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terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Pare de procurar o ponto G

Sozinha, a mulher deve explorar seu corpo e descobrir como e onde sente mais prazer
Se em 60 anos de estudos nem os cientistas o encontraram, por que você ainda está pensando nisso?

Desde 1950, quando o médico alemão Ernst Gräfenberg descreveu o ponto G pela primeira vez, cientistas, médicos e mulheres tentam encontrar esta área da vagina que, uma vez estimulada, seria responsável por altos níveis de excitação sexual e levaria ao orgasmo com facilidade.

Um grupo de pesquisa da Universidade de Yale, nos EUA, liderado pelo urologista Amichai Kilchevsky, se propôs a analisar artigos científicos publicados entre 1950 e 2011 em busca de evidências do ponto G. Revisaram então todos os estudos que destacassem algum dos seguintes termos: "ponto G", "ponto de Gräfenberg", "inervação vaginal", "orgasmo feminino", "zona erógena feminina" e "ejaculação feminina". A conclusão não poderia ser mais clara: após 60 anos de estudos, ainda não há evidências científicas sobre a existência do ponto G. "Anatomicamente ele não existe. A gente faz cirurgias, dissecções, e esse ponto não existe", afirma a ginecologista e terapeuta sexual Junia Dias de Lima.

Apesar disso, pesquisas indicam que a maioria das mulheres acredita no ponto G, mesmo as que nunca conseguiram localizar a tal área mágica em suas próprias vaginas. "Algumas mulheres vêem no ponto G uma espécie de tábua de salvação. Quando não conseguem ter prazer com seus parceiros, querem uma justificativa biológica, querem saber como achar o ponto G. Mas o sexo não é apenas biológico, é biopsicossocial. Costumo dizer que o ponto G está entre os ouvidos da mulher, fica no cérebro", diz o ginecologista e sexólogo Amaury Mendes Júnior, professor e médico do ambulatório de sexologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

A busca pelo ponto G, em vez de resultar em prazer, pode causar frustração. "A mulher passa a achar que ela é a errada e diferente das demais. As pessoas são exibicionistas, gostam de falar que têm muitos orgasmos, mas não falam de seus problemas sexuais. Falamos de problemas de saúde diversos, dizer 'tenho enxaqueca' é até chique, mas dos problemas sexuais ninguém fala abertamente. A mulher que não consegue sentir prazer se sente muito frustrada", explica Junia.

Mas se o ponto G não existe e o caminho do prazer não é apenas biológico, o que a mulher deve fazer para ter relações sexuais gostosas e alcançar o orgasmo?

"Tem uma questão filosófica: as mulheres têm que entender que não devem tentar alcançar o orgasmo para agradar o homem. O prazer é individual, o outro não sente as suas sensações. Então a busca do prazer é para ela, não para o outro", diz Junia. "Cada pessoa tem um mapa erógeno, as áreas em que sente mais prazer, mas muita gente não sabe explorar sua individualidade", completa.

A psicóloga e sexóloga Carla Cecarello, coordenadora do Projeto Ambsex, afirma que o autoconhecimento e a masturbação são bons aliados. "A mulher precisa conhecer seu corpo, se tocar, fantasiar, ter um tempo só para ela, para descobrir as sensações que pode ter", explica Carla. "É muito eficiente estimular o clitóris, seja por fora da vagina, onde ele fica visível, ou por dentro, em direção à sua base".

E o parceiro, como fica nesta busca pelo prazer? "A mulher deve procurar uma boa pessoa para se relacionar – um homem, outra mulher, como preferir. Deve ser um companheiro interessante e interessado", diz Mendes Júnior. "O outro não deve cobrar, questionar se a mulher gozou ou não gozou. Isso gera ansiedade. O parceiro precisa ajudar a mulher a relaxar e se entregar ao sexo", aconselha Carla. "O sexo tem que ser bom para os dois. Tanto o homem como a mulher devem aceitar o outro como é, compartilhar e buscar juntos os caminhos do prazer", encerra Junia.

Fonte Delas

Soneca pós-sexo seria forma de evitar discussão de relacionamento


E mais: quem fica acordado sentiria mais desejo de carinho e ligação emocional do que quem dorme antes, diz estudo

Após uma boa noite de sexo com seu amor, ele vira para o lado e dorme ou é você que cai no sono primeiro? Quem fica acordado por mais tempo tem motivos para se irritar? Em um artigo publicado no Journal of Social, Evolutionary and Cultural Psychology, os pesquisadores Daniel Kruger, da Universidade de Michigan, e Susan Hughes, do Albright College, se dedicam a explicar os mecanismos da soneca pós-sexo.

Os pesquisadores afirmam que dormir antes do parceiro pode ser uma atitude inconsciente para evitar conversas sobre compromisso ou problemas, a famosa DR (discussão de relacionamento). Se uma das partes decidisse evitar estas conversas com sinceridade, haveria grande possibilidade do outro se irritar ou ficar em dúvida quanto ao futuro do relacionamento. Dormindo, não há espaço para esse tipo de questionamento.

Ainda de acordo com as conclusões, quem fica acordado sentiria mais desejo de carinho e ligação emocional do que quem dorme antes. Isso porque o período pós-sexo representa um componente muito importante nos relacionamentos. É um momento em que as conversas sobre compromisso e ligação emocional tendem a acontecer com frequência. Quando um dos dois cai no sono muito rapidamente, essas conversas passam a não acontecer.

Mas muito se engana quem pensa que na maior parte dos casos quem pega no sono rápido são eles – os pesquisadores não encontraram diferença significativa nos depoimentos de homens e mulheres. Mas o curioso é que quando não há relação sexual, os homens costumam dormir depois das mulheres. E a teoria é curiosa: eles ficam acordados por mais tempo por um instinto de vigiar a parceira, para que ela não o deixe; ou então na tentativa de seduzir suas mulheres para o sexo. Será?

Fonte Delas

Cientistas encontram molécula-chave para detectar e tratar dor crônica

Pesquisas feitas com ratos apontaram que um metabólito, localizado nas membranas celulares do sistema nervoso, se acumula na medula espinhal dos que sofrem dor neuropática

Um estudo da Universidade Rovira i Virgili de Tarragona (URV) e publicado pela revista "Nature Chemical Biology" encontrou uma molécula-chave para detectar e tratar a dor crônica, informou o centro acadêmico do nordeste da Espanha.

Os cientistas descobriram, através de pesquisas metabolômicas, que a dimetil-esfingosina (DMS) - um metabólito das membranas celulares do sistema nervoso - se acumula na medula espinhal em ratos que sofrem dor neuropática.

Além disso, chegaram à conclusão de que a DMS também provoca dor quando injetada em ratos que não sofriam dor previamente, o que abre portas para a inibição desta molécula e para um futuro desenvolvimento de medicamentos.

O pesquisador Òscar Yanes, que iniciou os trabalhos no Instituto de Pesquisa Scripps, em San Diego (EUA) e os terminou na URV de Tarragona, explicou que era muito difícil encontrar animais que tivessem dor crônica, até que enfim foram utilizados ratos com este problema nos quatro anos de pesquisa.

"Demonstramos que há uma via metabólica sobre a qual é possível fazer intervenções, já que mostramos reações que no futuro podem ser úteis para encontrar inibidores", afirmou Yanes.

Segundo o cientista, o bloqueio das enzimas que geram a DMS "poderia diminuir a dor".

Por enquanto, não há comprovações de que o modelo seja capaz de controlar todos os tipos de dor crônica, mas até agora não se sabia praticamente nada em nível molecular sobre o assunto. "Este é um primeiro passo", acrescentou.

De acordo com o doutor Yanes, o trabalho pode abrir portas para investigar a dor associada ao diabetes, por exemplo.

"Temos que ver primeiro se os resultados se aplicam em humanos", já que ainda é preciso descobrir se a DMS se acumula em humanos que sofrem de dor crônica, "ou encontrar um rato diabético para fazer uma pesquisa parecida com a realizada até agora."

Sua ideia é buscar alguns destes compostos no sangue de pacientes com dor crônica.

"Temos capacidade de encontrar indicadores, tentar quantificar a dor e dar ferramentas aos médicos para que os pacientes não tenham que graduar a dor com um teste", explicou.

Outro objetivo do estudo é descobrir de onde provém a dor: "Agora que conhecemos a via metabólica e os compostos que se acumulam, a curto prazo devemos estudar o sangue e o líquido cefalorraquídeo, que é uma estratégia mais simples que desenvolver remédios", embora também seja uma meta a longo prazo.

Fonte Estadão

Descoberto fungo amazônico que degrada plástico mesmo sem oxigênio

Organismo conseguiria quebrar cadeias de poliuretano em condições de aterro sanitário, diz estudo

Pesquisadores americanos descobriram um fungo na Amazônia equatoriana capaz de degradar poliuretano, um tipo de polímero muito usado para a confecção de espumas, adesivos e tintas. O trabalho, publicado na Applied and Environmental Microbiology, pode levar a estratégias inovadoras para reduzir o impacto ambiental dos plásticos.

Ambientalistas argumentam que os plásticos demoram muito para se decompor na natureza. O polietileno, por exemplo, leva cerca de 50 anos. O PET, usado na produção de garrafas plásticas, permanece até 200 anos no ambiente. Cientistas explicam que fungos e bactérias ainda não desenvolveram o arsenal de enzimas necessário para degradar as longas cadeias sintéticas de carbono, hidrogênio e outros elementos que constituem os plásticos.

Daí a necessidade de pesquisas e ações para remediar o problema. Um acordo, ainda em fase de implementação, do governo paulista e da Associação Paulista de Supermercados (Apas), pretende banir a distribuição de sacolas plásticas nos supermercados do Estado, um gesto para evitar que 2,4 milhões de unidades - cada uma leva, no mínimo, 40 anos para se decompor - sejam lançadas no ambiente todos os meses.

A descoberta de organismos que já são aptos para degradar o plástico nos aterros ajudaria a encurtar os tempos de decomposição e a diminuir consideravelmente o dano ambiental.

Duas cepas de Pestalotiopsis microspora, descobertas pelos americanos - em sua maioria, estudantes de graduação da Universidade Yale -, mostraram um enorme potencial na degradação de poliuretano. O estudante Jonathan Russell identificou a enzima secretada pelo fungo responsável pelo enfraquecimento das ligações químicas do polímero.

Oxigênio
A pesquisa trouxe consigo uma descoberta inusitada: a enzima funciona tanto na presença como na ausência de oxigênio, algo inesperado para os cientistas. Desta forma, o fungo poderia funcionar também nos aterros sanitários, onde uma grossa camada de dejetos e terra costuma cobrir os plásticos descartados, diminuindo a oxigenação e, desta forma, dificultando sua decomposição.

A pesquisadora Sandra Mara Franchetti, da Unesp de Rio Claro, também realiza testes com fungos de diferentes espécies para comparar seu potencial para biodegradar plástico.

Ela realiza misturas de diferentes tipos de plásticos - as chamadas blendas poliméricas -, especialmente de plásticos sintéticos com plásticos biodegradáveis. “Depois, fazemos testes para verificar as propriedades mecânicas do material e seu potencial de biodegradação”, explica Sandra. “Nossa hipótese é que o polímero biodegradável pode servir como porta de entrada para os organismos que realizarão a decomposição.”

“Há poucos pesquisadores no País atuando nesta área pois são necessários equipamentos muito sofisticados”, aponta Lucia Durrant, da Unicamp, que também já realizou estudos na área.

Derval Rosa, da Universidade Federal do ABC, também estuda a biodegradação de polímeros e tenta descobrir como ela ocorre nos aterros sanitários e em cada um dos diferentes tipos de plástico. Mas adota uma postura realista. “Nossos aterros são precários”, afirma. “Talvez em 20 anos conseguiremos o nível de controle necessário para aplicar esse tipo de conhecimento.”

Fonte Estadão

Cientistas fazem descoberta importante sobre funcionamento de canais de sódio

Estudo abre caminho para entender mecanismo de ação de diversas drogas e toxinas

Uma pesquisa internacional estabeleceu um novo protocolo para medir a corrente que passa pelos sensores de voltagem de determinados canais iônicos e identificou o componente responsável pelo mecanismo de gating - a abertura e fechamento de canais de sódio sensíveis à voltagem.

A pesquisa foi feita por um grupo de cientistas do Brasil, Estados Unidos e Canadá. Formados por proteínas da membrana das células, os canais iônicos são “túneis” que permitem a passagem de determinados íons para seu interior. Alguns deles são sensíveis à voltagem - isto é, são ativados por diferenças de potencial elétrico nas suas proximidades.

Os canais iônicos sensíveis à voltagem são responsáveis pela propagação de impulsos elétricos que propiciam a comunicação no sistema neural. Esses canais participam ainda de uma série de processos importantes como o controle das concentrações intracelulares de cálcio e hidrogênio.

De acordo com os autores do estudo, publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), ao avançar o conhecimento sobre os mecanismos de funcionamento dos canais iônicos sensíveis à voltagem, o estudo abre caminho para o entendimento do mecanismo de ação de diversas drogas e toxinas que se ligam a esses canais.

O trabalho teve participação de Manoel Arcisio-Miranda, do Departamento de Biofísica da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), e de pesquisadores do Departamento de Neurociência da Universidade de Wisconsin em Madison (Estados Unidos) e do Departamento de Fisiologia e Farmacologia da Universidade de Calgary (Canadá).

Arcisio-Miranda iniciou a pesquisa durante seu pós-doutorado em Madison - concluído em 2010 - e deu continuidade ao trabalho no âmbito do projeto “Aspectos moleculares do sensor de voltagem de canais iônicos: estrutura cinética e evolução”, coordenado por ele e financiado pela FAPESP na modalidade Auxílio à Pesquisa - Regular.

“Nesse estudo, conseguimos identificar o domínio responsável, no mecanismo de gating, pelas transições que ocorrem no filtro de seletividade dos canais de sódio sensíveis à voltagem. Entender esse mecanismo é fundamental para desenvolver novas drogas, entender como determinadas toxinas bloqueiam ou paralisam o canal e como mutações específicas alteram seu funcionamento, por exemplo”, disse Arcisio-Miranda à Agência FAPESP.

A estrutura dos canais iônicos sensíveis à voltagem possui quatro subunidades e os pesquisadores descobriram a qual delas o mecanismo de gating está acoplado: o sensor de voltagem do domínio 4. Além de identificar o domínio responsável pelo mecanismo de gating, os cientistas também desenvolveram uma nova abordagem na realização de medidas iônicas.

“O principal avanço foi realizar medidas iônicas por meio do sensor de voltagem. Fazemos isso bloqueando o poro da membrana e medindo uma corrente que passa através do sensor de voltagem. Esse procedimento permite determinar a posição espacial do sensor de voltagem e identificar se ele está ativado ou não e como é seu acoplamento com a região do poro - isto é, a região na qual o íon passa pela proteína”, explicou Arcisio-Miranda.

Sensor de voltagem
No Laboratório de Biofísica de Membranas e Canais Iônicos da Unifesp, Arcisio-Miranda iniciou uma linha de pesquisas voltada para estudos da relação entre a estrutura e a função de canais iônicos.

Os estudos envolvem temas de investigação como o acoplamento entre o sensor de voltagem e o poro de canais para potássio e a caracterização funcional dos resíduos carregados negativamente do sensor de voltagem do domínio 4 para a inativação de canais para sódio.

“A partir de 1998, uma série de estruturas cristalinas dos canais iônicos vêm sendo reveladas. Um dos estudos mais importantes apontou que, no caso dos canais de potássio sensíveis à voltagem, a região que identifica a alteração da voltagem está fisicamente distante da região do poro, como se fosse um apêndice”, disse Arcisio-Miranda.

“Um dos questionamentos que surgiu dessa descoberta foi: se a região sensível à voltagem está em um local da proteína e o transporte do íon se dá em outro local, como eles estão acoplados?”, indagou.

A partir desse questionamento, grupos internacionais identificaram a região conhecida como linque S4-S5 como responsável pela transmissão da informação do sensor de voltagem para o poro e, consequentemente, ao mecanismo de gating. Mas, nos últimos quatro anos, observou-se que a região do poro, em canais de potássio, podia participar também do mecanismo de gating.

“O canal de potássio, porém, tem quatro subunidades idênticas, enquanto no canal de sódio as subunidades são distintas. Por isso, imaginamos que os canais de sódio podiam também ter um mecanismo de gating localizado, controlado na região do filtro de seletividade. Com esse trabalho, conseguimos identificar o domínio que seria responsável pelas transições que ocorrem no filtro de seletividade para os canais de sódio sensíveis à voltagem”, explicou.

Além de identificar o domínio responsável pelo mecanismo de gating e inovar no procedimento para realização das medidas iônicas, os cientistas conseguiram medir as correntes que surgem do movimento do sensor de voltagem.

“Antes desse trabalho, por limitações técnicas, só era possível obter esse tipo de medida com o uso de toxinas ou drogas que bloqueavam o poro central. Conseguimos desenvolver um método que possibilita medir a corrente de gating tornando o poro não condutivo”, disse.

Segundo Arcisio-Miranda, estudos prévios já haviam mostrado a importância do sensor de voltagem do domínio 4 no mecanismo de inativação do canal de sódio.

“Verificamos que o acoplamento entre o filtro de seletividade e o sensor de voltagem, que nós observamos, tem uma probabilidade muito maior de ocorrer quando o canal está em seu estado inativado”, disse.

O artigo Gating transitions in the selectivity filter region of a sodium channel are coupled to the domain IV voltage sensor (doi: 10.1073/pnas.1115575109), de Manoel Arcísio-Miranda e outros, pode ser lido por assinantes da PNAS em www.pnas.org/content/early/2012/01/27/1115575109.abstract

Fonte Estadão

Mandar torpedos afeta habilidade de interpretar palavras

Estudo indica impacto negativo durante o processo de aceitação das palavras; por outro lado, aqueles que leem mais livros ou revistas mostram melhor capacidade linguística

O hábito de mandar mensagens por celular tem um impacto negativo na habilidade linguística de interpretar e aceitar palavras. Um novo estudo, feito na Universidade de Calgary, no Canadá, revelou que aqueles que mais enviavam mensagens tinham menor aceitação de novas palavras. Por outro lado, aqueles que liam mais livros ou revistas, tinham maior aceitação das mesmas palavras.

O estudo perguntou a estudantes universitários sobre seus hábitos de leitura, incluindo, mensagens de texto, e apresentou uma série de palavras - reais e fictícias.


"As pessoas que aceitaram mais palavras, o fizeram porque era mais capazes de interpretar o significado delas, ou tolerá-las, mesmo se elas não a reconheciam", dizem os autores. Estudantes que relataram mandar mais mensagens rejeitaram mais palavras em vez de reconhecê-las como possíveis palavras.

Os autores sugerem que ler livros, jornais ou revistas expõe as pessoas a variedade e criatividade na linguagem que não é encontrada na linguagem coloquial das mensagens usadas entre os jovens ou a "geração SMS".

Eles ainda dizem que ler encoraja flexibilidade no uso da linguagem e tolerância a diferentes palavras. Isso ajuda os leitores a desenvolver ferramentas que permitam gerar leituras de palavras pouco usuais.

"Em contraste, enviar torpedos é associado com restrições linguísticas rígidas que levam os estudantes a rejeitar várias das palavras no estudo", dizem os autores. "Isso foi surpreendente porque há várias ortografias não usuais, como 'LOL' na linguagem das mensagens de texto".

Os autores dizem que, para quem envia as mensagens, a frequência das palavras é um fator importante na aceitabilidade delas.

"Essa linguagem representa palavras reais que são bem conhecidas entre as pessoas que enviam torpedos", dizem. "Muitas das palavras apresentadas no estudo não são conhecidas e não foram aceitas pelos participantes que enviavam mais torpedos ou liam menos veículos impressos", ressaltam.

Fonte Estadão

Câncer: o que é biopsia?

Síndrome faz garoto de 5 anos achar que é menina

repthesunZach sofre de transtorno de identidade de gênero e usa saia e rabo de cavalo

O garoto Zach Avery, de apenas 5 anos, foi diagnosticado com o que os médicos chamam de "transtorno de identidade de gênero" - quando uma pessoa nasce com um sexo, mas se identifica e acha que pertence ao outro. Resumindo, é uma garota que nasceu no corpo de homem.

Sua mãe, Teresa, disse que "ele virou um dia, quando tinha três anos, e disse 'mãe, eu sou uma menina'". Desde então, ele está convencido que não é um garoto e até tentou cortar suas partes íntimas em um momento de frustração.

Preocupados com o garoto, Teresa e o pai, Darren, o levaram para um especialista em Londres. A explicação foi a seguinte: "apesar de ele ter um corpo masculino, seu cérebro está dizendo para ele que é uma garota".

Agora, há mais de um ano, ele usa rabo de cavalo e saia de balé. Teresa contou ao tabloide britânico The Sun mais sobre o problema:

- Eu achei que ele estava passando por uma fase e deixei. Mas ficou sério e ele começou a ficar irritado quando nos referimos a ele como garoto.

Teresa disse que sente falta de seu filho e que pretende alertar as pessoas para esse transtorno. Ajudar outras famílias que têm a mesma experiência em casa e fazê-los saber que há ajuda disponível.

- Eu adoraria ter meu filho de volta, mas eu quero que ele seja feliz. Se é esse rumo que ele quer tomar, e se isso é o que o faz feliz, então tudo bem. Ele tem meu total apoio. As pessoas precisam ficar sabendo dessa condição, porque ela é muito comum, mas nunca ouviram falar de casos em crianças. Há pessoas assim por aí, mas elas não querem falar sobre isso.

Segundo ela, a escola tem dado muito apoio e ele não tem sofrido bullying por isso. Explicaram para as outras crianças, e elas aceitam Zach como ele é.

Fonte R7

Com internet e renda, cresce opção por viver sozinho

Houve época em que a ideia de viver sozinho provocava ansiedade e visões de solidão. Hoje, porém, as pessoas mais privilegiadas do mundo usam seus recursos para comprar privacidade e espaço pessoal.

Mais pessoas vivem sozinhas hoje que em qualquer outra época da história. Em Paris, a cidade dos amantes, mais de metade de todos os lares é composta por pessoas solteiras; em Estocolmo esse índice passa dos 60%.

A decisão de viver sozinho é comum em muitas culturas, sempre que é economicamente viável. Embora os americanos se orgulhem de sua autonomia e sua cultura do individualismo, Alemanha, França e Reino Unido possuem uma parcela maior de lares compostos de uma pessoa só que os EUA; o mesmo se aplica ao Japão. Três dos países em que a proporção de pessoas que vivem sozinhas está crescendo mais rapidamente --China, Índia e Brasil-- estão entre os países cujas economias estão fazendo o mesmo.

Viver sozinho promove a liberdade, o controle pessoal e a auto-realização, todos aspectos valorizados da vida contemporânea. E viver sozinho já deixou de sugerir uma vida isolada ou pouco social. Depois de entrevistar mais de 300 pessoas que vivem sozinhas, ao longo de quase uma década de pesquisas, concluí que viver sozinho parece incentivar mais interações sociais.

Paradoxalmente, nossa espécie, que por tanto tempo foi definida pelos grupos e pela família nuclear, vem podendo aumentar a proporção de pessoas que vivem sozinhas justamente porque as sociedades globais se tornaram tão interdependentes. Mercados dinâmicos, cidades florescentes e sistemas de comunicações abertas tornam a autonomia moderna mais atraente; eles nos proporcionam a possibilidade de viver sozinhos, mas interagir com outros quando e como quisermos.

Na realidade, viver sozinho pode facilitar o convívio social, porque, na ausência de obrigações familiares, as pessoas que vivem sozinhas muitas vezes dispõem de mais tempo para participar de atividades sociais.

As pessoas solteiras têm probabilidade maior que as casadas de passar tempo com amigos e vizinhos, frequentar restaurantes e assistir a palestras e aulas de arte. A socióloga Erin Cornwell, da Universidade Cornell, de Ithaca, Nova York, analisou resultados da Pesquisa Social Geral (baseada em uma amostra nacionalmente representativa da população dos EUA) de 2000 a 2008 e constatou que solteiros de 35 anos ou mais têm mais chances do que pessoas dessa faixa etária que vivem com marido, mulher ou parceiro romântico de passar uma noite de convívio social com vizinhos ou amigos. Em 2008, o marido dela, Benjamin Cornwell (também sociólogo da Universidade Cornell), foi o autor principal de um artigo publicado na "American Sociological Review", mostrando que idosos solteiros têm o mesmo número de amigos e de discussões que seus pares casados e que têm mais probabilidade de socializar com outras pessoas.

As pesquisas também indicam que os pais casados têm mais chances de ficar em casa que as pessoas solteiras. Os moradores de grandes residências suburbanas muitas vezes se separam em quartos individuais para ficarem a sós. A imagem de uma família moderna reunida na sala, cada pessoa com seu smartphone, computador, videogame ou programa de TV próprio, já virou clichê.

Estar sozinho em casa não é sentido como viver numa cela solitária. A internet abre às pessoas um mundo de outras pessoas, informações e ideias e não parece distanciar as pessoas de conexões e amizades reais.

Hoje, nos Estados Unidos, cinco milhões de pessoas de 18 a 34 anos de idade vivem sozinhas, número dez vezes maior que em 1950. Porém, o maior contingente que vive sozinho é composto de pessoas na meia-idade: vivem sozinhas 15 milhões de pessoas que têm entre 35 e 64 anos. As que decidiram viver sozinhas disseram em entrevistas que optaram por isso porque concluíram que não há nada pior que viver com a pessoa errada.

Bill Marsh e Amanda Cox/The New York Times
Mais pessoas vivem sós
Nas entrevistas que fiz, pessoas mais velhas que vivem sós expressaram uma preferência clara pela vida sozinha, que lhes permite conservar sua independência e integridade, e uma aversão clara por ir morar com amigos, familiares ou em um lar para idosos.

De acordo com pesquisas da socióloga Deborah Carr, da Universidade Rutgers, em Nova Jersey, 18 meses após a morte de um cônjuge apenas um em cada quatro homens idosos e uma em cada seis mulheres idosas se disseram interessados em se casar outra vez; um em cada três homens e uma em cada sete mulheres gostariam de voltar a namorar algum dia, e apenas um em cada quatro homens e uma em 11 mulheres gostariam de namorar imediatamente.

A maioria dos viúvos e divorciados mais velhos, homens ou mulheres, vive sozinha. De acordo com Kathleen McGarry, economista na Universidade da Califórnia em Los Angeles, "quando eles têm mais renda e podem optar como viver, optam por viver sozinhos. Eles compram sua independência."
Alguns idosos doentes de fato ficam perigosamente isolados, como constatei quando fiz pesquisas para meu livro sobre as centenas de pessoas que morreram sozinhas na onda de calor de 1995 em Chicago. Mas muitas pessoas acima dos 65 anos conservam sua independência por muito mais tempo do que faziam as gerações anteriores.

É verdade que as dificuldades na economia vêm forçando mais adultos jovens a viver com seus pais por não encontrarem bons empregos, mas nos EUA a parcela de pessoas de 20 anos a 29 anos que vive sozinhas caiu de 11,97%, em 2007, para 10,94%, em 2010. Ou seja, em geral, viver sozinho tornou-se mais comum em termos absolutos e proporcionais, no mundo.

Erick Klinenberg é professor de sociologia e autor de "Going Solo: The Extraordinary Rise and Surprising Appeal of Living Alone"

Fonte Folhaonline

Maioria das pessoas com asma não segue tratamento

Subestimada pelos próprios pacientes, que consideram a doença pouco grave, a asma mata por ano no Brasil cerca de 2.500 pessoas, ou seja, sete por dia.

Em 2009, foram 2.544, de acordo com dados do Ministério da Saúde. Grande parte dessas mortes (37%) foi de pessoas com 75 anos ou mais.

Estima-se que 10% da população tenha a doença, mas apenas de 20% a 30% dos pacientes com asma seguem o tratamento corretamente.

Segundo especialistas, essa é a principal causa para as mortes por asma. Os remédios para controle da doença devem ser usados todos os dias, com ou sem crise, mas poucos seguem as recomendações médicas.

De acordo com João Negreiros Tebyriçá, presidente da Associação Brasileira de Alergia e Imunopatologia, as mortes por asma, como as que vieram à público nesta semana, ainda causam espanto.

Marcelo Dino, 13, filho do presidente da Embratur, Flávio Dino, morreu em Brasília na terça-feira. Anteontem, o correspondente do "New York Times" na Síria, Anthony Shadid, 43, também morreu após crise de asma.

"Há 30 anos, dizia-se que a asma maltrata mas não mata. Até hoje, os próprios pacientes acreditam que não precisam de tratamento, só usam a bombinha na crise. Eles acham que estão bem e param por conta própria."

Tebyriçá diz ainda que todas as mortes e internações --foram 156 mil hospitalizações em 2011, segundo o Ministério da Saúde-- podem ser evitadas com o tratamento adequado.

Quando segue as recomendações médicas, o paciente tem melhor qualidade de vida (melhor qualidade de sono e desempenho nas atividades diárias) e ainda se torna mais resistente aos fatores que desencadeiam as crises.

Poeira, cheiros fortes, pelos de animais, grandes altitudes e exercícios são alguns dos gatilhos para os ataques.

Esses estímulos estreitam os brônquios, dificultando a passagem de ar.

Remédios
A asma é uma doença crônica, com componente hereditário e causada por fatores como poluição do ar, alergias e infecções respiratórias.

Os medicamentos inaláveis devem ser usados por um longo período de tempo até que o especialista decida se deve diminuir as doses. Diariamente, devem ser usados corticosteroides e, em casos moderados e graves, associam-se broncodilatadores de longa duração. Os de curta duração, com ação rápida, devem ser usados nas crises.

Mesmo com tratamento, é recomendável evitar contato com aquilo que desencadeia as crises. Em ataques mais severos, que incluem maiores dificuldades para respirar e falar, é imprescindível procurar assistência médica.

"Não se dá a devida importância à doença e ao tratamento. Os pacientes sempre perguntam se têm que tomar o remédio para sempre", diz Elie Fiss, professor de pneumologia da Faculdade de Medicina do ABC.

Segundo Tebyriçá, os pacientes se decepcionam com o tratamento. "Quando dizemos que os remédios não vão curar, mas controlar a doença, pensam: 'Não tem jeito, o remédio não muda nada."


Editoria de Arte

Asma atinge cerca de 10% da população
 
Asma atinge cerca de 10% da população

Fonte Folhaonline

No carnaval divirta-se com precaução

Preocupação com sexualidade afasta brasileira do parto normal

Fatores culturais e falta de informação são alguns dos motivos que levam à preferência nacional pelo parto com data marcada.

Hoje, o Brasil é um dos recordistas mundiais em partos cesáreos. Em 2010, o número de nascimento cirúrgicos chegou a 52%, passando os partos normais.

A preocupação com a quantidade de cirurgias no nascimento é tanta que o Ministério da Saúde vai fazer uma pesquisa com 24 mil mulheres para entender o que leva à escolha da cirurgia com data marcada para dar à luz.

O trabalho vai verificar qual indicação médica e os motivos que levaram a mulher a escolher um determinado tipo de parto --normal, cesáreo ou até em casa.

A hipótese é que fatores culturais contam muito nesse tipo de decisão.

"A mulher brasileira se preocupa com a sexualidade e teme que o parto altere o períneo, o que é é um mito", diz Vera Fonseca, diretora da Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia) e do Conselho Federal de Medicina.

Medo da dor
O medo da dor também afasta a mulher do parto normal. "Temos uma imagem de parto normal como se vê no cinema, com dor e sofrimento. Isso afasta as mulheres da opção natural", analisa a historiadora da ciência Germana Barata, da Unicamp.

De acordo com a ginecologista da USP, Sonia Penteado, alguma mulheres até tentam enfrentar a dor do parto, mas não aguentam.

"Já tive pacientes que chegaram a ter dilatação completa no parto, mas não toleraram a dor e pediram para que fosse feita a cesárea", conta.

Esse tipo de intervenção é possível no sistema privado. "No público, a mulher tem de aguentar a dor porque faltam cirurgiões", diz Penteado.

Por isso, a quantidade de partos cesáreos no SUS gira em torno de 37% dos nascimentos. Na rede privada, o número sobe para 82%.

Decisão do médico
Mas, além da cultura, a opinião dos médicos também conta --e muito-- na decisão.

"Nunca chegou uma paciente no meu consultório dizendo 'quero cesárea e pronto'", diz Penteado.

Segundo ela, a maioria das mulheres decide com seu médico o tipo de parto.

Ela recomenda parto normal a suas pacientes desde que não existam fatores de riscos, como hipertensão. Hoje, a doença é a principal causa de morte de mulheres no parto no Brasil (na Europa e nos EUA é a hemorragia).

Para Fonseca, muitos médicos incentivam a cesárea por receio de falta de leitos, inclusive na rede privada.

O Brasil tem 0,28 leitos para cada mil usuários do SUS (Sistema Único de Saúde) --o que, de acordo com o Ministério de Saúde, atende a demanda. Mas países desenvolvidos têm o dobro disso.

"Se a paciente entra em trabalho de parto de maneira inesperada, corre risco de não ter vaga. Isso dá insegurança para o médico."

Fonte Folhaonline

Parto normal

"Fiquei exausta, mas valeu a pena", diz mãe que fez parto normal

Além da dificuldade para encontrar um médico disposto a fazer parto normal, as brasileiras que decidem pelo nascimento natural enfrentam outra barreira: encontrar orientações adequadas para a hora de dar à luz.

"Procurei algum lugar que preparasse grávidas para o parto normal em São Paulo, mas não encontrei", conta a bióloga Hana Masuda.

Ela deu à luz sua filha Alice há cerca de um mês. "Nasci nos EUA quando minha mãe fazia pós-doutorado. Lá, ela fez um curso na universidade sobre parto normal. Aqui não achei nada disso."

Mesmo assim, o parto de Masuda foi tranquilo. "Senti dores como de cólicas menstruais, só que mais fortes."

A psicóloga Natália Amaral Hildebrand não teve a mesma sorte. Depois de cerca de dez horas de trabalho de parto com dores fortes, ela teve de fazer cesárea.

"Tive um edema [lesão] no colo do útero porque a bebê tinha a cabeça muito grande e não passava", conta.

"Pelo menos eu tentei e a Sofia nasceu no tempo dela."

De acordo com Hildbrand, o médico dela orientou o parto normal. "Já ouvi muitas grávidas dizerem que o médico escolhe pela paciente."

A advogada Julia Rodrigues Coimbra também optou pelo parto natural para dar à luz Francisco. Ela começou a sentir contrações em um sábado e entrou em trabalho de parto na quinta-feira. "Já estava exausta. Mas valeu a pena, foi emocionante."

Fonte Folhaonline

Neste carnaval use camisinha

No SUS, falta prevenção e tratamento para doenças genéticas

Três anos depois de anunciado, um programa do Ministério da Saúde que prometia prevenir, diagnosticar e tratar doenças genéticas no SUS ainda não saiu do papel.

A portaria que instituiu a Política Nacional de Atenção Integral em Genética Clínica no SUS foi publicada no "Diário Oficial" e tinha previsão de vigorar a partir de 2009.

À época, o governo federal garantiu que haveria recursos para o programa. "Ficamos quatro anos elaborando a portaria. Depois disso, nada aconteceu", afirma o geneticista Salmo Raskin, ex-presidente da Sociedade Brasileira de Genética Médica.

No próximo dia 29, haverá uma audiência pública na Câmara dos Deputados para debater o assunto.

A questão é complexa e esbarra no alto custo dos remédios para algumas dessas doenças, como a de Gaucher e a mucopolissacaridose tipo 1, cujo tratamento chega a R$ 30 mil mensais por paciente.

"O Ministério da Saúde se apavorou com a ideia de mais pacientes pedindo remédios", analisa Raskin.

A síndrome de Williams-Beuren é um bom exemplo. Causado pela perda de alguns genes no cromossomo 7, o problema afeta um a cada 20 mil nascidos vivos.

Sem assistência
A garota Jéssica Nunes só teve a síndrome diagnosticada quando tinha sete anos, embora desde bebê já apresentasse sinais, como dificuldade de alimentação e atrasos de desenvolvimento.

"O pediatra me dava bronca porque ela não crescia. Os médicos diziam que ela não tinha nada", conta a mãe, Jô.

Por conta da síndrome, Jéssica desenvolveu um problema cardíaco grave que demandou um transplante de coração. Morreu 19 dias depois da cirurgia. A mãe fundou uma associação para ajudar outras famílias com o mesmo problema. Mais de mil crianças estão cadastradas -só um terço delas já teve acesso a exames genéticos.

Embora não exista uma medicação específica, a identificação é fundamental para que as complicações da síndrome sejam tratadas.

"Muitas crianças desenvolvem hipertensão precocemente, problemas renais, alterações de comportamento e estão totalmente desassistidas", afirma a geneticista Chong Ae-Kim, do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas de São Paulo.

Segundo ela, os serviços de genética do SUS estão em hospitais-escolas, e a verba para os atendimentos vêm de linhas de pesquisa.

O geneticista Marcial Francis Galera, presidente da SBGM, confirma o drama. "Os pacientes do SUS estão perdidos, desesperados, sem ter para onde ir."

A estimativa da OMS é que 5% das gestações resultam no nascimento de uma criança com anomalias genéticas.

Fonte Folhaonline

Se beber, não dirija.

Estudo relaciona refrigerante diet a risco de infarto e derrame

Refrigerante diet em excesso eleva consideravelmente o risco de se ter um infarto ou derrame, segundo estudo que acompanhou adultos consumidores da bebida durante uma década.

A probabilidade de incidência de doenças coronárias entre aqueles que ingeriram refrigerante diet foi significativo: 44% maior do que os que não tomaram. Para detectar as diferenças entre os dois grupos, um deles bebeu drinques diet todos os dias.

Dos 2.564 adultos com idade média de 69 anos, 591 (homens e mulheres) sofreram um infarto ou um derrame ou morreram por causas cardiovasculares ao longo de dez anos.

Os autores, pesquisadores da Escola de Medicina Miller, da Universidade de Miami (EUA), salientam que não há provas de que os drinques sem açúcar são os responsáveis pelo quadro, mas sim que há uma associação entre beber muito refrigerante diet e desenvolver uma doença do coração.

Hannah Gardener, que participou do monitoramento, diz que quem bebeu refrigerante diet diariamente apresentou mais fatores de risco como pressão arterial elevada, diabetes e colesterol alto.

Ela lembra que a forma como a bebida diet interfere na saúde não está muito clara, e que mais estudos precisam ser feitos para entender essa relação.

A pesquisa foi publicada na versão on-line do "Journal of General Internal Medicine" de 27 de janeiro.

Fonte Folhaonline

Estudos sobre supervírus da gripe aviária permanecerão em segredo

Os dois estudos científicos que tratam de uma nova forma mutante e letal do vírus da gripe aviária, o H5N1, não serão publicados até que se saiba a extensão dos reais riscos à população mundial.

A decisão, anunciada nesta sexta-feira, é da WHO (Organização Mundial da Saúde, da ONU), chamada para intermediar o encontro entre os representantes americanos do NSABB (Conselho Científico para a Biossegurança Nacional) e os cientistas autores das pesquisas.

O governo dos Estados Unidos pediu que os artigos fossem censurados e não publicados pelas duas das mais importantes revistas científicas, a "Nature" e a "Science", por temer que as informações fossem usadas em ataques bioterroristas.

O vírus mutante torna a gripe aviária muito mais fácil de ser transmitida entre mamíferos e poderia provocar uma pandemia mundial muito maior que a da gripe espanhola (1918-1919), quando 40 milhões de pessoas morreram.

As duas pesquisas vieram de grupos distintos, mas as conclusões são similares. Um é holandês, do Centro Médico Erasmus, coordenador por Ron Fouchier; o outro é da Universidade de Wisconsin, liderado por Yoshihiro Kawaoka.

De acordo com elas, a transmissão do supervírus entre mamíferos seria como uma gripe comum, mas com a característica de ser letal. Fouchier, que participou da reunião de dois dias, disse que a pesquisa "deve ser publicada" em algum momento no futuro.

Mortes 
Hong Kong foi a primeira localidade onde se detectou o H5N1, cuja ocorrência é maior em países asiáticos.

Até o momento, a transmissão da doença entre humanos é rara. Cerca de 700 pessoas foram infectadas no mundo todo desde 2003, com a morte de metade delas.

Hoje, só se pega a doença pelo contato com patos, galinhas e outras aves, mas não por indivíduos infectados.

A mutação teria garantido ao vírus se espalhar pelo ar, o que o torna muito mais perigoso segundo o governo americano. Para Fouchier, os riscos existem, mas são pequenos, na opinião dele.

Fonte Folhaonline

Holanda terá unidade móvel para eutanásia em domicílio

A Holanda lança no próximo mês a primeira unidade móvel do mundo que fará eutanásia em domicílio.

A equipe vai atuar quando a família ou os médicos se recusarem, por motivos éticos, a dar drogas letais a pacientes incuráveis que desejam morrer. A eutanásia é legalizada na Holanda desde 2002. A pessoa tem permissão para fazê-la se o sofrimento for "duradouro e insuportável".

Por ano, o país realiza 2.700 eutanásias, segundo a Associação Direito de Morrer. A estimativa é que, com a unidade móvel, ao menos mais mil sejam feitas anualmente.

A ideia é que as unidades (serão seis) também atendam pessoas com demências.

A Federação dos Médicos Holandeses é contrária à iniciativa porque acredita que alguns pacientes poderiam ser tratados. "Sempre há possibilidade de um outro tipo de ajuda", afirmou um porta-voz da entidade.

Cada unidade móvel de eutanásia terá um médico e uma enfermeira. O doente é sedado e entra em coma. Depois, é aplicada outra droga que provoca a parada cardiorrespiratória e morte.

A iniciativa, apoiada pelo governo holandês, já provoca polêmica em outros países. Na Grã-Bretanha, Phyllis Bowman, do grupo Direito à Vida, disse estar "absolutamente chocado".

"É uma verdadeira tragédia quando você considera que na Segunda Guerra Mundial o holandês se recusou a implementar o programa de eutanásia nazista."

No ano passado, a ministra da Saúde da Holanda, Edith Schippers, disse ao parlamento holandês que as unidades são "para pacientes que sofrem insuportavelmente sem nenhuma perspectiva de melhora", mas cujos médicos não estão dispostos a fazer eutanásia.

Fonte Folhaonline

Cuide da sua voz

Rouquidão é um problema comum que pode atrapalhar as férias de verão

Só quem perde sabe o valor que a voz tem. E em temporadas de verão ela costuma “sumir” com mais freqüência. Esse nstrumento essencial para a comunicação, o que inclui flerte, namoro, bate-papo com os amigos e a deliciosa “conversa jogada fora”, costuma ser esquecido dos cuidados com a saúde. O resultado: quando menos se espera, a rouquidão toma conta da garganta e deixa sem palavras quem esperava curtir plenamente as férias de janeiro e fevereiro.

Algumas características fazem com que o verão seja propício para o sumiço da voz. Além dos compromissos que obrigam a falar mais alto, como shows, micaretas, festas e baladas serem mais freqüentes, as mudanças bruscas de temperatura – típicas da alternância entre ar condicionado e sol a pino – também favorecem a rouquidão. Outro vilão são os agentes infecciosos, mais presentes no ar em épocas quentes e transmitidos em ambientes com aglomeração de pessoas.

A dica para não comprometer as cordas vocais na temporada não fica restrita ao simples “não gritar”. Segundo a Associação Brasileira de Laringologia e Voz, a alimentação também é importante. Frituras não são nada indicadas, mas o chocolate é o que mais ameaça a voz (a mistura de ingredientes prejudica as cordas vocais). Dormir bem também ajuda e, caso o problema apareça, use e abuse do chá de hortelã, para aliviar os sitomas desagradáveis.

Fonte iG

Plantão Médico: tire suas dúvidas sobre o HPV

Especialista responde perguntas sobre HPV, vírus associado ao desenvolvimento do câncer de colo de útero

O vírus HPV está associado ao desenvolvimento do câncer de colo do útero, o quarto câncer que mais mata mulheres no Brasil. A medida mais importante para evitar a contaminação com o HPV é buscar informação a respeito da transmissão deste vírus e suas consequências na saúde feminina.

Para responder às principais dúvidas sobre o câncer que, segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), atinge 19 em cada 100 mil mulheres no país, o iG conversou com o ginecologista Sérgio Mancini Nicolau, chefe da Disciplina de Oncologia Ginecológica do Departamento de Ginecologia da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).

Como uma pessoa se contamina com HPV?
O HPV (papilomavirus humano) é um vírus capaz de induzir lesões de pele ou mucosa e sua transmissão ocorre eminentemente através do contato sexual. A entrada do HPV nos tecidos (pele e mucosas) da região genital geralmente ocorre por microfissuras geradas durante o ato sexual. Sem a proteção do preservativo, os tecidos ficam expostos à entrada do vírus.

Todo HPV causa câncer?
Existem mais de 200 tipos de HPV, porém somente os de alto risco (como o 16, 18, 31, 33, 45, 58) estão relacionados ao desenvolvimento de tumores malignos. Com a identificação, em 1980, pelo alemão Harald zur Hausen, dos tipos 16 e 18 como dois dos principais causadores do câncer de colo do útero, foi possível desenvolver as vacinas que existem hoje no mercado. Por seu trabalho, Harald ganhou o Prêmio Nobel de medicina em 2008.

Quem já tratou o HPV ainda pode transmiti-lo?
Com segurança, depois de um tratamento adequado, pode-se falar em cura ou eliminação da doença, especialmente após teste de biologia molecular negativo para o vírus. Em alguns casos, o HPV pode estar inativo, sem se multiplicar, impedindo a transmissão, embora a pessoa ainda esteja infectada pelo vírus.

Além das verrugas, quais outros sintomas de contaminação por HPV são identificados no diagnóstico clínico?
As verrugas no órgão sexual – masculino e feminino – são sinais evidentes. É bom lembrar que são as verrugas não produzem o câncer de colo do útero. Outras doenças causadas por HPV, no entanto, costumam não ter sintomas. Nas mulheres, os corrimentos com odor fétido e sangramento após a relação sexual podem ser sinais significativos de câncer de colo de útero.

Mesmo sem a certeza da doença é possível engravidar?
Claro que sim. Porém, são necessários exames, alguns deles com alta precisão. Em caso de suspeita ou dúvidas, a melhor atitude é procurar o ginecologista e fazer os exames de rotina, que são imprescindíveis.

Qual o risco do HPV para o homem?
Nos homens, em geral, a manifestação clínica mais visível é o aparecimento de verrugas no pênis. As lesões por HPV também são responsáveis pelo câncer de pênis.

Como saber se uma pessoa está infectada com o vírus do HPV?
São necessários alguns exames. O teste colpocitológico, comumente conhecido como Papanicolaou, detecta a infecção pelo HPV nas mulheres. Não o vírus em si, mas as alterações nas células provocadas por ele. Pode-se também recorrer à biópsia – retirada para análise em laboratório de um pequeno fragmento de tecido da região onde foi detectada a alteração. Mais recentemente surgiu a Captura Híbrida, um exame que aponta, com muita precisão, a presença do vírus mesmo antes do aparecimento de qualquer sintoma.

Como é o tratamento?
Varia de acordo com cada caso. Podem ser necessários procedimentos como cauterização (destruição química com ácido aplicado diretamente nas lesões), criocirurgia (congelamento e destruição do tecido anormal), cauterização a laser, e conização do colo do útero (retirada de tecido). Às vezes também são indicados medicamentos que melhoram o sistema imune da pessoa. Os resultados efetivos do tratamento dependem de diversos fatores, como a idade da paciente, local e número de lesões e o estado nutricional. As recidivas são frequentes, mesmo com o tratamento adequado.

Qual é a eficácia das vacinas para o HPV?
Em média, a eficácia da vacina é de aproximadamente 70% dos casos da infecção que levam à formação de tumores como, por exemplo, câncer de colo de útero. A vacina é feita em laboratório, a partir das informações genéticas do próprio HPV, induzindo a produção de anticorpos neutralizantes do vírus e impedindo uma infecção no futuro. No Brasil, já existem dois tipos de vacinas: a quadrivalente, contra quatro tipos do vírus (6, 11, 16 e 18) sendo os tipos 16 e 18 os responsáveis por 70% dos casos de câncer do colo de útero, e os tipos 6 e 11 relacionados com 90% dos casos onde há a presença de verrugas. A outra vacina é a bivalente, apenas com os tipos de vírus causadores do câncer do colo de útero (16 e 18).

Como se prevenir?
Manter uma boa higiene íntima, usar preservativos em todas as relações sexuais e, muito importante, visitar regularmente o ginecologista (urologista para os homens) para fazer todos os exames de prevenção. A vacina também é considerada uma medida de prevenção. Para saber mais sobre a indicação dela, é importante consultar o ginecologista.

Fonte iG

Casal pega oito anos de prisão nos EUA após morte de filho por câncer

Pais alegaram não ter dinheiro para o tratamento do filho, mas promotoria acusou-os de pagar tratamento para o pitbull da família

Os pais de uma criança de oito anos que morreu vítima de um tipo altamente curável de câncer foram condenados nessa quinta-feira a oito anos de prisão por um tribunal do Estado americano de Ohio.

Monica Hussing, 37 anos, e William Robinson, 40 anos, moradores de Cleveland, já haviam se declarado, em janeiro, culpados da acusação de homicídio involuntário pela morte de seu filho, William Robinson, Jr., conhecido como Willie, ocorrida em março de 2008. A criança foi vítima de pneumonia causada por linfoma de Hodgkin, um tipo altamente curável de câncer que atinge o sistema linfático.

A promotoria alega que o menino morreu porque seus pais não providenciaram os cuidados médicos necessários. Segundo a polícia e o Instituto Médico Legal do condado de Cuyahoga, Willie teria sobrevivido se tivesse recebido tratamento.

Tratamento contra pulgas
No júri, os pais alegaram que não tinham dinheiro para pagar pelo tratamento da criança. Eles dizem não ter dado assistência médica a nenhum de seus seis filhos nos três anos anteriores à morte de Willie.

Apesar disso, a promotoria afirma que o casal teve dinheiro para pagar pelo tratamento contra pulgas do cão pitbull da família, na mesma época em que seu filho estava doente, inclusive pagando pelo veterinário.

Assistentes sociais começaram a visitar mensalmente a família de Willie a partir de julho de 2007, quando ela morava na cidade de Warren. Profissionais que trabalharam no caso dizem ter tentando convencer os pais do menino a levá-lo a um médico, mas as tentativas, segundo eles, foram em vão. No entanto, segundo o advogado do casal, um assistente social que visitou a família em janeiro de 2008 disse que todas as crianças pareciam "felizes e saudáveis".

Drogas e álcool
Hussing e Robinson foram indiciados em 2009, e estavam em liberdade sob fiança desde então. Eles não têm a custódia de nenhuma dos filhos. O juiz do caso afirma que, enquanto o pai de Willie demonstrou algum remorso durante o julgamento, a mãe não derramou uma lágrima sequer.

"O tribunal acha que os acusados demonstraram um padrão de abuso de drogas ou álcool que é relacionado à acusação", afirmou o juiz Michael Astrab, segundo a rede de TV Fox 8 Cleveland.

Os pais de Willie foram levados para a prisão imediatamente depois do fim do julgamento. Eles planejam recorrer da sentença.

Fonte iG

Testes genéticos: quando e para que fazê-los?

Além de identificar doenças graves desde o nascimento, estudo dos genes mostra caminhos para prevenir doenças como o câncer

Há menos de seis meses, a história médica da família da enfermeira Marissa Peu de Castro e Borges mudou também sua trajetória de vida. Em agosto de 2011, então com 27 anos, Marissa não imaginava que o câncer, doença que afetou avó, tios e o pai, chegaria a ela também.

O pai de Marissa teve câncer de intestino, mas faleceu por causa de outro, no pulmão. Apesar disso, quando percebeu um discreto sangramento nas fezes, ela não cogitou a possibilidade de algo mais grave.

O resultado da colonoscopia mostrou que Marissa, que mora em Goiânia e é enfermeira, tinha um câncer de cólon, na parte final do intestino. Ela se recorda de que, ao sair do exame, sentiu que alguma coisa estava errada.

“Quando cheguei ao consultório, já sabia do resultado. Senti que algo tinha dado errado por conta da dificuldade que o primeiro médico que me atendeu, meu amigo, teve em contar que precisávamos fazer biópsia. Entendi tudo”, conta.

O susto fez com que Marissa e seus irmãos pesquisassem a história médica da família. Além do pai, os tios tinham tido câncer. A avó paterna também. Na verdade, só uma das irmãs da avó não havia sido afetada pela doença, assim como os filhos dela.

Em pouco mais de 15 dias, a enfermeira realizou todos os exames necessários para a operação. Depois, procurou especialistas em São Paulo e está tomando uma medicação preventiva. Não precisou de quimioterapia. Aconselhada por oncologistas, buscou apoio de um geneticista.

Com a árvore genealógica da família montada pela irmã, Marissa foi aconselhada a fazer um exame genético. Ela faz parte de um grupo que começa a passar pela experiência de conferir se a causa do próprio câncer é genética: muito jovem e com um histórico familiar tendencioso.

Nesses casos de origem genética, a confirmação de que a pessoa tem chances aumentadas de desenvolver a doença é uma grande vantagem, pois permite ao médico trabalhar ações de prevenção (quando possível) e qualidade de vida, além de detecção precoce – ele passa a acompanhar o paciente mais de perto, com exames e visitas periódicas mais frequentes.

Marissa tem uma mutação no gene NLH1, conhecida como Síndrome de Linch. A caçula de três irmãos despertou no restante da família um interesse pela compreensão da doença. Além dos irmãos, que farão o teste para saber se também são portadores da mutação, outros tios querem fazê-lo.

“Toda a minha família está bem mobilizada para entender o assunto. Tenho tios que moram em fazenda, que escreveram cartas contando história da família para ajudar. Tem gente muito humilde mesmo que está juntando dinheiro para o exame, porque o vê como benefício”, diz.

Quem pode e deve fazer
Bernardo Garicochea, coordenador do Centro de Aconselhamento Genético e Câncer do Hospital Sírio-Libanês, ressalta que esse tipo de investigação não é recomendada para qualquer paciente.

“Hoje, temos condição de fazer testes para 10 genes que estão ligados a cânceres de mama, intestino, tireoide, estômago, pele e pâncreas. Muito não se descobriu ainda”, diz. Ele lembra que o histórico da família é muito importante nessa decisão de avaliar os genes.

Segundo ele, as avaliações são recomendadas para os pacientes em que o mesmo tipo de câncer se repete muitas vezes na família (especialmente no mesmo “lado”); quando a doença aparece em alguém muito jovem ou se a mesma pessoa tem dois casos diferentes de câncer.

São considerados casos “jovens”, por exemplo, mulheres que tiveram câncer de mama com menos de 40 anos, pessoas com câncer de intestino antes dos 50 anos (assim como câncer de próstata antes disso), no estômago antes dos 50 e na tireoide antes dos 30.

"É papel do geneticista montar um padrão que mostre se a probabilidade da doença aparecer é alta ou não. Só quando há testes genéticos capazes de informar com isso precisão, outros familiares que tenham alterações podem entrar em programas de prevenção especial”, afirma.

O uso de testes genéticos para a prevenção do câncer ainda é bastante recente. No entanto, outras doenças hereditárias já se utilizam das informações do DNA para o tratamento de famílias

De acordo com o Ministério da Saúde, esse é um tema que vem ganhando espaço no SUS. Existem pelo menos 26 protocolos clínicos de diretrizes terapêuticas de doenças raras e genéticas para a rede pública. Desse total, 18 foram definidos nos últimos dois anos.

Esses protocolos são orientações para o tratamento de doenças como anemia facilforme, hipotireoidismo congênito, deficiência de hormônio do crescimento, fibrose cística, doença celíaca, esclerose múltipla, doença de Gaucher.

Os pacientes são atendidos em cerca de 80 hospitais, segundo o Ministério da Saúde, que realizaram 71,5 mil consultas em genética clínica no ano passado. Esses pacientes recebem remédios, tratamentos cirúrgicos (como correções de malformações) e clínicos para reduzir sintomas e melhorar a qualidade de vida. Para isso, são gastos R$ 4 milhões ao ano.

Revolução no futuro
A maior parte dos hospitais que oferecem esse tipo de serviço no SUS está ligada a instituições de ensino. A razão é simples: grande parte das pesquisas brasileiras ocorre nas universidades. Os primeiros programas de residência médica na área se iniciaram na década de 1970.

Mara Santos Cordoba, médica geneticista do Hospital Universitário de Brasília (HUB), diz que a prática do aconselhamento genético no Brasil existe há 40 anos. No entanto, o reconhecimento da importância desse trabalho é recente.

“A procura espontânea pelo aconselhamento genético é baixa, mas as doenças genéticas geralmente são graves. Muitas levam à incapacitação permanente do indivíduo e poucas têm tratamento específico. Portanto, a prevenção é o melhor caminho”, afirma.

Mara lamenta, no entanto, que poucos pacientes tenham acesso ao aconselhamento genético. “Menos de 10% dos recém-nascidos com potencial necessidade de aconselhamento conseguem acesso aos serviços de genética”, diz.

Para Garicochea, os testes genéticos vão revolucionar a medicina. “Vamos partir para a individualização do tratamento e passaremos a cuidar de pessoas saudáveis”, garante. O médico acredita que, em breve, esses exames ficarão ainda mais acessíveis.

A preocupação de Garicochea não é com a oferta do teste genético. “O custo para o SUS não representaria muito, desde que fosse oferecido para quem precisa. A questão é que, uma vez oferecendo a chance do teste, seria preciso oferecer prevenção adequada”, ressalta.

Ele destaca que, por isso, não é “ético” investigar a probabilidade de doenças "em cujo curso ainda não se consegue interferir”, como o Alzheimer. A sensibilidade é um ponto importante no aconselhamento genético. Para ele, famílias como a de Marissa contribuem muito para o futuro da ciência.

A jovem enfermeira, que completou 28 anos no hospital, recém-operada, conta que sempre manteve o pensamento otimista em relação às chances de cura da doença. Só decidiu, depois do diagnóstico, “acelerar certas coisas”, como o casamento.

Noiva, ela decidiu que se casaria ainda no ano passado. Arrumou toda a festa em três meses. “Fiquei otimista, mas me questionei por que aquilo estava acontecendo comigo. Alguns planos ficaram mais urgentes. Para quê perder tempo?”, pondera.

Marissa torce para que as pesquisas nessa área mudem as rotinas de prevenção das doenças e contribuam para que, cada vez mais, pacientes possam ser curados.

“Não sei se pelo fato de eu ser enfermeira, estou encantada com esses estudos. Eu não tinha noção da profundidade em que estão. Em breve, espero que esse seja um benefício para todos”, diz.

Fonte Delas