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terça-feira, 23 de junho de 2015

Como gerir OPMEs?

Na cadeia de atendimento da saúde, as OPMEs (Órteses, Próteses e Materiais Especiais) são negociadas à parte dos materiais hospitalares comuns
 
Seus custos, na maioria das vezes, são considerados administrativos, já que se faz necessário o trâmite dos registros documentais para garantir a cobrança e o pagamento.
 
Por conta dessa gestão, ainda não padronizada, as OPMEs têm cada vez mais comprometido os custos da assistência à saúde. Isso acontece porque, em uma tentativa de aumentar o controle de uso das OPME foi construída nos anos 90, uma estrutura burocrática que – entre outros objetivos – serviria também para conter os gastos com os produtos.
 
Com mais regras e obstáculos, o caminho entre a prescrição médica e a realização dos procedimentos gradativamente se tornou mais sinuoso e árduo. Esse rigor acabou por aumentar o volume de glosas na mesma proporção que afetou os seus fluxos cirúrgicos, principal fonte de receita destas instituições de saúde.
 
Levando em conta que as OPMEs correspondem a aproximadamente 10% do sinistro total das operadoras e em torno de 20% do custo das internações, é de vital importância que o gestor se atente a esse custo.
 
Padronizar e gerenciar o processo de autorizações de OPMEs é o primeiro passo. Para que haja uma gestão sustentável de OPMEs, especialistas defendem o uso de soluções compartilhadas que garantam não só a ampliação dos negócios de hospitais, operadoras, médicos e fornecedores, mas a sobrevivência de toda a cadeia de atendimento. A tecnologia é grande aliada e pode assegurar a complexa operação de unificar interesses assistenciais com um controle de custos que garanta a sustentabilidade do sistema.
 
Um sistema de informações adequado e de confiança permite o monitoramento e a integração de todo o fluxo com relatórios gerenciais, essenciais para a tomada de decisão dos gestores. Além da eficiência no gerenciamento de todos os materiais, a tecnologia ajuda a manter o estoque das OPMEs em níveis adequados, bem como auxilia a melhora do planejamento de compras e solicitações de consignação.
 
Por fim, uma equipe especializada, multidisciplinar, com conhecimento administrativo e técnico sobre os produtos a serem utilizados é primordial. É importante nesse processo capacitar profissionais da saúde nas rotinas administrativas e comerciais relacionadas ao uso de OPMEs. Produtos de qualidade compatíveis aos procedimentos e maior otimização do processo oferecem sobretudo transparência e sustentabilidade na gestão de OPMEs.
 
Saúde Web

Laboratório Medley comunica recolhimento de lote do antibiótico Cefaclor

Invólucro externo informa concentração de mg/ml inferior em relação ao frasco interno

A Medley Farmacêutica Ltda. comunicou o recolhimento do lote 14070329 do antibiótico Cefaclor, suspensão de 375 mg/5ml.
 
No comunicado, a empresa informa ter constatado que 357 unidades, de um total de 10.18 que correspondem ao lote mencionado, foram embaladas com invólucro externo marcando uma concentração de 250 mg/5ml, inferior a que contém o frasco interno, de 375 mg/5ml.
 
O uso de medicamento em dose maior que a prescrita pelo médico e recomendada em bula pode ocasionar efeitos adversos, alerta o fabricante.
 
Os principais possíveis efeitos adversos de uma dose excessiva deste medicamento são: dores de estômago, náuseas, vômitos e diarréia.

Para quem estiver fazendo uso deste lote, a empresa recomenda que entre em contato com seu médico. Para mais informações e substituição do produto, a Medley disponibiliza o telefone 0800 729 8000.
 
Globo Online

17 mitos e verdades sobre engravidar

Quando se começa a pensar em ter filhos, muitas dúvidas vêm à cabeça e crendices infundadas podem confundir os futuros pais; especialistas explicam o que é mito ou verdade
 
Quando uma mulher quer engravidar, a primeira coisa a se pensar é visitar um médico para fazer os exames de rotina e, se for necessário, começar a tomar alguma suplementação vitamínica específica receitada pelo profissional e esperar que a concepção venha. No entanto, o estresse gerado pela preocupação de muitas mulheres sobre conselhos que ouvem por aí acabam atrapalhando a gestação.
 
É verdade que a mulher que estiver acima do peso tem mais dificuldade para engravidar? E se ela não conseguir engravidar naturalmente e começar a fazer tratamento, ela necessariamente terá filhos gêmeos?
 
Veja se essas e outras dúvidas são mito ou verdade  e leia a explicação dos especialistas no texto a seguir:
 
1 - Cigarro e álcool diminuem as chances de engravidar
Verdade. Segundo o ginecologista da Criogênesis, Renato de Oliveira, o tabagismo interfere na fertilidade feminina, assim como o álcool. “Mas precisa ser uma dose-dependente. Algumas mulheres tomam dois copos e ficam zonzas, outras tomam muita vodka e não acontece nada. Mas no abuso, existe sim uma queda de fertilidade comprovada. O ideal é evitar”, explica.
 
2 - É possível engravidar durante a menstruação
Mito. “Não, não é possível”, diz Oliveira. “A menstruação significa que a parte de dentro do útero, chamada endométrio, cresceu, proliferou e se tornou receptivo para um embrião. Se ele não se implantou, ela se descama. Esse processo é chamado de menstruação. A partir do momento que descamou, não tem como engravidar”. No entanto, ele conta que muitas vezes as mulheres confundem sangramentos irregulares com menstruação, já que pode haver um pouco de sangramento no meio do ciclo por causa do rompimento do óvulo. “Sangra, mas não está menstruando. Se ela tiver ovulado, no entanto, tem chance de engravidar, sim”.
 
3 - A gravidez depois dos 35 anos é mais delicada
Verdade. “Aumenta todos os riscos. O corpo da mulher, a partir dos 35, começa a sofrer maior desgaste e há aumento do risco de hipertensão na gestação, pré-eclâmpsia, eclampsia e diabetes gestacional”, explica Oliveira. “E a partir dos 40, o risco aumenta, não só para o pré-natal, mas também para problemas cromossômicos, como a Síndrome de Down”.
 
4 - Obesidade e sobrepeso atrapalham a mulher de engravidar
Verdade. Segundo o ginecologista e professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, Paulo Gallo, a obesidade pode atrapalhar. “O tecido adiposo funciona como uma glândula, transformando o hormônio masculino pelo feminino, e isso pode bloquear a ovulação da mulher”, diz ele, que também é diretor médico do Vida, Centro de Fertilidade da Rede D’Or.
 
5 - O estresse impede a mulher engravidar
Parcialmente verdade. “Tem uma parte de verdade e outra de mito. Toda mulher que quer engravidar e não consegue fica ansiosa. Então, teoricamente, toda mulher que está tentando ter filhos teria dificuldade”, diz Gallo. “O estresse em excesso pode interferir na qualidade da ovulação, além de elevar um hormônio chamado prolactina, que vai inibir os hormônios que coordenam os ovários e impedir a ovulação”. Segundo ele, até a atividade física em excesso pode prejudicar a fertilidade.
 
6 - Uma mulher que engravidou fácil do primeiro filho também engravidará facilmente na segunda vez
Mito. “Ela tem um bom passado. Ter engravidado previamente fala a favor, mas não garante”, afirma Oliveira. “É preciso entender que o organismo, na época da primeira gravidez, podia ser diferente, então não tem como fazer uma previsão”.
 
Gallo explica ainda que, com o passar dos anos, a taxa de fertilidade da mulher vai caindo. “Aos 30 anos, ela tem de 15% a 20% de chance de engravidar por mês. Aos 40 anos, 5%. Com a idade, a qualidade dos óvulos piora e a chance de engravidar é menor”.
 
7 - É impossível engravidar na primeira relação sexual da mulher  
Mito. Isso é possível, segundo o ginecologista Edilson Ogeda, coordenador do núcleo de ginecologia do Hospital Samaritano. “Se a mulher estiver no período fértil, existe risco. Não dá para dizer que todas vão engravidar, mas é possível”.
 
“A partir do momento que a mulher está ovulando, ela pode engravidar”, afirma o ginecologista Maurício Luiz Peixoto Sobral.
 
8 - Toda mulher que toma pílula anticoncepcional por muito tempo demora para engravidar
Mito. “Não é uma regra e não dá para afirmar isso”, explica Sobral. “Tem gente que para e engravida no mês seguinte. Uma demora de três a seis meses é aceitável”, conta.
 
Ogeda explica que há muitas mulheres que evitam a gravidez por meio de pílula anticoncepcional durante muitos anos, mas nunca testou se conseguia engravidar ou não antes da pílula. “Às vezes a dificuldade é dela própria, por algum outro problema”, conta. “A fertilidade, por meio do anticoncepcional oral, volta no mês seguinte para quem não tem outras dificuldades”.
 
9 - Usar pílula anticoncepcional por muito tempo faz com que a mulher fique estéril
Mito. Segundo Bárbara, o uso da pílula por períodos longos pode até proteger a fertilidade, no caso de endometriose.
 
Maurício sobral explica que a pílula bloqueia o eixo que ordena a ovulação. “Se parar de tomar, esse eixo volta ao normal, então a mulher volta a ovular normalmente”.
 
10 - O teste de gravidez pode ser feito no dia após a relação sexual
Mito. Segundo os ginecologistas, o teste deve ser feito a partir de alguns dias depois do primeiro atraso menstrual. “Às vezes, a mulher está grávida, mas só vai ter níveis de Beta HCG sanguíneos com 48h de atraso menstrual. Em outros casos, o teste de urina demora um pouco mais”, diz Barbara.
 
11 - É mais provável engravidar no 14º dia do ciclo menstrual
Parcialmente verdade. “Isso vale para quem tem um ciclo de 28 dias”, explica Ogeda. “Os 14 dias que antecedem a menstruação são o período mais provável da ovulação”, explica o médico. No entanto, o período fértil é considerado aquele de 4 dias antes ou quatro dias depois da ovulação.
 
12 - Quem tem endometriose não consegue engravidar
Mito. “Muitas vezes a infertilidade pode ser tratada com medicação ou cirurgicamente. Ela pode engravidar naturalmente ou com ajuda da reprodução assistida”, conta a ginecologista do Hospital 9 de Julho.
 
13 - Quem tem miomas não consegue engravidar
Mito. “Há três tipos de miomas: os submucosos, que ficam na região endometrial (dentro do útero), os intramurais (nas camadas musculares) e os subserosos (fora do útero). Os intramurais e subserosos não causam infertilidade, pois não estão dentro do útero”, explica Barbara. “Aqueles que estão dentro do útero são removidos cirurgicamente, porque podem causar infertilidade. Depois da remoção, a mulher pode engravidar no mês seguinte”.
 
14 - Todo tratamento para engravidar resultará em gêmeos
Mito. “Não necessariamente”, explica Barbara. “Mas as chances são maiores porque, com os estímulos, a mulher produz mais óvulos e, na fertilização in vitro, mais de um embrião é colocado no útero para reduzir a chance de um não dar certo”.
 
15 - Se o casal não tiver relação sexual todos os dias, a mulher não engravidará
Mito. Segundo Maurício Sobral, relações todos os dias não é o indicado. “No caso do homem, se ele fica tendo relações todos os dias, os espermatozoides podem não estar viáveis”, disse.
 
Bárbara explica que não há um número mágico de relações sexuais que faça com que a mulher engravide. “Basta uma para que dê certo, mas recomendamos que, quanto mais relações, mais chance”, conta.
 
16 - É possível engravidar depois dos 40 anos
Verdade. Muitas mulheres conseguem engravidar espontaneamente depois dos 40 anos. “Se estiver ovulando, pode engravidar. Porém, a fertilidade diminui depois dos 35 anos. A qualidade dos óvulos segue uma curva descendente”, diz a ginecologista Barbara Murayama, do Hospital 9 de Julho.
 
Sobral explica que a mulher, no entanto, tem mais risco de abortamento e de má-formações fetais, além de aumentar a chance de o bebê nascer com a síndrome de Down.
 
17 - Se a mulher tentar engravidar sem método contraceptivo por seis meses e não conseguir, significa que ela tem algum problema
Mito. “O período de tentativa de seis meses pode denotar alguma pequena dificuldade, mas não dá para dizer que é infertilidade”, explica Paulo Gallo. Segundo ele, se a mulher tiver mais de 40 anos, não é indicado esperar mais do que seis meses tentando engravidar sem procurar um tratamento. “A taxa de gravidez numa mulher jovem, de 30 anos, é de 15% a 20% por mês. Aos 40%, é de 5%. Por isso a gente diz que quando um casal está tendo dificuldade de engravidar, tendo relações regulares, duas vezes por semana, sem uso de métodos contraceptivos por um ano, pode indicar algum problema”, diz ele.
 
iG

Entenda a polêmica sobre a realização do parto em casa ou no hospital

Foto/Reprodução: Parto Normal
O alto número de cesáreas no país e o resgate do parto domiciliar dividem opiniões sobre a forma mais adequada de dar à luz
 
Mais da metade dos nascimentos no Brasil é realizada por meio da cesárea, o que faz do país o líder mundial no procedimento. Considerada uma epidemia pela Organização Mundial de Saúde (OMS), a cirurgia alcança o índice de 84% na rede privada brasileira e de 40% na pública — a recomendação da OMS é de 10% a 15%. Com números tão altos, a ideia de parto humanizado, que incentiva o nascimento natural e menos "medicalizado", tem ganhado força no país e, inclusive, incentivo do Ministério da Saúde.
 
Mas o assunto ainda é polêmico e divide opiniões. O texto da colunista de ZH Rosane de Oliveira "Parto Humanizado em Hospital", publicado em 14 de junho, é um exemplo da controvérsia que o tema causa. Diante da posição da jornalista de que "não precisamos de modismos que coloquem em risco a vida de mães e bebês", ao citar o caso de mães que buscam o realizar o parto em casa, diversos leitores se manifestaram argumentando que a volta de um parto mais natural é necessária para reduzir o número de cesáreas, enquanto outros reforçaram a importância da estrutura hospitalar para dar segurança ao procedimento.
 
Segundo o obstetra do Hospital de Clínicas de Porto Alegre Jose Geraldo Lopes Ramos, a polêmica ainda vai longe. A preferência de médicos e pacientes pela cesárea depara com um crescente movimento de resgate do naturalismo que, em seu emprego mais extremo, promove a volta do parto domiciliar.
 
— Não devemos ir nem tanto ao céu, nem tanto à terra. É preciso encontrar um equilíbrio entre a segurança e a naturalização — afirma o obstetra.
 
Saiba o que defende cada uma das pontas dessa polêmica:
 
Em defesa do parto no hospital
O obstetra Jose Geraldo Lopes Ramos defende que não se pode abrir mão de realizar o parto no hospital.
 
— Desde que o procedimento foi levado para o ambiente hospitalar, é raro ouvir que uma mulher "morreu de parto". Cerca de 80% dos nascimentos ocorrem de maneira adequada, com situações que são fáceis de manejar. Mas de 10% a 20% dos partos terão complicações graves, que necessitam de intervenções médicas. Ainda assim, não há como justificar o índice de cesarianas que temos nos hospitais privados — pondera.
 
Segundo Ramos, há uma busca nos hospitais para tornar o parto mais natural.
 
— Humanizar não significa perder a segurança, que é fundamental e já salvou muitas vidas — afirma o obstetra.
 
A coordenadora da maternidade do Hospital Israelita Albert Einstein, Rita Sanchez, acredita que os hospitais privados brasileiros ainda estão longe de alcançar uma humanização do parto que reverta a cultura da cesárea criada nos últimos anos.
 
É justamente esse o objetivo do programa Parto Adequado, desenvolvido pelo Institute for Healthcare Improvement, dos Estados Unidos, pelo Hospital Israelita Albert Einstein e pela Agência Nacional de Saúde Complementar, em parceria com o Ministério da Saúde. Ainda em fase piloto, a estratégia busca aumentar a segurança do parto normal e revisar as práticas de atendimento antes e depois do parto.
 
— É preciso criar condições que permitam esperar pelo parto normal — conclui Rita.
 
Em defesa do parto domiciliar
A parteira Marília Largura tem mais de 40 anos de experiência e já realizou mais de 5 mil partos. Segundo ela, o parto domiciliar é um resgate do procedimento como algo orgânico, fisiológico e natural.
 
— O parto em casa leva em consideração a mãe, seu modo de vida, sua cultura. Faltam informação às mulheres para que elas possam ser protagonistas desse momento tão importante — defende.
 
Ainda que seja "radicalmente contra a cesárea", a parteira afirma que o procedimento deve ser realizado em casos de risco — em até 25% dos casos, segundo Marília. Para ela, mesmo quando o nascimento ocorre em casa, garantir a segurança para a mãe e o bebê é fundamental.
 
— É preciso ter uma equipe experiente e um aparato de cuidados. A segurança depende muito de quem vai fazer o parto e da preparação da mãe. Ela precisa se informar para ter certeza de que isso faz parte da sua cultura de vida — pondera.
 
O que é um parto humanizado
Conheça algumas indicações do Ministério da Saúde para tornar o nascimento mais natural:
 
— Garantir à mulher o direito de escolher um acompanhante que ofereça apoio físico e emocional durante o trabalho de parto.
 
— Disponibilizar variadas formas não medicamentosas de alívio da dor, como banheira ou chuveiro, massagens, bola de pilates, compressas quentes ou frias, entre outras.
 
— Oferecer à mãe líquidos e alimentos leves durante o trabalho de parto.
 
— Disponibilizar cuidados para reduzir as chances de ter de submeter a mulher a procedimentos invasivos como a indução do parto, a cesárea e episiotomias (corte do períneo).
 
— Garantir ambiente tranquilo e acolhedor, com privacidade e iluminação suave.
 
— Caso seja da rotina do estabelecimento de saúde, autorizar a presença de doula comunitária ou voluntária em apoio à mulher.
 
— Permitir que mães, pais ou responsáveis tenham acesso livre ao recém-nascido, 24 horas por dia, dentro do hospital, mesmo que os bebês estejam na UTI neonatal.
 
Zero Hora

Idosa descobre que carrega feto calcificado há mais de 60 anos

Reprodução/BBC Brasil - El Lider de San Antônio
Estela Meléndez conta que por causa do feto sempre sofreu
 de dores e nunca conseguiu engravidar
Médicos desconfiaram de protuberância e, após exames, acharam bebê de 30 semanas
 
Oficialmente, a chilena Estela Meléndez tem 92 anos. Extraoficialmente, já que foi registrada apenas aos 17, ela está prestes a cumprir 110 anos. E por mais de 60 ela tem uma protuberância em sua barriga.
 
Mas, na semana passada, ela descobriu que o volume, na verdade, era um feto de um bebê que ela perdeu há mais de 60 anos e que continuou com ela durante todo esse tempo.
 
Estela, uma dona de casa humilde que vive em Santo Antônio (na costa chilena), só descobriu a história toda porque foi levada ao hospital depois de machucar o cotovelo durante uma queda.
 
A médica que lhe atendeu se surpreendeu com a protuberância e com o resultado do raio X, e pediu novos exames, que acabaram confirmando sua suspeita: o volume na barriga de Estela era, na verdade, um feto calcificado.
 
Ou seja, um feto que morreu e, como tinha cada vez menos sangue, teve seus tecidos dissecados.
 
"Quando um idoso sofre uma queda, pedimos uma radiografia de quadril para descartar fraturas de pélvis. E no raio X havia uma imagem própria de uma coluna vertebral de um feto", explicou à BBC Mundo Dagoberto Duarte, diretor do Serviço de Saúde da região de Valparaíso.
 
Segundo ele, pelos exames, os médicos calcularam que o feto tinha cerca de 30 semanas e estava se desenvolvendo fora do útero.
 
Câncer
Em entrevista ao jornal local Líder San Antônio, Estela contou dos problemas diários que sofria por conta do volume de mais de 2 kg que carregava.
 
Estela e seus familiares contam que na época de sua gravidez, ela se sentiu mal e foi levada ao hospital. Um médico lhe disse que ela tinha câncer e que seria submetida a uma raspagem, para retirada do feto. Mas, pelo visto, a raspagem foi malfeita — ou nem foi realizada.
 
Os familiares da chilena acusam de negligência médica tanto o hospital onde ela foi atendida na época do aborto (o mesmo que a atendeu agora), quanto uma clínica em que ela fez exames nos anos 80.
 
Por conta da idade avançada de Estela, ela não deve ser operada, mas uma comissão médica ainda está avaliando os próximos passos a serem tomados.
 
BBC Brasil / R7

Hospital Universitário da USP perde 20% dos leitos entre janeiro e abril

Reprodução/HU.USP
O total de médicos caiu de 299, em janeiro de 2014, para 268
A queda é reflexo das medidas de contenção de gastos tomadas pela reitoria da universidade
 
O HU (Hospital Universitário) da USP (Universidade de São Paulo) perdeu ao menos 45 leitos entre janeiro e abril — 20% do total. A queda é reflexo das medidas de contenção de gastos tomadas pela reitoria da universidade, que fez o hospital reduzir o atendimento. O dado consta em um relatório do Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo).
 
O levantamento foi realizado em abril a pedido do MPE (Ministério Público Estadual), que investiga a redução de atendimento no HU. Segundo o documento, obtido com exclusividade pelo jornal O Estado de S. Paulo, o total de leitos instalados recuou de 223 para 178 nos quatro meses. Dos 45 leitos fechados, 11 eram de terapia intensiva ou semi-intensiva. Das dez salas cirúrgicas, só seis estão em funcionamento "por falta de profissionais de enfermagem e médicos anestesistas".
 
Ainda de acordo com o relatório, 12 tipos de ambulatórios foram desativados parcialmente, como os de pediatria, clínica cirúrgica e obstetrícia. O ambulatório de ortopedia foi encerrado. "Como muitos leitos foram desativados, os pacientes se acumulam na observação do pronto-socorro em local não adequado", registra o Cremesp no documento. No dia da vistoria, técnicos do conselho encontraram 23 pacientes em macas.
 
Entre 2010 e março de 2015, diz o relatório, a média mensal de consultas no ambulatório em seis especialidades (como pediatria, ortopedia e psiquiatria) recuou 38,5%, de 11,7 mil para 7,2 mil. O total de médicos caiu de 299, em janeiro de 2014, para 268, na data da vistoria.
 
Mudanças
Em março, o jornal mostrou que o HU havia passado a atender só a urgências e emergências. Casos de menor gravidade passaram a ser enviados a postos de saúde. O hospital é um dos principais da zona oeste e cobre área com cerca de 500 mil habitantes.
 
Isso ocorreu após a perda de cerca de 200 funcionários que aderiram ao PDV (Plano de Demissão Voluntária) da USP, uma das apostas da reitoria para contornar a crise financeira. Pesou ainda o corte de salários acima do teto na universidade — alguns médicos tinham remuneração acima do permitido.
 
Segundo o relatório, nas atuais condições, o hospital descumpre normas que preveem proporções mínimas de médicos por leito em UTIs (Unidades de Terapia Intensiva) ou em salas de reanimação. Procuradas, a superintendência do HU e a reitoria da USP não comentaram o relatório.
 
De acordo com o vice-diretor clínico do HU, Gerson Salvador, a crise trouxe sobrecarga aos profissionais.
 
— Colegas pedem demissão por causa das condições ruins de trabalho.
 
Salvador também é diretor do Simesp (Sindicato dos Médicos de São Paulo).
 
Marcos Boulos, conselheiro do Cremesp, reconhece as dificuldades de contornar o problema.
 
— A USP não tem recursos para investir e modernizar o hospital.
 
Segundo Boulos, é importante que o Estado participe ativamente da manutenção do hospital, mas ainda é necessário discutir qual o melhor modelo para a gestão compartilhada. Os técnicos que fizeram a vistoria não comentaram o relatório.
 
Em 2014, a reitoria tentou transferir o HU para a Secretaria Estadual da Saúde, como estratégia para aliviar as contas da USP, o que gerou forte resistência interna da universidade. O governador Geraldo Alckmin (PSDB), porém, rejeitou a ideia.
 
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
 
R7

Saiba se o fio dental deve ser passado antes ou depois da escovação

Item é fundamental para prevenir problemas bucais como a cárie
 
Usar escova, pasta e creme dental diariamente é fundamental para uma higiene bucal adequada. Tão importante quanto a dupla responsável pela escovação, o fio ou a fita dental chega a lugares não alcançados pela escova, removendo restos de alimentos acumulados. Mas existem regras na hora de usar o fio?
 
Poucos estudos abordam qual seria a maneira correta de passar o fio dental, e ainda não há um consenso se ele deve ser usado antes ou depois da escovação. A Associação Brasileira de Odontologia no Rio Grande do Sul (Abors) não tem um posicionamento definido sobre o assunto e afirma que os especialistas têm diferentes opiniões sobre o tema.
 
ZH conversou com sete dentistas para saber qual das duas indicações deve ser considerada. Apesar de cada um ter sua própria recomendação, todos concordam que a escolha é opcional. O importante mesmo é não deixar de usar.

— Apenas de 10% a 15% das pessoas usam o fio dental, e esse hábito é muito difícil de ser incentivado. Se o paciente estiver passando o fio já está ótimo. Não vai haver diferença significativa se ele fizer isso antes ou depois da escovação — afirma a cirurgiã-dentista Tatiana Beltrami.

Segundo o odontopediatra Paulo Kramer, entretanto, a ordem do uso do fio e da escova interfere na limpeza.

— Para remover os resíduos que não foram embora com a escovação, o fio dental pode ser passado depois. Se passado antes, ele irá remover a placa bacteriana, um dos fatores causadores da cárie — afirma Kramer, que, em geral, recomenda a utilização do fio ou da fita dental depois.
 
Em vídeo, dentista mostra a maneira correta de usar o fio dental:
 

 
Entre as principais finalidades do uso do fio dental está a remoção da placa bacteriana, responsável por ocasionar inflamação na gengiva (gengivite) e cáries, entre outros problemas. Consultar um especialista para saber qual é o tipo de fio ideal para determinado caso é importante, já que as recomendações variam de acordo com a formação dentária de cada pessoa.
 
A fita dental — mais larga e achada que o fio — e a escova interdental são, em geral, recomendadas para casos específicos, como os de diastema (espaço entre os dentes). Quem tem dentes muito juntos e sofre no momento de colocar ou retirar o fio pode usar o fio dental com cera, que irá deslizar com mais facilidade entre os dentes.

Tatiana recomenda que o fio seja utilizado sempre após as principais refeições. Se a correria do dia eventualmente não permitir esse cuidado, a indicação é que se passe o fio à noite.
 
— A limpeza durante a noite é a mais importante do dia, porque é o período onde ocorre a diminuição da salivação, processo que ajuda a higienização natural da boca — explica a cirurgiã dentista.

A coordenadora clínica dos laboratórios da Abors, Luciana Martinelli de Lima, diz que ferimentos na gengiva, por exemplo, podem ser resultado do uso inadequado do fio dental, mas não pelo uso excessivo do item. O indicado é não utilizar muita força na hora de passá-lo.
 
Zero Hora

Novo vírus causa paralisia nas pernas e pode matar

Micro-organismo foi detectado em Manaus, mas não é descartada a hipótese de estar em outros locais, como o Rio. Sintomas iniciais são diarreia e vômito
 
Um novo vírus capaz de causar paralisia e até de matar foi descoberto no Brasil. Pesquisadores da Fiocruz encontraram o gemycircularvirus em fezes de crianças de Manaus, no Amazonas, mas o micro-organismo também pode estar no Rio de Janeiro. A infecção afeta pessoas de todas as idades, principalmente quem mora em locais sem saneamento. Não se sabe como o vírus, presente em países da Ásia, chegou aqui.
 
A descoberta é de pesquisa do Instituto Leônidas e Maria Deane, que faz parte da Fiocruz Amazônia. Uma das responsáveis pelo trabalho, Patrícia Puccinelli Orlandi, bióloga e pesquisadora da instituição, conta que, no início dos estudos, pensou se tratar de uma variação do rotavírus, já que os sintomas são semelhantes — diarreia e vômito.
 
“Mas relatos de médicos da região sobre crianças que ficaram paralisadas aguçaram nossa curiosidade científica para descobrir a causa do problema”, declara. E é justamente o agravamento do quadro clínico o principal diferencial entre o rotavírus e o gemycircularvirus. Em alguns casos, ocorre a paralisia flácida, ou seja, o paciente não consegue mexer as pernas por até uma semana. “É diferente da fraqueza provocada pela diarreia. É uma paralisia total, o paciente não se sustenta”. Segundo ela, o novo vírus pode migrar para o sistema nervoso central, provocar encefalite e levar à morte.
 
A bióloga alerta que o novo micro-organismo pode estar circulando em outros estados do país. “Descobrimos em Manaus, mas não podemos dizer que não está em outros locais. O fato é que ninguém havia procurado esse vírus até então, já que ele é novo”, explica.
 
Amostras analisadas
Entre 2007 e 2009, 1.500 amostras de fezes de crianças com diarreia atendidas em prontos-socorros de Manaus foram recolhidas para a pesquisa. A ideia era analisar que vírus e bactérias mais acometiam os pequenos de até 10 anos. O novo vírus foi achado quando o pesquisador norte-americano Tung Gia Phan entrou no estudo. Ele solicitou 600 amostras e, recorrendo à análise molecular, verificou o gemycircularvirus em seis.
 
As crianças foram infectadas em Manaus (não há registro de viagem delas para outros locais). Ainda não é possível saber como o vírus — presente em países como Sri Lanka e Camboja — chegou. “A infecção ocorre pelo consumo de água contaminada. Por isso locais sem saneamento são vulneráveis”.
 
O Dia

Anvisa e Farmacopeia Brasileira publicam Chamada Pública

A Anvisa e a Farmacopeia Brasileira publicaram a Chamada Pública CNPq/ANVISA nº 12/2015. O texto, que consta no Diário Oficial da União do dia 18 de junho, está disponível na página da CNPQ na internet
 
A chamada tem por objetivo selecionar propostas para apoio financeiro a projetos que visem contribuir significativamente para o desenvolvimento científico e tecnológico do país.
 
As propostas devem observar as condições previstas em regulamento específico, como cronograma, recursos financeiros a serem aplicados nas propostas aprovadas, itens financiáveis e prazo para execução dos projetos.
 
A data limite para submissão das propostas será 13 de agosto de 2015.
 
ANVISA

Anvisa aprova primeiro medicamento radiofármaco pronto para uso

A Anvisa concedeu o registro para o medicamento Radioglic® - Fludesoxiglicose (18F), fabricado pela Comissão Nacional de Energia Nuclear/CDTN
 
 
Este é o primeiro medicamento da categoria de radiofármacos pronto para o uso registrado pela Anvisa desde a publicação da RDC n° 64/2009, norma que dispõe sobre o registro desses produtos. O registro foi publicado no Diário Oficial da União desta segunda-feira (22/06).
 
O medicamento foi aprovado pela Anvisa na forma farmacêutica de solução injetável para administração intravenosa de fludesoxiglicose (18F), disponível em dez apresentações comerciais: frascos-ampola de até 15 mL, contendo atividades de 0,4 GBq ; 1 GBq; 2 GBq; 3 GBq; 5 GBq; 8 GBq; 13 GBq; 16 GBq; 19 GBq; 29 GBq, na data e hora da calibração.
 
Radioglic® está indicado para uso exclusivo em radiodiagnóstico nos serviços de medicina nuclear e destinado a exames de tomografia por emissão de pósitrons (PET e PET/CT), nas áreas de Oncologia, Cardiologia e Neurologia.
 
Fludesoxiglicose (18F) é um análogo radioativo da glicose, que se acumula em todas as células que utilizam glicose como fonte primária de energia. É o radiofármaco mais comumente utilizado para obtenção de imagens em PET.
 
A expectativa é de que sejam solicitados registros para todos os radiofármacos que estejam em comercialização no país. Assim, a Agência dará continuidade ao processo de regulamentação desta categoria de medicamentos, criando um cenário positivo para a entrada de novos produtos.
 
ANVISA

Câncer de pulmão é o que mais mata no mundo, mas verba para pesquisa é insuficiente

Segundo pesquisa, estigma que liga tumor ao cigarro prejudica investimentos em novas terapias

Rio - O engenheiro Paulo Eduardo Pires voltava de um congresso nos EUA quando, em meio aos alertas de gripe suína no aeroporto, começou a ter sintomas parecidos com os do mal. Um mês depois, o incômodo persistia, o que o levou a fazer exames como raio-X e tomografia. Era 2009 quando ele recebeu a notícia de que não tinha uma gripe e, sim, um câncer de pulmão. Paulo não entendeu:

— Fui surpreendido porque nunca tinha colocado um cigarro na boca — lembra, comentando que mantinha um estilo de vida sem excessos e era daqueles que até faziam campanhas antitabaco em sua empresa; e o que ele, seus familiares e colegas sabiam era que este câncer acometia fumantes.

A relação entre tabaco e câncer de pulmão é bem estabelecida. Por isso, estatísticas e campanhas costumam destacar que 85% dos pacientes são ou foram fumantes. Só que 15% deles jamais fumaram. Faltam números conclusivos, mas há uma percepção de que este grupo vem crescendo, especialmente no caso das mulheres. O avanço de terapias para esses casos está a pleno vapor, embora continuem a intrigar cientistas: as causas ainda não estão claras, são pessoas mais jovens, com hábitos saudáveis e difíceis de serem diagnosticadas.

O câncer de pulmão é o que mais provoca mortes no mundo. São mais de 1,59 milhão por ano — mais do que cólon, mama e próstata juntos, que somam 1,52 milhão. No Brasil, em 2012 (último dado disponível do Instituto Nacional do Câncer), a doença matou 22.426 pessoas. Mas, apesar do impacto, recebe menos atenção e é cercado de estigma por conta da forte ligação com o tabaco, segundo uma pesquisa apresentada pela Fundação Bonnie J. Addario para Câncer de Pulmão, dos EUA. Realizado com dez mil pessoas em dez países, o estudo mostrou que 85% sabem pouco ou nada sobre este tipo de câncer e 80% dos diagnosticados acreditam ter culpa pela doença.

— Ouço muitas histórias de pessoas que se sentem envergonhadas, tenham elas fumado ou não — comenta Danielle Hicks, da fundação, que integra a campanha “Qualquer um. Qualquer pulmão”, para conscientizar que a doença é mais abrangente do que se imagina. — Foca-se demais em como ela ocorreu, em vez de em como diagnosticá-la e tratá-la precocemente

Para se ter uma ideia, dados compilados de órgãos do governo americano — como o Instituto Nacional do Câncer (NCI) e o Centro de Controle e Prevenção de Doenças — mostram que para o câncer de mama foram investidos US$ 17,8 mil por indivíduo em 2012, e para o de pulmão, apenas US$ 1,3 mil. Além disso, foram investidos, entre 2008 e 2010, US$ 1,8 bilhão em pesquisas para o câncer de mama, contra US$ 776 milhões para o de pulmão.

Perfil diferente em doentes não-fumantes
O fumo é um fator de risco para todos os tipos de câncer, não apenas o de pulmão. Mas quem não fuma dificilmente crê estar sujeito ao problema.

— Um câncer que aflige a todos igualmente é mais facilmente alvo de campanhas, pois todos se sentem como potenciais vítimas, entre aspas, como por exemplo os de próstata e mama — justifica Ricardo Sales dos Santos, cirurgião torácico do Hospital Albert Einstein, concordando que o estigma existe também no Brasil.

No caso dos doentes que nunca fumaram, alterações genéticas, poluição do ar e exposição a agentes químicos seriam possíveis causas. A idade mediana para câncer de pulmão é de 65 anos. Para não fumantes, 40 anos. Em ambos os casos, a doença se confunde com infecções, asma e pneumonia etc
 
— O sistema de vigilância americano já separa os cânceres de pulmão entre fumante e não fumante, porque entende que são doenças diferentes do ponto de vista epidemiológico, molecular, terapêutico e de prognóstico. Além de afetar pacientes jovens, de vida saudável e em idade produtiva — explica o oncologista Carlos Gil, especialista em câncer de pulmão do Grupo Oncologia D’Or. — Apesar dos avanços, ainda é uma doença muito grave, que precisa de atenção especial.
 
Paulo é um dos que estão mudando a cara deste câncer. Há seis anos convive com ele, provando que as chances de sobrevivência são mais animadoras do que mostram as estatísticas. Não foi fácil. Nesse período, fez cirurgias, ficou mais de um mês internado em estado grave, reconstruiu os dedos após complicações da doença, sentiu dores fortes, perdeu os movimentos temporariamente. Hoje, aos 61 anos, trabalha, caminha e exibe no tom de voz um ânimo de quem tem qualidade de vida.
 
— Os médicos não acreditavam que eu conseguiria, mas fui vencendo uma batalha a cada dia. Minha família conta que, enquanto estava internado, falava que queria conhecer meu neto. Ele nasceu há 20 dias — orgulha-se Paulo, que conseguiu obter um medicamento importado de difícil acesso para se tratar. — Tenho que controlar a doença e tomar o remédio para estender a sobrevida o máximo possível. Meu pacto com Deus é de 30 anos.
 
A incidência mundial é de 1,8 milhão de novos casos de câncer de pulmão por ano. No Brasil, são 16,4 mil entre os homens e 10,9 mil entre as mulheres. As políticas antitabagistas já tiveram efeito na redução dos tumores em homens (nos EUA, foi de um quarto). Mas o foco em diagnóstico precoce é ainda uma demanda de ativistas.
 
— Os investimentos, se existem, estão focados em campanhas de prevenção de maneira geral, com especial enfoque no tabagismo. Claro que isso é muito importante. Mas não temos campanhas de detecção precoce do câncer de pulmão — cobra Luciana Holtz, presidente do Instituto Oncoguia, que planeja lançar campanha em defesa do rastreamento, como existe para o câncer de mama.
 
O Ministério da Saúde admite que a doença é geralmente detectada em estágio avançado, mas acredita que “não há estudos que comprovem a eficácia” do rastreamento para o pulmão.
 
O tema gera debate. Em 2011, o NCI financiou um estudo com 25 mil pessoas que indicou queda de 20% na mortalidade devido ao rastreamento por tomografia. Por isso, em 2013, a Força-Tarefa de Serviços Preventivos dos EUA, um painel independente de especialistas, passou a recomendar o rastreamento anual em adultos entre 55 e 80 anos fumantes ou ex-fumantes (há até 15 anos).
 
— As sociedades médicas brasileiras ainda não despertaram para essa importância, e muitos colegas duvidam que seja possível realizar o rastreamento no Brasil. Mas é possível e seguro — diz Sales dos Santos, que realizou o projeto “Propulmão”, com 790 participantes, seguindo os critérios do estudo americano.
 
Finalizado ano passado, dos indivíduos rastreados, 10% tinham nódulos suspeitos, 3% foram submetidos a exames mais invasivos e 1,4% foram diagnosticados com tumores malignos.
Por meio desse rastreamento, Wagner Alves, de 69 anos, foi diagnosticado em estágio inicial. Descobriu o projeto pela TV e decidiu se inscrever porque fumara dos 14 aos 54 anos.
 
— No meu caso, funcionou 100% — comemora. — Tinha seis nódulos malignos. Fiz a cirurgia ano passado. Tive uma recuperação rápida e tenho uma cicatriz mínima. Ainda faço consultas periódicas.
 
Com 71 anos, Maria do Carmo Meneses fumou por 50 anos e, mesmo tendo parado há cerca de uma década, tinha uma tosse persistente. Também descobriu o câncer em estágio inicial pelo rastreamento e foi submetida à cirurgia.

— Confesso que senti um pouco de culpa por ter fumado, embora não soubesse do risco quando jovem. Mas pelo menos a família me deu todo o apoio, sem me julgar — comenta.

O Globo