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domingo, 8 de março de 2015

Água poluída mata mais que câncer de mama

Foto: Wikipédia
Doenças provocadas pela falta de saneamento resultam em 800 mil óbitos de mulheres por ano. Aids também causa menos vítimas
 
Por ano, 800 mil mulheres morrem em decorrência da falta de acesso a saneamento básico e água limpa, segundo a organização não governamental WaterAid. A falta desses serviços, classificados como básicos pela Organização das Nações Unidas (ONU), mata mais do que a Aids, o diabetes e o câncer de mama. Provoca doenças como cólera e outras infecções, e disseminam um cenário classificado como inaceitável pela entidade desenvolvimentista sediada em Londres.

“Afeta a educação, a saúde, a dignidade de mulheres e meninas e, em última instância, resulta em mortes precoces e desnecessárias”, disse, em comunicado, Barbara Frost, diretora executiva da WaterAid. As doenças ainda mais mortíferas para as mulheres, de acordo com o relatório, são as cardíacas, o derrame, infecções das vias respiratórias inferiores e as doenças pulmonares obstrutivas crônicas. A WaterAid chegou a essas conclusões analisando dados do Instituto de Métricas da Saúde, centro de estudos em Seattle, nos Estados Unidos.

O documento indica, ainda, que mais de 1 bilhão de mulheres — uma a cada três no mundo — são privadas de banheiros particulares seguros. Além disso, mais de uma a cada dez, ou 370 milhões, não usufruem de água limpa. As mais prejudicadas estão em países em desenvolvimento, onde mortes relacionadas à falta de água potável e de saneamento básico correspondem a quatro em cada cinco óbitos.
 
Correio Braziliense

Tríplice viral para crianças com alergia ao leite de vaca está disponível

Na campanha nacional de vacinação de 2014, a pasta recomendou aos estados e municípios suspender a vacinação em crianças com essa condição já que verificou-se a presença de lactoalbumina hidrolis
 
Pais de crianças com alergia à proteína do leite da vaca já podem procurar os postos de saúde para vacinar os filhos com a tríplice viral, que protege contra o sarampo, a rubéola e a caxumba. A imunização dessas crianças havia sido suspensa no ano passado, após o registro de casos de reação adversa.

O Ministério da Saúde informou que já enviou aos municípios mais de 1,5 milhão de doses da tríplice viral – dessas, mais de 357 mil podem ser usadas por crianças com alergia à proteína do leite da vaca. As doses foram produzidas pelo laboratório da Fundação Oswaldo Cruz. A faixa etária indicada é de 1 ano a 5 anos incompletos.
 
Na campanha nacional de vacinação de 2014, a pasta recomendou aos estados e municípios suspender a vacinação em crianças com essa condição como medida preventiva já que, ao analisar a composição da dose produzida pelo Serum Institutte of India Ltd., verificou-se a presença de lactoalbumina hidrolisada.

O sarampo é uma doença viral aguda grave e altamente contagiosa. Os sintomas mais comuns são febre alta, tosse, manchas avermelhadas, coriza e conjuntivite. A transmissão é de pessoa para pessoa por meio de secreções expelidas ao tossir, falar ou respirar. A única forma de prevenção da doença é a vacinação.

No mês passado, a Organização Mundial da Saúde alertou que os recentes surtos de sarampo ocorridos nos Estados Unidos e no Brasil sugerem que as taxas de imunização contra a doença em algumas áreas estão abaixo do necessário para prevenir a propagação de casos importados nas Américas e reforçou a importância de os países manterem altas taxas de cobertura vacinal no continente.
 
Correio Braziliense

Anvisa abre consulta para regulamentar advertências em maços de cigarro

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) abriu uma consulta pública para obter, da população, sugestões para a regulamentação das advertências inseridas nos maços de cigarros
 
 
O objetivo é informar as pessoas dos riscos causados pelo tabagismo. A medida está publicada na edição de sexta-feira (6/3) do Diário Oficial da União.

A medida está prevista na legislação que estabelece a obrigatoriedade da advertência como avanço da política de redução do tabagismo no país. Esse tipo de advertência ocupa 30% da parte frontal de todas as embalagens dos derivados do tabaco usados na forma de fumo.
 
A consulta pública terá duração de 10 dias contados a partir sábado, 7 de março. As sugestões podem ser enviadas eletronicamente, por meio do preenchimento de formulário, ou pelos Correios, para o seguinte endereço: Agência Nacional de Vigilância Sanitária/Superintendência de Toxicologia - Sutox, SIA trecho 5, Área Especial 57, Brasília-DF, CEP 71.205-050.
 
Correio Braziliense

Saiba por que o bom funcionamento da tireoide é tão importante para a saúde

Reprodução: Glândula Tireoide
Glândula pode ser considerada uma usina de energia do nosso organismo
 
Do cansaço à agitação em excesso, da depressão à euforia, de problemas neurológicos em crianças a câncer em idosos. Capaz de provocar as mais diversas reações no organismo em casos de disfunção, a tireoide é uma glândula que, de pequena, só tem o tamanho. Com cerca de cinco centímetros de diâmetro, é responsável pela produção de dois hormônios – a tiroxina (T4) e a triiodotironina (T3) – que regulam a velocidade de praticamente todas as funções do organismo.
 
Os hormônios da tireoide têm um papel importante no controle da temperatura corporal, da pressão arterial e da frequência cardíaca. Eles também atuam no desenvolvimento dos ossos, do sistema nervoso e do sistema reprodutivo, além de estimular o crescimento dos tecidos.
 
Com tantas tarefas, é de se imaginar que qualquer alteração no funcionamento da glândula possa levar às mais variadas consequências para o organismo. Conforme estimativa Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), cerca de 10% da população do país possui algum tipo de disfunção na tireoide – e as mulheres são as mais afetadas.
 
Aumento no número de casos de câncer preocupa
Quando o problema é a baixa produção dos hormônios T3 e T4, ou o hipotireoidismo, os sintomas vão desde sonolência, desânimo e aumento de peso até prisão de ventre, queda de cabelo e unhas fracas.
 
Já quando há excesso na produção dos hormônios, o chamado hipertireoidismo, a pessoa pode se sentir agitada, perder o sono e ter taquicardia.
 
Outra preocupação de especialistas é o crescente número de casos de câncer na glândula. Dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca) apontam que esse já é o 5º tipo mais frequente entre as mulheres. Com tudo isso, descobertas, inovações e pesquisas voltam os olhos para a tireoide com frequência.
 
Zero Hora

Conheça nove curiosidades e dicas sobre o funcionamento da tireoide

Reprodução
Glândula é responsável pela produção de hormônios
 
Capaz de provocar as mais diversas reações no organismo em casos de disfunção, a tireoide é uma glândula que, de pequena, só tem o tamanho. Com cerca de cinco centímetros de diâmetro, é responsável pela produção de dois hormônios – a tiroxina (T4) e a triiodotironina (T3) – que regulam a velocidade de praticamente todas as funções do organismo.
 
Veja o que se sabe sobre cuidados, prevenção e exames mais recentes:
 
A importância do jejum
O tratamento para quem sofre hipotireoidismo é simples, mas um estudo indicou que a maioria das pessoas desconhece uma regrinha básica: a importância de tomar o medicamento em jejum. A levotiroxina (o hormônio T4 em cápsulas) deve ser ingerida de estômago vazio ou pelo menos duas horas após a última refeição. Ainda é recomendado aguardar de 30 a 60 minutos para ingerir algum alimento após tomar o remédio. Isso porque a absorção da levotiroxina pelo organismo depende do pH gástrico, que é alterado quando o estômago está cheio.
 
Conforme o estudo, que foi realizado em quatro centros de tratamento de doenças da tireoide no Brasil, cerca de 40% dos pacientes não estão sendo adequadamente tratados por desconhecer esta regra.
 
Para engravidar, fique de olho na glândula
Desordens na tireoide estão diretamente associadas a problemas reprodutivos. Conforme um estudo publicado em janeiro deste ano na revista The Obstetrician & Gynaecologist (TOG), as disfunções tireoidianas afetam profundamente a função reprodutiva tanto da mulher quanto dos homens. Segundo os investigadores, o hipertireoidismo é diagnosticado em 2,3% das mulheres com problemas de fertilidade, contra 1,5% na população em geral. Para elas, os problemas mais comuns são a dificuldade para engravidar, abortos e partos prematuros. Já para eles, os sintomas recorrentes são diminuição de libido e impotência sexual.
 
Nódulos: mais comuns do que se imagina
A palavra pode assustar, mas os nódulos na tireoide são mais comuns do que se pensa. Estima-se que de 60% a 70% das pessoas acima de 60 anos tenham pelo menos um nódulo na glândula, o que não significa que precisarão passar por uma cirurgia. A imensa maioria desses nódulos é benigna, não sendo necessária nenhuma forma de tratamento. No entanto, uma pequena percentagem, cerca de 5%, é maligna, e o diagnostico é importante para que o tratamento seja realizado o mais cedo possível.
 
Frio de bater o queixo
Os hormônios da tireoide regulam o metabolismo do nosso corpo e são também responsáveis pelo nosso controle térmico. Na falta deles, a pessoa sente mais frio do que o habitual. E o oposto também ocorre. Os que sofrem de hipertireoidismo (excesso de hormônios da tireoide) manifestam uma sensação de calor mais intensa. Fique atento: muita sensibilidade à temperatura pode ser um sinal de problemas na tireoide.
 
Com a glândula na cabeça
Tristeza, sono em excesso, irritação e agitação são algumas das manifestações que as alterações na tireoide podem provocar. Isso porque os hormônios produzidos pela glândula são capazes de alterar o funcionamento normal de nosso cérebro, levando a mudanças de comportamento. No caso do hipertireoidismo, a pessoa pode chorar com mais facilidade e ter dificuldades para dormir. Já no hipotireoidismo ocorre o contrário. A falta dos hormônios pode levar a um quadro de depressão. Pesquisadores da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUCSP) indicaram, inclusive, que o hipotireoidismo subclínico – uma forma mais leve da doença – pode aumentar em até quatro vezes o risco de depressão em idosos.
 
Sal na medida certa
Talvez você nunca tenha se preocupado com isso, mas a quantidade de iodo que ingerimos interfere diretamente na saúde do nosso organismo. Isso porque o mineral é responsável pela formação dos hormônios tireoidianos, ou seja, é fundamental para o correto funcionamento da tireoide. Apesar de estar presente em alguns alimentos, durante anos a falta de iodo no cardápio foi uma preocupação. Por isso, em 1924 e a pedido do governo americano, a Companhia de Sal Morton começou a adicionar iodo ao sal. No Brasil, a iodação do sal começou em 1953, mas era feita apenas em áreas específicas. Em 1956, a prática passou a abranger todo o território nacional. Atualmente, o consumo excessivo de sal vem preocupando as autoridades. Quando ingerido acima do recomendado, pode estar associado ao hipertireoidismo, hipertensão arterial, entre outros. Já o déficit de iodo conduz ao hipotireoidismo. Recentemente, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a diminuição da quantidade de iodo no sal, principalmente porque o brasileiro consome mais sal do que deveria.
 
Cuidado com a balança
Junto à interminável lista de malefícios que o excesso de peso traz para o organismo, está o câncer de tireoide. Há algum tempo estudos já haviam relacionado a obesidade com riscos maiores de uma pessoa desenvolver esse tipo de câncer. Recentemente, um grupo de pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) publicou uma revisão de diversos estudos sobre o tema, mostrando fatores que levam a essa relação entre o aumento de obesos e o aumento da incidência da doença. O câncer de tireoide é um dos tumores que (junto aos de melanoma, rim e fígado) mais têm crescido em incidência no mundo todo, inclusive no Brasil.
 
Glândula espacial
Uma nova forma de estudar diferentes tipos de câncer é mandá-los, literalmente, para o espaço. Pesquisas mostraram que as células cancerígenas sofrem modificações genéticas diferentes – o que leva à produção de diversas substâncias – quando estão sob efeito da microgravidade. O câncer de tireoide foi um dos primeiros a ser estudados na Estação Espacial Internacional. Até o momento, as pesquisas não indicaram resultados concretos.
 
Para as grávidas, cuidado redobrado
São tantas as recomendações e alertas que as grávidas recebem ao longo da gestação, que em grande parte dos casos a atenção à tireoide fica esquecida. Não deveria, já que a falta dos hormônios T3 e T4 pode comprometer seriamente a evolução neurológica da criança. Como a glândula do feto só surge no terceiro mês de gestação – e só passa a funcionar plenamente pelo oitavo – é com os hormônios produzidos pela mãe que o bebê conta durante seu desenvolvimento. A recomendação de especialistas é de que, para manter os níveis hormonais corretos, as gestantes aumentem o consumo de iodo. Enquanto o indicado para um adulto é ingerir cerca de 150 microgramas do mineral, as grávidas devem aumentar para 250 microgramas.
 
Zero Hora

Estudo relaciona consumo de café a artérias mais limpas

Beber três ou quatro xícaras de café por dia poderia evitar entupimento
 
Beber três ou quatro xícaras de café por dia pode ajudar a evitar o entupimento das artérias, um fator de risco para as doenças cardíacas. A conclusão é um estudo sul-coreano publicado nesta semana no periódico Heart.
 
A pesquisa foi realizada com mais 25 mil homens e mulheres, com idade média de 41 anos e sem sintomas de doenças cardiovasculares. O objetivo era investigar a relação entre consumo de café e a presença de cálcio nas artérias, um indicador de aterosclerose. Essa doença é caracterizada pelo depósito de placas de gordura nas paredes das artérias, o que causa o entupimento dos vasos ou a redução do fluxo sanguíneo.
 
O estudo concluiu que média de cálcio nas artérias das pessoas que ingerem três ou quatro xícaras de café por dia é 10% menor em relação àquelas que tomam de uma a três xícaras, e quase 20% menor se comparada aos indivíduos que bebem menos de uma.
 
As evidências sugerem que o consumo de café poderia manter uma relação inversa ao risco de doenças cardiovasculares, conforme a pesquisa feita por cientistas do hospital Kangbuk Samsung, na Coreia do Sul.
 
Os pesquisadores advertiram, no entanto, que são necessárias novas pesquisas para confirmar o resultado e encontrar uma explicação biológica dos efeitos do café na prevenção do infarto.
 
Zero Hora

Mortalidade materna cai no Brasil, mas não atingirá meta da ONU

Altas taxas de parto normal dificulta redução
Alexandra Beier/Getty Images
Altas taxas de parto normal dificulta redução
Taxa caiu pela metade desde 1990, mas Brasil tem 62 casos a cada 100 mil nascimentos, quase o dobro do objetivo de 35
 
A tragédia da mortalidade materna vem atingindo menos mães a cada ano no Brasil, mas o ritmo de queda não será suficiente para que o país alcance até o fim do ano o Objetivo de Desenvolvimento do Milênio (ODM) neste quesito – e é mais lento do que seria possível e desejável, dizem especialistas.
 
A altíssima taxa de cesáreas, o excesso de intervenções desnecessárias, a falta de treinamento de equipes especializadas e a proibição do aborto são alguns dos fatores apontados como barreiras para que o risco diminua mais no país.
 
Em 2013, 65 mil mulheres morreram no Brasil por complicações ao dar à luz, durante ou após a gestação ou causadas por sua interrupção.
 
De acordo com o Ministério da Saúde, o Brasil tem hoje 62 casos a cada 100 mil nascimentos.
 
A meta estabelecida até o fim deste ano pelos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), da ONU, era chegar a uma taxa de 35 mortes por 100 mil nascimentos.
 
De 1990 para cá, a taxa caiu quase pela metade, mas a redução não será suficiente para que se consiga cumprir a meta.
 
"Provavelmente não chegaremos aos 35, mas todo o esforço está sendo feito para que continue a haver uma redução", diz Teresa de Lamare, diretora do Departamento de Ações Programáticas Estratégicas do Ministério da Saúde.
 
Ela diz que a meta será atingida, ainda que seja necessário um prazo maior.
 
"O importante é a tendência que estamos seguindo. O Brasil vem reduzindo a mortalidade materna e isso indica uma melhoria do sistema, qualidade da informação, equipes fortalecidas dentro do hospital e um pré-natal melhor”, diz ela, ressaltando ações que vêm sendo tomadas pelo Ministério da Saúde, sobretudo dentro da Rede Cegonha, criada em 2011
 
Paradoxo perinatal
De acordo com o último relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre o tema, a taxa média de mortalidade materna em países desenvolvidos era de 16 em 2003, enquanto em países em desenvolvimento pulava para 230. O avanço no Brasil foi considerado significativo.
 
Sônia Lansky, coordenadora da Comissão Perinatal da Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte, concorda que houve uma redução importante ao longo dos últimos 15 anos, mas considera o ritmo da queda incompatível com o desenvolvimento socioeconômico do país no período e com o nível de oferta do sistema de saúde.
 
"É o paradoxo perinatal brasileiro. Apesar da intensa medicalização do parto, há persistência de elevados índices de mortalidade materna. O índice de acompanhamento pré-natal aumentou muito, é satisfatório; o parto é hospitalar, feito por profissionais habilitados. A questão que fica como desafio, portanto, é a qualidade."
 
A advogada Beatriz Galli ressalta o mesmo paradoxo, apontando que a cobertura pré-natal hoje abrange 91% das grávidas, e que 98% dos partos são realizados em hospitais, números que não parecem condizentes com taxas de mortalidade ainda altas.
 
"Esta inconsistência sugere atenção pré-natal e ao parto de baixa qualidade", diz ela, assessora de políticas para a América Latina do Ipas, ONG que atua globalmente na área de direitos humanos, sexuais e reprodutivos das mulheres.
 
Entre os entraves para que os riscos para a mulher diminuam, considera Galli, estão a má-formação de profissionais, a falta de acesso a serviços qualificados de urgência e emergência e o excesso de uso de tecnologias sem evidências científicas de sua necessidade.
 
Violência obstétrica
"De dois anos para cá, temos discutido muito o conceito de violência obstétrica, que é um dos grandes responsáveis por mortes maternas no Brasil", avalia Paula Viana, coordenadora da ONG Curumim, que trabalha com direitos sexuais e reprodutivos no Recife.
 
Exemplos de violência obstétrica, para Viana, são o uso sem parcimônia de medicamentos como a ocitocina para acelerar o trabalho de parto vaginal – o que pode aumentar o risco de hemorragia; o modelo "hospitalizador" estabelecido como paradigma para o parto, com o médico no centro da equipe; e a falta de espaço para profissionais como enfermeiras obstetras e doulas – que abririam espaço para boas práticas com menores intervenções, por exemplo, recorrendo inicialmente a massagens e exercícios para aliviar a dor.
 
As principais causas de mortalidade materna são hemorragia, hipertensão, infecção e aborto.
 
Mas todos os especialistas consultados pela BBC Brasil são unânimes em dizer que a alta taxa de cesáreas no país é um dos vilões por trás dessas causas.
 
De acordo com o obstetra Marcus Dias, professor da pós-graduação do Instituto Fernandes Figueira (IFF) e pesquisador da Fiocruz, o procedimento traz três vezes mais risco de morte materna do que o parto normal.
 
"O Brasil tem um milhão de cesarianas desnecessárias todos os anos. Essa cifra significa que estamos expondo mulheres a um maior risco reprodutivo", afirma. "Se for ter uma nova gestação, esta carrega um risco pela cicatriz uterina anterior."
 
Excesso de cesáreas
A média de cesárias realizada por ano no Brasil é de 46,6%, mais de três vezes acima dos 15% recomendados pela Organização Mundial da Saúde. Na rede privada, a taxa chega a 85%.
 
Sônia Lansky diz que é preciso descontruir o mito criado no Brasil de que cesáreas são melhores para a mulher.
 
"É uma questão cultural brasileira que foi banalizada. Como se a cesariana diminuísse os riscos e aumentasse a segurança para a mulher. Mas ela tem efeitos adversos para a mãe e para o bebê, como o de não respeitar sua hora de nascer, o que está levando a um aumento de prematuros no Brasil."

Teresa de Lamare, do Ministério da Saúde, diz que o governo vem tomando diversas medidas mudar esse modelo, abarcadas pela Rede Cegonha, programa lançado em 2011 e que busca incentivar o parto normal assistir a mulher do planejamento familiar ao pós-parto.
 
Ela ressalta também a parceria firmada com a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS): em janeiro, a agência reguladora dos planos de saúde lançou resolução determinando que os percentuais de cirurgias cesáreas e de partos normais realizados por estabelecimento de saúde e por médico sejam informados às grávidas.
 
A correta atenção pré-natal é essencial para reduzir o número de mortes causadas por síndromes hipertensivas. Além disso, para Paula Viana, a experiência de parteiras tradicionais deve ser mais bem aproveitada para colaborar com o sistema de saúde no diagnóstico precoce de complicações.
 
De todos os fatores de risco, o aborto é o que menos depende do sistema de saúde, esbarrando na legislação que só permite o procedimento em caso de estupro, feto anencéfalo ou risco à saúde da mulher.
 
Abortos
As projeções variam, mas estima-se que entre 800 mil e 1,2 milhão de mulheres fazem abortos a cada ano, em casa ou em clínicas clandestinas. E dia sim, dia não, uma mulher morre porque o procedimento deu errado.
 
"É muito perverso. Elas tomam a decisão sozinha, escondem da família, escondem do sistema de saúde. E se dá errado evitam procurar um hospital com medo de serem criminalizadas", afirma Sônia Lansky, lembrando o caso recente em São Paulo em que um médico denunciou à polícia uma mulher que fizera um aborto, contrariando a ética médica de manter o sigilo próprio da relação com pacientes.
 
A prática de denúncia por profissionais de saúde não é nova, diz Beatriz Galli.
 
"Existe discriminação, estigma e violência institucional na atenção para mulheres em situação de aborto nos serviços de saúde, o que está relacionado à clandestinidade do aborto e à prática de denúncia das mulheres à polícia por parte de profissionais de saúde em serviços públicos brasileiros."
 
Teresa de Lamare afirma que o Ministério da Saúde preconiza que essas mulheres sejam atendidas, sem espaço para o juízo de valor.
 
"Nossa preocupação é salvar vidas. As outras questões dizem respeito à Justiça. Nossa responsabilidade é que elas sejam bem atendidas."
 
BBC Brasil / iG

Veja 8 alimentos ricos em probióticos que ajudam a emagrecer

Chucrute é uma conserva de repolho fermentado e também
pode conter probióticos
Iogurtes, queijos e até chucrute contêm probióticos, micro-organismos que auxiliam a regular a flora intestinal
 
Probióticos são micro-organismos vivos que atuam como fermentadores. Quando ingeridos na forma de alguns alimentos, proporcionam efeitos benéficos à saúde.
 
Segundo Karla Leal, nutricionista da PronoKal Brasil, “os probióticos preservam a flora intestinal como um todo, aumentando o número de bactérias benéficas e diminuindo a população dos micro-organismos patogênicos que podem causar doenças”.
 
A ação dos probióticos no intestino também aumenta a absorção de nutrientes e pode até mesmo melhorar o humor, segundo Karla. “Cerca de 90% da serotonina, o hormônio regulador do humor, é produzida no intestino. Por isso, se ele estiver desequilibrado, pode levar a depressão, por exemplo”.
 
Muito se diz sobre o potencial dos probióticos para auxiliar no emagrecimento. Mas será que eles são realmente eficientes para este objetivo?
 
Ina Carolina Menezes, nutricionista e consultora do Instituto Nyoá esclarece: “Existem artigos apontando que isso realmente acontece. O que pode ser explicado porque, de maneira geral, melhorando a flora intestinal e a absorção de nutrientes, o processo de emagrecimento é favorecido”.
 
Fabricação
Alguns alimentos lácteos fermentados contêm probióticos por terem sido enriquecidos com os micro-organismos em seu processo de fabricação. Daí a importância de sempre consultar os rótulos antes de consumir o alimento.
 
Karla acrescenta que a temperatura de transporte e armazenamento dos produtos é fundamental para garantir o efeito probiótico deles. “Devido a estes fatores, a garantia de ingestão adequada destes micro-organismos pode ser bastante prejudicada”.
 
Diante destas limitações, Ina Carolina aponta que os probióticos também podem ser consumidos na forma de suplementos, como cápsulas e em pó.
 
Confira na galeria abaixo alimentos que podem conter probióticos:
 
1. Iogurtes podem conter probióticos se os micro-organismos forem adicionados ao alimento no processo de fabricação
 
2. 'Kefir é um alimento em grão gelatinoso que contém vários probióticos', afirma Karla
 
3. Coalhada também é fonte de probióticos
 
4. Leite fermentado contém lactobacilos, que são probióticos
 
5. Chucrute é uma conserva de repolho fermentado e também pode conter probióticos
 
6. Missô, a sopinha japonesa, também contém os micro-organismos probióticos
 
7. Alguns queijos podem ter probióticos adicionados em seu processo de fabricação
 
8. Molho de soja é outro alimento que contém probióticos
 
iG

Primeira morte por dengue na cidade de São Paulo é confirmada

No período de 4 de janeiro até 14 de fevereiro, 2.708 casos foram notificados e 563 foram confirmados autóctones
 
A primeira morte por dengue na capital paulista foi confirmada nesta sexta-feira (6) pelo Instituto Adolfo Lutz, da rede estadual de saúde. A vítima era uma idosa, com aproximadamente 80 anos, moradora da Freguesia do Ó, zona norte da cidade, de acordo com a Secretaria de Saúde do Estado.
 
A prefeitura divulgou o último balanço sobre a situação da dengue na cidade na quinta-feira (26). No período de 4 de janeiro até 14 de fevereiro, 2.708 casos foram notificados e 563 foram confirmados autóctones (contraídos no município).
 
No estado, os dados são referentes aos meses de janeiro e fevereiro e mostram 38.714 casos de dengue. A doença matou 32 pessoas, incluindo aquela confirmada hoje na capital paulista.
 
O ministro da Saúde, Arthur Chioro, informou hoje que, nos dois primeiros meses do ano, houve aumento de 139% nos casos notificados de dengue no país, em relação ao mesmo período do ano passado. Em janeiro e fevereiro de 2015, foram 174,67 mil registros, contra 73,13 mil no primeiro bimestre de 2014.
 
O Tempo