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sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

OncoRede: ANS seleciona projetos para qualificar atenção ao câncer

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) selecionou os projetos que farão parte do OncoRede, iniciativa que propõe a construção de um novo modelo de organização e cuidado aos pacientes com câncer


A reguladora recebeu 42 propostas de adesão de operadoras de planos de saúde e prestadores de serviços - hospitais, clínicas e laboratórios. Em fevereiro, essas instituições começarão a desenvolver os projetos, com acompanhamento e monitoria da ANS. Os resultados serão mensurados, e os modelos que se mostrarem viáveis poderão ser replicados para o conjunto do setor suplementar de saúde, de forma a estimular mudanças sustentáveis.


O OncoRede estabelece um conjunto de ações integradas para qualificar o cuidado oncológico. As medidas visam estimular a adoção de boas práticas na atenção ambulatorial e hospitalar e promover melhorias nos indicadores de qualidade da atenção ao câncer, além de possibilitar um diagnóstico mais preciso da assistência. Entre as medidas previstas estão a centralização do cuidado no paciente, a adoção de laudo integrado de exames, a introdução do assistente do cuidado, responsável por conduzir o paciente ao longo do percurso assistencial e a busca ativa no momento do envio do resultado de exames.

“O grande número de adesões e a qualidade dos projetos apresentados demonstra a urgência e a necessidade de implementação de experiências baseadas em modelos mais integrativos de cuidado na atenção oncológica”, avalia a diretora de Desenvolvimento Setorial da ANS, Martha Oliveira. “A fragmentação da trajetória de cuidado do paciente em diferentes prestadores de serviços de saúde que não se comunicam, a falta de continuidade do fluxo do paciente na rede assistencial e a ausência de coordenação do cuidado prestado nos diferentes níveis de complexidade da rede são problemas que afetam diretamente a efetividade da atenção aos pacientes com câncer no Brasil. O projeto OncoRede visa reorganizar a assistência e corrigir essas falhas, facilitado o tratamento e melhorando os resultados”, explica a diretora.

Pilares do novo modelo de atenção

  • Centralização do cuidado no paciente, invertendo a lógica do sistema hoje centrado no volume de utilização de tecnologias;
  • Informação correta, completa e em linguagem acessível para os pacientes e registro de saúde que facilite a continuidade do cuidado, possibilitando o compartilhamento da informação por todos os profissionais que realizam o cuidado e com o próprio paciente;
  • Screening e diagnóstico precoce, porém pautados pela qualidade e em protocolos efetivos;
  • Laudo integrado de exames para um melhor direcionamento no momento do diagnóstico que facilite e torne mais efetivo o tratamento;
  • Busca ativa no momento do envio do resultado de exames e garantia de que o resultado dos exames críticos chegue ao paciente e a seu médico solicitante;
  • Estabelecimento de times multiprofissionais e de grupos de decisão para a melhor definição de linhas de cuidado e uniformização de decisões;
  • Articulação da rede de estabelecimentos que irão, em algum momento, cuidar do paciente, tanto do ponto de vista de organização dos encaminhamentos quanto das informações e da continuidade da linha de cuidado;
  • Assistente do cuidado, responsável por conduzir o paciente ao longo de todo o percurso assistencial, facilitando e monitorando todos os possíveis pontos de dificuldade;
  • Monitoramento dos resultados através de indicadores que possam demonstrar não só o desempenho do cuidado, mas também retratem possíveis melhorias no caminho assistencial;
  • Indução e estabelecimentos de estruturas de cuidado paliativo e tratamento de suporte, além do debate sobre morte e humanização no fim de vida;
  • Modelos diferenciados de remuneração que possam dar suporte à nova lógica de cuidado; Capacitação e treinamento de profissionais da área da saúde;
  • Debate sobre o Registro de Tumor na Saúde suplementar, visando um melhor planejamento e monitoramento das políticas nessa área.


Fonte: ANS

Gestão de custos, um caminho para a saúde privada

Por Franklin Lindolf Bloedorn*

Com a crise financeira e o crescente índice de desemprego no país, as instituições de saúde privadas terão de se reinventar nos próximos anos e adotar um novo modelo de gestão para reduzir os custos com o tratamento do paciente, conseguir recuperar os cerca de 2 milhões de beneficiários que deixaram os planos de saúde e manter a qualidade na prestação de serviços aos seus usuários.

O Índice de Variação dos Custos Médico-Hospitalares, produzido pelo Instituto de Estudos de Saúde Suplementar, registrou alta de 19% em 12 meses, ficando neste patamar no primeiro trimestre de 2016, bem maior que a inflação no período, que foi de 9,4%. Um dos fatores que tem contribuído para este aumento elevado é o modelo de pagamento por procedimentos de serviços de saúde, chamado de "fee for service". O sistema é insustentável e tem pressionado o setor, encarecendo o custo dos tratamentos médicos-hospitalares e, consequentemente, o preço final dos planos de saúde.

Num cenário de austeridade, torna-se urgente a necessidade de mudança do sistema de remuneração deste mercado, englobando o tratamento como um todo e não por cada procedimento, como é hoje. Isso, certamente, auxiliará no controle de gastos que continuam subindo acima da inflação. Os prestadores de serviços de saúde também devem estar mais comprometidos, do início ao fim do cuidado. Esse esforço deve envolver ainda os profissionais da assistência e o médico, que no modelo atual acaba não tendo a visão de todo o tratamento proposto ao paciente.

Há ainda a necessidade de interagir com as comunidades, para entender as razões de certas enfermidades acometerem determinadas populações, e desenvolver estudos sobre os temas e programas de prevenção. Desta forma, os recursos alocados trarão mais benefícios, a médio e longo prazo, e as instituições de saúde passarão a ter mais foco naquilo que de fato deve ser sua atuação, ou seja, o atendimento a pacientes que necessitam de internação hospitalar ou procedimento ambulatorial.

Outro fator importante é a compreensão de conceitos produtivos, que são extremamente úteis aos gestores, sejam assistenciais ou não. Ter conhecimento sobre volume de compras, economia em escala, redução de desperdícios, capacidade instalada versus demanda e inúmeros outros recursos de gestão, que ainda não chegaram a muitas instituições de saúde. É preciso definir o que fazemos bem e porquê, e o que não fazemos tão bem. Parece óbvio, mas não é. Isso auxilia muito na equalização das contas.

No contexto atual das instituições de saúde brasileiras, qualquer modelo de custeio que venha a adotar será salutar. O custeio direto e por absorção, por ser de mais fácil implementação, certamente trará resultados com mais rapidez para a organização que não estiver utilizando nenhum modelo ainda. A gestão dos custos permitirá viabilizar processos mais seguros e, consequentemente, aprimorar a qualidade e a segurança da assistência prestada ao paciente.

* Franklin Lindolf Bloedorn é economista e avaliador da Joint Commission International (JCI). É professor da disciplina Gestão de Custos nas Instituições de Saúde do curso de pós-graduação Qualidade em Saúde: Gestão e Acreditação, do CBA em parceria com a PUC-Rio e do MBA Qualidade em Saúde: Gestão e Acreditação, do CBA em parceria com a Faculdade de Educação em Ciências da Saúde do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

Maria Beatriz Fafiães
Assessora de imprensa
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