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quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Medicamentos vão ficar mais caros

Remédios contra osteoporose e rinite estão na lista de cortes do programa Farmácia Popular
 
Rio - O corte no orçamento do Ministério da Saúde de 2016 afetará diretamente três milhões de usuários do Programa ‘Aqui Tem Farmácia Popular’ em todo país. O programa sofrerá uma redução de R$ 578 milhões e deixará de fornecer medicamentos com desconto nas farmácias conveniadas com o governo. Entre os remédios que ficarão mais caros estão os que tratam Parkinson, osteoporose e glaucoma, por exemplo.
 
Os cortes não vão afetar os remédios gratuitos distribuídos pelo Ministério, entre eles os de asma, hipertensão e diabetes.
 
Segundo o ministro da Saúde, Arthur Chioro, a crise no Sistema Único de Saúde é sem precedentes. “Não temos situação similar do ponto de vista orçamentário financeiro na história do SUS”, disse o ministro ontem, mesmo dia em que foi demitido por telefone pela presidenta Dilma.
 
Para os usuários do programa, a redução afetará seus orçamentos. “Acho isso um absurdo. A Dilma me decepcionou: só sabe tirar os benefícios do povo”, lamenta a pensionista Francisca Ferreira, 59. “Uso vários remédios, como faço?”.
 
A preocupação é partilhada pelo aposentado Flávio do Amaral, 77. “Compro 60 fraldas por mês, a R$ 7, cada pacote, sem isso tenho que pagar R$ 40”, contabilizo.  Além da farmácia popular, outras áreas também poderão sofrer com a redução de verbas, como os procedimentos de média e alta complexidade que deixarão de receber R$ 5,3 bilhões. O financiamento de serviços como hemodiálise e cirurgias eletivas também estão entre as ações que devem ser afetadas.
 
O ministério espera recompor o orçamento por meio de emendas parlamentares, mas reconhece que a estratégia ainda é incerta.
 
Medicamentos que perdem o subsídio e ficam mais caros:
Budesonida 32MCG — para combater a rinite.
Alendronato de Sódio 70 mg — contra osteoporose.
Maleato de Timolol 2,5 e 5 MG - para glaucoma.
Sinvastatina 10, 20 e 40 mg  —  indicado para dislipidemia (colesterol).
 
O Dia

Lixões têm custo anual de US$ 370 milhões para saúde pública no país

Lixão da Estrutural, em Brasília
Wilson Dias/ABr - Lixão da Estrutural, em Brasília
O tratamento de doenças relacionadas ao descarte inadequado do lixo pode custar US$ 370 milhões por ano ao sistema de saúde pública do Brasil, de acordo com um novo estudo que avaliou o impacto dos mais de 3.000 mil lixões do país sobre a saúde o meio ambiente
 
Divulgado na segunda-feira (28), o trabalho inédito foi realizado pela International Solid Waste Association (ISWA), em parceria com o Sindicato das Empresas de Limpeza Urbana e com a Associação Brasileira de Empresas de Limpeza.
 
Segundo o levantamento, cerca de 75 milhões de brasileiros têm seus resíduos destinados a lixões ou outros locais impróprios.
 
De acordo com o coordenador do estudo, o grego Antonis Mavropoulos, da ISWA, pessoas que moram perto dos lixões, catadores de materiais recicláveis e trabalhadores de limpeza urbana são os principais afetados.
 
"As doenças se propagam por contaminação de água, solo, ar, fauna e flora", disse.
 
O trabalho analisou a produção de resíduos sólidos no Brasil entre 2010 e 2014 e concluiu que cerca de 1% da população desenvolve doenças.
 
"O custo para o SUS no tratamento dessas doenças é de US$ 500 por pessoa", afirma Mavropoulos. "Nossa estimativa é de custos anuais de US$ 370 milhões por ano, totalizando US$ 1,85 bilhão em cinco anos."
 
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Hospital municipal é acusado de erros em parto de jovem soropositiva

Divulgação/Agência Aids
"Não era o que você queria? Agora aguenta a dor." Foi o que Carolina*, jovem que vive com HIV, disse ter ouvido de uma obstetra do Hospital Municipal do Campo Limpo, na zona sul de São Paulo, ao dar à luz o filho Mateus
 
A frase foi só o começo do martírio em que se transformou o que era para ser o dia mais feliz na vida de Carolina. Além de ouvir comentários desagradáveis na sala de parto, ela e o filho receberam orientações médicas totalmente contrárias aos protocolos oficiais mais primários. Como, por exemplo, a de amamentar o bebê – o guia de recomendações do Ministério da Saúde sobre cuidados com a gestante soropositiva diz que a mãe não deve amamentar, pois o HIV está presente no leite materno.
 
Divulgaçã/Agência Aids
Tudo começou nas primeiras horas do dia 30 de junho, quando a bolsa de líquido amniótico da jovem rompeu. Ela foi levada pela família ao Hospital Municipal do Campo Limpo. "Cheguei lá confiante, tinha certeza de que tudo correria muito bem. Estava com 36 semanas de gestação e, apesar de não conhecer a equipe daquele hospital, fui bem instruída pelas médicas que me acompanharam no pré-natal, no Serviço de Assistência Especializado (SAE Jardim Mitsutani)", conta.
 
O parto estava previsto para 13 de julho, mas a criança resolveu nascer no dia em que Carolina teria a última consulta de pré-natal no SAE. "Quando a bolsa estourou eu tinha a caderneta e o kit gestante em mãos. Na caderneta, havia a recomendação da médica do SAE para parto cesárea, até porque eu estava com o colo do útero baixo. Mas os exames, inclusive o de carga viral, ficaram no prontuário do SAE. Não deu tempo de ir lá pegar, porque a bolsa rompeu e corri direto para o hospital", continua Carolina.
 
O exame de carga viral é importante para avaliar a probabilidade de a mãe passar o vírus para o bebê. Quanto menor a carga viral, menores são as chances de infecção. A de Carolina estava indetectável. Além disso, em seu kit gestante tinha todos os medicamentos necessários para ela e o filho durante o parto: remédio para cortar o leite, AZT xarope para a criança e duas ampolas de AZT para serem injetadas no soro para ela.
 
No hospital
Assim que chegou ao hospital, Carolina foi atendida na emergência do ambulatório. "A primeira médica que me examinou disse que o parto cesárea era o ideal para mim, mas a decisão não seria dela e sim de outra equipe que me atenderia."
 
Carolina foi levada para o centro cirúrgico e suas contrações aumentavam a cada momento. "Quando eu cheguei na sala de parto fui atendida por um médico 'bonzinho'. Ele tentou me tranquilizar o tempo todo. Logo depois, o plantão foi trocado e outra equipe passou a me atender."
 
Carolina diz que uma médica, chamada de dra Luiza, entrou na sala demonstrando mau humor: "Senti muita dor quando ela fez o primeiro exame de toque. Eu me mexi e ela falou algo assim: 'não mexe, na hora de fazer a criança você não estava mexendo'."
 
No segundo exame de toque, segundo Carolina, ela foi mais 'agressiva' ainda. "Eu estava tendo contrações muito fortes, sentia muita dor. Pedi para ela esperar um pouco para repetir o toque, mas ela não me ouviu e seguiu com o exame. Acabei me mexendo novamente e ela disse: 'você não é única que sente dor, mas se não quer minha ajuda fique aí sozinha´. E foi embora".
 
Carolina diz que ficou muito assustada, se sentiu humilhada, desamparada, mas pensou no filho. "Decidi concentrar minhas energias para trazer o Mateus* ao mundo. Fui ao banheiro e fiquei lá, fazendo força, até que chegou uma enfermeira e constatou que já era possível ver a cabecinha do neném. A médica voltou, mandou me deitarem numa mesa ginecológica. Mandou também chamar minha tia para assistir ao parto."
 
A garota conta que quanto mais se aproximava a hora do parto, mais a sala ia ficando cheia de enfermeiros e médicos e o nervosismo da obstetra aumentava. "Quando ela descobriu que eu não estava com o exame de carga viral, passou a dizer que eu era irresponsável por não estar com o exame, por ser jovem soropositiva e ter engravidado, mesmo sabendo do risco de contaminar o meu filho, me acusou de não levar o tratamento a sério, de ser egoísta por não deixar meu bebê nascer. Disse que eu não gostava do meu filho e queria que ele nascesse doente."
 
Na maca quebrada
Foi esse o clima que a tia de Carolina, Lúcia Helena*, notou ao chegar à sala do parto. "Ela veio passar a mão em mim, para me acalmar. A médica gritou para ela tirar as mãos, disse que eu poderia infectá-la. A tensão foi aumentando, o Mateus não nascia, a enfermeira já havia dito até que o coração dele estava ficando fraco, eu não tinha força."
 
Lúcia Helena diz que ficou horrorizada com a situação, mas preferiu se calar. "Eu não queria deixar minha sobrinha mais nervosa ainda. Já tinha visto um parto de uma afilhada e foi totalmente diferente, humanizado. Sei o quanto é importante para a gestante ter paz numa hora dessas. A Carolina estava sendo discriminada ali por ser soropositiva."
 
A médica, segundo Carolina, seguiu reclamando. "Chegou a ameaçar chamar a polícia para mim porque eu me mexia muito e, às vezes, acertava o pé nela. Ela só esqueceu que eu estava numa maca com um dos suportes para os pés quebrado."
 
Carolina conta que um dos momentos de maior desespero foi quando a médica começou a dizer que se o neném morresse a culpa seria dela. "Ela falava que ia me cortar, mas não me daria anestesia para não correr o risco de se infectar e infectar sua equipe, que era orientada por ela a não colocar a mão em mim. Fui ficando cada vez mais assustada."
 
Depois de quase três horas, Mateus nasceu. De parto normal, mesmo Carolina tendo em sua carteira de gestante a recomendação de cesárea. A anestesia, apesar de a médica ter ameaçado não fazer, foi dada.
 
"Só consegui dar à luz depois da chegada de um outro médico à sala. Ele apertava minha barriga e pedia que eu fizesse força junto com ele. Nessa hora, o neném desceu mais um pouco, a médica colocou as mãos dentro de mim e o puxou."


Divulgação/Agência Aids
Problemas no pós-parto
Com o filho no braço, Carolina levou outro susto ao receber a indicação de amamentá-lo, conforme consta no seu prontuário (foto). Como já sabia que o aleitamento materno não era recomendado, a nova mamãe não deu seu leite para a criança.

Na saída do hospital, ela estranhou outro procedimento do hospital: uma receita assinada e carimbada pela pediatra Synthia Souza (foto) indicava 10,1 ml de AZT para o recém-nascido a cada 12 horas. "Cheguei em casa, disse para a minha tia que a dose era muita alta e decidi diminuir por minha conta."
 
"Eu nasci com HIV e lembro que, aos 5, 6 anos, eu tomava essa medicação e não era uma quantidade tão grande. No hospital, o Mateus também não tomava essa superdose. Era só um pouquinho na seringa. Diminuí a dose para 3 ml e marquei uma consulta urgente com uma pediatra do SAE."
 
Segundo infectologistas ouvidos pela Agência Aids, o certo são 4 mg por quilo/dose. No caso de Mateus, que nasceu com 2 quilos e 700 gramas, o recomendado é 3,6 ml, segundo calculou a infectologista Mariliza Henrique, do CRT (Centro de Referência e Tratamento – SP), a pedido da reportagem. A informação sobre dosagem de AZT para recém-nascidos também consta do Consenso Pediátrico de Aids.
 
Carolina conta que levou a receita do AZT para uma das pediatras do SAE Mitsutani e, quando a médica viu, achou um absurdo, ficou muito brava, chamou a assistente social e disse: "Não é a primeira vez que chega uma receita do Hospital de Campo Limpo de AZT para recém-nascidos na quantidade errada."
 
O SAE Jardim Mitsutani é ligado à Secretaria Municipal de Saúde e, assim como os outros serviços da cidade, se manifestam por meio da pasta. Procurada para esclarecimentos sobre o caso, a secretaria nos enviou a seguinte nota: "A Autarquia Hospitalar Municipal (AHM) informa que foi feita uma reunião com familiares da paciente para esclarecer o caso. Também foi criada uma comissão interna para averiguação dos procedimentos. Ao término da investigação, os resultados serão comunicados aos interessados."
 
O movimento social
Depois de alguns dias do parto, a jovem e sua família procuraram a ONG Anima, que Carolina frequenta desde os 2 anos, para relatar o ocorrido. A ONG faz parte do Mopaids (Movimento Paulistano de Luta contra a Aids), que colocou o fato na sua pauta de reunião mensal. O assunto foi discutido no encontro do movimento em agosto. "Nossa ideia nunca foi expor a Carolina, mas as pessoas precisam saber deste caso para que outras jovens não vivam a mesma situação", explica a psicopedagoga da Anima, Renata Godinho Brandoli.
 
No dia 21 de agosto, o Mopaids enviou uma carta/denúncia – copiando Secretaria Municipal de Saúde – exigindo das autoridades municipais investigação e posicionamento.
 
"O Mopaids repudia o comportamento não humanizado de alguns profissionais do Hospital de Campo Limpo e ressalta o grave erro na indicação com dose errada do medicamento", diz o documento. Para o movimento, erros assim "mostram a fragilidade da rede de atendimento às mulheres com HIV".

Investigação
No dia 4 de setembro, a equipe técnica do Hospital de Campo Limpo recebeu os representantes do Mopaids José Araújo Lima e Renata Godinho, além de Carolina e sua tia Lúcia Helena, para uma conversa.
 
"O Hospital do Campo Limpo mostrou ser um fracasso quando o assunto é gestante vivendo com HIV/aids. Na realidade, existe um enorme buraco na cidade de São Paulo que precisa ser sanado. Não falta só protocolo de tratamento, falta ética na saúde municipal", opina Araújo.
 
O ativista conta que o clima na reunião não foi amigável. "Senti o tempo inteiro que a equipe do hospital queria minimizar o ocorrido. Eles tinham resposta para tudo. Um dos médicos até disse: ´só nos resta pedir desculpas´. "
 
Ainda, segundo conta Araújo, a equipe do hospital convidou o movimento social para fazer uma capacitação com os profissionais do local. "O Programa Municipal de DST/Aids é que tem de fazer capacitação contínua. E nos responder onde está, de fato, o treinamento? Indicar amamentação para um bebê filho de mãe soropositiva é um erro primário".
 
Procurado, o Hospital do Campo Limpo, também ligado à Secretaria Municipal de Saúde, alegou que aguarda as apurações.
 
Trauma
Nesses três meses, Carolina tem tentado esquecer a situação e se dedicar ao filho. Foi difícil reviver os fatos ao nos dar essa entrevista. "Eu me senti julgada o tempo todo. É como se você fosse um etezinho, ninguém coloca a mão em você pois você oferece risco. É desumano. Senti medo da médica. Toda vez que ela me tocava era como se eu estivesse num filme de terror. Tudo me machucava."
 
Nova vida
Carolina vive com Mateus e o pai dele, um jovem soronegativo, na periferia da zona sul, na casa da avó do marido. Ela parou de estudar no segundo ano do ensino médio e ele trabalha num lava-rápido. Carolina diz estar vivendo as experiências de qualquer mãe de primeira viagem. "A vida ficou muito corrida. É bem divertido e, às vezes, assustador. Mas eu teria o Mateus outra vez se voltasse ao passado. É muito importante ser mãe porque eu precisava de um pedacinho meu fora de mim. Eu olho para ele e penso: nossa, fui eu quem fiz. Ele é tão bonito."
 
* Os nomes Carolina, Mateus e Lúcia Helena são fictícios. Foram trocados para preservar a identidade das personagens

UOL

Santo André: Justiça assegura presença de farmacêutico na equipe de Fiscalização da Vigilância Sanitária

O CRF-SP garantiu na justiça, por meio de ação civil pública, a condenação da Prefeitura de Santo André a contratar profissionais farmacêuticos para coordenar as equipes de fiscalização sanitária dos estabelecimentos que comercializam produtos farmacêuticos
 
A ação partiu da síntese que, segundo o regulamento que disciplina a atividade do farmacêutico (Decreto n. 85.878/81), é uma atividade privativa a esse profissional a fiscalização de quaisquer produtos e estabelecimentos dessa natureza. No entanto, constatou-se que a equipe de fiscalização do Departamento de Vigilância Sanitária municipal necessitava deste especialista.
 
“A fiscalização profissional sanitária e técnica de empresas, estabelecimentos, setores, formulas, produtos, processos e métodos farmacêuticos ou de natureza farmacêutica é de responsabilidade privativa do farmacêutico, devendo-se manter supervisão direta, não se permitindo delegação. Assim, ao profissional farmacêutico cabe, com exclusividade, a fiscalização sanitária de quaisquer empresas ou estabelecimentos que explorem atividade farmacêutica, entendidos como aqueles que comercializam drogas, medicamentos, insumos farmacêuticos e correlatos”, afirma o art. 2º da Lei nº. 3.820, de 11 de novembro de 1.960.
 
Após julgamento, a prefeitura de Santo André ficou condenada a, no prazo de sessenta dias, inserir um profissional farmacêutico nas equipes encarregadas de fiscalizar farmácias e estabelecimentos congeneres, assumindo a responsabilidade técnica pelas vistorias realizadas.
 
Monica Neri
Assessoria de Comunicação CRF-SP

Cirurgia com célula tronco pode curar cegueira da idade

Pixabay.com - Procedimento inovador pode curar tipo de
cegueira comum entre idosos

Equipe britânica desenvolve tratamento que usa material embrionário
 
Londres - Médicos britânicos estão desenvolvendo uma técnica inovadora que pode levar à cura para a forma mais comum de cegueira. Especialistas têm saudado o tratamento como “um grande passo” no combate à degeneração macular relacionada à idade (DMRI). A cirurgia implanta uma espécie de curativo com células tronco embrionárias. O primeiro procedimento, feito com uma voluntária, foi um sucesso, dizem os médicos.
 
Essa perda de visão causada pelo desgate com a idade é muito comum. Só no Reino Unido são 600 mil pessoas com o problema. No Brasil, a enfermidade afeta cerca de 2,9 milhões de cidadãos, segundo a Sociedade Brasileira de Oftalmologia. O objetivo dos responsáveis pelo novo procedimento é torná-lo rotineiro em sistemas de saúde pelo mundo, assim como o tratamento para a catarata.
 
A cirurgia consiste no implante de células oculares derivadas de células-tronco embrionárias na parte de trás da retina de uma pessoa que ficou cega devido à DMRI. O "curativo, desenvolvido exclusivamente para o paciente, “entrega” as novas células, que substituem as células doentes.
 
As células-tronco são as células mestras do corpo, a fonte de todas as outras células. Os cientistas que apoiam o uso de células-tronco embrionárias dizem que essa técnica pode transformar a medicina, gerando tratamentos para a cegueira, diabetes juvenil ou ferimentos graves.
 
A primeira de dez cirurgias planejadas para efeito de estudo aconteceu no mês passado, no Moorfields Eye Hospital, com uma voluntária de 60 anos. Segundo um comunicado da instituição divulgado nesta terça, "não houve complicações até o momento". A equipe vai acompanhar o pós-operatório e espera determinar um resultado em termos de recuperação visual até dezembro. Todos os voluntários têm a DRMI na forma molhada, que é o tipo mais severo da doença.
 
As células utilizadas no tratamento pertencem ao epitélio pigmentar da retina (EPR), camada celular que mantém os fotorreceptores na mácula. A mácula é justamente a região do olho que nos permite enxergar com mais clareza e definição. Quando há degeneração macular, as células do epitélio morrem e a pessoa sofre perda da visão central. Ela começa a ver imagens distorcidas ou sobrepostas por um borrão.
 
A DMRI é responsável por quase 50% de todos os casos de cegueira ou perda de visão no mundo. Geralmente afeta pessoas com mais de 50 anos e aparece em duas formas: seca (mais leve) ou molhada (mais severa). A DMRI molhada, que é menos comum do que a seca, é geralmente causada por vasos sanguíneos anormais que vazam fluido ou sangue para uma região no centro da retina.
 
Esses testes são parte do Projeto de Londres para Curar a Cegueira — uma parceria entre o Moorfields Eye Hospital, o Instituto de Oftalmologia da University College London (UCL), e o Instituto Nacional de Pesquisa de Saúde da Grã-Bretanha. A gigante farmacêutica americana Pfizer juntou-se à pesquisa em 2009.
 
Chris Mason, professor de medicina regenerativa na UCL, disse que o estudo é um importante passo em direção à cura de uma das principais causas de cegueira e também uma maneira de aprofundar a compreensão do uso de células-tronco embrionárias em tratamentos.
 
— Se o tratamento contra a DMRI for bem-sucedido, ao utilizar células-tronco embrionárias como recurso primordial, a terapia pode ser fabricada em larga escala — comentou Mason.
 
O Globo

Cientistas desenvolvem potente anestésico contra a dor crônica

Substância que alivia o desconforto, não causa efeitos colaterais e é aplicada diretamente na região lombar
 
Em algumas pessoas, os sentidos se confundem e a dor, essencial para a proteção do corpo, se torna patologia. Como o tratamento costuma ser longo e difícil, cientistas conduzem uma busca incansável por uma droga ou uma intervenção que resolva a dor crônica ou neuropática definitivamente.
 
Uma das iniciativas promissoras nesse sentido foi publicada na edição desta semana da revista Science Translational Medicine por pesquisadores da Universidade da Califórnia e dos Institutos Nacionais de Saúde, ambos nos Estados Unidos. Juntas, as instituições desenvolveram um tratamento que ataca a dor em sua origem, impedindo que ela chegue ao cérebro. E o melhor: sem efeitos colaterais.
 
Muitos tratamentos bloqueiam a dor em sua origem ou durante o percurso até o cérebro. Para isso, são usados medicamentos que neutralizam diretamente neurônios de dor e terminais nervosos. Um dos alvos é o TRPV1, receptor de calor e de capsaicina — substância picante da pimenta — expresso por neurônios responsáveis pela sensação incômoda. Ele tem uma vantagem em relação a outros alvos: pode ser bloqueado individualmente, sem prejuízo para as demais estruturas sensoriais.

Para fazer essa supressão com sucesso, entretanto, é necessário utilizar uma substância parente da capsaicina, a resiniferatoxina (RTX) — mais potente do que sua correlata picante. Ela foi testada como analgésico em porcos, que receberam injeções precisas do medicamento nos gânglios da raiz dorsal (GRD), localizados na região lombar. “Essa região é uma estrutura importante na dor crônica porque modula o impulso que chega à medula. O gânglio processa a sensação”, explica Thiago Freitas, neurocirurgião especialista em dor crônica do Hospital Santa Lúcia.

O neurocirurgião, que também é presidente da Sociedade Brasileira de Neuromodulação, explica que o GRD funciona adequadamente na maioria das pessoas, respondendo a estímulos de dor apenas como resposta a uma agressão. Nos pacientes com dor crônica, porém, há uma desregulagem. Seus neurotransmissores e receptores não funcionam como deveriam. “A pessoa começa a ter a sensação de queimação ou choque na perna, por exemplo, sem que exista algo por trás disso”, completa Freitas.

Aplicação focada
Os pesquisadores das instituições norte-americanas se guiaram com tomografia computadorizada (TC) para aplicar a RTX exatamente no GRD. “Nós usamos rotineiramente a TC para guiar injeções de anestesias epidurais, por exemplo. Era, portanto, lógico que estendêssemos esse uso para nosso trabalho experimental com RTX. Assim, imitaríamos processos já utilizados em humanos e poderíamos administrar mais seletivamente a RTX em uma área de dor potencial”, conta William Dillon, pesquisador sênior do estudo.

Após quatro semanas de observação, a equipe liderada por Dillon notou que os porcos que receberam o anestésico potente tiveram a expressão de TRPV1 reduzida, sentindo menos dor. A condição foi comprovada pela exposição a estímulos de calor com laser infravermelho (veja infografia). Além disso, não foram constatados efeitos colaterais, como prejuízos nas funções motoras.

Dillon acredita que ensaios clínicos com humanos começarão em breve. “Assim, poderemos mostrar que o uso desses agentes é seguro. Mas, de forma otimista, esperamos que isso forneça um alívio mais permanente ou mais duradouro para pacientes de dor crônica, como pessoas com câncer ou outras condições que não são cirurgicamente tratáveis”, diz o cientista.

O neurocirurgião brasileiro Thiago Freitas considera os achados promissores. Um dos motivos, ele diz, é a ausência de efeito grave colateral. “Você dá ao paciente uma coisa que bloqueia o receptor de dor e que não fornece nenhum efeito colateral sistêmico. Então, essa é a droga perfeita. Mas não podemos nos antecipar, porque estudos com humanos são realmente necessários”, pondera.

Alta incidência
A Associação Internacional para o Estudo da Dor estima que a condição crônica afete o bem-estar fisiológico e psicológico de 15% a 30% dos adultos nos países ocidentais. Nos Estados Unidos, o número de adultos com dor crônica é estimado em 100 milhões. Um levantamento divulgado em 2013 pela Sociedade Brasileira de Estudos para a Dor mostrou que, no Brasil, a doença alcança até 40% da população, variando conforme a unidade da Federação.
 
Correio Braziliense

USP descobre molécula para ‘remédio inteligente’ que reduz efeitos colaterais

Medicamentos poderão agir somente em células doentes, sem prejuízos. Pesquisadores de Ribeirão não têm prazo para começar venda em farmácias
 
Uma pesquisa da Universidade de São Paulo (USP), em Ribeirão Preto (SP), pode ajudar na produção de “remédios inteligentes”, mais precisos contra doenças e com menos efeitos colaterais. Segundo os pesquisadores da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP), novas moléculas descobertas após sete anos de estudos podem reduzir a necessidade dos médicos em receitar vários medicamentos para evitar diferentes reações nos pacientes.
 
A administradora de empresas Renata Barros levou meses para descobrir que as dores que sentia na cabeça eram provocadas pelo anticoncepcional que tomava diariamente. “Procurei até um oftalmologista, pensando que pudesse ser falta de óculos, mas minha ginecologista indicou o uso do anticoncepcional adesivo, dizendo que tem menor passagem pelo fígado, e realmente, faz dois meses que parei de tomar e melhorou”.
 
Além desse tipo de reação provocada pelo anticoncepcional, outros efeitos colaterais foram observados por diversos estudos envolvendo o assunto. São comuns, por exemplo, anti-inflamatórios provocarem dores de estômago e antialérgicos causarem sonolência.
 
“Quando você usa de quatro a cinco medicamentos a sua chance de ter reação adversa é praticamente 100%, então todo cuidado é pouco”, comentou a professora da Faculdade de Farmácia da USP, Julieta Ueta.
 
Células doentes
Em laboratório, os pesquisadores encontraram uma maneira de os medicamentos atingirem somente as células doentes e não as saudáveis, que é o que desencadeia os efeitos colaterais. “É como se abríssemos uma torneira com água suja. O medicamento clássico simplesmente fecha a torneira e o que a gente está tentando desenvolver é um medicamento que feche a torneira, mas que permita que continue saindo a água e não a terra”, explicou o pesquisador Cláudio Costa-Neto.
 
O grupo identificou novas moléculas sintéticas que quando testadas em receptores celulares causaram uma atividade de sinalização seletiva, atuando em vias benéficas e bloqueando vias de sinalização não benéficas, que poderiam causar os efeitos colaterais.
 
“É uma chave ligando uma fechadura que consegue, quando girada, ativar aqueles sistemas de travamento, desenvolvendo um novo tipo de chave que selecione quais são as trancas que devem ser ativadas e quais não devem ser ativadas”, disse o pesquisador.
 
De acordo com os pesquisadores, inicialmente o foco da pesquisa está em doenças cardiovasculares, que costumam exigir remédios de uso contínuo. A próxima etapa dos estudos é criar uma empresa para desenvolver tecnologia para produção dessas moléculas e ainda não há prazo para que esse tipo de medicamento esteja disponível nas farmácias. “Em alguns anos teremos um protótipo”, afirmou Costa-Neto.
 
G1

Anvisa suspende lote de água mineral Valle Vita

A Anvisa determinou a suspensão da distribuição, da comercialização e do uso do lote 300510:18 da Água Mineral Natural, marca Valle Vita, com validade até janeiro de 2016
 
O produto é fabricado pela empresa Concessionária Mineração Arroio Bonito Ltda.
 
A Agência tomou esta medida após laudo de análise fiscal emitido pelo Laboratório Central de Saúde Pública do Estado de Santa Catarina (Lacen-Sc) identificar fungos filamentosos em suspensão.
 
O documento também revela indicativos de falhas de Boas Práticas de Fabricação.
 
A determinação está na Resolução 2.741/2015, publicada nesta terça-feira (29/8) no Diário Oficial da União (DOU).
 
ANVISA

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Dia Mundial do Coração: você sabe cuidar do seu? Saiba como evitar doenças

Depende de você manter uma alimentação saudável, parar de fumar, reduzir o sal da comida e praticar atividade física; veja mais conselhos de cardiologistas
 
As doenças que mais matam no mundo vêm lá do fundo do coração. No Brasil, mais de 300 mil vidas são interrompidas prematuramente por ano porque esse órgão vital parou de funcionar.
 
Pensando nisso, a Sociedade Brasileira de Cardiologia e a World Heart Federation, em alusão ao Dia Internacional do Coração celebrado hoje (29), querem reduzir em 25% as mortes prematuras por doenças cardiovasculares até 2025.
 
Para que isso aconteça, é preciso que a população não acenda mais cigarros, deixe de salpicar muito sal na comida, faça exercícios físicos, se mantenha dentro da faixa de peso ideal, controle o colesterol e glicemia e tenha atenção para que a pressão arterial não suba.
 
Parece difícil mudar hábitos? Saiba que essas mudanças podem salvar a sua vida.
 
“É preciso cuidar do coração desde sempre. Se não começou ainda, comece hoje”, diz a cardiologista e ex-presidente da Sociedade Interamericana de Cardiologia, Márcia Barbosa. “Sabemos que o processo de envelhecimento das artérias por aterosclerose (formação de placas gordurosas) começa muito cedo, ainda na infância, porque as crianças estão cada vez mais obesas”, alerta ela.
 
“É altamente prejudicial não estar atento ao fato da criança estar comendo comida inadequada, se está em sobrepeso, se fica na frente do computador ou TV em vez de praticar esporte ou fazer exercícios”, aconselha a médica.
 
Alguns riscos são genéticos. Algumas pessoas podem nascer com alguma predisposição a desenvolver arritmias cardíacas ou outros problemas no coração. Uma boa parte das ameaças ao órgão que comanda a vida é culpa dos maus hábitos.
 
O histórico familiar não é evitável, mas podemos mudar o cigarro. A pessoa pode parar de fumar, já que o cigarro contribui muito para aumentar a mortalidade prematura”, diz a médica. Ter hábitos saudáveis e visitar o cardiologista com regularidade ajuda a prevenir problemas.
 
Quem nunca ligou para o coração e, ao ler uma matéria, por exemplo, decide colocar a vida nos eixos e praticar exercícios físicos deve ficar atento ao conselho de Márcia, principalmente se estiver acima dos 30 anos: é preciso fazer exames médicos antes, verificar a pressão arterial, avaliar o colesterol e glicose no sangue, e fazer um teste ergométrico, para saber se o exercício vai ajudar em vez de atrapalhar.
 
Aqueles que já tem um problema sério no coração podem sofrer sérias consequências se fizerem exercícios físicos mais intensos.
 
“Sempre que for começar um exercício físico, é preciso iniciar com cuidado, ir devagar”, alerta a médica.
 
Mulheres depois da menopausa têm mais propensão a problemas cardíacos
Até a menopausa, a mulher tem a proteção hormonal contra problemas cardiovasculares, o que faz com que elas tenham um menor risco, comparado com os homens. Depois da queda dos hormônios, no entanto, o risco se iguala e ela precisa acompanhar a saúde cardíaca com mais rigor.
 
“Temos visto, no Brasil e no mundo um aumento de doenças cardiovasculares nas mulheres. Isso talvez seja porque elas se sentem mais protegidas e acham que problema no coração é coisa de homem, e não valorizam os sintomas. Com isso, fumam mais”, preocupa-se a ex-presidente da Sociedade Interamericana de Cardiologia.
 
Infarto, AVC e insuficiência cardíaca
Erra quem pensa que o câncer é a doença que mais mata no mundo. As doenças cardiovasculares estão no topo como provocadoras de mortes há muito, muito tempo. O infarto, o acidente vascular cerebral (AVC) e a insuficiência cardíaca lideram o ranking mortal.
 
Dentro do coração há uma bomba perfeita, o ventrículo esquerdo, que se contrai, joga o sangue na aorta e ela distribui para todo o coração. “A insuficiência cardíaca é quando o coração entra em falência, e é um mecanismo final de doenças do coração, que pode ser resultado de pressão arterial descontrolada por anos, ou de alguém que sofreu um infarto e teve morte das células do coração”, diz a médica.
 
Alimentação amiga do coração
O cardiologista e diretor da Unidade Clínica de Lípides do Incor em São Paulo, Raul dos Santos, explica que a alimentação é ponto chave para a boa saúde cardíaca. “Por conta da vida corrida, as pessoas têm cada vez menos tempo para cuidarem da saúde. Além disso, fatores como tabagismo e principalmente uma alimentação não balanceada aumentam o risco de a pessoa ter um problema cardíaco”.
 
Segundo ele, alguns nutrientes já comprovaram ser benéficos para o coração. É o caso do ômega 3, mais especificamente o DHA (ácido docosaexaenoico), que ajuda a manter o colesterol bom nos níveis.
 
“O DHA e o EPA (outro tipo de ômega 3), se consumidos dentro de um contexto de uma dieta, estão associados a redução dos problemas cardiovasculares, pois têm ações anti-inflamatórias, baixam a pressão arterial, o colesterol e possuem ação antiplaquetária evitando a agregação das plaquetas e formação de trombos arteriais”, detalha o médico. 
 
iG

Raio x atualizado do câncer

Doença, que pode chegar a 24 milhões de casos no mundo até 2035, tem dados alarmantes. Mas também pode ser prevenida e já não deve ser considerada uma sentença de morte
 
Aconteceu durante um exame de rotina. Ela não sabia que carcinoma — aquela palavra extravagante que aparecia no diagnóstico — tinha qualquer coisa a ver com câncer. Foi preciso o médico repetir duas, três vezes, até que Maria Isabel Teixeira, 63 anos, compreendesse que havia algo assustador em sua mamografia. “Mas o doutor foi muito atencioso, segurou na minha mão, explicou que o tumor estava no início, que talvez fosse preciso operar e que ia correr tudo bem”, contou à Radis, cinco anos, duas cirurgias, seis sessões de quimioterapia e 25 de radioterapia depois daquela tarde em maio de 2010. 
 
Dona Maria Isabel engrossa as robustas estatísticas da doença. No Brasil, entre 1990 e 2013, o número de novos casos de câncer de mama quase triplicou: saltou de 24,9 mil para 74,6 mil, de acordo com um levantamento publicado no final de maio por um grupo de pesquisadores no periódico Journal of the American Medical Association (JAMA Oncology), tornando-se o tipo de câncer de maior ocorrência entre mulheres no país, levando à morte 16,2 mil brasileiras. O estudo — intitulado de O Fardo Global do Câncer — traz dados sobre a incidência da doença e números de óbitos em todo o mundo (ver infográfico nas páginas 18 e 19). 
 
Segunda maior causa de morte em termos globais, atrás apenas das doenças coronarianas, o câncer matou, só em 2013, 8,2 milhões de pessoas no planeta — 213 mil delas, no Brasil. Para o professor da Escola de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), Itamar Santos, que integrou o grupo de pesquisadores envolvidos na elaboração do relatório, o principal fenômeno por trás da ampliação da incidência de cânceres é o aumento da expectativa de vida e o envelhecimento populacional. “À medida que a proporção de idosos aumenta, doenças mais frequentes nessa faixa etária ganham uma importância maior”, disse, em entrevista à Radis, lembrando que, como as pessoas estão vivendo mais e as causas de óbitos por outras doenças infecciosas vêm caindo em virtude de tratamentos mais efetivos, não é surpresa que o número de casos e mortes por câncer aumente. 
 
Por outro lado, o professor também faz questão de pontuar que os exames diagnósticos para câncer se tornaram mais sensíveis e acessíveis, o que explicaria em parte o aumento do número de casos detectados. “O câncer hoje é, em boa parte dos casos, uma doença curável e não deve ser encarada como uma sentença de morte”, sugere. Para a personagem que abre esta reportagem, foi um sobressalto, uma adversidade; nunca desespero. “Essa é uma doença ingrata, muito difícil, mas não achei que fosse morrer em nenhum momento”, diz Maria Isabel. Moradora de São Gonçalo, região metropolitana do Rio de Janeiro, ela agora faz apenas o controle pós-tratamento, com exames a cada seis meses, no Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (Inca), mesmo local onde realizou todo o tratamento. Em um dia comum, tem aulas de pintura em gesso e em tecido; noutros, faz bijuterias. Perdeu a timidez. Está prestes a realizar o seu maior sonho: “Vou conquistar a minha casa própria”, avisa aos que conversam com ela sob o pretexto da doença.
 
Câncer, Karkinos, caranguejo
O câncer é o nome dado a um conjunto de mais de 100 doenças que têm em comum o crescimento desordenado de células que invadem os tecidos e órgãos, podendo espalhar-se para outras regiões do corpo, no que ficou conhecido como metástase. Dividindo-se rapidamente, e de maneira incontrolável, as células determinam a formação de tumores ou neoplasias malignas. À diferença destes, um tumor benigno significa simplesmente uma massa localizada de células que se multiplicam vagarosamente e se assemelham ao seu tecido original, raramente constituindo um risco à vida.
 
A origem da palavra vem do grego karkinos, que significa caranguejo. Consta que foi usada pela primeira vez por Hipócrates, o pai da Medicina, para descrever um tumor com vasos sanguíneos inchados à sua volta, imagem que lhe pareceu a de um caranguejo com as patas abertas. Isso explica por que o nome da doença é o mesmo do marisco que, por sua vez, também batiza o signo do zodíaco e a constelação de Câncer. Seu aparecimento como doença remonta ao ano 2600 antes de Cristo — um papiro egípcio relata a existência de 48 doenças, uma delas definida como “massas salientes no peito e que se espalham pelo peito”, o que, para Siddhartha Mukherjee, autor de “O Imperador de todos os males — uma biografia do câncer”, é a descrição do câncer de mama. 
 
Mas, antes de tudo isso, há outras três coisas que precisam ser ditas sobre o câncer, a doença, como ensina a professora Gulnar Azevedo. Em seu gabinete, no Instituto de Medicina Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (IMS/UERJ), a pesquisadora enumera: “Em primeiro lugar, é preciso saber que muitos cânceres podem ser prevenidos, evitados. Segundo, quando detectados precocemente, outros podem ser tratados e curados. E, por último, para aqueles casos de tumores mais letais, ainda assim há muito a ser feito a fim de garantir que os pacientes tenham uma melhor qualidade de vida”.
 
Hoje, sabe-se que o câncer está vinculado a causas múltiplas, que vão desde a suscetibilidade genética até a condições determinadas por cultura, modos de vida e pelo ambiente. De acordo com a professora Gulnar, uma referência no assunto, o câncer vem aumentando por inúmeros motivos relacionados a fatores de risco associados à vida urbana, à industrialização, à poluição atmosférica, ao sedentarismo, ao tabagismo e à obesidade, entre outros. “Envelhecer não dá câncer. Mas à medida que as pessoas envelhecem, elas também ficam mais tempo expostas a esses fatores de risco”, diz ela. “Se a gente vivesse em condições ideais, onde tais fatores fossem controlados, provavelmente as pessoas morreriam menos de câncer”. 
 
Estimativas
Para 2015, estima-se que ocorram no Brasil aproximadamente 576 mil casos novos de câncer. Os dados integram um levantamento realizado pelo Inca a cada dois anos. Intitulada Estimativas, a publicação atualiza e contextualiza os dados sobre a doença no Brasil e reúne informações válidas para o biênio. Este ano, o câncer de pele do tipo não melanoma será o mais incidente na população brasileira: 182 mil casos novos, seguido pelos tumores de próstata (69 mil), mama feminina (57 mil), cólon e reto (33 mil), pulmão (27 mil), estômago (20 mil) e colo do útero (15 mil). 
 
Sem considerar os casos de câncer de pele, o relatório aponta para a incidência de 395 mil casos novos: 204 mil para o sexo masculino e 190 mil para o feminino. Em homens, os tipos mais incidentes serão os cânceres de próstata, pulmão, cólon e reto, estômago e cavidade oral; e, nas mulheres, os de mama, cólon e reto, colo do útero, pulmão e glândula tireoide. Guardadas as devidas proporções e especificidades, os dados no Brasil refletem os números mundiais. Em fevereiro, a Organização Mundial da Saúde (OMS) advertiu que o mundo corre o risco de enfrentar um “maremoto” de casos de câncer nos próximos anos. Até 2035, o número de novos casos pode chegar a 24 milhões.
 
Apesar desse alarme, mais do que um inimigo feroz e ameaçador, o câncer deve ser visto como um problema de saúde pública a ser combatido com múltiplas ações, como preconiza o relatório do Inca, o que inclui trabalhos de educação para saúde; prevenção orientada para indivíduos e grupos; geração de opinião pública; apoio e estímulo à formulação de legislação específica para o enfrentamento de fatores de risco relacionados à doença; e fortalecimento de ações em escolas e ambientes de trabalho. Para Gulnar, o câncer é um problema de todos. “O acesso ao tratamento no Brasil está aumentando mas a conscientização em torno do assunto ainda está muito longe de acontecer”, diz. “O desafio é pensar uma rede de articulação de políticas de saúde, educação, comunicação para construir uma rede de enfrentamento do problema”. 
 
Jogo de contrastes
Se a má notícia é que, no cenário atual, o mundo vai continuar contraindo o câncer e morrendo em decorrência da doença, como apontam as estatísticas, a boa é que muitos tipos começam a ser controlados. Segundo a OMS, cerca de metade deles pode ser prevenida. Os dados das pesquisas relativas ao câncer sofrem alterações, dependendo da região do globo e do nível de desenvolvimento de cada país. Cânceres associados à pobreza, como os de colo do útero, estômago e cavidade oral, costumam ter maior incidência em países emergentes. Enquanto em países com um melhor nível socioeconômico, observa-se um aumento na prevalência de tumores de mama, próstata e cólon/reto. Segundo o levantamento publicado no JAMA Oncology, o câncer de boca é o mais diagnosticado na Índia, por exemplo, mesmo que tenha baixa ocorrência em termos globais.
 
A incidência do câncer de colo uterino também é maior em países menos desenvolvidos. Em geral, ela começa a partir de 30 anos, aumentando seu risco rapidamente até atingir o pico etário entre 50 e 60 anos. De acordo com o relatório do Inca, esse câncer foi responsável pelo óbito de 265 mil mulheres em 2012, sendo que 87% desses óbitos ocorreram em países em desenvolvimento. No Brasil, o jogo de contrastes se faz evidente de uma região para outra ou ainda se forem consideradas as diferenças entre capital e municípios do interior. 
 
Um estudo publicado em 2015 na Revista de Saúde Pública comprova essa disparidade ao analisar a evolução da mortalidade por câncer do colo uterino e de mama no país, segundo indicadores socioeconômicos e assistenciais, no período entre 1980 e 2010. No interior das regiões Norte e Nordeste e nas capitais da região Norte, as taxas de mortalidade por câncer de mama continuam em ascensão, mas caem nas demais regiões do país. Quanto ao câncer de colo do útero, a análise mostrou queda significante das taxas de mortalidade nas capitais e demais municípios das regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste. Enquanto nas regiões Norte e Nordeste, houve queda nas capitais e aumento no interior. O maior percentual de queda foi observado nas capitais da região Nordeste.
 
“O risco dos cânceres associados a condições de vida ruim vem diminuindo em países com mais recursos não apenas em função do acesso a médicos e tratamentos, mas por uma melhora nas condições de vida da população”, analisa Gulnar, uma das autoras do estudo, juntamente com as pesquisadoras Vânia Girianelli e Carmen Gamarra. Ela explica ainda que o caso do câncer do colo do útero é um exemplo de câncer que pode ser evitado. “Como o rastreamento evita a lesão antes de virar tumor maligno invasivo, é possível diminuir a incidência”, diz, reforçando a importância da prevenção.
 
Marciene Maria da Silva tem 42 anos e três filhos. Seus dois netos nasceram depois de ela ter sido diagnosticada com câncer do colo uterino, há sete anos. No Recife, onde mora, encarou a doença como uma leoa. Quando foi detectado, o câncer já exigia uma histerectomia — cirurgia para retirada do útero. No Hospital do Câncer, fez o procedimento e todas as sessões de radioterapia. Depois de seis meses de licença pelo INSS, voltou às funções de doméstica e à vida normal. “Foi um susto enorme. Ouvir um diagnóstico como esse é terrível. Mas é preciso seguir o tratamento, manter o equilíbrio. O importante é saber que ter câncer não significa que você vai morrer”, diz, ao olhar pra trás, feliz com os resultados de seu controle semestral.
 
De acordo com o Inca, atividade fundamental para o controle da doença é o monitoramento continuado dos programas de prevenção e controle implementados para combater o câncer e seus fatores de risco. Esse monitoramento inclui a supervisão e a avaliação dos programas como atividades necessárias para o conhecimento do andamento e do impacto no perfil de morbimortalidade da população, assim como a manutenção de um sistema de informações de qualidade, que subsidie análises epidemiológicas como produto dos sistemas de vigilância.
 
“Sopa para o azar”
Em janeiro deste ano, um artigo polêmico movimentou a imprensa mundial e o mundo das pesquisas sobre o câncer. Publicado no conceituado periódico norte-americano Science por pesquisadores da John Hopkins University, o estudo afirmava que o principal fator de risco do câncer não tinha relação com fatores externos como cigarro e radiação solar, mas sim com mutações genéticas que ocorrem ao acaso. Ou seja, segundo os pesquisadores, mais do que por fatores hereditários ou ambientais, dois terços dos casos de câncer do planeta aconteciam por uma questão de azar. E, sendo assim, o foco deveria recair sobre a detecção precoce ao invés da prevenção.
 
O estudo provocou reações controversas e causou burburinho. É sabido que, para uma pessoa desenvolver câncer, existe sim uma fração atribuída ao acaso. Mas, para muitos pesquisadores, a busca pelas causas precisa continuar antes de tudo. O diretor da Agência Internacional para Pesquisa em Câncer (Iarc/OMS), Christopher Wild, publicou artigo na revista Rede Câncer do Inca, em que defende que, se mal interpretada, esta afirmação pode resultar em consequências negativas tanto em relação à pesquisa do câncer quanto às perspectivas de saúde pública. “Concluir que o ‘azar’ é a principal causa do câncer é enganoso e pode prejudicar os esforços para identificar as causas da doença e sua efetiva prevenção”, escreveu.
 
Para a professora Gulnar, antes de mais nada, é preciso investir em medidas de prevenção em vez de dar “sopa para o azar”. Ela cita o exemplo do controle do tabagismo, que vem diminuindo os índices de câncer de pulmão e de outros tumores associados ao fumo desde que a legislação antitabagismo e outras medidas preventivas acabaram provocando uma redução no hábito de fumar do brasileiro. Para Itamar Santos, as políticas públicas e a mudança da relação da sociedade com o tabagismo vêm trazendo importantes avanços no combate a várias doenças, dentre elas o câncer de pulmão. “O número de casos que ainda ocorre — e o relatório O fardo global do câncer aponta 29 mil vítimas no Brasil em 2013 — só demonstra que estratégias que diminuam a prevalência de tabagismo na população devem ser reforçadas ainda mais”, conclui.
 
Autor:  Ana Cláudia Peres
 
Gráfico: câncer no Brasil
Data de publicação: 01/08/2015       
Autor: Felipe Plauska
 
Blog da Saúde

Abertas onze consultas públicas sobre métodos e monografias para Farmacopeia

 
As propostas tratam de métodos gerais e monografias da Farmacopeia Mercosul, para inclusão na Farmacopeia Brasileira.
 
As consultas ficaram abertas à contribuição entre os dias 02 e 16 de outubro.
 
Nesse período será possível enviar comentários e sugestões ao texto inicial.
 
Não é necessário o envio das contribuições por e-mail ou por protocolo físico.
 
ANVISA

Qual será o futuro dos hospitais?

 
Ambientes que mais se parecem com áreas de hotéis, muita tecnologia, eliminação de papel, hiperconexão, robôs fazendo cirurgias e equipamentos cada vez mais modernos e eficientes compõem o cenário futurístico imaginado para os prestadores de serviços em saúde.
 
Quer saber mais sobre o Hospital do Amanhã?
O futuro dos hospitais também promete redução das filas de espera, prontuários únicos, independentemente das instituições pelas quais o paciente passe, comunicação e envio dos dados onde quer que ele esteja, por meio de sensores e telemedicina, e uso intensivo de inteligência artificial para organizar os sistemas de saúde.
 
Porém, mais do que coisas, o hospital que veremos daqui alguns anos precisará mudar sua forma de agir, mantendo-se flexível, respondendo rapidamente às demandas, buscando inovação e sempre trabalhando para equalizar qualidade, eficiência, segurança e custos.
 
O presidente da American Hospital Association (Associação Americana de Hospitais), Richard J. Umbdenstock, explica, em publicação do American College of Healthcare Executives (Colégio Americano de Executivos de Saúde), que os hospitais continuarão a ser mais integrados, correr mais riscos e assumir mais responsabilidades.
 
Para Umbdenstock, a integração se dará entre hospitais, entre hospitais e médicos, entre hospitais e serviços pós-internação, alguns com fontes pagadoras e outros com recursos baseados em comunidades locais. Ver o hospital como um coordenador dos procedimentos pelos quais o paciente vai passar deve levar a uma melhoria geral de saúde da população e a serviços mais eficientes.
 
O executivo aponta também que será necessário assumir algum nível de risco financeiro para ser bem-sucedido no mercado. As fontes pagadoras, ao menos nos Estados Unidos, já trabalham com penalidades para instituições que não atingem as métricas de performance, como índices de readmissões e condições adquiridas durante a internação. Essa tendência, junto com a migração para o pagamento por pacotes, também nos Estados Unidos, exigirá mais do que fazer mais com menos.
 
Será preciso fidelizar médicos e pacientes e mostrar os benefícios de se entrar num sistema integrado, dentro de uma mesma instituição ou que, pelo menos estejam interligadas em algum modelo de parceria, para evitar a fuga de receitas.
 
Por fim, o mercado, especialmente o consumidor final, exigirá mais transparência, o que obrigará os hospitais a disponibilizar informações sobre seus desempenho, para que os pacientes decidam onde se tratar. O uso de dados também irá estimular a redução de disparidades nos tratamentos, melhorando a qualidade e reduzindo custos como um todo.
 
Saúde Business

Ministério da Saúde disponibiliza até 13 de outubro duas consultas públicas

O Ministério da Saúde disponibiliza duas consultas públicas para receber sugestões e críticas
 
Os interessados têm até o próximo dia 13 de outubro para se manifestar sobre os seguintes assuntos:
 
“Proposta de incorporação do agente imunomodulador (Impact®) para uso no pré-operatório de cirurgias oncológicas gastrointestinais eletivas de grande porte” e “Proposta de incorporação do ombitasvir, veruprevir, ritonavir e dasabuvir para o tratamento da hepatite C crônica”.
 
→ Proposta de incorporação do ombitasvir, veruprevir, ritonavir e dasabuvir para o tratamento da hepatite C crônica – Consulta pública Nº 26
 
- Confira aqui o relatório técnico de recomendação
 
- Para dar sua contribuição técnica, clique aqui
 
- Para contribuir com sua experiência ou opinião, clique aqui
 
→ Proposta de incorporação do agente imunomodulador (Impact®) para uso no pré-operatório de cirurgias oncológicas gastrointestinais eletivas de grande porte – Consulta pública Nº 26

- Confira aqui o relatório técnico de recomendação

- Relatório para a sociedade pode ser conferido aqui

- Para dar sua contribuição técnica, clique aqui

- Para contribuir com sua experiência ou opinião, clique aqui
 
Consulta pública*
Consulta Pública é um mecanismo de publicidade e transparência utilizado pela Administração Pública para receber informações, opiniões e críticas da sociedade a respeito de determinado tema. Esse instrumento objetiva ampliar a discussão sobre o assunto e embasar as decisões sobre formulação e definição de políticas públicas.
 
Texto: Comunicação Interna/ASCOM/GM/MS com informações da Conitec
 
Blog da Saúde

Puerpério: período pós-parto requer cuidados especiais

O nascimento de um filho, além de encher a família de alegria, é um momento que a atenção se volta para o bebê. Mas durante este período, o cuidado com a mãe é muito importante. Ela também passou por momentos intensos, em alguns casos até por uma cirurgia, como em um parto cesáreo
 
O período após o parto, chamado puerpério, é o momento em que ocorrem intensas modificações físicas e psicológicas nas mulheres num curto espaço de tempo. Juntas, essas características contribuem para aumentar a insegurança da mãe em relação aos cuidados necessários para garantir a saúde do seu bebê e dela própria nesta fase inicial da maternidade.
 
Pensando na adaptação com o novo bebê e recuperação após o parto, a equipe de enfermeiros da Maternidade do Hospital Universitário Professor Alberto Antunes, vinculada à Universidade Federal de Alagoas (Hupaa-Ufal), iniciou um projeto voltado para mães recém-paridas. O “Preparo para a Alta: construindo o cuidado” busca orientar as mães no autocuidado materno em todos os seus aspectos.
 
A equipe reúne as mães que já receberam a alta hospitalar e aguardam a liberação para repassar informações sobre cuidados com elas e com os recém-nascidos. Além disso, esclarecem as mães sobre questões como o registro civil, consultas do bebê no hospital, aleitamento materno, carteira de vacinação, entre outras informações essenciais para o desenvolvimento da criança.
 
A enfermeira-chefe da Maternidade do Hospital Universitário Professor Alberto Antunes, Sônia dos Santos, conta que o projeto surgiu de algo que já fazia parte da rotina diária da equipe.“Estas orientações são da competência da equipe de enfermagem, mas eram dadas informalmente, sem um controle personalizado. Hoje, temos este momento diário com todas as puérperas para uma conversa. Usamos um álbum que de forma lúdica nos ajuda a transmitir as informações e tirar as dúvidas da família”, disse. 
 
Além de orientações sobre a amamentação e a higiene do bebê, o momento foca nos cuidados da mãe após o parto. Assuntos como a atenção necessária com a ferida operatória, em caso de parto cesáreo, ou a episiotomia, que é corte próximo à vagina, repouso e o retorno às atividades sexuais são abordados.
 
Para as mamães que acabaram de ter bebê, o Ministério da Saúde recomenda alguns cuidados para o período do puerpério. O Blog da Saúde separou alguns deles, extraídos da Caderneta da Gestante para ajudar neste momento tão especial:
 
Se o parto foi normal
Se houve corte próximo à vagina (episiotomia), mantenha a cicatriz bem limpa, lavando-a com sabonete durante o banho ou após fazer suas necessidades, e secando bem o local.

A região em cicatrização pode ficar dolorida. Os pontos devem cair sozinhos.
 
Se o bebê nasceu de cesariana
Mantenha a cicatriz bem limpa, lavando com sabonete durante o banho e secando-a bem. Os pontos deverão ser retirados de 8 a 10 dias, na Unidade de Saúde.
 
O útero estará voltando ao tamanho normal. Por isso é comum ter cólicas, que, às vezes, aumentam durante a amamentação. Por mais ou menos um mês pode acontecer uma secreção que sai pela vagina, que no início é como um sangramento e depois vai diminuindo e clareando gradativamente.
 
Se houver dor na parte de baixo da barriga, sangramento vaginal com cheiro desagradável e febre, o recomendado é procurar rapidamente uma Unidade de Saúde. Pode haver um quadro de infecção que necessita de tratamento.
 
A mãe passou por transformações da gestação e do parto, e poderá se sentir frágil e insegura em alguns momentos. Se esses sentimentos aparecerem, é fundamental lembrá-la de que esta fase é passageira e que logo ela e o bebê estarão mais confortáveis nesta nova vida.
 
Consulta pós-parto
A mãe e o bebê devem retornar à Unidade de Saúde na primeira semana após o parto. Sempre que possível, acompanhada do pai do bebê ou do(a) parceiro(a) ou um familiar.
 
O atendimento nesse período é importante para:
• saber como está a saúde da mãe e do bebê;
• avaliar a amamentação e o sangramento vaginal;
• observar a cicatrização e retirar pontos, se necessário;
• examinar o bebê, vacinar e realizar o teste do pezinho;
• discutir se deseja ou não uma nova gravidez e sobre os métodos anticoncepcionais.
 
As relações sexuais deverão aguardar em média 40 dias, tempo para o organismo da mulher se recuperar. Independentemente do tipo de parto, é comum a vagina ficar ressecada e poderá haver certo desconforto na relação sexual, mas o corpo deve voltar ao normal.
 
Existem muitos métodos de evitar filhos, sendo alguns mais indicados durante o período de amamentação. É direito das mulheres e dos homens conhecerem todos os métodos e suas indicações para uma escolha mais apropriada. Por isso, se possível, as consultas devem ser acompanhadas pelo companheiro para que juntos com o profissional de saúde, possam escolher o método mais adequado nessa fase.
 
Os recém-nascidos também necessitam de uma série de cuidados especiais. Saiba mais na matéria do Blog da Saúde.
 
 
Foto: LiAndStudio

Quais os cuidados após o término do tratamento do câncer?

Consultas e exames para verificar um novo tumor ou recidiva fazem parte da rotina 

Dr. Tiago Biachi de Castria - Oncologia - CRM 141396/SP
 
Diariamente os oncologistas são bombardeados com uma grande quantidade de informação a respeito de novos tratamentos e novos testes moleculares. A despeito dessa corrida frenética pela incorporação de novas tecnologias, todo especialista deve atentar para os cuidados necessários nesse momento importante da vida do paciente, que é o seguimento após o término do tratamento São três os grandes motivos que tornam esses cuidados de extrema importância: o diagnóstico precoce da recidiva, o diagnóstico precoce de um segundo câncer e a manutenção da saúde, com enfoque nas potenciais toxicidades causadas pelo tratamento.

Sem dúvida o medo da recidiva do câncer é o que mantém o paciente mais próximo do seu oncologista. Neste contexto, existem protocolos bem definidos de seguimento de cada tumor, sendo que em alguns casos são necessários exames de imagem enquanto em outros esse seguimento baseia-se no exame físico e anamnese. 
 
Outro aspecto importante a ser seguido é a ocorrência de um segundo tumor primário. Isso se deve à toxicidade ao tratamento (quimioterapia ou radioterapia) ou eventualmente a um fator de risco comum aos dois tumores (tabagismo, por exemplo). Leucemias podem ocorrer dentro de dois a cinco anos após a exposição a agentes alquilantes, inibidores da topoisomerase ou platinas. Agentes alquilastes também aumentam o risco de câncer de pulmão, câncer gastrointestinal, câncer de mama, de bexiga e sarcomas. Tumores induzidos pela radioterapia costumam ocorrer em um momento mais tardio, de cinco a dez anos após o tratamento e está associado à dose utilizada, extensão do campo e idade ao tratamento.    
 
Além da indução de novos tumores, os agentes utilizados no tratamento oncológico podem induzir danos às estruturas até então sadias. A toxicidade cardíaca é uma preocupação constante naqueles que tratam câncer de mama, por exemplo. Isso se deve à natureza cardiológica das drogas utilizadas, como trastuzumabe e doxorrubicina. A neuropatia periférica, bastante comum naqueles expostos à oxaliplatina, pode manifestar desde um formigamento discreto até dor incapacitante com limitação funcional. 
 
A infertilidade masculina é frequente naqueles pacientes que receberam quimioterapia e o risco de sua ocorrência varia conforme a idade do paciente, o protocolo de quimioterapia e da qualidade do sêmen antes do tratamento. Sendo assim, é de extrema importância a orientação correta destes pacientes, expondo esse risco e a possibilidade armazenamento do sêmen antes do tratamento.  
 
Naqueles pacientes submetidos a determinados tipos de hormonioterpia para câncer de mama e próstata é comum a ocorrência de perda de massa óssea e muscular. Estes pacientes precisam, muitas vezes, de reposição de cálcio, vitamina D e atividade física sob orientação.   
 
Por fim, mas não menos importante, encontra-se o dano psicológico causado pelo diagnóstico de câncer e pelo tratamento recebido, com todas as transformações inerentes a este processo. Sendo assim, um bom aconselhamento, antevendo as dificuldades, assim como um acompanhamento com um psicólogo com experiência em pacientes oncológicos tendem a minimizar esse impacto.
 
Minha Vida

Quando a cirurgia é indicada para pacientes com diverticulite?

Reprodução: Dicerticulite
São vários os tipos de cirurgia e as indicações dependem do quadro de cada paciente

Dr. João Ricardo Duda Coloproctologia - CRM 22961/PR   
 
O que é a diverticulite?
A doença diverticular dos cólons é consequência da herniação da mucosa que reveste internamente o intestino grosso entre as fibras musculares da parede muscular. As doenças diverticulares do intestino (diverticulite e diverticulose) eram raras até o final do século 19, sendo hoje epidêmica nos países ocidentais.
 
Aos 60 anos, o risco de se desenvolver doença diverticular é de 50%, porém não mais que 10% apresentarão sintomas, e uma parcela menor ainda necessitará de cirurgia. O aumento da incidência deve-se principalmente à drástica redução da ingestão de fibras alimentares.                             
 
A diverticulite aguda é uma complicação da doença diverticular decorrente de um processo infeccioso e inflamatório que se inicia dentro do divertículo.  
 
Em quais casos a cirurgia para diverticulite é indicada?
Quando o paciente não responde às medidas clínicas conservadoras ou sua condição está se deteriorando, é necessária uma intervenção cirúrgica urgente. Contudo, pacientes com dor e diverticulite aguda localizada, sem sinais e sintomas que sugiram comprometimento de sua condição sistêmica, podem ser tratados sem internação hospitalar. 
 
Não havendo melhora dos sintomas, recomenda-se a internação. Persistindo dos sintomas, se faz necessário novos exames radiológicos, a fim de se avaliar possíveis complicações - como perfuração livre do intestino, abscessos, peritonite generalizada e fístulas. Nestes casos, a cirurgia é indicada nos abscessos localizados que não responderam a drenagem guiada por radiologia, abscessos pélvicos ou intra-abdominais, pneumoperitôneo (ar livre dentro do abdômen) e peritonite (infecção abdominal) generalizada. 
 
As fistulas são comunicações do intestino com órgãos como a bexiga, a vagina e o ureter, condição essa que também requer tratamento cirúrgico. 
 
A decisão de se intervir cirurgicamente em pacientes com diverticulite sem complicação, ou seja, de forma eletiva, é um assunto sempre controverso. Normalmente é aceita nos casos de pacientes jovens (menos de 50 anos), com sinais obstrutivos, fistulas e dor crônica de difícil resolução.  
 
Já pacientes imunodeprimidos devem ser operados após a primeira crise não complicada, para se evitar uma segunda crise complicada.  
 
Quando a cirurgia para diverticulite não é indicada?
 
A cirurgia para diverticulite não é indicada:
 
- se a crise de diverticulite aguda é não complicada
 
- quando o paciente está bem do ponto de vista sistêmico e responde às medidas clínicas conservadoras
 
- se a crise de diverticulite aguda é complicada, com abscessos localizados que respondam a drenagem percutânea guiada por radiologia
 
- pacientes sem condições clínicas para tolerar uma cirurgia, por mais simples e rápida que possa ser
 
Opções cirúrgicas
A cirurgia pode ser pelas vias aberta e laparoscópica, onde a porção acometida e mais frequentemente ressecada é o cólon sigmóide. As modalidades cirúrgicas mais frequentes na crise de diverticulite aguda complicada são:                            
 
1. Ressecção e anastomose primária (cirurgia em um tempo): Vem sendo nos últimos anos a cirurgia de escolha, pois os estudos mostram menor morbidade de mortalidade. 
 
2. Cirurgia de Hartmann (cirurgia em dois tempos): Resseca-se o sigmóide, fecha-se o reto e confecciona-se uma colostomia com o cólon descendente ou transverso. O fechamento da colostomia, ligando-se o cólon ao reto acontece três meses após a primeira cirurgia. 
 
3. Sigmoidectomia e anastomose primária com ileostomia protetora: opção interessante pois desvia-se o trânsito intestinal da anastomose com uma bolsa de ileostomia, a qual é muito mais fácil de ser fechada do que a cirurgia de Hartmann, reduzindo as complicações no caso de abertura da ligação do cólon com o reto.  
 
Na cirurgia eletiva (fora do período da diverticulite complicada grave), sempre é realizada a resseção com anastomose primária. 
 
O maior risco na realização da cirurgia para diverticulite sempre é a deiscência da anastomose (junção do reto com o cólon através de suturas mecânicas ou manuais). Essa condição implica em vazamento de conteúdo fecal para a cavidade abdominal, muitas vezes tratada com nova cirurgia, com alta morbidade. Ademais, os riscos são como os de cirurgias em geral.
 
Minha Vida