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segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Brasil quer mais “especialistas em gente” na atenção básica

Fonte: maismedicos.gov.brCom a atenção primária cada vez mais fortalecida no Sistema Único de Saúde (SUS), a demanda por médicos especialistas em Medicina Geral de Família e Comunidade (MGFC) está ainda maior. Por isso, o Programa Mais Médicos vem promovendo ações para aumentar o número de profissionais com essa especialidade no Brasil
 
O desafio é grande. Existem poucos médicos de família e comunidade em atuação e os estudantes ainda estão descobrindo os encantos dessa especialidade.
 
“Os médicos de família e comunidade são, na verdade, ‘especialistas em gente’”, brinca o diretor do Departamento de Atenção Básica do Ministério da Saúde, Eduardo Alves. Isso, porque o médico com essa especialidade é capacitado para atender pessoas de todas as idades e gêneros, com os mais diversos problemas de saúde, tendo como abordagem principal a construção de um vínculo duradouro e a compreensão do indivíduo em seu contexto social e familiar. “Se a gente se coloca no lugar do paciente, rapidamente pensa como é bom poder ter alguém de referência, um profissional que tira nossas dúvidas, que conhece o nosso histórico”, comenta Alves.
 
O diretor lembra que muitos pacientes dos sistemas privado e suplementar recorrem diretamente a vários especialistas e, muitas vezes, falta um profissional que articule esses atendimentos e consolide as orientações ao paciente, sendo capaz, por exemplo, de observar as diversas medicações prescritas por diferentes profissionais para que não haja problemas com a interação entre os medicamentos. “Essa é uma queixa de muitas pessoas, que têm acesso a um conjunto de procedimentos, mas, efetivamente, não se sentem cuidadas”, explica.
 
Uma especialidade ainda pouco conhecida
A Medicina Geral de Família e Comunidade encontra um vasto campo de atuação nos setores público e privado. Somente no SUS, existem cerca de 39 mil equipes de Saúde da Família (eSF), nas quais a atuação do médico de família e comunidade é fundamental. No entanto, a especialidade ainda é pouco reconhecida pelos estudantes e pela população em geral.
 
Segundo a Sociedade Brasileira de Medicina da Família e Comunidade (SBMFC), anualmente, cerca 15 mil estudantes concluem a graduação em medicina e aproximadamente 400 buscam se especializar em MGFC. Estima-se que haja cerca de cinco mil profissionais com essa especialidade em atuação no país, o que equivale a algo em torno de 1% dos médicos brasileiros. Em países que começaram a estimular a difusão dessa especialidade há mais tempo, como Espanha ou Austrália, essa proporção se aproxima dos 30%. “Já se nota um interesse maior, especialmente com a entrada de professores de MGFC nas universidades, que têm mostrado aos alunos o que é ser médico de família. Acreditamos que esse é o primeiro passo para despertar o interesse pela atenção primária”, afirma o presidente da SBMFC, Thiago Trindade.
 
Para a pesquisadora do departamento de Saúde Coletiva da Universidade de Brasília (UnB), Helena Eri Shimizu, o grande desafio da Medicina Geral de Família e Comunidade é ser pouco conhecida entre os estudantes de medicina. “A hiperespecialização atrai muito mais o jovem médico. Existe o mito de que a atenção básica é simples, mas o profissional tem que ter uma boa formação clínica”, comenta Shimizu. Segundo a pesquisadora, a literatura acadêmica mostra que um maior tempo de exposição do estudante às práticas e vivências da atenção básica é determinante para a escolha da especialidade.
 
Em geral, os especialistas afirmam que essa exposição deve ocorrer logo no início da graduação. Exemplo disso é Maria Eduarda Spencer, aluna do quarto período do curso de medicina da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), no campus de Caruaru, no interior do estado. Lá, os alunos atuam nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e fazem visitas domiciliares desde o início da graduação. “Estou num curso que se propõe não só a formar médicos, mas a melhorar as condições da comunidade. Isso reflete num atendimento mais centrado na pessoa, desde quando a gente pisa na comunidade até tocar na pessoa que busca ajuda e ver que, às vezes, ela não está buscando só a solução para uma dor”, conta Maria Eduarda, que ainda não se decidiu quanto à especialidade que deseja seguir.
 
Mudança na formação de especialistas
No dia 19 de agosto, o ministro da Saúde, Arthur Chioro, anunciou o Plano Nacional de Formação de Preceptores, medida que integra o Mais Médicos e tem o objetivo de aumentar o número de profissionais capacitados para atender os programas de residência em MGFC. A expectativa é formar mais 10 mil preceptores até 2018, chegando a 14,2 mil profissionais. Com essa ação, o governo federal vai garantir, no mínimo, um preceptor para cada três residentes, que é um dos requisitos exigidos para abrir novas vagas de residência.
 
A universalização da residência médica faz parte das ações do Mais Médicos, que estabeleceu, até 2018, a meta de uma vaga de residência para cada médico formado. Mas o programa não para por aí. A Medicina Geral de Família e Comunidade, além de integrar a relação de especialidades de acesso direto, também passa a ser pré-requisito para todas aquelas especialidades que não são de acesso direto. Assim, caso o médico queira fazer residência em ortopedia ou anestesiologia, por exemplo, terá que cursar um ou dois anos de residência em MGFC, conforme a especialidade em questão. Com essas medidas, o sistema educacional formará mais médicos de família e comunidade e levará os demais especialistas a ter essa referência em sua formação.
 
“Com as mudanças implementadas pelo Mais Médicos, a medicina de família e comunidade terá uma expansão bastante expressiva no Brasil nos próximos anos”, afirma o diretor do Departamento de Atenção Básica do Ministério da Saúde, Eduardo Alves.
 
Fonte: Maismedicos.gov.br

Equipamentos de saúde têm de ter placa de identificação visível

Usuários do sistema de saúde também podem ajudar a fiscalizar a utilização dos equipamentos de saúde por estabelecimentos como hospitais, clínicas e consultórios
 
Aceleradores lineares, tomógrafos, aparelhos de ressonância magnética, bombas de infusão, eletrocardiógrafos, mamógrafos, incubadoras, aparelhos de raios-X e câmaras hiperbáricas, entre outros, têm de ter uma plaqueta de identificação indelével, visível e acessível a qualquer pessoa.

Nesta placa devem obrigatoriamente constar nome e modelo do equipamento, nome do fabricante, número de série e número de registro na Anvisa. Em caso de dúvida sobre a situação do equipamento, qualquer usuário pode procurar a Vigilância Sanitária.
 
A Resolução RDC nº 25/2001 proíbe a importação, comercialização ou recebimento em doação de equipamentos médicos usados. Para ser importado e comercializado, o equipamento médico usado deve ser previamente recondicionado sob a responsabilidade do detentor do registro/fabricante de forma a reestabelecer as condições de operação e segurança original do equipamento.
 
Assim, no Brasil só podem ser importados e comercializados equipamentos novos ou recondicionados com registros válidos na Agência e com a devida autorização expressa do detentor do registro junto à Agência.
 
Todos os produtos para saúde, entre eles equipamentos de pequeno porte para uso leigo como, por exemplo, termômetros clínicos, medidores de pressão arterial e glicosímetros têm de obrigatoriamente estar registrados na Agência para poder ser comercializados, mesmo por lojas virtuais.

Antes de comprar equipamentos médicos, o cidadão pode exigir o número de registro/cadastro na Anvisa e checar se é válido no site www.anvisa.gov.br. Acesse Consulta Produtos > Consulta a Banco de Dados > Produtos para Saúde > Pesquisa de Produtos para Saúde Registrados.

A venda de produtos para saúde, entre eles equipamentos médicos, sem o devido registro/cadastro na Anvisa constitui infração sanitária conforme disposições da Lei 6360/76.
 

Queda da fertilidade masculina impulsiona reprodução assistida

Recentemente, Joelle Le Moal, pesquisadora francesa e epidemiologista do Instituto Francês de Saúde Publica ( INVS ), co- autora do trabalho com maior número de espermogramas analisados ao longo do tempo em uma determinada região, no caso a França, debateu arduamente no congresso Europeu de Reprodução Assistida os impactos dos resultados de seu trabalho, publicado na revista Human Reproduction, revista de forte impacto da área da reprodução assistida
 
O trabalho de Moal despeja um balde de água fria na fertilidade masculina francesa e possivelmente na fertilidade do homem pelo mundo. Moal, a todo momento, demonstrou enorme preocupação com a queda vertiginosa de inúmeros parâmetros utilizados atualmente no exame do espermograma do homem.
 
No trabalho de Joelle, a análise de mais de 26.000 homens, entre 1989 e 2005, revelou uma queda média de 32% na concentração de espermatozóides destes homens, provindos de inúmeros centros franceses. Isto mesmo, a queda é de quase 2% ao ano. Em 1989, a concentração seminal média era de 73,6 milhões/ml e em 2005 caiu para 49,9 milhões por ml. Além disso, o trabalho também revelou piora de 36% na morfologia dos espermatozóides, dado extremamente preocupante. As principais hipóteses para justificar tal queda são: aumento da obesidade, do sedentarismo, do estresse e da exposição a fatores ambientais nocivos, conhecidos como disruptores endócrinos.
 
Os críticos do trabalho de Joelle el Moal e de seu trabalho alegam que os métodos de análise seminal mudaram com o tempo e que a fertilidade masculina pode variar sazonalmente ao longo da historia da espécie humana. Mas que os números e argumentos de Moal são de assustar, isso são. E qual é a repercussão ou a ligação entre o trabalho de Moal e o crescimento também exponencial do mercado da reprodução assistida no Brasil e no mundo? A ligação é direta, ou seja, parece ser causa e efeito: a fertilidade vem caindo e a busca por ajuda subindo em paralelo.
 
Em levantamento recente feito a partir de dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a Anvisa, mostra que entre 2011 e 2014, o número de FIVs (fertilizações in vitro) realizadas no Brasil, incluindo mães heterossexuais e homossexuais, aumentou 106% em quatro anos. O total de procedimentos saltou de 13.527, em 2011, para 27.871, em 2014. Segundo a Anvisa, os estabelecimentos atuais não comportam o volume de embriões existente hoje. As clínicas têm relatado uma dificuldade de armazenamento devido à grande quantidade.
 
O mais interessante destes dados todos é que recentemente foi publicada no Diário Oficial da União a Lei nº 13.097/15, a qual determina, em seu artigo 142, a alteração da norma que disciplina os serviços privados de assistência à saúde (Lei nº 8.080/1990), permitindo a “participação direta ou indireta, inclusive controle, de empresas ou de capital estrangeiro na assistência à saúde”, e sem dúvida alguma este mercado já vem sendo almejado com olhares muito cuidadosos por investidores brasileiros e estrangeiros. Os próximos anos nos mostrarão o impacto desta mudança de lei neste mercado completamente em ebulição.
 
Saúde Business

Salta o número de ações movidas por pacientes contra governos para obter tratamentos

Em 2014, Ministério da Saúde gastou R$ 838,4 milhões devido a ações judiciais, sendo boa parte referente a remédios
 
Rio - O pequeno Davi Miguel Gama, de 18 meses, nasceu com inclusão das microvilosidades intestinais, uma doença rara, que não permite a seu organismo absorver os alimentos. Ele precisa tomar soro na veia. Logo após o nascimento, o bebê passou cinco dias na casa da família, mas voltou às pressas ao hospital porque perdia peso e não mamava. Chorava muito. Quando chegou o diagnóstico, a família entrou com uma ação para que ele fosse submetido a um transplante de intestino nos EUA, já que no Brasil o procedimento não é oferecido. Quase um ano depois, a Justiça Federal de Franca, em São Paulo, favoreceu o menino, obrigando a União a arcar com gastos de viagem, cirurgia e tratamento, totalizando R$ 6 milhões. A criança e seus pais viajaram a Miami no final de julho, a bordo de uma UTI aérea disponibilizada pelo Ministério da Saúde.
 
— Não tive saída. Fiz isso para salvar a vida do meu filho — diz o sapateiro Jesimar Gama, que, antes da decisão judicial, reuniu em campanha via internet R$ 1,6 milhão, quantia que será abatida do valor do tratamento. — Ele poderia ter morrido em várias ocasiões, vivia com infecções. Sabemos que o tratamento é caro, o dinheiro é público, de todos nós, mas é o meu filho.
 
A família Gama não está sozinha. Ano após ano, vem crescendo a quantidade de ações movidas contra municípios, estados ou a União para obrigar os governos a arcar com gastos de cirurgias e medicamentos não oferecidos pelo Sistema Único de Saúde, ou mesmo para apressar internações de emergência em hospitais públicos, transferências e a obtenção de remédios em falta no estoque.
 
Em 2014, o Ministério da Saúde gastou R$ 838,4 milhões devido a ações judiciais, principalmente referentes à compra de remédios. Um salto de 130% em relação a 2012, quando essas despesas foram de R$ 350,5 milhões.
 
Hoje, só no Tribunal de Justiça de São Paulo, há 43 mil processos em andamento na área da saúde, sendo que 93% contra o estado. No estado do Rio, segundo levantamento da Defensoria Pública e do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), há 42.297 ações de saúde tramitando no Tribunal de Justiça. Deste total, 30.346, cerca de 70%, têm atuação da defensoria.
 
Falta orientação médica
Em meio a tantas ações, há casos extremos como o de Davi. Ou o do bebê que nasceu, em julho, em Pedreiras, no Maranhão, com um problema cardíaco chamado tetralogia de Fallot (T4F). A Justiça obrigou o governo estadual a pagar por cirurgia e tratamento no Hospital Beneficência Portuguesa, em São Paulo. Mas há também muitas questões bem mais simples. Pedidos de medicamentos envolvem 18.384 dos litígios no TJ do Rio com atuação da Defensoria. Segundo a coordenadora de Saúde da Defensoria Pública do Rio, Thaísa Guerreiro, alguns médicos encaminham pacientes ao órgão sem sequer saber se os remédios receitados estão disponíveis em farmácias populares.

— Está banalizado. A Defensoria virou a porta de entrada na saúde, quando deveria ser ferramenta para casos graves. Não dá para entrar na Justiça para pedir AAS (comprimido contra dores). Esse remédio tem de ter em estoque. Está na hora de os governos municipais se programarem para essas compras — critica Thaísa. — A saúde é direito fundamental de todos os cidadãos. Daí a possibilidade de o Judiciário cobrar de todos os entes federativos.
 
De acordo com a juíza Deborah Ciocci, do Comitê Nacional do Fórum da Saúde, instituído pelo Conselho Nacional de Justiça, a chamada judicialização da saúde cria a necessidade de orientação técnica para os magistrados. Em alguns tribunais, há núcleos com especialistas para auxiliar o juiz.
 
— Ações para obtenção de remédios de marca, quando há similar no SUS, por exemplo, não deveriam passar — pondera Deborah, segundo quem o magistrado deve ter consciência do impacto global de sua decisão, principalmente quando o caso envolver cifras altas. — A população está mais consciente de seus direitos. Já não é um privilégio de classes mais instruídas. E a judicialização pode reduzir as violações de direito cometidas pelo Estado. As demandas da saúde sensibilizam o Judiciário.
 
Para impedir que parte das demandas seja resolvida sem que virem ações judiciais, evitando, assim, toda a burocracia e os custos de um processo, a Secretaria de Estado de Saúde (SES) do Rio criou, há dois anos, a Câmara de Resolução de Litígios de Saúde, reunindo também a Procuradoria Geral do Estado, a Procuradoria Geral do Município, o Tribunal de Justiça, a Defensoria Pública do Estado, a Defensoria Pública da União e a Secretaria Municipal de Saúde. O objetivo do órgão é resolver questões simples de maneira administrativa. Segundo o Núcleo da Fazenda Pública da Capital do Rio, em 2014, o órgão impediu 50% das demandas na área da saúde de se tornarem ações.
 
Judiciário para conseguir leito na UTI
Mesmo assim, a Secretaria do Estado de Saúde do Rio gastou, em 2014, R$ 71 milhões, ou 1,5% do orçamento da pasta, com ações relacionadas à saúde, atendendo cerca de 39 mil pacientes. É um valor 423% superior a 2007. Em 2015, o órgão estima que vai destinar 2% do orçamento.
 
— A judicialização é uma maneira de incluir pessoas no SUS. Uma proteção às minorias — comenta o subsecretário jurídico da pasta, Alex Linhares.
 
Muitas das ações que começam na Defensoria dizem respeito a leitos de UTI. Segundo Thaísa Guerreiro, há um déficit de 200 leitos no SUS. Ela conta que muitos funcionários em unidades de saúde orientam a procurar o plantão judiciário para garantir uma hospitalização ou uma transferência.
 
São cerca de 150 processos por mês nesse caminho.

— É furar fila — diz ela.
 
A maior demanda do plantão, que no Rio só existe na capital (mas atende às demandas de todo o Estado), é para leito em UTI e para idosos. Carlos Augusto Maciel, de 44 anos, precisou de muita paciência para ajudar o pai, Augusto Peixoto, de 74 anos. Com sérios problemas cardíacos devido a um infarto, ele corria risco de morrer se não fosse internado em uma UTI. Ficou quatro dias aguardando um leito numa Unidade de Pronto Atendimento (UPA).
 
— Nunca imaginei que precisaria entrar na Justiça para arrumar uma vaga na UTI. Quando uma pessoa corre risco grave, deveria ter prioridade — lamenta Maciel, que conseguiu tutela antecipada com a juíza de plantão. — Meu pai ficou uma semana na UTI. Saiu porque não corria mais risco de morrer. Mas agora precisa de uma angioplastia e vou entrar na Justiça de novo.
 
O Globo

Sete em cada dez portadores de esclerose múltipla são mulheres

Estima-se que, atualmente, 35 mil brasileiros são portadores da doença

Levantamento inédito feito pela empresa Orizon traçou um mapa da esclerose múltipla no Brasil e constatou que as populações do Nordeste e do Sul do Brasil são mais suscetíveis à doença e as mulheres as principais vítimas.
 
Segundo o estudo, que analisou 533 casos de pessoas com esclerose múltipla no ano de 2014, 73% das vítimas são mulheres e 27% homens. A Orizon identificou ainda que, a cada 10.000 pessoas, 1,3 desenvolve esclerose múltipla no Brasil. Na região Nordeste este índice sobe para 1,8, seguido pela região Sul (1,5), Sudeste e Centro-Oeste (1,2 cada) e a região Norte apresenta um valor bem inferior, 0,2.

A esclerose múltipla é uma doença crônica do sistema nervoso central que afeta o cérebro e a medula espinhal interferindo na capacidade de controlar funções, como caminhar, enxergar, falar, urinar e outras. A Associação Brasileira de Esclerose Múltipla estima que, atualmente, 35 mil brasileiros são portadores de esclerose múltipla, com incidência maior entre 20 e 50 anos de idade.

SEGS.com.br

Mais da metade dos pacientes precisa sair de suas cidades para fazer exames no Brasil

Mais da metade dos municípios brasileiros (2.902 de 5.570, ou 52%) encaminha pacientes da atenção básica para realizar exames em outra cidade por falta de infraestrutura em suas unidades de saúde, revela o Perfil dos Estados e dos Municípios Brasileiros, divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)
 
O levantamento mostrou que em 60% dos municípios os pacientes têm de se internar fora. A prática é mais comum em localidades de até 50 mil habitantes, onde os estabelecimentos costumam ser precários, e nas Regiões Sudeste e Nordeste.
 
Outra deficiência apontada pela pesquisa é a falta de atendimento de emergência 24 horas. São 12,9% os municípios que não dispõem desse tipo de serviço – a carência maior está no Nordeste; o Centro-Oeste é a região mais bem provida. É baixíssima a oferta de leitos de UTI neonatal: 93,4% das cidades não têm essas acomodações tanto em estabelecimento público como em convênio com o Sistema Único de Saúde (SUS).
 
“Infelizmente o SUS não foi efetivado como deveria. O acesso à emergência tem de ser fácil, mesmo que em outro município. Quanto à internação, não faz sentido morar no Maranhão e se internar no Piauí. E, no caso de exames, a coleta e a entrega dos resultados deveriam ser no próprio município, ainda que a análise seja em outro. Não é possível que o cidadão não possa fazer um exame de sangue ou um raio X perto de casa”, criticou a professora Ligia Bahia, do Instituto de Estudos da Saúde Coletiva da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
 
A falta de equipamento para hemodiálise para pacientes com problemas renais também foi medida. Apenas 484 municípios têm o aparelho no País. No Acre existe uma única máquina, assim como em Roraima. “No Hospital das Clínicas de Rio Branco são 270 pacientes renais fazendo diálise, que vêm de todo o Estado e ainda do Amazonas e da Bolívia”, disse Berenice Sales, presidente da Associação dos Pacientes Renais Transplantados do Acre. “Tenho de chegar às 4h30 para ser atendida. Há óbitos o tempo todo.”
 
Em metade do País não há estabelecimento que realize parto hospitalar. A pesquisa foi feita entre julho de 2014 e março de 2015 nas 27 unidades da federação e em todos os municípios. Os questionários foram respondidos por funcionários dos governos estaduais e municipais. Além da saúde, a publicação traz dados sobre funcionalismo, comunicação e informática, educação, direitos humanos, segurança pública, segurança alimentar, inclusão produtiva e vigilância sanitária.
 
A alimentação da população vem merecendo políticas específicas dos governos de todas as Unidades da Federação e de 39,6% das prefeituras; no Nordeste, a publicação destacou as ações de implementação de cisternas para prover os habitantes de água, verificadas em 54,2% dos municípios.
 
Servidores. Em relação a programas de inclusão produtiva, como o oferecimento de cursos de capacitação, 98,7% das cidades declararam oferecê-los. Naquelas com mais de 500 mil habitantes, o porcentual chegou a 100%, sendo o Sul a região com maior oferta.
 
O IBGE também pesquisou o montante de servidores públicos municipais e estaduais: o número manteve-se estável em 2014: 6,5 milhões e 3,2 milhões, respectivamente, na comparação com 2012. Os empregados na área da saúde somam 1,6 milhão. De todos os profissionais do setor vinculados aos municípios, 11% são médicos.
 
Estadão

Índice de mamografias no Brasil está abaixo da média mundial

Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 40% das mulheres brasileiras, de 50 a 69 anos de idade, não fazem mamografia
 
Essa faixa etária é definida como prioritária para a realização do exame preventivo pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que recomenda que pelo menos 70% das mulheres sejam avaliadas periodicamente.
 
O câncer de mama é o mais comum entre as mulheres. Dados do Instituto do Câncer (Inca) apontam que, no Brasil, as taxas de mortalidade continuam elevadas, muito provavelmente porque a doença ainda é diagnosticada em estágios avançados. Na população mundial, 61% das pacientes sobrevivem após cinco anos de diagnóstico.
 
Para Ruffo de Freitas Junior, presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia, o número de mulheres que não fazem o exame é preocupante. “Melhorou muito em relação ao passado, mas ainda não atingimos a meta da OMS, que é de 70%. Hoje, temos mamógrafos suficientes no país mas, infelizmente, eles estão mal distribuídos. A maioria está nas grandes cidades e capitais, ficando boa parte da população do interior e de pequenas cidades descoberta, com impossibilidade de fazer o exame de maneira rápida”, afirma.
 
De acordo com o Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES), existem 2.507 mamógrafos em uso no SUS. O parâmetro é de um mamógrafo para cada 240 mil habitantes, portanto a necessidade corresponderia a 833 equipamentos.
 
Segundo o Ministério da Saúde, o total de exames realizados entre mulheres de 50 e 69 anos aumentou 61,9% entre 2010 (1.547.411) e 2014 (2.506.339). Já em números totais de exames (em todas as faixas etárias), o aumento somou 41,8% entre 2010 (3.035.421) e 2014 (4.304.619). Até junho deste ano, foram realizados 1.820.195, dos quais 1.071.531 na faixa etária prioritária, 50 a 69 anos.
 
A Pesquisa Nacional de Saúde mostrou que o maior número de mamografias foi realizado por mulheres brancas (66,2%) e com superior completo (80,9%). As menores proporções foram observadas em mulheres negras (54,2%), pardas (52,9%) e com fundamental incompleto (50,9%). A região Norte registrou a menor proporção de mulheres que haviam feito o exame (38,7%), seguida das regiões Nordeste (47,9%), Centro-Oeste (55,6%), Sul (64,5%) e Sudeste (67,9%).
 
Para Ruffo de Freitas Junior, outro ponto importante é o medo que as mulheres têm de fazer a mamografia. “Há o medo da dor, do desconforto e o medo de encontrar um câncer. São aspectos que mostram que a mulher por si só, sem ser estimulada, não fará o exame”, comenta.
 
O presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia lembra que a mamografia é o único exame que pode reduzir a mortalidade por câncer de mama. A partir dos 40 anos, ele recomenda que o procedimento seja feito anualmente.
 
"Temos alguns dados que mostram que a mortalidade por câncer de mama está aumentando no interior de vários estados, diferentemente das capitais. Em Porto Alegre, no Rio de Janeiro [capital], em Belo Horizonte e no Recife, a mortalidade começa a cair. Entretanto, no interior, há falta de mamógrafos e de estrutura. Temos uma mortalidade por câncer de mama crescente e esse é um dos números mais drásticos que mostram a diferença entre as grandes cidades e os pequenos centros”, declara.
 
O Ministério da Saúde informou que, em outubro de 2012, foi lançado o Programa de Mamografia Móvel no SUS, que tem como objetivo aumentar a cobertura mamográfica em todo território nacional. Atualmente, há 12 unidades habilitadas, sendo cinco na Bahia, quatro no Distrito Federal e três no Tocantins.
 
De acordo com o ministério, de 2010 a 2014, o gasto para fortalecer a rede de prevenção, diagnóstico e tratamento do câncer no país aumentou 45%. Em 2010, foram repassados R$ 2,3 bilhões para tratamentos como quimioterapia, radioterapia e cirurgia oncológica, e para diagnósticos como o exame citopatológico e as mamografias. No ano passado, a despesa subiu para R$ 3,3 bilhões.
 
Agência Brasil

Estados Unidos aprovam Repatha, nova injeção contra colesterol alto

Reguladores dos Estados Unidos aprovaram nesta quinta-feira (27) o Repatha, a segunda droga injetável desenvolvida para o tratamento de pacientes com colesterol alto, com risco de doença cardíaca
 
O Repatha, também conhecido como evolocumab, é fabricado pelo Amgen e faz parte de uma nova classe de medicamento inibidor de PCSK9, anticorpos que atuam no fígado para baixar o colesterol.
 
A droga foi aprovada pela Administração de Alimentos e Fármacos (FDA, na sigla em inglês) para pessoas que, por condições hereditárias, têm um alto nível de lipoproteína de baixa densidade (LDL), popularmente chamada de “colesterol ruim”, ou pessoas com artérias obstruídas, que podem vir a ter doenças cardíacas.
 
Níveis elevados de colesterol LDL no sangue provoca um acúmulo de placas nas artérias, aumentando o risco de doenças cardíacas, que matam aproximadamente 610.000 pessoas por ano nos Estados Unidos.
 
“O Repatha dá uma outra opção de tratamento a pacientes com hipercolesterolemia familiar diagnosticada ou com doença cardiovascular que não tenham conseguido reduzir o colesterol LDL com as estatinas”, disse John Jenkins, diretor do Instituto de Novas Drogas do Centro de Avaliação e Pesquisa sobre Drogas.
 
Redução de 60% do LDL
Um estudo sobre o Repatha mostrou que pacientes que tomaram o novo remédio por 12 semanas tiveram uma redução de 60% dos níveis de LDL, comparados a pacientes que tomaram placebo.
 
Os efeitos colaterais incluem infecção respiratória, gripe, dor nas costas e reações como vermelhidão, dores ou hematomas onde a injeção é dada. Alguns pacientes podem ter reações alérgicas, informou a FDA.
 
Um painel consultivo da FDA havia recomendado a aprovação da droga em junho. Em julho, o mesmo órgão aprovou o Praluent (alirocumab), do Sanofi e Regeneron Pharmaceuticals.
 
Alternativa a medicamentos anticolesterol
Especialistas afirmam que essas novas drogas podem ser uma alternativa aos populares medicamentos anticolesterol conhecidos como estatinas (Lipitor, Crestor e outros) que não são bem aceitos por todos os pacientes.
 
Os dados sobre a eficácia desses novos medicamentos no que se refere à redução das doenças cardíacas e ao aumento da expectativa de vida só serão divulgados a partir de 2017.
 
A indústria farmacêutica diz que essas drogas podem ajudar até 11 milhões de americanos. Analistas apontam que esses remédios podem gerar receitas anuais de até 2,5 bilhões de dólares para casa fabricante.
 
G1

Alerta: Exame de sangue pode antecipar retorno do câncer de mama

Desenvolvido por cientistas do Instituto de Pesquisa do Câncer, da Inglaterra, o procedimento foi utilizado em 55 mulheres que já tinham a doença

Rio - Um novo exame de sangue pode antecipar o diagnóstico do retorno do câncer de mama.
 
Desenvolvido por cientistas do Instituto de Pesquisa do Câncer, da Inglaterra, o procedimento foi utilizado em 55 mulheres que já tinham a doença. Entre elas, 15 tiveram um reaparecimento do tumor, detectado muito antes em 12 delas.
 
Os pesquisadores acreditam que o retorno pode não ter sido detectado nas outras três porque o tumor se espalhou para o cérebro, o que impediu que os traços do câncer chegassem à corrente sanguínea.
 
A principal vantagem é o uso de tratamentos como a quimioterapia mais cedo, diminuindo os riscos de morte.
 
O exame ainda está em fase experimental.
 
O Dia

domingo, 30 de agosto de 2015

A cada três segundos, uma pessoa é diagnosticada com demência

Hoje, 47 milhões de pessoas sofrem desse mal, mas número deve ser três vezes maior em 2050
 
Imagine o seguinte cenário: alguém lhe oferece um copo de suco de laranja e, de repente, você não tem mais ideia do que a expressão “suco de laranja” significa. A cada três segundos, uma pessoa no mundo começa a apresentar sintomas como este, estreitamente relacionados à demência. Hoje, são 46,8 milhões de pessoas vivendo com o problema, das quais 1,2 milhão estão no Brasil. E a estimativa para os próximos anos é alarmante: em 2030, devem ser 74,7 milhões de pessoas com demência no mundo, e, em 2050, esse número passará para 131,5 milhões. Os dados são do Relatório Mundial de Alzheimer, publicado ontem pela federação Alzheimer’s Disease International.
 
A projeção para os próximos anos é feita a partir da rápida mudança ocorrida nos últimos tempos. De 2009 para cá, quase 12 milhões de novos casos surgiram. No Brasil, são cem mil a cada ano, dizem pesquisadores. — Geralmente, os sintomas aparecem depois dos 60 anos, mas o processo de demência começa cerca de três décadas antes. Como temos um número excessivo de neurônios, não sentimos. Só quando se chega ao limite é que se percebe — diz Wagner Gattaz, presidente do Conselho Diretor do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas.
 
Demência é um termo geral para doenças que afetam o cérebro e as funções cognitivas. O mal de Alzheimer, que não tem cura, é a causa de 60% desses quadros. Em segundo lugar, vêm as doenças vasculares, provocadas por obesidade, diabetes e hipertensão, por exemplo. — Para tentar evitar o problema, é preciso se alimentar bem, praticar exercícios, manter o peso ideal, controlar o estresse, beber com moderação e não fumar — elenca o geriatra Rubens de Fraga Jr., conselheiro da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia ( SBGG). — E, quanto maior o grau de escolaridade, menor a chance de desenvolver qualquer tipo de demência. O melhor exercício nem é fazer palavras cruzadas, mas ler, porque estimula muito mais o raciocínio e a fantasia.
 
A importância do sol
O levantamento internacional destaca que 58% das pessoas com quadros de demência vivem em países em desenvolvimento ou pobres. A estimativa indica que, em 2050, esse índice chegará a 68%. A explicação vai ao encontro do que sugere Fraga Jr.: nações com baixo índice de educação, menos acesso à saúde e menos infraestrutura têm populações mais expostas às doenças que desencadeiam demência.
 
— Pessoas que mantêm estabilidade emocional ao lidar com as dificuldades da vida e que exercitam continuamente a área do cérebro destinada à resolução de problemas têm menos chance de desenvolver demência — diz o neurologista Cícero Galli Coimbra, professor da Unifesp.
 
Ele também explica que o hormônio conhecido como vitamina D, sintetizado pela pele a partir da exposição ao Sol, ajuda a manter a vitalidade dos neurônios. Quem quase não toma sol, portanto, tem mais chance de ter demência.
 
O relatório estima que o custo global do problema pode saltar para US$ 1 trilhão já em 2018 e, por isso, pede que os governos criem políticas públicas para tornar o diagnóstico e os possíveis tratamentos mais eficientes e baratos.

O Globo

Bancária encontra grãos de feijão em frasco de analgésico de R$ 200 no DF

Foto: Claudinei Santana /Reprodução
Frasco de remédio com grãos de feijão
Gerente de farmácia abriu 2º frasco do estoque e também encontrou feijão. Mulher foi reembolsada e registrou caso junto à Anvisa e Ministério Público
 
Uma bancária do Distrito Federal diz ter encontrado caroços de feijão dentro de um frasco de analgésicos comprado em uma farmácia de Sobradinho no início desta semana. Após retornar ao estabelecimento para reclamar, o gerente do comércio abriu outro frasco que estava guardado no estoque e também encontrou grãos em seu interior. O G1 procurou o laboratório Zodiac mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem.
 
“Minha esposa foi comprar um medicamento forte para a minha sogra, que estava com muitas dores. Quando foi para casa, percebeu que o lacre estava rompido e no lugar dos comprimidos haviam feijões. Grãos de feijão”, diz o marido dela, Claudinei Santana.
 
Ele diz que o gerente da farmácia se mostrou incrédulo em um primeiro momento. “Primeiro achou que era um golpe, que a gente estava tentando enganar ele, porque afinal, é um medicamento que não é barato, custa mais de R$ 200 o remédio com 30 comprimidos”, diz ele. “Eles abriram uma segunda caixa na farmácia que também estava com o lacre violado e também continha feijão. Então devolveram o dinheiro.”
 
O casal diz que abriu uma ocorrência junto à Anvisa, ao Ministério Público e ao laboratório importador responsável pelo medicamento, que não é fabricado no Brasil. Eles também pretendiam ir à Polícia Civil. “É uma situação extremamente complicada. A gente espera saber o que aconteceu, se é algo que veio do laboratório, da distribuidora”, diz Santana.
 
“Também acreditamos em tráfico de drogas, porque existem pessoas que são viciadas em analgésicos e não conseguem comprar legalmente, apenas no mercado negro”, diz. “A gente não tem como confirmar nada porque não há como provar. O que estamos pedindo é que a coisa seja investigada para que ninguém mais passe por isso.”
 
A bancária Eliana Sena publicou relato sobre o ocorrido nas redes sociais como um alerta à população. “Depois desta de hoje, aprendi e compartilho um alerta: ao comprar remédios caros, abram a embalagem e o pote dentro da farmácia, na frente do vendedor.”
 
G1

Estudo mostra que acupuntura pode tratar pressão alta

Pacientes foram tratados com eletroacupuntura em pontos específicos do corpo - no lado interno do pulso e abaixo dos joelhos; efeito da técnica durou um mês e meio
 
Acupuntura ajuda a abaixar a pressão alta do sangue e a manter sob controle a hipertensão, diminuindo o risco de AVC e infarto, segundo estudo feito pelos pesquisadores do Centro para Medicina Integrativa Susan Samueli, da Universidade da Califórnia (EUA), publicado no periódico Medical Acupuncture. Foi observado, de fato, que em pacientes tratados com essa prática de medicina chinesa, a pressão arterial caiu e teve um efeito duradouro, de um mês e meio.
 
A pesquisa é o primeiro trabalho a confirmar cientificamente que a acupuntura pode ter efeitos benéficos sobre a hipertensão e que o uso regular ajuda a controlar a pressão e diminuir o risco de AVC e infartos. Os pesquisadores conduziram o teste em 65 pacientes hipertensos que não tomavam remédio.
 
Divididos aleatoriamente em dois grupos, os pacientes foram tratados com a eletroacupuntura (uma forma de acupuntura que emprega estimulação elétrica de baixa intensidade) em diversos pontos do corpo que são sensíveis à terapia. O grupo que recebeu a eletroacupuntura no lado interno do pulso e abaixo dos joelhos teve uma diminuição evidente na pressão sanguínea em 70% dos casos.
 
Essa melhora durou por um mês e meio e foi acompanhada também de uma queda de 41% da concentração no sangue da noradrenalina, um neurotransmissor que sufoca e comprime os vasos sanguíneos, da melhora de 67% da renina, enzima produzida pelos rins que ajuda a controlar a pressão e do aldosterona (decréscimo de 22%), hormônio que aumenta a concentração de sódio e diminui a de potássio no sangue.
 
Nenhuma mudança significativa na pressão arterial foi encontrada naqueles 32 pacientes que receberam a eletroacupuntura em outros pontos aleatórios no antebraço e na parte baixa da perna. Segundo os pesquisadores, a acupuntura pode ser útil sobretudo nos pacientes com mais de 60 anos.
 
iG

sábado, 29 de agosto de 2015

Exame de sangue pode detectar retorno do câncer em pacientes que já foram tratados

Divulgação: Traços de DNA mutante do tumor
podem ser rastreados na corrente sanguínea
Nova técnica desenvolvida no Reino Unido rastreou 12 dos 15 tumores que reapareceram nas mulheres testadas
 
Rio - Um novo exame de sangue pode detectar tumores que começaram a crescer novamente após o tratamento, de acordo com um estudo publicado nesta quarta-feira na revista científica “Science Translational Medicine”. Utilizando a nova técnica, cientistas do Instituto de Pesquisas sobre o Câncer, em Londres, encontraram vestígios de câncer de mama, oito meses antes do período em que, geralmente, os médicos notam o ressurgimento da doença.

Durante a fase de testes, o novo exame detectou 12 cânceres dentre as 15 mulheres que tiveram a doença novamente. Apesar da empolgação inicial com os bons resultados, os médicos acreditam que ainda será necessário uma boa dose de pesquisas antes que o exame seja implementado em laboratórios e hospitais.

Se sua eficácia for comprovada, o teste poderá salvar muitas vidas ao encontrar precocemente qualquer sinal do câncer reincidente. A cirurgia para remover o tumor é um dos tratamentos mais utilizados para eliminar a doença. No entanto, um novo tumor pode nascer a partir de uma única célula cancerosa. Então, se qualquer vestígio do tumor restar ou se ele já tiver se espalhado para outros órgãos, o câncer pode retornar, muitas vezes de maneira silenciosa. Porém, se a doença for detectada cedo e tratamentos como quimioterapia começarem logo, as chances de sobrevivência são bem maiores.

O estudo foi feito com 55 pacientes com alto risco de sofrerem novamente com um câncer por conta do tamanho do tumor que havia sido removido. Os cientistas analisaram o DNA mutante do tumor e, em seguida, continuaram a procurar essas mutações específicas no sangue. Quinze pacientes tiveram tumores reincidentes, e o exame detectou o retorno do problema em 12 deles.

Os outros três pacientes tiveram tumores que se espalharam para o cérebro, onde a barreira hematoencefálica — uma estrutura de permeabilidade altamente seletiva que protege o sistema nervoso central de substâncias potencialmente neurotóxicas presentes no sangue — pode ter impedido que vestígios de câncer entrassem na corrente sanguínea. O teste detectou DNA canceroso em um paciente que não teve uma recaída.

A análise do sangue do paciente é relativamente barata. No entanto, investigar o DNA do tumor ainda é caro. Os cientistas estão trabalhando para encontrar uma forma economicamente viável de realizar o exame.
 
“Encontrar maneiras menos invasivas de diagnosticar e monitorar o câncer é muito importante, e análises de amostras de sangue têm surgido como uma maneira possível de juntar informações cruciais sobre a doença do paciente, procurando fragmentos do DNA do tumor ou células cancerosas na corrente sanguínea. Mas ainda há um caminho a percorrer antes que esta técnica se transforme em um teste que os médicos possam usar rotineiramente, e fazer isso não é simples”, comentou o doutor Nick Peel, do Instituto Britânico de Pesquisas sobre o Câncer.
 
O Globo

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

ANS defende venda de plano de saúde com taxa de utilização paga pelo consumidor

Planos de saúde: agência que regula o setor de saúde complementar defende que usuários também paguem pelas despesas
Agência Brasil - Planos de saúde: agência que regula o setor de
saúde complementar defende que usuários também paguem
 pelas despesas
Metade dos contratos existentes têm coparticipação; pessoas só dão valor ao que tem custo, diz presidente da agência
 
A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) defende a ampliação da oferta de planos de saúde com coparticipação, modalidade em que o consumidor tem de pagar uma taxa para fazer uma consulta, um tratamento ou um exame.
 
Atualmente, cerca de metade dos 55 mil planos de saúde disponíveis no mercado incluem o mecanismo, segundo o presidente da ANS, José Carlos Abrahão.
 
"Mas eles não podem passar a vender [mais] com coparticipação?", disse Abrahão, ao iG, em evento da Associação Brasileira de Medicina de Grupo (Abramge), na quinta-feira (27) em São Paulo. "Na realidade, a gente só dá valor àquilo que [gasta]. Então tem na legislação o mecanismo da coparticipação. Por que a gente não pode oferecer?"
 
O presidente da ANS descartou mudar a legislação para estimular esse mercado, e ressalvou que a cobrança não pode ser incluída em contratos que tenham sido firmados sem o mecanismo. Segundo o diretor-executivo da Abramge, Antônio Carlos Abbatepaolo, a minoria da massa de clientes das operadoras atualmente paga coparticipação.
 
"Talvez a gente esteja chegando num momento em que essa questão tem de ser encarada como uma das opções viáveis para manter o sistema vivo", disse Abbatepaolo durante debate no evento. As operadoras estimam gastar mais de R$ 0,80 com o tratamento dos clientes de cada R$ 1 que arrecadam.
 
R$ 13,17 por consulta
Estudo da gestora e consultoria Aon com 423 empresas brasileiras divulgado nesta semana aponta que 66% delas oferecem aos seus empregados planos de saúde com coparticipação. Nesse grupo, quase a totalidade (98%) exige a contrapartida no caso de consultas eletivas e mais da metade (62%), para terapias.
 
Segundo o levantamento, para fazer uma consulta eletiva, os funcionários das empresas onde há coparticipação têm de desembolsar em média R$ 13,17. Para exames complexos, o valor é de R$ 26,79 e, para terapias, R$ 12,13.
 
A Aon alerta entretanto que, ao mesmo tempo em que a coparticipação pode estimular o uso consciente do plano de saúde, a coparticipação deve ser adotada com cuidado no caso de terapias, pois pode inibir a continuidade de tratamentos.
 
Essa dissuasão tende a aumentar o gasto com o sistema de saúde, e não diminuí-lo – como é o objetivo da coparticipação – avalia Lígia Bahia, integrante da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) e professora associada da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Isso porque o paciente deixa para procurar o médico após o agravamento de um eventual problema.
 
"O Obamacare [reforma do sistema de saúde pública feito pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama] acaba de proibir a coparticipação. Ela é prejudicial à saúde", afirma Lígia.
 
A professora reconhece a existência de desperdício no uso dos sistemas de saúde, mas afirma que outros mecanismos poderiam ser utilizados, como a criação de prontuários eletrônicos para evitar encaminhamentos e exames desnecessários; e o atrelamento da remuneração paga a médicos e instituições à qualidade do serviço prestado.

iG

9 erros clínicos mais comuns e como evitá-los

A maioria das pessoas guarda na memória alguma situação ruim em relação a tratamentos e procedimentos médicos
 
Seja uma experiência pessoal, de familiares ou amigos, ou divulgada pela mídia. Apesar de muito se ouvir falar em erro médico, a denominação correta é erro clínico, pois em geral envolve outros profissionais de saúde e não somente o médico. De acordo com o Instituto Brasileiro para Excelência em Saúde (IBES), a prevenção deve partir tanto dos profissionais de saúde como dos pacientes e familiares.
 
A grande maioria dos pacientes que sofre algum evento adverso não fica sabendo, a não ser que seja algo muito evidente como uma cirurgia em um membro errado, por exemplo. “Os profissionais de saúde muitas vezes não são capacitados pelas instituições de saúde a agir de forma sistemática quando identificam algum erro ou evento adverso. Muitos casos são subnotificados, seja por vergonha, medo de punição ou ausência de diretrizes institucionais para a prática da divulgação transparente de erros e eventos adversos”, explicou Vanice Costa, presidente e diretora de certificação do IBES, em comunicado ao mercado.
 
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), as infecções associadas a internações acometem um a cada 20 pacientes hospitalizados.
 
Segundo dados das agências federais americanas compilados pelo Patient Safety Movement em 2014, estes são os 9 principais tipos de erros:
 
1. Eventos adversos relacionados ao uso de medicamentos;

2. Infecção no trato urinário associada ao uso de cateter;

3. Infecção da corrente sanguínea associada ao uso de cateter venoso central;

4. Lesão por quedas;

5. Eventos adversos obstétricos;

6. Úlceras por pressão (escaras);

7. Infecções cirúrgicas;

8. Trombose venosa (coágulos de sangue);

9. Pneumonia associada à ventilação mecânica.
 
Dados europeus da OMS mostram que erros e eventos adversos ocorrem em 8% a 12% das internações. Espanha, França e Dinamarca têm publicado estudos com resultados semelhantes.
 
Evidências sobre erros clínicos mostram que de 50% a 70% de tais danos poderiam ser evitados. Estatísticas mostram que as estratégias para reduzir os números na União Europeia contribuíram para a prevenção de mais de 750 mil erros médicos por ano. Este número significa 3,2 milhões de hospitalização a menos, 260 mil danos por invalidez a menos e 95 mil mortes a menos. No Brasil, nos últimos quatro anos, os casos de erro médico que chegaram ao Superior Tribunal de Justiça aumentaram 140%. Em 2010 foram 260 processos e em 2014, 626.
 
O IBES enfatiza que, apesar das instituições de saúde terem de trabalhar para melhorar estes números, é importante que os pacientes e familiares fiquem atentos. O primeiro passo seria optar por um hospital, clínica ou laboratório que tenha selo de acreditação em saúde. E o termo acreditação ainda é desconhecido para boa parte da população, entretanto revela que o serviço de saúde tem como objetivos a segurança do paciente, a melhoria contínua da qualidade e a redução de riscos. No Brasil, a metodologia de acreditação mais conhecida é a ONA (Organização Nacional de Acreditação), criada em 1999 e, hoje, já possui quase 500 instituições acreditadas em todo o País. Em 2014, seu manual foi validado pela International Society for Quality in Healthcare – ISQua – o que a compara com importantes metodologias de acreditação no mundo.
 
“A saúde é uma área carregada de riscos. Seres humanos são vulneráveis ao erro e muitas vezes os erros acontecem devido às fragilidades dos processos. Assim como na aviação, a construção de barreiras de segurança nos processos é a solução mais efetiva do que contar apenas com a capacitação do ser humano. Se o ser humano falhar, o sistema e os processos estão ativos para contornar o problema. Por exemplo, se o médico prescrever um medicamento errado, as barreiras seriam a análise técnica da prescrição pelo farmacêutico, a conferência da dispensação e a checagem do profissional de enfermagem. Em uma instituição acreditada, tudo isso deve acontecer de forma sistemática e a probabilidade de erro diminuiu drasticamente”, diz Alexia Costa, diretora de ensino e capacitação do IBES.
 
Saúde Business

EUA liberam a venda de novo medicamento para insuficiência cardíaca

O FDA (Food and Drug Administration) dos Estados Unidos aprovou a comercialização do medicamento Entresto (sacubitril/valsartana), previamente conhecido como LCZ696, para o tratamento da insuficiência cardíaca (IC) com fração de ejeção reduzida
 
O Entresto, produzido pelo laboratório Novartis, estará disponível sob prescrição médica para pacientes cujo nível da doença esteja classificado como sendo de classes II-IV da NYHA, indicado na redução de risco de morte cardiovascular e hospitalização. Ele é normalmente administrado em conjunto com outras terapias para IC, substituindo ECA (enzima conversora da angiotensina) ou outro bloqueador de receptores da angiotensina.
 
O Entresto foi avaliado em ensaios clínicos envolvendo mais de 8.000 adultos. Foi demostrado como sendo capaz de a taxa de morte cardiovascular e hospitalização, em comparação com o fármaco enalapril. A maioria dos participantes de ensaios clínicos estava usando medicamentos aprovados para a insuficiência cardíaca, incluindo β-bloqueadores e diuréticos, dentre outros.
 
Efeitos colaterais comuns do Entresto incluíram hipotensão, hipercalemia e insuficiência renal, de acordo com a agência. Um efeito adverso mais grave foi angioedema. Os indivíduos de cor negra e aqueles com história de angioedema estão sob maior risco dessa reação, disse que a FDA. O Entresto não deve ser utilizado com qualquer inibidor da enzima de conversão da angiotensina, o que aumentaria o risco de um utilizador de angioedema. E as mulheres devem interromper Entresto o mais rapidamente possível se ficarem grávidas, advertiu o FDA.
 
O pedido de aprovação à agência reguladora de saúde no Brasil, a ANVISA, para o Entresto foi submetido em junho de 2015.
 
Terra

Preconceito e medo atravancam vacina contra o HPV

Agência O Globo
Estado do Rio teve baixa procura pela vacina, cerca de 43,5%, sendo que em alguns municípios a cobertura sequer chegou a 20%
 
Preconceito, medo e desinformação são os principais motivos para a baixa procura pela vacina contra o HPV, o Papilomavírus Humano. Segundo a Secretaria de Estado de Saúde do Rio Janeiro, até a última terça-feira, o Estado imunizou somente 43,5% do público alvo, meninas de 9 a 11 anos.
 
Alguns municípios fluminenses nem alcançaram 20%, como Cardoso Moreira (7,78%), Resende (11,07%), Santo Antônio de Pádua (12,42%), Japeri (18,27%), São Francisco de Itabapoana (16,9%) e São João da Barra (19,92%). A média nacional registrou 49,63%. O Ministério da Saúde tem como meta vacinar 80% das meninas dentro desta faixa etária.
 
— O HPV é uma doença sexualmente transmissível e as pessoas não se sentem vulneráveis nesta idade, acreditam que esta é uma realidade muito distante. Por isso, não procuram os postos de saúde para se vacinar. Mas é fundamental que tomem as três doses: a segunda seis meses após a primeira, e a terceira dose cinco anos depois – destaca o subsecretário de Vigilância em Saúde, Alexandre Chieppe. — Além da dificuldade para lidar com o tema com meninas bem jovens, muitas famílias tem medo de possíveis efeitos adversos por conta da campanha negativa que ganhou as redes sociais. Incluindo casos que não foram comprovados como reação à vacina.
 
Chieppe admite que dificilmente chegará à meta do Ministério da Saúde. Mas ressalta que a vacina entrou para o calendário nacional e que por isso está disponível nos postos de saúde o ano inteiro.
 
Embora não haja grandes estudos demonstrando a falta de segurança da vacina, existem relatos pelo mundo de doenças graves atribuídas a ela como a síndrome de Guillain-Barré, falência ovariana, uveítes, além de convulsões e desmaios. Isso levou o governo do Japão, por exemplo, a não mais recomendar a vacina.
 
O problema é que o HPV possui mais de 100 subtipos, e a vacina ainda não consegue cobrir todos eles, embora cubram os principais. Assim, não dá 100% de certeza de que as mulheres não terão câncer de colo uterino.
 
A vacina, no entanto, é recomendada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) que atesta a sua segurança. Previne o câncer do colo do útero, o terceiro tipo mais frequente na população feminina e terceira causa de morte de mulheres por câncer no Brasil.
 
É utilizada como estratégia de saúde pública em outros 51 países, que já realizaram a imunização de mais de 175 milhões de doses desde 2006, sem registros de eventos que pudessem pôr em dúvida a segurança da vacina.
 
— A probabilidade de uma menina ter alguma reação de importância é a mesma de cair um meteoro na cabeça. É quase nula. Infelizmente a propaganda negativa tomou proporções inimagináveis e por isso temos esta baixa procura — analisa Neila Góis Speck, professora do Departamento de Ginecologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e coordenadora do Núcleo de Prevenção em Doenças Ginecológicas da Unifesp.
 
Lembra que as 11 meninas que apresentaram dores de cabeça e paralisia nas pernas, em Bertioga, litoral de São Paulo, em setembro, estão bem (três delas chegaram a ser internadas) e que, provavelmente, tiveram crises de ansiedade e angústia.
 
Neila diz que está acostumada a tratar mulheres com HPV e que os procedimentos podem ser dolorosos, como o uso de laser e de ácido, por exemplo. E que a vacina também pode evitar este sofrimento.
 
— Reações podem acontecer e estão relacionadas à quantidade do adjuvante (agente que intensifica o sistema imunológico, aumentando a produção de anticorpos ou estimulando os linfócitos). Por isso, podem ser mais frequentes com a vacina para hepatite B, por exemplo, do que para HPV — comenta Nelia, que lamenta a falta de informação generalizada sobre o tema. — Muitas das reações tem ligação com a ansiedade, o medo natural quando se toma uma vacina. E, no caso de adolescentes, a insegurança aflora, eles são mais voláteis. Quando uma vê a outra passando mal fica condicionada. O caso de Bertioga foi um “piripaque coletivo”, pois a vacinação, em sua primeira etapa (para meninas de 11 a 13 anos) foi dada nas escolas, em várias meninas ao mesmo tempo.
 
Média mundial é baixa
Isabella Ballalai, presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), afirma que a média de adesão desta vacina no mundo é de 44%. Diz que a Austrália, que disponibiliza esta vacina desde 2007, é de cerca de 80%.
 
— Além do medo e do preconceito com o tema, tem a questão de que é natural a baixa adesão no caso dos adolescentes. Eles não vão ao posto de saúde e os pais não costumam levar como fazem com os bebês, que são indefesos, não podem ir sozinhos e quando nascem, a família vive em função deles.
 
É cultural — avalia Isabella, que afirma que até um ano de idade, as vacinas tem 95% de aceitação. — Após os cinco anos, a tendência é bem menor.
 
Ela comenta ainda que as notificações de reações adversas foram apenas alergias. E que não há casos graves relatados. Comenta ainda que o mal estar, as crises de ansiedade, desmaios e etc., não “foram invenções” mas que podem ocorrer com qualquer vacina.
 
— Imagine que na Colômbia, onde 180 meninas tiveram crises assim. E numa mesma escola! Uma influencia a outra e não ocorreu nada de grave. Quando se vacina em massa, sobretudo em adolescente, é assim mesmo — pondera Isabella, que esclarece que esses casos, como o de Bertioga, no Brasil, não tem relação com diferença de lotes. — Por aqui, não deve ter mais do que dois lotes. Não existe diferença.
 
 
O Globo

Anvisa convida pesquisadores para participarem de evento sobre produtos controlados

A Anvisa realizará o primeiro Seminário sobre a Utilização de Substâncias e Produtos Controlados Destinados à Pesquisa e Análises. O evento será realizado em Brasília no dia 22 de setembro deste ano das 9 às 17h30

O evento tem como objetivo divulgar normas e procedimentos a serem cumpridos para que substâncias e produtos possam ser utilizados com as finalidades de ensino, pesquisa e análise.

Estão convidados todos os pesquisadores que atuam em instituições de ensino e pesquisa, os peritos que realizam análises forenses em órgãos policiais e os demais profissionais de laboratórios de referência analítica e de controle de dopagem.

As vagas serão limitadas a 200 participantes conforme a ordem cronológica das inscrições. Serão aceitos participantes de órgãos de repressão a drogas, entidade importadora de controle de dopagem, laboratório de referência analítica, instituição de ensino ou pesquisa, inclusive suas fundações de apoio e importadores que realizem a intermediação da importação para estes destinatários.
 
As inscrições podem ser realizadas eletronicamente por meio do formulário FormSus até dia o dia 17/09/2015.
 
ANVISA 

Pagamento no SUS por especialidade vai mudar

O ministro da Saúde, Arhur Chioro, afirmou que o Mais Especialidades trará uma reviravolta na lógica de pagamento do Sistema Único de Saúde (SUS)
 
“É uma mudança que se arma há vários anos, outros países já fizeram e precisamos fazer”, disse. A expectativa é de que o programa, uma promessa de campanha da presidente Dilma Rousseff, seja lançado este ano com duas áreas: oftalmologia e ortopedia. A lógica de pagamento será feita por atendimento global.
 
Em cada pacote seria incluído, por exemplo, os valores para todos procedimentos envolvidos, desde consulta e cirurgia até tratamento de reabilitação. “E a remuneração maior será feita quando todo atendimento for feito no mesmo local, para que o paciente não tenha de ficar como doido de um serviço para outro”, disse Chioro.
 
Nesse sistema, o pagamento por procedimento, há tempos criticado pelo ministro, deverá cair em desuso. “Estamos em um processo de desconstrução da tabela”, disse. A tabela é a forma como parte de prestadores de serviços recebe do SUS. Ela é feita de acordo com número de cirurgias, consultas ou exames de diagnósticos realizados.
 
“Esse é um sistema injusto. Um hospital, por exemplo, tem uma estrutura que precisa ser mantida. Tenha ele feito 20 ou 100 cirurgias.” Nos últimos anos, porém, além de ganhar, por exemplo, por atendimento médico e por cirurgia, instituições credenciadas receberam por meio de incentivos, definidos por meio da contratos.
 
Embora o pagamento para prestadores do SUS seja feito de forma mista, o governo vem sendo duramente criticado pelos valores atualmente concedidos para a tabela de procedimentos. “Essa é uma reivindicação feita principalmente pela oposição”, disse. Ele avalia, porém, que o discurso usado é obsoleto e está longe de corresponder à realidade. “O pagamento não é feito somente pela tabela. E garanto que ninguém gostaria que o sistema de gratificações, hoje existente, fosse substituído novamente pelo sistema antigo.”
 
O ministro, que participou no Congresso de uma audiência para prestar contas sobre os primeiros meses de gestão, afirmou que vem conversando com representantes de Colégio Brasileiro de Oftalmologia e da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia para acertar detalhes do Mais Especialidades. O objetivo maior é quebrar resistências.
 
Sucesso
Chioro informou que, em outra etapa, quando o Mais Especialidades for estendido para doenças crônicas, entrará no cálculo do pacote concedido para prestadores de serviço o pagamento de taxas de sucesso. “Quanto mais o paciente aderir ao tratamento, quanto menor for o grau de agravamento de seu quadro, mais os serviços ganharão”, informou.
 
O modelo é inspirado no sistema inglês. Nessa lógica, serviços receberiam um bônus, por exemplo, no caso de pacientes que deixam de fumar. “Ou seja, benefícios são concedidos em caso de sucesso.” A lógica se aplica, por exemplo, para aqueles doentes que apresentam problemas como disfunções endócrinas, sem cura, mas controle. “Esse terá sempre de ser acompanhado. Fazer exames com regularidade. Isso vai permitir uma melhora geral na qualidade de vida do paciente.”
 
Cursos de Medicina
Os critérios para a abertura de cursos de Medicina foram afrouxados pelo governo, afirma o Conselho Federal de Medicina (CFM). As mudanças estabelecidas em uma portaria em abril, na avaliação da entidade, tornam genéricas as exigências criadas em 2003 sobre o número de leitos e de equipes de saúde da família necessárias à abertura de novos cursos.
 
“Há casos em que o hospital de ensino está distante 400 quilômetros da escola”, diz o presidente do CFM, Carlos Vital. “Isso impede a boa formação.” As conclusões estão no estudo “Radiografia de Ensino Médico”. Ele mostra que, dos 42 municípios que receberam escolas desde 2013, 5 estão em regiões que não atendem aos critérios mínimos de leitos do Sistema Único de Saúde para cada aluno matriculado – equivalente a 11%.
 
Lígia Formenti
O Estado de S.Paulo

Amil é condenada por cobrar taxa extra de casal por parto assistido

Foto: Reprodução
Plano e maternidade terão que indenizar casal por danos morais e materiais; parto assistido é recomendado pela OMS
 
A Maternidade Ela e, solidariamente, a Amil Assistência Médica foram condenadas a indenizar em R$ 560 por danos materiais e R$ 2 mil por danos morais suportados um casal que foi cobrado indevidamente porque o pai da criança estava na sala de parto.
 
Segundo informou o TJ-DF, após o parto do filho do casal, o autor da ação, Edson de Jesus Rocha, recebeu uma cobrança de “despesas hospitalares de acompanhante em sala de parto” no valor de R$ 280. A decisão da Justiça de Brasília se pauta na responsabilidade legal do plano de saúde em custear todas as despesas do acompanhante neste tipo de situação.
 
De acordo com a decisão judicial, a cobrança da taxa – considerada abusiva – afronta o artigo 39 do Código de Defesa do Consumidor (CDC), uma vez que despesa com higienização, esterilização e vestimenta adequada do acompanhante, alegadas pelas rés, estão embutidas no preço e são inerentes ao próprio serviço contratado.
 
O tribunal ainda ressaltou na decisão que a presença do pai em sala de parto não gera custos adicionais aos hospitais. A prática é, inclusive, recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Posicionamento da Amil
A Amil esclareceu, por meio de nota, que todos os procedimentos foram devidamente autorizados e que foi oferecido ao autor da ação um acordo para reembolso das cobranças adicionais feitas pelo hospital à família.
 
A empresa ainda reiterou que procedimentos relativos ao parto, como o acompanhamento de familiar em centro cirúrgico, estão incluídos na cobertura dos beneficiários de planos hospitalares com obstetrícia.
 
iG

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

De 42 cursos de medicina abertos desde 2013, cinco estão em regiões sem infraestrutura, diz CFM

Levantamento se baseou em critérios do MEC, como a quantidade de leitos na rede pública e de equipes de saúde da família
 
Brasília - Das 42 cidades brasileiras que receberam novos cursos de medicina desde julho de 2013, cinco não cumprem os critérios estabelecidos pelo próprio Ministério da Educação (MEC) para a abertura de escolas médicas. Nelas, estão instalados três cursos mantidos por universidades federais, um municipal e outro privado. Entre os problemas detectados está a baixa relação de leitos no SUS por estudante e a pouca quantidade de equipes de saúde da família na região. Os dados são da Radiografia das Escolas Médicas do Brasil, apresentado nesta terça-feira pelo Conselho Federal de Medicina (CFM).
 
A avaliação é feita levando em conta a região de saúde, ou seja, o município onde o curso está instalado e também as cidades próximas. Esses são os critérios do MEC e permitem, por exemplo, incluir no cálculo os leitos ofertados pelos municípios vizinhos. O CFM foi além e também avaliou a infraestrutura apenas da cidade onde o curso funciona. Nesse caso, das 42 novas escolas, 25 ofereciam menos leitos que o exigido e 18 não contavam com um número suficiente de equipes de saúde da família. Embora essas não sejam as regras do MEC, o CFM destacou que, quanto mais próxima a infraestrutura for do aluno, melhor será sua formação.
 
Segundo o CFM, há 257 escolas de medicina distribuídos em 157 cidades, ofertando 23.323 vagas. Os 42 cursos mais novos em funcionamento são regidos pelas regras de uma portaria editada em julho de 2013 pelo MEC. A rede pública da região deve conter no mínimo cinco leitos para cada estudante. Além disso, pode haver no máximo três alunos para cada equipe de atenção básica. A região também tem de contar com um hospital com mais de 100 leitos voltados para o curso. Por fim, há a exigência de um hospital de ensino ou unidade hospitalar "com potencial para hospital de ensino".
 
Segundo o CFM, três regiões deixaram de atender às exigências de leitos por aluno, e de equipes de saúde da família. Isso inclui a Faculdade Mineirense (Fama), em Mineiros (GO), o campus da Universidade Federal de Goiás (UFG) em Jataí, e o curso da Universidade Federal de Alfenas (Unifal), em Minas Gerais. Outras duas regiões deixaram de cumprir apenas o critério da relação de leitos por aluno. Nelas funcionam a Universidade Federal de Lavras (UFLA), em Minas, e as Faculdades Adamantinenses Integradas (FAI), cujo curso é mantido pelo município de Adamantina, em São Paulo.
 
CFM critica portaria
O CFM, contrário à expansão das faculdades de medicina promovida pelo governo federal, aproveitou a divulgação do levantamento para criticar uma nova portaria editada em abril deste ano pelo MEC. A nova norma revogou a anterior - válida para os 42 cursos mais recentes em funcionamento - e flexibilizou os critérios. A portaria de abril diz que os municípios escolhidos para receber novos cursos devem observar a quantidade de leitos no SUS e a existência de equipes de saúde da família, mas não traz números para balizar tais exigências. Em julho, já depois da nova portaria, foram autorizados mais 36 cursos, que ainda não estão funcionando.
 
— Foi uma flexibilização, eu diria, universal. Agora não tem mais números, não tem critérios. Fica só uma diretriz, mas sem critério objetivo. É sob essa égide que foram autorizados 36. E vão ser autorizadas mais 22 — afirmou o presidente do CFM, Carlos Vital.
 
O CFM também avaliou os 36 cursos usando os critérios da portaria anterior. Nesse caso, nenhuma região de saúde descumpriria as exigências. Quando a avaliação é feita por município, e não por região de saúde, 26 cursos tiveram desempenho insatisfatório. O CFM sustenta que o Brasil tem um número suficiente de médicos. O problema, diz, é como distribuí-los por todo o país. O Conselho pede um plano de carreira para os médicos, além de boas condições de trabalho, como forma de atraí-los para regiões onde há carência de profissionais.
 
— Temos cursos de medicina mais que suficiente para a demanda do Brasil. Nossa preocupação hoje tem que ser voltada para a qualidade da formação. Temos hoje uma quantidade de vagas muito além da real necessidade — disse o presidente do CFM, Carlos Vital.
 
O CFM aplicou os mesmos critérios dos 42 cursos mais novos a todo o restante, embora tenha informado que as exigências para as escolas médicas mais antigas eram outras. Das 157 regiões de saúde onde os cursos estão instalados - incluindo os 42 mais recentes -, 26 têm menos de cinco leitos por aluno. Dessas 26, cinco também têm equipes de saúde da família em quantidade insuficiente. Outra região deixa de cumprir apenas este último critério. O CFM informou ainda que atualmente existem 200 hospitais habilitados para o ensino no país em 69 cidades. Em 88 municípios, são firmados convênios com instituições com potencial de ensino.
 
O CFM fez um recorte do ritmo de abertura de cursos de medicina. De 1808, ano em que foi instalada a primeira escola médica no país, até 1994, foram criados 82 cursos, com 9.123 vagas. Entre 1995 e 2002, no governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), surgiram mais 44 escolas, ofertando 3.707 vagas. Entre 2003 e 2010, no governo Lula (PT), mais 52 cursos com 4.363 vagas. Entre 2011 e 2015, no último ano da gestão Lula e durante o governo da presidente Dilma Rousseff (PT), outros 79 curso passaram a funcionar, adicionando 6.190 vagas ao sistema.
 
São Paulo é o Estado com mais faculdades
O CFM aponta metade dos cursos estão em 37 cidades. São Paulo é o estado com mais escolas de medicina: 44, das quais oito são públicas e o restante é particular, totalizando 4.380 vagas. Em seguida vem Minas Gerais, com 13 instituições públicas e 26 privadas. As 39 escolas médicas mineiras ofertam 3.437 vagas. O Rio está em terceiro lugar: há 2.260 vagas em 19 cursos, dos quais cinco são públicos. Na outra ponta está o Amapá, com apenas um curso público oferecendo 60 vagas.
 
Com as autorizações de novas escolas ao longo dos últimos 21 anos, a correlação entre cursos públicos e privados mudou. Enquanto em 1994, havia 47 cursos federais ou estaduais e 35 privados, em 2015, eram 154 particulares e 103 públicos. Nas faculdades particulares, as mensalidades vão de R$ 3.014 a R$ 11.706,15. A média fica em R$ 5.406,91. O Conselho diz que apenas a Índia, com 381 cursos no total e mais de 1 bilhão de habitantes, supera o Brasil.
 
O CFM também reproduziu o resultado da avaliação que o MEC faz com os cursos de ensino superior. Das 154 escolas médicas avaliadas em 2014 por meio conceito preliminar de curso (CPC), 28 tiveram conceitam insuficiente (notas 1 e 2), 92 tiraram nota 3, 34 tiveram desempenho igual a 4, e nenhuma alcançou a nota máximo, que é 5.
 
O CFM diz que usou dados de órgãos da administração publica para fazer o levantamento: o Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES), a Sala de Apoio à Gestão Estratégica (Sage) do Ministério da Saúde, o Sistema da Informação da Atenção Básica (Siab), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), além de informações publicadas no Diário Oficial da União e documentos do Ministério da Educação (MEC). Houve também consulta a sites especializados, como o "Escolas Médicas do Brasil". As informações foram levantadas entre maio e julho deste ano.
 
Por meio de nota, o MEC informou que a abertura de novas vagas em medicina é necessária para elevar a relação de 1,83 médicos por 1.000 habitantes que havia em 2013 para 2,7 em 2026. Disse também que se preocupa com a qualidade das escolas médicas, tanto que está cobrando nota 4 no CPC, em vez do mínimo exigido para cursos de outras áreas, que é igual a 3. Destacou ainda que passou a exigir a comprovação de uma estrutura de saúde na região, o que não ocorria antes.
 
O ministro da Saúde, Arthur Chioro, disse que não leu ainda o levantamento do CFM, mas pediu que as entidades médicas deixem de travar uma disputa política em torno da expansão do número de médicos no país. Ele destacou ainda que os critérios adotados pelo governo para a abertura de novos cursos são rígidos, tanto que várias escolas que já existiam não se adequariam a elas. Chioro também reconheceu problemas na expansão de vagas no Centro-Oeste, o que poderá requerer mudanças por parte do governo para adequar a ação à realidade da região. O ministro lembrou ainda que a faculdade de Mineiros, que promete vagas de estágio em Goiânia, a mais de 400 km de distância, não foi autorizada pelo MEC. Ela só está funcionando graças a uma decisão judicial.

- O grande problema é achar que quantidade se contrapõe a qualidade. Em hipótese alguma, o governo vai discutir ampliação de vagas em detrimento da qualidade Para a gente, quantidade e qualidade são compromissos que se completam. Agora, eu não posso falar em qualidade quando deixo milhões de brasileiros fora de assistência médica. Isso não é qualidade. Isso é injustiça social, mesquinharia, achar que a gente tem de ter medicina de ponta para um grupo de privilegiado de brasileiros - disse Chioro, após participar de audiência pública na Câmara dos Deputados.
 
O Globo