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terça-feira, 15 de maio de 2018

Álcool e tabaco são mais danosos do que qualquer outra droga, diz estudo

Resultado de imagem para smoke and drinkEles levam a (muito!) mais mortes e anos de vida saudável perdidos

Álcool e tabaco são drogas altamente viciantes. Mas sua produção, sua venda e seu consumo são legais na maior parte do mundo. Por isso mesmo, são também as drogas mais usadas no planeta. E o fato de serem permitidas não diminui os danos que podem causar. Ao contrário, isso as torna as substâncias viciantes que representam de longe o maior fardo à saúde pública global, muito mais do que todas as drogas ilícitas, como maconha, cocaína, heroína e outros opioides, juntas, mostra uma revisão geral de estudos que compilou as melhores e mais recentes informações disponíveis atualmente sobre uso de drogas, lícitas ou ilícitas, e suas consequências, publicada nesta sexta-feira no periódico científico “Addiction”.

De acordo com os dados levantados, o álcool, como era de se esperar, tem a maior prevalência de uso, e abuso, no planeta. Com venda livre e publicidade praticamente sem restrições na grande maioria dos países, o consumo de bebidas alcoólicas atingiu 6,42 litros anuais de álcool puro per capita da população mundial com mais de 15 anos em 2015, com mais da metade das pessoas nessa faixa etária (55,3%) tendo bebido pelo menos uma vez na vida, e cerca de 63,5 milhões consideradas dependentes.

Mas o problema maior é que quase uma em cada cinco de todas as pessoas com mais de 15 anos no mundo (18,4%) e duas em cada cinco entre as não abstêmias (39,6%) relataram pelo menos um episódio de consumo excessivo de álcool — determinado como 60 gramas ou mais da substância pura de uma vez, ou o equivalente a 1,5 litro de cerveja com uma concentração de 5% de álcool por volume — num período de 30 dias. Assim, o álcool também causou um grande número de mortes e de anos de vida saudável perdidos no mundo em 2015. Segundo a revisão, foram mais de 2,3 milhões mortes naquele ano devido ao consumo de bebidas alcoólicas, com uma perda de quase 85 milhões de anos de vida saudável entre seus consumidores.

Já com relação ao tabaco, alvo de uma onda de limitações no seu consumo e publicidade nas últimas décadas, a revisão indica uma prevalência de 15,2% no seu uso diário em 2015, com uma grande diferença entre homens (25%) e mulheres (5,4%). Ainda mais danoso que beber, o tabagismo provocou o maior número de mortes e de anos de vida saudável perdidos no mundo em 2015, respectivamente quase 7,2 milhões e cerca de 171 milhões. Vale destacar ainda que os números relativos ao uso de tabaco coletados na revisão se referem apenas às utilizações de queima — cigarros, cachimbos e charutos —, e não levam em conta outras formas de consumo, como o tabaco mascado, assim como ignoram o fumo esporádico, também muito comum.

Entre as drogas em geral ilícitas na maior parte dos países, a maconha, que passa por um processo de liberalização, regulamentação ou descriminalização em diversas nações, é a mais usada no planeta. De acordo com o levantamento, 3,8% da população mundial com entre 15 e 64 anos consumiu a cannabis ou seus derivados em 2015. Em segundo lugar vieram as anfetaminas, com uma prevalência de 0,77% nessa faixa etária, seguida dos opioides, prescritos ou não, com 0,37%, cocaína, com 0,35%, e uso injetado de drogas (que podem incluir cocaína e opioides como heroína e morfina), com 0,25%. O uso de todas elas, no entanto, teria provocado menos de 500 mil mortes e uma perda de quase 28 milhões de anos de vida saudável em 2015.

— O grande problema com o álcool e o tabaco é a alta prevalência de seu uso, muito maior que das drogas ilícitas — destacou Robert West, professor do University College London, editor-chefe do “Addiction” e um dos autores da revisão publicada pelo periódico. — E sim, algumas drogas ilícitas, como heroína e outros opioides, têm maior risco e fardo à saúde por usuário, mas, se olharmos para outras, como a maconha, ela é muito menos danosa que o tabaco ou o álcool. A questão então não é se a droga é legal ou ilegal, mas o quão danosa ela é e o quanto ela é usada, fatores esses que fazem do álcool e do tabaco tamanhos fardos à saúde global.

Proibição que não resolve
Diante disso, West considera que a solução para o problema não está na simples proibição, mas em uma mudança de atitude dos governos, e da cultura da população, com relação ao uso dessas drogas, em especial o álcool. Segundo ele, é possível, e necessário, repetir com as bebidas as restrições à publicidade e as alterações na percepção do público que estão levando à redução na aceitação e no consumo de cigarros em muitos países do mundo. Assim, comportamentos como o chamado binge drinking, o consumo excessivo de álcool de uma vez, será visto como anormal, e não tolerado ou até mesmo estimulado.

— Temos muitas evidências de coisas que podemos fazer, mas isso requer vontade política dos governantes e informação à população — diz ele. — No caso do álcool, por exemplo, sabemos que seu uso é muito sensível a questões de preço, disponibilidade e propaganda. Mas, na Europa, onde o consumo de álcool é o mais alto do planeta, os governos sabem o que podem fazer para combatê-lo, mas não fazem. E não só porque o público é contra. Se fossem informadas do tamanho do problema e suas consequências para toda sociedade, creio que as pessoas aceitariam pagar mais pelas bebidas e limitar sua propaganda. Mas aí temos um forte interesse comercial envolvido. A indústria do álcool está tão próxima política e pessoalmente dos governantes que é muito difícil eles tomarem uma atitude.

Opinião similar tem Sabrina Presman, psicóloga e presidente da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas. Segundo ela, é urgente que os países adotem políticas de prevenção eficazes, que ajudem a coibir o consumo dessas substâncias, principalmente o Brasil, onde considera que ainda há um longo caminho a percorrer em relação ao álcool.

— A maior parte da população acaba experimentando essa droga no final da infância e início da adolescência. É uma droga permitida e até mesmo estimulada. Há festas de 15 anos com bebida permitida e ambulâncias na porta. Há eventos culturais e esportivos patrocinados pela indústria do álcool, propagandas que estimulam o consumo — destaca, acrescentando, por outro lado, que a política brasileira em relação ao tabaco pode servir como exemplo para outros países: — No Brasil temos conseguido mudar essa realidade de consumo do tabaco. Na década de 1980, a prevalência de consumo na população era de 39%, hoje é 10%. Foram colocadas em prática ações como a proibição da propaganda na televisão, restrição de fumo em ambientes fechados, tratamento para tabagista por meio do SUS (Sistema Único de Saúde). Foram essas políticas públicas que ajudaram a mudar uma cultura na qual o tabaco era visto como algo bonito. Mas ainda não conseguimos fazer isso com o álcool. 

O Globo

segunda-feira, 14 de maio de 2018

Antibióticos e vírus: A questão é mais complexa que se pensava

Resultado de imagem para Antibióticos e vírus: A questão é mais complexa que se pensavaHá poucos dias, uma equipe da Universidade de Washington (EUA) ganhou as manchetes no mundo todo ao demonstrar que os antibióticos aumentam a suscetibilidade da pessoa a uma infecção posterior por vírus

Antibióticos são medicamentos desenvolvidos para combater bactérias, e não vírus, e tem havido muitas campanhas para que os médicos não os receitem para casos que não sejam comprovadamente causados por bactérias por causa dos riscos de desenvolvimento de resistência microbiana. Mas esta também não parece ser a história toda – ou, pelo menos, pode não ser a história que ocorre o tempo todo.

Quando Smita Gopinath e Akiko Iwasaki, da Universidade de Yale (EUA), aplicaram um antibiótico tópico comum em camundongos antes ou logo após a infecção com herpes e outros vírus, o que se viu foi que o antibiótico desencadeou uma resistência antiviral nos animais. O antibiótico neomicina diminuiu a proliferação do vírus do herpes e seus sintomas. Observe que os experimentos são diferentes: a equipe da Universidade de Washington constatou efeitos reforçadores da infecção viral quando o antibiótico foi tomado antes; a equipe de Yale constatou efeitos de combate ao vírus quando o antibiótico foi tomado depois. Os vírus estudados também são diferentes.

Antibióticos contra infecções virais
Ao estudar a questão mais a fundo, a equipe observou que houve uma maior expressão de genes que são estimulados por interferons – proteínas que bloqueiam a replicação viral. A neomicina acionou um receptor nas células imunológicas dos animais de laboratório que respondeu ao antibiótico como se fosse uma infecção viral. O efeito antiviral foi similar nos camundongos infectados com os vírus da gripe e zika.

Embora os resultados sejam notáveis, os pesquisadores se apressaram em afirmar que não estão encorajando o uso de antibióticos tópicos para tratar infecções virais em pessoas. Eles acrescentam, no entanto, que seu estudo aprofunda a compreensão do efeito antiviral de um antibiótico e pode levar ao desenvolvimento de melhores medicações antivirais. Os resultados foram publicados na revista Nature Microbiology.

Diário da Saúde

Pesquisa da Ufla aponta que usar celular ou ler durante refeições aumenta consumo de calorias em até 20%

Imagem relacionadaPesquisa da Ufla aponta que usar celular ou ler durante refeições aumenta consumo de calorias em até 20%

Uma pesquisa da Universidade Federal de Lavras (Ufla) mostrou que usar o celular ou ler durante as refeições pode aumentar o consumo de calorias em até 20%. O estudo associa o uso de um smartphone ou a leitura à uma distração que pode levar a pessoa a comer mais. A conclusão veio do Departamento de Ciências da Saúde da universidade, que avaliou 64 pessoas, de 18 a 40 anos. Foram avaliados aspectos como a mastigação, Índice de Massa Corporal e preferência de alimentação. Os participantes se alimentaram sem nenhuma distração e depois ao lado de smartphones e textos de uma revista.

O resultado foi de 15% mais calorias com o uso de celulares ou tablets e até 20% mais no caso da leitura de um texto, o que representa 101 calorias. “No momento que você tem um fator distrator, você não presta atenção na quantidade de alimento que você está ingerindo. E o nosso centro da saciedade leva em consideração não só o aspecto fisiológico daquilo que foi ingerido, mas também o efeito da própria memória”, explica o professor Luciano José Pereira, coordenador da pesquisa. “Então, a partir do momento que você não presta atenção naquilo que você está ingerindo, você corre o risco de se alimentar em excesso”.

O professor também comentou sobre a prática de pais que colocam desenhos ou outras atividades para distraírem os filhos durante o almoço ou jantar. “A utilização destes recursos já é inclusive preconizado pelo guia alimentar de 2014 que a gente não deve ter nenhum tipo de distração, de equipamento eletrônico”. Para o professor, o uso destas práticas leva a problemas no desenvolvimento da criança. “É preciso criar um hábito mais saudável de alimentação. Então, se a criança está ali com um tablet ou desenho, isso vai distrair e ela vai crescer com esse hábito que não é saudável”.

G1

quinta-feira, 3 de maio de 2018

Idosos com Alzheimer ficam mais agressivos à noite

E só agora cientistas de Harvard começaram a entender o fenômeno, que ganhou o apelido de "sundowning"

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Se você convive com idosos com Alzheimer, ou certos tipos de demência senil, já deve ter reparado que, de uma hora para outra, eles podem ficar ariscos e até agressivos. É claro que não é de propósito, nem uma questão de personalidade. É um sintoma – que, em muitos casos, tem horário definido.

A agitação com hora marcada sempre foi um mistério
Quem trabalha com esses pacientes nota que a onda de agitação aparece de repente, e é mais comum quando anoitece. Não é coincidência: o fenômeno é bem conhecido pelos médicos, e ganhou o apelido de sundowning (em português, é algo como “conforme o sol se põe”). Até recentemente, ninguém sabia porque a chegada da noite era associada com um aumento na agressividade. Mas neurocientistas de Harvard começaram a entender essa relação, graças a um estudo com ratos.

Seu relógio biológico escolhe a hora de brigar
Sabemos que muita coisa no nosso organismo é controlada pelo ritmo circadiano, que define a hora que você sente fome, sono e até sua temperatura corporal. Mas, até agora, ninguém sabia que ele tinha qualquer coisa a ver com comportamentos agressivos. A descoberta rolou quando os cientistas colocaram ratos machos para disputar território – situação que os deixa naturalmente furiosos. A situação se repetiu em vários horários diferentes – e logo ficou claro que existia um padrão na reação dos animais.

Durante o dia, porrada crescente. À noite, calmaria
A quantidade de ataques – e a intensidade deles – ia crescendo ao longo do dia. Chegava ao pico logo antes de anoitecer. Mas conforme as luzes se apagavam, os conflitos iam diminuindo e atingiam ao nível mínimo ao amanhecer, antes das luzes se acenderem. Ou seja: a chegada da noite parecia funcionar como um freio para a agressividade dos ratos – exatamente o contrário do que acontecia nos pacientes com Alzheimer.

É possível manipular o circuito do relógio biológico para reduzir (ou aumentar) a agressividade
Depois de encontrar esse padrão, os pesquisadores foram investigar o que estava acontecendo no cérebro desses ratos. Eles começaram observando o “relógio-mestre” do cérebro, o grande maestro do ritmo circadiano. Esse chefão é, na verdade, um grupo de 20 mil de neurônios, chamado de núcleo supraquiasmático (NSQ, para os íntimos), localizado no hipotálamo.

Também no hipotálamo fica outra região com nome estranho – o VMHvl, ou “divisão ventrolateral do núcleo ventromedial”. Dá para considerá-la parte do “circuito cerebral da raiva” porque, quando os neurônios dali são estimulados, os ratos imediatamente se colocam em posição de ataque. O que os pesquisadores descobriram, ao mapear o cérebro dos bichos, foi que o chefe do relógio biológico, o NSQ, tem um canal (na verdade, dois canais) de comunicação direta com esses neurônios raivosos. Essas conexões entre o NSQ e o VMHvl nunca tinham sido observadas antes.

Os cientistas resolveram, então, fazer um teste. Bloquearam essas conexões e impediram que os dois centros trocassem mensagens. Na prática, eles isolaram o relógio biológico do setor da agressividade. Resultado? O comportamento dos ratos parou de variar conforme a hora do dia. Mas eles ficaram mais raivosos o dia inteiro. Depois, os pesquisadores fizeram o contrário. Estimularam essas conexões acima do normal. Como consequência, os ratos ficaram muito mais tranquilos. Não tiveram picos de agressividade hora nenhuma no dia.

É cedo para traduzir o que isso significa para seres humanos. Mas a hipótese dos cientistas é que, em casos de doenças degenerativas, como o Alzheimer, as “pontes” neurais entre esses dois grupos específicos de neurônios enfraquecem. E, por isso, a agressividade aumenta justo na hora em que, idealmente, ela deveria diminuir. Daí a confusão, a agitação e a raiva noturna dos pacientes. Se isso se confirmar, surgem novas possibilidades de terapia – um tratamento, quem sabe, que consiga fortalecer as conexões entre essas duas subregiões – e trazer, assim, alívio duplo: para os pacientes com demência, mas também para quem cuida deles.

Superinteressante

quarta-feira, 2 de maio de 2018

Senado aprova PL que destina 30% da receita de multas de trânsito ao SUS

Resultado de imagem para repasse de dinheiro ao susTransferência deverá representar apenas um acréscimo aos investimentos obrigatórios na saúde publica a cargo da União

O Plenário do Senado aprovou, nesta terça-feira, 24, um projeto que destina 30% da arrecadação com multas de trânsito para o Sistema Único de Saúde (SUS). A proposta é de autoria do senador Eduardo Amorim (PSDB-SE) e segue agora para a Câmara dos Deputados.

A proposta recebeu duas emendas, quando passou pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). A primeira estabelece que as verbas geradas pelas multas não serão levadas em conta para atender à exigência constitucional de aplicação de um porcentual mínimo de recursos na saúde. Assim, essa transferência deverá representar apenas um acréscimo aos investimentos obrigatórios na saúde publica a cargo da União, dos estados, Distrito Federal e municípios.

A segunda alteração derrubou uma emenda aprovada na Comissão de Assuntos Sociais (CAS). A emenda da CAS pretendia destinar esses 30% da arrecadação com multas de trânsito para o Fundo Nacional de Saúde (FNS). “Ao rejeitar a emenda na CCJ, nós preservamos dispositivo da Lei do SUS, que determina o crédito direto das receitas geradas no âmbito do sistema em contas especiais, movimentadas pela sua direção, dentro da esfera de poder onde foram arrecadadas”,explicou a senadora Marta Suplicy (MDB-SP).

“Nós entendemos que os recursos devem ser utilizados de acordo com as prioridades de cada ente federativo. Esse é um projeto muito importante para a pauta municipalista e conta com o apoio da Confederação Nacional dos Municípios e da Associação Paulista dos Municípios”, complementou Marta.

Apesar de ter votado a favor da matéria, o senador Humberto Costa (PT-PE) classificou o texto de “puxadinho” e aproveitou para argumentar que a medida é uma forma de contrabalancear o peso do chamado Teto de Gastos. “É como se nós estivéssemos cobrindo um santo e descobrindo outro. No momento em que eu tiro os recursos que são das multas arrecadadas tanto no Município quanto no Estado, certamente, aquelas políticas que eram ou são financiadas com as multas irão perder. Mesmo assim, como eu disse, são recursos do próprio Município ou do próprio Estado”, disse Costa. “O que nós precisamos são de fontes estáveis e não de puxadinhos. Por melhor que tenha sido a intenção do senador Eduardo Amorim, este é o típico puxadinho: nós vamos buscando dois tostões ali e três ali para tentar levar recursos para a saúde, que tem um déficit muito, muito, muito, muito maior que isso”, defendeu o petista.

Exame

Pela 1ª vez, genéricos são mais receitados do que remédios de referência

Levantamento da PróGenéricos revela que 34% das prescrições são de genéricos; remédios similares e de referência somaram 33% das receitas cada um

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Levantamento realizado pela PróGenéricos (Associação Brasileira das Indústrias de Medicamentos Genéricos) revela que, pela primeira vez, os genéricos são os remédios mais receitados por médicos brasileiros. No período de doze meses encerrado em fevereiro deste ano, 34% das 115 milhões de receitas emitidas foram de drogas genéricas. Fármacos similares e de referência somaram 33% das prescrições cada um. O estudo levou em consideração dados do Close-Up International, instituto que faz auditoria do receituário apresentado em farmácias de todo Brasil. No total, foram emitidas 38.763.225 de receitas que apontavam os genéricos como primeira indicação. Os similares marcaram 38.210.558 e os de referência, 38.094.583.

A diferença é pequena, mas histórica. Desde que os primeiros registros de fármacos genéricos foram concedidos, em fevereiro de 2000, esse tipo de medicamento sempre esteve atrás das marcas de referência e de similares no receituário. O que ocorria na maioria dos casos era o médico receitar o remédio de referência, e cabia ao paciente solicitar o genérico na farmácia, caso houvesse a opção.

De acordo com a presidente da PróGenéricos, Telma Salles, o crescimento do número de receitas que trazem os genéricos como primeira indicação se deve a uma maior aceitação dos profissionais da saúde. “A resistência do médico foi diminuindo por conta da qualidade, eficácia e segurança (dos genéricos), que vem se comprovando ao longo do tempo”, diz. “A confiança é que faz com que o médico prescreva. É um aval importante”. Na opinião de Telma, a demora de quase 20 anos para que os números alcançassem esse resultado foi justamente por causa da confiança que os médicos tinham em algumas marcas. No entanto, como os laboratórios que produzem remédios de referência também têm hoje linhas de genéricos, a aceitação cresceu.

“Não é uma forma diferente de produzir remédios, mas de comercializar, com o valor mais baixo, sem o ônus do marketing e do investimento, que já foi pago ao longo dos anos, o que possibilitou a perda de patente. O genérico é 60% mais barato, em média”, explica. Outro fator para esse crescimento expressivo foi a crise econômica, que abateu os orçamentos familiares. Em 2014, primeiro ano da recessão, os genéricos estavam em 28% das receitas, atrás dos medicamentos de referência (40%) e similares (32%). “O paciente tem um papel decisivo na hora da aquisição e também pode pedir para o médico uma alternativa genérica”, diz Telma. “O papel econômico é importante.”

O médico Antonio Pereira Filho, conselheiro do Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo), concorda que o fator financeiro foi preponderante na decisão dos médicos de prescrever remédios genéricos. “Historicamente, o médico tem uma ligação maior com grandes laboratórios, que são financiadores de pesquisas e de congressos internacionais e nacionais. Mas o dado mostra um reconhecimento de que, apesar disso, a classe médica está prescrevendo o mais barato. O interesse dos pacientes está falando mais alto”. Além disso, ele afirma que os conselhos de medicina sempre se posicionaram favoravelmente em relação aos genéricos, principalmente pela fiscalização periódica do Ministério da Saúde sobre esse tipo de medicamento, que comprovam a confiabilidade.

Número de receitas também subiram
Os mesmos dados apontam um crescimento significativo no total de receitas emitidas. Em fevereiro de 2014, foram 65.333.103 prescrições no período de doze meses. Em fevereiro de 2018, esse número saltou para 115.068.396, um aumento de 76,13%. O crescimento de receitas de genéricos foi ainda mais alto, de 113,54% entre 2014 e 2018. O receituário dos similares subiu 81,21% e o de medicamentos de referência, 45,99%.

De acordo com Telma, esse aumento substancial é um resultado de três fatores: maior acesso a informação, preocupação com qualidade de vida e, principalmente, o envelhecimento dos brasileiros. “A população que envelhece precisa de medicamentos”, explica. Para Pereira Filho houve também uma “conscientização de que a automedicação é uma grande fria”. “Há campanhas sistemáticas, que dizem para população procurar um médico, que remédio não é uma coisa tão simples, tem efeitos colaterais.”

Vendas
A PróGenéricos também analisou os dados da IQVIA, que audita as vendas do varejo farmacêutico. Entre 2015 e 2017, a comercialização de genéricos em unidades avançou 29,73%, número acima do crescimento do mercado no total, que subiu 15,18%. O crescimento das vendas genéricos foi ainda mais expressivo nos caso dos remédios que combatem doenças crônicas. De acordo com o estudo, houve um aumento de 59,82% nas unidades de remédios genéricos anti-lipêmicos, usados no controle do colesterol. A participação nas vendas desse tipo de medicamento genérico, que era de 44% em 2015, passou para 58% em 2017.

No caso dos anti-hipertensivos, os genéricos tinham 64% do mercado em 2015. Em 2017, a porcentagem de participação foi para 70%. O motivo, segundo a presidente da PróGenéricos, foi o peso dessas drogas de uso contínuo no orçamento, o que faz com que o consumidor opte pelo preço mais em conta. “As pessoas têm de tomar todos os dias, todos os meses. Têm um impacto maior na cesta básica de medicamentos”. O conselheiro do Cremesp reforça ainda que o aumento nas vendas dos genéricos se deve a uma mudança de mercado. “Ao contrário de quinze anos atrás, todas as farmácias contam hoje com um farmacêutico oferecendo para o cliente um leque de opções de uma mesma substância. Antes, eram balconistas que empurravam aquelas marcas que, de alguma forma, bonificavam a farmácia”, explica.

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