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terça-feira, 29 de setembro de 2015

Dia Mundial do Coração: você sabe cuidar do seu? Saiba como evitar doenças

Depende de você manter uma alimentação saudável, parar de fumar, reduzir o sal da comida e praticar atividade física; veja mais conselhos de cardiologistas
 
As doenças que mais matam no mundo vêm lá do fundo do coração. No Brasil, mais de 300 mil vidas são interrompidas prematuramente por ano porque esse órgão vital parou de funcionar.
 
Pensando nisso, a Sociedade Brasileira de Cardiologia e a World Heart Federation, em alusão ao Dia Internacional do Coração celebrado hoje (29), querem reduzir em 25% as mortes prematuras por doenças cardiovasculares até 2025.
 
Para que isso aconteça, é preciso que a população não acenda mais cigarros, deixe de salpicar muito sal na comida, faça exercícios físicos, se mantenha dentro da faixa de peso ideal, controle o colesterol e glicemia e tenha atenção para que a pressão arterial não suba.
 
Parece difícil mudar hábitos? Saiba que essas mudanças podem salvar a sua vida.
 
“É preciso cuidar do coração desde sempre. Se não começou ainda, comece hoje”, diz a cardiologista e ex-presidente da Sociedade Interamericana de Cardiologia, Márcia Barbosa. “Sabemos que o processo de envelhecimento das artérias por aterosclerose (formação de placas gordurosas) começa muito cedo, ainda na infância, porque as crianças estão cada vez mais obesas”, alerta ela.
 
“É altamente prejudicial não estar atento ao fato da criança estar comendo comida inadequada, se está em sobrepeso, se fica na frente do computador ou TV em vez de praticar esporte ou fazer exercícios”, aconselha a médica.
 
Alguns riscos são genéticos. Algumas pessoas podem nascer com alguma predisposição a desenvolver arritmias cardíacas ou outros problemas no coração. Uma boa parte das ameaças ao órgão que comanda a vida é culpa dos maus hábitos.
 
O histórico familiar não é evitável, mas podemos mudar o cigarro. A pessoa pode parar de fumar, já que o cigarro contribui muito para aumentar a mortalidade prematura”, diz a médica. Ter hábitos saudáveis e visitar o cardiologista com regularidade ajuda a prevenir problemas.
 
Quem nunca ligou para o coração e, ao ler uma matéria, por exemplo, decide colocar a vida nos eixos e praticar exercícios físicos deve ficar atento ao conselho de Márcia, principalmente se estiver acima dos 30 anos: é preciso fazer exames médicos antes, verificar a pressão arterial, avaliar o colesterol e glicose no sangue, e fazer um teste ergométrico, para saber se o exercício vai ajudar em vez de atrapalhar.
 
Aqueles que já tem um problema sério no coração podem sofrer sérias consequências se fizerem exercícios físicos mais intensos.
 
“Sempre que for começar um exercício físico, é preciso iniciar com cuidado, ir devagar”, alerta a médica.
 
Mulheres depois da menopausa têm mais propensão a problemas cardíacos
Até a menopausa, a mulher tem a proteção hormonal contra problemas cardiovasculares, o que faz com que elas tenham um menor risco, comparado com os homens. Depois da queda dos hormônios, no entanto, o risco se iguala e ela precisa acompanhar a saúde cardíaca com mais rigor.
 
“Temos visto, no Brasil e no mundo um aumento de doenças cardiovasculares nas mulheres. Isso talvez seja porque elas se sentem mais protegidas e acham que problema no coração é coisa de homem, e não valorizam os sintomas. Com isso, fumam mais”, preocupa-se a ex-presidente da Sociedade Interamericana de Cardiologia.
 
Infarto, AVC e insuficiência cardíaca
Erra quem pensa que o câncer é a doença que mais mata no mundo. As doenças cardiovasculares estão no topo como provocadoras de mortes há muito, muito tempo. O infarto, o acidente vascular cerebral (AVC) e a insuficiência cardíaca lideram o ranking mortal.
 
Dentro do coração há uma bomba perfeita, o ventrículo esquerdo, que se contrai, joga o sangue na aorta e ela distribui para todo o coração. “A insuficiência cardíaca é quando o coração entra em falência, e é um mecanismo final de doenças do coração, que pode ser resultado de pressão arterial descontrolada por anos, ou de alguém que sofreu um infarto e teve morte das células do coração”, diz a médica.
 
Alimentação amiga do coração
O cardiologista e diretor da Unidade Clínica de Lípides do Incor em São Paulo, Raul dos Santos, explica que a alimentação é ponto chave para a boa saúde cardíaca. “Por conta da vida corrida, as pessoas têm cada vez menos tempo para cuidarem da saúde. Além disso, fatores como tabagismo e principalmente uma alimentação não balanceada aumentam o risco de a pessoa ter um problema cardíaco”.
 
Segundo ele, alguns nutrientes já comprovaram ser benéficos para o coração. É o caso do ômega 3, mais especificamente o DHA (ácido docosaexaenoico), que ajuda a manter o colesterol bom nos níveis.
 
“O DHA e o EPA (outro tipo de ômega 3), se consumidos dentro de um contexto de uma dieta, estão associados a redução dos problemas cardiovasculares, pois têm ações anti-inflamatórias, baixam a pressão arterial, o colesterol e possuem ação antiplaquetária evitando a agregação das plaquetas e formação de trombos arteriais”, detalha o médico. 
 
iG

Raio x atualizado do câncer

Doença, que pode chegar a 24 milhões de casos no mundo até 2035, tem dados alarmantes. Mas também pode ser prevenida e já não deve ser considerada uma sentença de morte
 
Aconteceu durante um exame de rotina. Ela não sabia que carcinoma — aquela palavra extravagante que aparecia no diagnóstico — tinha qualquer coisa a ver com câncer. Foi preciso o médico repetir duas, três vezes, até que Maria Isabel Teixeira, 63 anos, compreendesse que havia algo assustador em sua mamografia. “Mas o doutor foi muito atencioso, segurou na minha mão, explicou que o tumor estava no início, que talvez fosse preciso operar e que ia correr tudo bem”, contou à Radis, cinco anos, duas cirurgias, seis sessões de quimioterapia e 25 de radioterapia depois daquela tarde em maio de 2010. 
 
Dona Maria Isabel engrossa as robustas estatísticas da doença. No Brasil, entre 1990 e 2013, o número de novos casos de câncer de mama quase triplicou: saltou de 24,9 mil para 74,6 mil, de acordo com um levantamento publicado no final de maio por um grupo de pesquisadores no periódico Journal of the American Medical Association (JAMA Oncology), tornando-se o tipo de câncer de maior ocorrência entre mulheres no país, levando à morte 16,2 mil brasileiras. O estudo — intitulado de O Fardo Global do Câncer — traz dados sobre a incidência da doença e números de óbitos em todo o mundo (ver infográfico nas páginas 18 e 19). 
 
Segunda maior causa de morte em termos globais, atrás apenas das doenças coronarianas, o câncer matou, só em 2013, 8,2 milhões de pessoas no planeta — 213 mil delas, no Brasil. Para o professor da Escola de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), Itamar Santos, que integrou o grupo de pesquisadores envolvidos na elaboração do relatório, o principal fenômeno por trás da ampliação da incidência de cânceres é o aumento da expectativa de vida e o envelhecimento populacional. “À medida que a proporção de idosos aumenta, doenças mais frequentes nessa faixa etária ganham uma importância maior”, disse, em entrevista à Radis, lembrando que, como as pessoas estão vivendo mais e as causas de óbitos por outras doenças infecciosas vêm caindo em virtude de tratamentos mais efetivos, não é surpresa que o número de casos e mortes por câncer aumente. 
 
Por outro lado, o professor também faz questão de pontuar que os exames diagnósticos para câncer se tornaram mais sensíveis e acessíveis, o que explicaria em parte o aumento do número de casos detectados. “O câncer hoje é, em boa parte dos casos, uma doença curável e não deve ser encarada como uma sentença de morte”, sugere. Para a personagem que abre esta reportagem, foi um sobressalto, uma adversidade; nunca desespero. “Essa é uma doença ingrata, muito difícil, mas não achei que fosse morrer em nenhum momento”, diz Maria Isabel. Moradora de São Gonçalo, região metropolitana do Rio de Janeiro, ela agora faz apenas o controle pós-tratamento, com exames a cada seis meses, no Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (Inca), mesmo local onde realizou todo o tratamento. Em um dia comum, tem aulas de pintura em gesso e em tecido; noutros, faz bijuterias. Perdeu a timidez. Está prestes a realizar o seu maior sonho: “Vou conquistar a minha casa própria”, avisa aos que conversam com ela sob o pretexto da doença.
 
Câncer, Karkinos, caranguejo
O câncer é o nome dado a um conjunto de mais de 100 doenças que têm em comum o crescimento desordenado de células que invadem os tecidos e órgãos, podendo espalhar-se para outras regiões do corpo, no que ficou conhecido como metástase. Dividindo-se rapidamente, e de maneira incontrolável, as células determinam a formação de tumores ou neoplasias malignas. À diferença destes, um tumor benigno significa simplesmente uma massa localizada de células que se multiplicam vagarosamente e se assemelham ao seu tecido original, raramente constituindo um risco à vida.
 
A origem da palavra vem do grego karkinos, que significa caranguejo. Consta que foi usada pela primeira vez por Hipócrates, o pai da Medicina, para descrever um tumor com vasos sanguíneos inchados à sua volta, imagem que lhe pareceu a de um caranguejo com as patas abertas. Isso explica por que o nome da doença é o mesmo do marisco que, por sua vez, também batiza o signo do zodíaco e a constelação de Câncer. Seu aparecimento como doença remonta ao ano 2600 antes de Cristo — um papiro egípcio relata a existência de 48 doenças, uma delas definida como “massas salientes no peito e que se espalham pelo peito”, o que, para Siddhartha Mukherjee, autor de “O Imperador de todos os males — uma biografia do câncer”, é a descrição do câncer de mama. 
 
Mas, antes de tudo isso, há outras três coisas que precisam ser ditas sobre o câncer, a doença, como ensina a professora Gulnar Azevedo. Em seu gabinete, no Instituto de Medicina Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (IMS/UERJ), a pesquisadora enumera: “Em primeiro lugar, é preciso saber que muitos cânceres podem ser prevenidos, evitados. Segundo, quando detectados precocemente, outros podem ser tratados e curados. E, por último, para aqueles casos de tumores mais letais, ainda assim há muito a ser feito a fim de garantir que os pacientes tenham uma melhor qualidade de vida”.
 
Hoje, sabe-se que o câncer está vinculado a causas múltiplas, que vão desde a suscetibilidade genética até a condições determinadas por cultura, modos de vida e pelo ambiente. De acordo com a professora Gulnar, uma referência no assunto, o câncer vem aumentando por inúmeros motivos relacionados a fatores de risco associados à vida urbana, à industrialização, à poluição atmosférica, ao sedentarismo, ao tabagismo e à obesidade, entre outros. “Envelhecer não dá câncer. Mas à medida que as pessoas envelhecem, elas também ficam mais tempo expostas a esses fatores de risco”, diz ela. “Se a gente vivesse em condições ideais, onde tais fatores fossem controlados, provavelmente as pessoas morreriam menos de câncer”. 
 
Estimativas
Para 2015, estima-se que ocorram no Brasil aproximadamente 576 mil casos novos de câncer. Os dados integram um levantamento realizado pelo Inca a cada dois anos. Intitulada Estimativas, a publicação atualiza e contextualiza os dados sobre a doença no Brasil e reúne informações válidas para o biênio. Este ano, o câncer de pele do tipo não melanoma será o mais incidente na população brasileira: 182 mil casos novos, seguido pelos tumores de próstata (69 mil), mama feminina (57 mil), cólon e reto (33 mil), pulmão (27 mil), estômago (20 mil) e colo do útero (15 mil). 
 
Sem considerar os casos de câncer de pele, o relatório aponta para a incidência de 395 mil casos novos: 204 mil para o sexo masculino e 190 mil para o feminino. Em homens, os tipos mais incidentes serão os cânceres de próstata, pulmão, cólon e reto, estômago e cavidade oral; e, nas mulheres, os de mama, cólon e reto, colo do útero, pulmão e glândula tireoide. Guardadas as devidas proporções e especificidades, os dados no Brasil refletem os números mundiais. Em fevereiro, a Organização Mundial da Saúde (OMS) advertiu que o mundo corre o risco de enfrentar um “maremoto” de casos de câncer nos próximos anos. Até 2035, o número de novos casos pode chegar a 24 milhões.
 
Apesar desse alarme, mais do que um inimigo feroz e ameaçador, o câncer deve ser visto como um problema de saúde pública a ser combatido com múltiplas ações, como preconiza o relatório do Inca, o que inclui trabalhos de educação para saúde; prevenção orientada para indivíduos e grupos; geração de opinião pública; apoio e estímulo à formulação de legislação específica para o enfrentamento de fatores de risco relacionados à doença; e fortalecimento de ações em escolas e ambientes de trabalho. Para Gulnar, o câncer é um problema de todos. “O acesso ao tratamento no Brasil está aumentando mas a conscientização em torno do assunto ainda está muito longe de acontecer”, diz. “O desafio é pensar uma rede de articulação de políticas de saúde, educação, comunicação para construir uma rede de enfrentamento do problema”. 
 
Jogo de contrastes
Se a má notícia é que, no cenário atual, o mundo vai continuar contraindo o câncer e morrendo em decorrência da doença, como apontam as estatísticas, a boa é que muitos tipos começam a ser controlados. Segundo a OMS, cerca de metade deles pode ser prevenida. Os dados das pesquisas relativas ao câncer sofrem alterações, dependendo da região do globo e do nível de desenvolvimento de cada país. Cânceres associados à pobreza, como os de colo do útero, estômago e cavidade oral, costumam ter maior incidência em países emergentes. Enquanto em países com um melhor nível socioeconômico, observa-se um aumento na prevalência de tumores de mama, próstata e cólon/reto. Segundo o levantamento publicado no JAMA Oncology, o câncer de boca é o mais diagnosticado na Índia, por exemplo, mesmo que tenha baixa ocorrência em termos globais.
 
A incidência do câncer de colo uterino também é maior em países menos desenvolvidos. Em geral, ela começa a partir de 30 anos, aumentando seu risco rapidamente até atingir o pico etário entre 50 e 60 anos. De acordo com o relatório do Inca, esse câncer foi responsável pelo óbito de 265 mil mulheres em 2012, sendo que 87% desses óbitos ocorreram em países em desenvolvimento. No Brasil, o jogo de contrastes se faz evidente de uma região para outra ou ainda se forem consideradas as diferenças entre capital e municípios do interior. 
 
Um estudo publicado em 2015 na Revista de Saúde Pública comprova essa disparidade ao analisar a evolução da mortalidade por câncer do colo uterino e de mama no país, segundo indicadores socioeconômicos e assistenciais, no período entre 1980 e 2010. No interior das regiões Norte e Nordeste e nas capitais da região Norte, as taxas de mortalidade por câncer de mama continuam em ascensão, mas caem nas demais regiões do país. Quanto ao câncer de colo do útero, a análise mostrou queda significante das taxas de mortalidade nas capitais e demais municípios das regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste. Enquanto nas regiões Norte e Nordeste, houve queda nas capitais e aumento no interior. O maior percentual de queda foi observado nas capitais da região Nordeste.
 
“O risco dos cânceres associados a condições de vida ruim vem diminuindo em países com mais recursos não apenas em função do acesso a médicos e tratamentos, mas por uma melhora nas condições de vida da população”, analisa Gulnar, uma das autoras do estudo, juntamente com as pesquisadoras Vânia Girianelli e Carmen Gamarra. Ela explica ainda que o caso do câncer do colo do útero é um exemplo de câncer que pode ser evitado. “Como o rastreamento evita a lesão antes de virar tumor maligno invasivo, é possível diminuir a incidência”, diz, reforçando a importância da prevenção.
 
Marciene Maria da Silva tem 42 anos e três filhos. Seus dois netos nasceram depois de ela ter sido diagnosticada com câncer do colo uterino, há sete anos. No Recife, onde mora, encarou a doença como uma leoa. Quando foi detectado, o câncer já exigia uma histerectomia — cirurgia para retirada do útero. No Hospital do Câncer, fez o procedimento e todas as sessões de radioterapia. Depois de seis meses de licença pelo INSS, voltou às funções de doméstica e à vida normal. “Foi um susto enorme. Ouvir um diagnóstico como esse é terrível. Mas é preciso seguir o tratamento, manter o equilíbrio. O importante é saber que ter câncer não significa que você vai morrer”, diz, ao olhar pra trás, feliz com os resultados de seu controle semestral.
 
De acordo com o Inca, atividade fundamental para o controle da doença é o monitoramento continuado dos programas de prevenção e controle implementados para combater o câncer e seus fatores de risco. Esse monitoramento inclui a supervisão e a avaliação dos programas como atividades necessárias para o conhecimento do andamento e do impacto no perfil de morbimortalidade da população, assim como a manutenção de um sistema de informações de qualidade, que subsidie análises epidemiológicas como produto dos sistemas de vigilância.
 
“Sopa para o azar”
Em janeiro deste ano, um artigo polêmico movimentou a imprensa mundial e o mundo das pesquisas sobre o câncer. Publicado no conceituado periódico norte-americano Science por pesquisadores da John Hopkins University, o estudo afirmava que o principal fator de risco do câncer não tinha relação com fatores externos como cigarro e radiação solar, mas sim com mutações genéticas que ocorrem ao acaso. Ou seja, segundo os pesquisadores, mais do que por fatores hereditários ou ambientais, dois terços dos casos de câncer do planeta aconteciam por uma questão de azar. E, sendo assim, o foco deveria recair sobre a detecção precoce ao invés da prevenção.
 
O estudo provocou reações controversas e causou burburinho. É sabido que, para uma pessoa desenvolver câncer, existe sim uma fração atribuída ao acaso. Mas, para muitos pesquisadores, a busca pelas causas precisa continuar antes de tudo. O diretor da Agência Internacional para Pesquisa em Câncer (Iarc/OMS), Christopher Wild, publicou artigo na revista Rede Câncer do Inca, em que defende que, se mal interpretada, esta afirmação pode resultar em consequências negativas tanto em relação à pesquisa do câncer quanto às perspectivas de saúde pública. “Concluir que o ‘azar’ é a principal causa do câncer é enganoso e pode prejudicar os esforços para identificar as causas da doença e sua efetiva prevenção”, escreveu.
 
Para a professora Gulnar, antes de mais nada, é preciso investir em medidas de prevenção em vez de dar “sopa para o azar”. Ela cita o exemplo do controle do tabagismo, que vem diminuindo os índices de câncer de pulmão e de outros tumores associados ao fumo desde que a legislação antitabagismo e outras medidas preventivas acabaram provocando uma redução no hábito de fumar do brasileiro. Para Itamar Santos, as políticas públicas e a mudança da relação da sociedade com o tabagismo vêm trazendo importantes avanços no combate a várias doenças, dentre elas o câncer de pulmão. “O número de casos que ainda ocorre — e o relatório O fardo global do câncer aponta 29 mil vítimas no Brasil em 2013 — só demonstra que estratégias que diminuam a prevalência de tabagismo na população devem ser reforçadas ainda mais”, conclui.
 
Autor:  Ana Cláudia Peres
 
Gráfico: câncer no Brasil
Data de publicação: 01/08/2015       
Autor: Felipe Plauska
 
Blog da Saúde

Abertas onze consultas públicas sobre métodos e monografias para Farmacopeia

 
As propostas tratam de métodos gerais e monografias da Farmacopeia Mercosul, para inclusão na Farmacopeia Brasileira.
 
As consultas ficaram abertas à contribuição entre os dias 02 e 16 de outubro.
 
Nesse período será possível enviar comentários e sugestões ao texto inicial.
 
Não é necessário o envio das contribuições por e-mail ou por protocolo físico.
 
ANVISA

Qual será o futuro dos hospitais?

 
Ambientes que mais se parecem com áreas de hotéis, muita tecnologia, eliminação de papel, hiperconexão, robôs fazendo cirurgias e equipamentos cada vez mais modernos e eficientes compõem o cenário futurístico imaginado para os prestadores de serviços em saúde.
 
Quer saber mais sobre o Hospital do Amanhã?
O futuro dos hospitais também promete redução das filas de espera, prontuários únicos, independentemente das instituições pelas quais o paciente passe, comunicação e envio dos dados onde quer que ele esteja, por meio de sensores e telemedicina, e uso intensivo de inteligência artificial para organizar os sistemas de saúde.
 
Porém, mais do que coisas, o hospital que veremos daqui alguns anos precisará mudar sua forma de agir, mantendo-se flexível, respondendo rapidamente às demandas, buscando inovação e sempre trabalhando para equalizar qualidade, eficiência, segurança e custos.
 
O presidente da American Hospital Association (Associação Americana de Hospitais), Richard J. Umbdenstock, explica, em publicação do American College of Healthcare Executives (Colégio Americano de Executivos de Saúde), que os hospitais continuarão a ser mais integrados, correr mais riscos e assumir mais responsabilidades.
 
Para Umbdenstock, a integração se dará entre hospitais, entre hospitais e médicos, entre hospitais e serviços pós-internação, alguns com fontes pagadoras e outros com recursos baseados em comunidades locais. Ver o hospital como um coordenador dos procedimentos pelos quais o paciente vai passar deve levar a uma melhoria geral de saúde da população e a serviços mais eficientes.
 
O executivo aponta também que será necessário assumir algum nível de risco financeiro para ser bem-sucedido no mercado. As fontes pagadoras, ao menos nos Estados Unidos, já trabalham com penalidades para instituições que não atingem as métricas de performance, como índices de readmissões e condições adquiridas durante a internação. Essa tendência, junto com a migração para o pagamento por pacotes, também nos Estados Unidos, exigirá mais do que fazer mais com menos.
 
Será preciso fidelizar médicos e pacientes e mostrar os benefícios de se entrar num sistema integrado, dentro de uma mesma instituição ou que, pelo menos estejam interligadas em algum modelo de parceria, para evitar a fuga de receitas.
 
Por fim, o mercado, especialmente o consumidor final, exigirá mais transparência, o que obrigará os hospitais a disponibilizar informações sobre seus desempenho, para que os pacientes decidam onde se tratar. O uso de dados também irá estimular a redução de disparidades nos tratamentos, melhorando a qualidade e reduzindo custos como um todo.
 
Saúde Business

Ministério da Saúde disponibiliza até 13 de outubro duas consultas públicas

O Ministério da Saúde disponibiliza duas consultas públicas para receber sugestões e críticas
 
Os interessados têm até o próximo dia 13 de outubro para se manifestar sobre os seguintes assuntos:
 
“Proposta de incorporação do agente imunomodulador (Impact®) para uso no pré-operatório de cirurgias oncológicas gastrointestinais eletivas de grande porte” e “Proposta de incorporação do ombitasvir, veruprevir, ritonavir e dasabuvir para o tratamento da hepatite C crônica”.
 
→ Proposta de incorporação do ombitasvir, veruprevir, ritonavir e dasabuvir para o tratamento da hepatite C crônica – Consulta pública Nº 26
 
- Confira aqui o relatório técnico de recomendação
 
- Para dar sua contribuição técnica, clique aqui
 
- Para contribuir com sua experiência ou opinião, clique aqui
 
→ Proposta de incorporação do agente imunomodulador (Impact®) para uso no pré-operatório de cirurgias oncológicas gastrointestinais eletivas de grande porte – Consulta pública Nº 26

- Confira aqui o relatório técnico de recomendação

- Relatório para a sociedade pode ser conferido aqui

- Para dar sua contribuição técnica, clique aqui

- Para contribuir com sua experiência ou opinião, clique aqui
 
Consulta pública*
Consulta Pública é um mecanismo de publicidade e transparência utilizado pela Administração Pública para receber informações, opiniões e críticas da sociedade a respeito de determinado tema. Esse instrumento objetiva ampliar a discussão sobre o assunto e embasar as decisões sobre formulação e definição de políticas públicas.
 
Texto: Comunicação Interna/ASCOM/GM/MS com informações da Conitec
 
Blog da Saúde

Puerpério: período pós-parto requer cuidados especiais

O nascimento de um filho, além de encher a família de alegria, é um momento que a atenção se volta para o bebê. Mas durante este período, o cuidado com a mãe é muito importante. Ela também passou por momentos intensos, em alguns casos até por uma cirurgia, como em um parto cesáreo
 
O período após o parto, chamado puerpério, é o momento em que ocorrem intensas modificações físicas e psicológicas nas mulheres num curto espaço de tempo. Juntas, essas características contribuem para aumentar a insegurança da mãe em relação aos cuidados necessários para garantir a saúde do seu bebê e dela própria nesta fase inicial da maternidade.
 
Pensando na adaptação com o novo bebê e recuperação após o parto, a equipe de enfermeiros da Maternidade do Hospital Universitário Professor Alberto Antunes, vinculada à Universidade Federal de Alagoas (Hupaa-Ufal), iniciou um projeto voltado para mães recém-paridas. O “Preparo para a Alta: construindo o cuidado” busca orientar as mães no autocuidado materno em todos os seus aspectos.
 
A equipe reúne as mães que já receberam a alta hospitalar e aguardam a liberação para repassar informações sobre cuidados com elas e com os recém-nascidos. Além disso, esclarecem as mães sobre questões como o registro civil, consultas do bebê no hospital, aleitamento materno, carteira de vacinação, entre outras informações essenciais para o desenvolvimento da criança.
 
A enfermeira-chefe da Maternidade do Hospital Universitário Professor Alberto Antunes, Sônia dos Santos, conta que o projeto surgiu de algo que já fazia parte da rotina diária da equipe.“Estas orientações são da competência da equipe de enfermagem, mas eram dadas informalmente, sem um controle personalizado. Hoje, temos este momento diário com todas as puérperas para uma conversa. Usamos um álbum que de forma lúdica nos ajuda a transmitir as informações e tirar as dúvidas da família”, disse. 
 
Além de orientações sobre a amamentação e a higiene do bebê, o momento foca nos cuidados da mãe após o parto. Assuntos como a atenção necessária com a ferida operatória, em caso de parto cesáreo, ou a episiotomia, que é corte próximo à vagina, repouso e o retorno às atividades sexuais são abordados.
 
Para as mamães que acabaram de ter bebê, o Ministério da Saúde recomenda alguns cuidados para o período do puerpério. O Blog da Saúde separou alguns deles, extraídos da Caderneta da Gestante para ajudar neste momento tão especial:
 
Se o parto foi normal
Se houve corte próximo à vagina (episiotomia), mantenha a cicatriz bem limpa, lavando-a com sabonete durante o banho ou após fazer suas necessidades, e secando bem o local.

A região em cicatrização pode ficar dolorida. Os pontos devem cair sozinhos.
 
Se o bebê nasceu de cesariana
Mantenha a cicatriz bem limpa, lavando com sabonete durante o banho e secando-a bem. Os pontos deverão ser retirados de 8 a 10 dias, na Unidade de Saúde.
 
O útero estará voltando ao tamanho normal. Por isso é comum ter cólicas, que, às vezes, aumentam durante a amamentação. Por mais ou menos um mês pode acontecer uma secreção que sai pela vagina, que no início é como um sangramento e depois vai diminuindo e clareando gradativamente.
 
Se houver dor na parte de baixo da barriga, sangramento vaginal com cheiro desagradável e febre, o recomendado é procurar rapidamente uma Unidade de Saúde. Pode haver um quadro de infecção que necessita de tratamento.
 
A mãe passou por transformações da gestação e do parto, e poderá se sentir frágil e insegura em alguns momentos. Se esses sentimentos aparecerem, é fundamental lembrá-la de que esta fase é passageira e que logo ela e o bebê estarão mais confortáveis nesta nova vida.
 
Consulta pós-parto
A mãe e o bebê devem retornar à Unidade de Saúde na primeira semana após o parto. Sempre que possível, acompanhada do pai do bebê ou do(a) parceiro(a) ou um familiar.
 
O atendimento nesse período é importante para:
• saber como está a saúde da mãe e do bebê;
• avaliar a amamentação e o sangramento vaginal;
• observar a cicatrização e retirar pontos, se necessário;
• examinar o bebê, vacinar e realizar o teste do pezinho;
• discutir se deseja ou não uma nova gravidez e sobre os métodos anticoncepcionais.
 
As relações sexuais deverão aguardar em média 40 dias, tempo para o organismo da mulher se recuperar. Independentemente do tipo de parto, é comum a vagina ficar ressecada e poderá haver certo desconforto na relação sexual, mas o corpo deve voltar ao normal.
 
Existem muitos métodos de evitar filhos, sendo alguns mais indicados durante o período de amamentação. É direito das mulheres e dos homens conhecerem todos os métodos e suas indicações para uma escolha mais apropriada. Por isso, se possível, as consultas devem ser acompanhadas pelo companheiro para que juntos com o profissional de saúde, possam escolher o método mais adequado nessa fase.
 
Os recém-nascidos também necessitam de uma série de cuidados especiais. Saiba mais na matéria do Blog da Saúde.
 
 
Foto: LiAndStudio

Quais os cuidados após o término do tratamento do câncer?

Consultas e exames para verificar um novo tumor ou recidiva fazem parte da rotina 

Dr. Tiago Biachi de Castria - Oncologia - CRM 141396/SP
 
Diariamente os oncologistas são bombardeados com uma grande quantidade de informação a respeito de novos tratamentos e novos testes moleculares. A despeito dessa corrida frenética pela incorporação de novas tecnologias, todo especialista deve atentar para os cuidados necessários nesse momento importante da vida do paciente, que é o seguimento após o término do tratamento São três os grandes motivos que tornam esses cuidados de extrema importância: o diagnóstico precoce da recidiva, o diagnóstico precoce de um segundo câncer e a manutenção da saúde, com enfoque nas potenciais toxicidades causadas pelo tratamento.

Sem dúvida o medo da recidiva do câncer é o que mantém o paciente mais próximo do seu oncologista. Neste contexto, existem protocolos bem definidos de seguimento de cada tumor, sendo que em alguns casos são necessários exames de imagem enquanto em outros esse seguimento baseia-se no exame físico e anamnese. 
 
Outro aspecto importante a ser seguido é a ocorrência de um segundo tumor primário. Isso se deve à toxicidade ao tratamento (quimioterapia ou radioterapia) ou eventualmente a um fator de risco comum aos dois tumores (tabagismo, por exemplo). Leucemias podem ocorrer dentro de dois a cinco anos após a exposição a agentes alquilantes, inibidores da topoisomerase ou platinas. Agentes alquilastes também aumentam o risco de câncer de pulmão, câncer gastrointestinal, câncer de mama, de bexiga e sarcomas. Tumores induzidos pela radioterapia costumam ocorrer em um momento mais tardio, de cinco a dez anos após o tratamento e está associado à dose utilizada, extensão do campo e idade ao tratamento.    
 
Além da indução de novos tumores, os agentes utilizados no tratamento oncológico podem induzir danos às estruturas até então sadias. A toxicidade cardíaca é uma preocupação constante naqueles que tratam câncer de mama, por exemplo. Isso se deve à natureza cardiológica das drogas utilizadas, como trastuzumabe e doxorrubicina. A neuropatia periférica, bastante comum naqueles expostos à oxaliplatina, pode manifestar desde um formigamento discreto até dor incapacitante com limitação funcional. 
 
A infertilidade masculina é frequente naqueles pacientes que receberam quimioterapia e o risco de sua ocorrência varia conforme a idade do paciente, o protocolo de quimioterapia e da qualidade do sêmen antes do tratamento. Sendo assim, é de extrema importância a orientação correta destes pacientes, expondo esse risco e a possibilidade armazenamento do sêmen antes do tratamento.  
 
Naqueles pacientes submetidos a determinados tipos de hormonioterpia para câncer de mama e próstata é comum a ocorrência de perda de massa óssea e muscular. Estes pacientes precisam, muitas vezes, de reposição de cálcio, vitamina D e atividade física sob orientação.   
 
Por fim, mas não menos importante, encontra-se o dano psicológico causado pelo diagnóstico de câncer e pelo tratamento recebido, com todas as transformações inerentes a este processo. Sendo assim, um bom aconselhamento, antevendo as dificuldades, assim como um acompanhamento com um psicólogo com experiência em pacientes oncológicos tendem a minimizar esse impacto.
 
Minha Vida

Quando a cirurgia é indicada para pacientes com diverticulite?

Reprodução: Dicerticulite
São vários os tipos de cirurgia e as indicações dependem do quadro de cada paciente

Dr. João Ricardo Duda Coloproctologia - CRM 22961/PR   
 
O que é a diverticulite?
A doença diverticular dos cólons é consequência da herniação da mucosa que reveste internamente o intestino grosso entre as fibras musculares da parede muscular. As doenças diverticulares do intestino (diverticulite e diverticulose) eram raras até o final do século 19, sendo hoje epidêmica nos países ocidentais.
 
Aos 60 anos, o risco de se desenvolver doença diverticular é de 50%, porém não mais que 10% apresentarão sintomas, e uma parcela menor ainda necessitará de cirurgia. O aumento da incidência deve-se principalmente à drástica redução da ingestão de fibras alimentares.                             
 
A diverticulite aguda é uma complicação da doença diverticular decorrente de um processo infeccioso e inflamatório que se inicia dentro do divertículo.  
 
Em quais casos a cirurgia para diverticulite é indicada?
Quando o paciente não responde às medidas clínicas conservadoras ou sua condição está se deteriorando, é necessária uma intervenção cirúrgica urgente. Contudo, pacientes com dor e diverticulite aguda localizada, sem sinais e sintomas que sugiram comprometimento de sua condição sistêmica, podem ser tratados sem internação hospitalar. 
 
Não havendo melhora dos sintomas, recomenda-se a internação. Persistindo dos sintomas, se faz necessário novos exames radiológicos, a fim de se avaliar possíveis complicações - como perfuração livre do intestino, abscessos, peritonite generalizada e fístulas. Nestes casos, a cirurgia é indicada nos abscessos localizados que não responderam a drenagem guiada por radiologia, abscessos pélvicos ou intra-abdominais, pneumoperitôneo (ar livre dentro do abdômen) e peritonite (infecção abdominal) generalizada. 
 
As fistulas são comunicações do intestino com órgãos como a bexiga, a vagina e o ureter, condição essa que também requer tratamento cirúrgico. 
 
A decisão de se intervir cirurgicamente em pacientes com diverticulite sem complicação, ou seja, de forma eletiva, é um assunto sempre controverso. Normalmente é aceita nos casos de pacientes jovens (menos de 50 anos), com sinais obstrutivos, fistulas e dor crônica de difícil resolução.  
 
Já pacientes imunodeprimidos devem ser operados após a primeira crise não complicada, para se evitar uma segunda crise complicada.  
 
Quando a cirurgia para diverticulite não é indicada?
 
A cirurgia para diverticulite não é indicada:
 
- se a crise de diverticulite aguda é não complicada
 
- quando o paciente está bem do ponto de vista sistêmico e responde às medidas clínicas conservadoras
 
- se a crise de diverticulite aguda é complicada, com abscessos localizados que respondam a drenagem percutânea guiada por radiologia
 
- pacientes sem condições clínicas para tolerar uma cirurgia, por mais simples e rápida que possa ser
 
Opções cirúrgicas
A cirurgia pode ser pelas vias aberta e laparoscópica, onde a porção acometida e mais frequentemente ressecada é o cólon sigmóide. As modalidades cirúrgicas mais frequentes na crise de diverticulite aguda complicada são:                            
 
1. Ressecção e anastomose primária (cirurgia em um tempo): Vem sendo nos últimos anos a cirurgia de escolha, pois os estudos mostram menor morbidade de mortalidade. 
 
2. Cirurgia de Hartmann (cirurgia em dois tempos): Resseca-se o sigmóide, fecha-se o reto e confecciona-se uma colostomia com o cólon descendente ou transverso. O fechamento da colostomia, ligando-se o cólon ao reto acontece três meses após a primeira cirurgia. 
 
3. Sigmoidectomia e anastomose primária com ileostomia protetora: opção interessante pois desvia-se o trânsito intestinal da anastomose com uma bolsa de ileostomia, a qual é muito mais fácil de ser fechada do que a cirurgia de Hartmann, reduzindo as complicações no caso de abertura da ligação do cólon com o reto.  
 
Na cirurgia eletiva (fora do período da diverticulite complicada grave), sempre é realizada a resseção com anastomose primária. 
 
O maior risco na realização da cirurgia para diverticulite sempre é a deiscência da anastomose (junção do reto com o cólon através de suturas mecânicas ou manuais). Essa condição implica em vazamento de conteúdo fecal para a cavidade abdominal, muitas vezes tratada com nova cirurgia, com alta morbidade. Ademais, os riscos são como os de cirurgias em geral.
 
Minha Vida

A Dieta do Sangue: Como Funciona, Cardápio e Dicas

Também conhecida como dieta do tipo sanguíneo, a dieta do sangue sugere um cardápio diferente para cada um dos tipos de sangue e tem feito bastante sucesso entre os famosos, tendo atraído a atenção de artistas como a atriz Cláudia Raia, que afirma ter eliminado 7 kg com a dieta
 
Baseada no consumo de alimentos específicos para cada um dos quatro grupos sanguíneos, a dieta do sangue promete uma melhora da saúde e a perda de peso de maneira natural. Saiba um pouco mais sobre uma das dietas mais conhecidas – e controversas – dos últimos anos.
 
Tipos de Sangue 
Chama-se de tipo sanguíneo a classificação do sangue de acordo com a presença de substâncias (hereditárias) antigênicas na superfície das hemácias (células vermelhas do sangue). Embora existam atualmente 35 sistemas diferentes para classificar os diferentes tipos de sangue, o sistema ABO ainda é o mais importante deles.
 
Através desse sistema de classificação, temos os tipos sanguíneos O, A, B e AB, sendo o primeiro o mais comum e o tipo AB o mais raro de todos. Cerca de 50% da população mundial possui sangue do tipo O, enquanto outros 36% são do tipo A, 10% do tipo B, e 4% do tipo AB.
 
O que é a Dieta do Tipo Sanguíneo?
Desenvolvida na metade da década de 90 pelo médico naturopata Peter J. D’Adamo, autor do livro “A Dieta do Tipo Sanguíneo”, a dieta do sangue sugere que seu tipo sanguíneo determina quais alimentos são mais indicados para sua saúde.
 
De acordo com o Dr. D’Adamo, as comidas que consumimos reagem com nosso tipo sanguíneo, o que significa que ingerir os alimentos adequados para nosso tipo sanguíneo irá deixar nossa digestão mais eficiente e também irá evitar uma reação negativa por parte do organismo (o que pode acontecer quando optamos por alimentos aos quais somos “intolerantes”).
 
Isso ocorre porque cada um dos quatro grupos sanguíneos possui seu próprio “marcador” de antígeno, ou seja, uma substância que o corpo reconhece como sendo estranha (externa). Esse antígeno reage de maneira negativa com alguns alimentos, podendo causar uma série de complicações de saúde – como inflamações, alergias, intolerâncias e até mesmo levar ao ganho de peso.
 
Outra teoria proposta pelos defensores da Dieta do Sangue sugere que cada tipo sanguíneo produz uma quantidade específica de suco gástrico e de enzimas digestivas, motivo pelo qual seguir um plano alimentar específico para seu tipo sanguíneo pode melhorar a digestão e a absorção de nutrientes, resultando na perda de peso.
 
Como Funciona a Dieta do Sangue?
Para o Dr. D’Adamo e demais apoiadores da dieta, o princípio que a torna plausível reside no fato que os diferentes tipos de sangue surgiram em diferentes períodos da História, e portanto faz sentido consumir o que nossos ancestrais consumiam à época do surgimento do nosso tipo sanguíneo.
 
Vejamos na prática como isso funciona:
 
– Tipo O
Considerado o mais antigo e mais comum dos tipos sanguíneos, o tipo O surgiu há mais de 50.000 anos, em uma época em que nossos antepassados alimentavam-se basicamente do que obtinham através da caça.
 
Baseado nessa premissa, o Dr. D’Adamo sugere que pessoas com sangue do tipo O consumam uma dieta rica em proteínas e carnes – algo semelhante à dieta das proteínas que estão atualmente na moda, que desestimulam o consumo de carboidratos. 
 
– Tipo A
O tipo sanguíneo A surgiu por volta de 17 mil anos atrás, em um período que já não era mais de caça e coleta, mas sim de cultivo e colheita em comunidades rurais ainda muito rústicas. O fato do sangue tipo A ter aparecido nessa época sugere que os portadores desse tipo de sangue podem se beneficiar de uma dieta vegetariana, já que nossos antepassados muito provavelmente não estavam consumindo muita proteína de origem animal quando do surgimento do sangue tipo A.
 
– Tipo B
Há cerca de 12 mil anos nossos antepassados começaram a deixar suas pequenas propriedades onde cultivavam legumes e verduras e passaram a vagar pela terra, mudando constantemente de um lugar para outro. Devido às constantes mudanças de habitat, a dieta do homem nômade era bastante diversa, e de acordo o Peter J. D’Adamo, assim deve ser a alimentação dos indivíduos com sangue tipo B: variada, com carnes, vegetais, laticínios e grãos.
 
– Tipo AB
O sangue do tipo AB surgiu há pouco mais de mil anos, a partir da combinação do sangue dos conquistadores mongóis com o sangue dos europeus. Essa mistura também se traduz na alimentação, já que o portador do tipo sanguíneo AB se beneficia dos alimentos indicados tanto para o sangue tipo A quanto para o tipo B.
 
O livro “A Dieta do Tipo Sanguíneo” sugere para esse grupo alimentos como frutos do mar, leguminosas (feijão, soja, grão de bico), tofu, laticínios e grãos. Já opções como milho, carne vermelha e frango não devem fazer parte do cardápio de quem tem sangue do tipo AB.
 
Lectina
O Dr. D’Adamo sustenta parte de sua teoria sobre a dieta do sangue na ação das lectinas, proteínas que se encontram na superfície de determinados alimentos e que podem causar uma série de complicações de saúde.
 
De acordo com o naturopata, a lectina (que está presente sobretudo na lentilha e no feijão vermelho) seria particularmente nociva a portadores de sangue do tipo A, e sua ingestão poderia provocar desde a aglutinação das células do sangue até cirrose e insuficiência renal.
 
Para quem está de olho na balança, as lectinas poderiam também causar inflamação da parede intestinal, favorecendo o acúmulo de gordura e reduzindo o metabolismo, além de também favorecer a retenção de líquidos. Ou seja, seu consumo poderia não somente dificultar a perda de peso como até mesmo estimular o acúmulo de gorduras extras.
 
Existe de fato a evidência de que a lectina presente em alguns tipos de leguminosas cruas pode causar aglutinação em um determinado tipo de sangue, mas estudos sugerem que a grande maioria das lectinas reage com todos os tipos de sangue. Ou seja, todos devem evitar o consumo de leguminosas sem cozimento, e não somente quem tem sangue do tipo A.
 
Como no entanto a maioria das pessoas já possui o hábito de consumir feijões e lentilhas cozidas, a lectina não parece ser um grande problema que possa atrapalhar a dieta.
 
Benefícios da dieta do sangue
De acordo com D’Adamo, são muitos os benefícios da dieta do sangue para a saúde. Dentre os principais, temos:
 
- Perda de peso, após a fase inicial de liberação de toxinas e gordura;
 
- Prevenção contra doenças como o câncer, diabetes, doenças cardíacas e até mesmo cirrose hepática;
 
- Combate aos radicais livres e consequente prevenção do envelhecimento precoce;
 
- Prevenção de infecções e alguns tipos de viroses mais comuns.
 
Além disso, a dieta do sangue também pode aumentar os níveis de energia, melhorar o humor e combater a má digestão, levando a uma melhora do bem estar em geral.
 
O que diz a ciência?
Existem estudos que comprovam que pessoas com determinado tipo sanguíneo podem ter uma propensão maior ou menor a certas doenças. Como exemplo, temos que pessoas com sangue tipo O apresentam menor risco de doenças cardíacas, ao mesmo tempo que apresentam maior probabilidade de sofrer com úlceras estomacais.
 
O que não existe, no entanto, são estudos vinculando essas probabilidades ao tipo de alimentação. A grande maioria da comunidade científica afirma que não há qualquer ligação entre o tipo sanguíneo e a dieta que devemos seguir no dia a dia.
 
Um estudo amplo com 1.455 adultos submetidos à dieta do tipo sanguíneo A (com muitas verduras, legumes e frutas) demonstrou uma melhora da saúde como um todo, mas esse resultado foi observado em todas as pessoas que seguiram a dieta – e não somente aquelas com sangue do tipo A.
 
Não existem, assim, pesquisas que comprovem as afirmações do Dr. Peter J. D’Adamo quanto à relação do tipo de sangue e os alimentos mais indicados para cada um deles.
 
Outra preocupação sobre essa dieta se refere ao fato dos grupos O e A restringirem dois grandes grupos alimentares (carboidratos e proteínas de origem animal, respectivamente), o que pode causar deficiências nutricionais em longo prazo.
 
Muitos profissionais afirmam, no entanto, que consumir uma dieta rica em verduras, legumes, proteínas magras e pobre em gorduras saturadas e alimentos processados pode ser a melhor opção para quem está acima do peso ou então está preocupado com a saúde.
 
Mas a Dieta do Sangue funciona mesmo?
De maneira geral, a dieta do sangue estimula o consumo de verduras e legumes e sugere uma diminuição drástica na ingestão de alimentos processados e carboidratos refinados. Por si só, essas duas recomendações já podem ser suficientes para levar à perda de peso, independentemente do tipo sanguíneo.
 
Isso significa que a perda de peso está relacionada à adoção de hábitos alimentares mais saudáveis à mesa e à prática de atividade física, e não exatamente ao tipo sanguíneo.
 
Portanto, podemos concluir que a dieta do sangue funciona porque propõe uma alimentação mais natural e também porque restringe o consumo de determinados grupos alimentares – e não exatamente porque os alimentos tenham uma reação específica de acordo com cada tipo sanguíneo.
 
Alimentos para cada tipo sanguíneo
Já vimos que na dieta do sangue cada um dos quatro tipos sanguíneos deve basear sua dieta em um determinado tipo de alimentação a fim de obter melhores resultados para a saúde. Baseado neste princípio, o Dr. D’Adamo dividiu os alimentos em três grupos principais: os benéficos, que ajudam a perder peso (também chamados de “mais recomendados”), os neutros (ou que devem ser consumidos com moderação) e os nocivos (que devem ser evitados).
 
Conheça então quais são alguns dos principais alimentos que devem (ou não) fazer parte do cardápio de cada um dos tipos sanguíneos (para perda de peso):
 
– Tipo O
  • Alimentos benéficos: carnes magras, fígado, couve, espinafre, brócolis, peixes, azeite, verduras e legumes em geral;
  • Consumir com moderação: Ovos, nozes, sementes, legumes ricos em amido;
  • Evitar: Laticínios (queijo, leite, iogurte), leguminosas, cereais (arroz, aveia), pão, arroz e macarrão.
– Tipo A
  • Consumo livre: Verduras, legumes, cereais integrais, abacaxi, sementes, nozes, alimentos à base de soja, leguminosas e frutas, (preferencialmente orgânicos, pois de acordo com o Dr. D’Adamo, as pessoas com sangue do tipo A possuem um sistema imune bastante sensível a agrotóxicos);
  • Evitar: Carnes, feijão vermelho, trigo e laticínios.
– Tipo B
  • Consumo livre: Verduras, legumes e carnes magras;
  • Alimentos neutros: Laticínios magros;
  • Evitar: Frango, carne de porco, trigo, milho, lentilha, tomate, amendoim, gergelim. 
– Tipo AB
  • Consumo livre: Verduras, frutos do mar, tofu, laticínios, abacaxi e leguminosas;
  • Nocivos: Embutidos, feijão vermelho, carnes bovina e suína, álcool, milho, cafeína e alimentos defumados. 
Cardápio da Dieta do Sangue
O cardápio da dieta do sangue sugere opções específicas para cada um dos quatro tipo sanguíneos. Confira abaixo uma sugestão de plano alimentar (de poucas calorias) formulado de acordo com os ensinamentos do Dr. Peter J. D’Adamo:
 
– Cardápio para o tipo O
 
Café da Manhã:
  • 1 torrada de pão de grãos germinados com um fio de azeite ou geleia de maçã sem açúcar;
  • 1 ovo cozido;
  • Chá verde sem açúcar e sem adoçante.
Lanche da Manhã:
  • 3 ameixas secas.
Almoço:
  • Peito de frango grelhado;
  • Salada de folhas com tomate cereja.
Lanche da Tarde:
  • 1 copo de suco verde detox ou um punhado de sementes de abóbora (sem sal).
Jantar:
  • Peixe assado (servir sem pele);
  • Salada de vagem ou couve no vapor temperada com limão e um fio de azeite.
– Cardápio para o tipo A
 
Café da Manhã:
  • ½ xícara de flocos de milho com uva passa e 1 copo de leite de soja ou 1 ovo poché com 1 copo de iogurte desnatado ou 1 omelete com dois ovos e ½ xícara de tofu.
Lanche da Manhã:
  • Iogurte desnatado com morangos frescos.
Almoço:
  • 1 fatia de pão de centeio;
  • Sopa de missô;
  • Salada de folhas escuras;
  • Chá verde.
Lanche da Tarde
  • 3 damascos secos ou 1 fatia de pão integral com patê de soja.
Jantar:
  • Almôndegas de peru;
  • Abobrinha no vapor.
– Cardápio para o tipo B
 
Café da Manhã:
  • Cereal integral de arroz com banana e leite desnatado ou 2 fatias de pão de grãos germinados com ½ pote de iogurte desnatado.
Lanche da Manhã:
  • 2 colheres de queijo cottage com ½ pera fatiada.
Almoço:
  • 1 fatia fina de queijo magro;
  • 1 fatia de peito de peru;
  • 2 fatias de pão integral;
  • Salada verde.
Lanche da Tarde:
  • 1 maçã verde com casca.
Jantar:
  • ½ xícara de atum em conserva (light);
  • Salada de hortaliças.
– Cardápio para o tipo AB
 
Café da Manhã:
  • Água morna com limão espremido (em jejum);
  • 1 ovo poché;
  • 1 fatia de pão de grãos germinados.
Lanche da Manhã:
  • 1 xícara de melão picado.
Almoço:
  • 1 porção pequena de tabule;
  • Verduras escuras refogadas com tofu.
Lanche da Tarde:
  • Iogurte desnatado.
Jantar:
  • 1 filé (pequeno) de salmão grelhado;
  • Aspargos grelhados sem óleo
 Exercícios
Além da dieta especial, o Dr. D’Adamo também sugere a prática de pelo menos três horas semanais de atividades físicas específicas para cada um dos diferentes tipos sanguíneos durante a dieta do sangue.
 
Confira as mais indicadas para o seu tipo de sangue:
 
– Tipo O
Como nossos ancestrais com tipo sanguíneo do tipo O eram vigorosos caçadores que estavam sempre correndo atrás de alimento ou então escapando de um predador, os exercícios mais indicados para esse tipo de sangue são exatamente os aeróbicos, que exigem muito do sistema cardiovascular.
 
Atividades como corrida e ciclismo durante pelo menos 3 horas por semana devem fazer parte da rotina de quem é do tipo O.
 
– Tipo A
Uma vez que se desenvolveram em um período de maior convivência social e coletividade, os indivíduos de sangue do tipo A se beneficiam mais de exercícios relaxantes, como yoga, meditação, caminhada moderada, tai chi chuan ou golfe.
 
– Tipo B
O Dr. D’Adamo recomenda para o tipo sanguíneo B atividades que possuam um componente mental, como por exemplo o tênis, a escalada e a natação. A yoga e a caminhada também podem fazer parte da rotina de quem é do tipo B, uma vez que promovem condicionamento mental e físico.
 
– Tipo AB
Assim como ocorre com a alimentação, o plano de exercícios para o tipo sanguíneo AB é uma combinação do tipo A e B. Atividades como yoga, natação leve, ciclismo moderado e caminhada de média intensidade são as mais indicadas para este tipo sanguíneo.
 
Dicas
Assim como qualquer outro plano alimentar, a dieta do sangue requer algumas observações para que seus resultados sejam mais evidentes.
 
Confira algumas delas:
 
- Não importa qual seja o seu tipo sanguíneo: para emagrecer, é necessário que você mantenha uma dieta rica em alimentos naturais e que quase não contenha produtos industrializados ricos em açúcar e gordura;
 
- Quando o cardápio da dieta do grupo sanguíneo diz “consumo livre” isso não significa que você deve consumir 3 filés de frango por refeição. A palavra moderação ainda é mais importante do que o tipo de alimento que você consome. Trocar uma fatia de pão por 5 de queijo não irá fazer você emagrecer, mesmo que esteja “respeitando” seu tipo de sangue;
 
- Tome cuidado com modificações muito drásticas na sua alimentação, como a eliminação por completo das proteínas de origem animal sem uma devida compensação com proteínas vegetais de qualidade. Converse com seu médico ou nutricionista antes de começar a fazer uma dieta que restrinja o consumo de determinados grupos alimentares;
 
- Para quem ainda não conhece e gostaria de saber qual é o seu tipo sanguíneo, basta realizar um exame simples de sangue ou então fazer uma doação ao banco de sangue para obter uma carteirinha com seu tipo sanguíneo;
 
- Beba muita água, pois ela será fundamental para eliminar as toxinas e auxiliar no processo de emagrecimento e normalização do metabolismo;
 
- Coma a cada três horas, a fim de manter o metabolismo acelerado e evitar uma fome exagerada na próxima refeição;
 
- Quem é do tipo O e do tipo A (que são as dietas mais restritivas) deve evitar seguir a dieta do sangue por mais de uma semana, sob o risco de sofrer carências nutricionais e falta de energia (a dieta do tipo O elimina os carboidratos, que são a principal fonte de energia para as atividades diárias);
 
- Para evitar deficiências nutricionais, o Dr. D’Adamo sugere a suplementação de vitaminas e minerais durante a dieta para quem pretende segui-la por um período prolongado. Caso seu objetivo com a dieta do sangue para emagrecer seja a perda de peso rápida, faça a dieta por no máximo 10 dias e converse com seu nutricionista sobre uma possível reposição de nutrientes;
 
- Acelere a perda de peso com a prática de atividade física de três a quatro vezes por semana, procurando respeitar as atividades mais indicadas para seu tipo sanguíneo;
 
- Nós já vimos que a dieta do sangue não possui embasamento científico, e exatamente por esse motivo recomenda-se o acompanhamento médico antes da adoção de mudanças alimentares radicais.
Revisão Geral pela Dra. Patrícia Leite - (no G+)
 
Referências adicionais:
 
- A Dieta do Tipo Sanguíneo – Peter J.D’Adamo, Editora Campus;
 
 
 
 
 

Governo zera repasse para Farmácia Popular em 2016

Reprodução
O aperto nas contas vai atingir em cheio um dos programas prediletos da classe média na área de saúde, o Aqui Tem Farmácia Popular. A proposta orçamentária para 2016 encaminhada para o Congresso prevê repasse zero para a ação, que neste ano receberá R$ 578 milhões
 
Criado em 2006, o programa permite a compra em farmácias credenciadas pelo governo de medicamentos para rinite, colesterol, mal de Parkinson, glaucoma, osteoporose, anticoncepcionais e fraldas geriátricas. Os descontos chegam a 90%. Com a redução a zero os recursos, na prática essa política deixa de existir.
 
Pela proposta encaminhada pelo governo ao Congresso, ficam mantidos o braço do programa chamado de Saúde Não Tem Preço (em que o paciente não precisa pagar na farmácia remédios para diabetes, hipertensão e asma) e as unidades próprias do Farmácia Popular.
 
O problema, no entanto, é que o número de unidades próprias dessas farmácias, que já é pequeno, deve minguar mais em 2016. A previsão é de que não ultrapasse 460 postos de venda, em todo o País.

“Foi uma medida necessária”, justifica a secretária executiva, Ana Paula Menezes. A primeira versão da proposta de orçamento encaminhada para o Congresso reservava para a Saúde um total de R$ 104 bilhões. “Não era a quantia dos sonhos, mas pelo menos a gente não estava morrendo afogado”, afirma a secretária.
 
Esse cenário, no entanto, mudou. A nova versão retira da área R$ 3,8 bilhões. A proposta enviada ao Congresso também enterra um acerto que havia sido feito dentro do próprio governo, para que o montante reservado a emendas parlamentares, cujo pagamento passou a ser obrigatório, fosse incorporado ao cálculo desse mínimo que o governo federal tem de desembolsar.
 
Os problemas para o cálculo do orçamento na saúde não se resumem a esse ajuste, feito na primeira quinzena de setembro. Pela Constituição, tanto municípios, Estados quanto União têm reservar uma fatia mínima de seu orçamento para gastos em ações e serviços de saúde.
 
Para o cálculo do piso federal, a regra usada até o orçamento de 2015 era: o equivalente ao que foi desembolsado no ano anterior, acrescida a variação do Produto Interno Bruto (PIB). Com a mudança, o governo federal tem de reservar para o setor o equivalente a 13,5% das receitas correntes líquidas.
 
“Acreditamos que esse é um mecanismo de cálculo apropriado. O problema foi o comportamento da economia neste período mais recente”, disse Ana Paula. Se fosse aplicada a regra anterior, o mínimo para saúde neste ano seria de R$ 103,7 bilhões. Com a nova regra, o piso passa para R$ 100,2 bilhões.
 
“Para compensar as perdas, havia ficado acertado que os recursos das emendas parlamentares, cujo gasto é obrigatório, não entrariam na conta. Mas isso mudou.”
 
No formato encaminhado para o Congresso, ficam preservados os recursos para compra de medicamentos, vacinas. A opção da pasta, em vez de fazer cortes em várias ações e serviços de saúde, foi concentrar o enxugamento em dois pontos principais: farmácia popular e ações de média e alta complexidade.
 
Esta última rubrica concentra todos os recursos que são repassados para Estados e municípios pagarem hospitais conveniados com o Serviço Único de Saúde (SUS), hospitais universitários, filantrópicos, Santas Casas para pagamento de procedimentos de saúde, como cirurgias, internações.

Os recursos de média e alta complexidade também são usados para financiar despesas com o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), serviços de análise clínica, exames de imagem.
 
A escolha do setor atingido não foi sem motivo. A área de média e alta complexidade conta com uma rede poderosa de defensores tanto no Congresso quantos nos Estados e municípios. Ao mirar nesta área, o Ministério da Saúde tenta encontrar entre parlamentares, governadores e prefeitos uma rede de apoio que não encontrou dentro do próprio governo e, com isso, tentar reverter o tamanho do corte.
Fonte: Estadão
 
Estadão Conteúdo

Saúde caminha para um colapso, diz ministro

Luis Macedo / Câmara dos Deputados - Para o ministro,
a causa deste quadro é um subfinanciamento estrutural
Se aprovado projeto da Lei Orçamentária de 2016, recursos chegam ao fim em setembro
 
Com sua saída do governo dada como certa para ceder espaço a um nome do PMDB, o ministro da Saúde, Arthur Chioro, considera que o atendimento público de saúde pode entrar em colapso no próximo ano, por falta de dinheiro.
 
— Estando eu à frente do Ministério da Saúde, ou qualquer outro gestor público, com mais ou menos experiência, com mais ou menos compromisso, o que se aponta é uma situação inadministrável.
 
Para Chioro, aprovado o Projeto da Lei Orçamentária da forma como foi enviado ao Congresso, os recursos para pagar despesas hospitalares, ambulância e atendimentos médicos chegariam ao fim em setembro de 2016, deixando três meses descobertos.
 
— Essa é uma situação que nunca foi vivida pelo Sistema Único de Saúde nos seus 25 anos. Ela aponta para um verdadeiro colapso na área.
 
Na prática, de acordo com Chioro, as UPAs (Unidades de Pronto Atendimento), Samus, hospitais, prontos-socorros, transplantes, serviços de hemodiálise, serviços de análises clínicas não terão recursos para funcionar. As Santas Casas, as prefeituras e os governos estaduais não terão condições de colocar em funcionamento a operação de serviços sem três meses de repasses.
 
A causa deste quadro é um subfinanciamento estrutural. Chioro destaca que o sistema de saúde ainda vive um processo de expansão de oferta, com impacto significativo no custeio, com incorporação de novas tecnologias, mudança do perfil epidemiológico, por exemplo. E há um desafio imediato, de se lastrear R$ 9 bilhões para média e alta complexidade, equivalente a 10% do orçamento reservado para a pasta.
 
— Há, em parte da opinião pública e dirigentes de várias esferas de governo, uma percepção de que o problema da saúde é de gestão e que melhorando a qualidade da gestão é possível resolver a questão do financiamento. Defendo, sem dúvida, aprimorarmos a forma como cada centavo na área de saúde é gasto. Mas o subfinanciamento é inquestionável.
 
Umas das alternativas apresentadas por ele ao governo foram a possibilidade de reestruturação do uso de recursos do DPVAT (Seguro Obrigatório de Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Vias Terrestres) e mudanças na destinação de recursos de custeio.
 
Chioro avalia que o esforço feito por ele de colocar na pauta de discussão nacional a necessidade de um sistema de financiamento para a Saúde não se reflete no Projeto de Lei Orçamentária. E reiterou que qualquer gestor que estiver à frente do Ministério da Saúde enfrentará uma situação inadministrável.
 
— Eu me sinto na responsabilidade de alertar. Fiz isso no Conselho Nacional de Saúde, na Comissão Intergestores Bipartite. Não posso ser omisso. Os problemas vão aparecer a partir de outubro do ano que vem.
 
Sobre a negociação de seu cargo pelo Palácio do Planalto em troca de maior apoio ao governo no Congresso, ele disse que vai continuar como ministro até o último segundo.
 
— Quem tem experiência de gestão pública sabe que o cargo não depende dele.

Estadão Conteúdo / R7