresentará uma denúncia penal contra a pip (Poly Implant Prothese), fabricante das próteses mamárias que as autoridades sanitárias pediram para serem removidas das usuárias alegando que estas poderiam apresentar grandes riscos para saúde.

Os implantes da PIP, que contêm silicone industrial e que poderiam romper com certa facilidade, não atende às exigências da Seguridade Social e, por isso, as autoridades acreditam que pode ter ocorrido um "engano" por parte da fabricante. Neste sábado, Xavier Bertrand, ministro da Saúde da França, se mostrou a favor de que a PIP "responda por seus atos".

- É um negócio obscuro e com muito dinheiro envolvido.

Bertrand indicou que a PIP, criada em 1991 na côte D'Azur francesa por Jean-Claude Mas, mudou a composição dos implantes mamários e substituiu o silicone médico por outro de uso industrial com a clara intenção de economizar em sua produção e aumentar seus lucros.

O ministro espera que as autoridades policiais possam encontrar Mas da mesma forma que todas as pessoas que poderiam estar relacionadas com este caso. O fundador da PIP está sendo procurado pela Interpol, embora a organização policial internacional tenha afirmado neste sábado que o "alerta vermelho" emitido contra ele não possui relação com as próteses mamárias, e sim com uma denúncia de condução perigosa supostamente cometida em junho, na Costa Rica.

Bertrand lembrou que o governo francês se comprometeu a cobrir os gastos da remoção preventiva das próteses de mais de 30 mil francesas, embora o reimplante financiado não atenda as próteses usadas com fins estéticos.

A Seguridade Social calculou que o custo desta medida poderia superar os 60 milhões de euros. A existência de um risco cancerígeno do produto não foi comprovada, porém, o principal problema estaria relacionado com sua fácil ruptura e com o caráter irritante de alguns dos componentes das próteses da PIP.

O responsável de Saúde elogiou a atuação das autoridades francesas no caso dos implantes PIP e indicou que estão trabalhando "com transparência" e em contato permanente com a Organização Mundial da Saúde (OMS). O caso ganhou uma enorme repercussão na imprensa francesa, lugar de origem dos implantes PIP, embora a maior parte da produção da empresa era destinada à exportação, principalmente para a América Latina. A empresa, que foi fechada em 2010, chegou a ser o terceiro produtor mundial deste tipo de próteses.

Fonte R7

Propagandas antigas: Cafiaspirina


normal

Depilação: conheça algumas técnicas

Dermatologista fala sobre os diferentes métodos usados para eliminar os pelos

Cera, lâmina, cremes e laser. Diversas técnicas estão disponíveis no mercado para facilitar a vida de quem sofre com os pelos. Para ajudar na escolha, a dermatologista Carla Vidal explica cada técnica.

Depilação com cera fria e quente – é o método que se baseia na extração do pelo desde a raiz. A desvantagem dessa técnica, segundo a especialista, é que pode resultar em manchas e pelo encravado.

Depilação com cremes depilatórios – é o método de diluição do pelo por ação química do produto, que segundo Carla, conserva a raiz. Porém, pode resultar em dermatite de contato (irritação), já que essa técnica necessita maior frequência de uso.

Depilação com lâmina – é o método de corte do pelo, que também conserva a raiz. De acordo com a doutora, a desvantagem dessa técnica é a necessidade de depilar com maior frequência.

Depilação a laser – é o método baseado na destruição da raiz do pelo. Ainda de acordo com a dermatologista, a vantagem da técnica é o resultado prolongado, e por muitas vezes definitivo. Além disso, a depilação a laser resolve problemas como pelos encravados e foliculites.

Fonte Band

Verão exige cuidados com os amigos de 4 patas

O clima quente pode ocasionar problemas na pele e no ouvido do seu cão

A chegada do verão exige cuidados especiais com os cães, já que as altas temperaturas podem causar diversos problemas aos animais.

Sem glândulas sudoríparas, os pets transpiram pelos coxins – as almofadinhas das pastas - e pela língua . Por isso, eles ficam frequentemente com a boca aberta, para que o ar frio consiga resfriar o corpo.

Diante disso, é fundamental ter consciência de que nessa época seu cachorro só deve passear nos horários do dia com temperaturas mais amenas.

Para entender o calor dos bichos, é só imaginar-se andando sob o sol tropical usando um casaco de pele e descalço. Escaldante, não é mesmo?

Precauções
O cuidado deve ser redobrado com cães pelo longo e focinho achatado (braquicefálicos), que sofrem ainda mais com o aumento dos termômetros.

“No verão o ideal é fazer passeios no inicio da manhã e no fim da tarde. As raças de pelo longo e espesso e os braquicefálicos devem ainda passear quando o sol já baixou no céu”, ressalta a médica veterinária Elaine Pessuto, diretora clínica do Centro de Ensino e Treinamento em Anatomia e Cirurgia Veterinária, em São Paulo.

Segundo a médica, não tomar esta precaução pode ser fatal para o seu fiel companheiro. “O aumento da temperatura corpórea do cão pode levar a um estado chamado hipertermia, que pode matar”, alerta a médica.

A hidratação também é uma dica extremamente valiosa. ”Sempre ao passear é importante ter água fresca para o seu animal; existem garrafinhas que já tem acopladas um recipiente para colocar a água. Caso você esqueça a garrafa, é importante ter um lugar para comprar”, ensina a dra. Elaine.

Seco e saudável
Por causa da umidade que acompanha a alta das temperaturas no verão brasileiro, também é importante manter o cão sempre seco, para evitar que doenças cutâneas apareçam na pelagem.

“O verão brasileiro é quente e úmido e propicia dermatites úmidas, de dobras e as otites (inflamação no ouvido). Os cães de pelagem densa e espessa que adoram água são suscetíveis”, explica a veterinária.

Fonte Band

Idoso: casa de repouso ou da família?

Com o aumento da proporção de idosos e da expectativa de vida em nosso país, torna-se cada vez maior a preocupação dos adultos em como cuidar de seus familiares na terceira idade. E nesse momento, surgem muitas dúvidas. É melhor deixar o idoso sozinho em casa ou morar na mesma residência dos filhos? Casa de repouso é uma opção correta?

Para o geriatra Luiz Roberto Ramos, professor da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), o ideal é manter o idoso no seu espaço natural. "Independentemente do seu estado de saúde ele deve sentir que está em seu lugar", explica. "Mesmo com a memória ruim, é mais fácil de se localizar em uma casa onde ele sempre morou".

Outra alternativa, segundo o médico, é fazer um trabalho de adaptação no lar do idoso capaz de dar condições de morar sozinho.

Cuidados
Na opinião do médico, conseguir fazer suas atividades sem precisar de ajuda é o segredo para o idoso morar sozinho. "Ele deve ser capaz de se alimentar, tomar banho, fazer compras, pagar as contas, planejar um passeio e controlar a própria medicação", ressalta.

Porém, é importante lembrar que o fato do idoso morar sozinho abre a possibilidade de ele sofrer acidentes em casa. Por outro lado, a decisão da transferência pode ser ponderada quando o idoso apresenta lucidez, segundo o geriatra.

O médico lembra que existem casos em que é possível o idoso dependente permanecer em sua própria casa. "Isso pode acontecer desde que a família contrate um cuidador que o ajude a dar assistência sem que ele tenha que se deslocar do lugar", explica.

Comportamento
A família que recebe o idoso em casa precisa estar preparada para a mudança de rotina, de acordo com o médico. Ele explica que muitas vezes os familiares ficam muito angustiados com a situação e optam por manter seu idoso em uma casa de repouso.

"Quando ele começa a ter problemas de comportamento ou ficar muito dependente, a família não aguenta seu grau de dependência e ele acaba sendo institucionalizado", explica. "Cada um deve ver se está preparado para lidar com essa situação", aconselha.

A função das instituições, segundo Ramos, é auxiliar a família que não tem condições de cuidar por falta de tempo ou de dinheiro. "Às vezes a família não tem condições de bancar todos os recursos desejáveis. O básico seria ficar em uma instituição onde ele tivesse o mínimo de supervisão médica", afirma Ramos.

Suporte afetivo
Apesar de o idoso contar com uma assistência especializada, o geriatra lembra que o internamento pode isolar o paciente. "Embora esteja mais supervisionado, o idoso pode ficar afetivamente isolado e não ter ligação com ninguém. Por outro lado, existem casos de idosos que quando vão para uma instituição, acabam gostando, porque lá encontram outras pessoas, conversam e interagem", afirma.

Segundo o médico, a família deve estar disposta a fazer visitas constantes no asilo para garantir o suporte afetivo. "Percebe-se que o contato com família é muito importante e, dependendo da qualidade da instituição, eles vão oferecer oportunidades de lazer e atividades para preencher o dia dessas pessoas", finaliza.

Fonte Band

Doação de sêmen pode contornar problemas como a infertilidade masculina

Um casal de mulheres decide que está na hora de ter filhos. Ambas pensam em adotar uma criança, mas a vontade de uma delas de carregar um bebê no ventre é mais forte. Por isso, optam por receber o sêmen de um doador.

Essa é a história das empresárias Mariana*, 36 anos, e Priscila*, 35, juntas há 14 anos e que agora são mães de gêmeas de 2 anos. “A primeira ideia nessas situações de doação de sêmen é fazer como nos filmes americanos e recorrer a um amigo, mas desistimos da ideia, porque se tornaria um casamento de três pessoas, enquanto queríamos que as crianças fossem nossas”, explica Mariana. Ao comentar o desejo de ter filhos, elas ouviram de outras pessoas que isso não seria possível no Brasil. Por esse motivo, as duas primeiras tentativas com doação de sêmen ocorreram nos Estados Unidos — a primeira vez, em 2008. As inseminações feitas em Priscila, no entanto, não deram certo.

“O engraçado nessa situação é que, como podemos escolher o doador de acordo com as características físicas dele presentes em uma lista e fizemos o processo nos Estados Unidos, todos achavam que íamos optar por um loiro, de olhos azuis, para ter a criança que muitas pessoas consideram ‘perfeita’”, recorda Mariana. Como, porém, a mãe biológica das bebês seria Priscila, já que os óvulos seriam dela e as filhas ficariam em seu útero, o casal optou por selecionar um doador que tivesse características parecidas com as de Mariana, ou seja, olhos castanhos e cabelo castanho, como grande parte dos brasileiros. “Além disso, meu sangue é RH negativo, o que reduziu ainda mais a lista”, acrescenta Priscila.

Após as tentativas frustradas nos EUA, as empresárias descobriram que não havia impedimentos legais a um casal homossexual ter filhos com doação de sêmen no Brasil. Elas tentaram uma terceira vez já em território brasileiro, não conseguiram. Na quarta tentativa, foram bem-sucedidas. “Foram três óvulos fecundados. Dois vingaram. É curioso que, enquanto dizem que uma das meninas é a cópia da Priscila, as pessoas comentam que a outra bebê é a minha cara”, ri Mariana. As duas pretendem contar para as crianças, quando forem mais velhas, sobre como elas foram geradas “pela ajuda de uma pessoa superbacana”. “Acho que não pode ter segredo. Quanto mais mistério você faz, mais tabu você coloca sobre o assunto, o que dá mais abertura para o preconceito”, destaca a mãe biológica. Elas contam que as pequenas chamam ambas de mamãe e que nunca houve discriminação quanto ao fato de terem sido geradas por doação de sêmen ou por serem filhas de duas mulheres.

O andrologista Eduardo Pimentel, do Instituto de Reprodução Assistida Verhum, diz que a doação de sêmen pode ser feita por qualquer homem saudável, entre 18 e 40 anos. “Obrigatoriamente, a doação deve ser anônima, mas características físicas como cor da pele e dos cabelos, estatura, biótipo, raça e tipo sanguíneo são registradas. Esse cuidado é fundamental para que a receptora tenha o sêmen de um doador o mais parecido possível com seu parceiro e futuro pai (ou parceira) do eventual bebê gerado pela fertilização in vitro (FIV)”, detalha.

Pimentel alerta que a necessidade de escolher as características do doador a fim de que sejam mais próximas do pai — ou da outra mãe — da criança serve para evitar conflitos psíquicos-sociais que possam vir a surgir para o casal ou para o filho. “O gameta escolhido é, então, enviado em recipiente específico, contendo nitrogênio líquido, ao laboratório onde ocorrerá a FIV. As condições de armazenamento durante o transporte são as mesmas do banco de sêmen. No laboratório, procede-se o descongelamento e a FIV é realizada”, descreve. Ele complementa que a indicação básica para o uso de banco de sêmen é a ausência de espermatozoides do marido ou o caso de casais homossexuais, e nunca para ter um filho “mais bonito”, por exemplo.

Laços
Se para o casal homossexual a questão de usar o sêmen de um doador era bem resolvida, entre a funcionária de serviços gerais Daiana* e o marido, Arthur*, vendedor, ambos com 33 anos, a ideia não foi aceita com tanta facilidade inicialmente. “Eu tenho um problema de fertilidade e, logo que descobri, fiquei meio arredio, pois isso mexe com o nosso ego”, conta Arthur. Após saber do problema, o casal pensou em adotar uma criança. Arthur, contudo, começou a ponderar o assunto: “Se eu estava disposto a aceitar uma criança que não tinha laços de sangue com nenhum de nós, por que eu não poderia aceitar uma que tinha laços com a minha mulher?”. Os dois conversaram muito sobre a doação de espermatozoides, pois Daiana sempre sonhara em ser mãe.

Ambos escolheram um doador com características físicas semelhantes à do pai e Daiana fez a fertilização in vitro. “Estou grávida de três meses, de uma menina. Para mim, não há diferença se ela é filha biológica do meu marido ou de uma pessoa desconhecida. O que importa é que vamos criá-la com muito amor e carinho”, assegura a funcionária de serviços gerais. Eles afirmam que tiveram o apoio da família para fazer o procedimento e que, quando a bebê for maior, pretendem explicar-lhe que ela é fruto de uma doação de gametas.

De acordo com Sandro Esteves, fundador e diretor clínico da Androfert, clínica paulista especializada em infertilidade masculina, além dos exames feitos pelo doador para comprovar que não tem nenhuma doença transmissível, o voluntário fornece informações, como em uma entrevista, sobre seu histórico de saúde. “O risco de transmissão de doenças para o bebê e a mãe é mínimo, devido às medidas preventivas, como as sorologias e a quarentena do sêmen (veja infografia). Não há, entretanto, como assegurar a veracidade de todas as informações médicas fornecidas pelo doador”, esmiuça. Ainda assim, Esteves admite haver o risco de a criança nascer com malformações, mas salienta que as chances são as mesmas observadas na população geral.

A fim de evitar a disseminação de genes relativos a doenças raras e o incesto acidental entre meio irmãos e meia irmãs, Esteves afirma que, no Brasil, o homem que cede seus gametas para outras pessoas não pode gerar mais de duas concepções em uma área geográfica que compreenda cerca de 1 milhão de habitantes. Essa medida visa prevenir casos como o do norte-americano Ryan Kramer, que descobriu ter pelo menos 150 irmãos ao redor dos Estados Unidos. Gerado a partir de uma doação de sêmen, o jovem de 20 anos conheceu seus mais novos parentes quando sua mãe, Wendy, criou um site para que Kramers os localizassem. Se o jovem esperava encontrar, no máximo, 20 irmãos, levou um susto ao notar que o número de familiares era 7,5 vezes maior.

* Os nomes foram trocados a pedido dos entrevistados

Obrigatoriamente, a doação deve ser anônima, mas características físicas como cor da pele e dos cabelos, estatura, biótipo, raça e tipo sanguíneo são registradas"
Eduardo Pimentel, andrologista

Cuidado necessário
O ideal é que a mãe e o feto tenham o fator Rh sanguíneo compatível, para evitar a doença eritroblastose fetal. Esse problema de saúde é causado quando o sistema imunológico da mãe produz anticorpos contra os glóbulos vermelhos do sangue do bebê, já que o Rh da criança é positivo e o materno é negativo. Os anticorpos destroem esses glóbulos, podendo causar anemia no feto. Para evitar esse problema, pode-se fazer uma transfusão de sangue para o bebê ou, mais comumente, o médico dar uma injeção de imunoglobulina na mãe, para impedir a formação dos anticorpos.

Fonte Correio Brasiliense

Novas lentes e técnicas cirúrgicas garantem olhos livres de óculos

Em 1984, Herbert Vianna, cantor e guitarrista dos Paralamas do Sucesso, já reclamava na música Óculos que as meninas do Leblon não olhavam para ele, coitado, devido ao uso do acessório. Triste, o rapaz da música disparava: “Por trás dessa lente também bate um coração”. Encarados por alguns como inimigos da boa aparência, os óculos já foram, para muita gente, a única opção para uma visão saudável. Atualmente, porém, esse “detalhe” pode facilmente ser deixado de lado. Segundo médicos, o avanço das cirurgias a laser e das lentes de contato e intraoculares transformaram, em grande parte dos casos, o “detalhe” em opção.

A especialista em cirurgia a laser da clínica Vision Oftalmologia Sudoeste, Renata Bettarello, considera que as pessoas hoje só utilizam óculos se quiserem. “São tantos tratamentos, tantas opções, que na maioria das vezes eles funcionam mesmo como um acessório”, percebe. “Um exemplo são os pacientes com astigmatismo moderado e elevado, que só contavam com lentes rígidas e óculos”, aponta. Atualmente, conta a oftalmologista, pessoas com esses problemas podem fazer uso de lentes gelatinosas, mais confortáveis, inclusive para graus altos, ou optar pela correção a laser. Para miopias ou hipermetropias muito elevadas, o paciente pode optar por lentes de contato ou operação a laser. E nos casos em que a intervenção cirúrgica não é aconselhável, há a possibilidade de realizar o implante de lentes intraoculares para a redução do grau.

Para Edson Silvério, especialista em doenças refrativas da Visão — Institutos Oftalmológicos Associados, a todo momento surgem novas opções de tratamento para a miopia e o astigmatismo. Contudo, a maior novidade para ele é a cirurgia para a presbiopia, a popularmente chamada vista cansada. “O problema surge a partir dos 40 anos e só era corrigido com lentes e óculos. Atualmente, podemos ajustá-la com a cirurgia a laser”, explica.

Outro destaque, na opinião de Silvério, é a qualidade dos lasers. Atualmente, as cirurgias estão sendo realizadas com o Allegretto Eye-Q 400Hz, raio considerado mais seguro e preciso pela FDA (órgão que regulamente tratamentos médicos nos Estados Unidos). “É o que há de mais moderno. Com ele, a cirurgia é realizada de forma personalizada, levando em conta que cada pessoa tem olhos com características distintas. Esse laser age diretamente no problema”, ressalta.

O procedimento é realizado a partir da análise de frente de onda, uma avaliação que detecta a forma como a luz que entra no olho atinge a retina. Dessa forma, o laser trata o problema de forma individualizada. A médica Renata Bettarello explica ainda que, devido à maneira como os novos lasers incidem na córnea, já é possível minimizar os problemas da visão noturna como os halos ao redor da luz, que geravam alguma insatisfação após as cirurgias com os lasers convencionais.

Adaptação
Esses avanços beneficiam pessoas como Maria Alice Franco, 51 anos, que sofria com a hipermetropia, a presbiopia e o astigmatismo. Os óculos receitados pelo médico ficavam em qualquer lugar, menos no rosto da analista de sistemas. “Tudo que aperta meu rosto me dá dor de cabeça, por isso evitava usar”, justifica. Vendo que não se adaptaria ao acessório, Maria Alice tentou usar lentes de contato, mas também sentiu dificuldades. “Trabalho o dia todo em frente ao computador, tenho olho seco, a lente realmente não era a melhor a opção”, recorda. Cansada da situação, resolveu se submeter à cirurgia refrativa para resolver os problemas de visão. Segundo ela, foi a melhor decisão. “Exergo muito bem, faço tudo, posso dirigir sem medo”, comemora.

Renata Bettarello ressalta que há alguns estudos apontando para a possibilidade futura de diminuição do grau de pacientes portadores de doenças corneanas como o ceratocone com o laser. Para que o procedimento se torne seguro nos casos dessa doença é necessário fortalecer a córnea com a aplicação de colírio de vitamina B2 associado à radiação ultravioleta, procedimento chamado de crosslinking. Ela explica também que nos casos da presbiopia, além do procedimento a laser, já é possível em alguns casos o implante de lentes intraoculares multifocais, aquelas que permitem a visão tanto para perto quanto para longe.

A design de interiores Sandra Mattos, 46 anos, conta que a melhor coisa que aconteceu na vida dela foi a realização da cirurgia com aplicação da lente intraocular. Desde os 7 anos, ela dependeu de óculos e lentes para corrigir os sete graus de hipermetropia e astigmatismo. “Os médicos não acreditam que eu consegui aprender a ler. Era como se eu fosse cega. Me sentia um patinho feio com aquele fundo de garrafa. Óculos é como uma máscara”, diz. Em 2005, Sandra passou por uma cirurgia semelhante à de catarata para o implante de duas lentes em cada olho. Hoje, diz, enxerga tudo. “Posso mergulhar de olhos abertos, já acordo enxergando, é uma maravilha.”

Catarata
Nos casos de cirurgia de catarata, o especialista João Luiz Pacini relata que, atualmente, mais de 60% dos pacientes que passam por ela não precisam mais usar óculos. Essa doença é caracterizada pelo turvamento progressivo do cristalino causando problemas como a absorção da luz que chega à retina. Há seis tipos de catarata: senil, congênita, inflamatória, metabólica, traumática e medicamentosa. De acordo com ele, a cirurgia é muito segura por ser de alta tecnologia. “É geralmente rápida, eficiente e indolor”, assegura.

Para o próximo mês, já está previsto o lançamento da lente multifocal tórica, voltada para os pacientes com alto astigmatismo e que ainda não tinham indicação de lente intraocular. Segundo Pacini, com a nova tecnologia, o índice de pessoas operadas e que não utilizarão mais os óculos vai aumentar.

No procedimento, o especialista retira o cristalino doente e opaco do olho com baixa visão e o substitui por um cristalino artificial (lente), que pode ser monofocal ou multifocal. A utilização desse último não é aconselhável se o paciente possuir algum problema na retina, como a retinopatia diabética ou a degeneração macular.

Visão clara

Veja as opções de tratamento para alguns problemas de vista:

Doenças refrativas
Miopia — visão desfocada
Hipermetropia — visão desfocada para perto
Presbiopia — perda da capacidade de acomodação e focalização para perto
Astigmatismo — visão distorcida para perto e para longe

Tratamento
A cirurgia refrativa é um procedimento que corrige os erros, modificando a forma da córnea e, consequentemente, o modo como a luz é recebida internamente pelos olhos. O procedimento com laser é realizado sob o efeito de anestesia e é aplicado durante dois segundos para cada grau

Catarata
Caracterizada pelo embaçamento do cristalino, a lente natural dos olhos

Tratamento
De tempos em tempos, surgem avanços nesse procedimento. A novidade é a aplicação da lente multifocal. O cirurgião retira o cristalino e insere a lente que proporciona uma melhor visão, tanto para perto quanto para longe

Cerotocone
Doença caracterizada pelas mudanças estruturais na córnea, tornando-a mais fina e com formato de cônico

Tratamento
Tradicionalmente, o paciente usa óculos, lentes de contato especiais e cirurgia. Mas, atualmente, está disponível um tratamento chamado crosslinking, que consiste na aplicação de vitamina B2 associada à ultravioleta do tipo A na córnea do paciente, o que proporciona o enrijecimento da córnea. Em alguns casos, o paciente não precisará mais usar óculos.

Fonte Correio Braziliense

Revista lista pessoas que se destacaram na cicência durante este ano

A boa prática científica é baseada na busca incansável da verdade e na vontade de melhorar a vida das pessoas. Por terem agido dessa forma, oito pesquisadores foram escolhidos pela Nature, uma das mais prestigiosas revistas científicas do mundo, para integrar a lista de personalidades que se destacaram no meio acadêmico em 2011.
Outras duas pessoas completam a relação, publicada na edição de hoje do periódico, por motivos diferentes. O psicólogo social alemão Diederik Stapel é mencionado porque manipulou e inventou dados em suas pesquisas sobre preconceito e estereótipos. Ao ser investigado e afastado pela Universidade Tilburg, na Holanda, tornou-se um exemplo de como devem ser tratados aqueles que insistem em praticar a má ciência. Já a inclusão da menina Danica May Camacho, que completará 2 meses no próximo dia 31, serve para lembrar que as pessoas a quem o conhecimento produzido deve ajudar somam agora 7 bilhões, como estimou a Organização das Nações Unidas (ONU) no dia em que a pequena filipina nasceu, 31 de outubro.

Perseguir a verdade pode significar, em alguns casos, questionar gênios que parecem infalíveis. A lista da Nature é iniciada com um perfil de Dario Autiero, físico à frente da equipe responsável pelo anúncio, em 23 de setembro, de que partículas subatômicas conhecidas como neutrinos aparentemente atingiram uma velocidade maior que a da luz ao percorrer os 730km que separam o Centro Europeu de Pesquisa Nuclear (Cern) de um laboratório em Gran Sasso (Itália). Caso o resultado seja confirmado por outros especialistas, a Teoria da Relatividade, elaborada por Albert Einstein e que prevê que nada pode ultrapassar a velocidade da luz, deverá ser revista, assim como boa parte da física moderna.

Como bons cientistas, Autiero e seu grupo analisaram os dados por meses antes de divulgá-los e convidaram os colegas a verificarem se estão certos ou errados. “Quando vi os dados pela primeira vez, tive certeza de que havia algum erro. Depois, percebemos que não havia mais nada que podíamos fazer com aquelas informações. Era nosso dever divulgá-las, para que outros pudessem analisá-las”, revela o físico à Nature.

A busca por respostas também pode levar à confirmação daquilo que outros um dia imaginaram. O também físico Mike Lamont integra a lista por coordenar os choques entre prótons realizados no Grande Colisor de Hádrons (LHC), o acelerador de partículas do Cern. Graças a essas experiências, os cientistas puderam estimar o peso do bóson de Higgs — partícula cuja existência ainda não foi comprovada, mas que seria a responsável pela formação da matéria, logo de todo o Universo. Nunca os cientistas estiveram tão próximos da chamada “partícula de Deus”, proposta pelo pesquisador britânico Peter Higgs nos anos 1960.

Outras perguntas que ficaram mais perto de ser respondidas em 2011 foram as inquietantes “estamos sós?” e “há outros planetas como a Terra?”. Graças ao telescópio orbital Kepler, da Agência Espacial Norte-Americana (Nasa), os cientistas já conseguiram identificar 28 planetas orbitando estrelas fora do Sistema Solar (os chamados exoplanetas). Um deles — o Kepler 22b —, confirmado no início deste mês, está dentro da zona habitável de sua estrela, sendo, até agora, o principal candidato a “nova Terra”.

O trabalho de Sara Seager, especialista do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), merece destaque por indicar um promissor avanço nessas pesquisas. A astrofísica trabalha na elaboração de uma nova classe de telescópios que possibilitará análises mais precisas dos exoplanetas, ajudando os pesquisadores a confirmar se existem no Universo corpos semelhantes à Terra e que podem, portanto, abrigar vida. “(Daqui a centenas de anos), as pessoas olharão para trás e não se lembrarão de mim ou de você. Elas vão se lembrar de nós como a geração que primeiro encontrou mundos parecidos com a Terra”, aposta em entrevista à Nature.

Desafiadores

Chama a atenção o destaque dado a três cientistas que usaram seu conhecimento para questionar políticos e governantes. O engenheiro Essam Sharaf — que, depois de participar ativamente dos protestos contra o ditador Hosni Mubarak, tornou-se primeiro-ministro do Egito, cargo que ocupou até mês passado — é elogiado por ter proposto uma revolução social em seu país por meio de mais investimentos na educação e em pesquisas científicas.

Já o biólogo japonês Tatsuhiko Kodama, chefe do Centro de Radioisótopos da Universidade de Tóquio, denunciou durante uma audiência pública no parlamento de seu país, que as autoridades estavam sendo negligentes ao não evacuar a região de Fukushima, palco de um dos maiores desastres em usinas nucleares da história, causado pelo forte terremoto que atingiu o Japão em 11 de março. Foi depois do desabafo emocionado de Kodama que o governo se viu obrigado a dar informações mais precisas sobre o acidente e a retirar a população do local. Na edição de hoje da Nature, Kodama afirma que o governo japonês ainda dificulta o trabalho da imprensa e as análises de cientistas que querem averiguar a real dimensão da tragédia, em uma “censura muito incomum em países democráticos”.

A lista de desafiadores é completada por Lisa Jackson, nomeada chefe da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos pelo presidente norte-americano, Barack Obama. Jackson é responsável pela admissão por parte do governo americano de que os gases do efeito estufa são nocivos ao meio ambiente e às pessoas e, por isso, devem ser controlados. A afirmação pode parecer óbvia, mas representou uma mudança profunda na postura dos EUA em relação ao tema. O país nem sequer ratificou o Protocolo de Kyoto, documento no qual as nações desenvolvidas se comprometem a diminuir as emissões de carbono. Ao assumir a postura ambientalmente correta, amparada por inúmeras pesquisas, a engenheira química se tornou um dos alvos preferidos do Partido Republicano. Só neste ano, foi convocada 11 vezes pela oposição para dar explicações no Congresso de seu país.
Fonte Correio Braziliense