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sexta-feira, 5 de junho de 2015

ANVISA: Aprovada norma sobre recall de alimentos

A Anvisa aprovou nesta terça-feira (2/6) a norma que trata sobre o recolhimento de alimentos em situações que possam envolver riscos para a saúde da população, também conhecido como recall. A nova resolução define a forma com que as empresas responsavéis pelos produtos deverão fazer a comunicação ao consumidor e à Anvisa
 
Uma das inovações da norma é que todas as empresas deverão ter um Plano de Recolhimento de produtos disponível aos seus funcionários e à autoridade sanitária. A norma também determina que as empresas tenham a rastreabilidade dos seus produtos de forma a garantir o recolhimento de um alimento quando necessário.
 
Para isso, as empresas da cadeia produtiva de alimentos deverão manter registros que identifiquem as origens dos produtos recebidos e o destino dos produtos distribuídos. Uma distribuidora de alimentos, por exemplo, terá que manter registros das empresas fornecedoras e também das empresas para as quais vendeu.
 
A norma também prevê que a empresa comunique imediatamente a Anvisa e os consumidores após a identificação de qualquer problema que represente risco ou agravo à saúde do consumidor e a necessidade de realização de recall. A Agência também poderá determinar o recolhimento caso não seja realizado voluntariamente pela empresa interessada.
 
De acordo com dados do Boletim Saúde e Segurança do Consumidor 2015, do Ministério da Saúde, no último ano houve 120 campanhas de recolhimento de produtos no Brasil, sendo seis referentes a alimentos. No mesmo período, os EUA registraram 396 processo de recolhimento, sendo 278 somente de alimentos.
 
A norma entrará em vigor em 180 dias a partir de sua publicação no Diário Oficial da União, ocorrerá nos próximos dias.
 
 
ANVISA

Cirurgias ortopédicas crescem 72% no primeiro quadrimestre do ano

Dados divulgados nesta terça-feira (2) pelo Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia Jamil Haddad (Into) apresentou números que revelam aumento de 72% nos procedimentos cirúrgicos feitos no primeiro quadrimestre deste ano, em comparação ao mesmo período do ano passado
 
Foram feitas 3.289 cirurgias de janeiro a abril de 2015, enquanto nos quatro primeiros meses de 2014 o número chegou a 1.908. Do total de operações feitas este ano, 36% são consideradas de alta complexidade.
 
O percentual mostra evolução ao longo dos anos. O Into é considerado referência ortopédica do Sistema Único de Saúde (SUS). O volume de atendimentos ambulatoriais cresceu 22% no quadrimestre, somando 70.304. No mesmo período do ano passado, foram feitos 57.738 atendimentos.
 
O coordenador Assistencial do Into e vice-diretor geral da instituição, vinculada ao Ministério da Saúde, Naasson Trindade Cavanellas, disse que a expansão das cirurgias ortopédicas é resultado de uma conjugação de fatores, como o aumento da produção cirúrgica e os mutirões. O processo foi iniciado, há dois anos, com o recadastramento de 8.251 pacientes que estavam na lista de espera, visando a agilizar o atendimento.
 
Com isso, a fila de espera por cirurgias no Into caiu de 17.854 pessoas, em 30 de abril de 2014, para 16.820, um ano depois. Cerca de 2 mil pessoas não foram encontradas pelo instituto nos endereços fornecidos, mas, apesar disso, não podem ser retiradas da fila porque não se sabe se fizeram a cirurgia em outro hospital, se mudaram de residência, ou mesmo se morreram, informou a assessoria de imprensa do Into.
 
Cavanellas destacou que, por mais que o Into faça cirurgias, a demanda continua aumentando. “Mas a gente tem conseguido equalizar entre a demanda e o que faz no Into.” A meta para 2015 é alcançar 10,6 mil cirurgias ortopédicas, número pactuado com a Defensoria Pública para acelerar o atendimento. O coordenador acredita que a meta poderá ser atingida. “Se faltar alguma coisa para a meta, nós conseguimos com alguns mutirões internos. A gente consegue chegar lá.”
 
No próximo dia 15, o Into dará seguimento ao Projeto Suporte, com um novo mutirão de cirurgias em Rondônia. O projeto foi iniciado há 11 anos e já promoveu 105 ações em 25 estados, totalizando 4.352 consultas, 2.338 cirurgias e 54 jornadas científicas e intercâmbios de ortopedia com médicos locais. “O objetivo do projeto é atender pessoas de lugares que não têm acesso à medicina ou à ortopedia de alta complexidade, principalmente no Norte do País. Amazonas, Rondônia, Acre, Roraima são estados que não têm especialistas nem condições materiais de fazer determinadas cirurgias. Então, nós vamos a esses locais e fazemos um número bem expressivo de cirurgias de porte grande.”
 
Este ano, a equipe do Into já foi duas vezes ao Acre, onde fez 60 procedimentos cirúrgicos em abril e maio. Em Rondônia, estão previstas 30 cirurgias de joelho no Hospital de Base Doutor Ary Pinheiro, em Porto Velho, em uma primeira etapa, e a partir de 7 de julho, devem ocorrer mais 30 cirurgias de quadril, no mesmo hospital. Cavanellas informou que as cirurgias de joelho, quadril e coluna são as mais procuradas, inclusive no Into, no Rio de Janeiro.
 
O Projeto Suporte é uma parceria do instituto com as secretarias estadual e municipais de Saúde, que costumam disponibilizar as salas cirúrgicas, material hospitalar e, eventualmente, pessoal para que as cirurgias possam ser feitas. O Into fornece todo o material de instrumentação para as cirurgias, como implantes e próteses, além dos profissionais especializados. A equipe do projeto é composta, em média, de 16 profissionais, entre médicos, enfermeiros e técnicos. Cada ação dura uma semana, em média. “Normalmente, são duas ou três salas cirúrgicas simultâneas, fazendo três ou quatro cirurgias por dia. Depende do estado”, contou Cavanellas.
 
Fonte: Agência Brasil / Blog da Saúde

Sociedade de geriatria lança campanha de prevenção ao herpes-zóster

Foto: Reprodução da Internet - Herpes-zóster
O brasileiro ainda não tem conhecimento completo sobre as complicações de saúde causadas pelo herpes-zóster, uma infecção viral que provoca pequenas bolhas na pele

A conclusão é da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), que lançou ontem (4) uma campanha de esclarecimento da população sobre a doença.
 
A diretora científica da Seção São Paulo da entidade, Maisa Kairalla, informou que a melhor forma de identificar a doença é em uma consulta médica. Como sinais do herpes-zóster, ela apontou lesões vermelhas na pele e, com a evolução da doença, o aparecimento de criação de crostas escurecidas.
 
O atraso no diagnóstico é um dos maiores problemas. “Em geral as pessoas procuram três médicos para fazer o diagnóstico, então há um retardo que prejudica o tratamento. O que a gente gostaria é que as pessoas pensassem realmente que pode ser herpes-zóster, para ser mais bem identificado. A pessoa precisa ter lesão de pele e ela coça e dói. Às vezes, a gente pensa que é um inseto ou uma alergia e, na verdade, são sintomas. No início, ela coça bastante e a pessoa procura um médico por isso. O melhor é procurar um médico”, aconselhou, em entrevista à Agência Brasil.
 
A médica disse que a prevenção pode ser feita por uma vacina que ainda não está disponível na rede pública do Brasil. “Essa vacina é apenas privada, custa em média R$ 450 e ainda não está disponível no sistema público. É nova no Brasil, cerca de um ano, e há quase dez anos [foi] aprovada nos Estados Unidos. É uma vacina com eficácia acima de 70% contra a doença do herpes-zóster e a nossa perspectiva é que no futuro seja adotada por toda a população.”
 
Maisa Kairalla informou que o tratamento é feito à base de antivirais para tentar diminuir a replicação do vírus e a intensidade da doença. “O pior do herpes-zóster é uma consequência que ele traz, que é uma dor causada pela lesão do nervo onde ele se instalou. Isso pode durar anos e piora a qualidade de vida e reduz a funcionalidade do paciente, que muitas vezes fica deprimido porque não consegue nem se vestir. Se for um zóster ocular, pode cegar”, explicou.
 
A médica informou ainda que a doença tem maior incidência em idosos, e é por isso que a vacina é indicada para pessoas a partir dos 50 anos. Segundo ela, pesquisas dos Estados Unidos indicam que uma em cada três pessoas desenvolverá herpes-zóster durante a vida, atingindo 50% entre os indivíduos acima dos 85 anos de idade.
 
A diretora afirmou que no Brasil não existe um controle do número de pacientes, porque não é uma doença de notificação compulsória. “A gente tem muito retardo no diagnóstico ou não tem o diagnóstico, mas a gente estima que a população brasileira seja próxima dessa daí [das pesquisas americanas]”, destacou.
 
A médica espera que a campanha seja um alerta para que o Ministério da Saúde inclua a vacina no calendário oficial do país.
 
Agência Brasil

Goiás entra em estado de alerta após confirmar dois casos de febre amarela

Goiás entra em estado de alerta após confirmar dois casos de febre amarela
Arquivo Wikipedia: Goiás entra em estado de alerta após
confirmar dois casos de febre amarela
Há mais três pessoas com suspeita de terem sido infectados pela doença
 
O estado de Goiás tem dois casos de febre amarela confirmados e três suspeitos, informou ontem (4) a gerente de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Saúde, Magna Maria de Carvalho. Segundo ela, foi decretado estado de alerta na região, a fim de evitar o avanço da doença e, principalmente, o risco de um ciclo de transmissão urbana.
 
Das cinco pessoas com suspeita da doença, apenas uma mora em Goiás. Dois casos suspeitos foram identificados na cidade goiana de Alto Paraíso, sendo um deles estrangeiro. Há também um caso em Niquelândia, um em São Miguel do Araguaia, envolvendo morador de Brasília, e um em Alexânia.
 
“Todo o estado já está em alerta. Comunicamos também os estados vizinhos, inclusive o DF [Distrito Federal], sobre essas ocorrências”, disse a gerente.
 
Magna explicou que a secretaria tem atuado em duas frentes de combate à doença. “Primeiro, orientando as pessoas que nunca se vacinaram ou que tomaram menos de duas doses de vacina a procurar uma unidade de saúde e se vacinar. A segunda, orientando as secretarias municipais desse municípios onde há casos [suspeitos] a melhorar e intensificar o combate ao mosquito.”
 
Só está definitivamente imune a pessoa que tomar duas doses de vacina. A proteção, no entanto, já é efetiva dez dias após a primeira dose. “É importante lembrar que a vacina contra febre amarela não faz parte do calendário básico de vacina de todos estados. Como Goiás recebe fluxo migratório importante, temos pedido [a outros estados] a ajuda para esclarecer as pessoas sobre a necessidade de que se vacinarem com pelo menos dez dias de antecedência”, acrescentou a gerente.
 
Agência Brasil / iG

Contra epidemias, países ricos lançam plano para 'exército global' de médicos

Contingente de médicos e pesquisadores funcionaria como uma reserva militar
Contingente de médicos e pesquisadores funcionaria como
 uma reserva militar
Força-tarefa de 10 mil médicos deve ser criada em resposta à recente epidemia de ebola
 
Um plano para se criar uma força-tarefa global de 10 mil médicos e cientistas contra epidemias será apresentado na próxima reunião do G7, grupo formado por representantes das maiores economias de países desenvolvidos - Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão, Reino Unido e Estados Unidos - no próximo domingo, na Alemanha, segundo apurou a BBC.
 
Trata-se de uma resposta direta ao recente surto de ebola, o maior já registrado, com 27 mil vítimas na África Ocidental.
 
O projeto prevê ainda melhorias no sistema de monitoramento de doenças, especialmente em países mais pobres, e investimentos no desenvolvimento de novas drogas. Especialistas dizem que tais medidas teriam impedido que a epidemia de ebola atingisse uma escala sem precedentes.
 
"Discutiremos como nos preparar melhor para tais surtos, como preveni-los e como reagir mais rápido quando eles ocorrerem", disse a chanceler (premiê) alemã e atual presidente do G7, Angela Merkel, em artigo publicado nesta semana, com base em conselhos recebidos do empresário Bill Gates, de empresas farmacêuticas e de especialistas em saúde pública.
 
"A criação de uma força-tarefa global, com um financiamento adequado, é sem dúvidas um objetivo de médio prazo, mas talvez deveríamos analisá-lo agora."
 
Documentos aos quais a BBC News teve acesso detalham que esta equipe de médicos e cientistas funcionaria como uma reserva militar. Eles de dedicariam a seus trabalhos pessoais normalmente, mas estariam prontos para irem a campo quando requisitados. O projeto ainda prevê um novo grupo independente dentro da Organização Mundial da Saúde (OMS), responsável por lidar com epidemias.
 
Também seriam criados centros de testes em países-chave, a maioria deles na África Subsaariana, com um custo anual estimado em US$ 15 milhões (R$ 45 milhões), além de investimentos da ordem de US$ 100 milhões em pesquisas de medicamentos, exames e vacinas, com foco em dez doenças, como o coronavírus MERS, a febre de Lassa e novos tipos de vírus da gripe.
 
'Grande impacto'
Um dos conselheiros de Merkel, o médico Jeremy Farrar, diretor do Wellcome Trust, fundação dedicada a temas de saúde, alerta que não se deve subestimar os custos gerados pelas epidemias.
 
"Os custos relacionados à epidemia mais recente de ebola devem ficar em torno de US$ 5 bilhões a US$ 10bilhões. Há dez anos, o vírus Sars teve custos semelhantes", afirma Farrar. "Já o dinheiro que seria gasto com pesquisa, monitoramento e o preparo necessário para agir nestes casos seriam uma fração disso."
 
Jonathan Ball, professor de virologia da Universidade de Nottingham, no Reino Unido, avalia que a resposta ao surto de ebola foi lenta e que isso levou a um aumento exponencial dos casos de contágio no fim do ano passado. "O monitoramento e diagnóstico são cruciais para identificar epidemias assim que elas começam e podem ter um grande impacto em seu controle."
 
"Isso teria impedido que o ebola se espalhasse tanto na África", complementa Ball. "É difícil prever quando e onde ocorrerá um novo surto, mas, se a comunidade global estiver preparada para reagir de forma ágil, poderemos contê-lo antes que se alastre demais. Por isso, medidas como essas são muito importantes."
 
BBC Brasil / iG

SP prorroga campanha de vacinação contra gripe até o dia 12

Foto: G1
A secretaria estadual de Saúde de São Paulo sugeriu aos municípios paulistas que a campanha de vacinação contra gripe seja prorrogada até o dia 12 de junho
 
Pelo calendário do Ministério da Saúde, que concede as vacinas, o prazo para a imunização acaba nesta sexta-feira, 5. Segundo balanço da pasta, apenas 7,5 milhões de pessoas foram vacinadas no Estado. A campanha tem como meta imunizar até 80% do público-alvo, ou seja, 11,8 milhões de pessoas das 14,7 milhões indicadas para receber a vacina. Além de gestantes são considerados público-alvo: bebês e crianças, idosos e pessoas portadoras de doença crônica.

A assessoria da secretaria informou que a decisão de prorrogar a campanha, no entanto, depende de decisões municipais. Segundo a pasta, as cidades têm autonomia para prorrogar ou encerrar a campanha, mas a orientação do órgão estadual é que todos aqueles municípios que não atingiram a meta continuem concedendo a vacina.

"É muito importante que as pessoas não percam esta oportunidade de tomar a vacina antes da chegada do inverno, prevenindo-se contra as complicações decorrentes da gripe, como pneumonias, por exemplo", alertou Helena Sato, diretora de Imunização da Secretaria, em nota.

Entre os grupos indicados para receber a vacina o de maior preocupação, segundo a secretaria, é o do de gestantes. O último levantamento, divulgado nesta quinta-feira, 03, mostrou que apenas 258,6 mil grávidas foram imunizadas. O objetivo é chegar a 458,2 mil. Ao se vacinar as gestantes também imunizam os bebês até os seis meses de vida, destaca Helena.

Com relação aos idosos com 60 anos ou mais, já foram vacinados 3,5 milhões. A meta é chegar a 4,8 milhões. Já no público infantil, de crianças entre seis meses e menos de cinco anos de idade, 1,5 milhão foi imunizada, e o objetivo é chegar em 2,5 milhões.

A secretaria de Saúde informa ainda que também foi vacinado 1,3 milhão de pacientes diagnosticados com doença crônica, 68,8 mil puérperas (até 45 dias após o parto), 666,2 mil trabalhadores da saúde, 4,9 mil indígenas e outras 101 mil pessoas relacionadas ao sistema prisional. Além de proteger a população contra a gripe A (H1N1), a vacina também protege contra outros dois tipos do vírus influenza: A (H3N2) e B.
 
Estadão Conteúdo

Saiba tudo sobre ‘Viagra feminino’, que pode ser aprovado nos EUA nesta semana

Esta semana, a Food and Drug Administration (FDA), órgão dos Estados Unidos que regulamenta a produção e a comercialização de remédios e alimentos no país, reúne um painel de consultores para decidir sobre a aprovação do Flibanserin – medicamento que já foi apelidado de “Viagra feminino”
 
A questão, no entanto, é polêmica – com argumentos fortes dos dois lados. Apesar de não ser uma exclusividade das mulheres – e o Viagra e seus similares estão aí para provar que os homens também enfrentam distúrbios sexuais ao envelhecerem -, a natureza do problema é bem diferente em cada caso.
 
“Nós, médicos, costumamos dizer que existem três formas de disfunção sexual entre os homens: ereção, ereção e ereção”, afirma Stephen Stahl, psquiatra da Universidade da Califórnia em San Diego. “Entre as mulheres, os problemas também são três: desejo, desejo e desejo.”
 
A causa precisa desse declínio – e até as origens do desejo – é um mistério para os cientistas, apesar de eles saberem que é algo relacionado ao circuito de compensação do cérebro.
 
Uma das teorias é que o distúrbio, conhecido como frigidez ou anafrodisia, resulta de uma incapacidade de “desligar” as partes frontais do cérebro responsáveis pelas tarefas cotidianas. Como resultado, esse circuito, que lida com motivação e prazer, é inibido.
 
Desde que o Viagra comprovou ser eficiente do tratamento da disfunção erétil (sem falar nos lucros gerados para a empresa que o desenvolveu), começou uma corrida para encontrar um medicamento semelhante para as mulheres – mas um que tenha uma ação no cérebro e não nos órgãos genitais.
 
O Flibanserin foi um dos primeiros a largar nessa corrida. Inicialmente desenvolvido para ser um antidepressivo, provou-se ineficaz na alteração do humor. Mas nos estudos clínicos com a droga, as mulheres manifestavam um efeito colateral inesperado: um maior interesse em sexo.
 
O remédio parece agir regulando o equilíbrio dos neurotransmissores nos circuitos cerebrais, principalmente a dopamina, a noradrenalina e a serotonina. “Acreditamos que a droga normaliza ou compensa algo que não esteja ajudando a afinar esses circuitos”, afirma Stahl. “Ou ainda, ela pode permitir que as mulheres se libertem da ação desses circuitos frontais que estão inibindo o desejo sexual.”
 
Apesar de o Flibanserin ter sido descartado como antidepressivo, ele foi logo reformulado para funcionar como um detonador do desejo sexual para mulheres com frigidez.
 
No entanto, os primeiros testes não conseguiram provar um efeito significativo, mesmo com algumas voluntárias relatando terem experimentado “eventos sexuais satisfatórios”. Por isso, o FDA reprovou o medicamento em 2010.
 
Outros estudos realizados desde então, entretanto, sugeriram que a droga aumenta o desejo sexual, mas com um efeito modesto.
 
“O problema é: como você mede a melhora?”, pergunta Susan Scanlan, diretora da campanha Even The Score, que defende uma solução medicinal para a frigidez.
 
Segundo ela, a base de referência é baixa. “A mulher americana média faz sexo três vezes por mês. Se uma paciente não tiver essa frequência, será que isso significa que o medicamento não funciona?”, questiona. De fato, as voluntárias que tomaram Flibanserin relataram ter tido uma média de 2,5 eventos sexuais em um período de 28 dias – mais do que as mulheres frígidas que não estavam usando o remédio, cuja média foi de 1,5 evento.
 
Muitas das voluntárias também acreditam ter sentido uma grande melhora. Entre elas está Gattuso, que participou de um teste com o Flibanserin em 2011. “Depois de duas semanas, eu era outra pessoa”, conta. “Eu acordava no meio da noite, acariciava meu marido. A intimidade, o desejo, a troca… Tudo estava 100% ali.”
 
Efeitos colaterais
Uma das preocupações tem sido os efeitos colaterais do medicamento, como sonolência, tontura e náusea. Scanlan argumenta que esses sintomas são bem menos agressivos do que aqueles que decorrem do uso do Viagra e de outros remédios para a disfunção erétil, como problemas cardíacos, por exemplo.
 
Outros grupos temem que a aprovação do Flibanserin incentive mulheres a buscar uma solução química para um problema que poderia ser resolvido com aconselhamento psicológico ou tratando de outros problemas, como estafa e depressão.
 
“No desejo, as relações são importantes, o contexto é importante e fatores situacionais como o humor e a privacidade são importantes”, afirma Cynthia Graham, professora de saúde psicológica na Universidade de Southampton, na Grã-Bretanha.
 
Ela, no entanto, concorda que uma solução farmacêutica poderia ajudar em determinadas situações, “desde que se conheça bem os efeitos colaterais”.
 
Há ainda especialistas que acreditam que a reprovação do Flibanserin atrapalhe outras tentativas para se buscar alternativas mais eficazes para o problema.
 
Certamente, ninguém está sugerindo uma solução rápida para a falta de desejo, sem se levar em consideração fatores como cansaço, stress, outros medicamentos e questões do relacionamento. “Uma pílula não vai salvar um casamento que está indo mal”, lembra Stahl.

BBC Brasil