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terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Sob pressão de custos, companhias se unem para cortar gastos com saúde

Gestão de negócios para reduzir custos na sua oficinaOs custos com planos de saúde transformaram-se num pesadelo para as empresas. Na maioria delas, representa a segunda maior despesa com pessoal, perdendo apenas para a folha de pagamento. Em alguns casos, até mais

O descompasso entre aumentos de preços em geral e a chamada inflação médica começou em meados da década passada. Mas tornou-se mais perceptível a partir do controle inflacionário. Os reajustes nos planos de saúde equivalem hoje a duas a três vezes o índice do IPCA, segundo pesquisa feita no ano passado pela Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH) e a Aliança para a saúde populacional (Asap).

Em conversas informais empresários perceberam que tal pressão de custos era comum a todos. Há seis meses, a ABRH e Asap – essa última representante de consultorias especializadas na gestão de saúde – criaram um fórum, que mensalmente reúne executivos para trocar experiências. As mais bem-sucedidas revelam empresas que incluíram a saúde dos empregados nos programas de gestão.

As empresas instaladas no Brasil arcam com dois terços do que se gasta com saúde no país, segundo dados da ABRH e Asap. Elaborada pela união das duas entidades, a pesquisa concluída no segundo semestre de 2017 envolveu 668 empresas que, juntas, têm 1,3 milhão de empregados e 3 milhões de beneficiados, incluindo dependentes. Um universo equivalente a quase 10% do total coberto pelos planos de saúde no país.

À pesquisa a maioria dos entrevistados respondeu que os reajustes de preços desses planos equivalem a, no mínimo, duas a três vezes a inflação e alguns garantiram que já arcaram com aumentos seis ou sete vezes acima do IPCA. “É como se a boca do jacaré não parasse de abrir”, diz o diretor de desenvolvimento de pessoas da ABRH Brasil, Luiz Edmundo Rosa. Segundo ele, o fórum reúne, por enquanto, 20 grandes grupos, entre os quais estão Itaú, Petrobras, Johnson & Johnson, Pirelli, Sherwin Williams e Natura. A união para cortar custos e incluir a saúde na estratégia empresarial provocou a necessidade de formar as equipes de recursos humanos. Em parceria com uma universidade cujo nome está em sigilo, em maio será lançado um curso de capacitação em gestão de saúde corporativa. “Antes, falávamos do problema para nós mesmos. Mas não adianta reclamar dos aumentos de preços e simplesmente delegar às operadoras o cuidado com os funcionários.

É preciso criar uma inteligência de saúde dentro da empresa”, diz a presidente da Asap, Ana Elisa Siqueira. Para Rosa, da ABRH, os empresários correm sérios riscos de não conseguir conter essa escalada de custos quando delegam a uma única pessoa a responsabilidade de gerir a segunda maior despesa da companhia. Mas muitos já se deram conta disso.

Desde outubro de 2016, a farmacêutica Biolab tem uma área interna criada pelas áreas de recursos humanos e financeira. Em parceria com uma consultoria, foram tomadas várias medidas. Uma delas consiste em fazer uma análise de todos os pedidos de procedimentos médicos e exames dos seus 6,9 mil funcionários. Às 6h da manhã, diariamente, a superintendente de RH, Luciana Lourenço, recebe uma lista dos pedidos que envolvem as principais especialidades, como ortopedia e cardiologia.

Na triagem, médicos que trabalham para a empresa podem ser acionados para dar uma segunda opinião. Mas, segundo Luciana, o sucesso desse tipo de ação depende da confiança do trabalhador na empresa. A Biolab fez parceria com o Serviço Social da Indústria (Sesi) para oferecer exames em clínicas ambulantes, que estacionam nos pátios das fábricas do grupo. E acompanha todas as internações.

Bosch criou um comitê que trabalha na saúde como se fosse desenvolver um novo produto da companhia.

Os resultados são gratificantes. Luciana acompanhou toda a recuperação do filho de um funcionário do Espírito Santo. O garoto ficou órfão depois de um acidente em que os pais morreram e ele ficou gravemente ferido. "No modelo antigo eu não conseguiria interferir; só saberia o que aconteceu quando recebesse o relatório do tempo que ele passou na UTI", diz.

As grandes empresas têm trocado planos pré-pagos por pós-pagos, nos quais só se paga quando usa. "O risco de fazer essa troca sem, paralelamente, criar um programa de gestão é como deixar o carro sem seguro estacionado numa rua escura", diz Luciana.

Com as duas ações, em um ano a Biolab reduziu os custos com plano de saúde em 30%. "Pagamos hoje, por beneficiado, o equivalente ao valor de três anos atrás", diz o diretor financeiro, Alexandre Iglesias. "Se as empresas não assumirem essa gestão terão que arcar com uma despesa impagável".

A preocupação dos empresários com os custos com planos de saúde não afeta apenas o Brasil. Conforme noticiado na edição de ontem do Valor, três gigantes americanas - Amazon, Berkshire Hathway e JP Morgan - uniram-se para criar uma empresa sem fins lucrativos para conter gastos com os planos de saúde de seus quase 1 milhão de funcionários.

Com 8,5 mil funcionários e 24 mil vidas, incluindo dependentes, a Bosch decidiu enxugar a estrutura de convênios ao perceber que o "crescimento desse custo estava desproporcional", diz o diretor de Recursos Humanos, Fernando Tourinho. "Nada sobre 20% a 22% ao ano." Também na Bosch, o custo com saúde representa a segunda maior despesa com pessoal. Há quatro anos, o número de operadoras foi reduzido de oito para três e a quantidade de planos caiu de 27 para sete.

Mas a ação que mais orgulha Tourinho foi a criação de um comitê interno que envolve gestores de RH, médicos internos e funcionários de outras áreas. Segundo o executivo, a ideia é fazer com a saúde o que um grupo de trabalho faria se tivesse que lançar um novo produto da Bosch. "Se sabemos desenvolver a inteligência artificial de um automóvel temos a obrigação de saber fazer o mesmo com a vida das nossas pessoas", destaca.

Parcerias com consultorias, Sesi e um trabalho de revisão do cardápio das fábricas para oferecer alimentos mais saudáveis e reduzir o nível do sal também fazem parte da mudança de conceito sobre saúde na Bosch. Esse esforço ajudou a cortar custos. Mas Tourinho não revela números. Segundo ele, vale mais a qualidade atingida.

O presidente do Grupo Fleury, Carlos Marinelli, defende a integração entre as operadoras, planos de saúde e hospitais. "Não temos bala de prata para resolver os problemas. Este é um setor complexo e que tem incentivos cruzados, difíceis de serem resolvidos, principalmente por ser uma área muito politizada", diz.

Nessa mudança de modelo, começa a mudar também o perfil do exame ocupacional. Os médicos que prestam esse serviço abriram o jogo e contaram à equipe da Bosch que no exame ocupacional eles não têm tempo de "ser médicos". "Se um operário me diz que está com gastrite, não dá tempo de examiná-lo", contou um deles. Para eliminar a parte das perguntas, a empresa implantou um software que leva ao médico o prontuário do funcionário antes de ele entrar na sala.

Já faz mais de oito anos que a prevenção entrou na agenda da General Electric . Com a ajuda de consultores, foi implementado um forte programa de combate ao tabagismo, sedentarismo e obesidade. Com convênios com seis operadoras, a empresa também trocou o plano pré-pago pelo pós-pago. A conduta mudou os hábitos de 33 mil vidas espalhadas pelo país, segundo a GE, que diz assistir, silenciosamente, à transformação nas pessoas e suas escolhas.

Farmacêutica promete mudanças ante crise de opioides nos EUA

O fabricante do fármaco para a dor mais vendido do mundo, Purdue Pharma, acusado de se beneficiar de uma mortífera crise de opioides que afeta a classe média dos Estados Unidos, anunciou uma mudança de rumo

A empresa assegurou que pediu a seus vendedores que não encorajem os médicos a receitarem medicamentos contra a dor, incluindo o popular analgésico OxyContin, com frequência abusados por dependentes químicos. “Reestruturamos e reduzimos significativamente nossa operação comercial e nossos representantes de vendas já não promoverão os opioides aos médicos prescritores”, afirmou a Purdue Pharma.

A prescrição excessiva de medicamentos para a dor provocou o vício de milhões de americanos, assim como uma explosão de overdoses fatais, como a do ícone pop Prince e a do roqueiro Tom Petty. A Purdue Pharma é um dos fabricantes apontados pela cidade de Nova York em um processo de 500 milhões de dólares apresentado em janeiro para recuperar custos que poderiam ajudar a combater a crescente crise de opioides.

As mortes por overdose em Nova York dobraram entre 2010 e 2016, quando mais de 1.000 pessoas faleceram por excesso de opioides. Segundo o processo, o número é maior que o das mortes de nova-iorquinos por acidentes de carro e homicídios combinadas. O processo acusa os fabricantes de propaganda enganosa e os distribuidores de abastecimento excessivo de analgésicos receitados, o que representa uma carga para a cidade pelos custos de atendimento médico, justiça penal e segurança.

Em outubro, o presidente Donald Trump descreveu a crise de opioides como uma emergência nacional de saúde pública. Estima-se que 2,4 milhões de americanos são viciados em opioides, narcóticos que incluem tanto os analgésicos receitados como a heroína. A Purdue Pharma publicou em seu site uma advertência sobre os efeitos dos opioides e disse que está comprometida “a ser parte da solução, ao se associar com a polícia local, agências do governo locais e estatais e grupos comunitários em todo o país”.

Mas segundo um informe difundido na segunda-feira pela senadora democrata Claire McCaskill, a Purdue Pharma apoiou financeiramente o Washington Legal Foundation, um grupo que em 2016 criticou as recomendações dos Centros para o Controle e Prevenção de Doenças dirigidas a limitar a prescrição de opioides em casos de dor crônica. “As organizações que recebem um financiamento sustancial dos fabricantes ampliaram e reforçaram as mensagens a favor de um maior uso de opioides”, disse McCaskill.

Istoé

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Tratamento para o alcoolismo dá novo rumo à terapia anticâncer

Tratamento câncer
Tratamento câncer (iStockphoto/Getty Images)
O dissulfiram é uma medicação usada há mais de 60 anos no tratamento do alcoolismo, que mostrou efeito benéfico contra o câncer

O dissulfiram, conhecido comercialmente como Antabuse, é uma medicação usada há mais de 60 anos no tratamento do alcoolismo. Como em tantos outros casos, essa foi uma descoberta casual feita em 1937. O dissulfiram era uma substância utilizada no beneficiamento da borracha e se percebeu que os trabalhadores constantemente expostos a ele, desenvolviam dores pelo corpo, semelhantes a um quadro gripal, quando ingeriam bebidas alcoólicas. 

Descoberta ao acaso
No início dos anos 70 ocorreu a publicação de um caso clínico de uma senhora portadora de câncer de mama que havia se espalhado para os ossos e que, por ter desenvolvido alcoolismo severo, teve o seu tratamento do câncer suspenso e substituído por dissulfiram. Esta paciente veio a falecer dez anos depois por “despencar embriagada” de uma janela. Na autópsia, surpreendentemente, as metástases ósseas haviam desaparecido.

Este caso motivou várias pesquisas que demonstraram que o dissulfiram, em laboratório, era capaz de matar células cancerosas de vários tipos e também era capaz de retardar o crescimento de câncer em animais. Em 1993, foi realizado um pequeno estudo clínico com 64 pacientes, metade dos quais recebeu dissulfiram em adição ao tratamento padrão. Após seis anos de seguimento, a sobrevida do grupo que recebeu dissulfiram foi de 81% comparada a 55% no grupo controle.

Um estudo epidemiológico, realizado na Dinamarca, utilizando o registro nacional de oncologia, identificou mais de 240.000 casos de câncer entre os anos de 2000 e 2013. Entre estes, 3.000 pacientes receberam Antabuse (dissulfiram). A taxa de mortalidade por câncer entre os 1177 pacientes que continuavam tomando Antabuse era 34% menor do que entre os pacientes que abandonaram o seu uso.

Mecanismo de ação do dissulfiram
Apesar de todas estas evidências, o uso do dissulfiram no tratamento do câncer não prosperou, em parte por conta de resultados inconsistentes e em parte porque os pesquisadores não entendiam como o dissulfiram funcionava. Finalmente este mistério parece ter chegado ao fim graças a um grupo de cientistas escandinavos e americanos que, em 14 de dezembro, publicaram na revista Nature, o mecanismo de ação do dissulfiram.

De uma maneira simplificada podemos dizer que um dos produtos do metabolismo do dissulfiram se liga ao cobre dentro das células. Como consequência, este produto impede a célula cancerosa de se livrar do lixo metabólico que ela produz, causando uma “intoxicação ” e a sua morte.

Para os leitores mais afeitos à ciência, a proteína inibida pelo Ditiocarb (produto do metabolismo do dissulfiram) complexado com cobre se chama NPL4 e o sistema de “limpeza” do lixo celular é o sistema da ubiquitina proteassomal. É importante notar que o dissulfiram não tem esse efeito em células normais nem em qualquer célula cancerosa.

Este efeito é notado principalmente nas células-tronco cancerosas, que transportam cobre em quantidades 10 vezes maior que as outras células. Hoje se sabe que são essas células-tronco cancerosas as responsáveis pelo desenvolvimento de resistência aos quimioterápicos e recorrência dos tumores.

Coadjuvante ao tratamento
Deste modo, o dissulfiram não deve ser uma “cura” para o câncer, mas um coadjuvante para prevenir a resistência e a recorrência. Entre os tumores nos quais as células-tronco têm um papel proeminente na agressividade, está o glioblastoma, cujo tratamento atual é um desafio.

Evidentemente essa descoberta agora necessita da demonstração prática de sua utilidade através de grandes estudos clínicos que a indústria farmacêutica reluta em financiar, porque o dissulfiram é uma droga antiga, genérica e barata. É improvável que o lucro advindo da venda desta medicação cubra os custos dos estudos clínicos necessários. São estudos que certamente serão conduzidos pelos grandes centros mundiais de tratamento do câncer.

Referência: Nature 552, 194–199 (14 December 2017)
doi:10.1038/nature25016

Veja

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Varizes estão ligadas à herança genética, hormônios e obesidade

Se não tratadas, podem deixar sequelas, algumas graves e fatais

É mito, as varizes não são decorrência de uso de saltos altos, nem por cruzar as pernas por longos períodos, muito menos por subir ou descer escadas. Quem garante é o diretor da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV), Daniel Mendes Pinto. Em contrapartida, ele esclarece que essa doença está relacionada à herança genética, que é a principal causa da enfermidade, ao uso de hormônios, em especial anticoncepcional, e à obesidade.

Prevenir e atenuar o surgimento de varizes tem a ver com o uso de meias elásticas e a prática de atividade física. Nesse último caso, o médico recomenda exercícios que priorizam a força muscular na região da panturrilha (vulgo 'batata da perna').Daniel destaca que ginásticas desse tipo na água são as mais eficazes, seguidas de musculação, caminhada e corrida. Dependendo, é claro, de avaliação caso a caso.

Essas recomendações e esclarecimentos não se trata de alarde. Ao contrário, destaca o médico, tendo em vista que o percentual mundial da doença gira, em média, na casa dos 20% da população adulta. Também de acordo com o especialista, esse índice fica entre 20% e 25% das mulheres. No caso dos homens, entre 15% e 20%.

Daniel explicou ainda que “varizes não matam”, porém deixam sequelas e são janela para outras enfermidades. Ele lista flebite (inflamação venosa), tromboses - que, dependendo da gravidade, podem levar a uma embolia pulmonar e pode ser fatal - e a úlceras (feridas). Isso sem falar no incômodo do inchaço e da dor nas pernas.

As varizes podem causar ardência, dores, sensação de peso e inchaço nas pernas. Em alguns pacientes pode haver mudanças na tonalidade da pele.

Grávidas
No caso das mulheres gestantes, as varizes podem ser uma ameça se estiver presente a questão genética associada ao excesso de peso. Esse último fator aumenta consideravelmente a compressão do útero sobre a região pélvica. O médico reforça a recomendação de controle do peso, atividade física e uso de meias, que, conforme ele, as mais indicadas para todos os pacientes, não só gestantes, são as que vão até os joelhos.

A novidade dos últimos três anos, segundo o especialista, são os remédios livres do efeito colateral da gastrite. “Também estão mais eficazes”, assevera Daniel. De acordo com o médico, o tratamento indicado vai depender dos sintomas.

No caso de veias pequenas, as escleroterapias são as mais indicadas. Veias grandes, a prescrição é a cirurgia. No caso da escleroterapia, há desde aplicação de remédios para redução do calibre das veias, passando por laser, radiofrequência, para secar os vasos, resultado que também pode ser obtido no tratamento com espumas, que é um tipo de medicamento assim denominado.

Daniel alerta que os pacientes de varizes não devem adiar o tratamento. Ele lembra que dores crônicas podem levar a quadro de depressão e outras alterações de humor, que, por sua vez, levam à baixa produtividade e/ou pouca ou nenhuma sociabilidade dos enfermos.

Cirurgia no SUS
Apesar disso, levantamento realizado pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) aponta que a fila para cirurgia de varizes no SUS é a maior entre as cirurgias eletivas em três estados dos 16 que encaminharam a demanda para o Sistema Único de Saúde (SUS). Minas Gerais lidera a estatística, seguido por Mato Grosso do Sul e Paraná. Em Minas, são 31.440 pacientes aguardando; no Mato Grosso, 4.787; e no Paraná, 1.359.

De acordo com Daniel Botelho, dependendo da doença, o paciente corre risco de agravamento do quadro, o que aumenta o potencial de complicações quando a cirurgia for realizada. “No caso específico das varizes dos membros inferiores, principalmente nas fases mais avançadas da doença, a população permanece com queda da qualidade de vida determinada pela doença, com elevado índice de afastamento do trabalho e riscos determinados pelo agravamento progressivo do quadro clínico”, afirma.

Foto: Reprodução

Saúde Plena

Primeiro remédio à base de maconha chega em março

Mevatyl Medicamento estará disponível por até R$ 2.800

Mais de um ano após a aprovação do primeiro medicamento à base de cannabis no Brasil, o remédio, indicado para pessoas com esclerose múltipla, deve chegar às farmácias em março. O preço elevado, no entanto, faz médicos e pacientes questionarem quem conseguirá, de fato, ter acesso a ele. Cada caixa custará, em média, R$ 2.500 – o valor máximo que poderá ser cobrado é R$ 2.837,40 –, com três frascos que cobrem o tratamento por pouco mais de um mês.

Chamado no país de Mevatyl – e aprovado em outras 28 nações com o nome de Sativex –, o medicamento é indicado para quem sofre de espasticidade por causa da esclerose múltipla. Trata-se de uma rigidez em determinadas partes do corpo, principalmente nas pernas.

Segundo Andréa Viana, gerente médica da Ipsen, empresa que conseguiu o registro do remédio junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em janeiro de 2017, a previsão é que o Mevatyl comece a ser vendido no país em pouco mais de um mês. Originalmente, a comercialização era esperada para julho do ano passado. Depois, o prazo passou a ser até fins de 2017.

“O medicamento já está no Brasil, já foi importado. Mas os trâmites burocráticos levaram mais tempo do que imaginávamos”, afirmou Andréa a “O Globo”. Houve atraso de precificação, depois levou tempo para a importação ser aprovada, e o remédio precisou passar por controle de qualidade na saída do local de origem, o Reino Unido, e na entrada no país de destino, o Brasil.

Quanto ao preço, não há previsão de que venha a ter alguma redução. Os valores foram definidos em julho passado pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (Cmed). “Por enquanto, não há como abaixar o preço”, diz Andréa. Segundo ela, o valor é o mesmo cobrado em outros países onde o medicamento é comercializado.

A esclerose pode se manifestar por meio de diversos sintomas, como depressão, fraqueza muscular, alteração da coordenação motora, dores articulares e disfunção intestinal e da bexiga. Um dos mais comuns é a espasticidade – rigidez de uma parte do corpo, que afeta principalmente as pernas, e a incapacidade do paciente de relaxar esta parte de forma voluntária. É esse sintoma o alvo do primeiro remédio à base de cannabis aprovado no país.

Foto: Reprodução

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Saiba quais cuidados são necessários antes de contratar um plano de saúde

A contratação de convênios médicos é uma alternativa comum para quem quer garantir o acesso ao melhor atendimento. Entretanto, é preciso ficar alerta para não ter prejuízos, principalmente nos momentos de vulnerabilidade

Com a atual desesperança no sistema público de saúde e o alto custo do sistema privado, muitas pessoas buscam convênios médicos para garantir que, caso necessário, possam ter acesso à assistência médica. No entanto, o que deveria trazer alívio, muitas vezes, traz dor de cabeça quando os beneficiários se deparaream com situações em que a empresa contratad traz mais impedimentos do que soluções.

A estudante Juliana Lima, 21 anos, relata que sofre de problemas na coluna e precisaria fazer uma cirurgia para redução dos seios. Ela aderiu a um plano de saúde para realizar todo o tratamento, entretanto, a operadora não autorizou os procedimentos. “O consultor de vendas informou que, apesar de ser um plano ambulatorial, eu poderia fazer a redução. Tentamos conseguir a liberação desde que eu tinha 18 anos, e, mesmo com encaminhamento médico, a empresa não autorizou nenhum procedimento ligado ao meu problema”, lamenta.

Os dissabores com as operadoras não se limitam, entretanto, a solicitações não autorizadas. Segundo o Índice Geral de Reclamações (IGR), 32% das queixas registradas em outubro do ano passado foram relacionadas ao gerenciamento das ações de saúde por parte da operadora, como autorizações prévias e franquias. Procedimentos e coberturas registraram 12,4% das queixas, enquanto reembolsos, 9,8% do total; prazos máximos para atendimento, 9,7%; suspensão e rescisão contratuais, 9,3%; rede conveniada de atendimento, 7,5%; mensalidades, 3,5%; e outros problemas, 15,6%.

“A maioria das reclamações que recebemos é ligada à cobertura assistencial, isso porque muitos planos são antigos, não possuem cobertura pelo Rol de Procedimentos ou não foram adaptados à lei”, relata Luiz Fernando Moreira, advogado especializado em direito da saúde. “Questões ligadas a contrato e à carência também são frequentes e comumente levam a processos até ao Superior Tribunal de Justiça”, reconhece.

Mesmo que o cliente tenha um problema de saúde, as empresas não podem cobrar taxas de adesão ou se recusar a vender planos. De acordo com o especialista, se o beneficiário apresentar enfermidade antes da compra do convênio médico, a operadora pode fazer uma cobertura parcial temporária. Nesse caso, é estabelecido prazo de carência de até 24 meses, período em que o consumidor não terá acesso à UTI, a processos de alta complexidade ou a cirurgias ligadas ao problema.

“Na hora de contratar um plano de saúde, é fundamental que o beneficiário leia o contrato, no lugar de se basear nas informações prestadas pelo consultor de vendas, além de tirar as dúvidas, consultando um advogado, se necessário”, explica Moreira. “Infelizmente, as pessoas podem ser mal-intencionadas, ainda mais considerando que muitos corretores querem apenas vender o plano por pensarem que não encontrarão mais o cliente e, portanto, não haverá consequências”, acrescenta.

O advogado sugere que, durante a negociação, o beneficiário peça ao corretor que acrescente, por escrito, as promessas feitas e assine o contrato contendo esses dados. “Assim, na hipótese de um atendimento ou procedimento recusado, ele pode provar legalmente o que foi acertado durante a compra do plano tanto para a operadora quanto legalmente, se houver processo judicial”, orienta

Coberturas
Um plano de saúde é composto por coberturas assistenciais, que variam conforme previsto no Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde. Exames e tratamentos que compõem o rol devem ter cobertura obrigatória pelos convênios. As coberturas assistenciais se estendem para cinco segmentos: ambulatorial, hospitalar com ou sem obstetrícia, referência e odontológica.

A cobertura ambulatorial consiste em prestação de serviços ligados ao ambulatório, como consultas médicas. Se o procedimento médico exigir internação em hospital, ainda que abaixo do tempo definido, o cliente não terá direito a fazê-lo pelo plano. Cabe à operadora transportar o paciente até uma unidade do Sistema Único de Saúde (SUS) que tenha disponibilidade para realizar o tratamento. Para atendimentos dentários de urgência ou emergência, o plano deve ser odontológico.

A cobertura hospitalar conta com duas versões: uma com e outra sem obstetrícia. Ambas garantem a prestação dos serviços ligados à internação hospitalar e não há limite de tempo para internações após o período de carência. Na opção com obstetrícia, há cobertura assistencial ao filho recém-nascido do contratante, seja biológico ou adotivo, pelo primeiro mês após o parto. Durante o período de carência, no entanto, as regras são as mesmas da cobertura ambulatorial, com limite de 12 horas para atendimentos de emergência.

Os planos com cobertura referencial trazem tanto a assistência ambulatorial quanto a hospitalar, com obstetrícia e acomodação em enfermaria. Instituído pela lei nº 9.656/98, estipula que o beneficiário tenha atendimento integral de urgência e emergência após 24 horas da sua contratação. Garante acesso e atendimento por profissionais ou serviços de saúde, livremente escolhidos, integrantes ou não de rede credenciada, contratada ou referenciada, a ser paga integral ou parcialmente pela operadora, mediante reembolso ou pagamento direto ao prestador, por conta e ordem do consumidor.

Após o período de carência, há prazos máximos para fornecer atendimento. Serviços de diagnóstico ambulatorial por laboratório, por exemplo, têm prazo de três dias úteis, enquanto procedimentos de alta complexidade contam com 21 dias úteis. “No caso da empresa não cumprir o prazo ou recusar o atendimento, o cliente pode exigir uma justificativa da operadora por escrito e utilizar esse documento para entrar em contato com a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), que fará a apuração”, aconselha Moreira.

“Outro problema é a dificuldade em manter os planos, conforme os reajustes são feitos, principalmente de acordo com faixa etária”, observa o advogado. Os reajustes só podem ser feitos anualmente, na data de vencimento do contrato, ou por mudança de faixa etária, sendo o primeiro aos 19 anos do consumidor. A partir de então, o valor é aumentado de cinco em cinco anos até que o cliente complete 59 anos, quando o reajuste pode chegar até 70%.

É possível consultar os procedimentos, exames e tratamentos de cada cobertura assistencial no site da ANS. O beneficiário pode, também, tirar dúvidas e fazer reclamações tanto pela Central de Atendimento ao Consumidor da agência, pelo link , e pelo número 0800-701-9656. A página contém uma lista com os contatos das ouvidorias de todas as operadoras.

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Matrículas abertas para sete cursos da UNA-SUS

Profissionais podem se capacitar sobre saúde da população negra, hanseníase, influenza, TB-HIV, dengue e saúde do idoso

Cursos1

O Sistema UNA-SUS está com matrículas abertas para sete cursos online e autoinstrucionais. Interessados podem se inscrever até 29 de junho, tendo até 29 de julho para finalizar todas as atividades e então receber o certificado de conclusão.

Confira as ofertas!

Saúde da População Negra
Livre para profissionais de qualquer área do conhecimento que se interessem pelo tema, o curso promove o debate sobre o preconceito e racismo institucional, baseado em dados epidemiológicos e informações gerais sobre a população negra, sua cultura e práticas tradicionais de saúde.

A capacitação oferece aos profissionais de saúde de todo o Brasil a oportunidade para refletir e atuar na perspectiva do cuidado centrado na pessoa e na família, visando à melhoria da qualidade de atendimento e à redução das desigualdades, alinhando-se aos princípios do Sistema único de Saúde e da Política Nacional Integral da População Negra.

Dengue
A qualificação tem como objetivo familiarizar os profissionais com as recomendações atuais do Ministério da Saúde quanto ao manejo clínico da doença. A partir da análise de oito casos clínicos, os alunos poderão refletir sobre os sintomas apresentados em situações fictícias e avaliar a melhor forma de tratamento para cada paciente.

Hanseníase
O objetivo é atuar no preparo dos profissionais para atuarem no controle da transmissão da hanseníase e diminuir as incapacidades causadas pela doença. Dessa maneira, o curso ressalta a importância do diagnóstico oportuno e do efetivo controle de contatos. É dividido em três unidades: vigilância; diagnóstico e acompanhamento da hanseníase na Atenção Básica.

Para dinamizar o aprendizado, são utilizados casos clínicos, vídeo-aulas com explicações de especialistas sobre o tema, além de vídeos de apoio com dramatizações que tratam do tema da vídeo-aula. São também utilizados hipertextos, caixas de ajuda e glossário para que se possa aprofundar os conhecimentos de termos técnicos.

Atenção Integral à Saúde da Pessoa Idosa - Módulo I
Voltado para profissionais de saúde de nível superior, o curso mostra um panorama geral do envelhecimento no país e apresenta as principais questões no atendimento da população com 60 anos ou mais. O conteúdo está dividido em cinco unidades, que tratam do envelhecimento populacional, ações estratégicas, avaliação multidimensional e condições clínicas e trabalho em equipe.

Atenção Integral à Saúde da Pessoa Idosa - Módulo II
Tem como objetivo é atualizar Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e técnicos de enfermagem nas recomendações nacionais para a atenção à saúde da pessoa idosa, no âmbito da Atenção Primária à Saúde.

São abordados diversos temas relacionados à atuação desses profissionais na atenção à saúde da população idosa, como por exemplo, o mapeamento dessa população, o trabalho em equipe, o acolhimento, o planejamento de cuidados e a promoção da saúde.

Atualização do Manejo Clínico da Influenza
Voltado para médicos, o curso trata do diagnóstico diferencial entre o resfriado comum de síndrome gripal e a síndrome respiratória aguda grave, dos principais riscos de complicação e das medidas que reduzem a transmissão da gripe.

O conteúdo apresenta casos clínicos interativos com vídeos de especialistas comentando o tema abordado. Além disso, o aluno terá acesso a materiais de apoio, como fluxograma de tratamento e orientações de etiqueta respiratória.

Coinfecção TB-HIV
De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde, a tuberculose é a doença infecciosa que mais mata pessoas com HIV. Portanto, é necessário tratar as doenças de forma conjunta.

O curso fornece subsídios para que os profissionais de saúde atendam integralmente, e de forma qualificada, as pessoas coinfectadas por tuberculose e HIV.

Para isso, são abordados os aspectos etiológicos, psicossociais e clínicos da associação entre as doenças.

Fonte: UNASUS

Hospitais privados aumentam leitos enquanto os públicos reduzem

Em um ano, de dezembro de 2016 a novembro do ano passado (dado mais recente), foram abertos mais de 3.000 leitos na rede de hospitais privados

Leito de hospital desocupado

Enquanto o serviço público de saúde encolhe, o serviço privado continua crescendo.

Em um ano, de dezembro de 2016 a novembro do ano passado (dado mais recente), foram abertos mais de 3.000 leitos na rede de hospitais privados, para 133 774, de acordo com a Associação Nacional de Hospitais Privados.

O Sistema Único de Saúde diminuiu seu número total em mais de 4.000 leitos, para 303.428.

Foto: monkeybusinessimages/Thinkstock

Veja

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

DIAHV reabre seleção para estágio na área de IST, HIV/Aids e Hepatites Virais

Serão oferecidas cinco vagas para estágios de 60 dias, em 2018

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O Ministério da Saúde, por meio do Departamento de IST, HIV/Aids e Hepatites Virais (DIAHV), abriu edital de seleção para bolsas de estágios de curta duração na França em 2018, no âmbito do Programa de Cooperação Técnica Brasil-França.

São 5 vagas nas áreas temáticas de Prevenção Combinada e Direitos Humanos, Epidemiologia, Tratamento e Assistência, Economia da Saúde e Laboratório. Para participar da seleção, o candidato deve ser servidor da administração pública direta ou indireta, ou ligado a instituições governamentais ou não governamentais que atuam no combate às epidemias de IST, HIV/aids e/ou hepatites virais, exceto funcionário do DIAHV; ter idade mínima de 18 anos; fluência no idioma francês (nível B2 mínimo); haver concluído o ensino superior; e cumprir as determinações do edital.

O Ministério das Relações Exteriores da França, por meio da Embaixada da França no Brasil, concederá ao estagiário bolsa de estudos no valor de €1.704 (um mil, setecentos e quatro euros), por mês, para cobrir despesas com hospedagem, transporte local e alimentação. E o Ministério da Saúde do Brasil, por meio do DIAHV, cobrirá as despesas com passagens aéreas, em classe econômica, desde a cidade de origem no Brasil até a de destino na França, e retorno.

O prazo para os candidatos enviarem a documentação requerida na primeira etapa do processo seletivo se encerra no dia 18 de fevereiro de 2018, e a divulgação do resultado final ocorrerá em 12 de março de 2018. Os estágios serão realizados entre os meses de maio e dezembro de 2018.

Veja o edital de seleção aqui

Fonte: Assessoria de Comunicação
Departamento de Vigilância, Prevenção e Controle das IST, do HIV/Aids e das Hepatites Virais Conheça também a página do DIAHV no Facebook: https://www.facebook.com/ISTAidsHV

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Oncologia: ANS estimula melhorias no tratamento contra o câncer

ANSO câncer é uma das doenças que mais desafia os sistemas de saúde no Brasil e no mundo. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), devem surgir no país 1,2 milhão de novos casos da doença em 2018 e 2019. Só este ano, a estimativa é de 582 mil novos casos

Atenta ao problema e para reforçar a preocupação com o tema – lembrado neste domingo (4/2), Dia Mundial do Câncer –, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) destaca algumas das principais medidas que vêm sendo propostas e implementadas junto ao setor de planos de saúde para prevenir e tratar a doença.

Desde janeiro, a lista mínima obrigatória de cobertura dos planos de saúde contempla novos procedimentos dedicados ao cuidado oncológico. Foram incluídos oito medicamentos orais para tratamento de diversos tipos de câncer, como de pulmão e próstata, além de melanoma e leucemia. Também foi adicionado à lista mínima o exame PET-CT para o acompanhamento de tumores neuroendócrinos e a cirurgia laparoscópica para tratamento do câncer de ovário. Alguns destes procedimentos possuem as chamadas Diretrizes de Utilização, que estabelecem critérios para que a cobertura seja obrigatória, o que permite uma incorporação mais ampla de novas tecnologias. Com a atualização do Rol, a ANS busca assegurar acesso dos beneficiários de planos de saúde a procedimentos nos quais os ganhos coletivos e os resultados clínicos são mais relevantes para os pacientes, refletindo no ganho de qualidade de vida.

A Agência também incentiva as operadoras de planos de saúde a implantarem programas de promoção da saúde e prevenção de doenças (Promoprev), uma vez que o aumento da prevalência das doenças crônicas, incluindo o câncer, enseja ações mais voltadas para os cuidados preventivos. De acordo com última edição do Mapa Assistencial da Saúde Suplementar, somente em 2016, os beneficiários de planos de saúde realizaram 1.004.900 consultas com oncologista, 1.184.159 sessões de quimioterapia, 1.216.632 sessões de radioterapia e 314.748 internações decorrentes de neoplasias.

Outra frente da ANS voltada a melhorias na assistência oncológica prestada pela saúde suplementar é o Projeto OncoRede. A iniciativa, desenvolvida em parceria com institutos de pesquisa, instituições de referência no tratamento do câncer e associações de pacientes, visa implantar um novo modelo de cuidado para beneficiários de planos de saúde, propondo um conjunto de ações integradas para reorganizar, estimular a integração e aprimorar a prestação de serviços de atenção oncológica na rede de saúde suplementar.

“Na prática, o que a ANS busca é um sistema de saúde organizado e responsivo, com regras claras, profissionais capacitados e informação acessível. Os resultados que esperamos são um diagnóstico mais preciso da situação atual do cuidado oncológico, o estímulo à adoção de boas práticas na atenção hospitalar e melhorias nos indicadores de qualidade da atenção ao câncer nos planos de saúde”, explica Rodrigo Aguiar, diretor de Desenvolvimento Setorial da ANS.

O modelo proposto pela ANS e parceiros contempla ações de promoção e prevenção à doença, destacando-se medidas como: busca ativa para diagnóstico precoce, continuidade entre o diagnóstico e o tratamento, informação compartilhada, tratamento adequado em tempo oportuno, com articulação da rede e a inserção da figura do navegador para garantir que o paciente com suspeita ou diagnóstico de câncer consiga seguir o percurso ideal para o cuidado, pós-tratamento e outros níveis de atenção (cuidados paliativos) e a proposição de novos modelos de remuneração que garantam a sustentabilidade econômico-financeira do setor.


Projeto busca modelo centrado no paciente

O Projeto OncoRede envolve 21 operadoras de planos de saúde e 21 prestadores de serviços, além da participação de 14 instituições parceiras. A ANS irá monitorar a efetividade do programa através de indicadores de qualidade que avaliam itens como a disponibilização de apoio multiprofissional na unidade de atendimento, o percentual de mulheres entre 50-69 anos que realizaram mamografia e o tempo médio entre o diagnóstico e o tratamento, entre outros.

O diretor Rodrigo Aguiar lembra que o Brasil mantém uma organização da saúde centrada na figura do médico e no atendimento curativo, quando o ideal – especialmente em se tratando de uma doença como o câncer – é que o modelo assistencial seja centrado no paciente, com atuação de equipes multiprofissionais e ações voltadas para mudanças de hábitos de vida e reorganização da rede assistencial. “Dois dos principais problemas que afetam diretamente a efetividade da atenção aos pacientes com câncer no Brasil dizem respeito à qualidade do diagnóstico, com fragmentação das intervenções mais relevantes, e a ausência de coordenação do cuidado prestado nos diferentes níveis de complexidade da rede”, aponta.

O OncoRede tem promovido a interlocução ativa entre atores do setor, com realização de eventos presenciais e virtuais junto às operadoras, prestadores e instituições parceiras. Os resultados serão reunidos em uma publicação com orientações para o sistema de saúde suplementar, com previsão de lançamento ainda em 2018.

Confira aqui a lista de operadoras, prestadores e instituições participantes do Projeto OncoRede. Veja mais informações sobre o projeto no site da ANS.

Para verificar a lista de procedimentos obrigatórios cobertos pelos planos de saúde, incluindo os procedimentos oncológicos, acesse aqui o Rol de Procedimentos da ANS.

listas cancer

ANS

Rastreabilidade: Sistema Nacional de Controle de Medicamentos finalmente em ação

O Sistema Nacional de Controle de Medicamentos, lei federal que revisada com a publicação da nova RDC nº 54/2013, torna obrigatória a implementação de mecanismos e procedimentos de rastreabilidade de medicamentos


Criado há nove anos pela Agencia Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), deve finalmente começar a ser implantado no primeiro trimestre deste ano, após causar muito reboliço no setor farmacêutico, como divulgou recentemente alguns veículos da imprensa, como a BBC Brasil.

A proposta da Agência reguladora é dar inicio ao projeto-piloto para rastrear medicamentos desde a sua produção até a venda, com a participação de seis farmacêuticas, combatendo a entrada e circulação de medicamentos falsificados e ilegais no mercado brasileiro. Para se ter uma base da importância deste projeto, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), 19% dos remédios comercializados no Brasil são ilegais e de cada lote de 100 medicamentos, 20 são falsos.

Apesar de produtos de alto valor ser o principal foco de contrabandistas, nenhum medicamento está fora dos riscos de roubo, falsificação e até mesmo de erros de produção, com necessidade de recall. Os antibióticos, por exemplo, ocupam a quinta posição nos casos denunciados à OMS entre 2013 e 2017, seguidos por anestésicos e analgésicos, com 8,5% dos casos.

A rastreabilidade é realizada por um código de barras individual com as informações do produto, e por meio deste código o medicamento é monitorado em todas etapas que passar até chegar ao consumidor final. Com a experiência de mais de quase uma década rastreando todos os insumos médicos e medicamentos no segmento de nossa logística hospitalar, atendendo secretarias de saúde e hospitais públicos e privados, posso afirmar que ela só traz benefícios, que vão além de ganhos econômicos e ampliam a segurança de todos os envolvidos, incluindo os pacientes.

Foto: Reprodução

Saúde Business

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Sociedade Brasileira de Pediatria divulga cuidados que devem ser tomados na vacinação de crianças e adolescentes contra a febre amarela

Os pais, cuidadores e pediatras devem estar preparados para a vacinação de crianças e adolescentes em áreas de risco para a febre amarela

É preciso estar atento aos riscos de efeitos adversos, aos critérios para receber o insumo e aos cuidados a serem observados no recebimento de doses fracionada.Esses e outros alertas constam de documento preparado pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), por meio de seus Departamentos Científicos de Infectologia e de Imunizações.

O texto ressalta, por exemplo, que o uso de doses fracionadas da vacina de febre amarela pode ser feito em crianças a partir de dois anos de idade, desde que não apresentem condições clínicas especiais. Naquelas com idades inferiores a essa, a SBP defende que seja aplicada a dose padrão. O mesmo vale para o caso de crianças que forem fazer uma viagem internacional, cujo destino seja um país que exija o Certificado Internacional de Vacinação para ingresso.

Estudos
O cuidado recomendado pelos pediatras decorre do fato de que não há estudos do uso dessa dosagem para crianças menores de dois anos, gestantes e pessoas imunocomprometidas, que, portanto, deverão receber a dose padrão. “É importante reconhecer que ainda existem lacunas importantes em relação ao uso de doses fracionadas da vacina de febre amarela, como por exemplo, duração da proteção oferecida; imunogenicidade em populações específicas – crianças menores de dois anos, gestantes e indivíduos que vivem com HIV; incidência de eventos adversos; e experiência com aplicação subcutânea de doses fracionadas com outras vacinas além da vacina 17DD de Biomanguinhos”, cita o documento.

A campanha de vacinação com utilização da dose fracionada será realizada entre o fim de janeiro e o início de março em determinados municípios dos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Bahia, conforme pactuação com as equipes responsáveis pelas vigilâncias epidemiológicas locais e avaliação de risco realizada conjuntamente com o Ministério da Saúde. Para aumentar ainda mais a segurança de pacientes e familiares, a Sociedade Brasileira de Pediatra destaca alguns pontos que devem ser observados na hora de receber a dose no posto de saúde.

Interferência
Um dos itens que merecem atenção é o recebimento de diferentes vacinas ao mesmo tempo ou um no curto período. De acordo com os pediatras, para evitar interferência na proteção conferida pelas vacinas, a vacina para febre amarela não deve ser administrada simultaneamente com a tríplice viral (contra sarampo, rubéola e caxumba) ou tetra viral (contra sarampo, rubéola, caxumba e varicela) em crianças menores de dois anos de idade.

“Para crianças que não receberam a vacina para febre amarela nem a tríplice viral ou tetra viral, a orientação é que recebam a dose da vacina febre amarela e agendem a vacina tríplice viral ou tetra viral para pelo menos 30 dias depois. As demais vacinas do calendário podem ser administradas no mesmo dia que a vacina febre amarela”, explica o presidente do Departamento Científico de Imunizações, dr Renato Kfouri.

Medicações
Dentre outros grupos que não devem ser imunizados contra a febre amarela estão os das crianças com menos de seis meses de idade; e o das pessoas que fazem uso de medicações anti-metabólicas ou medicamentos modificadores do curso da doença (Infliximabe, Etanercepte, Golimumabe, Certolizumabe, Abatacept, Belimumabe, Ustequinumabe, Natalizumabe, Canaquinumabe, Tocilizumabe, Ritoximabe e outros terminados com MOMAB, XIMAB, ZUMAB ou UMAB). A regra também se aplica para os transplantados de órgãos sólidos e indivíduos com doença oncológica em quimioterapia e ou radioterapia.

No caso de mulheres moradoras de área com transmissão ativa da febre amarela e que estiverem amamentando criança menor de seis meses de idade, pode ser administrada uma dose fracionada. No entanto, o aleitamento materno deve ser suspenso por dez dias após a vacinação. Não se recomenda a vacinação de mulheres nessas condições, residentes em áreas sem transmissão ativa da febre amarela.

Reações
A SBP lembra ainda que crianças e adolescentes, bem como adultos, com história de reação alérgica grave ao ovo e a gelatina, podem receber a vacina após avaliação médica e em ambiente com condições de atendimento de urgência/emergência. Mulheres em idade fértil vacinadas devem evitar a gravidez até 30 dias após a vacinação. Em textos com uma síntese sobre o tema, distribuídos aos pediatras (material disponível no site da entidade), é possível ver todas as recomendações dos especialistas sobre o tema.

No documento, a SBP informa ainda que a vacina febre amarela é, de maneira geral, bem tolerada. Segundo os especialistas, a partir do terceiro ou quarto dia da vacinação, observa-se em aproximadamente 2% a 5% dos vacinados sinais como febre, dor de cabeça, dores musculares, entre outros sintomas.

“Eventos adversos graves (reações anafiláticas, doença viscerotrópica e doença neurológica) foram raramente associados à vacina. No Brasil, entre 2007 e 2012, foram relatados aproximadamente um evento adverso grave em cada 250 mil doses administradas. Nos Estados Unidos, entre 2000 e 2006, o sistema de vigilância de eventos adversos após vacinas (VAERS) identificou uma taxa de 4,7 eventos adversos graves para cada 100 mil doses de vacina distribuídas”, traz a síntese.

Terra/SBP

Gaeco volta a fazer buscas em Bauru em operação que apura desvio de remédios

Em outras cidades, grupo do Ministério Público prendeu mais nove suspeitos de integrar organização criminosa sediada no interior de SP e que atuava desde 2014 em vários estados

Comércio irregular de medicamentos de alto custo é combatido em operação (Foto: Evandro Cini/TV TEM/Arquivo)
Comércio irregular de medicamentos de alto custo é combatido em operação (Foto: Evandro Cini/TV TEM/Arquivo)

Uma operação de combate a desvio de medicamentos de alto custo deflagrada em Bauru (SP) em 2015, e coordenada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público, realizou na manhã desta quarta-feira (31) mais nove prisões e cumpriu mandados de buscas.

Em Bauru, e também em Osasco, a operação cumpriu apenas mandados de busca, enquanto as prisões e sequestro de bens foram feitas nas cidades de Araraquara, Guarulhos, São Paulo (SP), Brasília (DF), Colatina (ES) e Goiânia (GO).

Uma operação de combate a desvio de medicamentos de alto custo deflagrada em Bauru (SP) em 2015, e coordenada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público, realizou na manhã desta quarta-feira (31) mais nove prisões e cumpriu mandados de buscas.

Em Bauru, e também em Osasco, a operação cumpriu apenas mandados de busca, enquanto as prisões e sequestro de bens foram feitas nas cidades de Araraquara, Guarulhos, São Paulo (SP), Brasília (DF), Colatina (ES) e Goiânia (GO).

A investigação aponta que o grupo conseguiu R$ 16,5 milhões ao revender medicamentos para hospitais e clínicas entre setembro de 2014 e maio de 2016. As novas buscas da operação, conhecida como Medlecy, são um desdobramento das investigações iniciadas em abril de 2015, em Bauru, que apurou a atuação de grupo criminoso.

De acordo com o MP, os criminosos conseguiam medicamentos de alto custo de origem ilícita, como furto, roubo e desvio de órgão público, para, em seguida, por meio de empresas de fachada, promover a venda desses medicamentos a clínicas e hospitais. Segundo os procuradores, essas vendas eram realizadas por meio de escritório sediado em Bauru, onde também atuavam os líderes da organização.

Crime contra a saúde pública
Na primeira fase da investigação, que durou cerca de um ano, foram denunciadas 15 pessoas pelos crimes de organização criminosa, crime contra a saúde pública e receptação dolosa qualificada. Os denunciados eram moradores de Bauru, Piratininga, São Paulo, Campinas, Ribeirão Preto e Goiânia. Na ocasião, 12 pessoas foram presas, sendo que oito delas permanecem detidas até agora.

Agora, nesta segunda fase da operação, que tem a parceria com a Corregedoria Geral da Administração do governo paulista por conta do envolvimento de funcionário público, o Gaeco apresentou nova denúncia ao Juízo da 3ª Vara Criminal da Comarca de Bauru contra esses 11 novos membros do grupo, dos quais nove acabaram presos nesta quarta.

G1

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Profissionais de saúde devem ficar atentos aos sintomas da Febre Amarela

profissionalsaude bannerDiante da situação epidemiológica atual de Febre Amarela, é importante que a população e os profissionais de saúde busquem fontes seguras e oficiais sobre o assunto

O profissional que atua em alguma área de risco deve ficar atento para os sinais dos pacientes que procuram o serviço de saúde, já que a Febre Amarela apresenta sinais e sintomas semelhantes a outros agravos que costumamos identificar na rede de atenção. Por isso, a máxima atenção nesse momento de alerta é fundamental para a qualidade do cuidado a possíveis pacientes infectados

Abaixo as principais manifestações clínicas e laboratoriais entre as fases da doença: 

Leve/moderada
Sinais e sintomas: febre, dores de cabeça, mialgia, náuseas, icterícia ausente ou leve.

Alterações Laboratoriais: Plaquetopenia (plaquetas baixas) com elevação moderada de transaminase. Bilirrubinas (substância amarelada encontrada na bile) normais ou discretamente elevadas.

Grave
Sinais e sintomas: Todos os sintomas da fase moderada, icterícia intensa, manifestações hemorrágicas, oligúria (produz pouca urina), diminuição da consciência. Alterações Laboratoriais: Plaquetopenia intensa, aumento da creatina, elevação importante de transaminases.

Maligna
Sinais e sintomas: todos os sintomas clássicos da fase grave intensificados.
Alterações Laboratoriais: Todas da fase Grave. Coagulação intravascular disseminada.

Em relação ao diagnóstico clínico, deve ser considerado caso suspeito I) caso de indivíduo com exposição em área urbana, rural ou silvestre afetada recentemente; II) pessoa com até sete dias de quadro febril agudo acompanhado de dois ou mais dos seguintes sinais: dor de cabeça (principalmente supraorbital), mialgia, lombalgia, mal-estar, calafrios, náuseas, pele e olho amarelados e/ou manifestações hemorrágicas, sendo residente ou procedente de área de risco nos 15 dias anteriores que não tenha comprovante de vacinação de febre amarela ou que tenha recebido a primeira dose há menos de 30 dias.

O diagnóstico específico pode ser feito pela detecção do vírus em amostras clínicas ou de anticorpos. Os exames são realizados em laboratórios de referência em diversos estados brasileiros.

A abordagem dos pacientes com suspeita de Febre Amarela realizada por profissionais de saúde deve incluir:

Abordagem Inicial
 Para identificar sinais de gravidade, questionar especificamente sobre a presença de hemorragias, características da diurese (volume e cor), presença e frequência de vômitos.;
 História pregressa, incluindo histórico vacinal para febre amarela e dados epidemiológicos que possam indicar a necessidade de investigar diagnósticos diferenciais;
 Aferição de pressão arterial (PA), frequência cardíaca, frequência respiratória, temperatura e peso.

Avaliação de Estado Geral
 Exame físico completo com especial atenção para presença de pele e olhos amarelados, grau de hidratação, perfusão periférica, características da pulsação, sinais de hemorragias, avaliação do nível de consciência;
 Realização de exames laboratoriais inespecíficos: hemograma, transaminases (TGO e TGP), bilirrubinas, ureia e creatinina, provas de coagulação, proteína urinária;
 Coleta de amostras para exames específicos e envio para laboratórios de referência;
 Notificação do caso: COMPULSÓRIA E IMEDIATA.

A alta hospitalar do paciente suspeito de FA pode ser efetivada de acordo com a avaliação clínica geral da equipe de saúde, com recomendações de que esteja há três dias sem febre, independente do tempo de doença, com índices decrescentes das transaminases e estabilização das plaquetas. Porém, é de suma importância orientar que o cidadão retorne imediatamente a unidade de saúde caso os sintomas voltem.


Blog da Saúde

Rins e coração: doenças renais podem levar a problemas cardíacos

rinsO alerta é ainda mais importante para pessoas diagnosticadas com diabetes e hipertensão arterial, pois elas têm mais risco de desenvolverem doenças renal e cardíaca

Sabia que os rins e o coração precisam trabalhar juntos e de forma saudável? É que doenças renais podem levar às doenças cardíacas e vice e versa. Por exemplo, é mais provável que as pessoas que sofrem com doença nos rins morram de problemas no coração. Ainda confuso? Especialista em rins, a nefrologista Shirley Damasceno, da secretaria de saúde do Distrito Federal, explica porque cuidar dos rins é também cuidar do coração.

“Os rins têm total ligação com o aparelho cardiovascular. O sangue bombeado pelo coração precisa ser purificado nos rins. E pra o rim funcionar, ele precisa da circulação correta do sangue. Por isso, muitas vezes o paciente renal crônico também tem alterações cardíacas”, detalha a médica.

O alerta é ainda mais importante para pessoas diagnosticadas com diabetes e hipertensão arterial, pois elas têm mais risco de desenvolverem doenças renal e cardíaca. É por isso a importância de ser acompanhado por serviços de saúde.

Como reduzir os riscos de doenças nos rins e no coração
E como tudo que envolve saúde, a alimentação saudável e equilibrada, com baixo teor de sal e açúcar, reduz os riscos de doenças nos rins e no coração.

Outras dicas são beber bastante água, não fumar e fazer atividade física regularmente. Essas ações juntas deixam o coração mais sadio, e consequentemente os rins também.

Diagnóstico e tratamento
A prevenção também passa pela descoberta precoce do problema. Quem tem doença renal, por exemplo, pode nem saber, porque a maioria delas é silenciosa, não apresenta sintomas.

“No SUS, por exemplo, as pessoas devem procurar o clínico geral, numa Unidade Básica de Saúde, onde é possível fazer acompanhamento de forma rotineira. Com a avaliação do clínico, se tiver alguma alteração, ele encaminha para o tratamento especializado com nefrologista ou cardiologista, feito nos hospitais”, explica Shirley Damasceno.

Pacientes com doenças renais ou cardíacos passam a ser acompanhados para tratar o problema e evitar que um órgão afete o funcionamento do outro. “A primeira coisa com relação ao paciente renal é o controle da diabetes e da hipertensão. Nos estágios mais elevados das doenças, o tratamento é com a hemodiálise ou diálise peritoneal”, esclarece a nefrologista.

Erika Braz, para o Blog da Saúde

Pílula usa gases do organismo para detectar doenças intestinais

RMIT University
Pesquisadores inventaram uma pílula inteligente que detecta gases no intestino dos pacientes e poderá ser usada para identificar problemas na região

Pesquisadores australianos desenvolveram uma pílula inteligente que detecta gases liberados no intestino e envia, a cada cinco minutos, informações para um dispositivo externo. Os cientistas acreditam que, no futuro, essa tecnologia poderá ser usada para diagnosticar doenças gastrointestinais.

Os mecanismos do sistema digestivo ainda são pouco conhecidos até por especialistas. Sabe-se que os alimentos são degradados para facilitar a absorção dos nutrientes e eliminação dos resíduos. Entretanto, há milhares de variáveis no trato digestivo de cada pessoa. “Temos uma série de malabsorções de carboidratos, como podemos diferenciá-las? Como elas impactam o intestino? E em quais pontos?”, exemplifica Kourosh Kalantar Zadeh, da Universidade RMIT, na Austrália, à BBC.

O novo dispositivo representa uma abordagem inovadora para responder a essas perguntas, em tempo real, e de forma pouco invasiva. Em um estudo publicado recentemente no periódico científico Nature Electronics, cinco pessoas ingeriram a cápsula. Os pesquisadores receberam informações sobre quanto tempo a pílula demorou para passar pelo sistema gastrointestinal e o aumento na ingestão de fibras, por exemplo.

“O que você está medindo aqui são as flatulências antes de serem expelidas. Trata-se de um sensor de gases, então quanto mais conseguirmos analisar o teor deles, melhor a informação que teremos sobre o intestino do paciente”, diz o professor Kourosh Kalantar Zadeh, da RMIT University, na Austrália.

Características do dispositivo
O dispositivo mede 26 milímetros de comprimento por 9,8 milímetros de largura, o tamanho máximo para uma pílula ser engolida. Dentro, há uma pequeno termômetro, um radio transmissor que envia os dados a um dispositivo externo que cabe no bolso, uma bateria e sensores que detectam oxigênio, hidrogênio e dióxido de carbono. Apesar do nosso corpo liberar outros gases, o rastreamento desses três já diz muito sobre o funcionamento do órgãos.

Oxigênio, hidrogênio e dióxido de carbono
O oxigênio, por exemplo, serve como um dispositivo de localização: ele mostra aonde o corpo esta quebrando aerobicamente (com oxigênio) ou anaerobicamente (sem oxigênio) os conteúdos. Já os níveis de dióxido de carbono dão uma ideia sobre o microbioma da pessoa: as bactérias do intestino liberam CO2 como resultado de seu metabolismo e a quantidade certa desse gás mostra que o microbioma está vivo e prosperando, segundo informações do site Quartz.

O hidrogênio é provavelmente o gás mais importante para se acompanhar do ponto de vista clínico porque ele mostra quando os alimentos estão sendo quebrados durante a fermentação. Sua liberação geralmente acontece quando o processo normal do intestino falha em quebrar o alimento e, geralmente, é um sinal de que o corpo daquele paciente não se dá bem com determinados tipos de comida.

Apesar do estudo ser pequeno, não houve relato de efeitos adversos associados à pilula. Isso significa que, no futuro, o diagnóstico de uma doença complexa ou intolerância pode ser feito a partir da simples ingestão de uma pílula.

Veja

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

OMS oferece cursos sobre epidemias, pandemias e emergências de saúde

multi-disciplinary-team-no-words 0A Organização Mundial da Saúde (OMS) lançou neste ano uma série de cursos em vídeo sobre epidemias, pandemias e emergências de saúde. Adaptado para aqueles que trabalham em emergências, os cursos também são acessíveis a qualquer pessoa interessada

Os cursos – conhecidos como ‘openWHO’, ou ‘OMS aberta’ – transformam conhecimento científico complexo em aulas de vídeo introdutórias fáceis de entender, usando uma largura de banda menor. As versões off-line estão disponíveis para dispositivos IOS e Android.

A plataforma pode hospedar um número ilimitado de usuários e está aberta a qualquer pessoa que queira se registrar.

A plataforma possui três canais principais:
  • O canal ‘Surtos’ (outbreaks) se concentra em doenças que são epidêmicas ou propensas a pandemia, como ebola, febre amarela e gripe pandêmica.
  • O canal GetSocial! abrange intervenções de ciências sociais, tais como comunicação de risco, envolvimento da comunidade e mobilização social.
  • Ready For Response (‘Pronto para resposta’) oferece cursos sobre o quadro de resposta de emergência da OMS, o Sistema de Gerenciamento de Incidentes e treinamentos pré-implantação para pessoas que podem ser enviadas para os países para resposta de emergência.
Além disso, um canal é voltado aos parceiros na Rede Global de Alerta e Resposta a Emergências (GOARN), que fornece o treinamento necessário para participar das respostas.

Todos os cursos estão em inglês e muitos também estão disponíveis em árabe e francês. Para garantir que todos os envolvidos em resposta de emergência tenham as últimas informações científicas e operacionais, a OMS disponibiliza alguns cursos em línguas e dialetos locais durante epidemias e emergências.

Por exemplo, durante o recente surto de ebola na República Democrática do Congo (RDC), a OMS traduziu o curso introdutório sobre ebola na plataforma em lingala, o principal idioma da região mais afetada.

Acesse a plataforma OpenWHO: https://openwho.org.

Acesse no Android clicando aqui.

Acesse no IOS clicando aqui.

Fonte: OMS

Janeiro Roxo: Conheça mais sobre os sinais e sintomas da Hanseníase

hanseníaseA Hanseníase é uma doença crônica, transmissível, tem preferência pela pele e nervos periféricos, o que lhe confere alto poder de causar incapacidades e deformidades físicas, principais responsáveis pelo estigma e preconceito que permeia a doença

A transmissão se dá de uma pessoa doente sem tratamento, para outra, após um contato próximo e prolongado.

O Ministério da Saúde (MS) promove em parceria aos estados e municípios, ações de vigilância e educação em saúde, com o objetivo de alertar a população sobre os sinais e sintomas da doença e incentivar a procura pelos serviços de saúde, além de mobilizar os profissionais de saúde à busca ativa de casos novos de hanseníase e exame dos contatos, especialmente os de convivência domiciliar (grupo com maior risco de adoecimento). As ações de busca ativa têm como foco o diagnóstico precoce da doença e a prevenção das incapacidades e deformidades físicas.

O MS recomenda que as pessoas procurem o serviço de saúde ao aparecimento de manchas em qualquer parte do corpo, principalmente, se essa mancha apresentar alteração de sensibilidade ao calor e ao toque, configurando como um dos sinais e sintomas sugestivos da doença.

Na última década, o Brasil apresentou uma redução de 37,1 % no número de casos novos, passando de 40,1 mil diagnosticados no ano de 2007, para 25,2 mil em 2016. Tal redução corresponde à queda de 42,3% da taxa de detecção geral do país (de 21,19/100 mil hab. em 2007 para 12,23/100 mil hab. em 2016). Do total de casos novos registrados, 1,6 mil (6,72%) foram diagnosticados em menores de 15 anos, sinalizando focos de infecção ativos e transmissão recente, e 7,2 mil iniciaram tratamento com alguma incapacidade.


No mês em que é celebrado o Dia Mundial de Luta Contra à Hanseníase (janeiro roxo) - cor definida em 2015 para simbolização do enfrentamento a doença no país -, para alertar a população a respeito da doença, o Blog da Saúde entrevistou a Coordenadora Geral de Hanseníase e Doenças em Eliminação do Ministério da Saúde, Carmelita Ribeiro Filha. Confira a entrevista:

Blog da Saúde: O que é a Hanseníase?
Carmelita Filha: É uma doença dermato neurológica, que tem manifestação na pele, como manchas. E essas manchas têm alteração de sensibilidade, por isso são consideradas dermato neurológicas. A parte neurológica vem dos nervos periféricos, responsáveis pela sensibilidade e motricidade. Então a Hanseníase é a única doença dermatológica que tem alteração de sensibilidade na pele.

Blog da Saúde: E quais são os principais sinais e sintomas?
Carmelita Filha: Os principais sinais e sintomas são:- manchas na pele com alteração da sensibilidade térmica e/ou dolorosa; comprometimento neural periférica em mãos e/ou pés e/ou face. É comum as pessoas falarem que estão com uma mancha dormente no corpo e chegarem ao consultório com uma cicatriz no local por terem feito o teste da sensibilidade. Mas é importante ressaltar que nem sempre a mancha doença vai estar totalmente dormente. Ela pode estar mais ou menos, dependendo do tempo. As manchas podem ser esbranquiçadas, que não dói, não coça e aparecem geralmente em lugares como as costas, braços, perna e rosto, mas isso não elimina outras áreas do corpo. É uma mancha que aparece no corpo e que muitas vezes as pessoas não se sentem incomodadas. Também pode haver alteração de sensibilidade sem a mancha.

Blog da Saúde: E quais são as causas?É uma doença transmissível?
Carmelita Filha: A hanseníase é uma doença milenar, é sinônimo de lepra. No Brasil que foi alterado a nomenclatura pelo preconceito a doença. O período de encubação da doença é longo e é transmissível. Então uma pessoa que possui Hanseníase do tipo multibacilar que não esteja em tratamento transmite a doença, geralmente para quem está mais próximo. São as pessoas que moram com ela ou que estão próximas, que tem maior chance de adoecer. A bactéria causadora da Hanseníase é a microbacterium lepra, e ela entra pelas vias aéreas superiores através de um espirro, tosse ou até mesmo uma conversa. Mas só uma conversa rápida não é o suficiente para desenvolver a doença, precisa que a pessoa esteja todo dia recebendo a bactéria. As pessoas ficam muito receosas em estar perto de quem tem a doença, mas falta conhecimento de que não é em um contato rápido que haverá transmissão. Envolve uma rotina diária. E ainda assim, para você adoecer, a pessoa que recebeu a carga bacilar teria que estar em condições para adoecer, como resistência baixa, por exemplo. Então sim, é uma doença transmissível, mas não tem toda essa facilidade de transmissão como às pessoas acham.

Blog da Saúde: Quais são os tipos de hanseníase? Todos eles são transmissíveis?
Carmelita Filha: A hanseníase tem duas fases ou formas clínicas: paucibacilar e multibacilar. A forma paucibacilar, é a inicial da doença e o tratamento é realizado com seis doses de PQT; na forma multibacilar, o tratamento é realizado com doze doses de PQT. Quem faz diagnóstico é o médico da equipe de Estratégia de Saúde da Família/ESF, da Unidade de Saúde mais próxima a residência, inicialmente de maneira clínica e se necessário, com a confirmação no laboratório.

Blog da Saúde: E como as pessoas podem evitar a contaminação? Quais os cuidados?
Carmelita Filha: A forma de prevenção é diagnosticar os casos precocemente. Não é uma doença que tem vacina para evitar. A prevenção consiste no diagnóstico de todas as pessoas o mais rápido possível, e tratar para que as pessoas evitem a transmissão. Iniciado o tratamento, imediatamente a pessoa deixa de transmitir a doença. Outra coisa interessante é que é muito difícil saber de quem pegou a doença, por que tem um período de incubação longo, e pode ficar em média cinco anos sem apresentar sintomas e a pessoa não saber que é portadora da doença. Além disso, a pessoa pode ficar com a mancha ou outros sintomas, e não dar importância. A gente estimula que os profissionais de saúde fiquem atentos para os sinais e sintomas da hanseníase, pois somos um país endêmico e precisamos ficar alerta para o diagnóstico não só do paciente, mas que a família e os contatos próximos também venham para ser examinados e diagnosticados o quanto antes.

Blog da Saúde: E como as pessoas podem procurar um serviço de saúde para fazer o diagnóstico?
Carmelita Filha: A hanseníase é uma doença que está na Atenção Básica, então qualquer Unidade de Saúde no seu município, deve fazer o diagnóstico. Se uma pessoa tiver qualquer sinal e sintoma, e suspeitar que tenha a doença, deve procurar a Unidade mais perto da sua casa. Ali a equipe pode examinar, dar o diagnóstico, e logo iniciar o tratamento. Toda Unidade oferece tratamento de hanseníase gratuito pelo SUS.

Blog da Saúde: Mesmo sem sintomas, eu posso procurar a Atenção Básica?
Carmelita Filha: O ideal é que todas as pessoas procurem. Se algum amigo ou parente da família teve historia de hanseníase, mesmo que não tenha nenhum sinal. O ideal é que uma equipe da ESF examine e faça a prevenção.

Blog da Saúde: E como funciona o tratamento?
Carmelita Filha: Quando o paciente tem o diagnóstico de hanseníase, ele recebe todas as informações e é imediatamente indicado para o tratamento. O período do tratamento dura um ano para casos de hanseníase multibacilar, e seis meses para os casos paucibacilares. A primeira dose é dada diretamente na unidade de saúde. Funciona assim: todo mês o paciente tem que ir à Unidade para tomar uma dose supervisionada do remédio, ou seja, na frente do profissional de saúde, e pegar o resto da medicação para ser tomada durante 28 dias, todos os dias. Em casos de paucibacilar, um comprimido por dia, no caso de multibacilar, dois comprimidos. Concluindo o tratamento em casa, o paciente volta à Unidade, toma a medicação supervisionada, e pega o restante da medicação novamente, até o fim do tratamento quando ela está curada. Caso tenha algum problema com a medicação, é na Unidade que ele deve pedir orientação.

Blog da Saúde: Hanseníase mata?
Carmelita Filha: Não mata, mas traz deformidades físicas se não for tratada adequadamente e precocemente.

Blog da Saúde: Por que as pessoas que possuem a doença são estigmatizadas?
Carmelita Filha: O principal fator são as sequelas, pois a hanseníase poderá causar deformidade física. A pessoa que tem o tipo multibacilar, que é o tipo que transmite, quando tem o diagnóstico tardio, tem mais chance de ter uma incapacidade física. A micobactéria pode acometer os nervos periféricos dos olhos, mãos e pés. As pessoas que estão curadas, não transmitem mais, mas são estigmatizadas pela aparência, e a gente não deve discriminar o próximo pelo que está vendo. É uma pessoa como qualquer outra, apesar de alguns casos apresentarem algum tipo de sequela decorrente da doença. Assim, devemos evitar o preconceito, com qualquer pessoa que tenha qualquer tipo de deficiência física.

Aline Czezacki, para o Blog da Saúde