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terça-feira, 3 de julho de 2018

Saiba como atleta de fim de semana pode evitar lesões

lesaofutVocê adora jogar um futebol no sábado à tarde, ou dar aquela corrida na manhã de domingo, mas não pratica exercício físico nenhum durante a semana? Se a resposta for sim, você é o típico atleta de final de semana

Não há nada de errado com isso. Mantenha este hábito e, aliás, busque fazê-lo com mais frequência. No entanto, os riscos de lesões musculares em atletas de fim de semana são altos, porque o corpo, por ficar mais inativo durante a semana, não está acostumado a tanta atividade, como ocorre em uma “pelada”, por exemplo.

Em época de Copa do Mundo, a vontade de chutar como o Cristiano Ronaldo, driblar como o Messi e fazer gols como o Neymar é ainda maior. E se até eles sofrem lesões, imagine quem não é jogador profissional?

O Magdiel Martins, de 35 anos, é microempreendor e a adora futebol. Mas, não é todo dia que ele tem tempo para praticar o esporte ou outra atividade física para preparar o corpo. Por isso, Magdiel já teve várias lesões, principalmente no joelho e na região lombar. 

“A última vez deu uma inflamação na lombar e começou a atrapalhar os movimentos da perna. Fiquei com medo e fui ao médico. Depois emagreci um pouco, porque falaram que era por causa do peso”, descreve. Segundo o Magdiel, um verdadeiro “fominha por bola”, como ele mesmo se descreve, as lesões não são motivo para deixá-lo no banco durante uma partida. “Eu insistia. Doía e eu continuava jogando. Eu não parava não. Só se eu não conseguisse mesmo”, conta.

Cuidados com as lesões
Victor Titonelli, ortopedista do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into), explica que em esportes como corrida, futebol e vôlei, as lesões mais comuns são as de tornozelo, canelite, lesões ligamentares, tendinosas e meniscais no joelho, como estiramento, e ruptura muscular no quadríceps, na coxa e na panturrilha. Nas atividades onde são mais usados os membros superiores, os tendões do ombro e os cotovelos são os que mais costumam ser afetados por lesões.

A primeira observação do especialista é buscar tratamento para as lesões, pois a maioria das pessoas apela para a automedicação e insiste em continuar os exercícios mesmo com dor, com a ajuda de imobilizadores que, segundo o ortopedista, pode levar a um quadro mais grave.

“Uma lesão não diagnosticada ou não tratada corretamente pode se tornar muito mais séria, podendo até chegar a necessidade de cirurgia, no caso, por exemplo, de uma fratura por estresse. Um exemplo clássico é a fratura que atingiu o Neymar antes da Copa”, alerta Victor Titonelli.

Como prevenir estas lesões
De acordo com Titonelli, para evitar lesões em atletas de fim de semana é essencial a prática mais constante de atividade física. “Tentar fazer atividades aeróbicas durante a semana pra ganho de condicionamento cardiovascular, fortalecimento muscular, alongamento muscular antes e após dos exercícios e aquecimento antes da prática esportiva. Também é muito importante a adequada hidratação”, aconselha.

As dicas são ainda mais importantes para pessoas mais velhas. No caso de atletas de fim de semana, quanto maior a idade, maiores são as chances de lesões, por causa do desgaste natural do corpo.

Outra sugestão é passar por uma avaliação de um especialista, que, na maioria dos casos indica medidas inicias como o repouso, a aplicação de gelo, a compressão do local da lesão, a elevação do membro pra diminuição do edema. Quando necessário, é preciso atendimento médico e de fisioterapia para a reabilitação.

Erika Braz, para o Blog da Saúde

Brasileiros desenvolvem curativo à base de abacaxi que facilita a cicatrização

Curativo de abacaxi
Divulgação
A associação de uma proteína do abacaxi com celulose produzida por bactérias resultou em um curativo eficiente como anti-inflamatório cicatrizante de ferimentos, ulcerações e queimaduras, segundo trabalho de pesquisadores das universidades de Sorocaba (Uniso) e Unicamp, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp)

Ele produziram um composto na forma de gel ou emplastro que tem como base a proteína do abacaxi, chamada de bromelina, e a celulose bacteriana – dois elementos que já vinham sendo estudados há tempos para aplicações nas áreas médica, farmacêutica e cosmética.

A bromelina tem a propriedade de quebrar moléculas de outras proteínas – o chamado debridamento celular – e, por isso, é usada até para amaciar carne.

“Essa mesma característica faz com ela remova as células mortas na ferida, limpando-a e acelerando sua cicatrização”, explica Janaína Artem Ataide, da Unicamp, autora principal do artigo publicado no periódico Scientific Reports, do grupo Nature, que mostra os resultados do trabalho conjunto.

A celulose é o biopolímero mais abundante da natureza, produzido principalmente por plantas. Mas também há alguns microorganismos, como a bactéria Gluconacetobacter xylinus, capazes de sintetizá-la.

“Essa bactéria é uma biofábrica”, explica a pesquisadora Angela Faustino Jozala, do Laboratório de Microbiologia Industrial e Processos Fermentativos da Uniso, outra autora do artigo. “Ela produz a celulose como se tricotasse polímeros de glicose (açúcar). Como o produto é tecido em nanoestruturas (um nanômetro equivale a um milionésimo de milímetro ou um bilionésimo de metro) o chamamos de nanocelulose.”

Em termos mais técnicos, Jozala explica que a “celulose bacteriana é um polímero linear de glicose, altamente cristalino, sintetizado extracelularmente pela bactéria Gluconacetobacter xylinus na forma de nanofibras. Como ela é produzida livre de outros polímeros (como hemicelulose e lignina), pode ser considerada um material biocompatível”.

Por isso já vem sendo utilizada em diversas aplicações médicas, como, por exemplo, em enxertos e substitutos temporários de pele ou curativos no tratamento de lesões.

Unir esforços
As duas equipes conheciam o trabalho uma da outra e resolveram unir esforços para produzir o novo curativo. “Como a nanocelulose bacteriana já vem sendo aplicada como produto cicatrizante, nós tivemos a ideia de associar a ela uma proteína com propriedades anti-inflamatória e antimicrobiana”, conta Jozala.

“Escolhemos a bromelina porque já conhecíamos suas características e porque a indústria de alimentos, quando produz a polpa de abacaxi, joga a casca e o talo da fruta fora. É fonte barata de obtê-la. Aproveitamos que a equipe da Unicamp já a vinha extraindo desses resíduos para trabalhar em conjunto.”

A pesquisadora Priscila Gava Mazzola, da Unicamp, orientadora de Ataide e outra autora do artigo, diz que a extração da bromelina de resíduos de abacaxi diminui o impacto ambiental da industrialização da fruta e gera um produto de alto valor agregado. Além disso, ela destaca outro pontos importantes do trabalho.

“As biomembranas de nanocelulose são promissoras na entrega de princípios ativos”, diz. “Suas características interessantes para o desenvolvimento de um produto farmacêutico ou cosmético foram alinhadas com as da bromelina. O curativo final tem potencial uso para auxiliar os processos de cicatrização.”

Ataide, por sua vez, conta que há alguns anos a bromelina tem sido objeto de pesquisa na Unicamp. “Passamos da extração dessa biomolécula a partir de resíduos do abacaxi para o estudo de sua aplicação em produtos farmacêuticos e cosméticos para via tópica”, explica.

“Nesse cenário, surgiu a ideia de inseri-la na nanocelulose bacteriana, que se mostrou como o sistema mais promissor para sua veiculação. Hoje, temos pesquisado o aumento da estabilidade da proteína com o uso de nanopartículas de quitosana (substância encontrada no exoesqueleto de crustáceos, que tem propriedades cicatrizantes).”

Os primeiros testes em laboratório foram feitos para verificar se a bromelina criava de fato uma barreira antimicrobiana. “Ferimentos não cuidados são uma porta aberta para micro-organismos, o que pode levar a infecções graves”, diz Jozala. “Por isso, necessitam de um bom curativo, que ajude na cicatrização e evite contaminação. Além disso, deve ser capaz ainda de propiciar atividade antioxidante, para diminuir o processo inflamatório de células mortas e pus”.

A proteína do abacaxi se mostrou capaz de preencher esses requisitos.

Fase de testes
Para realizar os testes, as membranas de nanocelulose bacteriana foram mergulhadas por 24 horas em uma solução de bromelina. Os pesquisadores observaram que, 30 minutos após ela ser incorporada à celulose, houve maior liberação e aumento de nove vezes na atividade antimicrobiana da membrana.

“Ou seja, foi criada uma barreira seletiva, que potencializou a atividade proteica e outras ações importantes para a cicatrização, como o aumento de antioxidantes e da vascularização”, conta Jozala.

De acordo com ela, o novo curativo já passou a pela primeira fase de desenvolvimento de um medicamento, que é feito em laboratório, para verificar se tem o efeito desejado e não é tóxico.

Agora, virá a fase dois, que são os testes com animais. Os trabalhos estão sendo feitos no novo laboratório da Uniso. Além do curativo, as novas instalações servirão para testes, produção e purificação de biomoléculas de interesse em diversos segmentos industriais (biotecnológico, ambiental, alimentício, farmacêutico).