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domingo, 3 de agosto de 2014

Benefícios da erva doce para a saúde

Muito conhecida devido às suas propriedades medicinais, a erva doce é cultivada em diversas regiões de clima temperado ou subtropical, mas tem origens no Mediterrâneo

Também conhecida como anis e funcho, a erva pode ser usada no tempero de alimentos, como aromatizador ou ainda na forma de chá. De nome científico Pinpinella anisum, a planta pode ser facilmente encontrada para comprar em feiras, mercados, lojas de produtos naturais e farmácias de manipulação.

Propriedades e benefícios
A erva doce pode ser usada de forma eficaz no alívio de gases, combate à cólica intestinal, auxílio na digestão, controle da pressão arterial, além de poder contribuir com o emagrecimento. O bulbo da erva possui flavonoides semelhantes ao estrógeno e, por isso, o consumo de erva doce diminui ainda o risco de câncer nas mulheres.

Rica em fibras, a planta aumenta a saciedade e ajuda a regular o funcionamento intestinal, diminuindo a fome e o inchaço abdominal. A presença de ácido málico ajuda a diminuir a vontade de consumir doces, auxiliando no emagrecimento. Com ação antioxidante, a erva é eficaz no combate aos radicais livres, responsáveis pelo envelhecimento precoce da pele.

A erva age ainda como relaxante, vermífugo, antirreumático, relaxante muscular, antiespasmódica, expectorante, tônico, cicatrizante, calmante natural, diurético, sudorífico, galactagogo, antidispéptico e estimulante, e sua composição é formada por vitaminas A, B e C, fibras, sódio, ferro, potássio, cálcio, zinco, cobre, água e glúcidos. Seu consumo ajuda a combater a tosse, prevenir o mau hálito e, para mulheres em fase de amamentação, o chá ajuda na produção de leite, ajudando ainda a prevenir a cólica dos bebês.

O consumo da erva doce auxilia ainda no tratamento da acidez estomacal, asma, bronquite, espasmos, dor de barriga, dor de cabeça, inflamações, má digestão, palpitações, inchaço, gripe, resfriado, catarro e coriza.

Como preparar o chá? 

Para preparar o chá, você vai precisar de:
- 1 litro de água

- 3 colheres de sopa de sementes de erva doce secas

Em um recipiente, coloque a água e leve ao fogo, aguardando alcançar fervura. Em seguida, adicione as colheres de erva doce e desligue o fogo, deixando a mistura descansar por cerca de cinco minutos. Coe e consuma em seguida. Você pode adoçar, mas o ideal é consumir sem açúcar, no máximo três xícaras ao dia.

Contraindicações
O consumo de erva doce é contraindicado para gestantes, pois as sementes podem desencadear contrações e levar ao aborto. Além disso, é contraindicado ainda para pacientes com úlcera duodenal, refluxo, colite ulcerosa ou diverticulite.

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Benefícios e propriedades da arnica

A arnica é um gênero de aproximadamente 30 espécies de plantas perenes e herbáceas, pertencentes à família Asteraceae 

O termo “arnica” significa “pele de cordeiro” e faz uma alusão às suas folhas peludas e suaves. Devido aos flavonoides presentes em sua composição, esta planta possui propriedades medicinais que proporcionam vários benefícios à nossa saúde.

As propriedades medicinais da arnica 

- Adstringente;

- Analgésica;

- Aromática;

- Anti-inflamatória;

- Antiespasmódica;

- Estimulante circulatório;

- Hipoglicêmica;

- Hipotensora;

- Sedativa;

- Tônico cerebral.

Os benefícios e os usos tradicionais
A arnica é comprovadamente hepatotóxica e nunca deve ser utilizada por via oral. Dentre os usos tradicionais com a planta, podemos citar: combate de hemorragias leves, cicatrização de ferimentos superficiais e tratamento de machucados com hematomas e inflamações. Além de ajudar a eliminar as manchas roxas, a arnica também pode ser utilizada pelas pessoas que sofrem de reumatismo. Na forma de talco, a planta pode ser usada para tratar irritações de pele em bebês; como cosmético, a arnica combate a queda de cabelo e a oleosidade.

Óleo de arnica para hematomas e inflamações
A sabedoria popular da avó e da mãe com relação à arnica possui comprovação científica. Segundo uma pesquisa realizada pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), substâncias presentes na arnica, a inolina e a quercitina, possuem efeito analgésico e anti-inflamatório, colaborando para diminuir o inchaço, as dores e os hematomas. Sendo assim, o óleo ou tintura de arnica é um dos melhores medicamentos para tratamento de machucados com hematomas e inflamações.

Veja a seguir como preparar o óleo e a tintura de arnica:

Tintura especial de arnica 

Ingredientes:
- ½ litro de água;

- ½ litro de álcool de cereais;

- 100g de folhas de arnica (secas ou frescas).

Modo de preparo:
Misturar os ingredientes, tampar e deixar descansando em lugar longe da luz por 15 dias. Coar e colocar em um vidro escuro. 

Aplicar nas região doloridas do corpo, a cada 6 horas.

Óleo de arnica 

Ingredientes:
- 7 colheres de sopa de azeite de oliva;

- 100g de folhas secas de arnica.

Modo de preparo:
Misturar os ingredientes e levar ao fogo em banho-maria, com a panela tampada, por 3 horas. Espremer bem o resíduo para retirar o extrato e coar. Para tratar dores musculares e reumáticas, utilize o óleo ainda morno.

Precauções
Como já foi dito, a arnica possui substâncias extremamente tóxicas, sendo assim, o seu uso é apenas externo. Nunca faça chás com as da arnica, pois pode causar vômito, fraqueza, aumento da pressão arterial e dores abdominais.

Nunca tome sol após aplicar a arnica na pele, pois existe o risco de irritação e reações alérgicas. Lembre-se sempre da importância de consultar um especialista antes de iniciar qualquer tratamento!

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Estudo revela aspectos da neurologia e psiquiatria na Babilônia

O estudo da mente não é uma coisa nova, já que a nossa consciência nos intriga aproximadamente desde que o mundo é mundo

Um artigo publicado na revista “Brain” examina a neurologia e a psiquiatria na Babilônia. O trabalho é uma colaboração entre o neurologista britânico Edward H. Reynolds e o assiriólogo James V. Kinnier Wilson.

A pesquisa é fascinante porque as fontes discutidas nela têm quase 4 mil anos de idade, datando da Primeira Dinastia Babilônica, que vai de 1894 a 1595 aC. Usando a escrita cuneiforme, que era gravada em tabuletas de argila, os babilônios deixaram registros que (ao contrário do papel) eram inerentemente duráveis, e por isso muitos deles sobreviveram. Toda compreensão da escrita cuneiforme foi perdida, no entanto, há milhares de anos, e a linguagem só foi decifrada novamente no século XIX.


Os textos revelam que os babilônios eram notáveis observadores e documentalistas das doenças e do comportamento humanos. No entanto, seu conhecimento de anatomia era limitado e superficial. Acreditava-se que algumas doenças tinham uma base física, tais como vermes, picadas de cobra e traumas. Muitas outras seriam o resultado de forças do mal que precisavam ser expulsas. Outras, talvez a maioria das doenças, exigiam o atendimento de uma espécie de padre ou exorcista, conhecido como um asipu, para expulsar demônios ou espíritos.

Por exemplo, uma das tabuletas fornece uma visão geral da epilepsia e de convulsões. O texto mostra uma compreensão detalhada dos sintomas e prognósticos desta doença, que os babilônios chamavam de miqtu. No entanto, eles não acreditavam que isso tinha algo a ver com o cérebro.

“Ao longo do texto fica evidente que a concepção babilônica da epilepsia é um distúrbio sobrenatural, devido à invasão do corpo por demônios ou espíritos, por vezes com nomes individuais para os espíritos associados a determinados tipos de crises”, relata o estudo de Reynolds e Kinnier Wilson. “A primeira linha diz: ‘Se a epilepsia recai uma vez sobre uma pessoa [ou muitas vezes] é o resultado de possessão por um demônio ou espírito que partiu’”.

No entanto, se você já está achando que os babilônios não iam muito além das superstições no campo da saúde, não forme sua opinião ainda. Algumas de suas observações clínicas eram certeiras. Por exemplo, o relato a seguir de uma convulsão motora focal unilateral, que hoje chamamos de “Jacksoniana”, ilustra a atenção precisa aos detalhes clínicos dos estudiosos daquele povo.

“Se, no momento da sua possessão, enquanto ele está sentado, seu olho (esquerdo) se move para o lado, seu lábio contrai, saliva flui de sua boca, e sua mão, perna e tronco do lado esquerdo estremecem (ou se contraem) como uma ovelha recém-abatida – é miqtu. Se no momento da possessão ele está consciente, o demônio pode ser expulso; se no momento da posse ele não está tão consciente, o demônio não pode ser expulso”.

Reynolds explica que isso mostra que os médicos babilônicos eram obviamente cientes de que os componentes motores do início do episódio podiam levar a perda de consciência, “quando se tornava mais difícil de expulsar o demônio”.

Os babilônios também estavam cientes de que a epilepsia podia matar, escrevendo que “Se um demônio da epilepsia cai muitas vezes sobre ele e em um determinado dia ele o persegue e possui sete vezes, sua vida será poupada. Se cair sobre ele oito vezes, a sua vida pode não ser poupada”.

Embora não haja, de fato, nada de especial no número sete, isso pode ser uma alusão ao fato de que as apreensões persistentes prolongadas (o que chamamos de estado de mal epiléptico) podem ser fatais. Sete foi presumivelmente escolhido como o “limite” porque era considerado um número mágico ou sagrado.

Outra tabuleta descreve o que agora é conhecido como psicose de epilepsia, semelhante à esquizofrenia. Tal distúrbio é caracterizado por convulsões, paranoia e alucinações.

“…Um demônio, então, começa a infligir-lhe (ideias de) de perseguição, de modo que ele diz – embora ninguém vá concordar com ele que é assim – que o dedo de condenação está sendo apontado para ele por trás das costas e que o deus ou a deusa estão zangados com ele”, escreveram os babilônios, acrescentando sintomas como visões “horríveis, alarmantes, ou imorais”, um estado constante de medo e ausência de desejo sexual pelo sexo oposto.

E lista ainda segue. “Se ele se engaja em explosões periódicas de raiva contra o deus ou deusa, está obcecado com delírios de sua própria mente, muda sua própria religião, e diz – embora (de novo) vá negá-lo – que sua família é hostil em relação a ele e que deus, o rei, seus superiores e os anciãos (da cidade) o tratam injustamente…”.

Reynolds e Kinnier Wilson dizem que, assim como a epilepsia e o acidente vascular cerebral, fontes babilônicas descrevem estados comportamentais irracionais que parecem corresponder a nossas doenças “psiquiátricas”, como transtorno obsessivo-compulsivo e depressão. No entanto, curiosamente, os textos não contêm informações de sintomas “interiores” e subjetivos desses distúrbios, embora hoje sejam considerados a essência da doença “mental”.

Apesar de terem relatado muitas condições mentais, os babilônios não escreveram sobre pensamentos ou sentimentos subjetivos como transtornos obsessivos-compulsivos, pensamentos suicidas e tristeza por depressão. “Estes fenômenos subjetivos só se tornaram um campo relativamente moderno de descrição e pesquisa nos séculos XVII e XVIII, possivelmente sob a influência do movimento Romântico. Isto levanta questões interessantes sobre a evolução da autoconsciência humana”, observam os cientistas. 

Gel dificulta a evolução do câncer de mama

O Tamoxifeno tem demonstrado menos efeitos colaterais quando aplicado topicamente
O remédio tem a mesma substância ingerida pelas pacientes. Segundo cientistas dos EUA, a aplicação local reduz os efeitos colaterais e aumenta a eficácia da terapia  

Na puberdade, as glândulas mamárias de uma menina começam a se desenvolver devido à liberação dos hormônios sexuais femininos na circulação sanguínea. As mamas são extremamente sensíveis à ação da progesterona e do estrógeno, que se ligam ao tecido dos seios por meio de moléculas conhecidas como receptores. É essa associação que vai controlar a multiplicação celular, atendendo às exigências da vida sexual e reprodutiva do organismo. Quando as células cancerígenas passam a promover alterações nessa região, uma de suas estratégias é manter esses receptores, pois será a partir deles que elas conseguirão se “alimentar” e, assim, crescer e se desenvolver. Essa explicação corresponde a 70% dos casos de câncer de mama, tendo a droga tamoxifeno como principal terapia contra eles.

A substância não é um quimioterápico, age interrompendo essas ligações entre o receptor e o hormônio para que o tumor não possa mais evoluir (veja infografia). Atualmente, a medicação é ministrada oralmente, afetando o corpo de maneira sistêmica, ou seja, por inteiro. Uma nova proposta de entrega dessa substância pode mudar completamente a forma como são desenvolvidos os tratamentos anticancerígenos. De acordo com uma pesquisa publicada hoje na Clinical Cancer Research, uma revista especializada da Associação Americana para Pesquisa do Câncer, o mesmo medicamento em forma de gel poupou as pacientes de uma série de efeitos colaterais normalmente percebidos na versão oral. Além disso, ele também se mostrou mais eficaz devido à aplicação local — mais restrita e intensa.

A variação do tamoxifeno em gel criada por uma equipe que reuniu diversos departamentos da Escola de Medicina da Universidade Northwestern Feinberg recebeu o nome de 4-OHT. O estudo comparativo com a terapia oral foi feito com 27 mulheres com carcinoma mamário in situ, idade entre 45 e 86 anos e no período pré ou pós-menopausa. Metade delas tomou o medicamento oralmente e a outra aplicou o produto nos seios de seis a 10 semanas antes de uma cirurgia de mastectomia. No processo, a concentração de tamoxifeno no tecido adiposo mamário e em seus principais metabólitos foi determinada por espectrometria de massa de cromatografia.

“Neste estudo, demonstramos que a aplicação do gel 4-OHT na pele resultou em níveis elevados de droga no seio e em níveis baixos na circulação. Isso manteria a eficácia da droga, mas minimizaria os efeitos colaterais”, concluiu a principal autora do trabalho, Seema Khan. O nível baixo da droga no sangue reduziu efeitos colaterais hormonais e de coagulação que são comumente vistos em pacientes tratadas com tamoxifeno orais. Após as semanas de aplicação do gel, um marcador de proliferação celular (Ki-67) também foi reduzido no tecido da mama a níveis comparáveis ao do tratamento por comprimidos.

Fígado protegido
Para o chefe do Departamento de Oncologia Clínica do Instituto Brasileiro de Controle do Câncer (IBCC), Auro del Giglio, o estudo é preliminar e com um número ainda reduzido de pacientes, mas é capaz de mostrar uma certa superioridade do gel devido à diminuição de efeitos colaterais importantes. “Ele influi menos nos parâmetros de coagulação e isso pode se traduzir numa menor taxa de tromboembólicos. É um estudo de viabilidade para mostrar que o tamoxifeno por via transcutânea reserva as mesma características anticancerígenas da versão oral, sem o prejuízo de coagulação que ele produz.”

Del Giglio explica que uma possível vantagem é que a absorção transcutânea faz com que a substância não passe pelo fígado, como acontece na administração oral, levando a uma alteração nos efeitos sistêmicos. Uma vez que a via é diferente, não atinge todo o corpo. “Existem outros medicamentos que interferem no metabolismo do tamoxifeno por meio fígado, como os antidepressivos. Pode ser que essa interação deixe de acontecer com o gel”, cogita.

A opinião é similar à da pesquisadora Seema Khan. Ela explica que o tamoxifeno precisa ser ‘processado’ pelo fígado para ativar seus componentes. Nesse processo, os efeitos secundários prejudiciais também podem surgir, como a ativação de proteínas que provocam a formação de coágulos sanguíneos. Uma vez que a metabolização pelo fígado é eliminada quando o gel 4-OHT é aplicado diretamente sobre a pele do peito, o efeito prejudicial de aumentar o risco de coágulos de sangue também deve sumir. Com base nos resultados, no entanto, os pacientes que usaram o gel não tiveram melhora significativa dos sintomas vaginais, gastrointestinais ou ondas de calor e suores em comparação às usuárias orais — o que eram considerados efeitos colaterais benéficos.

Primeiro estágio
É uma forma muito inicial da doença. Nessa etapa, as células com características malignas não atingem veias e linfáticos, não dão metástases e podem ser consideradas como um pré-carcinoma. Com o emprego mais difundido do rastreamento mamográfico, corresponde atualmente de 10% a 30% dos casos de câncer de mama tratados. As formas de terapia empregadas são a mastectomia total, a mastectomia preservadora de pele, a adenectomia, a ressecção segmentar e a radioterapia complementar.

Também como preventivo
O tamoxifeno oral é usado por mulheres com alto risco de câncer de mama para evitar o desenvolvimento da doença. Seema Khan, pesquisadora da Universidade Northwestern Feinberg, acredita que a versão em gel da droga também poderia ser usada com essa finalidade. “Isso incentivaria mais mulheres a aderir ao tratamento preventivo”, acrescenta.

Segundo a presidente voluntária da Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama (Femama) e pesquisadora- chefe do Centro de Mama do Hospital Moinhos de Vento de Porto Alegre, Maira Caleffi, a terapia proposta por Khan é ainda mais importante exatamente por trazer mais uma opção de droga preventiva para combater o câncer de mama em pacientes com alto risco. “Acredito que não possa ter uma solução sempre pela retirada das mamas profilaticamente. Eu me oponho a essa ideia quando falo de mulheres que estão se submetendo a esse tipo de procedimento sem ter a predisposição genética e um histórico familiar relevante.”

Por esse motivo, mesmo que seja um trabalho inicial, Caleffi considera o estudo divulgado na Clinical Cancer Research um caminho para discutir teorias novas de prevenção. Ela conta que vai aguardar com curiosidade futuros estudos na área de drogas transdérmicas na mama, pois considera que outras medicações, como bloqueadores de outra natureza e drogas alvo, possam ser consideradas para uso transdérmico.

“Sabemos que existem muitos tipos de receptores na mama e que a ativação deles contribui para o aumento do risco de câncer. De repente, veremos no futuro uma ‘barreira’ para proteger a mama ou algo nesse sentido. Tudo que ‘bloqueamos’ na mulher acaba provocando muitos efeitos colaterais que são desagradáveis para a paciente”, analisa. (BS)

Escolha de Jolie
A atriz Angelina Jolie declarou em junho de 2013 ao jornal The New York Times que teria removido as duas mamas devido ao alto risco (87%) de desenvolver o câncer de mama, identificado por ela após um exame genético. Pela cirurgia, a redução do risco é diretamente proporcional à quantidade de tecido retirado, sendo o mais indicado remover entre 90% e 95%. Quanto maior o risco, maior tende a ser a intervenção preventiva.  

Correio Braziliense

Falta de cálcio pode levar organismo a atacar reservas do esqueleto e causar fraturas

Necessidade diária é de 1.000 mg ao dia 

A preocupação com a saúde, o bem-estar e a aparência já levou milhões de brasileiros a mudarem radicalmente o seu modo de vida, incluindo na rotina uma alimentação mais saudável e exercícios físicos. Estão na mira dessas pessoas as dietas saudáveis, os exercícios aeróbicos, a musculação e as inúmeras variações sobre o mesmo tema. A ideia principal é fortalecer os músculos e o coração e, com isso, viver mais, melhor e de preferência sair cada vez mais mais bonito na foto. O que a maioria das pessoas esquece, porém, é que a saúde dos ossos é fundamental para alcançar esses objetivos.

Com base no crescimento demográfico, a International Osteoporosis Foundation (OIF) estima que, no Brasil, o número de fraturas por osteoporose – doença que se caracteriza pela diminuição progressiva da densidade óssea e pelo aumento da fragilidade dos ossos – seja multiplicado em mais de cinco vezes, saltando de 124 mil no Brasil para 639 mil ao ano até 2050. “Até 25% dos fraturados morrem no primeiro ano em que sofreram a fratura. Além disso, de cada 100 pessoas que tiveram o fêmur fraturado, 25 vão enfrentar problemas como embolia, pneumonia e infecções decorrentes da própria fratura”, informa Bruno Muzzi Camargos, ginecologista e especialista em densitometria óssea e osteometabolismo. De acordo com ele, entre os que sobrevivem, 50% passam a depender de um cuidador de forma permanente e apenas 20% voltam às atividades normais.

Para evitar esse problema, o melhor caminho é a prevenção. O ortopedista Ildeu Almeida, presidente da regional mineira da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia, explica que é importante fazer uma “reserva óssea” desde a infância. “A prática de esportes, aliada a uma vida saudável e à boa alimentação vão determinar a formação de um bom estoque ósseo”, explica. Aqueles que acreditam que não possuem essa “poupança”, devem adotar uma dieta mais rica em cálcio e fazer exercícios físicos porque, do contrário, as perdas de massa óssea serão maiores, o que muito cedo pode levar à osteoporose.
Além dessa mudança de hábitos, o sol ocupa um papel fundamental na prevenção da doença. “As pessoas só se lembram da saúde óssea quando começam a perdê-la. Mas a osteoporose é um mal geriátrico que tem prevenção pediátrica”, explica Camargos. Segundo o especialista, a criança que cresce em frente ao videogame, comendo fast-food e tomando refrigerante é uma forte candidata a sofrer de osteoporose depois da idade adulta. “Exercício físico, cálcio e vitamina D são as coisas mais importantes para a manutenção da saúde óssea”, define. Para garantir o estoque de vitamina D no corpo por uma semana, basta tomar sol em cerca de um terço do corpo (as duas pernas ou os dois braços, por exemplo) por 20 minutos, sem protetor solar. No caso de contra-indicações, como risco de câncer de pele, é possível ingerir a vitamina em gotas.

Junto com o cálcio e os exercícios físicos, a vitamina D forma o tripé essencial para que se possa ter ossos saudáveis. “Não adianta cálcio sem vitamina D. É um casamento. O cálcio é o ator principal e a vitamina D possibilita a entrada dele na corrente sanguínea”, explica Bruno Camargos. Com a vitamina D, o intestino aproveita melhor o cálcio ingerido por uma pessoa. Além de fortalecer os ossos, o cálcio também é responsável pelo bom funcionamento dos músculos, inclusive o coração e o diafragma, e até pelos impulsos nervosos do cérebro. Na falta dele, o organismo tira o cálcio das reservas que se encontram no esqueleto. “O esqueleto é a nossa poupança de cálcio e a alimentação é a nossa conta corrente”, compara o médico.

A necessidade de ingestão diária de cálcio é de 1.000 miligramas ao dia, mas conseguir atingir a meta não é nada fácil. Um copo de leite contém 250 miligramas (mg) de cálcio, meio prato de couve 80 mg e uma fatia de queijo Minas do tamanho de uma caixa de fósforos 250 mg. Ou seja: não é simples suprir nas necessidades diárias desse elemento num só dia. Para facilitar a vida de quem precisa ingerir mais cálcio, a indústria de laticínios já lançou produtos fortificados como iogurtes, que concentram 500 mg de cálcio numa só porção. “Nenhum preparador físico ou nutricionista recomenda uma dieta pobre em cálcio porque a falta dele dificulta a queima da gordura. O cálcio é importante para todas as funções bioquímicas do corpo”, resume.

Segundo o Ministério da Saúde, entre 2008 e 2013 houve um aumento de quase 30% nas fraturas de fragilidade em idosos. Foram 67.664 em 2008 e 85.939 em 2013. Hoje, o Brasil possui cerca de 14,9 milhões de pessoas idosas, o equivalente a 7,4% do total da população. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número de idosos no país deve atingir a marca de 58,4 milhões em 2060. Neste período, a expectativa de vida também deve aumentar dos atuais 75 anos para 81 anos.

Dependendo do grau de saúde do osso, é importante a avaliação médica especializada. “De acordo com o grau de perda óssea, existem medicamentos de uso oral, nasal, venoso ou subcutâneo. As medicações avançaram muito. Antes o paciente tinha que tomar um comprimido diário, hoje pode ser um por semana, um por mês ou uma dose venosa anual”, diz. Na questão ortopédica, o avanço do tratamento das fraturas conta com instrumentais específicos para ossos frágeis, como é o caso da placa de ângulo fixo desenvolvida especificamente para ossos osteoporóticos. “Trata-se de uma placa com parafuso, que envolve não só o osso, mas a própria placa”, explica Ildeu Almeida.

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ENQUANTO ISSO...

Congresso em tiradentes

Ortopedistas de todo o país reúnem-se de 14 a 16 de agosto, no 19º Congresso Mineiro de Ortopedia e Traumatologia, em Tiradentes, na região Central de Minas. O evento, organizado pela Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia/Regional Minas Gerais, tem o objetivo de debater, entre outros temas, a atualização no tratamento da osteoartrose, inovações na abordagem das infecções osteoarticulares e os avanços recentes no trauma ortopédico. Serão 70 palestras de 12 subespecialidades ortopédicas (trauma, coluna, ombro, mão, quadril, joelho, pé/tornozelo, pediátrica, oncologia, osteometabólica, alongamento/ reconstrução e medicina esportiva) e 21 mesas redondas com discussão de casos reais de maior complexidade e de alta relevância no treinamento dos especialistas.

O que é
Importante mineral que o organismo precisa para realizar grande número de funções

Para que serve

- Formação e manutenção de ossos e dentes

- Coagulação do sangue

- Transmissão de impulsos nervosos

- Regulação do ritmo cardíaco

Como acontece a absorção pelo organismo

- Cerca de 99% do cálcio presente no corpo humano está armazenado nos ossos e dentes, enquanto apenas 1% circula pelo sangue e em outros tecidos. O organismo realiza suas funções vitais obtendo cálcio de duas maneiras: pela alimentação ou retirando-o dos ossos

- Diariamente, ocorre pequena perda de cálcio pela urina. É importante repor essa perda por meio da alimentação

- O cálcio presente em diversos alimentos é absorvido pela parede do intestino delgado

- Para que ocorra uma adequada absorção, é necessária a presença da vitamina D3, que só se faz presente no organismo com a exposição do indivíduo aos raios solares ou com a adoção de uma alimentação rica em fontes dessa vitamina

Os campeões

- Amêndoas: 1/3 de xícara contém 50 miligramas
- Melado escuro: 1 colher de sopa contém 137 miligramas
- Alga hijiki seca: 1/4 de xícara contém 162 miligramas
- Hummus (pasta árabe de grão de bico): 1/2 xícara contém 81 miligramas
- Quinoa (cereal andino): 1 xícara contém 50 miligramas
- Tahine (pasta de gergelim): 2 colheres de sopa contêm 128 miligramas
- Tofu: 1/4 de xícara contém 430 miligramas
- Alga wakame seca: 1/4 de xícara contém 104 miligramas

Saúde Plena

Mulheres com depressão têm duas vezes mais risco de sofrer ataque cardíaco

Getty Images: Mulheres até 55 anos são mais propensas a ter depressão
É preciso incentivar mulheres com depressão a procurar ajuda e médicos devem questionar mais pacientes durante consulta

A depressão, de fato, faz mal ao coração. Mulheres de até 55 anos estão duas vezes mais propensas a ter um ataque cardíaco, morrer ou necessitar de um procedimento de abertura da artéria caso sofram de depressão séria ou moderada, afirma estudo da Associação Americana de Cardiologia.

"As mulheres dessa faixa etária também são mais propensas a ter depressão, então isso pode ser um dos fatores de risco 'escondidos' que podem ajudar a explicar por que mulheres morrem em uma taxa desproporcionalmente maior do que os homens depois de um ataque de coração", disse Amit Shah, professor da Universidade de Emory e autor do estudo.

O estudo afirma que médicos precisam fazer mais perguntas, já que mulheres até 55 anos são mais vulneráveis à depressão. 

Na pesquisa, foram avaliados os sintomas de depressão em 3.237 pessoas com doença de coração ou com suspeita de doença.

Leia também:

Pré-natal psicológico pode prevenir depressão pós-parto


Os resultados mostraram que em mulheres com até 55 anos, cada pontuação nos sintomas de depressão foi associada ao aumento de 7% no risco de ter doença cardíaca. Homens e mulheres mais velhos não mostraram relação entre sintomas de depressão e presença de doença cardíaca.

Shah afirma que a depressão precisa ser levada mais a sério. "A depressão em si já é motivo para buscar tratamento, saber que ela está associada a um risco aumentado de doença cardíaca e morte deve motivar ainda mais as pessoas a procurarem ajuda.", disse.

iG 

Estudo traz alerta sobre contraceptivos e câncer de mama

Uso de anticoncepcionais orais modernos com estrogênio em alta dosagem
aumentou o risco de câncer de mama em 50%
Médica que liderou a pesquisa ressalta que resultados precisam ser interpretados de forma cautelosa 

Mulheres que recentemente tomaram pílulas anticoncepcionais contendo altas dosagens do hormônio estrogênio e algumas outras formulações têm risco aumentado de desenvolver câncer de mama, segundo um estudo publicado no Cancer Research, jornal da Associação Americana de Pesquisa do Câncer. “Nosso resultado sugere que contraceptivos orais usados nos últimos anos estão associados a um risco maior, comparado com nenhum uso ou outros tipos de anticoncepcional. Esse risco pode variar, dependendo da formulação do medicamento”, disse Elisabeth F. Beaber, cientista da Divisão de Saúde Pública do Centro de Pesquisa Oncológica Fred Hutchinson em Seattle, Washington.

A médica, contudo, ressaltou que a pesquisa precisa ser confirmada e deve ser interpretada de forma cautelosa. “Câncer de mama é raro entre jovens mulheres e os muitos benefícios associados ao contraceptivo oral devem ser considerados. Além disso, estudos anteriores sugerem que o risco aumentado de câncer de mama associado aos contraceptivos declina depois que se para de tomá-los”, observa.

A pesquisa conduzida por Beaber avaliou o histórico de 1.102 mulheres diagnosticadas com esse tipo de tumor e 21.952 participantes do grupo de controle. A equipe de cientistas descobriu que o uso de anticoncepcionais orais modernos com estrogênio em alta dosagem aumentou o risco de câncer de mama em 50%, comparado com outras fórmulas ou com mulheres que jamais haviam tomado esses medicamentos. As pacientes oncológicas da pesquisa receberam o diagnóstico entre 1990 e 2009.

As pílulas contendo altas doses de estrogênio aumentaram esse risco 2,7 vezes e aquelas com dosagem moderada em 1,6 vez. Anticoncepcionais com diacetato de etinodiol aumentaram 2,6 vezes o risco, e comprimidos de combinação trifásica de uma média de 0,75 mg de noretindrona aumentaram 3,1 vezes. As pílulas anticoncepcionais que contêm estrógeno em baixa dose não influenciaram no surgimento de câncer de mama.

Diferentemente da maioria dos estudos anteriores, baseados em entrevistas com as mulheres, os pesquisadores usaram registros eletrônicos de farmácias para coletar informações detalhadas sobre o uso de contraceptivos orais, incluindo o nome do medicamento, a dosagem e a duração da medicação. No ano passado, anticoncepcionais orais de baixa, moderada ou alta dosagem de estrogênio foram comprados.

Saúde Plena

Líderes não são criados, eles nascem assim

Não adianta brigar contra a sua natureza, sugere a pesquisa
Um estudo feito com peixes sugere que a habilidade para liderar é inata do indivíduo

Que atire a primeira pedra aquele que nunca teve um chefe que julgou totalmente inapto para o cargo que exercia.

E que atire ainda outra pedra aquele que nunca ficou inconformado que, ao longo dos anos, o chefe simplesmente não aprendeu a liderar de uma forma mais adequada — mas continuou lá, azucrinando, apesar de tudo.

Um estudo comportamental de peixes pode explicar por quê.

Conduzido pelo especialista em vida marinha Shinnosuke Nakayama, do Leibniz Institute of Freshwater Ecology, ele trouxe informações interessantes: quando os peixes necessitam buscar alimentos ou explorar novas áreas, um deles, o mais “corajoso” ou “extrovertido”, toma a liderança, enquanto os “tímidos” o seguem, o que geralmente funciona muito bem para o cardume.

A proposta de Nakayama foi trocar a função dos peixes: ele “treinou” o tímido para se tornar o líder, e o extrovertido para se tornar um seguidor.

Depois, comparou a eficiência do par treinado com pares comuns. Ele imaginava que seria mais fácil alguém aprender a se tornar um líder, do que um líder aprender a seguir, mas o que encontrou foi justamente o oposto: enquanto o extrovertido aprendeu a seguir o seu líder compulsório, este simplesmente não conseguiu aprender a liderar.

E a dupla se saiu muito pior do que aqueles que seguiram a ordem natural das coisas.

O que isso quer dizer? Provavelmente, que os líderes nascem assim, especulam os pesquisadores. Nos seres humanos, a carga de estresse para uma pessoa liderar uma equipe é muito grande.

Sendo assim, a capacidade de liderar não depende apenas de conhecimentos e habilidades – depende de uma preparação psicológica que, muitas vezes, deriva diretamente do caráter e da personalidade da pessoa.

Bons líderes são naturalmente mais extrovertidos, com um maior senso de responsabilidade, organização e, acima de tudo, resiliência e capacidade de lidar com estresse.

Por isso, muitas pessoas alçadas ao cargo de chefia por seus currículos ou realizações muitas vezes são totalmente incapazes de liderar.

Aceitar que na espécie humana a capacidade de liderança é inata ainda é temerário, especialmente porque estamos nos baseando em peixes.

Mas, talvez, a seleção de líderes devesse considerar um pouco mais estes dados e as características do indivíduo, do que o seu currículo. Aí, toda a equipe se sairia melhor.

El Hombre

Em SP, mães fazem 'mamaço' para incentivar aleitamento materno no País

Sociedade Brasileira de Pediatria: Em SP, mães fazem 'mamaço' para incentivar
aleitamento materno no País
Evento que chega à sua terceira edição tem como objetivo mostrar a importância do ato e derrubar preconceitos comuns 

Um grupo de mães se reuniu, neste sábado (2), na Casa das Rosas, na Avenida Paulista, para amamentar seus bebês como forma de incentivar o aleitamento materno no País. Chamado Hora do Mamaço, o evento está em sua terceira edição e faz parte da Semana Mundial do Aleitamento Materno Solidário.

Simone de Carvalho, representante do movimento Aleitamento Materno Solidário (AMS – Brasil), estima que 100 mães participaram da mobilização, que ocorreu das 8h às 13h deste sábado. “A ideia da Hora do Mamaço é semelhante à ideia da Hora do Planeta. Então a gente faz um esforço sobrenatural para que as mães se reúnam no mesmo dia, no mesmo horário, para amamentar os bebês em locais públicos ou locais turísticos e fazer o registro desse movimento”, explicou.

O objetivo, segundo ela, é mostrar a importância da amamentação e acabar com o preconceito contra mães que amamentam em lugares públicos. “Como a gente teve alguns casos de mães que foram impedidas, a gente está tentando fazer um esforço, anualmente, na Semana Mundial do Aleitamento Materno, para trazer essa reflexão de que é importante e que a sociedade deve muito apoiar o ato de amamentar”, disse.

Entre os benefícios trazidos pelo aleitamento, destaca a representantes, estão a nutrição “padrão ouro” do leite materno, a prevenção de doenças tanto para a mãe quanto para o bebê, a melhora da estrutura emocional, por meio do vínculo com a mãe, a economia e a sustentabilidade do planeta.

Outra vantagem é a melhora da saúde bucal infantil, como explica a vice presidenta da Associação Paulista de Odontopediatria, Sylvia Lavinia Ferreira. “A criança que mama no peito desenvolve muito bem as suas arcadas dentárias, porque ela faz um exercício de sucção, com muita força, ela tem que ordenhar a mama. Isso estimula ossos e os músculos da face, dando à criança um crescimento mais adequado. Essa criança passa a respirar de uma forma mais adequada, porque ela coordena a respiração com as mamadas, o que também favorece o crescimento do complexo maxilo facial”, disse.

Além disso, a qualidade do leite materno, com micronutrientes, colabora para a formação da arcada dentária. “Isso vai formar, vai concorrer para que a criança tenha tecidos dentários, na formação desse dente, um esmalte com muito mais qualidade”. De acordo com a vice presidenta, o ideal é que as mães alimentem seus filhos exclusivamente com leite materno, no mínimo, até os seis meses de idade".

Agência Brasil

Pré-natal psicológico pode prevenir depressão pós-parto

Os números referentes à depressão pós-parto no Brasil são impressionantes
Vulnerabilidade socioeconômica e idealização da maternidade explicam incidência de 26% no Brasil, média da OMS é de 15%; doença não tem relação com rejeição ao bebê, diz especialista 

Os números referentes à depressão pós-parto no Brasil são impressionantes. Estudos recentes afirmam que a incidência é, na média, de 26%. Entre as mulheres com perfil sócio- econômico baixo e atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) este índice aumenta para 40%. A média da OMS no mundo é de 10% a 15%.

Entre as consequências decorrentes da depressão pós-parto estão os problemas no desenvolvimento do bebê, problemas na relação mãe e filho e pode, inclusive, levar ao suicídio da mãe. "É o transtorno de maior incidência subtratado no País", afirma a psicóloga Alessandra Arrais.

Entre os fatores de risco estão a vulnerabilidade socioeconômica, qualidade do relacionamento conjugal, falta de apoio familiar, intercorrências durante a gestação e a existência de episódios depressivos anteriores e durante a gravidez.

Diante disso, Alessandra decidiu promover alguns estudos de intervenção que propuseram oferecer pré-natal psicológico a esse grupo de risco. “Um fator que percebo, principalmente na classe média, é a questão da idealização da maternidade, que faz com que a mulher acredite que ser mãe é ‘padecer no paraíso’. O choque entre a idealização e a realidade leva à depressão. Tive uma paciente que chegou a dizer que a vontade dela era reclamar no Procon. Esta idealização precisa ser trabalhada”, diz.

Pré-natal psicológico
O programa, pioneiro em Brasília, tem contribuído para a tese de que a depressão pós-parto pode ser evitável. Ao todo já foram atendidas 119 mulheres pelo projeto. As gestantes participam de reuniões mensais em grupo, onde discutem a mudança de papéis, a relação com o marido, o corpo, amamentação e todo o aspecto psicológico envolvido durante a gestação.

Um recorte com dez mulheres, onde cinco participaram do chamado pré-natal psicológico e outras cinco acompanharam o curso de mães em um hospital público, mostrou que é possível prevenir a depressão pós-parto.

Entre o grupo que participou do pré-natal psicológico em uma clínica particular, todas tinham fator de risco, como por exemplo problema de relação conjugal, histórico de depressão e falta de apoio da família. Nesse grupo, ninguém desenvolveu a doença.
Já no grupo controle, com mulheres que apresentavam os mesmos fatores de risco, duas colaboradoras apresentaram a depressão pós-parto, o que representa 40%. 

“Acredito que não é preciso um pré-natal psicológico, mas que a questão psicológica seja tratada no pré-natal. No Brasil temos poucas ações neste sentido, enquanto os números de depressão pós-parto só crescem”, diz Alessandra.

É preciso falar sobre o medo
A nutricionista Lastenia Vicente, de 37 anos, participou do grupo de pré-natal psicológico durante a gestação da filha Elena, hoje com um ano e oito meses. Como ela já havia tido um quadro de depressão e tinha desmaiado durante um exame de sangue durante a gravidez, foi considerada paciente de alto risco. 

“Foi horrível, fiquei muito assustada. Sempre passei mal tirando sangue e achei que não fosse aguentar o parto normal. Fiquei muito preocupada e com medo”, disse.

Lastenia foi às oito reuniões do pré-natal psicológico. Nesse período, enfrentou as pressões do mito da maternidade, do parto perfeito e da mãe com conhecimento instintivo. Em grupo, ela discutiu as mudanças que estavam acontecendo na sua vida e também contou com o apoio do marido. “É tudo muito novo e é muito difícil lidar com as mudanças que ocorrem dentro de você”, disse.

Trabalhou seus medos e no fim da gestação de nove meses estava segura o suficiente para aceitar que, no caso dela, não havia problema em fazer uma cesariana. “No caso dela, tentamos trabalhar a questão do parto normal, mas o objetivo principal era fazer com que ela se sentisse segura”, explica Mariana Mourão, psicóloga e também autora do estudo.

Lastenia não se sentia preparada para o parto normal, durante a gestação tinha pensamentos de que iria morrer após o nascimento da filha. “Quando chegou a hora, fiz cesariana mesmo com a bolsa estourada. Claro que cada mulher é uma mulher. 

Passei muito tempo com pensamento de morte e a opção da cesariana pareceu a mais segura para o meu caso”, disse.

A pesquisadora Alessandra afirma que é justamente na classe média e entre as mulheres que desejam muito ter filhos ou que passam por um longo processo de reprodução assistida, que estão os casos mais graves de depressão pós-parto que já atendeu. “E a doença não tem relação alguma com rejeição ao bebê, como muitos dizem erroneamente, tem a ver com encarar a maternidade real”, afirma. 

É uma depressão como qualquer outra, com o agravante de ocorrer após o nascimento do bebê. “É justamente em um momento que a mulher não pode ficar ensimesmada porque tem a criança para cuidar. Ela reprime este sentimento e ninguém também entende que justo nesta hora ela está deprimida", acrescenta Alessandra.

Existem muitas teorias para a depressão: uma afirma que se trata de um problema químico que atua em neurotransmissores – serotonina, noradrenalina e dopamina. Outra acredita que a depressão é resultado de um desequilíbrio entre o lado direito e esquerdo do cérebro. Mas os dados da pesquisa realizada em Brasília mostram que a parte psicológica pode ser prevenida. “Tem a parte química, mas a questão psicológica, emocional pode ser prevenida”, diz Mariana.

Mariana ressalta que é preciso considerar o chamado baby blues, uma tristeza logo após o parto. “Existe uma tristeza depois do parto que é muito comum e passageira. Ela tem relação hormonal e é preciso que a mãe saiba disso para não se assustar. Sabendo disso ela inclusive evita um depressão pós parto.”

Atualmente, Lastenia está gravida pela segunda vez. Espera a chegada de Maria e de uma maternidade possível, segura e não idealizada.

iG