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quarta-feira, 8 de abril de 2015

Conselho Federal de Medicina é contra a criação de cursos de medicina no país. Entenda o porquê

Estetoscópio
Segundo o governo, a medida de abrir novas vagas em cursos
de medicina pretende corrigir diferenças regionais de proporção
 de médicos por habitantes
De acordo com instituições representativas consultadas pelo site de VEJA aumentar o número de médicos é usar uma solução simples para resolver o complexo problema que é a saúde pública brasileira
 
Instituições que representam os médicos no Brasil são contra a abertura de vagas em cursos de medicina anunciada pelo governo federal na última semana. O edital, feito em conjunto pelos ministério da Saúde e Educação, prevê a abertura de 1.887 vagas em 22 cidades de oito Estados das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. O objetivo é elevar o número de médicos do Brasil para 600 000 até 2026 (em 2013 haviam 374 000). No entanto, de acordo com o Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Associação Paulista de Medicina (APM), a iniciativa federal, parte do Programa Mais Médicos, não surtirá os efeitos esperados na saúde pública brasileira.
 
"Esse é um ato de irresponsabilidade", afirma Mauro Ribeiro, vice-presidente do CFM. "Atualmente, o Brasil tem cerca de 150 escolas médicas. Em número absolutos perdemos apenas para a Índia, país com mais de 1 bilhão de habitantes. Abrir novas escolas não vai resolver o problema da saúde pública no país, pois os locais selecionados para receber estes cursos não têm condições de ensinar medicina. Faltarão profissionais qualificados para lecionar e hospitais-escola para preparar os alunos".
 
Para a APM, a medida poderá também ter impacto negativo nos cursos de formação que existem atualmente. "A formação dos médicos no país está se deteriorando gradativamente graças ao aumento de instituições que não oferecem o mínimo para o ensino. Isso resultará certamente no agravamento da situação assistencial do Brasil", afirma Florisval Meinão, presidente da Associação Paulista de Medicina.
 
Boa infraestrutura
De acordo com as instituições consultadas pelo site de VEJA, para atrair médicos a regiões mais afastadas dos grandes centros e, principalmente, para fixá-los nessas regiões é preciso oferecer locais com boa estrutura tanto para a formação quanto para a atuação do profissional.
 
"A principal motivação para os médicos se fixarem em determinado lugar são as condições de trabalho. Em seguida vêm a inserção social do profissional no local e o salário. Isso significa que se não houver investimento para melhorar a infraestrutura dos locais e das condições de atendimento aos pacientes nestas regiões, os futuros médicos não irão se fixar ali", explica Ribeiro.
 
Investimento no que já existe
Para o CFM, a melhor solução seria investir na melhoria dos cursos existentes e na infraestrutura básica necessária para o atendimento de saúde, que está precária na maioria dos municípios brasileiros.
 
"Atualmente, o que vemos são médicos formados despreparados ou sem condições para atender os pacientes", diz Ribeiro.
 
De acordo com ele, a prova aplicada pelo Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp), que se tornou obrigatória para todos os concluintes das faculdades paulistanas ilustra bem este fato. No ano passado, 55% dos 2.891 futuros profissionais foram reprovados. Além disso, grande parte dos participantes do exame revelou desconhecimento sobre questões básicas da prática médica, como diagnosticar pneumonia em um bebê.
 
Apesar de obrigatória, ser reprovada na prova do Cremesp não impede a pessoa de exercer a profissão, pois ainda não existe uma lei que torne o exame obrigatório para o exercício da profissão. O teste apenas é um indicador que revela a situação dos graduandos que se formam e vão atender em hospitais e prontos-socorros.
 
De acordo com os especialistas, não adianta buscar a solução simples de aumentar o número de médicos para resolver um problema complexo como a saúde pública no Brasil. "Precisamos interiorizar o sistema de saúde e não os médicos. Não adianta mandarmos médicos para locais onde não existem recursos para ele atender a população", diz Ribeiro.
 
Fies
As novas restrições do Fies representam outro problema para a adesão aos novos cursos. A mensalidade de uma faculdade de medicina no Brasil custa em torno de 3.000 reais. O alto valor do curso já prioriza o ingresso de pessoas com renda alta e as novas restrições do Fies representam mais um empecilho para os estudantes de baixa renda que sonham em fazer o curso.
 
Novo edital
Esse é o segundo edital voltado à criação de vagas de cursos de medicina dentro do Programa Mais Médicos. O primeiro foi lançado no ano passado e, de acordo com dados dos ministérios, chegou a 39 cidades de 11 Estados do país. O Ministério da Saúde afirma que os profissionais da medicina costumam se fixar nos locais onde fazem a graduação e a residência médica, o que contribui para uma maior oferta de médicos no mercado nas regiões Sul e Sudeste, onde há a maior parte dos cursos de medicina. Por isso, a meta é levar a formação de médicos a regiões onde há menor concentração de atendimento e, com isso, motivar a fixação de profissionais nesses locais.
 
Com o edital anunciado na última semana as vagas serão abertas em cidades onde o índice de médicos fica abaixo de 2,7 profissionais para cada mil habitantes.
 
Veja

Ciência revela quais dietas são mais eficazes para perder peso

Os participantes que seguiram métodos como o Vigilantes do Peso ou
Jenny Craig perderam de 3% a 5% do seu peso em um ano
Uma revisão de estudos clínicos mostra que o método dos Vigilantes do Peso é um dos cientificamente comprovados para a redução saudável de medidas
 
Para perder peso com o apoio da ciência, duas dietas podem ajudar: o programa de reeducação alimentar Vigilantes do Peso e o método americano Jenny Craig, que usa refeições pré-prontas. A conclusão é de uma revisão de estudos publicada no periódico Annals of Internal Medicine por uma equipe de pesquisadores da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos.
 
O objetivo do estudo é entender e apontar soluções para os médicos que não sabem qual dieta receitar aos pacientes. Qual é a melhor opção para perder peso? Há alguma que demonstra evidências científicas de redução de medidas de maneira saudável? Para buscar respostas, os pesquisadores decidiram revisar os estudos sobre a eficácia de 11 métodos comerciais de emagrecimento. De acordo com os resultados, apenas dois têm a efetividade comprovada por estudos confiáveis. Os participantes que seguiram os Vigilantes do Peso por doze meses perderam quase 3% a mais do seu peso inicial do que aqueles que fizeram dieta por conta própria. Aqueles que aderiram ao método Jenny Craig perderam quase 5% a mais do que o grupo de controle.
 
"Métodos populares, como o plano alimentar Nutrisystem, exibem muitas promessas de perda de peso; no entanto, é preciso estudos de longo prazo para avaliar seus resultados", afirmam os pesquisadores no estudo.
 
Evidências científicas
É conhecida pelos médicos a falta de estudos confiáveis que comprovem a eficácia de dietas e programas de emagrecimento. Embora outros métodos analisados pela equipe de cientistas também tenham estudos que mostram que seus participantes emagreceram, o acompanhamento dos pacientes foi de, no máximo, seis meses. Isso faz com que não seja possível afirmar que as pessoas continuaram a emagrecer ou conseguiram manter os quilos perdidos. De acordo com o estudo, apenas o Vigilantes do Peso e o método Jenny Craig provaram, por meio do acompanhamento dos pacientes pelo período de um ano, que o método utilizado realmente ajudou a perder peso e mantê-lo.
 
Os pesquisadores afirmam que, mesmo que a perda de peso apresentada pelos dois programas pareça modesta e até mesmo decepcionante para os consumidores, conseguir manter o novo peso é um importante passo em direção a uma dieta saudável.
 
"Mesmo essa pequena quantidade pode ajudar a reduzir o açúcar no sangue, melhorar o colesterol, reduzir a pressão arterial e até evitar outras condições, como diabetes", afirma a médica Kimberly Gudzune, líder do estudo. Além disso, é importante lembrar que a dieta escolhida precisa ser adequada ao estilo de vida e personalidade da pessoa, pois isso influencia diretamente nos resultados.
 
Métodos
O Vigilantes do Peso faz parte da organização Weight Watchers, que surgiu nos Estados Unidos e ajuda as pessoas a perderem peso por meio de programas pagos de emagrecimento. Os participantes se inscrevem em um dos métodos disponíveis que consistem em reuniões de acompanhamento, sugestão de cardápios e receitas saudáveis com base no controle da quantidade de calorias consumidas diariamente.
 
O Jenny Craig é um método disponível apenas nos Estados Unidos no qual também é necessário se inscrever e pagar uma determinada quantia para participar. O programa pede ao participante que participe de reuniões com uma consultora para traçar uma estratégia de emagrecimento e depois escolha o cardápio, entre as opções disponíveis. Neste sistema, o participante recebe suas refeições pré-preparadas.
 
Obesidade
De acordo com um levantamento realizado pelo Ministério da Saúde, em 2013 50,8% dos brasileiros estavam acima do peso ideal - desses, 17,5% tinham obesidade. A pesquisa também mostrou que o excesso de peso é mais comum no sexo masculino: 54,7% dos homens estão acima do peso, contra 47,4% das mulheres. Já a taxa de obesidade é equivalente em ambos os sexos.
 
Outro estudo, o Global Burden of Disease Study 2013, concluiu que 1 entre 3 pessoas no mundo, ou 2,1 bilhões, estão acima do peso. Os Estados Unidos estão no topo do ranking, seguidos pela China, Índia, Rússia e Brasil.

Veja

Ministério da Saúde lança livro para estimular o consumo de alimentos saudáveis

Em comemoração ao Dia Mundial da Saúde, que este ano tem como tema a alimentação, o ministro da Saúde, Arthur Chioro, lançou ontem (7/4) o livro Alimentos Regionais Brasileiros, com comidas típicas de cada região e dicas de como cozinhar com mais saúde
 
O principal objetivo é estimular a população para o consumo de uma alimentação saudável capaz de promover saúde e mais qualidade de vida, reduzindo a obesidade, diabetes, hipertensão e outras doenças.
 
Dados da pesquisa Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel 2014) mostram que apenas um quarto da população brasileira (24,1%) consome a quantidade de frutas e hortaliças recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em cinco ou mais dias da semana. Segundo a OMS, a ingestão necessária é de pelo menos 400 gramas desses alimentos diariamente. Esse consumo é ainda menor entre os homens, quando o índice é de 19,3%, e maior entre as mulheres, 28,2%.
 
Durante a cerimônia de lançamento do livro, o ministro ressaltou que, apesar dos resultados da pesquisa, a diversidade culinária e variedade de frutas e hortaliças do Brasil possibilita à população manter uma alimentação saudável. “O lançamento do Guia e Alimentos Regionais é um marco importante no compromisso do governo brasileiro para priorizar a alimentação segura e mais saudável. Além de valorizar a cultura, pelos saberes e práticas regionais”, destacou o Chioro.
 
A coordenadora de Doenças e Agravos Não Transmissíveis do Ministério da Saúde, Débora Malta, aconselhou a população a seguir as recomendações do novo guia. “Prefiram sempre alimentos in natura, ou minimamente processados, e preparações culinárias a alimentos ultra processados. Os alimentos On natura, são as frutas e verduras, encontradas na natureza. Já, como exemplo dos minimamente processados, temos o arroz, que precisa ser descascado para ser consumido. Os alimentos ultraprocessados são os industrializados, como barras de cereais e macarrão instantâneo”, explicou a coordenadora.
 
Desenvolvido como complemento do Guia Alimentar para a População Brasileira, lançado em novembro de 2014, o Alimentos Regionais Brasileiros pretende incentivar especialmente o aumento do consumo de frutas, legumes e verduras. A publicação faz parte da premissa principal do Guia Alimentar que é a de a base da alimentação seja feita com alimentos frescos (frutas, carnes, legumes) e minimamente processados (arroz, feijão e frutas secas), além de recomendar que sejam evitados os produtos ultraprocessados (como macarrão instantâneo, salgadinhos de pacote e refrigerantes).
 
Além de orientar sobre o tipo de alimento (características e uso culinário), o Alimentos Regionais traz informações de como comer e preparar a refeição, uma lista de possíveis substituições para as preparações desenvolvidas, ressaltando a diversidade cultural brasileira. A intenção é proporcionar a população o conhecimento das mais variadas espécies de frutas, hortaliças, leguminosas, tubérculos, cereais, ervas, entre outros existentes no país.
 
Oficinas
Para a edição do livro, que revisa a versão de 2002, foram realizadas seis oficinas culinárias, uma em cada região do país e duas na região Nordeste. O foco foi o preparo de receitas culinárias contendo frutas, verduras e legumes disponíveis nos locais e pratos tradicionais da cultura alimentar dessas regiões, nas quais esses alimentos pudessem ser adicionados sem descaracterizar a comida.
 
O levantamento, realizado pela Coordenação Geral de Alimentação e Nutrição do Ministério da Saúde em parceria coma Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), instituições de ensino, pesquisadores e profissionais de saúde, é direcionado às famílias e também as pessoas que trabalham com a promoção da saúde da população – profissionais de saúde, agentes comunitários, educadores, entre outros. A versão digital já está disponível no portal do Ministério da Saúde.
 
Além do consumo recomendado de frutas e hortaliças, o Vigitel traz ainda outros dados importantes sobre a alimentação dos brasileiros. O estudo mostra que 29,4% da população ainda consome carne com excesso de gordura, apesar de o índice ter apresentado queda ao longo dos anos – saindo de 32,3% em 2007. Os homens consomem duas vezes mais, com 38,4%, enquanto entre as mulheres o índice cai para 21,7%. A pesquisa apontou também que o brasileiro tem diminuído a ingestão de refrigerante. O consumo desse produto diminuiu 20% nos últimos seis anos. No entanto, mais de 20,8% da população faz uso de refrigerantes cinco vezes ou mais na semana (23,9% entre os homens e 18,2% entre as mulheres).
 
Quando se trata do alimento mais consumido pelos brasileiros, o Vigitel mostrou que o consumo regular de feijão em cinco ou mais dias na semana é de 66%. Neste item, o percentual foi maior entre os homens (73%) e menor entre as mulheres (61%). No Brasil, esse índice não tem se alterado ao longo dos anos.
 
Campanha publicitária
Além do lançamento do livro, o Ministério da Saúde apresenta também a campanha “Da Saúde se Cuida Todos os Dias”. Com foco na Política Nacional de Promoção da Saúde (PNPS), o objetivo é incentivar mudanças individuais e de comportamento, reconhecendo que a saúde não é fruto apenas da vontade própria, mas também dos contextos social, econômico, político e cultural em que estão inseridos. Ao longo do ano, oito temas serão abordados, iniciando com o Incentivo à Alimentação Saudável. Além das peças (cartaz, folder, post para redes sociais, banner de internet), também será lançando o portal www.saude.gov.br/promocaodasaude, com a versão digital do Guia Alimentar para a População Brasileira e do Guia de Alimentos Regionais Brasileiros.
 
Fonte: Gabrielle Kopko/ Agência Saúde

Porque a população, o Governo e as farmácias ganham tanto com os cuidados farmacêuticos

O sofrimento imposto às pessoas e os prejuízos aos cofres dos sistemas público e privado de saúde por problemas, como a não-adesão do paciente ao tratamento, as intoxicações e interações medicamentosas indesejáveis, as reações adversas e as hospitalizações evitáveis, poderão ter uma redução expressiva em suas estatísticas, por conta dos efeitos da Lei nº 13.021/14
 
Esta é a expectativa do Conselho Federal de Farmácia (CFF), baseada em exemplos de populações que experimentaram transformações positivas em seu contexto sanitário, graças aos serviços farmacêuticos, ali, prestados.
 
A expectativa do CFF é histórica e, agora, ganha o ânimo da Lei 13.021/14. Isto, porque a norma, aprovada por unanimidade, no Senado, e fruto de um amplo entendimento entre todas as instituições farmacêuticas e as que representam os segmentos industrial e comercial do setor, muda o conceito de farmácia, no Brasil, vez que transforma as farmácias e drogarias em unidades de prestação de assistência farmacêutica, assistência à saúde e orientação sanitária individual e coletiva, e assegura a atuação do farmacêutico, nesses estabelecimentos.
 
“Esta Lei obriga as farmácias particulares (comunitárias) a assumir aquilo que sempre foi de suas naturezas sanitária e social: a assistência farmacêutica e o seu compromisso com as questões de saúde. Isto estava obscurecido pelo interesse econômico”, observa o Presidente do CFF, Walter Jorge João.
 
Segundo ele, esse interesse rebaixou a farmácia à condição de mercadinho, e o medicamento foi aviltado e transformado em pura mercadoria. “Desta forma, as farmácias passaram a vender de tudo, pondo de lado os cuidados clínicos prestados pelos farmacêuticos”, assinala o dirigente do CFF para quem, seguindo este modelo “arcaico e pernicioso”, as farmácias expõem a saúde dos cidadãos a graves riscos. “A esperança, agora, é a Lei 13.021/14”, comemora.
 
Prejuízos
A hospitalização evitável é apenas uma das graves consequências dos problemas relacionados ao mau uso de medicamentos. Esses problemas poderiam ser, ao menos, minimizados, se os usuários dos medicamentos tivessem acesso à prescrição farmacêutica, nas farmácias particulares, e, ali, recebessem, ainda, a orientação sobre o uso correto desses produtos e as informações, no campo da educação em saúde, relacionadas aos cuidados em saúde, em geral.
 
Estudos divulgados no livro “Cuidados Farmacêuticos na Atenção Básica” (Caderno 1: Serviços Farmacêuticos na Atenção Básica à Saúde), publicado pelo Ministério da Saúde, revelam que, no mundo, cerca de 28% de todas as visitas ao pronto atendimento tiveram origem em problemas relacionados ao uso de medicamentos, sendo que 8,6% a 24,2% dos casos resultaram em internações e 70% dos eventos foram considerados evitáveis.
 
Impactos
O mesmo livro traz dados disponíveis no DATASUS (Departamento de Informática do SUS), revelando que, só em 2013, podem ter ocorrido, no Brasil, entre 1,2 milhão e 3,2 milhões de internações de urgência ligadas a problemas relacionados aos medicamentos. Naquele ano, houve cerca de 48 milhões de atendimentos de urgência e emergência e 11 milhões de internações de urgência a um custo médio de R$ 1.135,26 por usuário, por internação.
 
O custo total das hospitalizações por medicamentos, no Brasil, pode ficar entre R$ 1,3 bilhão e R$ 3,6 bilhões. Segundo avaliação dos estudiosos, a economia de recursos poderia ser da ordem de R$ 2,5 bilhões, ao ano, somente com hospitalizações, caso 70% dos problemas evitáveis fossem impedidos de acontecer.
 
Várias iniciativas para conter essa sangria nos cofres públicos foram adotadas, mas ainda não surtiram os efeitos necessários. Diretores do CFF entendem que falta ao serviço público dirigir o foco de suas atenções para os cuidados clínicos prestados pelos farmacêuticos na atenção básica à saúde e não apenas para a gestão do medicamento. As atribuições clínicas do farmacêutico são preponderantes dentro do arsenal de recursos disponíveis para a promoção da saúde.
 
No caso das farmácias particulares, os dirigentes do Conselho Federal de Farmácia reforçam o entendimento de que os procedimentos e serviços farmacêuticos prestados, ali, repercutem sobremaneira na saúde da população, gerando resultados positivos em todo o sistema público, inclusive reduzindo os números de hospitalizações e gastos.
 
Atos, como a prescrição farmacêutica; serviços, como o acompanhamento farmacoterapêutico, e procedimentos, como a aferição da pressão e da taxa de glicose, levam pacientes a aderir melhor ao tratamento, reduzem os casos de reações adversas a medicamentos e o uso inadequado – e, muitas vezes, grave – desses produtos por automedicação.
 
Além do bem-estar dos pacientes, esses benefícios desafogam os hospitais e clínicas do próprio Governo. São ganhos permanentes e em cadeia. O CFF acrescenta, ainda, o trabalho fundamental do farmacêutico como educador em saúde, capaz de levar os cidadãos a mudarem os seus hábitos de vida. O uso inadequado de medicamentos não necessariamente resulta em hospitalizações. Mas ele pode causar efeitos devastadores na saúde dos seus usuários.
 
Agilidade
No centro dos benefícios dos cuidados farmacêuticos, estão a efetividade do tratamento e o fortalecimento da política de uso racional do medicamento. Os serviços profissionais prestados, nas farmácias particulares, estão imunes à burocracia, às filas e à marcação de consultas. Por isto, são ágeis e acessíveis. Sem contar que as farmácias têm uma capilaridade enorme, vez que há estabelecimentos em todos os bairros de grandes cidades e em qualquer vilarejo. “É só chegar à farmácia, e o paciente será muito bem atendido por farmacêuticos de boa formação clínica e conscientes dos seus papeis sanitário e social”, enfatiza Dr. Walter Jorge João.
 
Enfim, com os cuidados farmacêuticos, ganham o Governo, que passa a desembolsar menos para custear medicamentos, assistência médica e, por conseguinte, a atenção básica em saúde como um todo; a sociedade, que tem nas farmácias não apenas um ponto de venda de medicamentos, mas um estabelecimento de saúde que o CFF deseja que atue integrado ao SUS, inclusive participando das campanhas de vacinação; as próprias farmácias, que deixam de ser subutilizadas como unidades de assistência à saúde e passam também a contribuir com as questões sociais do País; os médicos, que passam a contar com um aliado no acompanhamento do uso dos medicamentos pelos seus pacientes, e os próprios os farmacêuticos que, ao desempenharem as suas atribuições de cuidadores em saúde, têm a sua autoridade técnica reforçada.
 
“A Lei 13.021/14 é muito avançada, porque acena para o fortalecimento da saúde, a partir da expansão do acesso da população à assistência farmacêutica. A Lei representa uma quitação de um débito histórico do Legislativo junto à sociedade no tocante às questões de saúde, vez que, até então, ela foi vilipendiada quanto ao seu direito de acesso aos cuidados farmacêuticos. Não se pode privar um povo do direito a esses cuidados, sob pena de comprometer a sua saúde e até levar pessoas à morte. O cumprimento da Lei vai alterar profundamente – e para melhor – o panorama da saúde brasileira”, previu o Presidente do CFF, Walter Jorge João.
 
CFF

Dívida faz mal à saúde e pode causar até depressão

Débitos em excesso podem causar ansiedade, angústia e depressão; inflação e desemprego potencializam problema
 
No dia em que o microempresário notou um zumbido insistente no ouvido a caminho do banco para tentar negociar parte de uma dívida de R$ 40 mil, decidiu procurar um médico.
 
“Achei que fosse o motor do ônibus em que estava. Desde então, o barulho não sai da minha cabeça.”
 
O empresário, que não quis ser identificado, ficou surpreso com o diagnóstico: estresse causado pelos débitos aparentemente sem solução. Casos assim são mais comuns do que se imagina e tendem a aumentar em cenário de preocupação com inflação e desemprego.
 
No ambulatório do Hospital das Clínicas, em São Paulo, a psicóloga Tatiana Filomensky, coordenadora do grupo de compradores compulsivos, afirma que, hoje, três novas pessoas procuram o consultório por semana com queixas de ansiedade, angústia e depres- são relacionadas a problemas financeiros. Nos últimos cinco anos, afirma, o número de atendimentos mais que dobrou.
 
“Quase todos os meus pacientes estão com dívidas que não conseguem pagar, e a consequência é o impacto na vida pessoal.”
 
Separação
Entre os efeitos comuns, estão brigas em casa, separações, descontrole emocional e problemas no trabalho.
 
“Com o estímulo ao consumo e a oferta de crédito dos últimos anos, o cenário se tornou propício ao endividamento, sem que houvesse uma educação financeira da população”, diz Hermano Tavares, professor do Departamento de Psiquiatria da USP.
 
O consultor financeiro Mauro Calil diz que os mecanismos de cobrança também estão mais pesados: ligações no trabalho e em casa diariamente, e-mails e mensagens no celular, além do antigo hábito dos cobradores na porta. “E parcelas de dívidas que até poderiam ser pequenas ficaram mais pesadas pela inflação e pelo desemprego.”
 
Para Hermano, da USP, as pessoas que desenvolvem problemas de saúde estão “em uma situação-limite”.
 
Desintoxicação
O consultório médico não é o único caminho para consumidores superendividados em busca de ajuda. Há grupos de ajuda no estilo do A.A. (Alcoólicos Anônimios), como o D.A. (Devedores Anônimos), nas cidades de São Paulo, do Rio, de Londrina, no Paraná, de Fortaleza, no Ceará, e de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.
 
Folha de São Paulo

Prevenção é a base para evitar câncer de pele, diz dermatologista

O Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (Inca) calcula que, dos cerca de 580 mil novos casos de câncer estimados para este ano, no Brasil, o de pele do tipo não melanoma será o de maior incidência, com mais de 180 mil casos
 
Esse é também o tipo de câncer mais frequente em todo o mundo, disse o coordenador da Campanha Nacional de Combate ao Câncer de Pele da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), Emerson Vasconcelos de Andrade Lima. Hoje (8) comemora-se o Dia Mundial de Combate ao Câncer.
 
Segundo o médico, “a pele está exposta ao sol, e este é o principal fator determinante do desenvolvimento do câncer de pele, principalmente do carcinoma basocelular”. Outros tipos de câncer de pele são o carcinoma espinocelular e o melanoma maligno. Para o especialista, a melhor maneira de evitar o câncer de pele é prevenir. “Prevenção é a base”. A postura recomendada é fotoprotetora. Além de usar filtros solares, é preciso evitar a exposição ao sol nos horários de maior incidência de radiação ultravioleta B e A.
 
A Sociedade Brasileira de Dermatologia sugere também medidas de fotoproteção física, que incluem o uso de bonés, chapéus e óculos de sol.
 
Segundo o dermatologista, o filtro solar é obrigatório em crianças a partir de 6 meses de idade, e deve ser reaplicado, independentemente da estação do ano e do tipo de pele. Ele descartou a crença de que pessoas mais morenas, em função da presença de melanina, estejam protegidas de ter câncer de pele. “Não é isso que se observa”, ressaltou Lima. Ele admitiu que os indivíduos mais morenos têm menor chance de se queimar ou de o bronzeamento provocar bolhas. Mesmo assim, há necessidade de uso do filtro solar, qualquer que seja a cor da pele, acrescentou.
 
O indivíduo branco tem tendência maior a desenvolver câncer de pele, porque não tem melanina – pigmento da pele funciona como barreira, reduzindo a incidência da radiação solar. Lima salientou, entretanto, que o efeito é somatório. “Independente[mente] de ser branco, moreno ou negro, você tem a chance de desenvolver câncer de pele. O passar dos anos é que vai determinar isso”. Como a taxa de longevidade é alta, atualmente, aumentam também as probabilidades de câncer de pele, “porque esse efeito é somatório”, insistiu.
 
Atividades esportivas, banhos de piscina, idas à praia ou a feiras livres, e até mesmo a ida ao trabalho, no dia a dia, ao sol, deixam a pessoa exposta à radiação ultravioleta. “E esse efeito somatório, durante anos, favorece o desencadeamento. Temos visto o aparecimento de câncer de pele mais precoce do que antigamente”, destacou.
 
O dermatologista advertiu que a camada de ozônio, em função da emissão de gases poluentes e das mudanças climáticas, está cada vez mais tênue, facilitando a incidência crescente de radiação ultravioleta nas pessoas. Como os indivíduos continuam a se expor ao sol de maneira extrema, o receio é que a taxa desse tipo de tumor continue a aumentar. Segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia, o aparecimento de pintas escuras ou manchas na pele e a presença de lesões que não cicatrizam podem ser sinal de melanoma maligno e devem levar a pessoa a procurar um especialista.
 
O carcinoma basocelular, mais comum e com relação mais estreita com a radiação ultravioleta, apresenta-se em geral sob a forma de caroços que sangram com facilidade e aparecem em áreas expostas, como a face, dorso, tórax, braços, pernas, couro cabeludo, lábios e orelhas dos homens. Essas lesões, quando identificadas, devem ser removidas o mais precocemente possível.
 
Agência Brasil

Rio terá banco de dados único sobre serviços de saúde

O Rio terá um único banco de dados com informações sobre hospitais, médicos, leitos, centros cirúrgicos, unidades de Tratamento Intensivo e equipamentos disponíveis nas redes de saúde federal, estadual e municipais
 
A iniciativa surgiu da Rede de Controle da Gestão Pública no Estado do Rio de Janeiro e faz parte do Pacto pela Regulação do Acesso aos Serviços de Saúde – PRA Saúde – assinado na tarde de hoje (7) por representantes dos 12 órgãos de fiscalização federais, estaduais e municipais que integram a rede.
 
O objetivo é orientar os órgãos de saúde a melhorar o atendimento no sistema público e identificar os setores que mais necessitam de investimentos. Durante o evento, na sede do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ), o presidente do órgão, Jonas Lopes de Carvalho Junior, informou que a expectativa da rede é que o sistema esteja disponível durante as Olimpíadas de 2016, e que o Rio tenha um sistema de acesso à saúde mais efetivo até lá.
 
“Nós, órgãos de controle, estamos assumindo aqui o compromisso de usarmos todas as nossas forças para ajudar a superar os problemas relacionados ao acesso no serviço de saúde pública”, disse o presidente do TCE-RJ, ao explicar que a primeira etapa do processo será dimensionar a oferta real dos serviços públicos de saúde disponíveis nas redes das três esferas de governo.
 
A partir de maio, os 91 municípios fluminenses, a secretaria de saúde do estado e as unidades federais de saúde serão instados a dimensionar as reais ofertas e a exibir essa capacidade no sistema que será disponibilizado no site do TCE-RJ. As informações estarão disponíveis para o público em geral.
 
“Para acabar com as intermináveis peregrinações e filas de espera, os municípios, o estado e a União precisam agir conjuntamente, de forma orquestrada e complementar. Não adianta um município ter serviços de saúde exemplares na atenção básica se os serviços referenciados para o município vizinho não tiverem condições de atender à demanda, pois não haverá resolutividade”, explicou o Jonas Lopes de Carvalho Junior.
 
Um dos elaboradores do sistema, o secretário-geral de controle externo do TCE-RJ, Carlos Roberto Leal, explicou que o intuito da rede é que, futuramente, os três níveis de governo tenham um sistema único de regulação do acesso aos serviços de saúde: “O Rio tem três gestores cuidando de unidades de saúde no Rio de Janeiro. Geralmente, quando precisamos desses serviços acabamos peregrinando entre eles. Um morador de um município não sabe que o município vizinho dispõe de determinados serviços”.
 
O Governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, elogiou o pacto, mas ressaltou que é preciso rever os gastos que os municípios têm com saúde para a eficácia do serviço. “Cada vez mais os municípios investem mais recursos na saúde. Temos uma tabela do Sistema Único de Saúde que não é reajustada há muitos anos. O governo do estado também precisa fazer seu dever de casa, porque já estive do outro lado do balcão e sei o que os municípios sofrem. É uma violência muito grande”, declarou Pezão durante a solenidade. Dados do TCE-RJ apontam que aproximadamente 4 mil pessoas morrem no estado por ano devido à insuficiência no atendimento. O Rio de Janeiro tem 157 hospitais (96 municipais, 38 estaduais, e 23 federais), com 26,1 mil leitos, segundo o cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES) do Ministério da Saúde.

Agência Brasil

Anvisa esclarece sobre carcinogenicidade de cinco agrotóxicos comercializados no país

Reprodução
No dia 20 de março deste ano, a Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer(IARC), órgão da Organização Mundial da Saúde (OMS), divulgou a classificação da carcinogenicidade de cinco agrotóxicos: tetraclorvinfós, parationa, malationa, diazinona e o glifosato
 
Diante disso, a Anvisa esclarece a situação de cada uma dessas substâncias no Brasil e internacionalmente.
 
• Tetraclorvinfós
O tetraclorvinfós foi classificado como possível carcinógeno para humanos. Não há registro de agrotóxicos no Brasil à base de tetraclorvinfós. Essa substância está banida na União Europeia. Nos Estados Unidos, assim como no Brasil, continua a ser usada em produtos veterinários, incluindo coleiras antipulgas para animais de estimação.
 
• Parationa
A parationa foi classificada como possível carcinógeno para humanos. O agrotóxico possui duas formas: a parationa metílica e a parationa etílica.
 
Não existe registro de produtos à base de parationa etílica no Brasil. A parationa metílica teve proposta de banimento pautada para a reunião da Diretoria Colegiada da Anvisa. No entanto, antes da reunião, o procedimento de reavaliação foi suspenso por decisão judicial (Mandado de Segurança nº 1000959-80.2014.4.01.3400, da 16ª Vara Federal - SJDF).
 
O uso da parationa metílica já não é mais autorizado na grande maioria dos países e, onde é autorizado, está sujeito a severas restrições desde a década de 1980.
 
• Malationa
A malationa foi classificada pela IARC como provável carcionógeno em humanos. É usada na agricultura e em programas de saúde pública e residências para o controle de insetos,continua a ser produzida em volumes substanciais em todo o mundo.
 
Tem uso autorizado tanto nos Estados Unidos quanto na União Europeia.
 
• Diazinona
A diazinona foi classificada pela IARC como provável carcinógeno em humanos. Tem aplicações na agricultura, no controle de insetos domésticos e em jardinagem e também em produtos veterinários. Tem seu registro autorizado nos Estados Unidos, com restrições de uso e aplicação. A substância foi banida na União Europeia.
 
• Glifosato
O glifosato, que também foi classificado como provável carcinógeno em humanos pela IARC, é um herbicida de largo espectro, que, na atualidade, possui os maiores volumes de produção dentre todos os herbicidas.
 
O agrotóxico é usado na agricultura, na silvicultura, em áreas urbanas e domésticas. Seu uso tem aumentado consideravelmente com o desenvolvimento de variedades de culturas geneticamente modificados resistentes a ele.
 
A Resolução RDC n° 10, de 22 de fevereiro de 2008, determinou a reavaliação toxicológica dos produtos técnicos e formulados à base do ingrediente ativo glifosato, entre outros. A norma baseou-se na larga utilização do produto no Brasil, nos relatos de casos de intoxicação ocupacional e acidental, na solicitação de revisão da dose estabelecida para a Ingestão Diária Aceitável (IDA) por parte de empresa registrante, na necessidade de controle de limite máximo de impurezas presentes no produto técnico e nos possíveis efeitos toxicológicos adversos.
 
Para o prosseguimento da reavaliação do glifosato e dos demais agrotóxicos cuja reavaliação está prevista na RDC, a Anvisa firmou um contrato com a Fiocruz. A instituição ficou responsável pela elaboração das notas técnicas para cada um dos ingredientes ativos, as quais devem ser revisadas pelo corpo técnico da Anvisa antes de serem publicadas.
 
Na análise dessas notas técnicas pela Anvisa, foram observadas necessidades de revisão e, desta forma, estabeleceu-se uma ordem de análise dessas notas técnicas, de acordo com os indícios de toxicidade apontados pela Fiocruz.
 
A conclusão da reavaliação do glifosato não foi considerada prioritária pela Anvisa, considerando-se que, ao contrário do que ocorreu com outros ingredientes ativos, a Fiocruz não indicou seu banimento. A Fundação conclui somente que as evidências de mutagenicidade, carcinogenicidade e desregulação endócrina deste ingrediente ativo eram insuficientes e indicando a necessidade de novos estudos.
 
Reavaliação toxicológica
A Lei n° 7.802, de 11 de julho de 1989, e o Decreto n° 4.074, de 04 de janeiro de 2002, determinam a proibição de agrotóxicos com características carcinogênicas, de acordo com os critérios utilizados pela IARC e conforme prevê a Portaria SNVS n° 03, de 16 de janeiro de 1992.
 
No entanto, vale ressaltar que, até o momento, a classificação pela IARC dos agrotóxicos mencionados foi objeto de um artigo na Revista The Lancet, de março deste ano, sendo necessário aguardar a publicação da monografia de cada ingrediente ativo, na qual os detalhes da avaliação dos estudos e resultados utilizados como base para a classificação adotada poderão ser avaliados e utilizados na reavaliação desses agrotóxicos pela Anvisa.
 
A reavaliação toxicológica de competência da Anvisa segue os seguintes procedimentos administrativos: iniciativa de reavaliação dos ingredientes ativos por meio de publicação de Resolução de Diretoria Colegiada (RDC); apresentação de estudos toxicológicos sobre os ingredientes ativos em reavaliação; análise dos dados e de estudos científicos publicados; parceria com instituição reconhecida técnica e cientificamente na área de toxicologia sem conflito de interesses; publicação de nota técnica para consulta pública; consolidação das contribuições da consulta pública; discussão das conclusões e proposição de encaminhamentos pela comissão de reavaliação composta por servidores da Anvisa, do Ministério da Agricultura, Pecuária e do Abastecimento e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama); elaboração de nota técnica conclusiva sobre os aspectos toxicológicos reavaliados e publicação da decisão da reavaliação por RDC.
 
Providências
Diante da recente classificação do glifosato pela IARC, a Anvisa dará imediata continuidade à análise deste ingrediente ativo, em cumprimento à determinação do Decreto nº 4.074, de 2002: “promover a reavaliação do registro de agrotóxicos, seus componentes e afins quando surgirem indícios da ocorrência de riscos que desaconselhem o uso de produtos registrados ou quando o País for alertado nesse sentido, por organizações internacionais responsáveis pela saúde, alimentação ou meio ambiente, das quais o Brasil seja membro integrante ou signatário de acordos.”
 
Considerando-se a classificação da diazinona e malationa pela IARC como provavelmente carcinogênicas, a Anvisa aguardará a divulgação oficial das monografias da IARC para determinar a ordem prioritária de análise dos agrotóxicos que demandarem reavaliação.
 
ANVISA

Implantes são suspensos por rótulo com informação errada

A Anvisa suspendeu a distribuição, comercialização e implante dos produtos Acetábulo (Cúpula Quattro VPS HAP 050 mm; Cúpula Quattro VPS HAP 052 mm e Cúpula Quattro VPS HAP 054 mm)
 
Os produtos foram fabricados em liga Cromo-Cobalto pela empresa francesa Groupe Lepine, importados e rotulados como sendo fabricados em Titânio pela empresa Ortocir Ortopedia Cirurgia Ltda. no Brasil.
 
A medida está na Resolução nº 1051, publicada nesta segunda-feira (7/4) no DOU.
 
 
ANVISA 

Lotes do medicamento Triatec são suspensos

Lote nº 335601
A Anvisa suspendeu a distribuição, comercialização e uso do lote nº 335601 do medicamento Triatec 2,5 mg comprimidos e os lotes 2S6828, 327388 e 341288 do medicamento Triatec 5 mg comprimidos fabricados pela empresa Sanofi-Aventis Farmacêutica Ltda.
 
A Auditoria de Pós-registro de Medicamento realizada na empresa comprovou a fabricação e distribuição dos lotes com prazo de validade alterado de 24 para 36 meses em desacordo com o aprovado no registro.
 
Foi determinado o recolhimento do estoque existente no mercado relativo aos lotes dos medicamentos.
 
A medida está na Resolução nº 1052, publicada nesta segunda-feira (7/4) no DOU.
 
 
ANVISA

Anvisa suspende medicamento por não passar no ensaio de aspecto

A Anvisa determinou a suspensão da distribuição, comercialização e uso do lote ED13L014A do medicamento Butilbrometo de Escopolamina + Dipirona Sódica, solução oral, 20 ml e o lote HC14E141 do medicamento Butilbrometo de Escopolamina + Dipirona Sódica, solução injetável, 5 ml ambos fabricados pela empresa Farmace Indústria Químico-farmacêutica Cearense Ltda.
 
Os laudos emitidos pelo Instituo Adolfo Lutz (IAL) apresentaram resultado insatisfatório no ensaio de Aspecto por apresentarem coloração diferente do especificado pelo fabricante.
 
A medida está na Resolução nº 1050, publicada nesta segunda-feira (7/4) no DOU.
 
 
ANVISA

Apenas um em cada quatro dos brasileiros consome a quantidade de frutas e hortaliças recomendada

Dados do Ministério da Saúde mostram que o consumo é maior entre as mulheres
 
Pesquisa divulgada pelo Ministério da Saúde afirma que 24,1% dos brasileiros consomem a quantidade de frutas e hortaliças recomendada por dia. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda a ingestão de 400 gramas diários, pelo menos em cinco dias na semana.
 
Elaborada pela Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), a pesquisa foi divulgada nesta terça-feira. De acordo com o estudo, o consumo verificado entre os homens é ainda menor: apenas 19,3% atendem às recomendações. Entre as mulheres o consumo atinge 28,3%.
 
A pesquisa mostra também que 29,4% da população consome carne com excesso de gordura. Os homens ingerem duas vezes mais: 38,4%. Entre as mulheres o índice é 21,7%. Além disso, os números indicam que o brasileiro tem diminuído o consumo de refrigerante: a ingestão caiu 20% nos últimos seis anos. Entretanto, mais de 20% da população ainda consome a bebida cinco vezes ou mais na semana.
 
Em relação aos alimentos mais consumidos pelos brasileiros, a Vigitel afirma que o consumo regular do feijão em cinco ou mais dias da semana está presente em uma escala correspondente a 66% da população. O percentual foi maior entre os homens: 73%. Entre as mulheres, o consumo de feijão equivale a 61%.
 
Agência Brasil

Conheça cinco inovações importantes no tratamento do câncer

Novos métodos de diagnóstico de câncer menos invasivos estão em estudo
Novos métodos de diagnóstico de câncer menos invasivos
estão em estudo
Fazer com que o próprio sistema imunológico ataque o tumor e uma terapia que atinge diretamente cada tipo de câncer são os avanços mais promissores da oncologia atualmente
 
De tão temida, a condição era mencionada, décadas atrás, apenas como “aquela doença". O nome correto era pouco pronunciado. Hoje, ainda letal em muitos casos, o câncer se tornou uma doença bastante comum na população mundial e, com grande esforço da comunidade científica, cada vez mais tratável.
 
Avanços significativos são alcançados globalmente e inúmeras pesquisas promissoras estão em andamento para ajudar no tratamento da doença que atingirá 576 mil pessoas no Brasil neste ano.
 
Médicos oncologistas ressaltam duas linhas promissoras de pesquisas que são aplicáveis atualmente no tratamento do câncer: a terapia-alvo, que atinge diretamente o tumor, e a imunoterapia, medicamentos que reforçam o sistema imunológico para que ele reconheça e destrua os tumores.
 
Além desses tratamentos, há avanços também com relação à radioterapia guiada por imagem, que permite que o alvo seja atingido com sucesso – e a outro tipo de radioterapia que causa menos efeitos colaterais. Métodos de diagnósticos dos tumores menos invasivos também são motivo de otimismo.
 
Conheça mais sobre esses cinco avanços da medicina abaixo:
 
Terapia-alvo
A terapia-alvo é um conjunto de drogas específicas para cada tipo de tumor. Erra quem pensa que um tumor em alguma parte do corpo segue sempre o mesmo padrão. “Dentro de cada tumor existem subgrupos menores com características próprias, que apresentam alterações biológicas específicas”, explica o oncologista do Hospital A.C. Camargo Cancer Center, Vladmir Cordeiro de Lima. “A inovação foi o desenvolvimento de drogas que interferem exatamente nesses mecanismos biológicos específicos para cada tipo e subtipo do tumor”.
 
A genética também entra em cena. “Em câncer de pulmão, por exemplo, em 60% dos casos já identificamos mutações em genes específicos, e para várias dessas mutações e genes diferentes existem drogas e terapias-alvo específicas”, explica Lima. “Elas são ativas somente nesses subgrupos específicos. A toxicidade é menor e a atividade do tratamento é maior”.
 
Não só para o câncer de pulmão, mas pessoas com câncer de cólon, alguns sarcomas, tumor renal, melanoma, alguns tipos de linfomas e leucemias já podem se beneficiar desse tratamento mais direcionado.
 
“O foco da terapia-alvo molecular é encontrar a droga ideal para o paciente ideal. O câncer é agressivo, temos de ser agressivos também”, diz o oncologista do Hospital do Câncer de Barretos, Luiz Eduardo Zucca.
 
Inibidores de checkpoint imunológico
A quimioterapia convencional é uma droga que entra no corpo e destrói as células de crescimento rápido, como as tumorais. No entanto, há também muitas outras células essenciais ao organismo que são de crescimento rápido, como as células produzidas na medula óssea (hemoglobina, leucócitos e plaquetas), as que produzem os cabelos e aquelas do trato gastrointestinal.
 
A quimioterapia sistêmica destrói todas elas na tentativa de acabar com as tumorais, levando muitas vezes à perda de cabelos, diarreia, náuseas e vômitos, além da imunidade baixa. “O paciente fica exposto a alguns tipos de infecção”, diz Zucca.
 
A inovação na área não é uma nova droga que destrói a ermo as células de crescimento rapidamente, mas sim uma que turbina o sistema imunológico para reconhecer o tumor como um corpo estranho e acabar com ele.
 
“As células tumorais normalmente conseguem escapar do sistema imunológico que controlam o crescimento do tumor”, diz Rafael Kalil, oncologista do Hospital Albert Einstein. “A imuno-oncologia está descobrindo isso e desenvolvendo drogas que conseguem impedir o bloqueio do sistema imunológico para que ele mesmo possa atacar os tumores”, explica Kalil.
 
Radioterapia guiada por imagem
Na radioterapia convencional, o radioterapeuta analisa o paciente e a região em que o tumor está e em seguida irradia. “No entanto, às vezes, o paciente incha, engorda ou emagrece durante o tratamento [que dura algumas semanas], e o alvo não é atingido com precisão”, explica o radioterapeuta do Hospital A.C. Camargo Cancer Center, Michael Chen.
 
Na radioterapia guiada por imagem, no entanto, um aparelho mostra, em tempo real, a localização exata do tumor que deve ser irradiado. Assim, alterações do corpo não interferem no alvo. “Várias coisas podem acontecer durante o tratamento, mas essa técnica aumenta a precisão do tratamento. É quase como se fosse uma tomografia em tempo real”, conta Chen.
 
Terapia de feixe de prótons
Disponível apenas no exterior, essa terapia é como uma radioterapia convencional, com a diferença de apresentar menos efeitos colaterais. A radiação, principalmente em crianças, pode causar alguns problemas neurológicos e de crescimento, pois atravessa os tecidos e pode causar algum tipo de dano.
 
A prótonterapia, como é conhecida, é mais precisa e não danifica os tecidos ao redor do tumor. No entanto, ela é uma terapia de alto custo. O aparelho que viabiliza a terapia custa cerca de 25 milhões de dólares, e o tratamento gira em torno de 100 mil dólares por paciente.
 
Métodos de diagnóstico de câncer
O oncologista do Hospital A.C. Camargo Cancer Center Vladmir Cordeiro de Lima conta que estão em estudo novos métodos de diagnóstico de câncer. A intenção desses é fazer um diagnóstico menos invasivo, evitando biópsias de tumores, e identificar o tumor e o tipo dele por meio de um exame de sangue.
 
“O tumor libera células no sangue que circulam pelo corpo – inclusive são elas que dão metástase posteriormente – e os cientistas estão tentando desenvolver técnicas para identificar essas células e dar o diagnóstico a partir delas”, diz Lima. “Inclusive, determinar a apresentação de mutações que permitiriam usar drogas específicas”.
 
Segundo o médico, se a técnica realmente virar realidade, ela será útil também para acompanhar o tratamento do câncer e ver se ele é eficaz, se o tumor está regredindo ou não. “Haverá uma monitoração mais rápida e mais simples”, completa.
 
iG