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sábado, 2 de agosto de 2014

Conselho de Medicina deve aprovar em setembro uso médico de componente da maconha

Reprodução: Canabidiol deverá ser liberado para uso medicinal
Liberado nos EUA, canabidiol pode ser importado só com autorização especial da Anvisa

CFM (Conselho Federal de Medicina) deve aprovar em setembro uma resolução que abre caminho para que médicos prescrevam canabidiol, uma das substâncias presentes na maconha, para tratamento de seus pacientes.

Uma equipe de pesquisadores que estuda o tema deve entregar até o fim do mês um relatório sobre o assunto. A resolução deverá ser votada em seguida.

Em junho, o CFM já havia divulgado uma nota sobre o assunto. Na ocasião, o colegiado afirmara defender a pesquisa com produto, desde que feita de acordo com orientações dos comitês de ética. O conselheiro Emmanuel Fortes foi moderado ao falar sobre o assunto.

— Seguimos os passos da prudência.

A posição mais flexível é resultado de apresentações feitas por pesquisadores que estudam o tema.

— Os resultados são impressionantes. Além disso, temos de levar em consideração o drama vivido pelas famílias.

A discussão sobre o uso terapêutico do canabidiol, um componente da maconha que não tem efeito psicoativo, veio à tona depois de campanhas feitas por familiares de pessoas que sofrem crises repetidas de convulsão.

A importação do remédio, que é liberado nos Estados Unidos, somente pode ser feita mediante autorização especial da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Há dois meses, a Anvisa discutiu a retirada do canabidiol da lista de substâncias de uso proscrito no País, mas sem conclusão final.

— Acreditamos que a decisão possa ser um passo para a decisão da Anvisa.

No relatório que a equipe de especialistas prepara para o CFM, informou, devem constar informações como a indicação do medicamento, as doses consideradas seguras, pesquisas cuja realização é recomendada e outras que já podem ser descartadas.

Atualmente, para obter a autorização especial da Anvisa, familiares devem juntar uma requisição de médicos. Profissionais sentem-se, no entanto, intimidados, diante do fato de o remédio constar na lista de substâncias proscritas.

Fortes afirmou que o CFM não tem intenção de adotar nenhuma medida restritiva contra esses profissionais.

— Esse é um drama vivido por familiares. Eles fazem a recomendação que, numa outra etapa, é ou não aprovada pela Anvisa.

Estadão Conteúdo

Técnica deixa corpo transparente e facilita diagnósticos

Reprodução: BBC  -  O método também pode ser utilizado para detectar a
propagação de vírus e cânceres em tecidos humanos
Método pode ajudar a monitorar o avanço de doenças

Cientistas desenvolveram uma forma de fazer um corpo inteiro ficar transparente. Em reportagem na revista Cell, a equipe, que estuda roedores, descreve uma técnica que mantém os tecidos intactos, mas permite que as partes chave do corpo e ligações internas possam ser vistas.

Eles dizem que a técnica pode ajudar a visualizar como órgãos separados interagem e apontar o caminho para uma nova geração de tratamentos.

O método também pode ser utilizado para detectar a propagação de vírus e cânceres em tecidos humanos.

Há um século os cientistas vêm tentando elevar a transparência de órgãos opacos. Mas a maioria das técnicas danificava tecidos, o que interrompeu testes mais aprofundados.

Sonho dos biólogos
As moléculas de lipídio (gordura) presentes nas células do corpo distorcem os raios de luz, o que deixa os tecidos opacos. Até hoje, os processos usados para dissolver essas moléculas privavam os órgãos de elemento chave para seu suporte estrutural, o que resultava em uma massa amorfa de material.

Agora, pesquisadores do Instituto de Tecnologia da Califórnia dizem ter conseguido atingir o sonho dos biólogos.

Com base em trabalhos anteriores a equipe desenvolveu uma técnica com três estágios:

Primeiro, uma malha macia feita de uma espécie de plástico dá suporte para os tecidos. Em seguida, um detergente molecular é administrado na corrente sanguínea, dissolvendo lipídios e tornando os órgãos transparentes. Corantes de rastreamento e de marcação de moléculas específicas podem ser adicionados à infusão para destacar as conexões mais importantes.

Usando este método em roedores, os pesquisadores conseguiram tornar rins inteiros, corações, pulmões e intestinos transparentes dentro de três dias, e todo o corpo dentro de duas semanas.

O teste do procedimento em pacientes com câncer permitiu que os cientistas visualizassem o alcance da disseminação da doença.

"Avanço importante"
A pesquisa foi realizada em ratos sacrificados e amostras de tecido humano tiradas durante operações, mas ainda não foi aplicada a organismos vivos.

Os cientistas afirmam que a técnica pode ter diversos usos futuros, desde o mapeamento do caminho de fibras nervosas do cérebro para o resto do corpo ao rastreamento dos locais onde diferentes vírus se escondem nos tecidos.

A equipe, agora, está colaborando com outros cientistas para examinar o tecido cerebral de pessoas com deficiências cognitivas. Ao compará-lo essas amostras com amostras saudáveis, os cientistas querem identificar diferenças nunca antes vistas nos padrões celulares.

"É provavelmente um dos avanços mais importantes na neuroanatomia em décadas", disse Thomas Insel, diretor do Instituto Nacional de Saúde Mental dos EUA.

BBC Brasil / R7

Grupo farmacêutico anuncia novos resultados de tratamento contra malária

Estes tratamentos, chamados KAE609 e KAF156, tratam a malária de uma
forma diferente dos tratamentos atuais
Resultados promissores para um novo tratamento contra a doença foram anunciados nesta quinta-feira (31/7) 

Genebra - O grupo farmacêutico suíço Novartis anunciou nesta quinta-feira (31/7) resultados promissores para um novo tratamento contra a malária, atualmente em fase de testes, chamado KAE609.

O Novartis publicou no New England Journal of Medicine resultados que mostram que o KAE609 "faz desaparecer rapidamente o parasita nos pacientes com malária 'Plasmodium falciparum' (P. falciparum) e 'Plasmodium vivax' (P. vivax) sem complicações".

O grupo está desenvolvendo dois novos tratamentos contra a malária, uma doença que mata anualmente mais de 600.000 pessoas, a maioria crianças africanas. Estes tratamentos, chamados KAE609 e KAF156, tratam a malária de uma forma diferente dos tratamentos atuais.

 
"O Novartis se comprometeu em longo prazo com a luta contra a malária, e nós estamos decididos a continuar a busca e o desenvolvimento de novos medicamentos com vistas a eliminar essa doença algum dia", declarou o diretor-geral do laboratório, Joseph Jimenez.

Thierry Diagana, encarregado do Instituto Novartis para doenças tropicais, considerou que "o KAE609 é um medicamento que realmente pode mudar a situação na luta contra a malária". O Novartis deu ao KAE609 o estatuto de projeto prioritário, devido a seu potencial único de administração sob a forma de associação medicamentosa de dose única, acrescentou.

Correio Braziliense

AVC: Rápido atendimento pode fazer toda a diferença

Reconheça os sintomas do problema e saiba o que fazer 

Por Dr. André Felício

Este texto é sobre um detalhe que poderá fazer toda diferença. Por exemplo, se fizermos uma pergunta simples a todos os leitores: "Qual a maior preocupação quando alguém reclama de uma dor forte no peito?", certamente, a maioria responderá infarto agudo do miocárdio - e sim, realmente é isso mesmo. Mas se fizermos a pergunta um pouco diferente: "E se subitamente uma pessoa parar de falar, ou perder a visão, a força muscular de um lado do corpo ou ainda a sensibilidade?" Neste caso, fica mais difícil e não são todos que acabam reconhecendo estes sintomas como a ponta de um iceberg, no caso, o Acidente Vascular Cerebral (AVC). 

Aliás, tanto o infarto agudo do miocárdio quanto o AVC nada mais são do que o mesmo problema, ou seja, o "entupimento" de artérias, só que no primeiro caso é afetado o coração e no segundo, o cérebro. E geralmente devido à mesma causa: pressão alta, colesterol elevado, tabagismo, aumento de peso e diabetes. Afinal, nossa circulação é como um único sistema de grandes e pequenas tubulações, e o mesmo processo que ataca as pequenas artérias do coração (coronárias) também acomete as artérias cerebrais. Não é à toa que quem teve um infarto agudo do miocárdio está em risco maior de desenvolver um AVC e vice-versa. Assim, todo cuidado é pouco.


E quando falamos de cuidado, o que precisamos fazer para não deixar o problema ficar maior? Veja, é preciso reconhecer os principais sintomas, e entender que uma característica fundamental do AVC é a sua instalação súbita. E súbito não significa ao longo de dias! Súbito, para os neurologistas, é contado em minutos. Assim, quando dizemos "tempo é cérebro" significa que cada minuto perdido poderá fazer diferença lá na frente, na hora da recuperação. 

Além dos mencionados acima, os sintomas de um AVC incluem: 

- Diminuição ou perda súbita da força na face, braço ou perna de um lado do corpo

- Sensação de formigamento na face, braço ou perna de um lado do corpo

- Perda súbita de visão em um olho ou nos dois olhos

- Alteração aguda da fala, incluindo dificuldade para articular, expressar ou para compreender a linguagem

- Dor de cabeça súbita e intensa sem causa aparente

- Instabilidade, vertigem súbita intensa e desequilíbrio associado a náuseas ou vômitos.

E o que fazer afinal? Simples, na suspeita de um AVC procure imediatamente um pronto-socorro - evite esperar para "ver se a sensação passa". E prefira hospitais onde preferencialmente você sabe que existe um serviço dedicado ao tratamento agudo do AVC. Na cidade de São Paulo, por exemplo, não só hospitais privados, mas instituições públicas de ensino contam com este serviço. Este é o detalhe que poderá fazer toda diferença.

Minha Vida

Primeiros Socorros: Infarto (Repost)

Reconheça os sintomas e entenda como é feita a massagem cardíaca 

Em uma bela manhã de domingo, Henrique Luiz, na época com 44 anos, acorda de manhã com o braço dormente. Henrique fumava cerca de dois maços de cigarro com filtro vermelho por dia, tinha uma dieta rica em fast food e estava fazendo hora extra frequentemente, em seu cargo como consultor de informações gerenciais em um banco. "Levantei oito horas da manhã e achei estranho, porque costumo acordar mais tarde. Pensei que o braço estava dormente porque tinha dormido em cima dele", diz. Sem se preocupar, nosso personagem vai tomar café da manhã, fuma um cigarro, toma banho e... Nada do braço melhorar. "Comecei a suspeitar que pudesse ser algo mais grave e fui a um pronto socorro, fiz os exames e descobri que estava infartando", conta. Ele então foi encaminhado para UTI, onde ficou dez dias internado. "Foi um coágulo que caminhou pelo meu corpo e foi parar em uma veia do coração, causando 80% de entupimento", afirma. Dois cateterismos e três anos de medicamentos - um anticoagulante e outro para reduzir o batimento cardíaco - Henrique mudou sua vida. Hoje ele pratica diversos esportes, como patins e bicicleta, e mudou drasticamente a alimentação, passando do fast food para refeições mais leves. "Um prato que passei a gostar muito depois do infarto foi sushi."

As doenças cardiovasculares são líderes em morte no mundo, sendo responsáveis por quase 30% dos óbitos no Brasil. Dentre estas, o infarto agudo do miocárdio é a causa principal - e os riscos aumentam quanto mais demorado o tempo entre o início dos sintomas e o atendimento final. Henrique Luiz reconheceu os sintomas e procurou um hospital antes que o problema tomasse gravidade, fator essencial para a plena recuperação do paciente.

"O ataque cardíaco acontece quando existe obstrução total da artéria coronária (vasos que irrigam os músculos cardíacos) ou o sofrimento do músculo é tão intenso que as células começam a morrer", afirma o cardiologista Bruno Valdigem, da Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas. "Os fatores de risco para o infarto são obesidade, hipertensão, colesterol alto, estresse, diabetes ou infartos anteriores, sendo que homens na meia idade e mulheres após a menopausa são os mais afetados pelo problema", completa Bruno. 

Veja como reconhecer um infarto e tomar os procedimentos adequados:   

Reconheça os sintomas
Os sintomas típicos do infarto incluem dor no peito, como uma sensação de aperto, de forte intensidade, sem fatores de melhora e ou/piora, com irradiação para braço esquerdo e pescoço. Geralmente dura mais de 30 minutos e pode vir acompanhado de mal estar geral, náuseas e vômitos. "As mulheres e os pacientes diabéticos podem apresentar, de forma mais frequente, sintomas atípicos como falta de ar, cansaço desproporcional ao esforço e dor tipo queimação no estômago", afirma o cardiologista Bruno Valdigem, da Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas.

Segundo o especialista, em homens a dor e aperto no peito ou queimação são muito comuns. Em mulheres, as dores podem assumir aspecto de pontadas, facadas, queimação ou aperto, entre outras.

Confira a lista de sinais para suspeitar de infarto:

- Dor mantida desde a mandíbula até o umbigo

- Geralmente uma dor estranha, impossível de localizar com a ponta do dedo

- Normalmente dura mais que 20 minutos

- Costuma ter início após estresse emocional ou físico

- Pacientes diabéticos ou hipertensos tem maior chance de infartar

- Fraqueza intensa e súbita

- Falta de ar de início súbito

Chame a emergência
Quando o paciente está infartando, as células do coração começam a morrer. "Ao acionar rapidamente o serviço de emergência, iniciando o tratamento, reduzimos a quantidade de músculo cardíaco acometido", lembra o cardiologista Alberto Fonseca, do Hospital do Coração do Brasil. Além disso, o indivíduo pode sofrer de arritmias na fase aguda do infarto, que se não forem tratadas podem levar à morte súbita.

Segundo o cardiologista Bruno, o diagnóstico do infarto nem sempre é fácil. "Isso porque outras doenças como dissecção da aorta e embolia pulmonar, podem simular infarto - e precisam ser tratadas com urgência", diz. Dessa forma, ao menor sinal dos sintomas, devemos chamar a ambulância ou encaminhar o paciente a um hospital, o que for mais rápido.

Deixe a pessoa confortável
"Ao nos depararmos com uma pessoa com suspeita de infarto, devemos posicioná-la de forma confortável, de preferência sentada ou até deitada, afrouxando as suas roupas na tentativa de aliviar a sensação de falta de ar", afirma o cardiologista Rogério Andalaft, do Hospital das Clínicas de São Paulo. Isso também pode ajudar a tentativa de manter a pessoa calma e consciente.

Ministrando medicamentos
Caso você tenha comprimidos de ácido acetilsalicílico infantil em lugar de fácil acesso, é importante dar o medicamento. "Ele ajuda a dissolver o coágulo de sangue que, junto com placas de gordura, estão obstruindo a artéria", explica o cardiologista Alberto. Devem ser administrados três comprimidos de 100mg o mais rápido possível para o paciente, que deverá mastigá-los antes de engolir, para acelerar a absorção da medicação. Entretanto, essa preocupação deve ser adotada em pessoas que estão com manifestações menos graves do problema e têm condições de tomar a medicação. O mais importante, acima de tudo, é encaminhar ao hospital.

Cheque o nível de consciência da pessoa constantemente
"Ao se deparar com um paciente caído, não devemos movimentá-lo antes de certificar que não houve trauma craniano ou medular", alerta o cardiologista Alberto. Se o paciente apresentar sinais de escoriações ou machucados, evite manipulá-lo. No entanto, é de extrema importância tentar deixá-lo acordado, conversando com ele e verificando se está lúcido. "Tente acalmá-lo, informando que o socorro já está a caminho e dê os três comprimidos de ácido acetilsalicílico se a dor no peito persistir", lembra.

Desfibrilador automático
Ao reconhecer uma pessoa desacordada, sem movimentos respiratórios ou com um padrão de respiração irregular, a primeira coisa a fazer é chamar pela pessoa batendo nos ombros dela ou chamando por seu nome. "Percebendo que ela não responde e ou não respira você deve imediatamente chamar o serviço de urgência e se houver disponibilidade no local peça um desfibrilador automático", afirma o cardiologista Rogério. Segundo o especialista, esses aparelhos salvam vidas e são de fácil operação por leigos ou profissionais.

Ao chegar o desfibrilador interrompa o que estiver fazendo, ligue o aparelho, cole as pás adesivas no peito do indivíduo e siga as instruções faladas pelo desfibrilador. "No caso de paciente que está molhado ou em ambientes molhado, deverá ser seco e levado rapidamente para um local seguro", diz. Em pacientes com grande quantidade de pelos no tórax, siga as orientações presente no desfibrilador automático para raspá-los. "Existe uma lâmina de barbear dentro da sacola dos desfibriladores." Só pare as compressões quando o aparelho mandar ou quando a pessoa voltar a responder.

Massagem cardíaca
Caso a pessoa esteja desacordada e você não tem um desfibrilador automático por perto, inicie os procedimentos de reanimação cardíaca enquanto a emergência não chega. "Muitas pessoas deixam de atender pessoas em parada cardíaca pois não querem realizar respiração boca a boca, no entanto, desde 2010 a American Heart Association afirma que socorristas leigos não precisam realizar tal procedimento", diz o cardiologista Rogério. Dessa forma, a reanimação cardíaca envolve apenas compressões no peito.

Siga o passo a passo:

- Com as mãos espalmadas e cruzadas, pressione o tórax exatamente no centro do peito, entre os dois mamilos.

- É preciso comprimir forte, rápido e deixar o tórax relaxar entre as compressões. A American Heart Association disponibiliza um vídeo mostrando que é possível sincronizar o intervalo das compressões com a música Stayin' Alive, da banda Bee Gees:

http://www.youtube.com/watch?v=n5hP4DIBCEE 

Cursos
Existem cursos no Brasil para não profissionais que podem ensinar você a lidar melhor com estas situações de urgência, mesmo que você não seja um médico, enfermeiro ou outra pessoa da área de saúde. Para isso procure um centro formador em hospitais próximos de sua cidade. 

Minha Vida

EUA testarão vacina experimental contra ebola em humanos

Foto: Reuters/Ahmed Jallanzo/Unicef - Garotas olham para poster distribuído pela
Unicef sobre formas de prevenir a propagação do ebola; atualmente, não há vacina
Caso testes sejam bem sucedidos, vacina poderá ser usada em 2015. Segundo especialistas, falta interesse da indústria farmacêutica em testes 

Virologistas americanos esperam poder testar, em breve, uma vacina experimental contra o ebola, que, se for bem sucedida, pode imunizar até 2015 os trabalhadores de saúde que estão na linha de fogo enquanto a África sofre a maior epidemia da doença.

As primeiras tentativas de desenvolver uma vacina contra a febre hemorrágica começaram pouco depois da descoberta da doença, em 1976, mas a falta de investimento por parte da indústria farmacêutica estancou estes esforços.

No entanto, no próximo mês, os Institutos Nacionais da Saúde dos Estados Unidos (NIH) começarão a fazer os primeiros testes em humanos de uma vacina que se mostrou promissora nas experiências em macacos.

"Estamos começando a discutir alguns acordos com empresas farmacêuticas para acelerar (as pesquisas)", disse Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas (NIAID) dos Estados Unidos.

"Ela poderá estar disponível em 2015 para os trabalhadores de saúde que estão expostos a grandes riscos", acrescentou. Enquanto isso, a epidemia de Ebola no oeste da África está sobrecarregando o sistema de saúde da região e superando os esforços de contenção.

O vírus provoca dores, febre, vômitos, diarreia e hemorragias. Desde março, matou 60% dos infectados, ou seja, 729 pessoas, segundo o último balanço da Organização Mundial da Saúde.

A vacina existe, mas não há mercado
Até agora, não se conseguiu convencer as companhias farmacêuticas a investir em uma vacina contra o Ebola.

"Com surtos esporádicos, que afetam normalmente um pequeno número de pessoas na África Central, não existe realmente um mercado comercial" para uma vacina contra o ebola, escreveram Andrea Marzi e Heinz Feldmann, do Laboratório de Virologia do NIAID, em artigo científico publicado em abril.

No entanto, "há várias plataformas de vacinas prontas para testes clínicos". Algumas destas vacinas já demonstraram ter de 80% a 90% de eficácia em testes feitos com macacos, e nenhuma teve efeitos colaterais que ameaçassem a vida dos primatas, explicou o professor da Universidade de Cambridge, Peter Walsh.

Mas o processo foi comprometido, já que os reguladores dizem não ser ético inocular em humanos hoje afetados na África vacinas que ainda não passaram por todas as fases de experimentação.

"Este argumento - de que não é ético usar vacinas sem licença - é simplesmente estapafúrdio", disse Walsh à AFP, acrescentando que o NIAID está há uma década trabalhando nesta vacina. "O ético é tratá-los, vaciná-los. É o que seria lógico. O escandaloso é que não o façamos", disse.

Problemas logísticos
Mesmo se uma vacina ou um tratamento experimental fosse distribuído nos países afetados - Guiné, Libéria, Nigéria e Serra Leoa - várias perguntas ainda precisam ser respondidas em relação à forma de proceder.

Marzi e Feldman disseram em seu artigo que os surtos de ebola exigiriam "a vacinação e a proteção dos funcionários de saúde locais e de outros grupos com alto risco de contágio, como familiares".

Esta estratégia exige que a imunização seja de ação rápida e de fácil acesso e que as doses estejam disponíveis em grandes quantidades, fornecidas pela indústria ou pelas reservas federais.

Também há interrogações com relação a quanto uma vacina pode ser útil, explicou Herve Raoul, especialista em patógenos e pesquisador do Instituto Médico Francês de Saúde, (Inserm).

"Não estou certo de que vacinar toda a população faça sentido", disse ele à AFP. "O ideal seria desenvolver um antiviral que ajude as pessoas doentes a superar a fase mais aguda da doença", acrescentou. Mas essa medicação não existe hoje.

Enquanto isso, os especialistas só podem aconselhar medidas preventivas, como isolar os pacientes infectados, tomar precauções extremas para evitar o contato com fluidos corporais e enterrar rapidamente os mortos.

No entanto, Walsh tem a esperança de que a epidemia atual cause alguma mudança. "As coisas acontecem graças às crises", disse. "Quando acontece algo terrível, é uma oportunidade para fazer algo que em outras circunstâncias não seria politicamente possível", acrescentou.

G1