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segunda-feira, 9 de abril de 2018

Antibióticos atuais não darão conta de bactérias resistentes, alerta OMS

Antibióticos atuais não darão conta de bactérias resistentes, alerta OMSSegundo a agência, os antibióticos que estão sendo desenvolvidos hoje não são páreo para a tuberculose – que já não responde aotratamento tradicional e mata 1,8 milhões de pessoas por ano

Um relatório publicado em 2017 pela Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que instituições de pesquisa e a indústria farmacêutica não estão investindo os recursos necessários no desenvolvimento de novos antibióticos – capazes de combater bactérias que já não são mais afetadas pelos medicamentos disponíveis atualmente. Uma das principais preocupações são as versões resistentes do bacilo de Koch, o agente causador da tuberculose. 1,8 milhões pessoas morrem por causa da doença todos os anos – dessas, 250 mil têm a versão do microorganismo imune ao tratamento.

“A resistência contra antibióticos é um problema de saúde global, que comprometerá seriamente o progresso da medicina moderna”, afirmou em um anúncio oficial Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor geral da OMS. “Há uma necessidade urgente de maiores investimentos em pesquisa e desenvolvimento de medicamentos para infecções resistentes como a tuberculose, ou nós seremos forçados a voltar a um tempo em que as pessoas tinham medo de doenças comuns e arriscavam suas vidas mesmo em cirurgias pouco preocupantes.”

O documento afirma que há 51 antibióticos em desenvolvimento. Trinte e três deles são voltados a doenças de alto risco. E só oito foram classificados pela OMS como soluções inovadoras, que realmente irão contribuir com o arsenal disponível atualmente nas farmácias. Os demais são atualizações ou derivações de drogas já em uso, que poderão aliviar a barrar por curtos períodos, mas em longo prazo não conseguirão conter bactérias mais resistentes.

Um remédio ainda em fase de testes foi considerado inovador pela OMS se ele cumprisse pelo menos um de quatro critérios:

– Atacar uma bactéria para a qual ainda não há medicação específica;

– Ter um novo mecanismo de ação;

– Pertencer a uma nova classificação química;

– Não ter resistência cruzada com antibióticos que já existem (em outras palavras, não sofrer das mesmas deficiências que algum outro antibiótico no mercado).

“O grupo atual de antibióticos com pesquisas em andamento pode levar a cerca de dez novas aprovações nos próximos cinco anos”, afirma o relatório. “Esses tratamentos, porém, contribuirão muito pouco com as opções já existentes e não serão suficientes para impedir a iminente ameaça dos micróbios resistentes.”

Para combater a tuberculose é preciso tomar, em média, laboratórios do mundo todo estão trabalhando em apenas sete novas drogas voltadas à doença – e só uma delas está em um estágio mais avançado, prestes a sair do papel. Quatro delas estão em um estágio conhecido como “fase 1”, e demorarão cerca de sete anos para chegar ao mercado (se forem aprovadas, é claro).

O que torna a doença um caso especialmente difícil para a saúde pública é seu tratamento, que dura seis meses. Se o paciente não é capaz de levá-lo até o fim – o que é comum em países subdesenvolvidos, em que o acesso à medicação é limitado – a bactéria não será removida completamente do organismo e pode ressurgir, dessa vez com as temidas mutações blindadas.

“As pesquisas sobre a tuberculose não recebem o financiamento adequado. Apenas dois novos antibióticos para o tratamento da versão resistente chegaram ao mercado em um período de mais de 70 anos”, afirmou Mario Raviglione, diretor do programa de tuberculose da OMS. “Se quisermos acabar com a doença, precisaremos de pelo menos 800 milhões de dólares por ano para financiar a pesquisa de novos medicamentos.”

A OMS lembra que, embora desenvolver drogas mais poderosas que as atuais seja extremamente importante, o jeito mais simples de lutar contra a tuberculose é manter os pacientes em tratamento até o fim – evitando que o bacilo sobreviva e saia ainda mais forte da disputa.

Superinteressante 

Mais de 60 vagas para farmacêuticos e estagiários

Resultado de imagem para temos vagasA temporada de contratações no setor segue intensa em abril

A Sanofi seleciona estagiários em farmácia para suas unidades de São Paulo, Suzano e Campinas. São 50 vagas para estudantes universitários nos departamentos de RH, marketing, comercial, Business Support, Industrial Campinas, Industrial Suzano, finanças, qualidade, pesquisa clínica, planejamento estratégico, comunicação e supply chain. As inscrições podem ser feitas pelo site da Companhia de Estágios até o dia 31 de maio.

Estagiários na área também encontram oportunidades na Eli Lilly, cujas inscrições para o processo seletivo estão abertas até hoje, dia 6 de abril, com início de atuação previsto para junho. Os candidatos devem estar cursando o ensino superior, com previsão de conclusão a partir de dezembro de 2019. A carga horária é de 30 horas semanais e o horário é flexível, com direito a bolsa-auxílio de R$ 2.300.

Já a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares – EBSERH abriu concurso público para preenchimento de 11 vagas em hospitais da rede. As instituições estão situadas nos estados de Goiás, Pará, Paraná, Piauí, Rio Grande do Norte e Tocantins, além da região do Triângulo Mineiro e das cidades de Brasília (DF), Juiz de Fora (MG) e São Carlos (SP). A remuneração é de R$ 5.896,67. Segundo o edital, o prazo de inscrições vigora até o dia 10 de abril e a taxa de inscrição é de R$ 200.

Panorama Farmacêutico

Laboratório de Toledo deve ser o primeiro a produzir e vender extrato de canabidiol no país

Resultado de imagem para myalo cannabisMedicamento é usado no tratamento de epilepsia em crianças; atualmente produto precisa ser importado com autorização da Anvisa

Um laboratório de Toledo, no oeste do Paraná, deve ser o primeiro a produzir e vender no país o extrato de canabidiol – substância extraída da maconha. Em fase final de testes clínicos, a previsão dos pesquisadores é que o medicamento esteja disponível no mercado até o fim de 2018. O extrato de canabidiol (CBD) tem efeito anticonvunsionante e é usado principalmente no tratamento de epilepsia em crianças. Atualmente, o produto precisa ser importado com a autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

As pesquisas vêm sendo desenvolvidas em conjunto pelo laboratório farmacêutico Prati Donaduzzi e a Universidade de São Paulo (USP) de Ribeirão Preto (SP) – primeiro centro de estudos do canabidiol no Brasil -, há três anos, quando foram importadas as primeiras plantas e iniciados os testes com a Cannabis sativa. O projeto teve investimento inicial de R$ 11 milhões.

De acordo com o professor Jaime Hallak, da Faculdade de Medicina da USP, além de reduzir os custos com importação, a produção em laboratório promete garantir uma substância mais pura e completamente livre do THC, o princípio que causa o efeito psicoativo da maconha. O presidente da Prati Donaduzzi, Eder Fernando Mafissonni, calcula que os estudos clínicos sejam concluídos ainda neste semestre. Cento e vinte e seis crianças estão recebendo o medicamento em São Paulo.

“Somos o laboratório com os estudos mais avançados no mundo e queremos ser o primeiro a conseguir comprovar a eficácia terapêutica do canabidiol. O nosso também será o primeiro no mundo considerado medicamento”, comentou. O produto foi patenteado no Brasil e no exterior. O próximo passo será o registro nos órgãos sanitários e em seguida a comercialização.

Além da epilepsia, a esquizofrenia e o mal de Parkinson são as doenças com estudos mais avançados em relação ao uso do canabidiol feitos pelos pesquisadores da USP. Para baratear o medicamento, a parceria estuda também a produção em laboratório do canabidiol sintético, processo em que não há necessidade de se ter a Cannabis sativa em planta. O extrato é obtido a partir da estrutura molecular, com técnicas de bioquímicas e farmacêuticas, por meio das quais se cria artificialmente moléculas com a mesma eficácia. Neste caso, a expectativa é que o produto esteja no mercado em três anos.

Benefícios
Ângela Schmitz importa o produto do Reino Unido para o filho Lucas, de 11 anos. O menino começou a ter convulsões aos quatro anos. “Nós perdemos o chão e ele teve a mudança de uma vida normal de criança para uma vida sempre com alguém cuidando, atendendo, porque não dava para deixar ele sozinho”, conta. Desde então, com até 30 crises epiléticas por dia, foram muitos tratamentos e medicamentos até chegar ao canabidiol.

“Ele chegou a tomar oito anticolvulsionantes. Depois que nós começamos com o canabidiol, as crises reduziram em mais de 80% e ele teve muito mais qualidade de vida. Agora ele pode fazer coisas de criança normal”, destaca Ângela. Por mês, Lucas usa três vidros do medicamento. Cada um custa US$ 390, fora o custo do transporte. O produto nacional deve tanto reduzir o custo como alguns transtornos ainda comuns no processo de importação, facilitando o acesso para quem precisa.

“Você não sabe se vai chegar no prazo que precisa, por isso tem que ter um estoque muito maior do que imagina que vai usar. Pode haver problema na saída do país que vende ou na entrada do país da pessoa que está comprando, problema de transporte ou de receber um produto danificado e ter dificuldade para reclamar”, aponta. Ângela acredita ainda que o medicamento feito no país pode trazer mais tranquilidade também quanto à certeza da procedência e da qualidade do produto.

G1

Bactéria da gonorreia cria resistência aos antibióticos

Bactéria da gonorreia cria resistência aos antibióticos
(JuSun/iStock)
Ceftriaxona, uma das poucas drogas que combatia a doença, não é mais tão eficiente

A gonorreia é um grande problema de saúde pública: infecta 80 milhões de pessoas por ano no mundo. Mas pode ficar ainda pior. A bactéria N. gonorrhoeae, que causa a doença, desenvolveu resistência à ceftriaxona, um dos poucos antibióticos que ainda eram eficazes contra ela. A mutação foi encontrada por cientistas da Faculdade de Medicina da Carolina do Norte, nos EUA, que analisaram o genoma da bactéria.

Eles também descobriram que a mutação vem com um custo: ela diminui drasticamente a taxa de crescimento das bactérias. Isso porque a mudança altera a enzima bacteriana que é alvo da ceftriaxona, diminuindo a ação do antibiótico. Mas, ao mesmo tempo, a mudança prejudica a construção e reparação da parede celular bacteriana. Se essas bactérias mutantes competissem contra bactérias não resistentes ao antibiótico, elas perderiam.

No entanto, ao infectar ratos com uma mistura igual de bactérias normais e bactérias mutantes, os cientistas observaram que o crescimento dos dois tipos era equivalente, gerando até uma competição acirrada entre eles. “Suspeitamos que as bactérias [mutantes] adquiriram [outras] mutações “compensatórias”, que aumentaram sua taxa de crescimento”, afirmou o líder do estudo, Rob Nicholas. Como é imune aos antibióticos atuais, a superbactéria poderia causar uma epidemia difícil, ou impossível, de conter.

Mas nem tudo está perdido. Agora, os cientistas estão tentando encontrar um jeito de atacar a enzima AcnB, que é responsável pela produção de energia dessas bactérias – e, se inibida, poderá fazer com que elas morram.

Superinteressante