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quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Prevenção, diagnóstico e tratamento de pacientes oncológicos é tema de evento gratuito para profissionais da saúde

A prevenção, o diagnóstico e o tratamento de casos oncológicos serão o tema da (HSVP), na Tijuca

Nela, médicos, profissionais de Enfermagem, Fisioterapia, Fonoaudiologia, Nutrição, Nutrologia e Psicologia poderão acompanhar debates acerca da temática com renomados especialistas da área. O evento, que é gratuito, acontece no dia 1º de dezembro, de 8h às 18h, no Centro de Convenções do Hospital.

Segundo Douglas Bastos, Chefe do Serviço de Cirurgia Hepatobiliar e membro do Centro de Estudos do HSVP, o tratamento do câncer é uma das áreas que mais evoluem na Medicina. Por isso, a relevância da programação. “Além do diagnóstico precoce possibilitar a cura em percentuais cada vez maiores, os recursos terapêuticos evoluem a cada dia. Sobretudo em relação às doenças que apresentam metástases ao longo do tratamento ou no diagnóstico. Hoje, temos recursos que permitem a cura ou uma vida com qualidade para os pacientes e vamos abordar tudo isso durante a Jornada”, explica.

O evento se propõe ainda a ser um espaço de atualização dos profissionais de saúde. “Eventos como esse são fundamentais para discutir as principais questões do dia a dia das instituições de saúde, trocar experiências e evoluir na prática assistencial, buscando sempre o que há de melhor aplicado à sua realidade”, diz Bastos.

Entre os destaques da programação, estão as palestras da Chefe do Serviço de Clínica Médica do HSVP, Marina Loureiro, de tema Terminalidade: uma visão holística e do Oncologista do HSVP, Cristiano Duque, que vai falar sobre Medicina personalizada em oncologia: realidade ou mito? Fechando o evento, a Diretora Executiva do HSVP, Irmã Marinete Tibério, mostrará o cenário atual e as perspectivas do Setor de Oncologia no hospital na palestra Oncologia no HSVP: onde estamos e qual o futuro?.

Também serão abordados na Jornada, entre outros assuntos, o rastreamento e diagnóstico precoce do câncer de próstata, de mama e de cólon e reto; o risco nutricional e aspectos psíquicos em pacientes oncológicos; os avanços no tratamento radioterápico e as metástases hepáticas. Essa última, ministrada pelo Cirurgião Geral do Hospital Federal de Ipanema, Marcelo Enne. “A presença de um profissional como o Dr. Marcelo Enne, um dos mais respeitados do país na sua área, cria um ambiente de debate amplo, que será extremamente enriquecedor para todos os participantes que poderão compartilhar de sua experiência, e, consequentemente, para os pacientes”, afirma Bastos.

As inscrições podem ser feitas antecipadamente pelo telefone (21) 2563-2147 ou pelo e-mail comunicacao@hsvp.org.br. Para conferir a programação completa da 12ª Jornada Multidisciplinar do HSVP, acesse: http://www.hsvp.org.br/o- hospital/centro-de-estudos/ centro-estudos-agenda-eventos/ . Vagas limitadas!

O Centro de Convenções Irmã Mathilde do Hospital São Vicente de Paulo fica na Rua Dr. Satamini, 333, na Tijuca.

Nathália Vincentis
Jornalismo
www.sbcomunicacao.com.br

Cirurgia bariátrica é aprovada para obesos com IMC entre 30 e 35 com o intuito de tratar o diabetes tipo 2

Foto: Reprodução
O controle do diabetes avança no Brasil

Isso porque, nesse mês, o Conselho Federal de Medicina (CFM) aprovou o tratamento da doença com a realização da cirurgia metabólica para pacientes obesos com Índice de Massa Corpórea (IMC) entre 30 e 35, portadores de diabetes tipo 2 que não tiveram sucesso com o tratamento clínico convencional. Diversos estudos comprovaram que o procedimento traz benefícios à saúde e pode ajudar no controle desse tipo de diabetes, que atinge 13 milhões de pessoas no Brasil.

A liberação representa um avanço na saúde pública e privada. Até então, no Brasil, a cirurgia bariátrica fazia parte do arsenal terapêutico aprovado para o tratamento de pacientes com obesidade moderada e grave, portadores ou não de diabetes tipo 2. Com a ampliação, mais pessoas terão a possibilidade de recorrer a esse tipo de cuidado, pleiteado por uma diretriz assinada pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica e a Sociedade Brasileira de Diabetes.

Segundo o cirurgião bariátrico Fernando de Barros, do Hospital São Lucas Copacabana, a cirurgia auxilia não só na perda de peso, mas também no controle do diabetes e na melhora de suas comorbidades.

“Essa diretriz corrobora a tendência mundial que considera a cirurgia bariátrica um tratamento de excelência para obesidade e agora avança pela a eficácia do controle do diabetes tipo 2. Vale lembrar que a doença não tem cura até o momento. Porém, a cirurgia metabólica pode trazer um controle ou até mesmo a remissão da doença, evitando, assim, maiores sequelas, como cegueira, insuficiência renal, infarto agudo do miocárdio e AVC, entre outros males”, argumenta o médico. Descrição: https://ssl.gstatic.com/ui/v1/icons/mail/images/cleardot.gif

A nova opção de tratamento surge como uma alternativa para aqueles que não conseguiam controlar o diabetes apenas com medicamento, dieta e mudança de estilo de vida. Além desse critério, o procedimento é elegível apenas para pessoas com idade mínima de 30 e máxima de 70 anos, com menos de dez anos de diabetes.

Lívia Zampirole
livia@saudeempauta.com.br

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Radioterapia: um passo para a cura do câncer

radioterapiaPlano de Expansão em Radioterapia tem ampliado o acesso da população a procedimentos oncológicos no SUS

A Daniele Santos tinha apenas 21 anos quando descobriu um tumor nos seios. A operadora de telemarketing, que vive em Maceió (AL) com o marido, achou estranho um caroço que mais parecia uma espinha, mas que nunca secava. Quando procurou o médico, soube que teria que enfrentar o câncer de mama, o que mais acomete mulheres em todo o mundo.

Descoberta a doença, ela começou imediatamente o tratamento na Santa Casa de Misericórdia de Maceió. Retirou a mama direita numa cirurgia, fez 17 sessões de quimioterapia – que utiliza químicos para conter as células da doença – e agora, aos 22 anos de idade, iniciou a última fase do tratamento: a radioterapia.

Radioterapia é uma das principais formas de tratamento do câncer, onde doses de radiação são aplicadas no local onde há ou pode haver tumor, para ajudar o corpo a eliminar de vez qualquer resquício do câncer. Esse processo modernamente é feito através de um equipamento complexo e de alto custo chamado "acelerador linear". A Daniele precisará de 25 sessões de radioterapia, já passou por seis delas.

Um passo para a cura
A radioterapia é a última etapa no tratamento contra o câncer, portanto, para os pacientes, representa um passo para a cura. É com base neste objetivo, que o Ministério da Saúde lançou o Plano de Expansão em Radioterapia, que tem ampliado o acesso da população a procedimentos oncológicos no Sistema Único de Saúde (SUS), por meio de novos equipamentos e da construção do espaço físico específico para abriga-los.

Como se trata de radiação, as salas onde os procedimentos acontecem precisam ser especiais. Com o Plano, o SUS contará com 100 novos aceleradores lineares altamente modernos para a radioterapia. Além de Maceió (AL), hospitais de Campina Grande (PB), Feira de Santana (BA), Curitiba (PR) e Brasília (DF) já receberam o aparelho e já estão tratando pessoas.

“Essa máquina nos dá condições de trabalhar com exatidão e beneficiar o paciente com integralidade. O sistema acoplado é efetivo e nos faz dar a dose exata de radioterapia. O tratamento é feito de forma saudável, porque só atinge a região que precisamos para combater a doença. Os efeitos secundários são mínimos. Estamos propiciando para o paciente do SUS um tratamento que se faz nos maiores centros internacionais, como nos Estados Unidos, na Inglaterra e nos países mais avançados. Isso é dignidade”, comemora o médico responsável por esta área na Santa Casa de Maceió, Marcos Davi.

O colega José Joaquim Costa, físico médico da Santa Casa, também celebra a chegada do novo acelerador. “Tínhamos uma demanda grande de pacientes, com uma máquina boa e outra já obsoleta, antiga. E esta aqui veio completar o nosso objetivo de tratamento. Tratar os pacientes com mais tranquilidade, com mais confiança e com mais eficácia”.

Para a Daniele, ser uma das primeiras pacientes que utilizam o novo acelerador linear em Maceió é um privilégio. “Como essa tecnologia é mais avançada ajuda a gente que precisa. A batalha contra o câncer já está quase na reta final. Ainda quero ter filhos. Isso é muito importante pra mim e pro meu esposo”.

Progresso no SUS
Além dos aceleradores e dos espaços físicos que recebem estes equipamentos, o Ministério da Saúde inaugurou o primeiro centro de treinamento de radioterapia do Brasil. Isso só foi possível por conta do Acordo de Compensação Tecnológica com a empresa Varian Medical, que vai produzir os aceleradores lineares em uma fábrica nacional, em Jundiaí (SP).

O ministro da Saúde, Ricardo Barros, resumiu o que estas conquistas representam para o tratamento oncológico feito no SUS. “Fizemos a maior compra pública de aceleradores lineares do mundo. São 100 equipamentos, eram 80 e adicionamos mais 20. E com a construção dessa fábrica, alguns desses equipamentos serão fabricados aqui. Teremos manutenção, técnicos e peças para reposição com valores em reais. E esse centro de treinamento é fundamental nesse início, para que as pessoas se qualifiquem para operar os equipamentos”, comemora.

Esse acordo também estabeleceu a vinda da fábrica de aceleradores lineares para o Brasil. O que trará o desenvolvimento de fornecedores, a geração de empregos e a transferência de tecnologia na área de softwares médicos para Institutos de Ciência e Tecnologia Brasileiros. Consequentemente, isso contribui para o fortalecimento do SUS e para produção de tecnologia nacional.

Erika Braz, para o Blog da Saúde

Irregularidades: Lotes falsificados de Hormotrop são proibidos

O medicamento apresentou características divergentes das registradas na Anvisa

A Anvisa determinou a proibição do medicamento HORMOTROP nas concentrações de 4UI e 12UI por apesentar características divergentes das que foram registradas. Com isso, fica proibida a distribuição, o comércio e o uso do medicamento. Os lotes CA 30655 Hormotrop 4UI, acompanhado do diluente de lote 001026443, Hormotrop 12UI e CC60278, pó liófilo injetável, e Hormotrop 12UI com diluente lote 13010899 na composição.

Também foi determinada a apreensão e inutilização do produto em todo o Brasil.

Composição divergente do registro
A empresa Laboratório Químico Farmacêutico Bergamo Ltda, que possui o registro do medicamento HORMOTROP nas concentrações de 4UI e 12 UI (pó liofilizado + diluente), identificou a falsificação dos lotes em questão. Os produtos apresentaram características divergentes daquelas registradas na Anvisa e não são fabricados pela empresa. Trata-se, portanto, de uma falsificação.

Lotes falsificados
  • Hormotrop 4UI, lote CA 30655, acompanhado do lote de diluente 001026443
  • Hormotrop 12UI, pó liófilo injetável, contendo em sua composição o diluente lote 13010899
  • Hormotrop 12UI pó liófilo injetável, lote CC60278
A medida está nas resoluções n° 3.127 e n° 3.128, de 24 de novembro de 2017, publicadas no Diário Oficial da União desta segunda-feira (27/11).

ANVISA

Número de infecções por HIV cresce entre jovens no Brasil

Foto: Reprodução
Criada pelo governo brasileiro para incentivar o debate sobre o vírus HIV e o reforço dos métodos de prevenção e cuidados, o Dia Mundial do Combate à AIDS, comemorado em 1º de dezembro, traz um alerta: apesar do número de soropositivos estar diminuindo na maior parte do mundo, o mesmo não está acontecendo no Brasil

Segundo dados do Departamento de Doenças Sexualmente Transmissíveis, AIDS e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, o estado de São Paulo registrou um aumento de 13% no número de casos de infecção pelo vírus entre jovens de 15 a 19 anos, observados no período de 2010 a 2016. O número também aumentou na faixa etária de 20 a 24 anos. Segundo o infectologista Alberto Chebabo, integrante do corpo clínico do laboratório Sérgio Franco, um dos motivos que pode explicar a falta de preocupação de parte dos jovens com as consequências de uma doença como a AIDS são os resultados de seu tratamento que, quando feito de forma adequada, trazem bons resultados para os pacientes. Desta forma, a possibilidade de ser infectado pelo vírus, o que representava praticamente uma sentença de morte na década de 1980, já não parece mais tão ameaçadora.

“É preciso investir em uma nova abordagem nas campanhas do Ministério da Saúde para que os jovens, principalmente os que já têm vida sexual ativa, entendam que a AIDS ainda é um desafio e uma forte ameaça à saúde”, afirma o especialista. “Um método de tratamento eficaz é um alívio para os pacientes, mas ele não pode anular a gravidade da doença”.

Como se proteger contra o vírus HIV
Já que uma das formas mais comuns de ser infectado pelo vírus HIV é através da relação sexual feita sem proteção, a melhor maneira de se proteger contra a doença é usando camisinha durante o ato. Como o vírus é transmitido através do sangue, é necessário ter atenção e utilizar sempre seringas e agulhas descartáveis. Caso uma mulher soropositiva engravide, ela deverá também seguir o tratamento da AIDS durante o período da gravidez e não amamentar o bebê quando ele nascer, já que o vírus pode ser transmitido à criança desta forma.

Detecção da doença pode ser feita em apenas 30 minutos
A infecção pelo vírus HIV pode ser diagnosticada através de exames de sangue, sendo o sistema Poinf of Care, conhecido no país como Testes Laboratoriais Remotos (TLR), o meio mais indicado para quem busca rapidez e alto grau de confiabilidade no resultado, já que o diagnóstico é entregue ao paciente em até 30 minutos. Além de precisar de pouco material para realizar o exame, sendo necessárias apenas algumas gotas de sangue obtidas pela punção da polpa digital, localizada na ponta do dedo, os equipamentos do sistema Point of Care são portáteis, garantindo mais conforto ao paciente e evitando a coleta venosa.

“Por ser uma doença que enfraquece as defesas do corpo a níveis vulneráveis, o diagnóstico da infecção pelo HIV deve ser feito de forma precoce para que o paciente possa estar ciente de sua condição e receber o tratamento adequado o quanto antes. Esse sistema permite que a análise seja processada no local, então o paciente já sai do laboratório com o resultado do exame em mãos”, diz o dr. Chebabo.

No caso do exame para HIV, o teste rápido busca a presença de anticorpos contra o vírus no sangue do paciente. Uma vez tendo o resultado positivo pelo sistema Point of Care, o paciente é encaminhado para um novo exame laboratorial, em que será coletada uma nova amostra de sangue para a realização de testes confirmatórios, de acordo com o fluxograma do Ministério da Saúde. Os exames mais comuns, nessa segunda etapa, são os testes moleculares (carga viral) Western Blot e Imuno Blot.

Informações para a imprensa
Saúde em Pauta
Paula Borges – (21) 99789-7643
E-mail: paula@saudeempauta. com.br 

terça-feira, 28 de novembro de 2017

Impostos sobre medicamentos e tabaco podem ajudar a custear a saúde

O Plenário aprovou, nesta terça-feira (21), o PLS 147/2015, do senador Otto Alencar (PSD-BA), que destina recursos de impostos à área de saúde. O projeto, que integra a Agenda Brasil, vai agora para a Câmara dos Deputados

De acordo com a proposta, serão destinados ao Fundo Nacional de Saúde (FNS) os impostos sobre Produtos Industrializados, de Importação e de Exportação (IPI, II e IE) incidentes sobre medicamentos e produtos derivados do tabaco. Também vai para o FNS a arrecadação do Imposto de Renda (IR) sobre os lucros das empresas produtoras desses bens.

Por sugestão do senador Romero Jucá (PMDB-RR), foi feita uma emenda de redação para deixar claro que o IPI e a arrecadação do Imposto de Renda que vai para o FNS se referem à parte da União. Isso porque, segundo Jucá, uma parte do IPI e do Imposto de Renda arrecadado pelas empresas produtoras desses bens cabem ao Fundo de Participação dos Estados (FPE) e ao Fundo de Participação dos Municípios (FPM). Isso pode criar, inclusive, o prejuízo de alguém dizer que é inconstitucional, porque uma lei não pode alterar uma vinculação constitucional — explicou.

Fundo Nacional de Saúde
O FNS financia despesas do Ministério da Saúde e também é repassado aos estados e municípios para custear investimentos e ações ligados ao SUS. O autor alega que a medida pode representar mais R$ 20 bilhões para o setor. Para ele, é justo destinar a arrecadação dos impostos federais, visto que os produtos do fumo criam elevados encargos ao orçamento da saúde. O relator Waldemir Moka (PMDB-MS) concordou com a iniciativa. Para ele, os recursos, ao reforçarem o caixa do Ministério da Saúde, tem a destinação “mais nobre possível”.

— Segundo estudo da Aliança de Controle do Tabagismo, apenas os custos totais das internações no SUS, relacionadas às doenças dos aparelhos circulatório e respiratório bem como aos diversos tipos de cânceres, causados pelo tabagismo, atingiram R$ 1,5 bilhão em 2013. Infelizmente, houve 10% de óbitos em relação aos quase 634 mil pacientes acima de 35 anos internados nesse ano— argumentou.

Piso constitucional saúde
– Moka também acatou emenda sugerida pelo senador Humberto Costa (PT-PE) prevendo que os novos recursos destinados ao Fundo Nacional de Saúde (FNS) devem ser acima do piso constitucional para os gastos com a saúde.

— Se nós colocamos que o recurso de impostos sobre cigarros e medicamentos vai para o Fundo Nacional de Saúde, mas nós não dizemos que isso é além do piso constitucional, o que pode acontecer é simplesmente uma mudança de fonte, como já aconteceu em vários governos. Então, coloca-se o IPI do cigarro, coloca-se o IPI do medicamento, mas, se a gente não diz que isso tem que ser além do teto, o que pode acontecer é que nós não vamos ter nenhum efeito por conta disso — explicou Humberto Costa.

Senado Federal

Certificado Internacional: Vacina da febre amarela tem validade?

Dose contra a febre amarela não precisa ser renovada e isso vale independentemente de quando você tomou a vacina

Quem já foi vacinado pelo menos uma vez contra a febre amarela não precisa fazer uma nova visita ao posto de saúde. A avaliação sobre a vacina mostrou que uma única dose é suficiente para proteger contra a transmissão da febre amarela.

Até alguns anos atrás, a recomendação era de que a vacina fosse renovada de dez em dez anos, mas em 2014 a Organização Mundial da Saúde (OMS) mudou sua orientação quando conclui que o reforço da dose não é necessário para manter a proteção contra a doença.

No início deste ano o Brasil adotou a recomendação da OMS.

Tomei a vacina antes da mudança. O que faço?
Não é necessário se vacinar novamente. A vacina continua sendo a mesma. O que mudou foi o entendimento sobre a sua validade que até alguns anos atrás não era totalmente conhecida. Este tipo de revisão da validade de uma vacina pode acontecer porque são necessárias vários anos, e às vezes décadas, para ter certeza do período de validade da proteção de um medicamento como este. Quem já tem o certificado não precisa trocar ou renová-lo.

Quem já foi vacinado, mas não tem o certificado, precisa apenas agendar um horário em um posto de emissão do CIVP e apresentar o cartão nacional de vacinação com os dados da vacina. A vacina contra a febre amarela pode ser tomada em um posto de saúde ou em uma clínica particular.

Quais são os países que exigem o CIVP? A consulta poderá ser realizada no endereço: http://www.anvisa.gov.br/viajante. Clique no link: “Verifique as orientações para o país de destino” e serão apresentadas recomendações para sua viagem e a indicação da existência ou não de exigências sanitárias. Se houver exigência sanitária, será necessária a apresentação do certificado CIVP.

Como obter o CIVP?
A emissão do CIVP é gratuita e feita nos Centros de Orientação para a Saúde do Viajante da Anvisa, localizados em Portos, Aeroportos e Fronteiras. Desde abril de 2011, o certificado também pode ser emitido em Unidades do Sistema Único de Saúde (SUS) credenciadas, como postos de saúde e hospitais, e nas clínicas particulares credenciadas para essa finalidade.

Vale ressaltar, que os Postos da Anvisa não aplicam a vacina - apenas emitem o certificado. A vacina deve ser tomada nos serviços de saúde públicos e particulares, devidamente habilitados.

Para visualizar a lista dos serviços de vacinação privados credenciados acesse o endereço eletrônico http://www.anvisa.gov.br/viajante. Clique sobre o link “Centro de Orientação à Saúde do Viajante” e, após, no link “Consulte a lista completa dos Centros”.

Quais os documentos necessários?
- Cartão de vacina e documentos pessoais.

São aceitos como documentos de identificação pessoal a Carteira de Identidade (RG), o Passaporte e a Carteira de Motorista válida (CNH), entre outros.

A apresentação da certidão de nascimento é aceita para menores de 18 (dezoito) anos. Ressalta-se que crianças a partir de 9 (nove) meses já começam o esquema de vacinação.

A população indígena que não possui documentação está dispensada da apresentação de documento de identidade.

Para agilizar o atendimento, o interessado pode realizar um pré-cadastro no endereço http://www.anvisa.gov.br/viajante ao clicar na opção “cadastrar novo”.

Só o viajante pode assinar o CIVP?
Para obter o Certificado Internacional de Vacinação e Profilaxia (CIVP), é imprescindível a presença do interessado (viajante) nos Centros de Orientação para a Saúde do Viajante. Como se trata de um documento de validade internacional, a autoridade sanitária deverá garantir que a assinatura constante do CIVP seja idêntica à do Passaporte ou à da Carteira de Identidade (RG).

E quando se tratar de criança / adolescente menor de 18 anos?
a) Necessidade da presença do menor: Não é necessária a presença da criança ou adolescente menor de 18 (dezoito) anos quando seus pais ou responsáveis solicitarem a emissão do seu CIVP nos Centros de Orientação para a Saúde do Viajante.

b) Necessidade de assinatura:
- No caso de menores que não assinam o nome, o responsável pelo menor deverá assinar o documento.
- No caso de menores que já assinam o nome, orienta-se que o CIVP seja assinado de forma idêntica aos demais documentos (Passaporte ou Carteira de Identidade) da criança ou do adolescente.

Mas fique atento, o CIVP sem a assinatura torna o documento inválido e a autoridade do país de destino poderá deportar o viajante por esse motivo.

No caso de conexão ou escala em outros países, há necessidade do certificado?
Dúvidas sobre a aplicação das normas de controle sanitário, incluindo a necessidade de apresentação do Certificado Internacional de Vacinação ou Profilaxia em países onde se faz conexão ou escala, devem ser esclarecidas com a representação do próprio país (consulados / embaixadas) ou com a empresa aérea que opera nesses destinos.

O que fazer em caso de perda ou extravio?
Em caso de extravio do cartão de vacinação, o usuário deverá se dirigir à unidade de saúde onde tomou a vacina e solicitar a segunda via do documento.

Também pode procurar um dos Centros de Orientação de Viajantes da Anvisa para emitir gratuitamente uma nova via do certificado.

Quando a vacina é contraindicada?
Para casos em que a vacinação ou a profilaxia é contraindicada, o Regulamento Sanitário Internacional – RSI determina que o viajante deverá estar de posse de atestado médico que explique os motivos da contraindicação, escrito em inglês ou francês, não sendo determinado um modelo específico para esse documento. O RSI também determina que o país de destino tem autonomia para aceitar a contraindicação ou adotar uma dessas medidas adicionais para entrada do viajante.

A Anvisa divulga um modelo de atestado de isenção sugerido para esse fim, a ser emitido por um profissional médico.

O Centro de Orientação ao Viajante poderá chancelar atestado médico de contraindicação que esteja escrito em português, emitindo o Certificado de Isenção, destacando que esse documento não é previsto no RSI e tem a mesma validade que o atestado médico escrito em inglês ou francês. Para esses casos, faz-se necessário que, na avaliação do profissional médico, esteja explícito o porquê da contraindicação à vacina. As possibilidades de contraindicações para a imunização contra a Febre Amarela são: gravidez; alergia a componentes da vacina e pessoas imunodeprimidas. Como recomendação geral de qualquer imunização, consideram-se, ainda, a ocorrência de hipersensibilidade; histórico de reação anafilática após ingestão de ovo e presença de neoplasia maligna.

Demais motivos de contraindicação para vacina contra a febre amarela (Exemplo: idade superior a 60 anos, aleitamento materno, uso de outros medicamentos que não sejam imunossupressores), não são chancelados pela Agência. Nesses casos, o médico que avaliar a contraindicação é quem deverá atesta-la em inglês ou francês. O profissional poderá utilizar o modelo disponibilizado no site da Anvisa.

ANVISA

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Você sabe o que é violência obstétrica?

partoVocê sabe o que é violência obstétrica? Pois saiba que até mesmo muitas vítimas desse tipo de abuso também não

Esse tipo de violência pode ser física e/ou psicológica e atinge boa parte das mulheres e bebês em todo o país. Muitas dessas vítimas acabam ficando com sequelas . Algumas nem ao menos sobrevivem.

Mas o que pode ser entendido como violência obstétrica? O que deve ser feito para interromper esses episódios de maus tratos ? O Blog da Saúde conversou sobre o assunto com a Ana Catarine Carneiro, assessora técnica da Saúde da Mulher, do Ministério da Saúde. Confira:

1. O que é considerado violência obstétrica?
Resposta: A violência obstétrica é aquela que acontece no momento da gestação, parto, nascimento e/ou pós-parto, inclusive no atendimento ao abortamento. Pode ser física, psicológica, verbal, simbólica e/ou sexual, além de negligência, discriminação e/ou condutas excessivas ou desnecessárias ou desaconselhadas, muitas vezes prejudiciais e sem embasamento em evidências científicas. Essas práticas submetem mulheres a normas e rotinas rígidas e muitas vezes desnecessárias, que não respeitam os seus corpos e os seus ritmos naturais e as impedem de exercer seu protagonismo.

Exemplos:
- Lavagem intestinal e restrição de dieta
- Ameaças, gritos, chacotas, piadas, etc.
- Omissão de informações, desconsideração dos padrões e valores culturais das gestantes e parturientes e divulgação pública de informações que possam denegrir a mulher
- Não permitir acompanhante que a gestante escolher
- Não receber alívio da dor

2. Quando é necessário fazer a epsiotomia e parto induzido?
Resposta: Procedimentos como indução do parto, episiotomia e até a cesariana devem ser bem indicadas, esclarecidas e respeitar a autonomia da mulher. Quando realizada de forma desnecessária e imposta também são considerados violência obstétrica. Procedimentos desnecessários, agressivos e invasivos, como dieta e até a cesariana quando imposta e desnecessária. Episiotomia é um trauma perineal e não existem evidências confiáveis que o uso indiscriminado ou rotineiro desta tenha um efeito benéfico para a mulher e o bebê , porém há evidências claras de que pode causar dano. Num parto, até então normal, pode ocasionalmente haver uma indicação para realizar a episiotomia quando o períneo apresenta pouca elasticidade, mas recomenda-se o uso limitado dessa intervenção. Outra indicação é quando da necessidade do uso de parto instrumental (vácuo-extrator ou fórceps) se não houver segurança quanto ao bem estar fetal ou prolongamento do segundo período.

3. Como e quando se deve fazer força durante o parto normal?
Resposta: Com relação a solicitar que a mulher faça força durante o parto não há evidencias científicas que apoie essa prática. No momento que a mulher sentir os puxos ela fará força de forma involuntária. A indução do trabalho de parto ocorre quando existe algum fator que necessite acelerar o início do trabalho de parto como, por exemplo, a ruptura precoce das membranas, neste caso é recomendado dentro das 24 horas após. Na maioria das vezes é realizado com medicamentos indutores.

4. Como evitar essa violência?
Resposta: O Ministério da Saúde institui a Rede Cegonha, inicialmente pela Portaria GM/MS n. 1.459 de 24 de junho de 2011 e mais recentemente pelas Portarias de Consolidação, cujo objetivo é a mudança do modelo de atendimento obstétrico buscando abolir as práticas violentas e vexatórias denominadas “violência obstétrica”. Para sua implementação, são realizados diversas formas de capacitações e incentivos. Em 2016, houve a publicação Diretriz Nacional de Assistência ao Parto Normal, 2016, o objetivo é “sintetizar e avaliar sistematicamente a informação científica disponível em relação às práticas mais comuns na assistência ao parto e ao nascimento fornecendo subsídios e orientação a todos os envolvidos no cuidado, no intuito de promover, proteger e incentivar o parto normal”.

Em certo trecho destaca as mudanças que estão ocorrendo na atenção obstétrica: “Como resultado de pressões da opinião pública e consumidores de serviços de saúde, principalmente nos países mais desenvolvidos, assim como o surgimento de novas evidências científicas, a prática obstétrica tem sofrido mudanças significativas nos últimos 20-30 anos, com uma maior ênfase na promoção e resgate das características naturais e fisiológicas do parto e nascimento. Com isso, vários procedimentos hospitalares têm sido questionados pela carência de evidências científicas que os suportem, a existência de evidências que os contraindiquem e por trazerem desconforto à mulher”.

5. O que fazer caso a mulher sofra isso?
Resposta: Caso a mulher sofra violência obstétrica, ela pode denunciar no próprio estabelecimento ou secretaria municipal/estadual/distrital; nos conselhos de classe (CRM quando por parte de profissional médico, COREN quando por enfermeiro ou técnico de enfermagem) e pelo 180 ou Disque Saúde – 136.

6. O Ministério tem algum Guia de orientação sobre isso?
Resposta: O Ministério da Saúde institui a Rede Cegonha, pela Portaria GM/MS nº1.459 de 24 de junho de 2011, cujo objetivo é a mudança do modelo de atendimento obstétrico buscando abolir as práticas violentas e vexatórias denominadas “violência obstétrica”.

Para sua implementação são realizados diversas formas de capacitações e incentivos. A portaria está disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2011/prt1459_24_06_2011.html

Para o conhecimento da gestante, é fornecido a Caderneta da Gestante que contém informações sobre as boas práticas que devem ser realizadas no pré-natal, parto e puerpério.

A caderneta é entregue no primeiro atendimento da gestante no SUS e está disponível no link: http://portalarquivos.saude.gov.br/images/pdf/2016/marco/01/Caderneta-Gest-Internet.pdf 7.

O que é parto humanizado?
Resposta: O parto humanizado pode ser normal, natural ou pode ser uma cesárea, por exemplo. Ser humanizado é respeitar a mulher, a pessoa como um ser com especificidades, é não aplicar métodos e padrões indiscriminadamente, individualizando a assistência para cada um, de acordo com a sua necessidade. É oferecer uma assistência personalizada, ouvir, escutar, atender, dentro do possível, as necessidades da mulher, os desejos dessa mulher.

O Ministério da Saúde lançou no início deste ano diretrizes de assistência ao parto normal, garantindo as gestantes um atendimento qualificado e humanizado. Agora, toda mulher terá direito de definir o seu plano de parto que trará informações como local onde será realizado, orientações e benefícios do parto normal. Essas medidas visam o respeito no acolhimento e mais informações para o empoderamento da mulher no processo de decisão ao qual tem direito. Assim, o parto deixa de ser tratado como um conjunto de técnicas, e passa a ser entendido como um momento fundamental entre mãe e filho. Com as diretrizes, o Ministério da Saúde pretende reduzir as altas taxas de intervenções desnecessárias como a episiotomia (corte no períneo), o uso de ocitocina (hormônio que acelera o parto), a cesariana, aspiração naso-faringeana no bebê, entre outras. Essas intervenções, deveriam ser utilizadas de forma parcimoniosa, apenas em situações de necessidade. Afinal, um parto bem sucedido deve considerar, sobretudo, os aspectos emocionais, humanos e culturais envolvidos no processo que deve, somente, “dar a luz”.

Luíza Tiné, para Blog da Saúde

Estresse é tão prejudicial para o sistema digestivo como dieta gordurosa

Um estudo publicado na revista científica “Nature Scientific Reports” indica que o estresse pode ser tão prejudicial ao sistema digestivo como uma dieta rica em gordura

Para chegar a essa conclusão, pesquisadores da Universidade Brigham Young, em Utah (EUA), e da Universidade Jiao Tong de Xangai, na China, usaram camundongos para analisar as alterações na flora intestinal –microorganismos vitais para a saúde digestiva e metabólica– dos animais. Metade dos machos e metade das fêmeas foi submetida a uma dieta rica em gordura. Após 16 semanas, todos os ratos foram expostos ao longo de 18 dias a um estresse suave. Os cientistas analisaram a flora intestinal dos animais antes e depois da exaustão emocional.

“O estresse pode ser prejudicial de muitas maneiras, mas essa pesquisa traz novidades na medida em que o liga às mudanças na microbiota intestinal”, afirmou Laura Bridgewater, professora de microbiologia e biologia molecular da instituição norte-americana.

Os pesquisadores encontraram diferenças entre os gêneros: ratos machos na dieta com alto teor de gordura exibiram mais ansiedade do que as fêmeas. Além disso, os machos com alto teor de gordura mostraram atividade diminuída em resposta ao estresse. No entanto, foi apenas em camundongos fêmeas que o estresse alterou a composição da flora intestinal como se os animais estivessem em uma dieta rica em gordura.

Embora o estudo tenha sido realizado apenas em animais, os pesquisadores acreditam que há implicações significativas para os seres humanos. “Na sociedade, as mulheres tendem a ter taxas mais altas de depressão e ansiedade, que estão ligadas ao estresse”, disse Bridgewater. “Este estudo sugere uma possível fonte de discrepância no comportamento da microbiota intestinal de homens e mulheres”.

UOL

'Azeite' coloca ministério da Agricultura e Anvisa na mira do MPF

Testes comparativos e verificaram fraudes em quatro amostras de azeite de oliva extra virgens (Foto: depositphotos)Órgão propôs ação civil pública para combater fraudes na fabricação do produto; MPF diz que testes apontam para substâncias cancerígenas na composição

Ministério Público Federal em São Paulo propôs uma ação civil pública contra a União e a Anvisa para que se possa combater as fraudes nos azeites de oliva. Além de baixa qualidade, o MPF diz que foram encontradas substâncias cancerígenas nos azeites.

"Pensando estar comprando um produto conhecido por seus benefícios à saúde, o consumidor brasileiro acaba adquirindo, via de regra, um produto fraudado que pode, inclusive, trazer-lhe prejuízos à saúde”, alerta a procuradora da República Adriana da Silva Fernandes, autora da ação.

A ação civil foi proposta após uma representação feita pela Proteste - Associação brasileira de defesa do consumidor, que fez testes comparativos e verificou fraudes em quatro amostras de azeite de oliva extra virgens, correspondentes as marcas Figueira da Foz, Tradição, Quinta D'aldeia e Vila Real.

"As amostras apresentaram valores que nem poderiam ser considerados azeites, seriam na verdade uma mistura de óleos refinados, nem sempre provenientes de azeitonas", anotou o MPF. Procurado, o ministério da Agricultura não se pronunciou até a última atualização desta notícia.

Fraude constatada
Outros sete produtos foram considerados apenas como "virgens" e não como "extra virgens" como se autodenominam pelos testes da Proteste (La Espanola, Carbonell, Serrata, Beirão, Gallo, Pramesa e Borges).

No inquérito aberto, o MPF pediu aos órgãos de fiscalização que checasse as informações da Proteste. "Restaram confirmadas pelos órgãos de fiscalização as irregularidades noticiadas", afirma a procuradora na ação.

Em muitos casos, apesar de o rótulo indicar azeite de oliva virgem ou extravirgem, o conteúdo é composto por uma mistura de óleos ou nem isso: há exemplos em que se trata apenas de óleo de soja.

Em situações mais graves, foi constatado que os produtos envasados continham azeite lampante, um óleo de baixa qualidade e mais barato para importação, pois é extraído de azeitonas deterioradas ou fermentadas.

O azeite lampante é impróprio para o consumo humano e não há garantias de que não possa fazer mal à saúde do consumidor.

Para facilitar a fiscalização, a ação civil pública ajuizada pelo MPF pede que o Ministério da Agricultura edite uma norma técnica com regras para rastrear o azeite de oliva, desde sua eventual importação até a finalização do processo produtivo.

A procuradora pede a criação de um cadastro de pessoas e empresas envolvidas na importação, fabricação e envasamento de óleos vegetais, e que os dados cadastrados sejam compartilhados com a Anvisa e com as Vigilâncias Sanitárias Estaduais e Municipais.

Com relação à Anvisa, o MPF pede que a agência implemente e execute diretrizes técnico-administrativas relativas à importação de óleos vegetais. Atualmente, o MPF diz que a autarquia tem se omitido das obrigações legais, deixando a anuência para a entrada desses produtos no país exclusivamente para o Ministério da Agricultura.

A ação requer ainda que a Anvisa edite norma técnica dispondo sobre boas práticas de produção, refino e envasamento dos azeites de oliva e dos óleos de bagaço de oliva, bem como regulamente os óleos mistos ou compostos, proibindo a mistura dos produtos ou disciplinando sua produção com especificação dos percentuais permitidos de cada item na combinação.

Foto: Depositphotos

G1

sábado, 25 de novembro de 2017

Medicina: Nanoantibiótico pode combater superbactérias

Pesquisadores dizem que ele é mais eficaz e não tem efeitos colaterais

Pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas desenvolveram um nanoantibiótico capaz de combater superbactérias. Ele pode acabar com as doenças de forma mais eficaz e sem efeitos colaterais.

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G1

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Consumir comidas apimentadas faz bem para a saúde

Estudo publicado no British Medical Journal (BMJ) aponta que pessoas que seguem uma dieta regular com comidas apimentadas apresentam baixo risco de morte por câncer, doenças do coração e respiratórias

Muitos estudos prévios demostraram os benefícios à saúde que a pimenta promove. Algumas pesquisas apontaram agentes bioativos que ajudam a reduzir o risco de obesidade e doenças cardiovasculares.

Enquanto esses estudos sugerem que a pimenta poderia desempenhar um papel proeminente na saúde humana, há evidências dos efeitos do consumo diário de comidas apimentadas em algumas doenças específicas e nas causas de mortalidade.

Para verificar isto, um grupo de pesquisadores da Chinese Academy of Medical Sciences analisou dados da China Kadoorie Biobank de quase meio milhão de adultos de diversas regiões da China.

Eles acompanharam um total de 487.375 participantes com idades entre 30 e 79 anos regularmente avaliadas por médicos. Quando cada participante estava envolvido no estudo entre 2004 e 2008, eles receberam um questionário sobre sua saúde e o consumo de comidas picantes, carne vermelha, vegetais e álcool.

Um total de 20.224 mortes aconteceram durante o período de acompanhamento. Em 2008, 5% dos participantes sobreviventes foram pesquisados aleatoriamente para verificar se o questionário inicial “batia” com os hábitos de consumir comidas apimentadas na atualidade.

Os autores do estudo reportaram que os questionários indicaram que o consumo de comida apimentada foi mencionado constantemente. Os pesquisadores observaram que os participantes que afirmaram comer comidas apimentadas de 3 a 7 vezes por semana eram 14% menos propensos a morrer do que os participantes que comiam alimentos apimentados menos de uma vez por semana. Participantes que ingeriam comidas apimentadas uma ou duas vezes por semana tinham 10% menos chance de morrer ao serem comparados com os participantes de se consumiam pimentas menos de uma vez por semana.

Os cientistas afirmam que ainda é cedo para tirar qualquer conclusão sobre ingerir mais pimenta. Ainda ocorrerão novos estudos.

Acidentes com animais peçonhentos aumentam no período chuvoso

escorpiãoMinistério da Saúde orienta que as pessoas busquem prestar atenção à presença destes animais e procurem atendimento imediatamente no caso de picadas

Em quase todo o Brasil, o clima é chuvoso e é nesta época do ano em que se percebe, com mais frequência, a presença de animais peçonhentos em casas e apartamentos, especialmente os localizados próximos às áreas verdes. Escorpiões, aranhas, lacraias e até serpentes costumam buscar locais secos para se proteger das enchentes e acabam se tornando um perigo, especialmente para crianças.

O coordenador de Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde, Renato Alves, explica o porquê de a atenção precisa ser redobrada. “Essa época de chuva coincide com a de maior calor e há, também, mais exposição das pessoas aos ambientes que estes animais estão. Estes bichos não regulam sua temperatura como os mamíferos e, por isso, buscam locais de maior exposição ao sol. A soma destes fatores faz desta época a de maior incidência de acidentes”.

A manicure Ana Paula Peixoto passou pelo susto de ser picada por escorpiões duas vezes: a primeira numa fazenda e outra na zona urbana. O primeiro acidente foi no chão do banheiro e, no segundo, o animal estava dentro da calça jeans do filho dela. Nas duas ocasiões ela diz ter sentido “a pior dor do mundo”. “É uma dor mortal, eu vi a morte nos olhos. Minha mão ficou dormente e nem sentia os dedos”, lembra.

Nas duas vezes em que foi vítima dos escorpiões, a Ana Paula cometeu um erro grave. Ela não chegou a procurar o Pronto Socorro. Se automedicou e esperou a dor passar, o que poderia ter resultado em sequelas para toda a vida.

Socorro médico
Segundo Renato Alves, em caso de acidentes com animais peçonhentos, é preciso procurar o serviço de saúde mais próximo e o mais rápido possível. Só numa unidade de pronto atendimento – UPA, Hospital ou SAMU -, após a avaliação clínica, o paciente receberá ou não um antiveneno específico.

“A única ação que a pessoa pode fazer é lavar bem o local da picada com água e sabão. Nenhuma outra substância pode ser colocada no local, nem amarrar, porque pode piorar a situação. E sobre levar o animal, não é necessário perder tempo capturando-o. Todavia, se ele for capturado, é relevante levar para ajudar o profissional de saúde a identificar a gravidade do veneno”, alerta o coordenador Renato Alves.

Um perigo eminente
Em 2016, em todo o Brasil, foram registrados 173.687 acidentes com animais peçonhentos, com maior incidência nos meses chuvosos, que começa em novembro e termina em março. Ao todo, 305 pessoas foram vítimas fatais.

O animal peçonhento que mais causa acidentes com envenenamento é a serpente surucucu. Em 2016, foram registrados 26.485 casos de acidentes por serpentes peçonhentas e não peçonhentas. Deste total, 524 casos – ou 1,9% do total – foram causados pela surucucu

Prevenção
Lançada pelo Ministério da Saúde no ano passado, a Cartilha “Orientações para prevenção de acidentes por animais peçonhentos durante e após períodos de enchentes” traz orientações para que as pessoas consigam se prevenir de serem vítimas deste tipo de animais.

As principais recomendações são:
• Não andar descalço;
• Usar luvas de couro nas atividades rurais e de jardinagem;
• Nunca colocar as mãos em tocas ou buracos na terra, ocos de árvores, cupinzeiros;
• Não depositar ou acumular material inútil junto à habitação rural, como lixo, entulhos e materiais de construção;
• Controlar o número de roedores existentes na área para evitar a aproximação de serpentes venenosas que se alimentam deles;
• No amanhecer e no entardecer, nos sítios ou nas fazendas, chácaras ou acampamentos, evitar a aproximação da vegetação muito próxima ao chão, gramados ou até mesmo jardins.

Essas ações podem ser adotadas o ano todo. “Principalmente quando for mexer com entulho, jardinagem e fazer trilhas. É bom usar botas, luvas, calça, camisa de manga cumprida, protegendo o corpo para evitar a picada. Quando encontrar o animal, afaste-se, não toque nele”, completa Alves.

Depois dos dois acidentes, a Ana Paula está mais cautelosa com animais peçonhentos. “Agora eu estou todo tempo observando. Tem que tomar cuidado. Aqui onde moramos tem muito mato dos lados. E oriento as crianças que, se virem, chamem a gente imediatamente”.

Acesse a cartilha Orientações para prevenção de acidentes por animais peçonhentos durante e após períodos de enchentes

Erika Braz, para o Blog da Saúde

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Apendicite: O Que é, Como é a Dor, Qual Lado, Cirurgia e Pós Operatório

Cerca de 5 a 10% da população mundial sofre um episódio de apendicite em algum momento na vida. Nos Estados Unidos, 1 em cada 20 indivíduos desenvolvem a inflamação. Embora possa ocorrer em qualquer faixa etária, a apendicite é mais comum entre 10 e 30 anos de idade

A apendicite é uma condição que gera muitas dúvidas nas pessoas. Por se tratar de uma situação de emergência, na qual o socorro médico deve ser o mais breve possível, muitas pessoas têm dúvidas sobre os sintomas e sobre o momento certo de procurar um profissional da saúde. Vamos discutir abaixo sobre a apendicite, entender o que é, quais são suas causas e sintomas e como é feita a cirurgia de emergência nessa situação.

O que é
A apendicite nada mais é que uma inflamação no apêndice, que é um tecido que se estende do intestino grosso até a região da barriga.

Quando ocorre essa inflamação, quase em todos os casos é preciso recorrer a uma cirurgia de emergência para remoção do apêndice. Se nada for feito, o apêndice inflamado pode explodir e/ou perfurar outros tecidos, espalhando materiais infecciosos do intestino pela cavidade abdominal, o que é gravíssimo e pode colocar a vida do indivíduo em risco.

Uma vez que isso ocorre, outro problema surge, a peritonite, que se trata de uma grave inflamação do revestimento da cavidade abdominal chamado de peritônio, podendo ser fatal a menos que seja rapidamente iniciado um tratamento com antibióticos fortes. Por este motivo, praticamente todos os casos de apendicite são tratados como emergências e a decisão mais sensata é, ao sentir os primeiros sintomas de apendicite, procurar ajuda médica e ser submetido à cirurgia de emergência.

Causas
A apendicite pode ocorrer por causas como:
  • Algum tipo de bloqueio causado por fezes, corpo estranho ou um tumor;
  • Alguma infecção que causa o inchaço do apêndice.
Sintomas
  • Os sintomas mais comuns da apendicite são:
  • Dor chata perto do umbigo ou na região superior do abdômen.
  • Essa dor se torna cada vez mais forte à medida que a pessoa se move. Este é, geralmente, o primeiro sinal de um apêndice inflamado.
  • Perda de apetite;
  • Náuseas acompanhadas ou não de vômitos.
Geralmente, esses sintomas ocorrem logo após o início da dor abdominal relatada como o primeiro sinal.
  • Febre entre 37,5 e 39ºC;
  • Incapacidade ou dificuldade para liberar gases do organismo.
Outros sintomas, que não são comuns em todos, mas costumam ocorrer em mais da metade dos casos, são:
  • Dor aguda em qualquer parte do abdômen (inferior ou superior), costas e/ou no reto;
  • Micção dolorosa e/ou dificuldade em urinar;
  • Vômitos antes das dores abdominais surgirem;
  • Cãibras severas;
  • Constipação ou diarréia com liberação de gases.
Ao ocorrerem esses sintomas mencionados, o atendimento médico imediato é indispensável para o diagnóstico e tratamento rápidos. É importante não se automedicar ao constatar esses sintomas, principalmente evitando o uso de remédios para dor, antiácidos, laxantes ou compressas quentes, pois esses métodos podem causar o rompimento do apêndice inflamado.

Também é recomendado que a pessoa não beba e nem coma até encontrar ajuda médica e realizar o diagnóstico correto.

Como é a dor
A dor da apendicite geralmente começa como uma dor leve que vai aumentando gradualmente na região do abdômen, podendo também gerar cãibras.

Muita gente se pergunta de qual lado a dor é sentida. A dor de apendicite geralmente ocorre no lado inferior direito do abdômen. O primeiro sinal é um desconforto perto da barriga, que vai se espalhando em direção ao abdômen inferior. Quando a dor atinge a parte inferior do abdômen, ela costuma ficar muito intensa, podendo ser intensa o bastante para acordar alguém que está dormindo, de acordo com especialistas.

Algumas pessoas também podem sentir dores em outras áreas do abdômen. É comum que a dor piore se você mover as pernas ou abdômen e, por isso, algumas pessoas sentem dificuldade para andar. Além disso, ao tossir ou espirrar, a dor pode aumentar.

A medida que o apêndice vai ficando mais inchado e inflamado, o que acontece em questão de horas, o revestimento da parede abdominal chamado de peritoneu fica irritado. Geralmente, essa irritação é a causa da dor localizada e aguda sentida na parte inferior direita do abdômen, que tende a ser mais constante e severa do que as dores iniciais.

Um outro tipo de manifestação da dor ocorre na região da lombar ou uma dor pélvica quando o apêndice inflamado se encontra atrás do cólon.

Diagnóstico
Mas como ter certeza que você tem apendicite? O diagnóstico nem sempre é tão simples e direto. Muitas vezes, os sintomas da apendicite podem parecer vagos ou muito parecidos com os sintomas de outras doenças, incluindo problemas na vesícula biliar, infecção vesical ou urinária, doença de Crohn, gastrite, infecção intestinal e até problemas de ovário.

Para não confundir a apendicite com nenhuma dessas condições citadas acima, alguns testes são usados para ajudar no diagnóstico, tais como:
  • Exame abdominal para detectar a inflamação;
  • Teste de urina para descartar uma infecção no trato urinário;
  • Exame retal;
  • Exame de sangue para verificar se o organismo está lutando contra alguma infecção;
  • Tomografia computadorizada.
Cirurgia
Estudos indicam que o apêndice pode ter alguma função na imunidade do intestino, mas não há provas de que ele é um órgão indispensável para o organismo. Isso significa que é possível viver sem o apêndice sem danos à saúde.

Apendicectomia é o nome dado à cirurgia de remoção de apêndice e é o tratamento padrão indicado para quase todos os casos de apendicite. Quando o médico diagnostica um paciente com apendicite, é bastante comum que ele rapidamente indique uma cirurgia de emergência para remoção do apêndice e para evitar que ele seja rompido.

Antes da cirurgia, antibióticos são administrados ao paciente para evitar uma possível peritonite. Em seguida, uma anestesia geral é aplicada e o apêndice é removido através de uma incisão de aproximadamente 10 cm ou por laparoscopia, que nada mais é que uma cirurgia realizada com pequenos furos ao invés de um corte grande. Nesses pequenos furos, uma microcâmera é inserida e o médico pode ter um panorama de tudo que está acontecendo sem a necessidade de uma incisão maior.

Nos casos em que o apêndice é rompido antes da cirurgia e o paciente já apresenta peritonite, o abdômen é lavado e o pus é totalmente drenado antes da remoção do apêndice.

Também existem pesquisas mostrando que o tratamento de apendicite aguda com o uso de antibióticos já é capaz de tratar o problema eliminando a necessidade de cirurgia em alguns casos. Mas estudos mais detalhados ainda precisam ser feitos.

Pós operatório
De um modo geral, após 12 horas de cirurgia o paciente já pode se levantar e fazer alguns movimentos. A recuperação total ocorre em 2 a 3 semanas. Nos casos em que a cirurgia é feita por laparoscopia, a recuperação é ainda mais rápida devido à menor incisão.

Como mencionado, o pós operatório é bem tranquilo e o paciente pode retornar a suas atividades normais em até 3 semanas após a operação. Porém, ao sentir alguns sintomas, é preciso visitar seu médico para tratamento adequado e certificação de que não houve nenhuma complicação. São eles:
  • Vômitos descontrolados;
  • Dor forte no abdômen;
  • Tonturas;
  • Fraqueza e moleza no corpo;
  • Sangue no vômito ou urina;
  • Aumento da dor e vermelhidão no local da incisão;
  • Febre;
  • Pus na ferida.
Não existe uma forma de prevenir a apendicite. Porém, é relatado que a apendicite é bem menos comum em pessoas que ingerem alimentos ricos em fibras, que ajudam a manter o bom funcionamento do intestino. Por isso, sempre inclua bastante frutas e vegetais frescos em sua dieta. 

O sal que a gente não vê e os perigos do exagero na alimentação

A obesidade e o sobrepeso têm aumentando por toda a América Latina e Caribe, como aponta um relatório produzido apresentado neste ano pela Organização Pan-Americana da Saúde em conjunto com a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura. Mais de 360 milhões de pessoas estão com sobrepeso, o que corresponde a aproximadamente 58% da população latino-americana e caribenha

As mulheres são as mais afetadas, sendo que em mais de 20 países a taxa de obesidade feminina é 10% maior que a dos homens. Além disso, o relatório aponta uma tendência de aumento de sobrepeso e obesidade também nas crianças.

No Brasil, dados do Ministério da Saúde revelam que mais de 17% dos adolescentes de 12 a 17 anos estão com sobrepeso. E esse problema se deve em grande parte à má alimentação desses jovens, uma vez que essa mesma pesquisa aponta que entre os 20 alimentos de maior consumo pelos adolescentes brasileiros, os refrigerantes estão entre os seis primeiros, passando à frente das hortaliças e frutas.

O Ministério da Saúde tem um estudo que apresenta o consumo médio do brasileiro em relação ao sódio, que gira em torno de 12 gramas por dia. Esse valor é considerado muito alto pela Organização Mundial da Saúde, que recomenda apenas 5 gramas diárias.

Esse consumo em excesso está ligado diretamente ao aumento de doenças como hipertensão, diabetes e obesidade que, juntas com as doenças cardiovasculares, respiratórias e câncer respondem por 72% das mortes no país.

Para tentar controlar essas doenças e impedir o avanço da obesidade no Brasil, o Ministério da Saúde tem trabalhado em ações e iniciativas que ajudem a melhorar a forma como os brasileiros se alimentam. De acordo com o ministro da Saúde, Ricardo Barros, “cada vez mais a alimentação saudável fará parte dos objetivos prioritários do Ministério da Saúde. Estamos fazendo parcerias com a indústria alimentícia para reduzir o sal, o açúcar e sódio dos alimentos, porque as pessoas sabem que precisam cuidar da saúde e nosso papel é ajudar elas nesse cuidado” afirmou.

“As pessoas precisam consumir mais alimentos naturais, aqueles que chamamos ‘in natura’, ou seja, aqueles que vêm diretamente da natureza sem receber processos e tratamentos químicos. Isso significa comer mais arroz, feijão, frutas, verduras, legumes, leite e carnes. Também é importante evitar alimentos que vem embalado em sacos e caixas com muitos conservantes”, explica a coordenadora de Alimentação e Nutrição do Ministério da Saúde, Michele Lessa.

No início deste ano, a Organização Pan-Americana da Saúde realizou uma reunião com diversas entidades internacionais no âmbito da alimentação, com objetivo de debater o problema da mudança nos padrões alimentares - um dos principais motivos que têm gerado aumento da obesidade e do sobrepeso.

Com base em estudos internacionais, foi observado que recente crescimento econômico e a ampliação da urbanização, aumentou também o consumo de produtos ultraprocessados. Isso fez o consumo de pratos tradicionais e alimentos orgânicos diminuírem. Para mudar essa situação, é preciso mudar a maneira de se alimentar.

Rita Lobo é chef de cozinha e apresentadora de um programa sobre alimentação saudável. Segundo ela, o segredo é “cortar da lista de compras os ultraprocessados, que são aqueles produtos cheios de aditivos químicos”. A chef explica que o jeito de saber o que você está comendo é justamente lendo os ingredientes do rótulo dos produtos que você compra. “Quando você começa a ler os ingredientes do rótulo e você vê que tem nomes estranhos que você não teria na cozinha da sua casa, isso é ultraprocessado, tira do carrinho”, afirmou Rita Lobo.

No site do Ministério da Saúde é possível baixar o Guia Alimentar Para a População Brasileira, um documento que contém dicas e explicações de como se alimentar melhor, de maneira simples e econômica. Com ele é possível aprender três dicas fáceis de seguir e que ajudam a melhorar a saúde:

1ª - Use pouca quantidade de óleos, gorduras, açúcar e sal no preparo dos alimentos. De preferência, procure substituir por temperos naturais (como cheiro verde, alho, cebola, manjericão, orégano, coentro, alecrim, entre outros) e optando por receitas que não levem açúcar na sua preparação.

2ª - Evite bebidas açucaradas (refrigerantes, sucos e chás industrializados), bolos e biscoitos recheados, doces e outras guloseimas como regra da alimentação. Embora convenientes e de sabor pronunciado, esses e outros produtos ultraprocessados tendem a ser nutricionalmente desequilibrados e, em sua maioria, contêm quantidades elevadas de açúcar, gordura e sal.

3ª - Fique atento às informações nutricionais dos rótulos dos produtos processados e ultraprocessados para favorecer a escolha de produtos alimentícios mais saudáveis. Os rótulos dos produtos são uma forma de comunicação entre esses produtos e os consumidores e contêm informações importantes sobre a sua composição. Fique atento para informações, orientações e mensagens sobre alimentação veiculadas em propagandas comerciais, pois geralmente as propagandas buscam aumentar a venda dos produtos, mas não informar.

Janary Damacena para o Blog da Saúde.

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Homeopatia visa cuidado do paciente, não da doença

homeopatiaPrática busca avaliar a saúde integral do paciente correlacionando sinais físicos, comportamentais e emocionais

No dia 21 de novembro, comemora-se o Dia Nacional da Homeopatia, abordagem de cuidado onde se avalia o paciente a partir da integralidade. Ou seja, diferente da medicina tradicional que avalia os sintomas, diagnostica a doença e prescreve o tratamento, o sistema homeopático vai além e tenta encontra a raiz da doença por meio de uma avaliação de todo equilíbrio do organismo do paciente.

Como algumas enfermidades têm, por exemplo, uma causa emocional, a homeopatia vai buscar não só curar a doença que se instalou no organismo, mas cuidar da saúde emocional que permitiu que essa doença se instalasse.

“O especialista ou habilitado em homeopatia faz uma avaliação considerando diversos critérios. Um processo chamado repertorização homeopática. Ele busca um conjunto de sinais e sintomas próprios que são avaliados na homeopatia. Sejam sinais físicos, de comportamento ou emocionais. A partir do momento que ele junta esse conjunto de sinais, ele busca um medicamento apropriado. Ou seja, existe uma individualização do tratamento”, detalha o coordenado de Práticas Integrativas e Complementares do Ministério da Saúde, Daniel Amado.

O paciente que sofre de enxaqueca, por exemplo, toma remédio, a dor de cabeça vai embora, mas pode voltar. A homeopatia vai investigar quais as causas, os gatilhos, que dão início as crises de enxaqueca desse paciente, de forma que o tratamento diminua a frequência e até bloqueie novas crises.

Acesso SUS
A homeopatia esta presente no SUS desde 2006, por meio da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares do SUS. O acesso é feito a partir dos serviços de saúde, tanto em unidades básicas de saúde como em serviços especializado, e até mesmo em hospitais.

O usuário deve buscar a sua secretaria de saúde ou o posto de saúde mais próximo para saber como acessar esse tipo de atendimento, que varia de acordo com a oferta que cada município.

Os medicamentos homeopáticos estão na Relação Nacional de Medicamentos Essenciais do SUS (Rename), financiados pelo Ministério da Saúde. Assim, os municípios e estados também podem oferecer esses medicamentos nas unidades de saúde.

“O Ministério da Saúde também desenvolve uma série de projetos de capacitação e formação de trabalhadores nas várias práticas integrativas no sentido de ampliar a abordagem de cuidado, as opções terapêuticas que esses profissionais podem ofertar ao cuidar dos pacientes. Estamos desenvolvendo alguns projetos em parceria com algumas associações como a Associação de Médicos Homeopáticos e a Associação de Farmacêuticos Homeopáticos para o desenvolvimento de cursos voltados para profissionais do SUS”, destaca Amado.

Números no SUS
O Ministério da Saúde tem buscado ampliar as práticas integrativas e complementares (onde se inclui a homeopatia) para garantir um cuidado integral das pessoas.

Para se ter uma ideia, só em 2016, a Atenção Básica registrou mais de 13,5 mil atendimentos individuais para homeopatia em 340 estabelecimentos de saúde, em 259 municípios. Já nos serviços especializados, o número de atendimentos em homeopatia salta para 202 mil pacientes em 69 serviços.

Dentre a oferta de medicamentos, foram registrados 147 homeopáticos industrializados; 25 manipulados de farmácias próprias dos serviços; e 70 manipulados de farmácias conveniadas.

Luiz Philipe Leite, para o Blog da Saúde.

Vício em celular chega a consultórios e já preocupa médicos no Brasil

Brasil tem 120 milhões de usuários de internet, 4º maior volume do mundo


Desde a morte do pai, em 2013, *Mariana lutou contra a depressão e viu o quadro piorar ao mergulhar por horas a fio no Facebook. “Era como uma fuga, uma anestesia para esquecer problemas”. Significava também “procrastinar tarefas da casa e os estudos”. “Checava o celular o tempo inteiro. Estava viciada”.

Já na vida de *Luísa, 47 anos, o smartphone entrou como alternativa para relaxar à noite, após um longo dia de trabalho. Em poucos anos, virou o centro de conflitos com as filhas e o marido. “Reclamavam que eu tinha virado um zumbi, que fingia prestar atenção em conversas quando, na verdade, estava pensando em algo que li ou esperando mais uma curtida no Instagram. Era capaz de debater temas no Facebook, mas não conversava com minhas filhas”, disse Luísa à BBC Brasil. A dependência tecnológica, que inclui o “uso abusivo” da internet, redes sociais, jogos e celulares, não é dimensionada no Brasil, mas já chega como problema a especialistas.

“Não existe nenhum órgão dizendo que há uma preocupação nacional sobre isso, mas diferentes segmentos observam que a tecnologia de forma excessiva começa a criar problemas recorrentes. Há aumento de queixas de pacientes nos hospitais universitários, nas clínicas de psicologia, de psiquiatria e em escolas”, diz o PHD em psicologia e coordenador do Grupo de Dependência Tecnológica do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP), Cristiano Nabuco de Abreu.

Destaque para o Brasil
O Brasil tem 120 milhões de usuários de internet, o quarto maior volume do mundo, atrás de Estados Unidos, Índia e China, mostra relatório da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD). Em 2016, o país foi considerado o segundo que mais usa o WhatsApp, em um levantamento do Mobile Ecosystem Forum (MEF). O primeiro lugar ficou com a África do Sul. Embora não haja indicadores de quantos, em meio a esse batalhão, são considerados dependentes, estudos dão pistas sobre os riscos.

Uma pesquisa que a consultoria Deloitte divulgou em outubro sobre o uso de celular no dia a dia do brasileiro – com 2 mil entrevistados – mostra, por exemplo, que dois em cada três pais dizem acreditar que seus filhos usam demasiadamente o smartphone. Mais da metade dos que estão em um relacionamento veem excessos por parte dos parceiros e 33% admitem ficar online de madrugada para ver mídias sociais.

“Temos, comparativamente a outros países, uma quantidade de tempo de uso da tecnologia bastante expressiva e aumentando”, alerta Nabuco, também autor do livro Internet addiction in Children and Adolescents (em tradução livre: O vício em internet entre crianças e adolescentes).

“Detox digital”
A preocupação vai além, no entanto, do tempo gasto. Se concentra, principalmente, na relação do usuário com esse tipo de ferramenta, diz Eduardo Guedes, pesquisador e membro do Instituto Delete – primeiro núcleo do Brasil especializado em “desintoxicação digital” na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Essa relação, segundo ele, pode ser dividida em uso consciente, quando o virtual não atrapalha a vida real; uso abusivo, quando atividades online são priorizadas em detrimento das offline; e uso abusivo dependente, quando o virtual atrapalha o real e há perda de controle.

O Instituto pesquisa o impacto das tecnologias desde 2008 e já ofereceu atendimento gratuito a cerca de 500 pessoas, nem todas com dependência diagnosticada. Frases como “desliga o computador e vai dormir”, “sai do Face e vai trabalhar”, “fecha o WhatsApp e come o jantar” e “larga o celular para não bater o carro” são usadas para chamar a atenção no site que divulga os serviços.

Narcisismo?
A sensação de prazer despertada nos usuários é uma das possíveis explicações para a dependência. “Falar de si gera um prazer equivalente a se alimentar, ganhar dinheiro ou fazer sexo. E em 90% do tempo as pessoas estão falando de si nas redes sociais, com feedback instantâneo”, complementa Guedes. “Em uma conversa normal, em 30% do tempo normalmente se fala sobre si”.

Os dados são de uma pesquisa da Universidade de Harvard segundo a qual esse comportamento gera um mecanismo de recompensa no cérebro, graças à liberação de dopamina, além de endorfina, ocitocina e serotonina, hormônios ligados ao prazer.

Mas esse prazer é temporário, observa Guedes. “E vira problema quando passa a ser a fonte exclusiva de prazer, quando a pessoa passa a viver para postar a foto e deixa de aproveitar o momento”.

Gianna Testa, integrante da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), explica que o “sistema de recompensa” do usuário é muito afetado por estímulos – ou pela ausência deles – criados pelo reconhecimento virtual nas redes sociais, como medida de aceitação e sucesso.

O efeito seria comparável ao da dependência de substâncias químicas no sistema nervoso central.

“Hoje é muito claro em adolescentes, por exemplo, o quanto a autoestima depende do número de curtidas, do sucesso que eles têm nas redes sociais”, observa a especialista, também sócia da ASEAT, uma assessoria de segurança e educação em alta tecnologia, de Brasília.

Como medir o vício?
Segundo Guedes, um conjunto de cinco critérios são observados para avaliar se o uso da tecnologia deixou de ser saudável. O primeiro deles mede quão importante o celular se tornou para trazer a sensação de "refúgio de prazer ou segurança". Quanto maior a importância da ferramenta, mais grave a condição do usuário.

"Uma pessoa que terminou um casamento, que está com baixa autoestima, por exemplo, muitas vezes posta uma foto e isso ajuda a melhorar. É um gatilho positivo. Mas, se ela só trabalha a autoestima por meio da rede, isso pode gerar isolamento, desprezo pelas relações na vida real e até depressão", exemplifica. Em tímidos, o uso abusivo pode levar pode levar à fobia social.

Outro termômetro é a relevância da tecnologia no dia a dia. Ir ao banheiro ou para a cama, por exemplo, e levar o celular junto pode parecer inofensivo, mas, em alguns casos, indica distúrbio.

Outros dois indicadores na avaliação do vício são se a pessoa tolera eventos ou ambientes em que terá de ficar desconectada e se, em caso de "abstinência" no uso do celular, a experiência se torna insuportável, com efeitos físicos e psicológicos sobre o indivíduo. Pacientes com o distúrbio relatam temor de ficarem distantes das redes e mau humor, mãos tremendo, ansiedade, agressividade e tristeza quando a falta da tecnologia se concretiza.

"Há também quem use tanto o celular que, quando está sem, ele precisa ter algo nas mãos, para ficar mexendo", diz Guedes. Segundo ele, o efeito é semelhante ao vivido por ex-fumantes, que sentem a necessidade de movimentar uma caneta entre os dedos para simular os gestos que se acostumaram a fazer quando fumavam.

O quinto critério mede o quanto a dependência causa conflitos na vida real. É o caso, por exemplo, de filhos que reclamam a atenção dos pais dividida com a internet até que eles próprios começam a encontrar nas telas refúgio, gerando, em consequência, novos conflitos no ambiente familiar.

É algo que Luísa viveu e vive.

"Minhas filhas já não reclamam tanto de mim. Agora, eu é que reclamo delas. Mas isso quando não estamos todos mergulhados no celular, eu, meu marido e minhas duas filhas, cada um no seu mundo. Essa cena é comum na nossa casa, em restaurantes... Às vezes tento botar ordem na casa, pegar os celulares, mas não dura muito. Não tem atrapalhado estudos, carreiras, mas, sem dúvida, nossa vida familiar. Eu, por exemplo, frequentemente, deixo o celular embaixo do travesseiro e volto a ele assim que meu marido dorme. Sinto falta de ar, um certo nó na garganta quando estou longe do meu aparelho", conta.

Jogos online
Não são só os dependentes de celular que estão sujeitos a esses sintomas. "Muito estresse, falta de concentração e uma ansiedade terrível" pegavam em cheio o estudante Antônio*, de 25 anos, quando tentava se livrar sozinho da vontade descontrolada de jogar.

O jogo virou parte da sua vida quando tinha 4 anos de idade. Movido por um espírito de competitividade "muito grande", acabava fisgado por computador, celular, videogame e o que mais permitisse entrar na disputa. Ficou dependente.

"Não almoçava, não estudava e preferia ficar em casa", diz. Para Antônio, o problema ficou evidente apenas quando pessoas próximas passaram a observar que "a convivência estava difícil" e o assunto virou "motivo de estresse". E também de separação. "Eu jogava escondido da minha esposa, tinha dificuldade de conversar e nosso relacionamento acabou terminando". O casal chegou a fazer terapia e reatou. Há um ano, teve o primeiro filho. Ele está na terceira tentativa de parar.

"80% dos indivíduos que são dependentes de videogame, de internet, apresentam depressão", diz Nabuco.

Segundo o especialista, um grupo de estudiosos defende que a dependência tecnológica seria um sintoma secundário em um indivíduo que já tem depressão, transtorno bipolar de humor e fobia social.

Outros acadêmicos argumentam que embora haja a coexistência de outro transtorno psiquiátrico, estamos lidando, certamente, com uma nova "classificação diagnóstica". Seria possível, portanto, que a tecnologia cause e não apenas agrave um problema.

Jovens e crianças: público mais vulnerável
Jovens e crianças são mais vulneráveis, diz Cristiano Nabuco de Abreu, porque só atingem a maturação total do cérebro a partir dos 21 anos e, com isso, demoram mais a desenvolver funções como o "freio comportamental" - por meio do qual seria possível evitar situações de risco ou atos por impulso.

Uma das preocupações dos especialistas é o acesso precoce aos gadgets. "Muitos pais entregam o celular ou o tablet ao filho, usam os dispositivos como babá eletrônica, e acham bonito. Mas quanto mais precoce esse contato, mais chances de atraso no desenvolvimento da criança".

O caso mais chocante que Nabuco atendeu foi o de uma mãe descrevendo que o filho não almoçava e não dormia, por exemplo, sem estar com o celular. "O problema maior era quando eles iam ao shopping, o menino largava a mão dela e corria para balconistas nas lojas para pedir colo e então acessar o teclado dos computadores que ali estavam. Sabe quantos anos ele tinha? 2 anos e 4 meses".

A dependência mais comum entre os meninos é o uso de jogos eletrônicos. Nas meninas, principalmente adolescentes, a dependência de redes sociais é mais comum.

São Paulo e Rio oferecem tratamento gratuito
Em São Paulo e no Rio de Janeiro há atendimento gratuito para a população, no Hospital das Clínicas da USP e no Instituto Delete.

"O grande objetivo não é fazer com que as pessoas se livrem da tecnologia. O que a gente quer é que elas retomem o controle desse uso", diz Nabuco, do Hospital das Clínicas.

Oito em cada dez pacientes, segundo ele, chegam ao final do tratamento sem sintomas. Os demais, muitas vezes reiniciam a terapia.

O tratamento envolve reuniões em grupo para conversas com psicólogos e psiquiatras e, se for preciso, o uso de medicamentos para combater transtornos associados à dependência.

No Instituto Delete, o método usado envolve desde a identificação das raízes do problema até a adoção de técnicas de respiração e "ressensibilização". "O foco não é proibir o uso, mas criar estratégias para a pessoa ter prazer em atividades na vida real", complementa Eduardo Guedes.

A busca por mais equilíbrio envolve tratamento e também uma consciência maior do problema. Mariana* iniciou terapia para "desintoxicar". Faz sessões em grupo por uma hora e meia, uma vez por semana. "Considero que percorri uns 40% desse caminho, em um processo lento e com recaídas", calcula.

Um pesquisador do tema disse à BBC Brasil ter sido procurado por operadoras de telefonia celular que estariam preocupadas com o uso abusivo dos aparelhos e em busca de possíveis soluções.

Procuradas pela BBC Brasil, Claro, Oi, Vivo e TIM - as principais operadoras de telefonia no país - não confirmaram se planejam medidas como enviar mensagens a clientes para alertar sobre possíveis riscos do uso abusivo, assim como ocorre na indústria de cigarros e bebidas. Por meio do SindiTelebrasil, sindicato que representa o setor, afirmaram, no entanto, que "sempre defenderam o uso consciente desses serviços, respeitando a liberdade de escolha, as necessidades, convicções, crenças e hábitos de cada indivíduo".

O Ministério da Saúde informou que o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece tratamento integral e gratuito para todos os tipos de transtorno mental, incluindo depressão e vícios em álcool e outras drogas, mas que não tem dados específicos sobre os problemas ligados à tecnologia.

*Os nomes reais dos entrevistados foi trocado para proteger sua privacidade.

BBC Brasil / R7