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domingo, 31 de agosto de 2014

Acidentes com animais peçonhentos no país dobram em 10 anos

Foto: Rodrigo Sargaço/EPTV
Crescimento é preocupante, diz pesquisadora do Instituto Butantan. Ação do homem no meio ambiente tem provocado fenômeno, afirma 

Os acidentes com animais peçonhentos vêm aumentando no Brasil: entre 2003 e 2013, o número de ocorrências pulou de 75.642 para 162.234, crescimento de 114,5%, segundo dados do Ministério da Saúde.

O assunto veio à tona na conferência de abertura da XXIX Reunião Anual da Federação de Sociedades de Biologia Experimental (FeSBE), que acontece esta semana em Caxambu, Minas Gerais. De acordo com a médica Fan Hui Wen, pesquisadora do Instituto Butantan, o aumento se deve principalmente a alterações ambientais provocadas pelo homem.

No caso dos acidentes com escorpiões, que foram responsáveis por 79.481 acidentes notificados no ano passado, o crescimento pode ser atribuído à degradação do ambiente urbano, principalmente nas periferias, segundo a pesquisadora. “O acidente por escorpião vem sendo registrado principalmente nessas áreas, em regiões onde as condições sanitárias não são as mais adequadas. Temos visto isso principalmente nas capitais do Nordeste”, diz Hui.

Quanto às lagartas, que começaram a provocar acidentes principalmente na Região Sul do país na década de 1980, o problema tem sido o desmatamento. “Elas começaram a surgir em função de quase não haver mais mata nativa na região sul.

Não é um processo de um ano para o outro, mas acontece ao longo do tempo até que chega um limiar em que esses animais não têm como buscar seu sustento no que restou do que era seu ambiente, então vão buscar essas condições no ambiente urbano”, diz a pesquisadora. As lagartas provocaram 3.739 acidentes no ano passado.

Acidentes com aranhas também tiveram um boom na década de 1980, principalmente com o crescimento das cidades do Paraná. No ano passado, foram 29.816 picadas de aranha no Brasil.

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Já o aumento das picadas de cobra pode ter relação com iniciativas como a concessão de hidrelétricas e abertura de espaços anteriormente cobertos com mata nativa principalmente na Amazônia. “Essas alterações ambientais já vêm sendo estudadas há algum tempo e demonstra-se que em locais onde elas acontecem, o número de acidentes começa a sair do que seria esperado para aquele local”, observa Hui. No ano passado, 28.247 picadas de cobra foram notificadas no país.

Para a médica, apesar de o soro anti-veneno já ser um tratamento consolidado, a ciência ainda pode contribuir muito no desenvolvimento de estratégias complementares de tratamento dos acidentes com animais peçonhentos, principalmente no que diz respeito aos efeitos locais das picadas. O soro corta o efeito sistêmico do veneno, mas muitos pacientes têm os membros atingidos necrosados e amputados.

Segundo ela, muitos desses efeitos não são provocados diretamente pelo veneno, mas pela ativação de componentes do organismo que geram uma resposta secundária. “A busca de tratamentos complementares visa encontrar substâncias capazes de bloquear essa ativação secundária”, diz. Segundo ela, algumas estratégias já foram testadas em animais, mas ainda falta que esses conhecimentos passem da bancada do laboratório para testes com humanos.

 Acidentes com animais peçonhentos no Brasil
Número de casos75,64296,472101,724123,614137,694162,234200520100255075100125150175
Ministério da Saúde/Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan

G1

Veneno de vespa age contra perda de neurônios por Parkinson, diz estudo

Foto: Márcia Renata Mortari/Divulgação
Pesquisadores usaram componente do veneno da vespa Parachartergus fraternus
para tratar Parkinson em ratos
Pesquisa foi feita em ratos com lesão cerebral semelhante ao Parkinson. Ação neuroprotetora é de um fragmento de proteína do veneno 

Um componente do veneno da vespa mostrou-se eficaz em impedir a perda de neurônios provocada pela doença de Parkinson. O estudo, desenvolvido no Laboratório de Toxinologia da UnB, foi feito em ratos com uma lesão cerebral que simula o efeito do Parkinson. A pesquisa foi apresentada nesta sexta-feira (29) na XXIX Reunião Anual da Federação de Sociedades de Biologia Experimental (FeSBE), em Caxambu, Minas Gerais.

No Parkinson, ocorre a perda de neurônios em uma região cerebral específica chamada substância nigra, ou substância negra. Os neurônios dessa região são responsáveis pela produção do neurotransmissor dopamina, cuja falta resulta em perda progressiva do controle motor.

Um dos principais tratamentos disponíveis atualmente baseia-se na reposição da dopamina. Essa estratégia trata os sintomas, sem porém interferir na evolução natural da doença. Ou seja, os neurônios produtores de dopamina continuam morrendo. Há vários tratamentos potencialmente neuroprotetores em estudo, porém nenhum deles conseguiu impedir definitivamente a degeneração dos neurônios no paciente de Parkinson.

Diante dessa falta de alternativa, a pesquisadora e professora da UnB Márcia Renata Mortari – que trabalha com a busca de novos componentes de venenos de animais que possam servir de tratamento para doenças – resolveu testar se o veneno de vespa poderia ter alguma ação neuroprotetora para o Parkinson.

Primeiro, ela isolou os peptídeos presentes no veneno, ou seja, os fragmentos de proteínas que o compõem. Depois de purificar cada um dos peptídeos, ela passou a aplica-los em ratos com lesões cerebrais que simulam os efeitos do Parkinson. Márcia e sua equipe testaram quatro peptídeos sem sucesso, até que o quinto componente testado apresentou resultados promissores.

O peptídeo foi injetado uma hora após o início da lesão que simula o Parkinson. Os animais receberam uma dose por dia durante quatro dias. Testes comportamentais, que avaliaram o equilíbrio e as atividades motoras dos ratos, mostraram que os que foram tratados com o peptídeo não apresentaram os sinais típicos do Parkinson, diferentemente do que ocorreu com os animais que receberam placebo.

Uma contagem dos neurônios produtores de dopamina feita nos dois grupos também mostrou que, entre os que receberam a substância retirada do veneno, houve uma preservação da quantidade de células nervosas, o que sugere que o novo peptídeo tem uma ação neuroprotetora em casos de Parkinson.

“Ele impediu a morte dos neurônios, mas não resgatou o neurônio que já estava em apoptose (morte celular)”, diz a pesquisadora. “O que eu penso é que ele pararia a degeneração em qualquer nível da doença, mas quanto antes começar, melhor. O objetivo do teste é que seja um composto para impedir a progressão da doença, mas não é capaz de reverter a doença já estabelecida.” Os resultados são iniciais e testes em humanos ainda devem demorar vários anos para ocorrer.

O novo peptídeo foi chamado de fraternina, pois foi extraído da vespa Parachartergus fraternus. Segundo Márcia, o estudo utilizou mil vespas retiradas de um mesmo ninho. O veneno de cada uma foi retirado manualmente.

Foto: Priscilla Galante/Divulgação: A pesquisadora e professora da UnB Márcia Renata Mortari resolveu testar se o veneno de vespa poderia ter alguma ação neuroprotetora para o Parkinson.

Márcia observa que os venenos de animais têm sido uma fonte importante de pesquisa de novos tratamentos. “Durante todo o processo de evolução, os animais desenvolveram uma série de compostos bioativos em seus venenos com objetivo de paralisar as presas ou de se defender contra o predador. A natureza já tem funcionado como uma oferta de compostos neuroativos que a gente usa para tratamento de doenças.”

G1

Falta de informação pode ser causa de sequelas em pacientes hemofílicos

Muitos pacientes têm resistência em aderir ao tratamento, que é aplicado por injeção pelo menos duas vezes por semana, segundo especialista 

Cerca de dois anos depois de o Ministério da Saúde começar a fornecer fatores VIII e IX suficientes para o tratamento que evita sangramentos em hemofílicos, pacientes continuam recebendo a medicação só depois que sangram, diz Tânia Pietrobelli, presidenta da Federação Brasileira de Hemofilia (FBH).

Para a professora de hematologia da Universidade Estadual de Campinas, Margareth Ozelo, há resistência de muitos pacientes em aderir ao tratamento, que é aplicado por injeção pelo menos duas vezes por semana. Ela destaca que com informação e educação, o tratamento preventivo está sendo aos poucos disseminado.

“Às vezes, falta estrutura no serviço para insistir no tratamento preventivo e vencer a resistência dos pacientes. Muitos se tratam depois do sangramento e não voltam ao centro para continuar a prevenção. Outros, principalmente mães de crianças hemofílicas, acham traumático o tratamento com injeções”, lembra a hematologista. Ela considera, porém, que está crescendo a adesão ao tratamento preventivo.

Para Margareth, como a disponibilidade do medicamento é relativamente recente, talvez ainda haja, principalmente em pequenos centros, a necessidade de mais engajamento dos profissionais. “Em alguns locais, o setor de hemofilia precisa estar melhor estruturado, principalmente em serviços menores, você não encontra experiência”.

A especialista explica que a hemofilia é uma doença genética ou congênita causada pela deficiência de um dos fatores de coagulação do sangue. No caso da hemofilia tipo A, a deficiência é no fator VIII, no caso da tipo B, é o fator IX. Apesar de homens e mulheres poderem ser portadores do gene que provoca a doença, normalmente apenas os homens manifestam os sintomas. No Brasil vivem cerca de 20 mil pessoas com hemofilia.

O tratamento profilático é a aplicação contínua dos fatores VIII ou IX, dependendo do tipo de hemofilia, que evita os sangramentos típicos da doença. Os sangramentos podem ser externos, quando ocorrem cortes na pele, ou internos - dentro das articulações, dos músculos ou em outras partes do corpo.

Nas pessoas que têm grau leve de hemofilia, os sangramentos costumam ocorrer com simples pancadas, mas em pessoas com hemofilia grave eles podem ser espontâneos, nas articulações ou nos músculos.

Segundo a FBH, as articulações mais afetadas são os joelhos, cotovelos e tornozelos. “O maior problema é que os sangramentos reduzem a qualidade de vida, levam a sequelas e dores permanentes, já que há dificuldades na coagulação. O sangramento destrói a cartilagem e o osso e pode levar à deficiência física permanente desde a mais tenra idade”, explica Tânia.

Além disso, ela lembra que a falta de tratamento preventivo traz custos para os cofres públicos. “Essa pessoa não vai estudar, não vai trabalhar e vai fazer cirurgias de grande porte se não fizer a prevenção”, disse. O uso contínuo dos fatores VIII e IX, conforme recomendação médica, evita os sangramentos e, consequentemente, as sequelas.

O mineiro Roberto Motta, de 53 anos, membro da Associação de Hemofílicos de Minas Gerais, já passou por uma cirurgia no quadril e vai passar por outra no joelho em decorrência dos sangramentos. “Antigamente, não tinha o tratamento preventivo. Era esperar sangrar para tratar”. Ele conta que se formou cabeleireiro, mas logo se aposentou porque teve os movimentos comprometidos.

A presidenta da FBH diz que até 2010 o Brasil só tinha um tratamento de sobrevivência, ou seja, os pacientes só recebiam a medicação depois que sangravam e que hoje há uma busca pela qualidade de vida dessas pessoas. Este ano, a FBH e o Ministério da Saúde foram premiados pela Federação Mundial de Hemofilia pela disponibilização do medicamento para prevenção dos sangramentos.



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Segundo o ministério, são disponibilizados para os estados e municípios 3,9 unidades internacionais (UI) de fator VIII per capita, enquanto a indicação da Organização Mundial da Saúde e da Federação Mundial de Hemofilia é 3 unidades per capita.

Agência Brasil

Especialistas: contato precoce com a bebida favorece o vício na fase adulta

O estudo alerta para as consequências negativas de criar o hábito em crianças

Alguns acham engraçado, outros o fazem por hábito cultural. Ainda há os que pensam que, assim, vão desestimular os filhos a beber no futuro. 

O fato é que não é raro os adultos oferecerem um pouco de álcool às crianças, seja molhando a chupeta na cerveja, seja deixando que tomem um golinho. 

Embora não exista consenso se a prática poderá, mais tarde, influenciar um comportamento de abuso ou adição, especialistas alertam que, por trás da brincadeira, está a permissividade familiar em relação à bebida alcoólica. E isso, sim, pode ter consequências negativas.

Na edição do próximo mês da revista Alcoholism: Clinical Experimental Research, será publicado um artigo de pesquisadores americanos no qual se procurou investigar como crianças com menos de 12 anos têm esse primeiro contato com a bebida. 

Os especialistas do Centro Médico da Universidade de Pittsburgh e do Centro de Pesquisa em Adição da Universidade de Michigan não estavam interessados em analisar o comportamento de adolescentes que bebem regularmente ou consomem drinques eventuais. Na verdade, queriam entender o que se passa antes disso, uma fase que chamam de iniciação na prova do álcool,

“O primeiro drinque regular não é, geralmente, a primeira experiência que muitas crianças têm com a bebida”, observa o psiquiatra Robert A. Zucker. Segundo o pesquisador de Michigan, embora pesquisas indiquem que apenas 7% de adolescentes com 12 anos já tenham tomado o primeiro drinque, mais da metade deles experimentou alguma vez antes, por volta dos 8 anos. 

“E, apesar disso, historicamente, essa ‘provinha’ de álcool na infância tem recebido muito pouca atenção de nós, pesquisadores”, reconhece o médico, acrescentando que, para o estudo, beber tem o significado de consumir uma dose inteira e provar quer dizer tomar um ou poucos goles.

Os especialistas utilizaram dados de um estudo longitudinal sobre fatores de risco para ingestão precoce de álcool, o Projeto Adolescente. No início da década de 2000, uma amostra de 452 crianças — 238 meninas e 214 meninos — de 8 a 10 anos e suas famílias foi escolhida aleatoriamente e contatada pelos pesquisadores. 

Os pequenos, então, passaram por uma entrevista com ajuda de computador, assim como os pais deles. Os questionários foram refeitos três vezes ao longo de 18 meses. Sete anos e meio depois, os participantes voltaram a ser procurados pelos investigadores.

Correio Braziliense

Pessoas que constumam dormir e acordar tarde tendem a ser sedentárias

Pessoas que constumam dormir e acordar tarde tendem a ser sedentárias
Divulgação: Pessoas que costumam dormir e acordar tarde tendem a ser
sedentárias
Segundo pesquisa, escolha dos horários de sono interfere na forma de encarar as atividades físicas 

Você costuma ficar acordado até tarde, aproveitando a madrugada, e prefere dormir mais pela manhã? Um estudo da Northwestern University, dos Estados Unidos, apontou que as pessoas com esse hábito correm mais risco de serem sedentárias e tendem a ser menos motivadas a fazer exercícios físicos.

A pesquisa revelou que um maior tempo de sono está associado a menos sedentarismo. Ao mesmo tempo, as pessoas que se declararam amantes da noite relataram permanecer mais tempo sentados ao longo do dia e encontraram mais desculpas para não realizar exercícios, como falta de tempo e incapacidade de manter um programa de atividades físicas.

— Nós descobrimos que, mesmo entre as pessoas ativas e saudáveis, o tempo de sono e as preferências de horário para dormir estão relacionados a padrões de atitude em relação à atividade física. As pessoas que acordam tarde e preferem a noite tendem a ficar mais tempo sentadas, principalmente aos finais de semana, e a ter mais dificuldade em encontrar tempo para se exercitar — afirmou a principal autora do estudo, Kelly Baron Glazer.

A pesquisa, publicada recentemente na versão online da revista científica Sleep, teve a participação de 123 adultos saudáveis que relataram dormir pelo menos 6,5 horas por noite. As variáveis do sono de todos os participantes foram avaliadas durante sete dias, e seus hábitos em relação aos exercícios físicos foram levantados por meio de questionários.

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— Os voluntários eram muito ativos, realizavam uma média de 83 minutos de exercícios vigorosos por semana. Ainda assim, aqueles que costumavam acordar tarde relataram sentir mais dificuldade em praticar atividades físicas — afirmou Kelly.

Segundo a pesquisadora, as escolhas dos horários para dormir e acordar devem ser consideradas como parte das recomendações para as pessoas sedentárias que queiram começar a se exercitar.
Zero Hora

Medidas preventivas podem evitar 90% dos acidentes com crianças

Agência Brasil: Até os 7 anos, é importante usar cadeirinhas adequadas
à idade e ao peso da criança
Especialistas defendem a criação de políticas públicas para a prevenção de acidentes, além de o uso de produtos mais seguros e treinamento em primeiros-socorros 

No Dia Nacional de Prevenção de Acidentes com Crianças e Adolescentes, celebrado ontem (sábado,  30), especialistas alertaram que 90% desses casos que resultam em morte e internação poderiam ser evitados com atitudes simples. A Rede Primeira Infância e a organização não governamental (ONG) Criança Segura lançaram um relatório sobre prevenção de acidentes na primeira infância (até 9 anos), levando em conta dados de 2012 do Datasus.

Principal causa de morte com crianças a partir de 1 ano de idade no Brasil, os acidentes nessa faixa etária foram responsáveis por 3.142 mortes e mais de 75 mil hospitalizações de meninos e meninas, naquele ano. Os acidentes de trânsito, que incluem atropelamentos e atingem passageiros de veículos, motos e bicicletas, representaram 33% das mortes, seguidos de afogamento (23%) sufocamento (23%), queimaduras (7%) e quedas (6%). Os atendimentos em hospitais passam a contar a partir de 24 horas de internação, ou seja, não são típicos de prontos-socorros.

“Existem políticas públicas que podem ser estabelecidas para prevenção, uso de produtos mais seguros e treinamento em primeiros-socorros, por exemplo, mas é uma situação que só pode ser revertida por cada um, adequando os ambientes das casas, usando a cadeirinha, brincando em espaços seguros”, destaca a coordenadora nacional da ONG Criança Segura, Alessandra Françoia. “São atitudes simples, mas que precisam fazer parte do dia a dia.”

Para a médica Renata Dejtiar Waksman, do Departamento de Segurança da Criança e do Adolescente da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), todos os atores sociais são responsáveis pelas crianças, e o trabalho de prevenção tem que começar já no consultório do obstetra, com a chamada prevenção primária.

“As pessoas subestimam a criança, acham que ela não consegue fazer as coisas, não consegue colocar o dedo na tomada, não consegue rolar da cama, acham que ela não é capaz disso. Falta conhecimento das características e habilidades das crianças, além da falta de supervisão e a distração dos cuidadores”, ressalta Renata.

Análises feitas com base no estudo mostram que alguns elementos estão ligados ao aumento da exposição das crianças aos riscos de acidentes. Entre eles, está a falta de informação, de infraestrutura adequada, de espaços de lazer, creches e escolas e de políticas públicas direcionadas à prevenção. Fatores como a pobreza, o fato de a mãe ser solteira e jovem e ter baixo nível de educação e as habitações precárias, além das famílias numerosas, também estão associados aos riscos de acidentes.

A pediatra Renata Waksman diz que é preciso encarar o problema como uma epidemia. “Acidentes podem ocorrer em todos os níveis sociais. Aquela criança que tem acesso direto à rua corre risco, mas a outra, que mora em um condomínio, pode ser atropelada na porta da garagem. Infelizmente, [o risco de acidente] está se tornando uma situação muito democrática”.

O relatório mostra ainda que, a cada morte, mais quatro crianças ficam com sequelas permanentes, capazes de gerar consequências emocionais, sociais e financeiras na família e na sociedade. De acordo com o governo brasileiro, cerca de R$ 70 milhões são gastos na rede do Sistema Único de Saúde (SUS) com o atendimento de crianças que sofreram acidentes.

“O queimado é um paciente caríssimo, por exemplo. Precisa de muito tempo de internação, várias cirurgias reparadoras e estéticas. Os custos social e econômico são muito grandes, sem contar o custo emocional para as famílias”, enfatiza a presidenta do Departamento de Segurança da Criança e do Adolescente da SBP, Marislaine Lumena.

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Para ela, os acidentes com crianças são um grave problema de saúde pública. “A criança é curiosa, não tem noção do perigo, ela explora os ambientes e se expõe ao risco. Além da mudança de comportamento e das medidas educativas e legislativas, é preciso mais fiscalização das leis”, recomenda. Marislaine cita como exemplo o álcool líquido e os andadores infantis, que tiveram a venda proibida, mas que, segundo ela, continuam sendo comercializados livremente.

Veja abaixo dicas de como diminuir os riscos no dia a dia:

Na Rua
- Ensine a criança a respeitar os sinais de trânsito, atravessar a rua na faixa de pedestres e olhando para os dois lados.

- Menores de 10 anos não devem atravessar a rua sozinhos. É importante segurar os pequenos pelo pulso.

- Entradas de garagens, quintais sem cerca ou estacionamentos não são seguros para brincadeiras.

No Trânsito
- Crianças com menos de 10 anos devem sentar no banco de trás do carro. Até os 7 anos, é importante usar cadeirinhas de segurança adequadas à idade e ao peso da criança. Sempre usar cinto de segurança.

- Não deixe a criança sozinha no carro, mesmo que o vidro esteja entreaberto.

- Ao contratar transporte escolar, busque referências e verifique a documentação do veículo e do motorista.

Nas Áreas de Lazer
- Escadas, sacadas e lajes não são lugares para brincar.

- No parquinho, verifique se os equipamentos são apropriados à idade da criança e fique atento a perigos como ferrugem, pregos expostos e superfícies instáveis.

- O piso deve absorver o impacto e ser de como grama, emborrachado ou areia.

- Ensine regras de comportamento, como não empurrar, nem se amontoar.

- Empinar pipa só em lugares abertos, longe de fios elétricos e trânsito.

- Ensine a criança a usar capacete quando estiver de bicicleta, skate ou patins

- Conheça as plantas de sua casa e remova as venenosas.

Na Piscina
- As crianças devem sempre ser supervisionadas por um adulto quando estiverem próximas de água.

- Instale cercas de isolamento na piscina com, no mínimo, 1,5m de altura, cadeados e travas.

- Evite brinquedos e outros atrativos próximos a piscinas e reservatórios de água.

- Boias e outros equipamentos infláveis passam uma falsa sensação de segurança. O ideal é que a criança use sempre um colete salva-vidas em embarcações ou na prática de esportes aquáticos.

- Ensine a criança a não brincar de empurrar, dar “caldo” dentro d'água ou simular que está se afogando.

Em Casa

Quarto
- Crianças com menos de 6 anos não devem dormir em beliches. Se não houver escolha, coloque grades de proteção nas laterais.

- Nunca deixe um bebê sozinho em mesas, camas ou outros móveis, mesmo que seja por pouco tempo.

- As grades de proteção do berço devem estar fixas. O vão entre as grades não deve ter mais que 6 cm de distância.

- Remova do berço todos os brinquedos, travesseiros e objetos macios quando o bebê estiver dormindo.

- Certifique-se de que os brinquedos da criança são atóxicos e indicados à idade dela. Compre produtos com o selo do Inmetro.

- Inspecione os brinquedos regularmente em busca de danos.

- Brinquedos com correntes, tiras e cordas com mais de 15cm devem ser evitados.

- Fique atento ao recall de brinquedos com problemas ou defeitos.

- Deixe o chão livre de objetos pequenos como botões, bolas de gude, moedas e tachinhas.

Sala
- Instale grades ou redes de proteção nas janelas, sacadas e mezaninos. As redes devem ter espaços de no máximo 6cm.

- Use portões de segurança no topo e na base das escadas e, caso sejam abertas, instale redes de proteção.

- As tomadas devem estar protegidas por tampas apropriadas, esparadrapo, fita isolante ou mesmo cobertas por móveis.

- Mantenha camas, armários e outros móveis longe das janelas e cortinas e verifique se estão estáveis.

- Cuidado com as quinas dos móveis.

Cozinha
- Corte os alimentos em pedaços bem pequenos na hora de alimentar a criança.

- Não deixe fósforos, isqueiros e outras fontes de energia ao alcance dos pequenos.

- Mantenha a criança longe da cozinha e do fogão, principalmente durante o preparo das refeições.

- Cozinhe nas bocas de trás do fogão e sempre com os cabos das panelas virados para trás.

- Evite carregar as crianças no colo enquanto mexe em panelas no fogão ou manipula líquidos quentes.

- Não use toalhas de mesa compridas.

Banheiro
- Cuidado com pisos escorregadios, coloque antiderrapante nos tapetes.

- Conserve a tampa do vaso sanitário fechada ou lacrada com dispositivo de segurança ou mantenha a porta do banheiro trancada.

- Nunca deixa a criança sozinha na banheira.

- Saiba quais produtos domésticos são tóxicos. Produtos comuns, como enxaguantes bucais, podem ser nocivos se a criança engolir em grande quantidade.

- Mantenha medicamentos trancados e nunca se refira a eles como 'doce'. Isto pode levar a criança a pensar que não é perigoso ou que é agradável de comer.

Área de Serviço
- Não deixe as crianças por perto quando estiver passando roupa, nem largue o ferro elétrico ligado sem vigilância.

- Mantenha cisternas, tonéis, poços e outros reservatórios domésticos trancados ou com proteção.

- Deixe os baldes com água no alto, longe do alcance das crianças, esvazie todos após o uso e guarde-os virados para baixo.

- Guarde todos os produtos de higiene e limpeza trancados, fora da vista e do alcance das crianças.

- Nunca deixe sacos plásticos ao alcance das crianças.

Fonte: Criança Segura Brasil