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sexta-feira, 24 de julho de 2015

9 aplicações da realidade virtual para a medicina real

A realidade virtual é uma das novas tecnologias com mais promessas até o momento. A criação de mundos virtuais é algo que pode revolucionar completamente a indústria dos jogos e do entretenimento, e que também pode criar aplicações muito interessantes para os cuidados com a saúde
 
 
Ela é uma das tecnologias que pode ser disruptiva em vários campos da medicina, do treinamento de futuros médicos até tratamento de casos psiquiátricos, cirurgias, reabilitação, entre outros. Nesse artigos vamos abordar as principais aplicações da realidade virtual que estão sendo desenvolvidas e mostrar para onde estamos caminhando com essa tecnologia
 
Antes de falarmos das aplicações em si, vamos definir o que é essa tecnologia. A realidade virtual é a criação de um mundo digitalizado, feito no computador.  Através dela a pessoa usa um óculos, ou entra em uma cabine (a forma não importa) e se sente como se estivesse em um lugar completamente diferente. Com o desenvolvimento dessa tecnologia, além da visão, outros sentidos estão sendo incorporados podendo incluir também sons, aromas e até sabor e tato.
 
Uma das primeiras aplicações das realidades digitais na medicina ocorre no treinamento de médicos e outros profissionais de saúde. A realidade virtual propicia um ambiente seguro de estudo no qual futuros médicos podem visualizar conceitos bem como treinar procedimentos sem colocar em risco a vida de pessoas de verdade.
 
A Universidade de Stanford, aqui no vale do Silício, criou um programa de realidade virtual onde médicos podem simular uma cirurgia endoscópica dos seios da face. Esse tipo de cirurgia pode ser bastante complicada devido a variações anatômicas entre os pacientes. Nesse laboratório, os médicos da Stanford usam a realidade virtual para simular e ensaiar a cirurgia que farão depois nos pacientes, com melhora significativa dos resultados.
 
O tratamento de pacientes psiquiátricos é outra aplicação importante da realidade virtual. A Universidade de Louisville está desenvolvendo um programa muito interessante utilizando a realidade virtual no tratamento de fobias. O tratamento oferece um ambiente seguro no qual o paciente pode ficar “face a face” com os seus medos, ensaiar estratégias de enfrentamento bem como quebrar padrões de comportamento frente a essas fobias.
 
Já a Universidade do Sul da Califórnia desenvolve, desde 1997, um programa de tratamento de pessoas que sofrem de stress pós traumático utilizando realidade virtual.  Esse programa é utilizado especialmente no tratamento de veteranos de guerra com bastante sucesso.
 
A realidade virtual também está sendo utilizada de diversas formas no tratamento da dor. A Universidade de Washington, por exemplo, desenvolveu um programa chamado Snoworld. O Snoworld é um jogo de realidade virtual que tem como objetivo inundar os sentidos do paciente durante o tratamento dos pacientes queimados. A limpeza das feridas das queimaduras é algo extremamente doloroso. Os pesquisadores descobriram que quando os sentidos dos pacientes estão conectados ao ambiente virtual do jogo, eles distraem os pacientes. É como se os circuitos da dor fossem desligados. O Snoworld chega a ser mais eficiente do que a morfina em alguns casos.
 
Outro programa de controle da dor muito interessante que utiliza a realidade virtual é o tratamento da dor fantasma, um problema comum em pacientes que sofreram imputações de membros e para o qual praticamente não existe tratamento. A realidade virtual ajuda a re-conectar o cérebro com a realidade do membro amputado, possibilitando estratégias de relaxamento e controle da dor.
 
Já a Universidade do Texas está desenvolvendo um projeto de realidade virtual para tratar pacientes com autismo. No programa os pacientes usam a realidade virtual para treinar as suas habilidades em situações sociais comuns como entrevistas de emprego e encontros românticos. É como se o Sheldon do Big Bang Theory pudesse ensaiar em um ambiente virtual como ter comportamentos socialmente aceitos.
 
Está provado que a meditação ajuda a aliviar o stress, sendo recomendada para melhorar a qualidade de vida de qualquer pessoa. A prática porém exige treinamento e algumas pessoas tem muita dificuldade em conseguir atingir o estado meditativo. Com a ajuda do Oculus Rift (adquirido pelo Facebook) as pessoas podem fazer meditações guiadas dentro de um ambiente virtual relaxante.
 
Esse mesmo princípio está sendo utilizado no tratamento de idosos e deficientes físicos. Pessoas acamadas ou com pouca possibilidade de locomoção podem ser transportados para outras realidades com melhora importante na qualidade de vida. Novamente aqui na Universidade de Stanford um projeto nesse sentido está sendo desenvolvido o SUSIE (Senior user soothing immersive experience – Experiência de imersão calmante para idosos), um programa que utiliza realidade virtual no tratamento de idosos com baixa mobilidade, levando-os para caminhadas entre árvores, passeios na praia ou até de bicicleta. Sucesso entre os avós o programa agora também está sendo utilizado para acelerar a recuperação de crianças hospitalizadas que com o auxilio de um óculos de realidade virtual são transportadas para dentro de um parque de diversões.
 
Como vocês podem perceber as aplicações da realidade virtual para a medicina são infinitas. Elas podem melhorar a qualidade de vida de uma enormidade de pessoas. No Brasil já existe um modelo de óculos que utiliza a tecnologia de realidade virtual, precisamos agora investir no desenvolvimento de aplicativos que podem utilizar essa tecnologia e adaptá-la em benefício dos nossos doentes.
 
Saúde Business

Pesquisadores mineiros criam novo medicamento para artrite

Tecnologia desenvolvida pela Funed utiliza toxina do veneno da abelha

Pesquisadores da Fundação Ezequiel Dias (Funed) estudam a funcionalidade analgésica e antiflamatória do veneno da abelha para criarem uma pomada para tratamento da artrite. O estudo é um dos projetos apoiados pelo Programa de Incentivo à Inovação (PII), promovido pelo Sebrae Minas e pela Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Estado de Minas Gerais (SECTES).

Conhecido como apitoxina, o veneno de abelha já é usado como medicamento para doenças como nevrites, traumas, tendinite, bursite e inflamações comuns. A principal inovação desse projeto é realizar o fracionamento da apitoxina para retirar seus componentes alergênicos, já que como qualquer outro veneno pode produzir reações alérgicas nas pessoas. “Deixamos só a porção ativa, que tem efeitos no controle da artrite. A apitoxina atua estimulando a produção de uma substância que atua sobre os processos alérgicos e inflamatórios”, explica a pesquisadora da Funed, Esther Bastos.

Inicialmente, o projeto de pesquisa estuda o formato de uma pomada com apitoxina para tratamento tópico da artrite reumatoide, mas a tecnologia abre espaço para formulações injetáveis ou em solução oral. Além disso, mais pesquisas poderão determinar os benefícios da apitoxina no tratamento de outras doenças como psoríase e esclerose múltipla

Diferentemente dos medicamentos convencionais, o processo de fabricação de um medicamento de uso tópico com apitoxina é simples. Isso reduz significativamente o custo final do produto. Nesse sentido, a tecnologia pode gerar uma importante economia no tratamento da artrite para os pacientes acometidos e para o Sistema Único de Saúde (SUS). Outro diferencial importante é a ausência de efeitos colaterais que impacta diretamente na qualidade de vida do paciente.

Os testes pré-clínicos obtiveram alta taxa de sucesso na contenção da resposta inflamatória. A próxima etapa são os testes em humanos. A intenção da pesquisadora é transferir a tecnologia para uma empresa do setor farmacêutico. Para isso, já foi depositada patente junto ao Instituto Nacional de PropriedadeIntelectual para o bioproduto.

DeFato Online / Guia da Pharmacia

OAB briga por consumidor em disputa com planos de saúde

Sistema permite que representantes das empresas opinem em processos movidos por clientes; organizações veem riscos
 
A Ordem dos Advogados do Brasil - Seção São Paulo (OAB-SP) vai pedir para que os consumidores possam participar do órgão criado para auxiliar no julgamento de processos contra planos de saúde instalado no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP). Hoje, o sistema conta apenas com a participação das operadoras.
 
A decisão fortalece o movimento crítico  ao sistema criado pelo TJ-SP e por entidades do mercado de saúde suplementar, que tratam a avalanche de processos de clientes contra as operadoras como um risco à sustentabilidade das empresas.
 
O Núcleo de Apoio Técnico e Mediação (NAT), como é chamado o sistema, foi instalado dentro do TJ-SP e permite que representantes das operadoras de planos de saúde opinem sobre os processos movidos por consumidores para tentar garantir a realização de um tratamento ou exame a que julgam ter direito.
 
Funciona assim: quando um processo com pedido de urgência (conhecido como liminar) chegar às mãos de um juiz, ele poderá consultar os representantes das operadoras antes de decidir se condena ou não a empresa a realizar tal exame ou tratamento. A consulta não é obrigatória. 
 
O NAT será inaugurado em breve, segundo o TJ-SP, e funcionará para operadoras associadas à Federação Nacional de Saúde Suplementar (Fenasaúde) ou à Associação Brasileira de Medicina de Grupo (Abramge). O grupo inclui gigantes como Amil, SulAmérica e Hapvida, mas exclui as Unimeds.
 
O temor, entretanto, é que o consumidor seja prejudicado pelo aconselhamento feito pelas operadoras ao juiz.
 
"Pode ser que sim pois não é uma visão completa", diz o presidente da OAB-SP, Marcus da Costa, em entrevista ao iG. "São entidades ligadas ao setor da saúde que vão manifestar tecnicamente sua visão. Só se daria de forma completa se essa a manifestação se agregasse também a visão dos consumidores."
 
Segundo Costa, foi essa ausência de representante dos consumidores que levou a OAB a não participar do lançamento do NAT, em abril.
 
"Fomos convidados e apresentamos essa ponderação. Por isso não participei dizendo que precisaria ter um passo a mais, no sentido de ter agregado também ao núcleo a visão do consumidor", afirma Costa, que esteve afastado das funções em razão de um acidente. "Minha intenção é voltar a contatar o Tribunal nesse aspecto, sugerindo que agrege essa visão dos consumidores", diz.
 
Presidente da Comissão de Defesa do Consumidor da OAB-SP, Marcus Antonio Araujo Junior avalia que o apoio da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), do governo federal, ao NAT não garante a isenção do núcleo.
 
"É um núcleo totalmente tendencioso", diz Araujo. "A diretoria da ANS é composta por pessoas que vieram do mercado de planos de saúde."
 
Em 2013, o iG mostrou como a ANS ajudou as operadoras em um processo que poderia colocar por terra um dos principais mecanismos de reajuste dos planos de saúde ainda em vigor. O apoio foi feito por meio de um ofício enviado ao juiz antes do julgamento de um processo que envolvia a Amil, uma das maiores operadoras do País. 
 
A reportagem solicitou cópias dos ofícios produzidos pela ANS para serem incluídos em processsos que envovem planos de saúde e seus clientes, mas o governo federal se negou a fornecê-los.
 
Campanha reúne 2 mil assinaturas
No início do mês, o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) iniciou um abaixo assinado para exigir mudanças no NAT. Até quarta-feira (22), teve 2,2 mil adesões, além dos apoios da Comissão de Defesa do Consumidor da OAB, do Procon-SP e de representantes do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), da Defensoria Pública do Estado de São Paulo e de associações não governamentais.
 
"Ninguém quer que a operadora que lhe negou o atendimento seja a primeira a analisar o seu pedido de liminar", diz Joana Cruz, advogada do Idec. "As ações de planos de saúde são as únicas que vão passar por um núcleo composto pelas partes que são rés nos processos."
 
Segundo Joana, a coleta de assinaturas se estenderá pelo menos até o fim do mês. Quando estiver concluída, a petição será enviada ao presidente do TJ-SP, José Renato Nalini, que assinou o convênio com a Fenasaúde e a Abramge.
 
Para associação, há "corporativismo"
Em nota, o TJ-SP informou que o NAT "está aberto a toda a colaboração" e argumentou que "todas as ações inovadoras trazem, no início, algumas rejeições."
 
Diretor da Abramge, Pedro Ramos acusa a movimentação contrária ao núcleo de ter interesses corporativistas e de "pôr em causa a autonomia do Poder Judiciário". O executivo também diz não ser contra a participação de representantes dos consumidores no órgão.
 
"Eu não sou contra ninguém participar. Eu sou contra é atrapalhar", afirma. "Só tem corporativismo nisso aí. Não tem nada para ajudar o consumidor."

A Fenasaúde diz que muitos processos chegam ao Judiciário sem que o cliente tenha feito contato com sua operadora antes, e que num segundo momento o núcleo será restruturado para atuar com "total isenção."
 
"Se as partes não chegarem a um acordo, o Magistrado decidirá. Portanto, não há conflito de interesses, mas, sim, grande convergência de propósitos. O objetivo do núcleo é contribuir para o entendimento entre consumidores e operadoras e reduzir o número de ações na Justiça – a chamada judicialização da Saúde Suplementar."

iG

Pílula do dia seguinte antiaids começa a ser distribuída no SUS

O uso unificado da "pílula do dia seguinte" para aids começa a valer a partir desta quinta-feira (23)
 
Com a publicação no Diário Oficial da União do novo protocolo de diretrizes terapêuticas, todas as pessoas que tiverem enfrentado uma situação de risco para o vírus HIV passam a ter acesso aos medicamentos antiaids em qualquer serviço especializado.
 
A profilaxia pós-exposição, como o tratamento é chamado, é indicado para todos que tiveram risco de contato com o vírus causador da aids. Isso pode acontecer tanto num acidente ocupacional, como médicos ou enfermeiros que tiveram contato com sangue de paciente, quanto com vítimas de violência sexual ou pessoas que tiveram relação sexual desprotegida.
 
Para ter eficácia, no entanto, o tratamento, feito ao longo de 28 dias, tem de ter início no máximo até 72 horas após a exposição ao vírus. O ideal é que o ele seja iniciado nas primeiras duas horas após a exposição.
 
O objetivo da nova estratégia é facilitar o acesso e, principalmente, evitar a recusa de alguns serviços de fornecer a terapia eficaz para prevenção da doença. "Antes da mudança, havia o entendimento incorreto de que um serviço especializado poderia atender apenas a um grupo determinado", afirmou o diretor do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, Fábio Mesquita.
 
Com isso, serviços que prestam atendimentos a vítimas de violência, por exemplo, alegavam que só poderiam fornecer remédios às mulheres ali atendidas. "A maior parte das recusas ocorria para pessoas que recorriam ao serviços depois de manter relações sexuais desprotegidas", completou Mesquita.
 
O Ministério da Saúde não tem estimativa de qual será o impacto da mudança. Para facilitar o acesso aos serviços, o Ministério vai lançar um aplicativo em dezembro com orientações sobre os postos mais próximos de distribuição. Além de centros de serviços especializados em DST-Aids, em algumas cidades antirretrovirais são fornecidos também em unidades de emergência.
 
"Nos casos de serviços 24 horas, a distribuição de medicamentos não é feita para 28 dias. Os serviços dão o suficiente para três ou quatro dias de terapia e pedem que o paciente retorne, num segundo momento, para pegar o restante."
 
A terapia começou a ser ofertada no Sistema Único de Saúde nos anos 90, inicialmente para profissionais de saúde que tiveram contato com materiais contaminados ou sob risco de contaminação. Em 1998, a terapia foi estendida para vítimas de violência sexual e, em 2011, passou a ser ofertada também a todos os que tiveram uma relação sexual desprotegida.
 
Conferência
Mesquita, que está na Conferência Internacional de Aids, em Vancouver, no Canadá, contou que neste ano o Brasil definirá a estratégia para outra forma de prevenção à doença: o uso dos antiaids antes da relação sexual desprotegida. Neste caso, em vez de "pílula do dia seguinte", os remédios agiriam como uma "vacina".
 
Hoje, dois estudos estão em andamento, para verificar a adesão de voluntários. "A eficácia da terapia pré-exposição está comprovada. O que observamos é o comportamento de pacientes voluntários, se eles mantêm o uso de remédios, se aprovam a estratégia", contou. Resultados de estudo conduzido na Fiocruz foram animadores. A ideia é definir se a estratégia pode ser incluída no programa brasileiro a partir de 2016.
 
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
 
UOL

Como veneno de cobra e outros da natureza estão salvando vidas


Fórmula estrurutal do Captopril, um medicamento desenvolvido
a partir do veneno de cobra
As cobras-covinha crescem até um metro de comprimento e matam suas presas usando injeções de veneno
 
Uma vez que o veneno da cobra entra em ação, as vítimas desmaiam por causa de uma queda da pressão arterial, deixando-as prontas para serem comidas, começando pela cabeça. Este é o hábito alimentar da jararaca-ilhoa, serpente encontrada na bacia Amazônica e nas florestas do Brasil, cujo veneno costumava ser usado pelos índios na ponta de suas flechas e atualmente é a matéria-prima de um dos medicamentos mais comumente prescritos para a hipertensão – captopril.
 
“Este [veneno de cobra] abriu uma nova classe de medicamentos”, contou à CNN Zoltan Takacs, toxicologista fundador do projeto World Toxin Bank (Banco Mundial de Toxinas, em tradução livre), referindo-se a uma classe de medicamentos conhecidos como inibidores da enzima de conversão da angiotensina (ECA), agora usada para tratar mais de 40 milhões de pessoas em todo o mundo.
 
Aprovado pela Administração de Drogas e Alimentos (FDA) dos Estados Unidos em 1981, o captopril não é uma droga nova, mas a sua comercialização levantou a ideia de que venenos poderiam ser usados para criar medicamentos modernos. O campo da medicina baseada em venenos floresceu desde então, e equipes de todo o mundo estão explorando os animais mais remotos em busca de drogas potentes que podem surgir a partir de seu veneno altamente evoluído.
 
Echis carinatus
Echis carinatus
Veneno de cobra abrindo portas
Desde o captopril, mais dois medicamentos – eptifibatide e tirofiban – produzidos com base nos venenos da cascavel-anã (Sistrurus miliarius barbouri) e da víbora Echis carinatus, respectivamente, foram aprovados no final de 1990 para tratar outras doenças cardíacas, como angina. “[Nos Estados Unidos], para os principais tipos de ataque cardíaco há três drogas e duas vêm do veneno de serpentes”, aponta Takacs.
 
Estima-se que, em todo o mundo, até 100 mil mortes ocorrem por causa de mordidas de cobras venenosas a cada ano. Porém, como pudemos ver, estes répteis também estão deixando sua marca na saúde humana de forma bem diferente daquela pretendida pela natureza – salvando vidas.
 
Aprendendo com a evolução
“Os venenos evoluíram para imobilizar ou matar. Eles têm como alvo as funções vitais do corpo”, explica o especialista. Quando usados por animais, os venenos são adaptados para atingir uma das duas funções vitais dentro do corpo – a circulação de sangue ou a comunicação entre nervos e músculos. Sua finalidade é ferir o músculo, deixar nervos dormentes ou parar a coagulação do sangue fazendo com que suas vítimas sangrem sem parar e deixando mais fácil a tarefa do predador de comer a sua presa.
 
Mas esses efeitos também têm um potencial benéfico, aliviando a dor ou a prevenindo a formação de coágulos de sangue, e estão no centro da busca de novos medicamentos para curar ou tratar males como ataques cardíacos ou doenças neurológicas. Segundo Takacs, o que os torna tão eficientes é que estes venenos têm como alvos as moléculas corretas dentro do corpo humano.
 
O campo como um todo se estende além das cobras letais, estudando também outros animais que produzem veneno, como sanguessugas, caracóis, escorpiões e lagartos. Já existe, por exemplo, um medicamento para dor crônica – ziconotide – baseado em uma toxina produzida pelo molusco Conus magus, o primeiro a ser desenvolvido a partir de um animal marinho. Há também a exenatida, substância extraída da saliva do monstro-de-gila, um dos poucos lagartos venenosos do mundo, que faz parte de uma nova classe de medicamentos e é usada no tratamento da diabetes tipo 2. No entanto, como as cobras atacam principalmente animais de sangue quente, seus venenos são mais efetivos para medicamentos de uso humano.
 
Até hoje, a FDA já aprovou sete medicamentos derivados de veneno de animais para tratar doenças que vão desde a hipertensão e outras doenças do coração até a dor crônica e diabetes. Mais dez estão em ensaios clínicos, e outros em estágios pré-clínicos, aguardando testes de segurança.
 
Encontrar um remédio num covil
A rota que vai do veneno ao remédio é longa e árdua. As novas drogas não são baseadas nos próprios venenos, mas em uma das muitas toxinas encontradas dentro deles. Conforme explica o professor Kini R. Manjunatha, que dá aula de ciências biológicas na Universidade Nacional de Cingapura, o veneno é um coquetel de toxinas naturais e pode conter de 20 até 100 toxinas diferentes. Ele e sua equipe trabalham com 70 a 100 venenos de cobra, dependendo de quanta “inovação” pode estar presente neles.
 
Quando descobre-se que um veneno tem um efeito benéfico sobre o corpo, ele é decomposto e suas toxinas constituintes são estudadas para identificar primeiro a sua estrutura e, em seguida, os receptores relevantes em células humanas nas quais elas agem.
 
Especificidade
A vantagem de explorar toxinas específicas é o quão seletivas elas são na hora de atacar seus alvos dentro do corpo, o que minimiza o potencial para efeitos colaterais indesejados. “Toxinas evoluíram durante milhões de anos para atingir um receptor específico”, afirma Manjunatha. Também é importante notar a sua potência, já que mesmo uma pequena quantidade pode ter efeitos fatais.
 
A equipe de Manjunatha está atualmente trabalhando com o veneno da cobra-real (a preferida dos encantadores de serpentes do sul da Ásia), a partir do qual eles isolaram uma toxina em particular com forte potencial como um tratamento para a dor crônica devido aos seus efeitos analgésicos sobre o corpo. A equipe manipulou a capacidade da toxina de agir sobre o sistema nervoso central para produzir um medicamento capaz de reduzir a sensibilidade à dor. Eles dizem que os seus testes em ratos mostraram efeitos analgésicos 20 vezes maiores do que a morfina e com zero efeitos colaterais até agora.
 
“Atualmente, um dos melhores [medicamentos] analgésicos disponíveis é a aspirina, [mas] tem efeitos colaterais. Para o uso crônico isso é um problema”, aponta o pesquisador.
 
Este estudo ainda está nas suas fases iniciais, já que até agora só foram realizadas análises em animais. Entretanto, depois de mais testes de segurança, eles esperam poder experimentar em breve em seres humanos.
 
Cura nas veias
Bem como analgésicos e tratamentos para outras doenças neurológicas, também estão sendo desenvolvidas novas drogas para acidente vascular cerebral, doenças cardiovasculares, câncer da próstata, HIV e esclerose múltipla.
 
“Nós estamos interessados nos venenos que se ligam às plaquetas”, garante o professor Bryan Fry, da Universidade de Queensland, na Austrália. As plaquetas são os componentes do sangue que o ajudam a coagular. A prevenção de coágulos sanguíneos desnecessários pode ajudar a evitar condições tais como ataques cardíacos. Os efeitos dos anticoagulantes também pode ser úteis durante cirurgias.
 
Fry está trabalhando com mais de 100 venenos de serpentes em seu laboratório para tentar impedir a coagulação do sangue – incluindo o da víbora cornuda rabo-de-aranha, endêmica do Irã. “É potente, mas muito preciso”.
 
O mecanismo por trás do veneno ainda precisa ser compreendido, mas Fry vê o seu potencial porque a toxina necessária no interior do veneno é pequena em tamanho, o que torna menos provável que ela seja reconhecida pelo sistema imunitário do organismo quando utilizada. Assim, as chances são menores de que o organismo ataque a substância, diminuindo o risco de uma reação alérgica.
 
Depois de identificada, os próximos passos são entender como ela funciona e, em seguida, projetar uma versão sintética para ser usada na medicina. Para o cientista, se possível, o objetivo é transformá-la em uma pílula – o que por si só traz o desafio de fazer a droga sobreviver aos ácidos do sistema digestivo para que possa ser absorvida e realize a sua tarefa.
 
Além da mordida
Como é de se esperar, esse tipo de trabalho de pesquisa não é nem um pouco livre de riscos. A determinação de Fry, entretanto, continua firme e forte, apesar de ele ter enfrentado a ira de serpentes nervosas em várias ocasiões. Ele já levou, até hoje, 24 picadas de cobra, incluindo a da víbora iraniana, cujo veneno está nas raízes de seu mais recente medicamento. “Eu sangrei pelo meu olho”, lembra ele.
 
Certa vez, a picada de um escorpião deixou seu coração parando a cada 30 segundos, até que ele foi tratado. Mesmo assim, o cientista aventureiro resolveu subir de nível e enfrentar também o desafio de trabalhar com dragões de Komodo.
 
Fry ainda vai a campo para “ordenhar” cobras e obter seu veneno. A técnica envolve fazer com que elas mordam um material colocado sobre a abertura de um frasco que capta seu veneno. “O veneno das serpentes é o mais fácil de ser obtido”, diz.
 
Embora sua pesquisa também permaneça nos estágios iniciais de desenvolvimento, Fry está esperançoso de que um de seus muitos estudos atuais resulte em algo que beneficiará a humanidade, mas sabe que novos medicamentos requerem tempo.
 
“Leva de sete a 25 anos para desenvolver um medicamento uma vez que você identifica uma toxina”, conta Takacs, cujo banco de toxinas é uma ferramenta para pesquisadores usarem como uma biblioteca para ver como toxinas trabalham. “As pessoas sempre vão vai ficar doentes, então você precisa de novas curas. Cobras e outras criaturas podem lhe dar este medicamento”. Atualmente, vinte milhões de toxinas permanecem inexploradas na natureza.
 
CNN / Hypescience

Ministério muda regras de repasse para cirurgias agendadas

O Ministério da Saúde mudou a estratégia de investimento em cirurgias eletivas, ou seja, aquelas que são agendadas
 
Foi publicada ontem (23), no Diário Oficial da União, portaria que muda a foma de financiamento de cirurgias de média complexidade em áreas como angiologia, ortopedia e urologia.
 
Pelas regras anteriores, as secretarias de Saúde só poderiam receber novos recursos para cirurgias eletivas se tivessem gastado todo o montante passado para cada uma das categorias. Ou seja, se usasse todo o dinheiro do componente de especialidades e procedimentos prioritários, não poderia receber mais incentivos financeiros para as mesmas especiaidades sem que tivesse utilizado o valor de cirurgias de catarata e procedimentos cirúrgicos eletivos de média complexidade.
 
Além da mudança, a portaria também libera R$ 143,2 milhões, previstos no Orçamento da União, aos estados e municípios para essas cirurgias. Os valores foram definidos com base em estudo comparativo da frequência de cirurgias eletivas feitas em anos anteriores pelos estados, Distrito Federal e municípios. A transferência dos recursos fica num fundo e só é repassado depois da execução das cirurgias.
 
O número de cirurgias eletivas no Brasil cresceu 11,7% em dois anos, passando de 2.120.580, em 2012, para 2.370.039 no ano passado. No mesmo período, o investimento do Ministério da Saúde saltou de R$ 1,04 bilhão para R$ 1,33 bilhão (crescimento de 27,2%).
 
Agência Brasil

Os exercícios importantes após sofrer um infarto

Entenda também qual é a importância dos exercícios após o infarto e os cuidados ao praticá-los
 
Dr. Ricardo Munir Nahas Médico de Esportes - CRM 34914/SP
 
Das doenças que afetam o mundo moderno, principalmente após a revolução industrial, as que atingem as artérias responsáveis pela irrigação e saúde do músculo cardíaco, as coronárias, são as mais frequentes em ambos os sexos e durante a fase produtiva da vida.

Naqueles indivíduos que têm os fatores de risco para essa ocorrência, as coronárias vão lentamente se fechando, impedindo a nutrição tecidual e, como consequência, sua morte, o infarto.                            
 
Tempos atrás, quando os atuais conceitos e descobertas da medicina do exercício ainda se restringiam ao esporte de alto rendimento, o doente acometido pelo infarto era condenado a passar dias acamado.A sua liberdade para as tarefas do dia a dia e exercícios era condenada e eliminada da sua vida, pois imperava a ordem do repouso e mínimo esforço.                            
 
Nos nossos dias, a ideia da imobilidade caiu e o exercício, batizado de reabilitação cardiovascular, assumiu papel decisivo no tratamento da doença. Tão importante que se inicia já na internação, com caminhadas pela enfermaria, mudanças de posição e tudo o mais que a nova condição permitir.                            
 
Após procedimentos terapêuticos como a angioplastia e bypass coronário (cirurgia de pontagem coronária ou de revascularização coronária), junto com as medicações prescritas, no retorno ao lar, os hábitos de vida que o levaram a essa condição devem ser radicalmente mudados: deixar de fumar, atentar para a dieta com nutrientes saudáveis, controlar o sal e o stress do cotidiano e, principalmente, introduzir o exercício rotineiro que faz parte do tratamento. Não podemos nos esquecer que o infartado teve sua doença tratada e que na fase de recuperação as seqüelas é que serão avaliadas. Os testes de esforço máximo ou limitados por alterações cardiológicas são de extrema valia na composição do treinamento. 
 
Como na prevenção, na reabilitação o trabalho aeróbio assume papel de destaque. No início e dependendo de análise caso a caso, serão 3 sessões semanais por cerca de 30 minutos cada e em freqüência cardíaca (intensidade) entre 40 e até 80% da máxima extraída do teste de esforço.  
 
O controle da intensidade é a chave para o sucesso e adesão do paciente ao trabalho instituído. O ideal é que seja acompanhado por profissional treinado para monitorar não só a frequência cardíaca, mas a pressão e até para obter traçados eletrocardiográficos em situações eventuais.                      
 
Se o ideal não pode ser obtido, o próprio paciente pode monitorar a sua condição, desde que instruído. Uso de monitores cardíacos, testes como o da fala durante a atividade podem ser utilizados, entre outros.    
 
Não devemos privar o indivíduo de trabalho de resistência muscular localizada (musculação), pois será fundamental para as tarefas do dia a dia. Para os membros superiores, via de regra, são utilizados 30% da força máxima e para os inferiores 50%. São distribuídos em séries e repetições em número que depende de avaliação inicial.                          
 
Os alongamentos, 3 vezes por semana como nos trabalhos de resistência, ajudam a deixar as articulações saudáveis e podem contribuir para um relaxamento que, via de regra, vem acompanhado de uma sensação de bem-estar.     
 
Bem, você que achava o exercício perda de tempo ou não achava tempo para o exercício, agora sabe que ele faz parte do tratamento do infarto e que poderia tê-lo evitado se exercitando.          
 
Nunca é tarde para o exercício, mesmo que para isso o susto tenha sido grande. Ele vai deixá-lo confiante, afastando aquela sensação de que tudo acabou, própria do infarto.
 
MInha Vida

USP desenvolve técnica mais precisa para diagnóstico do mal de Parkinson

Paciente realiza ressonância magnética e resultado é processado por software (Foto: Carlos Trinca/EPTV)
Foto: Carlos Trinca/EPTV - Paciente realiza ressonância
magnética e resultado é processado por software
Software processa ressonância e identifica concentração de ferro no cérebro. Exame permite acompanhar a evolução da doença e do tratamento aplicado
 
Aos 52 anos, a aposentada Osmaraci Aparecida Galiardi sofre com os movimentos involuntários do corpo provocados pelo Mal de Parkinson. Ela relembra como foi difícil o diagnóstico da doença, quando ainda tinha 31 anos, e conta que enfrentou por meses os sintomas, sem o tratamento adequado.
 
“Eu tremia direto. Até o copo chegar na boca (sic), a água já tinha me molhado toda. Não conseguia fazer comida, tomar banho. Chegou uma época em que eu ficava só na cama, nem para andar não dava mais”, diz a aposentada, que hoje tem uma qualidade de vida melhor graças aos 12 remédios que toma diariamente.
 
Baseando-se em casos como o de Osmaraci, pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) em Ribeirão Preto (SP) desenvolveram uma técnica capaz de diagnosticar com mais sensibilidade e precisão, o Mal de Parkinson. A técnica permite identificar a presença e a quantidade de ferro no cérebro dos pacientes.
 
Estudos anteriores já haviam apontado que pessoas com Parkinson apresentam maior concentração de ferro na substância negra, área do cérebro responsável pela produção de dopamina, neurotransmissor que atua no controle dos movimentos. A quantificação só era possível, entretanto, por meio de amostragem de tecido cerebral de cadáveres.
 
“Nesse novo método, a gente consegue examinar as pessoas vivas e detectar o acúmulo de ferro. Isso é importante por vários motivos: pode ajudar a acompanhar a progressão da doença, verificar se algum tratamento impede o acúmulo de ferro. Essas são algumas perguntas que ainda precisamos responder”, disse o neurologista Vitor Tumas.
 
Durante dois anos, 30 pessoas saudáveis e 20 pacientes com Parkinson foram avaliados pelos pesquisadores. Os voluntários realizaram exames de ressonância magnética e as imagens foram processadas, posteriormente, por um software desenvolvido na USP com a colaboração de pesquisadores estrangeiros.
 
O programa de computador é capaz de quantificar a concentração de ferro na imagem. “A implantação do mapa de susceptibilidade magnética nos permitiu quantificar de forma mais direta a concentração de ferro”, explica o físico Jeam Haroldo Oliveira Barbosa, destacando que o exame pode auxiliar no acompanhamento da evolução da doença e apontar os resultados dos tratamentos aplicados.
 
O trabalho já foi publicado em revistas científicas no exterior e, segundo Barbosa, caso a técnica seja adotada, pode complementar o diagnóstico por imagem convencional e ainda o contribuir com o tratamento de outras doenças, uma vez que também é capaz de identificar a concentração de outras substâncias no organismo, como cobre, alumínio e cálcio.
 
“Outras patologias poderão ser diagnosticadas ou avaliadas ao longo do avanço da doença. A aquisição da imagem é normal, por meio de ressonância, o tempo do exame é de quatro a cinco minutos. O que difere é o pós-processamento, através do software desenvolvido por nós”, afirma.
 
Alimentação
Apesar da relação entre o Parkinson e a concentração de ferro no cérebro, o neurologista Vitor Tumas alerta que o consumo de alimentos que contêm o mineral não interfere no surgimento ou evolução da doença.
 
“Isso não está relacionado com o fato de alguém comer muito ferro e também não significa que deixar de comer ferro vai estar protegido do problema. São mecanismos locais, no cérebro, no tecido nervoso, que fazem com que o ferro se acumule. O hábito diário de ingestão de ferro não é fator de risco para a doença”, conclui.
 
G1